História Meu querido meio-irmão - Capítulo 13


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Categorias Naruto
Personagens Fugaku Uchiha, Ino Yamanaka, Mebuki Haruno, Naruto Uzumaki, Rock Lee, Sakura Haruno, Sasori, Sasuke Uchiha
Tags Hentai, Irmão, Naruto Uzumaki, Sakura, Sakura Haruno, Sasuke, Sasuke Uchiha, Sasusaku, Stepbrother
Visualizações 1.818
Palavras 5.521
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 13 - Capítulo 13


Fanfic / Fanfiction Meu querido meio-irmão - Capítulo 13 - Capítulo 13

Assim que, finalmente, encontrei coragem para entrar, sentei-me à mesa de jantar e me servi de um pouco de água. Minha boca ainda estava seca. Era como se o lugar estivesse girando.

— Você está bem? — Minha mãe perguntou.

Eu deveria estar perguntando isso a ela. Assenti, pegando a água dela também e bebendo-a toda. Eu precisava ser forte para ela. Não podia me permitir perder a cabeça, não naquele dia.

Eles ainda não tinham descido.

Depois de a mulher misteriosa aparecer por trás de Sasuke, pela janela, ele imediatamente se virou e desapareceu de vista. Levei alguns minutos para sair do lugar, no jardim.

Ele tinha uma namorada… ou uma esposa.

Por mais que isso tivesse surgido em minha mente como uma possibilidade, depois de sete anos, não era algo que entrava na equação, quando eu imaginava nosso reencontro.

O som de dois conjuntos de passos descendo a escada em uníssono me fez encolher, mas sentar mais ereta na cadeira.

Thump.

Thump.

Thump.

Quando eles entraram na sala de jantar, meu corpo entrou em guerra e em modo avião, enquanto a adrenalina pulsava dentro de mim.

Talvez eu devesse ter me levantado e dito alguma coisa, mas só fiquei grudada na cadeira. Minha mãe caminhou em direção a Sasuke e o puxou para um abraço.

— Sasuke, é tão bom te ver. Sinto muito por seu pai. Sei que vocês tinham problemas, mas ele te amava. Amava, sim.

O corpo de Sasuke estava rígido, mas ele não recuou. Só disse:

— Sinto muito por você, também.

Enquanto ele relutantemente deixava minha mãe abraçá-lo, seus olhos penetraram os meus e ficaram ali. Eu não conseguia interpretar o que ele estava pensando, mas tinha certeza de que tinha muito a ver com as linhas que estavam correndo por minha própria mente.

Esse encontro nunca deveria acontecer.

Depois que mamãe o liberou, a acompanhante de Sasuke aproximou-se dela para abraçá-la.

— Senhora Uchiha, sou Hinata, namorada de Sasuke. Sinto muito por sua perda.

— Pode me chamar de Mebuki. Obrigada, querida. É um prazer conhecê-la.

— É uma pena que tenha sido nessas circunstâncias. — Ela disse, enquanto acariciava as costas da minha mãe.

Meus olhos pousaram em suas unhas pintadas no estilo francesinha. Ela era pequena, e as formas de seu corpo eram bem diferentes das minhas, os seios incrivelmente grandes, evidenciavam isso. Seu cabelo negro caía em cascata por suas costas. Era uma mulher linda.

Claro, tinha de ser.

Minhas entranhas estavam se revirando.

Sasuke caminhou na minha direção bem devagar.

— Sakura…

O som do meu nome rolando em sua língua momentaneamente me fez retroceder sete anos em apenas um instante.

— Sasuke — levantei-me da cadeira. — Eu… eu sinto muito por Fugaku. — Gaguejei, e meus lábios começaram a tremer. Senti como se o fôlego tivesse abandonado o meu corpo assim que ele se colocou na minha frente e eu senti o cheiro familiar de cigarros e colônia. Muito tempo tinha se passado, mas, emocionalmente, parecia como se fosse ontem.

Como se fosse ontem.

A única diferença era que a pessoa que esteve no meu quarto, naquela noite, ainda era essencialmente um menino, e a pessoa à minha frente, naquele momento, era um homem.

Olhei para ele e fiquei maravilhada com o fato de ele ter se tornado ainda mais bonito. Minhas características favoritas ainda estavam ali, mas com algumas mudanças. Seus olhos ônix ainda brilhavam, mas, agora, eles estavam por trás de óculos com armação preta. Ele ainda tinha aquele piercing no lábio. Vestia uma camisa de listras pretas, com as mangas arregaçadas, colada no peito, que estava bem maior, bem mais definido.

