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História Meu querido chefe - Capítulo 14


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Notas do Autor


Olá, meus amados leitores! Conforme combinado, este é o penúltimo capítulo da história; espero que seja o bastante para fechar algumas pontas soltas que haviam — sei que muitos desejam mais, porém, não planejei nada além do que estou entregando e para ser franco, seria injusto com vocês estender apenas parar ganhar mais números.

Agradeço demais o carinho de todos vocês e é isso. Boa leitura! ❤

Capítulo 14 - A primeira segunda sempre é confusa


O elevador nunca pareceu tão lento quanto hoje, sentia cada segundo passar de forma demorada, junto com a tediosa música melodiosa que tocava baixo dentro do objeto metálico. Segurava os dois cafés — dessa vez comprados na cafeteria no final da rua, ainda não tinha a coragem de encarar Asuma — e agradecia isso, afinal era a única coisa que o impedia de ficar retocando o visual.

Havia tomado cuidado em dobro para cobrir as marcas do final de semana em sua pele, havia partilhado tanto o sábado quanto o domingo ao lado de Kakashi Hatake e com certeza foram dois dias bem mais agitados que o seu habitual. Assustou-se quando finalmente a porta do elevador foi aberta com um rangido demorado, mas logo recobrou a postura centrada que desejava ter.

“Não há com o que se preocupar”, dizia para si enquanto caminhava em direção ao seu habitual lugar de trabalho. Mas, a ansiedade o consumia cada vez mais — tinha medo de encontrar o grisalho e encontrar-se novamente com aquele homem fechado que tanto lhe assustava nos primeiros dias. Ou pior, encontrar novamente aquele olhar perdido que tanto o incomodava.

Chegou até a sua mesa e antes de colocar o café sobre ela, parou quando ouviu sons oriundos da sala do grisalho; realmente não esperava que o seu chefe já estivesse em sua sala e pior ainda, que já estivesse tendo alguma reunião. Pensou se deveria apenas aguardar que a atividade do homem acabasse, mas imaginou que seria melhor adentrar na sala alheia para dizer que estava disponível para ajudar.

Então, deixou o seu próprio café expresso e caminhou em direção a sala do mais velho com a dose dele de cafeína diárias.

— Senhor Kakashi? — falou depois de bater com suavidade na madeira antiga da sala alheia.

— Iruka... pode entrar. Eu estou em reunião, mas fique à vontade.

Respirou fundo antes de levar a mão em direção a maçaneta, havia compreendi o porquê do aviso do homem sobre o que estava fazendo; era para indicar que deveria entrar da forma mais profissional possível.

— Desculpem a intromissão, senhores...

Calou-se quando adentrou por completo na sala do Hatake, de fato não era uma reunião simples na sala do mais velho. Desejou ter continuado lá fora, sentado na cadeira de seu computador enquanto continuava-se na ignorância completa. Porém, já não havia a possibilidade de isso acontecer, precisava ser o mais simpático possível.

Recebeu os olhares dos três homens e nesse momento sabia que estava em uma situação complicada, especialmente pelo teor das companhias do homem que há poucas horas estava partilhando sua cama. Entretanto, forçou o melhor sorriso que poderia dar e passou a caminhar em direção as pessoas.

— Bom dia, senhores. Sei que interrompi algo importante, mas precisava avisar ao senhor Kakashi que já estou disponível para dar suporte a vocês.

— Não se preocupe com isso, jovem. Nós já terminamos de falar sobre as coisas importantes, só estamos conversando sobre assuntos triviais. Aliás, é um prazer finalmente conhecer a pessoa que está trabalhando diretamente com o meu filho.

— Confesso que não esperava encontrar o famoso senhor Sakumo Hatake, estou até me sentindo patético por estar sem jeito.

Seu olhar foi de encontro com o de Kakashi e podia sentir a preocupação nos olhos negros do outro. Deixou o copo de café na mesa alheia e voltou a dar atenção para as duas pessoas que estavam fora do seu círculo comum.

— E obviamente é um prazer lhe rever, senhor Obito Uchiha.

— Não lhe falei que Iruka Umino era extremamente simpático, Sakumo. Esse homem teria um futuro impecável nas relações públicas — O Uchiha falou com um sorriso divertido nos lábios. — Também estou feliz por te ver novamente, Iruka.

— Depois eu lhe conto sobre o que estávamos conversando, Iruka. Você pode ir resolver os seus assuntos planejados pela manhã, como meu pai disse, já terminamos tudo o que tínhamos para falar de importante.

