História Meu Querido Gênio - Capítulo 2


Escrita por: e jikookeanana

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Taehyung (V), Park Jimin (Jimin)
Tags Genio, Jikookeanana, Jimin, Jungkook, Kookmin, Magianotopjk, Magicshoptopjk, Tjkp, Top!jk, Topjkproject
Visualizações 230
Palavras 3.865
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Volteiii ! Quero agradecer por todos os favoritos e comentários do ultimo capitulo ! Obrigada gente <3 Boa leitura!

Capítulo 2 - Por favor, se torne um humano.


Jeon se encontrava no meio de um apocalipse.

Sua professora de história, senhorita Ramires, havia faltado à aula e a sala estava em completa desordem.

Nem o último volume de seus fones de ouvido podiam o livrar de escutar as coisas estúpidas que todos ao seu redor falavam. Talvez metade de sua irritação fosse causada pelo seu amigo/b/a/r/r/a/paixonite: Kim Taehyung.

 O moreno estava aos agarros com o namorado Hoseok, enquanto tudo que Jungkook conseguia fazer era desejar a Deus... Ou ao seu “gênio”, poderes de raio laser.

Quanto ao gênio, bom, já haviam alguns bons dias que o ruivinho habitava sua casa.

Os desejos de Jeon não eram eternos. Jimin deixou isso bem claro, ainda o alertou que por ter desejado aquele tipo de coisa, ele acabou infringindo uma “lei“. E, devido a isso, no futuro, Jungkook teria uma terrível consequência.

“Quando você desejar algo do fundo do coração, essa coisa não será concedida” —  Jungkook revirou os olhos.

 

Certo, dessa vez o cara alongada tinha consigo. Porque Jungkook deseja, do fundo do coração, que o ventilador caísse sobre a cabeça de Hoseok.

— Aonde vai? — Tae o puxou pelo braço. — Já deu um jeito naquela infiltração?

Jungkook apenas concordou, firmou os livros entre as mãos e apressou os passos, não estava com ânimo para falar com o amigo. Só queria chegar em casa e desejar ao gênio uma boa xícara de chocolate quente.

Seus desejos deixavam Jimin indignado. Quando o rapaz não pedia algo para comer, lhe pedia algum jogo inédito de vídeo game.

— Hoseok conseguiu três convites para uma festa de amanhã, quer ir com a gente?  — Taehyung o abraçou de lado. — Sinto que estou te deixando um pouco de lado, não quero ser igual aqueles camaradas que quando começam a namorar esquecem os amigos.

“Tarde demais, colega, Jungkook pensou.

— Não estou afim de segurar vela pra vocês. — Forçou um sorriso. — Você não precisa se importar comigo.

— Aishhh... Você precisa desencalhar, há quanto tempo não dá um beijo na boca? — As lembranças de Jeon se clarearam para a noite do dia anterior.

“Eu desejo mais um mês grátis de netflix”.

— Todo esse seu mau humor deve ser desejo reprimido. — Tae continuou. — Você precisa transar! — As bochechas de Jeon ruborizaram.

Ele queria transar, queria transar com o idiota loiro na sua frente.

Já teve inúmeros sonhos eróticos que, pelos seus cálculos, nunca iriam se tornar realidade, devido ao impasse que vivia com Taehyung.

 Ele era como uma incógnita, a qual Kim Taehyung nunca achava para solucionar a maldita equação com nome Friendzone”. Tae era péssimo em matemática.

— Vamos, por favor! — Implorou, fazendo manhoso. — Eu prometo que vai ser legal!

— Eu não sei... — Jungkook queria ter uma ótima mentira para falar, talvez que sua agenda estivesse cheia de coisas totalmente importantes a fazer, mas logo suspirou, sabendo que Tae sabia muito bem de sua melancólica.

— Passo na sua casa às nove. — O amigo lhe deu um peteleco e saiu.

Jungkook apenas se arrastou até o ponto de ônibus

 

(...)

 

— Senhor! — Jiminnie sorriu assim que o moreno adentrou a casa.

O garoto apenas passou por ele, ignorando totalmente sua existência.

Era exatamente daquela maneira que Jeon o tratava.

O ruivinho suspirou e se sentou novamente, olhando para o preto da TV desligada. Jungkook também não o deixava ver TV, às vezes eles comiam juntos, mas só às vezes mesmo.