Ele ficou ali, olhando para mim. Finalmente eu avancei para abraçá-lo, e senti sua mão cálida em minhas costas. Meu coração estava batendo rápido demais, parecia que ia parar a qualquer momento. Uma coisa que, aparentemente, não tinha mudado era a forma como meu corpo instantaneamente reagia a seu toque. Assim que fechei meus olhos, ouvi uma voz por detrás dele.

— Você deve ser a filha de Mebuki.

Afastei-me dele de repente, e estendi minha mão suada.

— Sim… Oi, eu sou a Sakura.

Ela não segurou minha mão. Ao invés disso, ela sorriu com simpatia e me abraçou.

— Sou Hinata. Prazer em te conhecer. Sinto muito por seu padrasto. — Seu cabelo cheirava exatamente como eu imaginava que cheiraria, um perfume delicado de limpeza que combinava com sua personalidade, aparentemente doce.

— Obrigada. — Eu disse.

A tensão no ar era palpável enquanto nós três ficávamos ali, de pé, em um desconfortável silêncio. Kushina entrou carregando um prato oval com carne assada com aspargos que tinha preparado.

Aproveitei a oportunidade para escapar da situação e lhe oferecer ajuda para carregar o resto dos itens, deixando Sasuke e Hinata sozinhos.

Minhas mãos nervosas se atrapalharam com a louça que Kushina pediu que eu fosse buscar na cozinha. Fechei meus olhos e respirei fundo antes de entrar na sala de jantar.

Minato estava falando enquanto eu caminhava ao redor da mesa, distribuindo os pratos. Garfos e facas escorregavam das minhas mãos trêmulas.

Sem poder fazer qualquer outra coisa, sentei-me do lado oposto de onde Sasuke e Hinata estavam. Meus olhos ficaram grudados em meu reflexo no prato.

— Então, como vocês se conheceram? — Minato perguntou.

Olhei para ele.

Hinata sorriu e lançou um olhar adorável para Sasuke.

— Nós dois trabalhamos no mesmo centro de menores. Eu coordeno o programa pós-escola, e Sasuke é conselheiro. Começamos como amigos. Eu realmente admirava o quanto ele era bom com crianças. Todas o amam — ela colocou a mão sobre a dele. — E, agora, eu também.

Pude ver, com o canto do olho, que ela se inclinou e o beijou. O vestido preto que eu estava usando começou a me sufocar, de repente.

— Que adorável. — Kushina disse.

— Sasuke, como a Mikoto está lidando com isso? — Minato perguntou.

— Não muito bem. — Ele disse, abruptamente.

Olhei para ele enquanto falava. Não tinha dito uma palavra desde o momento em que dissera meu nome. Hinata apertou sua mão.

— Tentamos fazê-la vir, mas ela achou que não conseguiria lidar com isso.

Tentamos.

Ela era íntima da mãe dele.

Era um relacionamento sério.

— Bem, então foi melhor que ela tenha ficado. — Kushina disse.

Provavelmente desconfortável com a menção de Mikoto, minha mãe tomou um bom gole de vinho. Ela sabia que era a principal razão pela qual Mikoto não tinha aparecido.

Hinata se virou para mim.

— Onde você mora, Sakura?

— Em Suna. Só cheguei na cidade dois dias atrás.

— Deve ser excitante. Sempre quis ir lá, para visitar — virou-se para Sasuke. — Será que podemos ir visitá-la algum dia? Temos um lugar para ficar.

Ele balançou a cabeça em afirmativa apenas uma vez, parecendo extremamente desconfortável, enquanto brincava com a comida. Em um certo momento, senti seus olhos em mim. Quando me virei para olhar para ele, confirmei as suspeitas. Nossos olhos se encontraram por um breve segundo, mas ele logo voltou os dele para o prato.

— Sasuke nunca me contou que tinha uma meio-irmã. — Hinata disse.

Ele nunca falou de mim para ela.

Minha mãe decidiu falar pela primeira vez:

— Sasuke morou conosco por muito pouco tempo, quando eles eram adolescentes — ela olhou para mim. — Os dois não se deram muito bem, naquela época.

Minha mãe não sabia o que tinha acontecido entre mim e Sasuke. Então, em sua opinião, aquela afirmativa era correta.

A voz rouca e profunda de Sasuke dirigiu-se a mim:

— É verdade, Sakura?

Deixei meu garfo cair no prato.

— O que é verdade?

— Que não nos demos bem.

Com certeza o significado secreto daquela pergunta era para que só eu compreendesse. Eu não tinha certeza do porquê de ele estar me provocando no meio de uma situação desconfortável.

