1. Spirit Fanfics >
  2. Meu querido sonâmbulo 2 >
  3. Minha querida diferença

História Meu querido sonâmbulo 2 - Capítulo 12


Escrita por:


Notas do Autor


E cá estou eu!
Esse capítulo é um bem focado na Shinhye e no passado dela, então espero que gostem. Ainda temos, de bônus, a aparição do irmão mais novo que todo mundo adora...

Boa leitura!

Capítulo 12 - Minha querida diferença


Quando chegou na clínica naquele dia, Shinhye não se sentia mais como si mesma. Depois da conversa com Namjoon, ela apenas teve tempo de tomar um rápido banho gelado, trocar a vestimenta fúnebre que ainda usava por uma roupa de trabalho e seguir em frente com a sua rotina como se não dormisse há quase dois dias completos; e o pior, como se todo o episódio envolvendo Namjoon sequer tivesse acontecido.  

E por falar no Kim, a conversa com o mesmo não tinha sido das melhores, como ela já esperava. Porém, mesmo que tivesse atingido o seu limite de exaustão quando viu o sonâmbulo acordar aparentemente sem se lembrar de nada que ocorrera durante a noite, o que ela de fato não esperava era o modo como Namjoon a fitou antes de simplesmente ir embora do seu apartamento. Ainda confuso e com lágrimas nos olhos, o Kim a olhou como se estivesse assistindo ao seu último fio de esperança se partir ao meio, como se um enorme e trabalhoso castelo de cartas estivesse desmoronando bem diante dos seus olhos. Em seguida, em silêncio, ele recolheu as próprias roupas manchadas de sangue, deu-lhe as costas e, a passos arrastados, deixou o apartamento sem sequer olhar para trás. Namjoon podia ter dito adeus, pedido perdão ou, até mesmo, agradecido Shinhye por não o ter denunciado ou algo do tipo, mas o Kim apenas partiu sem dizer nenhuma palavra — sem nem saber o que deveria ser dito naquele momento. 

E aquilo quebrou Shinhye. Cansada de tanto lutar contra o próprio esgotamento para continuar de pé, ela se permitiu cair sentada no chão quando ouviu o bater da porta. Sozinha, ela permaneceu daquele modo durante alguns minutos sem nada em específico se passando pela sua cabeça, apenas um enorme e sufocante vazio lentamente a consumindo. 

— Eu espero ter feito a coisa certa. — sussurrou para si mesma, finalmente dando-se conta de que jamais veria o Kim Namjoon que acabara de ir embora pela porta do seu apartamento outra vez. 

Respirou fundo e sacudiu a cabeça. Tendo feito a coisa certa ou não, não conseguiria descobrir aquilo tão rapidamente, então ela se levantou focada na única coisa que estava ao seu alcance naquele momento: o trabalho.  

— Bom dia, Dra. Kim. — Haechan cumprimentou a chefe, sendo a primeira pessoa com quem ela encontrara ao colocar os pés na clínica.  

Ironicamente, ele era a única que Shinhye estava, de fato, procurando encontrar. 

— Bom dia, Haechan. — ela respondeu tentando não deixar o desânimo causado pelo cansaço transbordar por sua voz. Antes de mais nada, tirou as chaves do carro do assistente do próprio bolso e as ergueu na direção do mesmo. — Eu deixei o seu carro estacionado na garagem. Muito obrigada por me emprestá-lo durante esses dias e me desculpe pelo incômodo.  

— Tudo bem, sem problemas. — ele sorriu e pegou a chave, internamente sentindo-se muito aliviado por ter o precioso veículo de volta em suas mãos. — Tem certeza de que a senhora não vai mais precisar? 

Shinhye respirou fundo, fitando o assistente por um momento. Se ele soubesse para que ela tinha usado o seu carro, certamente não estaria lhe perguntando aquilo. 

— Tenho sim. — respondeu, por fim. — O meu já ficou pronto, vou buscá-lo na hora do almoço.  

Na verdade, a Kim tinha levado o carro do assistente para dar um último passeio antes de realmente devolvê-lo: o lava-jato. Saiu de casa cedo naquela manhã, dirigindo o veículo com o banco traseiro quase todo manchado pelo sangue das roupas de Namjoon, e a primeira coisa que fez foi levá-lo para lavar. O dono do lava-jato a olhou assustado quando a mesma disse que precisava de uma lavagem especial no banco de trás, que estava todo ensanguentado, mas felizmente acabou acreditando na sua desculpa de que tinha atropelado um cachorro na noite anterior.  

