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História Meu querido professor Otário - Capítulo 17


Escrita por:


Notas do Autor


Olá xuxus, como vão?
Mais um capítulo pra vocês, espero que gostem ❤️
Como já devem ter percebido, os últimos capítulos não tiveram música, porque eu não achei espaço para encaixa-las. Assim eu vou escrever o trecho, que eu mais gostei da música que eu ouvi ao escrever, no início dos capítulos.

Capítulo 17 - Tudo bem não estar bem


“Tudo bem não estar bem (...) Lágrimas não significam que você está perdendo, todo mundo se machuca”

— Who you are, Jessie J.


A falta de empatia e sensibilidade era algo que Sakura gostava de tirar vantagem quando se encontrava em situações como aquela. Não gostava da atenção que as pessoas costumavam demostrar quando estava naquele modo tão vulnerável. Quando as lágrimas se acumulavam em seus olhos e ameaçavam cair ou quando a tristeza estava tão expressa em sua face que nem mesmo a música mais alegre do mundo conseguia mudá-la.

Dessa forma, Sakura preferia ficar sozinha

Poderia soar dramático, ou talvez orgulhoso, mais ainda sim, ela preferia lidar com suas próprias emoções ruins sozinha. Por isso, o melhor lugar para o seu sofrimento silencioso — como Ino havia gostava de chamar — era a universidade, onde as pessoas costumavam ignorar aqueles que estavam notoriamente necessitados.

Quando a biblioteca foi aberta, Sakura foi a primeira pessoa a entrar. Escondendo a face machucada, com o capuz do moletom, ela seguiu para a sala de estudos individuais e sentou-se na mesa mais afastada que ali havia. Seu corpo ainda tremia e suas roupas estavam molhadas devido a sua corrida dramática em meio a chuva. Provavelmente se arrependeria mais tarde quando olhasse o estado dos livros dentro de sua bolsa. Com certeza estavam encharcados e com toda certeza teria que vender um rim para pagá-los posteriormente.

Retirou o celular e checou as notificações. Inúmeras ligações e mensagens de Mebuki e duas de Sasuke. Jogou o celular sobre a mesa e abaixou a cabeça, sentindo a lateral do seu rosto doer quando o apoiou nos braços. 

Um bolo de choro se formou em sua garganta e Sakura conteve a vontade quase incontrolável de chorar.

Ela sabia exatamente o que deveria fazer, mas naquele momento suas forças estavam voltadas para que se mantivesse calma e racionalmente estável. Não havia sido somente uma simples briga, havia sido uma violência que, como Ben deixara explícito, não era a primeira vez que acontecia.

— Calma, Sakura... — murmurou pra si mesma ao enxugar a única lágrima que ousou cair — Tudo vai ficar bem... você é esperta, vai saber lidar com isso.

Foi com esse pensamento de auto-consolo, junto ao desejo de se acalmar que Sakura fechou os olhos e decidiu se entregar ao mundo inconsciente, onde não havia nada além de paz.


Sua chamada está sendo encaminhada para caixa postal...

Pela décima vez Sasuke desligou o telefone com a irritação explícita no ato. Não importava quantas vezes tivesse ligado ou mandado mensagem Sakura não o respondia. E isso estava lhe tirando sua costumeira calma e indiferença.

— Ela não te mandou nenhuma justificativa por ter que se ausentar do trabalho hoje? — ele perguntou a Itachi sentado na mesa destinada a Sakura no escritório.

— Não... na verdade não sei, já que eu deixei meu celular em casa — respondeu e ouviu um longo suspiro de seu irmão.

Sasuke massageou as têmporas, checando todas as mensagens que havia mandado para Sakura.

Sasuke:

Por que não?

??

Bom dia. Vou te buscar no escritório.

Onde você está?

Sakura?

Sakura aconteceu alguma coisa?

Por que não me atende?

Sakura??!!

Todas as mensagens haviam sido lidas e ignoradas, o que era estranho. Sakura nunca lhe dera um vácuo dessa forma. Ela costumava demorar para responder, por uma justificativa plausível, mas nunca deixava de fazê-lo. 

Será que sua falta de sutileza seria a razão por estar sendo ignorado brutalmente? Sakura estaria com raiva? Chateada? 

Poderia ser verdade, mas Sasuke a conhecia o suficiente para saber que Sakura não faltaria o trabalho por um motivo tão frívolo como esse.