Jeon só falava consigo quando queria algo ou quando frequentemente desejava que ele fosse embora.

Mas, ele não podia ir embora.

A partir do momento que o garoto lhe desejou “desejos eternos”, suas almas foram ligadas em um laço sobrenatural, Jimin se tornou um servo praticamente integral do garoto, tendo total obrigação de lhe conceder qualquer tipo de desejo. Agora ele voltou a ter um coração, coisa que das outras vezes tomou total cuidado para não ter.

Era assim, a partir do momento que um gênio se ligasse a um mestre, sua penitência era duplicada, o que lhe proporcionava o desprazer de voltar a ter um coração.  

Jimin não gostava de ter um coração, voltou a sentir coisas estranhas, coisas que ele não gostava de sentir.

Entre os pontos negativos de ter novamente um coração, era o fato de voltar a se tornar um humano parcialmente, isso o levava a ter vontades, o levava a ter desejos, e devido a isso, Jimin entrava em colapso.

Essa era a penitência, tentar não cair mais uma vez nessas tentações, nesses desejos sórdidos que os humanos o pediam.

— Você quer comer? — Jeon o indagou, o garoto não o olhava, não se aproximava, apenas falava em uma distância que o alheio achava segura. — Nós podemos pedir uma pizza.

— Você quer desejar uma pizza? — Fitou o rapaz com blusa do homem de ferro.

Jimin nunca teve um senhor tão jovem quanto Jungkook. O garoto não tinha malícia e por isso os desejos eram tão patéticos. Isso de certa forma o encantava.

Seu novo coração quase falhou quando o moreno lhe encarou.  

— Eu ainda tenho alguma grana, vou ligar pra trazerem aqui. — Caminhou um pouco, se aproximando do ruivo para pegar o telefone. — Você quer que sabor?

— O que o senhor preferir. — Sorriu amável, Jungkook pedir sua opinião era algo extremamente raro.

— O dinheiro está aqui. — Pegou alguns trocados e se aproximou do menor. — Quando o moço chegar, você apenas dá isso a ele, okay? — Em um movimento rápido, o garoto segurou o pulso de Jimin, o fazendo estender a palma da mão. — Diga que o troco é gorjeta, se tiver troco! — Apoiou papéis amassados sobre o local.

— Onde o senhor vai? — O gênio arqueou a sobrancelha. — Vai me deixar sozinho novamente?

— Terminei de fazer um trabalho, e agora quero tirar um momento para ficar deprimido, quando a pizza chegar, você apenas vai pro quarto, como é sexta posso fazer uma maratona de séries — explicou, Jimin estranhava 99% das coisas que Jungkook falava, todo garoto de terceiro grau era assim?

— Quer dizer que eu posso ir ficar com você? — Ainda estava curioso quanto a isso.

Jungkook concordou.

— Acho que devemos ser amigos, já que vamos passar bastante tempo juntos, eu também tenho algumas coisas para conversar com você.

— Ah, tudo bem... — Jimin não conteve o sorriso, ele também queria conversar, também queria ser amigo de Jungkook.

— Estou lá em cima! — Seguiu para o andar de cima.

(...)

 

Jungkook navegava pela internet bisbilhotando as redes sociais de um dito Kim Taehyung. O rapaz já havia mudado os status de solteiro para relacionamento sério, e em seu perfil haviam algumas fotos de seu “namorado“, está com montagens um tanto bizarras de photoscape, fato a se destacar. Jungkook desceu a setinha para todas as fotos e contou, uma, duas, três vezes, o número de fotos que o amigo tinha consigo.

5 fotos. Taehyung alegava que não gostava de tirar fotos, mas parece que o preceito só se aplicava a “não gosto de tirar fotos com Jungkook”, porque só em um único dia, Tae já havia postado 6 fotos com Hoseok.

Suspirou frustrado e xingou baixinho. Não queria chorar, estava extremamente fodido, mas não queria chorar. Gostar de alguém era frustrante, agora gostar de um alguém como Taehyung, era o triplo mais frustrante. O rapaz era desejado por todos, e Jungkook não o culpava por isso, a genética do desgraçado o favorecia bastante, era impossível alguém na terra não se sentir atraído pelo infeliz.

Seu destino era se apaixonar por Kim Taehyung e ele queria ressaltar que odiava o destino.