— Pelo menos a senhora o levou até o veterinário. — o homem já de meia idade comentou, satisfeito. — Nem todos teriam esse bom coração. 

Bom coração. Shinhye teve que se segurar para não soltar uma risada amarga. 

Voltando à clínica, a Kim tinha sido seguida pelo assistente até a sua sala, o que não era um fato tão anormal — de vez em quando, Lee Haechan simplesmente seguia a chefe de um lado para o outro durante o expediente. — mas que tivera um bom motivo daquela vez em específico. 

— O Hospital Geral de Daegu conseguiu encontrar os documentos que a senhora pediu e os enviou para o meu email. Eu imprimi tudo e deixei sobre a sua mesa. — o jovem disse assim que a terapeuta se sentou em sua cadeira, apontando para uma pasta amarelada posicionada diante da chefe. — Sobre Kim Namjoon, certo? 

Shinhye fitou a tal pasta, séria. Depois de alguns segundos em silêncio, voltou os olhos para o assistente parado no meio de sua sala. 

— Obrigada, Haechan. — disse e forçou um sorriso, já que o assistente não tinha nada a ver com toda aquela bagunça e tinha apenas feito o seu trabalho. — Se era só isso, você já pode ir. 

— Na verdade... — o mais novo comentou, claramente sem jeito. — Eu queria dizer que sinto muito.  

Foi tudo que o Lee disse, o que fez com que Shinhye franzisse o cenho na sua direção. 

— Pelo que, exatamente? — indagou, confusa. 

Haechan a fitou com olhos compreensíveis e amigáveis, o que confundiu ainda mais sua chefe. Na verdade, ele acreditava que aquele era o motivo pelo qual a terapeuta parecia tão exausta e chateada naquela manhã, então, ainda que se tratasse de um assunto pessoal, o Lee achou que poderia ajudá-la de alguma forma se demonstrasse solidariedade. 

E Shinhye até apreciou o ato tão inocente, mais tarde, ainda que não tivesse nada a ver com o seu cansaço físico e mental. 

— Hoje é dia vinte e quatro de abril. — Haechan respondeu simples, pois sabia que aquele era um assunto um tanto delicado para Shinhye e que dispensava detalhes. 

Automaticamente, ao ouvir aquela data, a Kim soube do que se tratava. Nunca tinha, de fato, dado muita atenção para aquele dia, mas era a primeira vez em todos aqueles anos que se esquecia completamente do mesmo. No ano passado, ela tinha saído para beber com os colegas de trabalho para comemorar a sua promoção, mas acabou contando sobre a data para o assistente sem querer, quando já estava alterada. Felizmente, ele era o único que sabia daquilo e tinha guardado segredo fielmente durante todo aquele último ano.  

— Tudo bem. — ela disse, por fim, mas não conseguiu evitar que sua voz deixasse sua garganta de uma forma um tanto embolada. — É só mais um ano. 

Haechan assentiu com a cabeça, calado. Aquele era o único ponto da vida pessoal da chefe sobre o qual ele tinha conhecimento, já que ela era uma pessoa extremamente reservada — por isso, ele também não forçaria a barra sobre o assunto. Pediu licença e deixou o escritório da mais velha, que ficou sozinha com a sua própria mente quebrantada.  

— Realmente chegou o ano no qual eu esqueci dessa data. — falou para si mesma, pensativa. — Céus, como eu ouviria de você se descobrisse isso...  

Dito isso, a terapeuta olhou para baixo e seus olhos acabaram caindo sobre a pasta amarelada sobre a sua mesa. A ficha médica de Namjoon estava bem ali, ao alcance das suas mãos, mas infelizmente tinha chegado tarde demais. Por isso, ela pegou a pasta e a guardou na última gaveta do móvel de apoio à mesa, onde deixava os papéis esquecidos. Sequer abriu a mesma, pois a sua intenção era esquecer tudo o que tinha acontecido o mais depressa possível.  

Sacudiu a cabeça, séria. Determinada a não deixar nenhum daqueles problemas afetarem o seu dia de trabalho, ela estalou os dedos e se endireitou na cadeira, pronta para fazer aquilo para o que era paga. 