— Tivemos nossos momentos.

Seus olhos pareciam queimar ao se dirigirem aos meus, e sua voz baixou um tom.

— Sim, tivemos.

De repente, eu estava em chamas.

Sua boca se espalhou em um sorriso.

— Como é que você costumava me chamar?

— Não entendi.

— “Meu querido meio-irmão”, não era? Por causa da minha personalidade brilhante? — Ele se virou para Hinata. — Eu era um fodido miserável naquela época.

Um “fodido” miserável. Ele não queria que significasse nada sexual, mas não pude impedir minha cabeça de chegar onde chegou.

— Como sabe sobre esse apelido? — Perguntei.

Ele sorriu.

Eu sorri.

— Ah, sim! Você costumava ficar me espionando.

— Parece que vocês se divertiram. — Hinata disse, enquanto olhava inocentemente para Sasuke e para mim.

— Isso é verdade. — Ele disse, olhando para mim com um olhar completamente inocente.

[…]

Eu e Hinata ajudamos Kushina a levar a louça para a cozinha. Em quarenta minutos precisaríamos ir para o funeral.

Sua voz me surpreendeu.

— O que você faz, Sakura?

Não me senti confortável em entrar em detalhes sobre meu trabalho naquele momento, então dei uma resposta genérica.

— Eu trabalho em um cargo administrativo na cidade, nada muito excepcional, na verdade.

Ela sorriu, e eu me senti idiota por gostar do fato de ela ter linhas de expressão e pés de galinha ao redor dos olhos.

Eu estava exagerando.

— Às vezes, não ser excepcional também é bom. Trabalhar com crianças preenche qualquer vazio, mas pode ser cansativo. Nunca se tem um momento de tédio.

Nós duas olhamos na direção da porta de vidro deslizante. Sasuke estava sozinho no jardim, cheio de pensamentos profundos e com as mãos nos bolsos.

— Estou muito preocupada com ele — ela disse, enquanto olhava em sua direção. — Posso te perguntar uma coisa?

A conversa estava me deixando desconfortável.

— É claro.

— Ele não fala sobre o pai. Aconteceu alguma coisa entre eles?

A pergunta me pegou de surpresa. Eu não deveria falar para ela sobre o relacionamento de Fugaku e Sasuke. Eu mesma não sabia muita coisa.

— Eles costumavam brigar muito, e Fugaku era muito desrespeitoso com Sasuke, mas, honestamente, eu não sei o que causou isso.

Era tudo que ela iria conseguir de mim.

— Só estou preocupada, porque ele está guardando tudo para si. O pai acabou de morrer, mas ele não demonstra nenhuma emoção. Quer dizer, se meu pai morresse, eu ficaria destruída.

Eu a entendia muito bem.

Ela continuou:

— Tenho medo que ele acabe sendo atingido de uma vez só. Ele não está bem. Não está dormindo. Sei que tem algo o incomodando, mas ele não fala e não se permite chorar.

Meu coração doía ao ouvi-la dizendo aquilo, porque também estava preocupada com ele.

— Tentou conversar com ele? — Perguntei.

— Sim. Ele só responde que não quer falar sobre isso. Ele quase não veio para o enterro. Sei que iria se arrepender, por isso que eu insisti tanto. Finalmente, ele cedeu.

Uau. Ele não estava pensando em aparecer.

— Que bom que você fez isso.

— Eu o amo, Sakura.

Eu não tinha dúvidas, mas ouvi-la dizer aquilo fez meu estômago doer. Ainda assim, o meu lado mais lógico estava feliz por Sasuke ter encontrado alguém que se importava com ele daquela forma.

Apesar disso, não sabia o que dizer. Eu não podia dizer a ela que me sentia da mesma maneira. Eu também me importava com ele.

Talvez não fizesse mais sentido, depois de tanto tempo, mas meus sentimentos por ele estavam ainda mais fortes agora do que há alguns anos. E, assim como antes, eu teria de escondê-los.

Ela colocou a mão em meu braço.

— Pode me fazer um favor?

— Ok.

— Você iria lá fora… ver se consegue conversar com ele?

— Hummm…

— Por favor? Eu não sei a quem mais pedir. Não acho que ele esteja preparado para tudo o que vai viver nesta noite.

Olhei para trás, para Sasuke, parado no jardim, parecendo muito forte. Aquela poderia ser minha única oportunidade de conversar com ele sozinha, então concordei.

— Ok.

Ela me abraçou.

— Obrigada. Fico te devendo uma.

Neste caso, você pode me dar Sasuke. Eu não podia evitar meus pensamentos, que estavam um pouco fora de controle.