Agradeceu silenciosamente o homem pela oportunidade para sair da sala, estava mais tenso do que deveria com isso. Era como se pensasse que os outros pudessem ver os seus pecados com o chefe, pudessem notar o cheiro de sexo em seu corpo junto com os hormônios aflorados.

— Não expulse o rapaz, Kakashi. Ele pode desejar conversar um pouco com os empresários grandes — o Hatake mais velho falou olhando diretamente para o moreno que sorria envergonha.

— Na verdade, eu preciso conversar com ele — Obito intrometeu-se na conversa já se levantando da poltrona onde estava. — Iruka, você poderia me acompanhar até lá fora? Deixemos os Hatakes conversando, acho que Kakashi e Sakumo possuem bons assuntos para trocarem.

— Senhor Sakumo, foi um prazer lhe conhecer oficialmente. Ouvi bastante sobre você nas notícias e és praticamente uma estrela aos meus olhos, espero que em outro momento possamos conversar mais.

Porém, logo passou a encarar o Uchiha que caminha despreocupado em direção a saída da sala, era mais do que grato ao mais velho pela melhor oportunidade para sair sem perder a postura. Queria saber se Kakashi precisava de algo, mas não tinha a coragem para passar tempo demais conversando com o tentador grisalho.

 

Acompanhava Obito sem dizer uma palavra sequer, estava de fato ansioso com qual era o objetivo do empresário em o chamar para uma conversa. Não queria parecer realmente tenso com isso, mas estava a ponto de sentir o coração palpitando com os pensamentos negativos.

— Não se preocupe com o seu namorado, Iruka Umino. Eu e Sakumo apenas estávamos finalizando os pontos do contrato que você e ele foram resolver durante a viagem, o seu homem não está sendo punido.

Era impossível esconder a surpresa em seu semblante, tanto que simplesmente parou a caminhada e olhou confuso para o homem que parecia realmente divertir-se com o ar desconcertado do jovem. Pensou se deveria negar a sugestão, mas sentia que havia certeza demais na fala do Uchiha para ser apenas um comentário provocador.

— Você pensou que o meu melhor amigo não falaria da conquista mais recente dele? — falou quando encostou na parede branca do corredor da empresa. — No instante em que eu vi vocês dois juntos na primeira vez, sabia que o meu velho amigo estava louco por você. Sei que fui uma péssima pessoa quando te beijei antes dele ter a oportunidade, mas parece que o Hatake venceu a luta.

— Não sabia que ele iria falar disso com você. Sinceramente, eu nem sabia se ele havia realmente se importado com isso.

— Cara, eu tive que ouvir muitos detalhes que não gostaria. Pode ter certeza, o meu amigo está totalmente apaixonado por você e sei que você está louco por ele, escondes muito mal o sorriso quando pensa nesse homem.

Sentiu o rosto queimar com o comentário do mais velho, conseguia imaginar os assuntos que os dois homens poderiam ter trocado. Mas, conseguia se sentir um pouco mais confiante depois de saber que Kakashi tinha falado dele para alguém tão próximo quanto Obito.

— Sabe, eu vou te contar algo e quero que jure que nunca vai contar para o meu melhor amigo. Eu não posso perder a minha postura diante dele.

— Eu não sou de fazer intrigas, nem mesmo para ele — Disse divertindo-se com o semblante falsamente preocupado do outro. —  Além disso, estou curioso para saber o que você deseja partilhar comigo, então, trate de dizer logo.

— Tente não magoar o meu amigo. Eu não sei se você sente a mesma coisa que ele sente por você e se não for, espero que deixe isso claro para Kakashi. Ele é um homem intenso, vive tudo o que deseja naquele fervor que o faz parecer um idiota.

— Isso é o que eu amo nele, Obito — Admitiu mantendo o contato visual com o outro, queria mostrar que estava tranquilo com o que iria falar nesse momento. — Eu amo Kakashi Hatake. Amo-o sabendo de todos os problemas que podem vir com isso, amo ele sabendo dos comentários que ouvirei pelo tempo que estiver junto dele.

— Eu não sou criança. Sei que serei chamado de interesseiro pelas costas, de alguém que teve a sorte grande... dependendo da repercussão, posso até mesmo ser visto de forma negativa no mercado de trabalho. E quer saber? Eu estou completamente tranquilo com todos esses riscos, pois eu quero aquele homem de fios grisalhos. Então, realmente acho que eu quem devo estar preocupado com o fato dele não me querer como eu o quero.

