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História Meu robô defeituoso! - Capítulo 2


Escrita por: e layshy


Notas do Autor


Olá! Olha só quem tá aqui depois de um tempão ;)
Como foram as férias de vocês? Espero que tenham aproveitado bastante e boa sorte pra quem já tá voltando às aulas. Minhas férias atrapalhara um pouco a atualização da fic, mas pra compensar o tempo que eu deixei vocês esperando, tá aqui um capítulo com quase 10K. Boa leitura!

PS: pra quem quiser entrar no clima mais triste do capítulo, lá nas notas finais tem o link da mini playlist que eu fiz pra MRD.

Capítulo 2 - Robôs também podem amar


A paciência que Jinyoung tinha para lidar com o robô que, graças à estupidez de Kim Junmyeon, agora vivia na sua casa, diminuía cada vez mais. O protocolo JB nem sempre chegava a ser tão irritante para o Park, levando em consideração que, mesmo a contragosto, ele ajudava nas tarefas caseiras e ainda sabia fazer bem mais que cozinhar, como lavar as próprias roupas ou os pratos que sujava durante as refeições,  mas, ignorando todas as utilidades do robô, as suas demais características eram motivos mais que suficientes para Jinyoung achá-lo irritante.  

Não gostava de admitir e jurava para si mesmo que jamais faria aquilo em voz alta, mas o jeito como JB se mostrava tão perfeito em tudo que fazia, irritava Jinyoung de todas as formas possíveis e fazia com que o odiasse por fazer com que se sentisse tão insuficiente e fútil, mesmo que o único humano de verdade ali fosse ele mesmo. O olhar cheio de deboche que o protocolo emitia sempre que se dirigia ao Park lhe dava nos nervos, mas de um jeito tão profundo que o fazia querer quebrar cada objeto da casa, tamanha era a frustração que sentia e nem sabia o porquê.

Era simplesmente inexplicável cada sensação que aquele robô lhe causava, parecia existir uma parte sua que o queria por perto, e ele tentava reprimi-la da melhor forma que podia. Às vezes, isso significava passar algumas boas horas em um bar próximo de casa com alguns amigos, na maioria das vezes, com um chinês muito legal que conheceu na época da faculdade ou com seu melhor amigo desde a infância. Mas parecia ser tudo diferente e um pouco mais complicado manter o controle sobre a sua vontade de embriagar-se quando eram os dois ali, Jackson e Youngjae, ambos já meio bêbados e falando coisas sem sentido que ao menos o faziam relaxar de um dia cansativo na empresa e até mesmo se esquecer da responsabilidade que tinha em casa também.

— Sabe, na época em que estávamos na faculdade, você ficava bem mais animado quando entrava em algum bar. — Youngjae comentou retoricamente, mais com a intenção de anular o silêncio que havia se instaurado entre os três que qualquer outra coisa. De toda forma, não era como se não estivesse preocupado com a situação do amigo, que não parecia muito bem daquela vez. Na verdade, nenhum dos três se encontrava em posição de julgar o Park, cada um em uma situação mais complicada a ponto de não saberem decidir qual a mais difícil. Pelo menos não ainda, já que Jinyoung não parava de beber, tendo falado bem pouco até o momento. 

Não queria parecer idiota na frente dos amigos e simplesmente soltar a informação de que estava morando com um robô gostoso, como se não fosse nada demais. Seria estranho pra cacete dizer que sentia tesão por um cara feito de metal ou seja lá que material o constituía. O que importava ali era que ele não era um humano e era ridículo como Jinyoung não conseguia controlar nem sequer uma máquina estúpida.  Mas não achava que sairia dali sem acabar falando algo uma hora ou outra, por mais que não deixasse evidente a verdade por completo. 

— O que vocês acham de compartilhar a casa com um robô? — Jackson levantou a sobrancelha diante da pergunta tão sem sentido e que havia surgido tão repentinamente, enquanto o Choi, ao seu lado, nem se deu o trabalho de olhar para o rosto de Jinyoung, sabendo que àquela altura ele deveria estar muito bêbado. 

— Isso tudo é por estar sentindo a falta de alguém na sua cama? — Jackson brincou, voltando a encher seu copo com um pouco mais de vodka. 

— Ao menos as chances de se machucar são menores. — Youngjae começou a falar com sua típica expressão filosofal. — Digo, em se tratando de um relacionamento que envolva sentimentos. Até porque eu não faço idéia de como é ter um pênis de metal dentro de… Você sabe. — O Choi acabou ficando vermelho ao mesmo tempo que Jackson caía na risada. Não sabia segurar a língua depois de umas boas doses de álcool. 