Aquele abraço me fez compreender que era absolutamente possível gostar de alguém de quem se sente um ciúme insano.

Respirei fundo e caminhei em direção à porta de vidro. O céu estava começando a ficar cinza, com se uma tempestade estivesse prestes a chegar.

Não era uma hora apropriada para reparar no quão incrível sua bunda estava naquelas calças pretas que ele estava usando. Mas, apesar disso, eu acabei reparando. Uma brisa soprou as ondas negras sexy de seu cabelo.

Pigarreei e me fiz ser notada.

Ele não se virou, mas logo soube que era eu.

— O que está fazendo aqui, Sakura?

— Hinata me pediu para conversar com você.

Ele encolheu os ombros, com uma risada de sarcasmo.

— Ah, é mesmo?

— Sim.

— Estão trocando figurinhas agora?

— Não é engraçado.

Ele finalmente se virou e olhou para mim, expelindo a última baforada de seu cigarro, antes de jogá-lo no chão e esmagá-lo com o pé.

— Você acha que ela teria te mandado aqui fora para conversar comigo se soubesse que, na última vez em que nos vimos, nós fodemos como coelhos?

Embora o comentário tenha me chocado, ouvi-lo falando aquilo enviou um calafrio para todo o meu corpo.

— Você tem de colocar dessa forma?

— Mas é a verdade, não é? Ela iria surtar se soubesse.

— Bem, eu não pretendo contar a ela, então você não tem que se preocupar. Eu nunca faria isso.

Meu olho começou a tremer.

Ele ergueu a sobrancelha.

— Por que está piscando para mim?

— Não estou… Meu olho está piscando porque…

— Porque você está nervosa, eu sei. Você costumava fazer isso, quando eu te conheci. Fico feliz em ver que você não mudou.

— Acho que algumas coisas nunca mudam, não é mesmo? Já faz sete anos, mas é como se…

— Tivesse sido ontem — ele completou. — Parece que foi ontem, e isso é uma merda. A situação inteira é.

— Isso nunca deveria ter acontecido.

Seu olhar passou direto por meu pescoço e foi parar em meus olhos.

— Onde ele está?

— Quem?

— Seu noivo.

— Não estou noiva. Eu estava… mas não estou mais. Como você sabia que eu estava comprometida?

Ele ficou estupefato e, então, olhou para o chão por muito tempo, antes de se esquivar da minha pergunta.

— O que aconteceu?

— É uma longa história, mas fui eu quem terminou. Ele aceitou um emprego na Europa. Não era para ser.

— Você está com alguém, agora?

— Não — mudei de assunto. — Hinata é bem legal.

— Ela é ótima. Uma das melhores coisas que aconteceu para mim, na verdade.

Um soco no estômago.

— Ela está mesmo preocupada com você, porque você não demonstrou nenhuma emoção, ainda. Ela me perguntou se eu sabia alguma coisa da história entre você e Fugaku. Eu não soube o que dizer, porque ainda tem muita coisa que eu não sei.

— Você sabe mais do que ela, e não foi uma escolha minha. O problema é que ele era uma merda de um pai, mas agora está morto. É sério, isso é tudo que minha mente consegue processar, agora. Ainda nem senti o golpe.

— Foi um choque e tanto.

— Minha mãe está péssima. — Ele disse.

— Como ela estava, antes disso?

— Melhor do que antes, mas não cem por cento. Ainda não sei o que a morte de Fugaku vai fazer com seu estado mental.

O vento, subitamente, se intensificou, e pequenos pingos de chuva começaram a cair. Olhei para o céu e, depois, para meu relógio.

— Temos que sair em poucos minutos.

— Volte lá para dentro. Diga a ela que estarei lá em um minuto. — Ele disse.

Ignorei-o e fiquei ali. Era como se eu tivesse falhado. Não tinha conseguido nada com ele.

Merda! Meus olhos estavam começando a ficar cheios de água.

— O que está fazendo? — Ele perguntou.

— Hinata não é a única que se preocupa com você.

— Ela é a única que tem o direito de estar. Não precisa se preocupar comigo. Eu não sou da sua conta.

Aquilo tinha me atingido mais forte do que qualquer coisa que ele já tinha me dito.

Naquele momento, ele violentamente jogou fora e pisou no pedaço do meu coração que eu dera a ele, anos atrás. Desapontava-me o fato de que o tinha idealizado todo esse tempo, comparado meus namorados com ele, o colocado em um pedestal, quando ele claramente não se importava com meus sentimentos.