Ou faltaria?

— Ela não mandou mensagem pra você? — Itachi perguntou — Você é quem a busca, assim Sakura deveria avisa-lo que não viria trabalhar hoje.

— Ela não me mandou mensagem e não respondeu as que eu enviei — Sasuke disse irritado — Talvez ela tenha tido um imprevisto ou está me ignorando propositalmente.

— E por que ela estaria te ignorando? — Itachi arqueou uma sobrancelha realmente curioso.

Sasuke sentou-se, em uma das cadeiras de espera, e passou as mãos ansiosamente pelos cabelos antes de encarar a face de seu irmão.

— Porque eu disse que não via razões de compartilhar da minha vida com ela — Itachi arqueou as duas sobrancelhas em uma expressão clara de incredulidade.

— Sutileza mandou lembranças a você, em?

— Eu me expressei mal, não foi isso que eu quis dizer — Sasuke se pronunciou rapidamente — Sakura não sabe da minha situação. Eu... eu só não quero compartilhar do meu passado com ela e você sabe muito bem o porquê.

Quer dizer que seu passado se resume apenas a Naomi? — Itachi rebateu em um olhar de repreensão. 

— Não... — Sasuke respondeu cansado. Agora se achava a pessoa mais idiota do mundo.

— Nossa, Sasuke, você consegue ser bem ogro as vezes — Itachi declarou balançando a cabeça negativamente — Por mais que seja um motivo plausível pra Sakura te ignorar, não acho que ela faltaria o trabalho por causa disso.

— Então, por que ela faltaria? — Sasuke indagou, ignorando a primeira declaração de seu irmão quanto a sua atitude.

— Você é quem se relaciona com ela, logo você que deveria me responder isso — Itachi rebateu.

Sasuke respirou fundo, pegando o celular e discando o número de Sakura mais uma vez. Como nas outras tentativas, ela não o atendeu. A possibilidade de ter acontecido algo com ela causou um calafrio terrível em sua espinha. 

Tentou mais uma vez e nada. Mandou mais uma mensagem e nada. Levantou-se e começou uma caminhada pelo pequeno espaço da recepção do escritório enquanto pensava em uma resposta para os questionamentos relacionados a Sakura. Não poderia perguntar a ninguém ou ao menos ir até a casa dela porque a relação deles era um segredo e isso era frustrante.

— Você deve gostar muito dela pra ficar visualmente atordoado — a voz de Itachi o puxou de seus pensamentos, fazendo-o encara-lo.

— Não estou atordoado, eu só estou intrigado — declarou desviando sua atenção.

— Se você diz... — Itachi deu de ombros. 

Não seria ele a esclarecer algo totalmente explícito em cada ação de seu irmão. Por mais que tivessem passado longos anos separados, Itachi ainda reconhecia as ações que Sasuke demonstrava quando aquilo conhecido como zelo estava presente em seu âmago. E isso era decorrente de um sentimento o qual Sasuke não queria admitir ou talvez não o tivesse reconhecido ainda. A questão é que havia algo abstrato na relação que Sasuke insistia em dizer que era sem compromisso. Como irmão, Itachi estava realmente feliz com essa conclusão, porém como advogado isso era preocupante.

— Vou ligar para o Naruto — Sasuke declarou já discando o telefone de seu amigo. Inventaria uma desculpa qualquer para tentar descobrir o paradeiro da rósea.

Alô?

— Naruto, você está ocupado? — Sasuke perguntou, trocando um olhar significativo com Itachi.

Estou em aula agora, mas posso falar se o assunto não for longo.

— Eu só queria saber se você sabe se aconteceu algo com a Sakura. Ela é secretária de Itachi e não apareceu no trabalho hoje e não deu qualquer justificativa — informou ouvindo o barulho de vozes do outro lado da linha, Naruto devia estar na sala de aula — E, bem, ele me pediu pra perguntar se você sabe de alguma coisa — Sasuke usou o tom mais indiferente que conseguia. Se Naruto não soubesse alguma coisa ele estaria preparado pra jogar o sigilo para o espaço e ir até a casa de Sakura a sua procura.

A Sakura? Eu a vi hoje.

— Hoje? Onde? — indagou sério. 

Eu a vi entrando na biblioteca da universidade de manhã cedo, logo que ela abriu.