— Ok, agora eu fiquei com ciúmes — falou tocando no ombro de Iruka com suavidade, mas o moreno sabia que o homem estava atento a algo atrás de si. — Bem, eu realmente quero que algum momento possamos beber juntos. Porém, creio que você prefira falar com esse grisalho do que comigo.

Olhou na direção do olhar do homem e logo esboçou um sorriso quando viu Kakashi aproximando-se cada vez mais do seu campo de visão. Estranhou o fato de Sakumo não estar junto dele, mas logo deduziu que o mais velho provavelmente havia saído pelo elevador empresarial — a empresa era dele.

— Vou deixar vocês sozinhos, acho que Sakumo está me esperando na recepção do prédio. Nós viemos juntos, afinal.

Assentiu já com os pensamentos vagos, estava preocupado com o semblante centrado do Hatake que parou há uma distância segura de si. Olhava diretamente os olhos negros do mais velho, com aquela velha urgência para tentar compreender o que se passava na mente conturbada.

— Minha sala, Iruka — Disse com o seu usual tom ríspido. — Precisamos conversar sobre algumas coisas e Obito, meu pai está realmente te esperando. Espero que você fique na cidade um pouco para conversamos sobre a vida.

Tem a impressão de que o Uchiha respondeu algo, mas Iruka já não conseguia pensar em mais nada além da ordem do homem. Havia feito algo de errado? Tinha agido estranho demais durante a conversa na sala mais cedo? Ou pior, Kakashi finalmente recobrou a consciência e decidiu que não poderiam continuar com a relação profissional depois dos momentos mais íntimos?

Todas as perguntas o assustavam, tinha medo de estar em qualquer uma dessas situações. Havia se entregado como desejava para o Hatake e agora as consequências disso poderiam estar prestes a surgir. E se estava pronto para isso? Obviamente, não.

 

— O que tem para falar comigo, senhor Kakashi? — Questionou quando já estava incomodado com o silêncio naquela sala pequena. — Eu estou ficando realmente tenso com isso, por favor, seja direto.

— Desculpa! Eu deixei você tenso?

Estreitou os olhos quando notou o sorriso divertido nos lábios do grisalho, ainda confuso com qual era o assunto que tinha para tratar. Manteve o olhar direcionado ao homem que estava encostado na mesa antiga de madeira, querendo mostrar que ainda desejando ouvir uma resposta.

— Você fica lindo com roupas formais, só não te beijo agora porque tem uma maldita câmera na minha sala — Sabia que estava vermelho, mas não precisava se importar com isso, a sensação de alívio era muito mais importante; sentia como se um peso tivesses saído de seus ombros. — Aliás, Obito ainda deu em cima de você? Nós estamos sendo exclusivos um do outro, não estamos?

— Sim, nós somos exclusivos — Respondeu sorrindo sem se importar com sua postura, não conseguia esconder que havia gostado de ouvir isso. — Estamos no trabalho, senhor Kakashi. Nós combinamos de... disfarçarmos as coisas enquanto estamos por aqui.

— Eu sou o chefe, posso quebrar as regras. Porém, juro que vou me comportar. Lhe chamei para conversarmos sobre outra coisa, além de ter conversado sobre o novo contrato com Obito e Sakumo, meu pai tinha outra coisa para falar comigo — parou de falar por um instante, reforçando o contato visual com o mais novo —, ele quer que eu vá para outro país. Quer que eu entre nos grupos dos acionistas das empresas, pare de cuidar das coisas em campo.

— Isso é muito bom, senhor Kakashi

Sabia que precisava soar mais convincente do que havia soado, mas não conseguia fingir tão bem. Era culpa do seu egoísmo, mas não desejava perder o homem. Forçou um sorriso em seus lábios e suspirou pesadamente antes de continuar a falar.

— Sei que eventualmente você será o presidente das empresas do seu pai, não apenas gerenciar uma delas. És o herdeiro de Sakumo Hatake e é com certeza mais do que capaz para cuidar do império dele. Entrar no grupo dos acionistas de vez é a melhor forma para que o senhor se acostume a tomar decisões.

Pensou no prazo de algumas semanas, poderia ser pouco tempo, entretanto tinha de ser o bastante para ter bons momentos com Kakashi Hatake; coisas que poderiam ficar em sua mente por um bom tempo. Nunca poderia pedir para ele rejeitar algo desse tipo, impedir as ambições de alguém por desejo era fútil demais.

— Quando você vai? Eu posso organizar algo com os funcionários da empresa, ou somente uma social comigo, se desejar.