— Quer saber? Se eu não estivesse me sentindo tão mal por tudo que você está passando, eu mandaria você se foder. ― Eu disse.

— E se eu quisesse ser um babaca, eu diria que você só está dizendo isso porque se lembrou de como adorou quando eu a fodi ― ele passou por mim. — Cuide de sua mãe hoje à noite.

As próximas duas horas foram uma montanha-russa emocional de choque, tristeza, ciúme e, agora… raiva. Pura raiva. As lágrimas começaram a cair do meu rosto em uma corrente que combinava com a intensidade dos pingos de chuva que caíam constantemente, depois de ele me deixar sem fala no jardim.

[…]

Eu não sabia que Fugaku tinha um filho.

Eu nem pude contar quantas pessoas que vieram falar conosco disseram isso. Fazia com que eu me sentisse muito mal por Sasuke, por mais que ele tivesse me destruído, minutos atrás.

O cheiro de flores misturado com o perfume de dúzias de mulheres estava me sufocando.

A maioria das pessoas que apareciam eram amigos de Fugaku do trabalho, da concessionária, ou vizinhos. O cortejo seguia, e era um pouco estranho ver que as pessoas estavam conversando normalmente, às vezes até rindo, enquanto esperavam para se aproximar do caixão. Era como uma festa sem álcool, e isso estava me irritando.

Fiquei perto da minha mãe, que tinha desmoronado completamente depois de ver o corpo sem vida de seu marido pela primeira vez, desde o infarto. Acariciei suas costas, troquei seus lenços e fiz tudo que podia para ajudá-la a se manter firme pelo máximo de tempo, até que tudo terminasse.

Hinata tinha convencido Sasuke a ficar próximo da família, por mais que tivesse resistido, a princípio. Acho que ele estava cansado demais para discutir.

A maquiagem feita no rosto de Fugaku o fez ficar parecendo duro e quase irreconhecível. Era devastador vê-lo deitado ali e reviver flashbacks de quando meu pai morreu.

Sasuke não se aproximou do caixão, nem o olhou. Só ficou ali, estático e roboticamente apertando mãos enquanto Hinata respondia em seu lugar. As pessoas repetindo a mesma frase:

— Lamento por sua perda.

— Lamento por sua perda.

— Lamento por sua perda.

Sasuke parecia prestes a despencar, e eu senti que era a única que estava percebendo isso.

Precisei ir ao banheiro em um dado momento, então avisei à minha mãe que logo estaria de volta. Eu ainda não tinha conseguido encontrá-lo, e acabei descendo para uma área vazia.

Cheirava a mofo, mas era um alívio poder escapar do barulho da multidão. Entrando no nível mais baixo, eu finalmente vi a placa do banheiro, na outra extremidade do cômodo.

Quando saí de lá, os pelos do meu corpo se eriçaram ao ver Sasuke sozinho em um dos sofás. Ele estava inclinado e apoiado nos joelhos com os cotovelos, suas mãos estavam em volta da cabeça.

Quando as baixou, ele ainda estava olhando para baixo. Suas orelhas estavam vermelhas, e suas costas subiam e desciam com o peso de sua respiração.

Era um momento íntimo, e eu estava, inadvertidamente, me intrometendo.

Talvez ele estivesse desmoronando, como eu já sabia que iria acontecer quando o vira, mais cedo. Mesmo assim, eu não queria que ele me visse. O problema era que eu tinha de passar por ele para chegar às escadas.

Por mais que tivesse me irritado mais cedo, a necessidade de confortá-lo estava me corroendo, mas eu sabia, depois do que ele dissera a mim, que não era minha função fazer isso.

Então, eu passei por ele bem devagar.

Quando cheguei ao corredor, onde ficavam as escadas, o som de sua voz me surpreendeu:

— Espere.

Parei no mesmo lugar e me virei:

— Preciso ir lá para cima para ficar com a minha mãe.

— Me dê só alguns minutos.

Tirei um fiapo branco do meu vestido preto e caminhei na direção dele, sentando-me a seu lado, no sofá. O calor de seu corpo com a perna pressionada na minha não me passou despercebido.

— Tudo bem com você? — Perguntei.

Ele olhou para mim e balançou a cabeça em negativa.

Controlando a urgência em abraçá-lo, coloquei minhas mãos firmemente em meu colo.

Não é sua função fazer isso.

Então, cada parte de mim sentiu quando ele colocou a mão em meu joelho. Aquele único toque retrocedeu qualquer progresso que tinha feito durante aquelas horas, depois de nossa briga no jardim.

— Aquilo que eu disse antes… me desculpe. — Ele falou.