O que Sakura estaria fazendo na universidade pela manhã? Não havia aula do curso de medicina e se tivesse Sakura teria informado sobre isso. Além do mais, a mensagem que havia recebido, na noite anterior, deixava claro que ela iria para o trabalho.

— Tudo bem, obrigado. Vou repassar a informação a Itachi — foi tudo que disse antes de encerrar a ligação — Naruto a viu na universidade, vou ver se ela ainda está lá.

— Agora? Está caindo o mundo lá fora — Itachi informou, mas Sasuke simplesmente saiu do escritório, ignorando-o completamente — Tsc... ainda diz que está apenas intrigado.



A superfície da mesa vibrava embaixo de si, fazendo Sakura abrir os olhos vagarosamente. Ela pegou seu celular e viu o nome de Sasuke brilhar na tela antes da ligação terminar como perdida. Abriu o WhatsApp e leu todas as mensagens que ele havia enviado para logo bloquear a tela. Não queria lidar com Sasuke ou com qualquer coisa, ainda não. Dessa forma, fechou os olhos novamente e se entregou a inconsciência mais uma vez.

Quando acordou pela segunda vez, Sakura sentiu a calma em seu corpo, assim como o peso da angústia. Endireitou-se a cadeira e piscou algumas vezes, percebendo que a visão de seu olho direito estava embasada mais do que o normal. Levou a mão até o pescoço quando sentiu um incômodo ao engolir e de modo hesitante abriu a câmera do celular para checar seu estado.

Um arfar saiu com dificuldade quando Sakura notou o hematoma ao redor de seu olho e a mancha avermelhada na bochecha. Seu pescoço estava pior. Os dedos de Ben estavam marcados em sua pele em um tom roxeado muito feio, o que não passaria despercebido por qualquer pessoa que tivesse uma visão descente.

Respirando fundo, Sakura guardou o celular e levantou-se da cadeira determinada a por em prática o que deveria ser feito. Naquele horário sua avó estaria no trabalho, assim ficaria mais fácil ir para casa sem correr o risco de se encontrar com Tsunade. Seu plano era trocar de roupa e seguir para a delegacia mais próxima. Não deixaria Ben sair impune daquilo e deixar Mebuki a sua mercê novamente.

Com determinação, Sakura seguiu a passos rápidos para fora da biblioteca. O céu estava nublado e uma chuva fina caia lá fora. Ela ajeitou o capuz do casaco, quando um grupo de alunos passou ao seu lado, e foi em direção ao ponto de ônibus. Estava quase chegando quando seu nome foi chamado, fazendo-a parar de súbito por reconhecer a voz.

— Sakura? — Sasuke chamou mais uma vez e Sakura sentiu um desespero invadir o seu âmago. 

O que ele estava fazendo ali? Por que Sasuke estaria ali se não havia qualquer razão pra tal coisa?

Não. Ele não poderia vê-la daquela forma tão deprimente e machucada. Não saberia se conseguiria lidar com os olhos de Sasuke sobre si.

— Sakura? O que aconteceu? Por que você não me atende? — Sasuke tentou se aproximar, mas Sakura recuou dois passos em um movimento, notoriamente, acuado — Sakura... você está bem? — ele perguntou, quase em sussurro, estranhando o silêncio por parte dela.

— Está tudo bem... — ela respondeu, por fim, com uma rouquidão na voz.

— Você está doente? — Sasuke indagou sério, franzindo o cenho em conjunto. Era nítido que algo estava errado. Sakura nem se quer o olhava, apenas mantinha a cabeça baixa e abraçava o próprio corpo — Sakura...

— Eu estou ótima, não se preocupe com isso — fui tudo que ela disse antes de virar e voltar a caminhar.

— Ei, ei, ei — Sasuke foi na direção de Sakura e tentou pará-la, mas ela apenas desviava de seu corpo no meio do caminho — O que aconteceu? Sakura!

— Sério Sasuke, eu estou bem! — disse alto e se arrependeu logo em seguida quando sentiu o arranhar em sua garganta, fazendo-a tossir várias vezes.

Sasuke segurou Sakura pelos ombros e esperou ela se acalmar. Estava pouco se importando se aquele gesto íntimo seria visto por alguém. A única coisa que ele queria era saber como Sakura estava e o que tinha acontecido para ela ficar tão arredia. Só havia a visto daquela forma apenas uma vez, quando Kizashi veio visitá-la na faculdade.

— Por favor, me diga o que aconteceu — Sasuke pediu com a voz mais branda que conseguia — Por favor...