— Senhor. — O gênio adentrou acanhado em seu quarto. — O moço já trouxe a pizza. — O garoto carregava a caixa sobre as palmas das mãos.

— Venha. — Jeon se sentou no chão, o cheiro de calabresa que exalava do alimento o fazia salivar.

— Eu posso me sentar do seu lado? — modesto, Jimin sussurrou.

Assim que Jungkook concordou, o garoto apenas se aproximou, colocando a caixa no chão e se sentando logo em seguida.

Jeon começou a comilança, devorou dois pedaços da pizza em menos de cinco minutos, enquanto Jimin estava curioso demais sobre o queijo que desfiava toda vez que ele mordia o alimento triangular.

— Esquecemos o refrigerante. — Jungkook lambeu os lábios, a garganta já seca. — Eu desejo um refrigerante. — Se aproximou do ruivo e da forma mais natural possível, “porque o ato de o beijar já havia se tornado algo -natural-” apenas selou seus lábios úmidos sobre os do garoto.

Jimin permaneceu com os olhos abertos, enquanto segurava a pizza entre os dedos. Desde que voltou a ter coração, a sensação de realizar um desejo se tornava em potencial mais intensa. Agora ele conseguia sentir a textura dos lábios alheios e toda a quentura que o rapaz exalava. Tudo era um combo para seu coração latejar.

A pizza caiu de sua mão e quando Jungkook se afastou, duas latinhas de refrigerante estavam entre seus punhos.

— Valeu! — O rapaz retirou uma latinha de sua mão e logo em seguida a abriu, bebericando a bebida gaseificada com satisfação.

Jimin mordeu os lábios e suspirou, tentando normalizar a respiração.

— Faz bastante tempo que não como uma pizza tão gostosa como essa. — Limpou a boca com o dorso da mão. — Eu poderia até ficar feliz se...

— Você não está feliz, meu senhor?  — Encarou o moreno. — Eu sou o motivo da sua infelicidade?

Por um momento, Jimin ficou aflito. Uma das principais regras era sempre deixar o seu senhor feliz.

— Relaxa, você está sendo legal comigo — disse, simplista. — O problema não é você, sou eu e a minha tamanha idiotice.  — Forçou um sorriso.

— Eu posso te ajudar em algo? — Jimin perguntou, atencioso.

— Você sabe dar conselhos... conselhos amorosos?

Jimin fez cara de paisagem.

— Eu poderia falar deixa pra lá, mas realmente preciso desabafar pra alguém. — Se esticou pelo chão.

O ruivo se sentiu confortável para fazer o mesmo.

— Você não pode mentir pra mim, não é? — perguntou, observando o teto. — Preciso que responda minha pergunta com sinceridade.

Jimin concordou.

— Certo... Você me acha muito estranho? — Se virou para o lado para que o ruivo o encarasse.

Estavam a uma proximidade mínima.

— Sim — Jimin murmurou, os olhos do moreno o fitavam com intensidade. — Você é uma mistura muito interessante de alguém estranho e muito bonito.

— Está blefando, não é? — Queira se sentir lisonjeado, porém sua autoestima era baixa demais para se auto afirmar. — Aposto que está falando isso por todo o blábláblá de gênio. Eu te disse, quero que seja sincero.

— Eu estou sendo sincero... Você é bonito.

— Você acha que posso fazer alguém que já tem namorado, namorar comigo? Posso desejar uma separação? — Se aproximou mais um pouquinho.

— Por que não procura namorar uma pessoa que não tem namorado? — indagou confuso.

— Acho que ninguém gostaria de mim, se nem mesmo meu melhor amigo gosta de mim, como alguém poderia gostar?

— Eu gosto de você — retrucou, bem consciente do que falava, as bochechas de Jeon ruborizaram no mesmo instante.  

— Você não conta — Jungkook disse, tentando ignorar o batimento acelerado de seu coração.

— Por que? — Levantou o tronco no mesmo instante, encarando um Jungkook deitado e com olhos agora fechados.

— Porque eu não gosto de você... — As palavras acertaram em cheio o novo coração de Jimin.

— Oh, certo. — Jimin não planejava se sentir tão surpreso com aquilo.

Era fato que Jungkook não gostava de si, e que nem se ponderasse se tornar amigo do moreno às coisas iriam mudar. Mas ainda sim, por conta do frágil novo coração, Jimin não podia controlar seus reflexos.