E assim conseguiu sobreviver àquela manhã. Depois de longas horas resolvendo problemas relacionados à clínica e tomando decisões que só cabiam a si, Shinhye tinha, até mesmo, esquecido do cansaço que até pouco tempo tomava conta do seu corpo. Os seus problemas pessoais ainda permaneciam num cantinho escuro de sua mente e, vez outra, tentavam ressurgir à superfície, mas a Kim era forte o suficiente para espantá-los. Manteve-se firme e, mesmo que vez ou outra checasse o seu celular a mando do seu subconsciente — que ainda esperava algum contato de Namjoon — ela conseguiu completar as tarefas daquela manhã e agora estava livre para buscar o seu carro e almoçar, necessariamente naquela ordem.  

Contudo, quando colocou o pé para fora da clínica, Shinhye se lembrou de algo que vinha lhe assombrando durante toda aquela manhã: era dia vinte e quatro de abril e ela tinha se esquecido disso. 

 

*** 

 

Parada diante daquela urna cinzenta — tingida da mesma cor do pó que guardava dentro de si — Shinhye se dividia entre simplesmente não sentir nada e, ao mesmo tempo, ser tomada por uma avalanche de diversas e emotivas sensações. Aquela dualidade, na verdade, era uma espécie de espelho da sua relação com o seu falecido pai, uma montanha-russa repleta de altos e baixos; talvez mais baixos do que altos, ainda que ela tentasse permanecer positiva sobre aquilo. Encarou a urna novamente, protegida por uma pequena porta de vidro, e desviou o olhar para a foto que havia sido colocada ali sem que ela sequer tivesse participado da escolha da mesma. Também pudera, se tivesse realmente opinado naquela época, não votaria por uma foto que retratasse Kim Yongjun tão sorridente e despreocupado com a vida como aquela.  

Afinal, aquele não era o pai que ela conhecia. 

Respirou fundo, sentindo-se frustrada por não saber como fazer aquilo.  

— Já faz algum tempo. — comentou por alto, revezando o olhar entre a urna e a foto do pai exposta ao lado da mesma. — Como você tem passado? 

Era óbvio que aquele não era, sequer de longe, o melhor jeito de começar, mas ainda assim não deixava de ser o que ela havia escolhido. Sendo sincera, não tinha muito o que dizer, pelo menos não em voz alta, para aquela figura que pouco fora paterna ao longo de sua vida. A verdade era que se sentia relativamente aliviada de poder comprovar com os seus próprios olhos que Kim Yongjun estava, de fato, preso àquela urna cinzenta e que não mais a assombraria; pelo menos não em vida.  

— Você veio. — a voz já tão conhecida veio detrás de si e, justamente por isso, Shinhye sequer precisou se virar para saber de quem se tratava.  

Por um momento, achou a situação em si um tanto engraçada, já que seu pai e Taehyung sempre tiveram vozes muito parecidas, ambas graves e marcantes. Assim, ouvindo o irmão de forma tão repentina, ela facilmente poderia ter achado que o seu próprio pai estava lhe respondendo.  

— Vim. — a Kim respondeu, simples.  

Pelo canto do olho esquerdo, viu seu irmão mais novo se posicionar ao seu lado, ambos de frente para a urna do pai. Ele estava fardado, como na maioria das vezes que ela vinha o encontrando ultimamente, o que significava que estava saindo do trabalhando ou prestes a iniciar o seu turno no mesmo.  

— Isso sim é novidade. — o Kim mais novo comentou, fitando a irmã de escanteio. — Eu nunca a vi por aqui antes, nem mesmo nessa data.  

Essa data, o dia vinte e quatro de abril, também recebia o nome de o aniversário de morte de Kim Yongjun, mais especificamente. 

— É porque eu nunca vim. — ela concluiu o óbvio, porém ainda mantendo a simplicidade em sua voz. 

— Então por que vir dessa vez? — Taehyung insistiu e, em sua voz, havia o mesmo tom neutro da irmã mais velha.  

A pergunta fez Shinhye desviar os olhos da urna do pai pela primeira vez, direcionando-os ao chão. Não queria respondê-la naquele momento porque, na verdade, ainda não tinha dado uma resposta certa e confiante sequer para si mesma.  

Porque finalmente tinha se esquecido daquela data, talvez. 

— Taehyung-ah, você se lembra da nossa mãe? — mudou de assunto, contudo, ainda se mantendo no caminho que queria percorrer. 

Taehyung não pareceu se incomodar com aquilo, pois já conhecia a irmã bem o suficiente para saber onde ela queria chegar.  

— Não, infelizmente. — o mais novo respondeu, respirando fundo.  