— Às vezes, você pensa sem necessidade. — O chinês retrucou. 

— Talvez você tenha razão, Jae. Mas provavelmente mudaria de ideia se tivesse que lidar com um robô todos os dias. 

— Você está sugerindo algo? — Jackson arqueou as sobrancelhas, uma mania que não podia evitar. Youngjae já sabia que algo absurdo estava prestes a ser falado pelo outro amigo que, antes de emitir qualquer palavra, suspirou pesadamente. 

— Eu devo ter ficado louco no momento em que aceitei cuidar de um androide por um mês inteiro. 

— Você 'tá falando sério mesmo ou é apenas o efeito da bebida?

— Por que diabos você aceitou fazer isso? Sempre achei que essas coisas fossem perigosas.

— Ser um empresário milionário nem sempre significa que você pode fazer o que quiser. — Revirou os olhos. De repente, uma preocupação sobre o que JB poderia estar fazendo em casa lhe abateu, mas fez esforço para esquecê-lo.  — E isso é para o bem de um projeto que eu mesmo aceitei levar adiante. 

— Então você deveria encarar o problema de frente ao invés de fugir para se lamentar em um bar sem graça. 

— O Youngjae tem razão. Conhecendo você, deve estar fazendo tempestade em copo d'água. 

Jinyoung nem sonhando admitiria aquilo na frente dos amigos, mas talvez não estivessem errados. Terminaria a sua noite melancólica, devido ao acontecimento de alguns anos atrás, naquela mesma data, e voltaria para casa pensando nas palavras dos dois, até que resolvesse como deveria lidar com JB. Ainda não tinha se habituado à presença do outro, ao fato de ele parecer tanto com um humano ao ponto de fazer com que Jinyoung pensasse se era certo mantê-lo ali, quando possivelmente estava contribuindo para que a substituição de humanos por máquinas tivesse progresso. Não era algo que tivesse seu apoio até então, no entanto, quanto mais pensava sobre aquele assunto, mais confuso ficava e a dor de cabeça que se tornava cada vez mais habitual se fazia presente novamente, quase tirando sua concentração enquanto dirigia. 

Ansiava chegar em casa e, depois de um banho quente, ser capaz de esquecer toda aquela confusão na sua vida por pelo menos algumas horas, enquanto manteria o corpo mergulhado nos lençóis macios sobre a cama. Esquecer que mais "alguém" ocupava a sua casa e que continuaria lá até que se passassem mais algumas semanas. Era engraçado como, em todos aqueles dias, não haviam se aproximado nem mesmo um pouco. JB se mantinha quieto na maior parte do tempo, mas, vez ou outra, tentava animar o ambiente, e Jinyoung, com seu preconceito e certa repulsa pelo outro, nunca tinha coragem suficiente para se aproximar e ao menos dizer um "boa noite". Enquanto isso, JB parecia estar sempre calmo e não se importar com nada, às vezes, fazendo alguma piada com as confusões do dia a dia do Park, as quais ele prontamente ignorava. 

Chegou em casa bem próximo da meia noite, mas a porta não estava trancada como esperava, bastando mover a maçaneta para que estivesse protegido do frio ou de qualquer outra coisa que tivesse lá fora. Jinyoung se assustou ao ver alguém sentado no sofá, mas então lembrou que era JB ali, se sentindo aliviado, mas, ao mesmo tempo, incomodado com a mania do outro de estar sempre acordado. 

Era estranho e desconfortável estar deitado em sua cama enquanto pensava se o outro lá embaixo estaria bem, se estaria com frio ou talvez com medo do escuro, mas JB não sentia nada daquilo e Jinyoung não conseguia acostumar-se. Não era como se fosse normal vê-lo todas as noites sentado naquele sofá, a postura sempre perfeita e as mãos sobre os joelhos enquanto olhava fixamente pela janela, talvez observando a lua, que estava sempre tão acesa, tendo o reflexo das estrelas em seus olhos. 

— Por que chegou tão tarde? 

A voz do robô ecoou pelos seus ouvidos, causando um arrepio que irritantemente despertou os pelos da sua nuca. Era tudo irritante para o empresário, principalmente a forma como o robô sempre o pegava no flagra depois de simplesmente deixar claro que sua presença não fazia a menor diferença para ele. No entanto, agora os olhos do robô também estavam sobre si, prestando atenção em cada movimento seu. 

— Não lembro de ter contratado uma babá. — A expressão de JB continuava da mesma forma, irritantemente inabalável, fazendo com que girasse os olhos e continuasse fazendo seu caminho para as escadas. 

— Não é como se eu me preocupasse com você,  mas é uma regra que robôs sempre protejam os humanos. 