— Eu poderia me retirar? — pediu, se colocando de pé.

— Tanto faz. — Não, Jungkook precisava que alguém continuasse ao seu lado, mas precisava de alguém humano, e não poder controlar o fato de que Jimin não era um ser humano, o fato de que era um ser sobrenatural, deixava Jungkook indeciso sobre querer ou não sua companhia.

— Bom descanso, senhor. — Jimin se curvou, evaporando do quarto em segundos.

(...)

A luz de um sábado ensolarado fazia Jungkook se remexer na cama, virou-se para a beirada do móvel e enfim tomou impulso para se levantar.

Observou as horas no relógio do criado mudo e se apressou em tomar banho, logo descendo para o andar de baixo.

Com os olhos, procurou certa cabeleira ruiva pelo lugar, arqueando a sobrancelha quando não o encontrou. Indeciso sobre o chamar ou não, Jungkook permaneceu calado, aproveitando da solidão que agora o deixava um tanto incomodado.

Seu celular apitou, era Taehyung, o amigo que insistia em sua proposta para que saíssem juntos. Jungkook ainda se sentia incomodado quanto ao relacionamento do amigo, era óbvio que sua feição de deboche e reprovação não seria reprimida em nenhum momento.

Não era à favor daquilo, nunca seria.

Mas, ainda que indeciso, resolveu aceitar o convite. Precisava socializar, sair daquela fossa, procurar contato humano. Beijar gênios não era algo propriamente normal, talvez achasse alguém adequado no lugar, alguém que o fizesse esquecer do maldito Kim.

Mas havia um problema, seu guarda-roupa variava em tonalidades monótonas de cinza e preto. Nada novo, algo típico de um jovem emo e gótico. Revirou os olhos, indignado com seu chulo conceito de moda, talvez por isso Taehyung havia preferido Hoseok, o cara alongada era estiloso, popular e tão amável. Enquanto Jungkook, bom, ele se esforçava para respirar e não parecer um morto vivo.  Socializar não era sua melhor qualidade. Todos tinham certeza disso.

Então tinha que apostar na aparência, ao menos nisso se salvava. O achava que sim. Deste modo, enquanto seu passos faziam eco pela casa, Jungkook chamou por Jimin, precisava dele, algo como dois ou três desejos. Não iria exagerar.

— Sim, meu senhor. — Jimin se aproximou devagar, pronto para realizar todo e qualquer desejo de seu mestre.

Jungkook se limitou a fechar os olhos, depositando seus lábios finos sobre os de Jimin, iniciando um breve beijo. Seu único requisito para desejos. Quanto a isso, Jeon se sentia estranho sobre toda aquela maciez dos lábios alheios porque, apesar de Jimin ser um ser sobrenatural, ao menos naquele quesito ele se assemelhava aos humanos. E isso era responsável por muitos dos questionamentos que não deixavam Jungkook dormir a noite.

(...)

 

— Como estou? —  o moreno questionou, ao passo que desfilava as roupas que desejou, Jimin sorriu de lado e moveu-se para encará-lo de perto. — Eu queria essa jaqueta há dois meses, valeu cara. — Bateu nos ombros do ruivo, passando por ele e indo até o sofá. Está feliz.

Observou o celular desbloqueado e se acomodou sobre uma almofada ao ver que ainda demoraria muito até Tae chegar, resolveu passar as instruções à Jimin, ficaria até tarde na festa, talvez só voltasse no dia seguinte e não queria que o gênio destruísse sua casa. Mesmo que ele fosse disciplinado o suficiente para efetuar tal baderna.

— Certo, venha aqui — o chamou, o indicador pedia para que se aproximasse. — Tenho alguns desejos — disse, assumindo um semblante sério.  

Jimin concordou, se pondo a ouvir e conceder tudo que o outro dissesse.

— Não abra a porta para ninguém, não aumente o volume da Tv, você sabe, a vizinha pode vir até aqui e brigar com você. — Jimin concordou, ainda focado no real desejo do moreno. — E também, hum, se ficar com medo... — Jeon tirou seus olhos do garoto para poder dizer, não queria admitir sua preocupação, como também não queria ter sua noite estragada se Jimin resolvesse lhe ligar a cada cinco minutos, alegando ver animais voadores. — Pode ligar para mim.