— Faz sentido...Você só tinha dois anos quando ela morreu, afinal. — Shinhye continuou, assumindo um tom relativamente nostálgico. — Vez ou outra eu sonho com o sorriso dela, sabia? Mas não qualquer sorriso, como o que ela dava nos nossos raros momentos pacíficos e felizes em casa, mas com um em específico que ela só mostrava para mim: o sorriso que ela sempre me mostrava quando o nosso pai me deixava triste. Às vezes eu sonho com aquele sorriso e, sinceramente, são as minhas melhores noites de sono.  

“Está tudo bem, meu amor. Não ouça o que o seu pai diz. Para mim, você é uma criança incrível e especial, então é assim que você deveria viver.” 

Era aquilo que o sorriso calmo e acolhedor de Kim Minjae sempre lhe dizia, ainda que sua boca não pronunciasse sequer uma palavra. Aquele sorriso era único e exclusivamente direcionado à sua pequena e chorosa filha, que se trancava em seu quarto mal ventilado e com as paredes descascando toda vez que ouvia algo rude do próprio pai. Com o passar do tempo, depois da morte tão precoce de sua mãe devido a uma pneumonia avassaladora, Shinhye passou a dividir aquele quarto com Taehyung e os seus choros começaram a se tornar cada vez mais silenciosos e solitários. Já mais velha, quase na pré-adolescência, ela finalmente entendeu que nenhum sorriso como aquele de sua mãe jamais seria aberto para si novamente, então, se quisesse se sentir realmente incrível e especial, teria que fazer por onde e por conta própria. 

— Eu sei que foi o que pareceu naquela época, mas eu não entrei na academia de polícia junto com você porque queria competir e nem nada do tipo. — Shinhye mudou de assunto de uma forma um tanto brusca para o irmão, que finalmente a fitou. — Na verdade, eu só queria ver aquele sorriso novamente, nem que fosse uma última vez. E nem que fosse no rígido rosto do nosso pai... 

Ao longo de sua monótona e fracassada vida, Kim Yongjun tivera somente dois sonhos: ter um filho homem e, mais tarde, realizar o seu segundo maior desejo ao ver o mesmo se tornar um policial. Ele nunca soubera explicar aquilo em voz alta para ninguém, mas talvez aquilo tivesse algo a ver com a sua própria tentativa — sendo essa falha — de entrar para o corpo coreano de polícia quando ainda podia usufruir da sua juventude. Assim, quando Shinhye nasceu, ele teve a sua primeira frustração ao se deparar com uma menina no berçário. Aquilo não estava certo e, por isso, o homem focou os próximos anos de sua vida em fazer com que sua esposa engravidasse novamente, mesmo que o casal mal tivesse condições de sustentar um único bebê. Kim Minjae, que raramente conseguia dizer não ao marido, acabou engravidando novamente, dessa vez dando à luz ao menino que seu marido tanto esperava.  

— Você era o sonho da vida dele. — Shinhye concluiu em voz alta, ainda que em forma de murmúrio. — Eu nunca vi os olhos de Kim Yongjun brilharem tanto como no dia que você nasceu, Taehyung-ah.  

E, depois daquilo, só lhe faltava alcançar o seu segundo maior objetivo de vida: formar seu precioso filho na academia de polícia. Contudo, as coisas começaram a dar errado conforme Taehyung foi crescendo e se mostrando um tanto falho em sua capacidade de alcançar aquele objetivo, assim como o pai tinha sido um dia. Na verdade, o que atrapalhava Taehyung eram as suas constantes notas baixas já desde os primeiros anos de colégio. Mesmo que o garoto desse o próprio sangue nos estudos, às vezes até obrigado pelo próprio pai, as coisas nunca saiam como o mesmo esperava — o que ele descobriu, um par de anos depois da morte do Kim, que se tratava de um déficit de atenção que se tornara um tanto severo devido aos vários anos sem nenhum tipo tratamento. 

— Durante toda a minha vida, eu o culpei pelo nosso distanciamento. — Shinhye continuou, séria. — Eu achava que entrar para a academia era o único jeito de conseguir a atenção do nosso pai, então concluí que ele tinha me obrigado àquilo. Contudo, depois que eu desisti, depois que eu percebi o mal que eu mesma tinha feito a você, eu entendi que a culpa não era dele... Era minha.  