— Eu não preciso do seu cuidado. — As palavras poderiam ter sido duras demais se estivesse falando com um humano, mas, para Jinyoung, JB era apenas um robô. Um robô que o olhava fixamente, quase como se fosse uma pessoa de verdade, mas nenhum tipo de reação era possível ser lida em seus olhos. Era apenas uma máquina. Uma máquina estúpida que, com o tempo, substituiria a humanidade e boa parte da culpa seria de Jinyoung. A culpa que sentia sempre que olhava para JB era cruel demais. E, naquela noite, ele dormiu sendo perturbado com um rosto completamente inexpressivo em sua mente, mas que, de uma forma estranha, parecia querer lembrá-lo de que as aparências nem sempre demonstram a realidade.

 

Φ

 

— Senhor Park, é como eu disse anteriormente. Não há nenhum problema com o JB, deve ter ocorrido algum erro da sua parte. Por mais que seja chato afirmar isso, é a única resposta que temos, e tudo bem, todos nós cometemos erros, humanos fazem isso. — Tentou convencer o empresário pela milésima vez, e a última frase encheu um pouquinho o ego de um robô mais ao fundo. 

Mas não adiantava o quanto Jongdae insistisse naquela resposta, Jinyoung jamais admitiria estar errado, porque, afinal, ele não estava. Como diabos uma pessoa saudável poderia simplesmente olhar para um indivíduo à sua frente, totalmente pelado e gostoso, e não sentir um mínimo efeito que seja no corpo? Impossível, definitivamente. 

Foi totalmente instintiva a atitude que tomou de alisar um pouquinho o corpo do robô. E aliás, qual o problema, se JB não passava de uma máquina? Máquinas não sentem sensações e sentimentos reais, são apenas reproduções, certo? Ninguém o convenceria do contrário. 

— Eu jamais cometeria um erro tendo o manual comigo, Kim. — Cruzou os braços meio emburrado, antes de se virar novamente para o criador de engenhocas e encará-lo como se tivesse acabado de encontrar a solução para todos os problemas do mundo. — Isso mesmo. Eu não errei. O manual talvez não tenha sido revisado ou pode ter sofrido manipulação de alguém mal intencionado. Eu deveria ter pensado nisso antes, e você também. Afinal, quem confia em um inimigo? — Estalou os dedos, como alguém que quer mostrar ser o dono da razão, recebendo um revirar de olhos de Jongdae que nem foi notado diante da euforia que Jinyoung tinha por ter encontrado uma forma de justificar o problema do qual tratavam sem sujar sua imagem. 

O protocolo JB ouvia a conversa dos dois, até então calado, como se estivesse se divertindo bastante com as desculpas fajutas de Park Jinyoung, não ousando interromper o assunto. Era um tanto engraçado assistir o desespero do outro ao tentar fugir do que fez no dia anterior, mas o robô nem poderia dizer que não havia gostado da ousadia do seu dono temporário. Felizmente temporário. 

Por mais que fosse engraçado ver as confusões da vida do empresário — e olhe que o conhecia há apenas um dia —, Jinyoung conseguia ser bem irritante ao ver do protocolo, que, mesmo sendo uma máquina, também possuía um limite específico de paciência que poderia se esgotar mais lenta ou rapidamente, dependendo da situação. E quando se tratava de Jinyoung, ela era destruída pelo seu sistema em poucos segundos, mas nem sempre isso indicava algo ruim. 

— Senhor Park, você está rebaixando meu trabalho. Eu mesmo escrevi e revisei o manual mais de cinquenta vezes. — Jongdae rebateu com uma expressão cansada misturada à mágoa. 

— Não se preocupe, Dae. Jinyoung está apenas surpreso por ver que uma das suas engenhocas realmente funciona. — JB finalmente se pronunciou, quebrando de vez a possibilidade de Jinyoung argumentar com decência, porém,  recebendo um olhar indignado dos dois humanos com quem dividia a sala. 

— Seu robô mal educado. — O Kim bagunçou seus cabelos propositalmente, demonstrando indignação, por mais que estivesse apenas brincando. Sabia que JB era assim, porque ele mesmo o havia feito e ainda conseguia vê-lo como antes, por mais que o tempo de convivência com Jinyoung já tivesse mudado um pouco de sua personalidade. — Mas, enfim,  se esse é o problema, deveria ter dito com antecedência, senhor Park. Eu tenho muito trabalho pra fazer, sabia? JB, trate de mostrar a Jinyoung a qualidade do meu trabalho, hein? — Havia um ar brincalhão na forma em que falou, mas Jinyoung, mesmo assim, ficou vermelho em um misto de vergonha, frustração e grande porcentagem de raiva do protocolo JB. 