— Que parte?

— Tudo. Eu não sei como lidar com isso… Fugaku… Você… Nada. Tudo parece surreal. Enquanto estava no avião, rezei para que, por algum milagre, você não aparecesse.

— Por quê?

— Porque essa situação é difícil demais.

— Eu não pensei que fosse te ver de novo. Com certeza, eu não esperava que seria tão difícil, mesmo depois de sete anos, Sasuke.

— Difícil, como?

— Como se o tempo não tivesse passado. Eu guardei tudo para mim. Na minha mente, eu nunca te esqueci, e isso afetou meus relacionamentos e minha vida. Dava para controlar, mas… antes disso. De qualquer forma, eu não deveria estar me apegando a isso. Não importa mais. Você ama Hinata.

— Amo. — Ele disse, abruptamente.

Ouvi-lo confirmar de forma tão veemente fez com que meus olhos se erguessem inesperadamente.

— Ela é uma boa pessoa. Mas te ver com alguém depois da forma como as coisas acabaram entre nós é muito difícil, para mim. Ver que está magoado é mais difícil ainda.

Eu tinha colocado para fora aquelas palavras e dito exatamente o que passava pela minha cabeça porque, mais uma vez, eu não tinha certeza se seria a última vez que nos veríamos. Era importante que ele soubesse como eu me sentia. Balancei a cabeça repetidamente.

— Me desculpe. Eu não devia ter dito isso.

As pessoas no andar de cima pareciam estar a milhares de quilômetros de distância. Podíamos ouvir pingos caindo por estarmos completamente sozinhos.

Eu estava olhando para baixo, quando sua mão me surpreendeu ao pousar em meu rosto.

Lentamente, ele a deslizou e a colocou ao redor do meu pescoço.

— Sakura… — Ele suspirou com um nível de emoção que eu só tinha visto em seu rosto uma única vez, sete anos atrás.

Fechei meus olhos e compreendi que, por um momento, estávamos de volta àquele mesmo lugar e época. Eu estava com o antigo Sasuke, meu Sasuke. Isso era algo que eu nunca pensava que sentiria novamente. Ele manteve a mão em meu pescoço e o apertou gentilmente. Foi inocente, mas havia uma linha muito tênue sendo desenhada a cada momento que passava. Seu polegar acariciou minha pele lentamente. Sentir a aspereza de seus dedos cheios de calos fez com que meu corpo inteiro se aquecesse. Eu não entendia o que estava acontecendo, e também não tinha certeza se ele compreendia. Torci para que ninguém surgisse, porque no instante em que isso acontecesse, meu Sasuke desapareceria.

— Eu te magoei. — Ele disse, com os dedos ainda presos em minha pele.

— Tudo bem. — Sussurrei. Meus olhos ainda estavam fechados.

Sasuke rapidamente tirou a mão de mim quando ouviu passos.

— Aí está você — Hinata disse, enquanto caminhava até onde estávamos, sentados no sofá. — Não te culpo por querer respirar um pouco. Esta noite está sendo exaustiva.

Imediatamente eu levantei e ofereci a ela o mais falso sorriso que já conjurei em toda a minha vida. Meu coração ainda estava acelerado por causa do que eu tinha acabado de vivenciar.

— O padre já está se aprontando para conduzir a oração. Não quero que você perca — ela disse a ele. — Está se sentindo bem para ir lá para cima?

— Sim… É… Eu estou bem — ele disse. — Vamos.

Ele olhou para mim rapidamente, de uma forma que foi difícil de interpretar, antes de se virar e seguir Hinata para o andar de cima. Eu os segui, e observei enquanto ele colocava a mão em suas costas, a mesma mão que tinha envolvido meu pescoço, um minuto atrás.

[…]

Depois da cerimônia, Minato e Kushina convidaram algumas pessoas para sua casa, para um chá e alguns docinhos. Minha mãe sentiu-se na obrigação de ir, o que significava que eu teria de acompanhá-la para levá-la de volta para casa, depois.

Eu e minha mãe fomos as últimas a deixar a capela, então, quando chegamos à casa, a mesa de jantar estava cheia de pessoas. O lugar cheirava a café fresco e biscoitinhos de mirtilo, que Kushina tinha acabado de tirar do forno.

Tudo o que eu queria era ir para a cama e dormir. O dia seguinte seria igualmente longo, por causa do sepultamento. Eu nem sabia quando Sasuke iria voltar para a Tokyo, mas imaginei que ele não iria ficar por muito mais tempo do que o dia seguinte.