A entrada de Shinhye na academia de polícia no mesmo ano do irmão e, consequentemente, na mesma turma, tinha afetado o Kim mais novo mais do que qualquer um esperaria. O jovem, que já não tinha confiança em si mesmo e no próprio potencial, viu a sua vaga ainda mais ameaçada quando a irmã tomou aquela decisão — justamente ela, que sempre fora uma das melhores em tudo o que fazia e poderia ter escolhido qualquer caminho para seguir com a sua inteligência nata. De primeiro, Taehyung teve raiva da irmã, ainda mais quando ela começou a subir nos rankings e ele, a ficar cada vez mais para trás. Veio a semana do exame final, aquele que definiria quem seriam os dez aprovados ao fim do curso para se tornarem policiais oficialmente, e Taehyung passou noites e mais noites em claro num misto de estudos sem freio e medo. Certo dia, durante aquela semana, Shinhye flagrou o irmão agarrado aos livros às cinco da manhã e não soube dizer se ele tinha começado a estudar muito cedo ou se, na verdade, ele sequer tinha parado desde o dia anterior.  

E, então, ela percebeu que o pai não era o único a pressionar o irmão mais novo. Taehyung foi em frente e deu tudo de si no dia do exame final, mas Shinhye misteriosamente não apareceu para fazer a prova. Quando questionada pelo irmão, foi curta em responder que ser policial simplesmente não era o melhor para si e que tinha desistido. Era óbvio que o mais novo não aceitaria aquela resposta, mas a Kim se negou a dar qualquer outra. Taehyung ficou sem entender aquela atitude tão repentina, mas as coisas se tornaram muito mais claras quando o resultado do exame veio: tinha passado em décimo lugar, na raspa final. Ele ficou imensamente feliz, ainda mais com a festa que o pai fez ao saber da notícia, mas só então percebeu que, se Shinhye não tivesse desistido e feito a prova normalmente, ele com certeza não teria passado. 

Porque ela tinha dado o próprio lugar para o irmão. 

— Na verdade, eu tenho quase certeza de que nunca lhe disse isso, mas hoje eu sou muito grato a você. — Taehyung finalmente se pronunciou, surpreendendo Shinhye. — Graças a você e à pressão que eu mesmo coloquei em mim naquela época, eu consegui chegar onde estou hoje. Portanto, eu sei que nós três passamos por momentos bem delicados por conta de tudo isso, mas eu não culpo nem você e nem o nosso pai por nada. Afinal de contas, nada deu errado. 

A verdade era que Shinhye e Taehyung viam o mundo de modos completamente diferentes, apesar de terem personalidades um tanto semelhantes. Enquanto o Kim mais novo não tinha do que reclamar, a mais velha conseguia apontar uma dúzia de problemas no passado dos dois, o que costumava ser motivo de desentendimento entre eles. 

Mas não naquele dia. 

— Você me perguntou porque eu vim justamente hoje... — Shinhye iniciou, desviando do assunto, e fitou a urna do pai. — Talvez eu só precisasse me lembrar do quanto posso ser egoísta, mais ainda do que o maior exemplo de egoísmo que eu já tive em toda a minha vida. 

De repente, lembrou-se de Namjoon. Tinha prometido ajudá-lo e, quando as coisas tinham piorado e não pareciam mais ter uma boa saída, fora a primeira a abandonar o barco.  

— Vocês dois foram as pessoas que me criaram e, por isso, eu posso atestar que nunca conheci duas pessoas tão diferentes na minha vida. — Taehyung rebateu. — Eu sei que essa é a maior preocupação da sua vida, mas fique tranquila, noona. Você é completamente diferente do nosso pai.  

— Você acha? — ela perguntou, insegura, e fitou o irmão. 

Taehyung, por sua vez, retribuiu o olhar e deu a ela um pequeno sorriso de canto. 

— Tenho certeza. 

Talvez, fosse justamente para aquilo que Shinhye tinha ido de encontro ao falecido pai. Ainda fitando o irmão, ela teve certeza do que seria o certo a fazer assim que colocasse os pés para fora do cemitério.  

Seu pai certamente teria abandonado Namjoon em um momento como aquele, mas ela não era Kim Yongjun 


Notas Finais


E aí, o que acharam? O passado da Shinhye foi bem mais esclarecido, espero que tenham gostado de conhecê-la melhor!
E dá-lhe Shinhye voltando atrás e indo buscar Dalila (ops, Namjoon) ligeiro! Será que vai dar certo?

Enfim, até breve ♥


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...