— Com certeza eu irei mostrar.

 

Φ

 

Após a atitude irritante do robô, Jinyoung trocou suas horas cansativas de trabalho pelo sofá da sua casa e a TV, que, por sinal, não lhe entretia nem um pouco, acompanhados de alguns potes de sorvete e umas barrinhas de chocolate. Ele só fazia aquilo quando estava realmente irritado e o vexame que passou na frente de Jongdae por causa daquele robô lhe deixou com muita raiva, e tinha dó de quem ousasse dizer que estava sendo dramático. 

Saiu da empresa como uma perfeita personificação do famoso chefe chato e que coloca medo em todo mundo, fazendo cara feia para quem se colocasse em seu caminho, não se importando nem um pouco com o que os funcionários iriam pensar de si — sabia muito bem que aquele tipo de boato sempre circulou pela empresa. Se não podia matar quem provocou a sua raiva, iria se empanturrar de porcarias enquanto planejava todas as formas possíveis de se vingar, mesmo que não fosse de fato fazer isso. 

— Você está com raiva, Jinyoungie? 

A forma como o apelido saiu da boca do protocolo JB, pronunciado com a voz rouca, causou arrepios pelo corpo do Park — que, como qualquer outra coisa feita por ele, o irritou de um jeito estranho e, por mais que não admitisse, bom . O Park não abriu a boca para emitir som algum desde que saíram da empresa e já se faziam muitos minutos desde que estava vulnerável às provocações baratas do robô, mas se recusava a alimentar a vontade que ele tinha de provocá-lo, portanto, preferiu ficar calado, até lembrar que, definitivamente, não estava lidando com uma pessoa, o que significava que JB não iria parar toda aquela brincadeira tão cedo, ainda mais porque não cansava. 

Se permitisse, passaria o restante do dia sendo perturbado pelo homem de lata, e aquela era uma possibilidade nada agradável para Jinyoung, pois o motivo de não ter ficado na empresa era justamente para evitar mais estresse do que o robô já havia lhe causado quando ignorou o que haviam combinado mais cedo e simplesmente interrompeu a sua conversa com Jongdae, por pouco não falando mais do que deveria, mas ainda assim lhe fazendo passar uma boa vergonha. 

— Não me chame assim. — O empresário cruzou os braços instintivamente, fazendo birra como uma criança, e, segundo o que JB havia aprendido, aquilo era muito fofo. Quase apertou as bochechas do outro, mas o olhar o fez recuar imediatamente. Podia até ser um robô afrontoso, mas o Park lhe fazia evitar passar dos limites — algumas vezes —, mesmo que não percebesse. 

— Não que eu goste, mas até que é bom ouvir a sua voz depois de 47 minutos e 36 segundos. — O sorriso afrontoso estava sempre lá, sabia muito bem que Jinyoung ficaria todo estressadinho por tê-lo feito fazer algo que não queria, ainda mais sem que ele mesmo percebesse. O mais velho se continha da melhor forma que podia a fim de não se irritar mais um bocado por causa das atitudes infantis de certo robô; ele com certeza tinha algum defeito — na verdade, Jinyoung já havia notado tantos que os dedos das mãos não seriam suficientes para contar, como bipolaridade, se é que robôs pudessem sentir isso —, mas, para ele, Jongdae não queria assumir para si mesmo que havia falhado.

— Você não sabe ficar calado mesmo, não é? — respirou fundo e interrompeu o caminho da colher de sorvete à boca para olhar JB sentado no outro canto do sofá. Voltou a comer todo afobado e percebeu o robô se aproximando tarde demais, quando já não tinha o pote de sorvete em suas mãos, apenas a colher e, agora, um corpo pesado acima do seu. 

— E você pretende me manter calado? — A expressão do robô era como a de uma criança sapeca, acompanhada de um sorriso quase inocentemente brincalhão, se não fosse pela malícia notável no seu tom de voz e a ousadia em morder a sua bochecha. Jinyoung não pôde evitar ficar nervoso, mas, segundo ele mesmo, era muito bom em esconder suas emoções, bastava manter sua expressão indiferente de sempre, mas as bochechas meio vermelhas foram inevitáveis e fizeram com que o protocolo soltasse uma risada discreta.

— Não seria uma má ideia. 

— E como você faria isso? 

O sorriso se abriu mais um pouco, no entanto, durou apenas até o momento em que Jinyoung, com um discreto sorriso ladino, lembrou-se da colher que segurava e bateu intencionalmente na testa do robô que transformou a expressão em uma séria, em nenhum momento desviando o olhar do Park, que já estava tenso àquela altura, pensando se deveria se ajoelhar e implorar por perdão para que não tivesse sua alma flutuando por aí, longe do corpo. 