Fechou as mãos enquanto esperava uma resposta do homem, sabia que tinha de estar preparado para tudo a partir de agora. O Hatake por sua vez apenas afastou-se da mesa e passou a caminhar para mais próximo do moreno — que continuou sentado na poltrona, sem saber como reagir. Por fim, o homem abaixou-se a sua frente, de forma que o seu olhar não pudesse mais ser ignorado pelo mais novo.

— Quando eu disse que iria? Não planejo mudar toda a minha vida pelos caprichos do meu pai, quando for a hora de assumir o lugar na empresa, farei. Sakumo ficou bastante irritado, mas saiu daqui já conformado com isso; continuarei cuidando dos negócios daqui, como sempre fiz.

— Os negócios do seu pai não são importantes? Sei que você se orgulha demais disso — falou tentando ignorar a presença cativante do outro tão próxima de si. — Se você está rejeitando isso por culpa minha, saiba que não quero ser o homem a segurar suas ambições. Eu te amo por ser o poderoso Kakashi e mesmo que sua saída possa significar o final disso aqui, prefiro que siga os seus sonhos.

— Preferiria que eu fosse embora?

— Não disse isso. Somente que não quero que mude suas escolhas por mim, sei que pode ser prepotência, mas você não ia estar me contando isso se minha opinião não fosse importante para ti.

— Não se preocupe quanto a isso, eu não vou por escolha minha. Quero ficar aqui, com você e na empresa que eu cuido por anos.

Arrepiou-se quando sentiu uma das mãos do homem buscar apoio em sua perna, mas logo tinha coisas mais importantes para preocupar-se. Rapidamente o Hatake aproximou seu rosto do dele, fazendo com que o Umino pudesse sentir a respiração alheia chocar-se em sua face com suavidade. Estava próximo o bastante daqueles lábios para se sentir atraído por eles, para aquele impulso selvagem tomar conta de si e isso parecia ser justamente o que Kakashi desejava.

— Acho que hoje vou ter que dar uma gorjeta para a equipe de segurança — falou antes de aproximar seus lábios do de Iruka, um suave encontrar de lábios que era o bastante para fazer o jovem sentir a eletricidade percorrendo o seu corpo.

Segurou a gravata do homem, garantindo que ele continuasse naquela posição e pediu permissão para adentrar com sua língua na boca do mais velho, mesmo que soubesse que em questão de segundos o outro tomaria o controle. Agradecia silenciosamente pela decisão de Kakashi, mesmo que fosse horrível de admitir, já estava viciado no sabor que somente os lábios dele possuíam.

— Eu não vou deixar você se livrar de mim tão fácil, Iruka Umino — O grisalho falou sussurrando no ouvido do mais novo. — Além disso, se precisar mesmo viajar em algum momento, pode ter certeza de que daria um jeito de te ver todos os finais de semana, nem que precisasse comprar um avião para você.

— Você sabe que as pessoas normalmente falam “organizar viagens”, certo? Não se dá aviões para as pessoas, Kakashi — Respondeu divertindo-se com o outro homem, que já havia se afastado; os dois sabem muito bem que não podem cruzar os limites dentro da empresa. O beijo já foi algo absurdo.

— Acho que nós dois concordamos que eu não sou uma pessoa normal, muito menos você é alguém comum. Bem, agora eu preciso que você resolva a minha rotina do dia enquanto eu preciso ter uma conversa com o funcionário que está cuidando das câmeras, não quero ninguém ficando animado com nossa diversão.

— Pode deixar, senhor — falou depois de levantar-se da cadeira, sabendo que não poderia perder mais tempo. —  E bem, arrume uma forma de tirar essa câmera da sua sala, nós dois sabemos que as situações podem se tornar bem constrangedoras. Eu não quero aparecer nu no sistema de vigilância — complementou com um tom sugestivo.

Adiantou-se em sair da sala, não tinha mais coragem para olhar diretamente para o seu chefe depois do comentário. Esboçou um sorriso depois de ouvir a risada do homem ecoar pelo ambiente e só ele sabia o quanto amava ouvir isso; ouvir o real Kakashi Hatake, não o homem que vivia às custas da sua imagem.

— Eu irei cobrar isso, Iruka Umino! — O Hatake disse quando o moreno chegou até a porta da sala. — Não pense que me esqueço dessas coisas.

— E eu esperarei para pagar, senhor Kakashi — Respondeu depois de rodar a maçaneta, já estando praticamente fora da sala do homem. — Vou chamar o funcionário que estava cuidando das câmeras, esteja pronto para o receber.


Notas Finais


O último capítulo sairá na sexta, seguindo a ordem de postagem. Então, até lá! ❤


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