Sakura fechou os olhos e prendeu a respiração numa tentativa de conter as lágrimas que se acumulavam novamente em seus olhos. Não tinha mais forças para se afastar de Sasuke e pelo jeito ele não a deixaria em paz até obter uma resposta. Dessa forma, Sakura apenas se deixou levar quando Sasuke segurou seu queixo e levantou carinhosamente seu rosto para que ela pudesse olhá-lo. O cenho dele franziu e seus olhos se arregalaram em incredulidade.

— Que porra é essa no seu rosto? — sua pergunta saiu apressada e seu semblante se tornou mais atordoado quando seus olhos focaram nas manchas roxeados no pescoço de Sakura — Quem fez isso com você? Sakura, quem fez isso com você?! — Sasuke exigiu saber segurando o rosto dela com as mãos enquanto seus olhos buscavam por qualquer outro machucado — Quem fez isso com você??!!

— Está tudo bem... — Sakura disse, segurando por cima da mão de Sasuke, e forçando um sorriso num tentativa de fazê-lo se acalmar — Está tudo bem...

— Sakura... — ele disse em sussurro, envolvendo-a em seus braços e passando todo o conforto que sabia que Sakura precisava — Vem, vamos sair daqui — ele disse guiando Sakura até seu carro.


Quando chegaram a casa de Sasuke, a primeira coisa que ele fez foi pegar a pequena maleta de primeiros socorros que havia em seu guarda-roupa. Sakura sentou-se no sofá e esperou calmante Sasuke examinar seus machucados e fazer os curativos necessários. Ele a ajudou a trocar suas roupas molhadas, retirando cautelosamente as peças de seu corpo para depois vesti-la com uma de sua blusas sociais. 

— Você vai me contar o que aconteceu agora? — Sasuke perguntou enquanto pressionava uma bolsa de gelo no inchaço ao redor do olho de Sakura.

Paciência e calma foram as palavras que ele ficou repetindo diversas vezes na mente. Sakura já estava sobrecarregada demais para ele simplesmente existir uma explicação. Assim, Sasuke esperou pacientemente pelo momento que julgou ser o melhor para que começasse a perguntar alguma coisa, pois ele precisava saber quem havia machucado Sakura daquela forma. Quem havia sido o monstro que tivera coragem de ousar tocá-la. Uma raiva cresceu dentro de si, fazendo Sasuke tensionar a mandíbula. Que sua racionalidade o ajudasse a manter a calma caso encontrasse o responsável por machucá-la.

Após um longo suspiro Sakura encarou os olhos de Sasuke.

— Minha mãe não tem sorte pra homens... — começou calma, sentindo a garganta arranhar. 

Ela contou todos os detalhes, desde o momento que Hana a deixou na casa de Mebuki até o momento que fugiu da casa após ser agredida por seu padrasto. Sasuke ouviu tudo atentamente com uma expressão mais séria do que a habitual. Ele guardou a bolsa de gelo novamente na geladeira e voltou até Sakura sentando ao seu lado no sofá.

— Eu sinto muito — disse retirando alguns fios róseos de frente do rosto machucado — Eu sinto muito mesmo.

— Você não precisar sentir — Sakura sorriu brevemente — Está tudo bem.

— Você já disse isso tantas vezes que já perdeu o real significado — Sasuke rebateu e viu o semblante de Sakura se tornar triste.

— Eu sei — ela concordou com a voz embargada, franzindo o cenho ao conter a vontade de chorar.

— Não precisa ser tão forte, Sakura. Não tente lidar com tudo sozinha se há pessoas que ajudariam você a fazer isso — Sasuke aconselhou, acariciando a coxa de Sakura que desviou a atenção — Você não tem que guardar isso pra si, assim como não tem que conter a vontade de chorar. Não faz bem pra sua saúde mental — aconselhou.

— Eu sei... é que... — respirou fundo e começou a enxugar as lágrimas que começaram a descer por sua face — É que eu odeio chorar, sabe? Os olhos incham e o nariz entope — ela disse em tom brincalhão, o que arrancou uma risada baixa de Sasuke — Me sinto uma criança quando faço isso... uma perdedora.

— Você é inacreditável — ele disse tocando a face da rósea e enxugando as lágrimas com o polegar — Não se sinta assim, você não precisa se sentir uma criança ou uma perdedora apenas por chorar. Chorar faz bem, alivia a dor da alma.