Mas JB não conseguiu se conter por muito tempo, logo caindo na risada e fazendo questão de demonstrar o quanto Jinyoung havia sido bobo. Ele era um robô, obviamente não sentiria dor. As sobrancelhas do empresário se juntaram, formando uma expressão brava enquanto as mãos davam socos no peito do maior que nem mesmo se esquivava. No final das contas, o único que havia sentido dor era o próprio Jinyoung, que soltou alguns muxoxos enquanto massageava as mãos, até lembrar que ainda havia “alguém” o mantendo preso com o próprio corpo. 

— Sai de cima de mim. — O empurrão dado em JB não surtiu o menor efeito, apenas deixando o Park mais irritado. — Você é surdo agora? 

Debateu-se sob o corpo alheio, nem ousaria voltar a estapeá-lo e arriscar ter as mãos doloridas novamente por causa do peito duro que ele tinha, mas o robô Jae Bum não tinha nenhuma intenção de deixá-lo ir tão cedo, pois segurou os pulsos de Jinyoung com força suficiente apenas para mantê-lo preso abaixo de si, enquanto seus olhos deslizavam por cada parte do rosto do humano, desde os olhos negros que o encaravam sérios, a marquinha de dentes que havia deixado na sua bochecha, passando pelo nariz e chegando aos lábios bonitos e volumosos, levemente entreabertos, parando naquela parte por mais tempo do que planejava, tentando entender que tipo de sensação seu sistema estava querendo processar naquele momento, mas tinha certeza de que Park Jinyoung era como um tipo de hipnose. 

Seu corpo artificial parecia se mover de forma automática quando a mão soltou os pulsos de Jinyoung e lentamente se aproximou de seu rosto, tocando a pele branquinha cuidadosamente, deslizando os dedos por cada parte dela até que o indicador contornasse o lábio rosado do menor, puxando levemente o inferior. Park Jinyoung era muito bonito e talvez estivesse causando pane em seu sistema, porque não percebeu quando os rostos ficaram tão próximos. 

Depois da troca intensa de olhares, não demorou para que os lábios estivessem unidos e ambos pudessem sentir o calor envolvendo seus corpos e, em poucos segundos, estavam sendo protagonistas de uma dança sensual entre as duas línguas se tocando tão intensamente. 

Jinyoung, de olhos fechados, sem saber ao certo o que fazia naquele momento, apenas aproveitava a sensação de ter a língua do robô invadindo sua boca, se enroscando tão deliciosamente à sua e pensando em como os lábios de JB eram quentes, ardiam como se emanassem o calor de um humano. O controle de seus corpos se perdeu no momento em que aquele beijo intenso se iniciou, portanto as mãos se aventuravam pelas peles um do outro, JB acariciando a barriga do empresário por baixo do moletom que usava, enquanto os dedos do Park se prendiam em sua nuca, puxando os cabelos negros entre eles. 

Jae Bum parecia querer ir ainda mais longe quando uma das mãos deslizou até o meio das pernas de Jinyoung, apertando a região, fazendo com que ele gemesse involuntariamente de um jeito manhoso. Os beijos começaram a descer para a região do pescoço, o robô fazia questão de lamber cada pedacinho de pele exposto, além de deixar chupões que ficariam bem marcados mais tarde.

No entanto, Jinyoung não estava em si quando sua camisa foi arrancada brutalmente pelo androide, que não hesitou em atacar seus mamilos, mordiscando o esquerdo e envolvendo-o com a língua, enquanto o direito era massageado com a mão livre. Sua mente não era capaz de se concentrar em mais nada além do prazer que estava sentindo, ainda mais quando seu membro estava totalmente duro e necessitado de cuidados. 

A língua de JB continuava trabalhando incansavelmente, agora no mamilo direito de Jinyoung, alternando entre mordidas lentas e chupões, levando o outro a ficar cada vez mais distante da realidade ao ser entorpecido pelo prazer. Mas, de alguma forma, aquilo parecia errado para ele, muito errado. E como se alguém estivesse disposto a trazê-lo de volta aos seus sentidos, seu telefone começou a tocar sobre a mesa de centro da sala, fazendo com que ele se levantasse repentinamente, interrompendo a diversão do robô, que lhe encarava confuso, como se quisesse saber o que havia feito de errado. 