Não conseguíamos encontrar Sasuke e Hinata. Por mais que não fosse da minha conta, eu não conseguia não imaginar onde estavam e o que estavam fazendo.

Assim que eu pensei neles, Hinata apareceu na sala de estar, carregando um biscoitinho em um prato de plástico. Ela tinha trocado o vestido preto por um short casual e uma camiseta. Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo frouxo, que a deixava parecendo ainda mais jovem, sem qualquer maquiagem.

— Ei, Sakura. Posso ficar com você? — Ela se sentou ao meu lado antes mesmo que eu pudesse responder.

— Claro. — Abri espaço no sofá de dois lugares.

— Estou feliz que tenha vindo — ela disse. — A casa de Minato e Kushina é mesmo muito linda, não é? Fico feliz que tenhamos ficado aqui, ao invés de em um hotel.

— Ela é, sim.

— Espero ter minha própria casa, um dia, mas com nossos salários no centro de menores, vai demorar um pouco para que isso aconteça. Nosso apartamento é bem pequeno.

Nosso apartamento.

— Há quanto tempo vocês moram juntos?

— Há alguns meses. Já estamos namorando há quase um ano. Sasuke estava um pouco hesitante em seguir em frente, por causa da mãe, mas acabou cedendo. Já faz muito tempo que Mikoto não está bem. Você sabe disso, não sabe?

— Sim. Sei que ela tem problemas.

— Bem, o último ano foi bem melhor. Ela tem um namorado agora… mas quando ela descobriu sobre a morte de Fugaku, foi bem difícil. Por isso, estamos preocupados que possa ter uma recaída.

— Onde está Sasuke, agora?

— Lá em cima.

— O que está fazendo?

— Na verdade… ele está bem estranho esta noite.

— Como assim?

Ela olhou ao redor para se certificar que ninguém estava ouvindo nossa conversa.

— Ok… Bem, nós saímos do funeral um pouco mais cedo e voltamos para cá. Ele…

— Ele o quê?

Ela se inclinou e sussurrou:

— Ele quis transar.

Eu quase me engasguei com o chá.

Por que, em nome de Deus, ela estava me contando aquilo?

Tossi.

— Isso é incomum?

— Não, quer dizer… ele tem um enorme apetite sexual, mas, dessa vez, foi diferente.

Enorme apetite sexual…

Fiz o meu melhor para me mostrar casual e fingir que meu estômago não havia ficado enjoado com aquela conversa, que eu tinha quase certeza que iria me traumatizar.

— Diferente?

— Voltamos para cá, e ele, imediatamente, me arrastou para o segundo andar e começou a arrancar minhas roupas. Era como se estivesse fazendo isso para enterrar seus sentimentos, para esquecer a noite. E eu compreendi. Mas, quando começamos, não conseguimos terminar. A forma como ele me olhou… era como se sua mente estivesse em outro lugar. Então, ele correu para o banheiro, trancou a porta, e eu ouvi o chuveiro sendo ligado.

— Ele disse mais alguma coisa?

— Não. Nada.

— Deve ter algo a ver com tudo que aconteceu hoje à noite. — Eu disse.

E, com isso, eu não quis dizer que pode ter algo a ver com a forma como ele me tocou, Hinata.

— Não queria ter de deixá-lo assim. — Ela disse.

— O que você quer dizer com deixá-lo?

— Ele não te contou? Não posso ficar para o enterro.

— Por quê?

— Meu voo sai amanhã, às nove horas da manhã. Minha irmã vai se casar amanhã à noite. Eu sei… Um casamento sexta-feira à noite, certo? Pelo que eu soube, fazer a festa durante a semana cortava os custos pela metade. Mas, mesmo assim, é uma droga para todos nós, que precisamos trabalhar e temos vidas. Sou a madrinha dela. O momento não podia ser pior.

Ela ia embora.

— Quando Sasuke vai embora?

— O voo dele é sábado à noite.

— Ah.

Ela cruzou as pernas e deu uma mordida no biscoito.

— Ele sempre foi assim, complexo? Quer dizer, quando era mais novo?

— Pelo que eu sei, pelos breves momentos que passamos juntos, pode-se dizer que… sim. A forma como ele escreve seus livros é um bom exemplo disso.

Ela inclinou a cabeça.

— Ele escreve… livros?

Ela não sabia?

— Ah… Bem… era uma coisa com a qual ele costumava brincar. Eu não deveria ter mencionado o assunto. É irrelevante.

— Uau! Preciso perguntar para ele sobre isso. Não posso acreditar que ele não me contou que gostava de escrever. Livros sobre o quê?

Como ele pode não ter contado a ela?