— Você é uma caixinha de surpresa, Sr. Uchiha — Sakura disse impressionada.

— Por quê?

— Porque você me surpreende com sua falta de sutileza e depois com sua total capacidade de me fazer bemsua resposta foi tão sincera e tão natural que Sakura corou até o último fio de cabelo ao perceber que deixara implícito seus sentimentos com relação a Sasuke.

Ele apenas repuxou o canto da boca em um gesto, notoriamente, satisfeito. Apesar de saber que o fato de Sakura sentir algo por ele era preocupante, Sasuke não conseguia evitar estar contente com essa pequena revelação. Pois no fundo — mesmo tentando negar a qualquer custo — ele sabia que havia reciprocidade.

— Sobre o que eu disse ontem, eu realmente me expressei mal...

— Eu já disse que está tudo bem. Você não precisa compartilhar da sua vida comigo — Sakura o interrompeu, fazendo revirar os olhos como um adolescente.

— Não é que eu não queira compartilhar da minha vida com você, Sakura — ele segurou as mãos dela entre as suas — É só que existem coisas no meu passado que eu não gosto de conversar e eu acabo sendo...

— Um Otário? — ela completou e Sasuke riu.

— É. Eu acabo sendo um otário com você, me desculpe — ele disse desviando a atenção pra baixo ao sentir-se constrangido — Eu vou tentar mudar isso. Mudar esse meu jeito sério e essa minha falta de sutileza para que não seja um incômodo a você.

Sakura franziu o cenho ao sentir algo estranho em seu peito após a declaração de Sasuke. Ele estava disposto a mudar seu jeito por ela? Isso soava tão errado.

— Talvez sua falta de sutileza seja um pouco incômoda, mas sua seriedade não — Sakura disse e Sasuke a encarou levemente surpreso — É o seu jeito de ser, Sasuke. Você não pode mudá-lo por uma versão inventada feita apenas para agradar os outros — ela acariciou a face dele — Eu... eu gosto do seu jeito e não o mudaria. Você só precisa aprender a não ser tão otário as vezes.

Talvez surpresa não fosse a palavra certa para descrever o que Sasuke estava sentindo. Fascínio ou encantamento seria mais adequado. Quão fascinado ele estava com a jovem de cabelos róseos a sua frente. Sakura apresentava uma mente tão madura para sua idade, com uma sabedoria tão incrível que era impossível não ficar encantado. Em apenas alguns meses, ela havia o aceitado mesmo depois de conhecê-lo em sua versão mais insuportável. Naomi nunca chegara perto de aceitá-lo, nem na sua melhor versão, nos nove anos que ficaram juntos. 

Num impulso Sasuke simplesmente puxou Sakura e selou seus lábios em um beijo repleto de sentimentos que ambos não ousariam pronunciar.

— Obrigado — Sasuke disse, encostando sua testa com a de Sakura para logo se afastar.

— Eu sou boa com conselhos também — ela disse e os dois riram em uma sintonia agradável.

O celular de Sakura tocou, chamando a atenção dos dois. 

— Mami poderosa está ligando — Sasuke disse ao pegar o celular e entregá-lo para Sakura que tinha uma expressão preocupada agora. 

Após alguns minutos e diversas respostas curtas, Sakura encerrou a ligação e soltou um longo suspiro.

— Está tudo bem? — Sasuke perguntou.

— Está. Era uma amiga da minha mãe, elas estão na delegacia. Eu preciso ir pra lá.

— Eu levo você — Sakura tentou argumentar, mas Sasuke levantou a mão a silenciando — Não diga que não precisa. Eu estou avisando, não pedindo permissão — Sakura franziu o cenho e sorriu logo em seguida.

— Tudo bem — ela declarou vencida — Vamos trabalhar sua sutileza quando voltarmos, ok? — deu um selinho em Sasuke e levantou.

— Certo — ele concordou, repuxando o lábio.

Sasuke observou Sakura arrumar algumas coisas na bolsa e pegar sua roupa que ele havia posto da secadora. Apesar dos machucados, ela estava bem melhor, o que foi reconfortante. Sasuke entendia perfeitamente a aversão de Sakura com o choro, porque ele também sentia esse tipo de aversão que lhe deixava nesse mesmo estado de vulnerabilidade. 

Ele odiava estar intrigado.


Notas Finais


Espero que tenham gostado 💓


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