Jinyoung se sentia culpado e totalmente sujo, mas, acima de tudo, estava ficando louco ao olhar para Jae Bum e ver seus lábios avermelhados e úmidos pelo que estava fazendo anteriormente. Era tudo muito errado e não desejava nada mais além de um lugar para se esconder, esconder sua própria vergonha. Não queria olhar para Jae Bum tão cedo. Lembrou-se do telefone sobre a mesa e se apressou em atender a ligação, antes revirando os olhos ao olhar quem lhe ligava. 

— O que você quer, Junmyeon? 

Por que diabos você não está na empresa? Esqueceu que temos uma reunião importante hoje? Os investidores querem saber sobre o projeto e precisamos acertar um preço para a venda dos robôs.

Aquela última frase era dura demais até mesmo para Jinyoung, que nunca havia simpatizado com robôs ou qualquer outra máquina que agisse como um humano, mas, depois do que havia feito e, principalmente, depois de lembrar do olhar pleno de Jae Bum enquanto acariciava seu rosto, aquilo parecia cada vez mais errado. Suspirou cansado, não sabia mais o que pensar e muito menos que tipo de decisão tomar. 

— Vou pedir que adiem para amanhã cedo. 

Desligou a chamada e jogou o celular sobre o sofá, notando o olhar do androide sobre si, um sorriso pequeno e surpreendentemente agradável estava nos lábios do mesmo, como se perguntasse o que havia acontecido e, ao mesmo tempo, quisesse lhe passar um pouco de paz naquele momento. Talvez ele soubesse que não estava bem, a expressão no seu rosto deixava isso muito claro, por mais que quisesse que ele não tivesse percebido. 

— Eu vou dormir. — falou simplesmente, sem nem lembrar que estava sem suas roupas de cima, virou as costas e deixou para trás “alguém” que não tinha a menor ideia do que havia acontecido, mas que também era inocente demais para saber que o que fizeram naquele sofá havia afetado de uma forma não muito boa a mente do seu dono temporário. 

 

Φ

 

No restante daquele dia, Jinyoung se negou a dar as caras, mesmo diante do esforço de JB para tirá-lo do quarto. O robô havia tentado de todas as formas convencê-lo a sair, até mesmo cozinhando o prato favorito do empresário, mas nem aquilo foi o suficiente para que ele se rendesse. 

JB soube, desde o início, que Jinyoung tinha uma personalidade complexa e um tanto delicada de se lidar, tentou de várias formas se adaptar ao jeito do Park e até se acostumou com seus chiliques diários, mas talvez ele não fosse um robô tão perfeito assim, porque não havia sido capaz de fazer Jinyoung se sentir melhor com sua presença e, mesmo depois de quase um mês vivendo juntos, JB ainda podia identificar o olhar meio esquisito — e não num sentido bom — que Jinyoung lhe lançava vez outra. Era como se ele fosse um monstro ou algo bizarro que não deveria existir e muito menos estar ali.

JB passou alguns bons minutos sentado no sofá, mantendo sua postura reta e o olhar perdido na direção da janela de vidro que deixava a sala mais arejada. Qualquer um que o visse diria que estaria admirando o céu azul e limpo daquela tarde ensolarada, mas distração era algo que só se permitia sentir quando Jinyoung estava ao seu lado, até porque era muito difícil não acabar perdido em seus detalhes um tanto bonitos. 

A verdade era que JB estava, por todo aquele tempo, reassistindo as imagens guardadas em seu sistema do dia que passou junto a Jinyoung e tudo que fizeram, tentando entender o que poderia ter feito de errado para que o humano ficasse tão magoado ou estressado, não sabia dizer ao certo como ele se sentia, mas tinha certeza de que, o que quer que fosse, a culpa era apenas sua. 

Não sabendo mais o que fazer para entender seu "dono", relaxou a postura e deitou meio desajeitado no sofá, reparando que o celular de Jinyoung ainda estava no mesmo lugar. Pensou se seria certo bisbilhotar as suas coisas, mas se lembrou do que Jongdae havia lhe dito outro dia: “Não permita ser controlado pelas suas programações de sistema. Você foi feito para ser como nós, e os humanos tomam suas próprias decisões, não é?”

Sorriu de lado, contente por ter pelo menos uma pessoa que o via como alguém igual e livre, Jongdae era especial para ele. O celular de Jinyoung tinha senha, mas isso não era um empecilho para ele quando tinha um potente programa capaz de acessar qualquer dispositivo, mas o celular do Park não pareceu interessante por tanto tempo, e logo JB estava caminhando pelos corredores da enorme casa. 

Havia tantas portas que julgou metade delas desnecessárias para uma casa habitada por uma única pessoa, ainda mais uma que nem parecia receber visitas com muita frequência, quanto mais em grande quantidade. De toda forma, aquilo não importava tanto quanto a mini tour que estava fazendo pela casa, a qual também não entendia o motivo de ter se iniciado pelo corredor repleto de portas que levavam a cômodos completamente desconhecidos por si, alguns completamente vazios, outros abarrotados de móveis empoeirados ou caixas de papelão fechadas com fitas marrom. 