Comecei a entrar em pânico.

— Ficção. Não diga a ele que te contei — balancei a cabeça, esperando que ela mudasse de ideia. — Eu não deveria ter contado nada.

A voz dele surgiu, fria:

— Não. Não deveria.

Nós duas nos viramos ao mesmo tempo e vimos Sasuke parado à nossa frente.

Merda.

O olhar gelado que ele me dirigiu era um bom indicador de que eu tinha cometido um grande erro. Mas era tarde demais. Agora era ele quem tinha de manter o controle.

Hinata deu alguns tapinhas no assento vago ao seu lado.

— Venha aqui, amor. Por que nunca me contou que costumava escrever? Isso é muito legal.

— Não era nada demais. Era só um hobby que eu tinha, na adolescência.

Não era um hobby; era uma paixão. Por que ele não estava mais escrevendo?

— Não consigo acreditar que nunca tenha me contado. — Ela disse.

Ele deu de ombros.

— Bem, agora você sabe.

Eu estava esperando que ele olhasse para mim, para que eu pudesse, ao menos, expressar um pedido de desculpas silencioso, mas não tive a oportunidade.

Kushina entrou no cômodo.

— Sasuke, posso te servir uma bebida? — Ela perguntou.

— Algo forte.

— Pode deixar.

Ela voltou com três copos com alguma bebida cor de âmbar. Sasuke agarrou o primeiro imediatamente.

Hinata sussurrou para mim:

— Você viu? Prometa que vai ficar de olho nele para mim, ok?

Sasuke entornou o último copo assim que ela terminou o comentário:

— Ela não precisa ficar de olho em mim. — Ele cuspiu as palavras.

— Você sabe o quanto me sinto mal por ter que te deixar sozinho.

— Não deveria. Vou ficar bem. Estarei em casa no domingo de manhã, antes de você acordar.

Ele já teria ido embora antes que eu percebesse.

Ela encostou a cabeça em seu ombro. Sasuke tinha vestido um jeans, e seus pés estavam descalços.

Aquilo me trouxe um flashback da noite em que ele se abriu para mim pela primeira vez em meu quarto, que foi quando eu reparei que seus pés eram lindos. Espantei aquele pensamento, porque Hinata tinha me pedido para ficar de olho nele, e eu duvidava que isso tivesse qualquer coisa a ver com cobiçá-lo.

Minha mãe entrou na sala de estar.

— Querida, acho que preciso ir para casa, descansar para amanhã.

— Ok. Já vamos. — Era como se eu não conseguisse levantar daquele sofá rápido demais.

Hinata se levantou:

— Sakura, não vou mais te ver. Nem consigo expressar o quanto fiquei feliz em te conhecer. Espero que possamos nos encontrar de novo.

— Igualmente. — Menti.

Enquanto a abraçava, olhei por cima de seu ombro para Sasuke, e murmurei “me desculpe”, esperando que ele pudesse me perdoar por ter mencionado sua escrita. Ele apenas olhou para mim, com uma expressão impossível de ser lida. Por mais que eu não conseguisse compreender o porquê de ele nunca ter mencionado para ela, já que seu relacionamento era tão sério, isso não importava. Mais uma vez, eu ultrapassei as barreiras. Apesar do que tinha acontecido entre nós na capela, eu não tinha mais um verdadeiro espaço em sua vida. Fiz uma promessa para mim mesma de manter distância dele no dia seguinte, a não ser que ele precisasse de mim.

Mas para que ele iria precisar de mim? Ele tem a ela. Esse deveria ser o meu mantra.

Ela abraçou minha mãe.

— Mebuki, por favor, aceite minhas sinceras condolências novamente. Me desculpe por precisar voltar para Tokyo para o casamento da minha irmã, amanhã.

— Obrigada. — Minha mãe disse. Eu via que ela estava exausta.

Hinata sussurrou em meu ouvido:

— Obrigada por me deixar desabafar sobre aquele outro assunto, também.

— Sempre que precisar.

Obrigada por me traumatizar.

Em outra vida, aquela garota poderia se tornar minha melhor amiga. Eu podia afirmar que ela era o tipo de pessoa para a qual eu poderia ligar a qualquer hora da noite para desabafar sobre meus problemas. Ela era legal assim, e eu era cruel demais por me sentir aliviada por ela estar indo embora na manhã seguinte.

Agora, eu só teria um problema pelas próximas vinte e quatro horas. E então, Sasuke também pegaria um avião e sairia da minha vida novamente.

Certo?

Mas não foi assim tão simples.


Notas Finais


Até a próxima!


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