Ele não podia negar o quão ficou apegado ao seu gênio, mesmo que não gritasse isso aos quatro ventos, já tinha se acostumado com o garoto e seria desdenhoso dizer que não sentia afeto nenhum pelo outro.

 Eles até se beijavam, Jungkook já tinha se acostumado com a situação, mas não podia negar a sensação de quentura em seu interior sempre que seus lábios deslizavam sobre os do gênio.

Apesar de não passarem tanto tempo juntos, Jeon se sentia feliz por chegar em casa e ser recebido de forma tão acolhedora. Não eram ainda, mas Jungkook sentia que podiam ser bons amigos. Mas não daria seu braço a torcer. Era orgulhoso demais para isso.

— Promete me ligar se algo de errado acontecer? — Voltou a fitar o rosto cheio do ruivo, por um momento suspirou, dando atenção para os lábios fartos e rosados.

Aproximou-se, esticando o tronco para poder chegar ainda mais perto do rosto de Jiminnie, o outro não recuou, apenas fechou os olhos já sabendo o que viria a seguir.

— É um desejo — Jungkook murmurou, se justificando pela aproximação, Jimin apenas concordou ainda com as pálpebras cerradas.

Diferente das outras vezes, Jeon deslizou a destra para nuca do outro e roçou seus lábios para que se encaixassem de forma perfeita entre os lábios do gênio. Não era um simples selar como das outras vezes e, devido a isso, Jungkook se afastou rapidamente.

 O rubor em suas bochechas eram apenas um dos sintomas de ter passado dos limites, Jungkook nem quis olhar no rosto de Jimin tamanha vergonha que sentia. Não deveria confundir as coisas.

— Jungkook! — Escutou a voz conhecida de Tae o chamar, em seguida a campainha foi tocada por diversas vezes. — Jungkook! — O amigo gritou.

— Vá para cozinha — sussurrou ao ruivo. — Já estou a caminho, Tae! — gritou para o amigo.

Caminhou até a porta depois que se certificou que Jimin não seria visto pelo “casal”.

— Oi, Tae — disse para o loiro de sorriso quadrado. — Oi, Hoseok. — Nem se deu o trabalho de olhar o cara alongada.

— É hoje que você desencalha. — Taehyung sorriu de orelha a orelha.

— Vamos? — Jungkook ignorou o deboche.

— Vamos sim, mas primeiro ... — O amigo enxerido passou por Jeon e seguiu para cozinha. — Estou com sede, ainda tem... — Jungkook estava paralisado demais para se mover e impedir que Taehyung invadisse sua casa. — Quem é você? — As pernas de Jeon travaram e ele fitou o rosto de Hoseok com certo receio, ganhando força para correr até a cozinha.

Para seu total desespero, Tae tinha seus olhos sobre seu gênio. Um olhar curioso e um sorriso atrapalhado.

— Ele é um... — Amigo? Talvez dizer que fosse um amigo não seria a melhor opção, visto que Tae sabia muito bem que ele era um fodido solitário. — Um primo, o filho do irmão do meu pai. — Sorriu nervoso. — Chegou há poucos dias.

— Prazer. — Esticou a destra para Jimin, este que apenas a apertou, para descontrole de Jeon. — Eu sou Taehyung. — Sorriu, galanteador.

— Park Jimin. — O outro sorriu também, encantado com a áurea brilhante daquele ser...

— Park Jimin. — Jungkook experimentou dizer o nome quase que em um sussurro.

— Jimin, aquele é o meu namorado. —  Indicou Hoseok. — Ele tem convites para uma festa esta noite, quer ir conosco? — Sorriu, amigável.

— Ele não quer — Jungkook disse, automaticamente. — Além do que... Você me disse que só eram três convites.

— Hoseok joga no time do colégio, Kooke, se esqueceu disso? Ele pode conseguir outro. — Sorriu.

— Mas ele não quer ir. — Olhou para o gênio. — Não é mesmo, Jimin? — O ruivo era fuzilado com o olhar.

— É verdade...

— Ele vai sim! — Taehyung não se deu por vencido. — E não adianta me ameaçar com o olhar, tu sabe que não tenho medo de ti.

 (...)

 

O som era ensurdecedor, as músicas eram eletrônicas e estrondavam os tímpanos de todos por ali, o ambiente fechado era tomado por uma fumaça suspeita que fazia o nariz alérgico de Jungkook coçar.