Por sorte ou nem tanto assim, o quarto de Jinyoung não ficava naquele corredor, mesmo assim, nas semanas em que passou na casa do empresário, até aquele momento, tinha percebido que Jinyoung frequentava aquela parte da casa com bastante frequência, quase como se fosse uma rotina pessoal e um tanto quanto devocional. Todas as tardes, quase ao pôr do sol, Jinyoung entrava naquele mesmo corredor e JB nunca o via sair de lá antes que o dia se findasse por completo, todavia, ele nunca havia deixado transparecer uma única expressão facial que pudesse indicar o que poderia estar fazendo por lá. 

Uma onda de curiosidade quase fez o sistema de JB ter um treco, talvez ficou animado demais para aprender mais um costume do dono da casa, mas, de qualquer forma, era inevitável sentir ao menos um pouquinho de culpa por estar naquela parte da casa e ele nem mesmo sabia o motivo que tornava isso tão errado. Claro, parecia ser algo muito pessoal do Park, já que ele nunca comentou sobre aquele corredor, e mesmo assim JB entendia o olhar que ele lhe lançava sempre que o adentrava. Era como se estivesse pedindo que não se aproximasse.

Nunca havia ousado dar um único passo rumo àquele corredor meio escuro, o único vislumbre que tinha do lugar era quando precisava passar em frente a ele para se dirigir ao andar superior ou se retirar de lá. Entrar no corredor era, estranhamente, como entrar na vida de Jinyoung e o robô pôde notar que, em nenhum momento, havia recebido a mínima permissão para que o fizesse, o Park era como um baú trancado a sete chaves. Mas naquele momento nada parecia lhe impedir de se aventurar naquele lugar e a curiosidade apenas aumentava a cada passo que dava junto ao desejo de conhecer o empresário com quem morava, desejo que lhe era em demasia estranho.

A cada porta que abria, no entanto, não via nada que pudesse parecer tão importante para alguém quanto a última porta negra do lado esquerdo do corredor. Ao abri-la, as paredes de cor branca quase o cegaram junto à claridade que vinha das grandes janelas de vidro, que não entendia o motivo, mas estavam parcialmente abertas. As cortinas finas e da mesma cor que as paredes, que isolavam o interior do quarto, apenas permitiam que o cômodo se tornasse mais claro e que, apesar de estar quase vazio, emanava vida. 

No quarto, apenas um guarda-roupas e uma penteadeira cheia de maquiagens e perfumes ocupavam um dos cantos do enorme cômodo, enquanto uma cama imensa ficava bem no centro, revestida com colchas e cobertores de uma clara tonalidade de rosa. O ambiente emanava um cheiro de lavanda bem leve, tornando-o mais aconchegante quando acompanhado da vista proporcionada pelas grandes janelas.

Jinyoung nunca havia falado que mais alguém morava na casa, se bem que seria estranho afirmar tal fato quando nunca havia visto outra pessoa circulando por ela, ainda mais uma do sexo feminino. Talvez ele fosse casado? Mas não fazia sentido dormirem em quartos separados. No entanto, e se estivesse certo e o motivo de Jinyoung ter ficado chateado pelo beijo fosse justamente aquele? Ele não era gay e, por isso, havia ficado com raiva da sua atitude? JB estava completamente perdido em seus pensamentos e sem saber o que fazer, e aquilo o assustava, sem contar a sensação desconhecida e incômoda que o perturbava. Sentia-se desapontado.

Aproximou-se lentamente da penteadeira e notou que, em meio aos inúmeros frascos de perfumes e maquiagens, havia uma foto protegida por um porta-retrato não muito grande. A imagem de uma mulher jovem e bonita ocupou seus olhos imediatamente, os longos cabelos negros e uma expressão serena enfeitavam o rosto da mesma junto de um sorriso largo e alegre. Mas os olhos de JB não se demoraram naquela pessoa tanto quanto na que estava ao lado.

O sorriso de dentes brancos e bem alinhados no rosto de Jinyoung hipnotizou o robô. Aquela era uma visão muito bonita e que, lamentavelmente, JB nunca teve e talvez nunca teria a oportunidade de ver pessoalmente. Aquela mulher parecia ser a única capaz de abrir um sorriso no rosto daquele homem que vivia sempre sério, quase completamente inexpressivo. Eles pareciam muito bem juntos. As expressões felizes e serenas, junto ao sorriso no rosto de Jinyoung deixavam aquilo óbvio.