— São todos do time do colégio? — sussurrou para Tae.

— Isso. — Taehyung tinha os olhos vidrados no namorado que havia se soltado dele para cumprimentar alguns amigos. — Vem, vamos beber. — Puxou Jeon pelo pulso, indo até a geladeira.

— Fique aqui — Jungkook disse em meio ao barulho, dando mais um comando para Jimin.

O ruivo passou seu olhar pelos lados e suspirou, fazia tanto tempo que não via tanta gente reunida que, de certa forma, se sentia encabulado.

 (...)

 

— Primo, acha mesmo que me enganou com aquela história? — Depois de dar uma generosa golada eu sua cerveja, Tae brincou com Jeon. — Ele é uma gracinha.

Jungkook procurou em seu rosto algum sinal de ciúmes ou ira, mas infelizmente não encontrou. Kim Taehyung não sentia nadica de nada por si.

Tomou boa quantidade de whisky barato e suspirou, sentindo a garganta queimar.

— Há quanto tempo estão juntos? — Tae perguntou.

— Há pouco tempo. — Mentiu, não queria que o amigo pensasse que estava encalhado e nem muito menos tentasse consolá-lo, o fazendo ficar com alguém naquela porcaria de festa.

Se parasse para pensar, Jimin era quase como um namorado, um namorado com lábios mágicos que o concedia desejos.

— Por que não me disse antes?

— Porque você estava ocupado demais com o seu namorado.  — Sorriu forçado, frisando o seu namorado”.

— Você sabe que vem em primeiro lugar. — Kim tinha a voz meiga, Jungkook sentiu um pouco de raiva.

— Tae, me desculpe, vou ficar com o Jimin. — Terminou de beber o resto de seu whisky, batendo o copo sobre o balcão de mármore.

— Certo, vou ficar com o Hobi. — Jungkook apertou as curtas unhas sobre a palma das mãos, as fechando em punho.

Acompanhou com o olhar Taehyung desfilar para perto de Hoseok, o loiro enroscou seus braços em volta do pescoço do namorado e depositou um beijo demorado sobre os lábios do outro. Jungkook sentiu um nó se formar em sua garganta. Procurou por mais do whisky barato e por sorte achou a garrafa ainda pela metade.

Levou aos lábios o líquido amargo e bebeu sem parar para respirar. As vistas se tornaram turvas e a imagem de Tae atacando os lábios de Hoseok era a única coisa nítida. Cambaleou, procurando pelo gênio, queria desejar que um raio caísse sobre a cabeça daqueles dois.

— Jimin? — Quando avistou a cabeleira ruiva, um sorriso brotou em seus lábios. Se arrastou até o rapaz, o segurou pelo pulso com pouca delicadeza.

— Senhor, você está bem? — O gênio o olhou assustado, segurando Jeon pelos ombros.

— Vem. — Apertou o pulso do rapaz, o puxando para qualquer lugar.

Seus olhos voltaram a pairar sobre a visão de Kim Taehyung e Jung Hoseok se beijando.

— Não acha que tudo isso é uma tortura? Eu deveria ser o namorado dele, mas, invés disso, eu estou aqui, bêbado e com dor de cotovelo. — Riu da própria desgraça. — E o melhor, a única pessoa que pode me consolar é você, e você nem é uma pessoa.

Jimin continuou em silêncio.

— Se ao menos você fosse humano, se pudesse ser normal, tenho certeza que eu não me sentiria tão mal. — Seu indicador deslizou pela feição do ruivo, sorriu amargurado.  

Graças a Jimin, Jungkook havia se tornado alguém menos ácido, mesmo que fosse rude e não demonstrasse toda sua afeição pelo gênio, o moreno ainda era principiante no quesito de aceitar toda aquela situação.

Se Jimin fosse humano, se sobre ele não pairasse uma aura sobrenatural, Jungkook obviamente se apaixonaria.  

— Jimin, eu tenho um desejo. — Ainda meio grogue, com a vista embaçada, Jungkook se pronuncia. — Por favor, se torne um humano.



Notas Finais


Pra quem leu minha antiga fic, sabe que isso é totalmente novo. Teremos mais alguns capítulos, então não me abandonem ! Obrigada minha linda, @smaxyjjk. Minha beta <3


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