O robô não entendia muito bem que tipo de sensação dominava seu sistema naquele momento, mas sentia algo parecido com insuficiência, não sabia ao certo. Se alguém o visse naquela situação, jamais pensaria na possibilidade de ser um robô. Talvez o tempo de convivência com Jinyoung o deixou “humano demais”.

Sentia até uma vontade de chorar, mas aquilo seria impossível. Por mais que parecesse um, ele não era humano. Toda a sua existência se baseava em aparência, pois foi feito para “parecer” um ser vivo, mas jamais poderia ser um de verdade. A possibilidade de que Jinyoung sentisse nojo de si por este fato passou pela sua mente e o deixou ainda mais decepcionado consigo mesmo. JB nem ao menos sabia dizer quem era, tudo o que sabia era “o que” era, porque ser um robô não foi uma decisão que ele mesmo pôde ter feito. Por mais que quisesse acreditar que tinha liberdade, toda a sua vida estava predestinada por humanos, pois havia surgido das mãos de um deles.

Seu sistema operacional não parecia nem um pouco estável quando segurou aquele porta-retrato com as mãos levemente trêmulas e virou do lado contrário, encontrando uma escritura em letras delicadas e cursivas que há pouco tempo haviam se tornado conhecidas por si. “A única mulher que amarei”. Ler aquilo era como dar um tiro no próprio peito, e o robô não conseguia fazer mais nada além de ler inúmeras vezes seguidas a frase escrita na letra do empresário, como se fosse um CD arranhado. 

— O que você faz aqui? — A voz que ecoou pelo quarto era sombria e agressiva, e o dono dela não demorou a entrar no cômodo, andando apressado até o robô, arrancando brutalmente o porta-retrato de suas mãos. Só naquele momento, JB voltou à realidade, notando a expressão assustadora que contrastava com a foto que outrora observava, mas não voltou a funcionar normalmente a tempo suficiente de se defender do empurrão que havia levado de Jinyoung, que naquele momento parecia irreconhecível. — Quem te deu permissão para entrar aqui, desgraçado?!

A forma como foi chamado o deixou profundamente magoado e só agora percebia o erro que havia cometido ao entrar ali. Entrar na vida de Jinyoung nunca lhe foi uma opção, agora JB entendia que o Park apenas estava explicitando que ele nunca deveria ter se aproximado demais, afinal, não passava de uma máquina estúpida que ele foi obrigado a testar e dividir seu próprio teto, e aquilo não tinha relação com nada além de trabalho. Ele não passava de um produto. Agora entendia o jeito reservado do empresário, ele apenas tentava lhe avisar sobre uma realidade que fora estúpido demais para não perceber.

Nem se deu ao trabalho de levantar do chão, o rosto inexpressivo fazia com que Jinyoung entendesse tudo errado, mas o robô apenas não sabia como deveria reagir a tudo aquilo. Enquanto isso, Jinyoung parecia chegar ao estopim de sua raiva, ou talvez fosse mais que isso; ódio, repulsa, nojo. JB não iria julgar a reação e nem mesmo os sentimentos ruins que Jinyoung tinha contra ele, se existiam, ele simplesmente deveria aceitar que merecia tudo aquilo. 

— É por causa dela? Eu não sabia, sinto muito. — sussurrou quase inaudível, mas não passou despercebido pelo Park, que parecia ainda mais furioso quando puxou sua camisa e o jogou contra a parede com toda força que tinha, depois começou a arrastá-lo para fora do quarto branco. 

— Sabe por que eu nunca concordei com a existência de coisas como você? É exatamente por isso! Acham que são superiores demais aos humanos e que têm liberdade suficiente para invadir a vida pessoal deles! Acham que têm poder para nos substituir, mas não passam de lixo tóxico capaz de destruir a humanidade quando quiserem! — As veias no pescoço do Park estavam muito visíveis por causa dos gritos altos que poderiam deixar alguém surdo. — Por que não some de uma vez por todas e me deixa em paz?! Isso não teria acontecido se você não estivesse aqui!

Diante das palavras duras de Jinyoung, JB estava em choque e queria conseguir demonstrar tudo o que estava sentindo através de lágrimas, mas aquela não era uma possibilidade para um humano artificial. Então tudo o que pôde fazer foi levantar-se do chão frio e ainda instável e sem saber o que estava acontecendo consigo, andou o mais rápido que conseguiu para fora do corredor, algumas vezes tropeçando nos próprios pés.

Não estava em si quando saiu pela porta da casa, sem nem mesmo saber para onde iria. Mas do que adiantava ter um destino quando não sabia nem mesmo quem era? Quem iria querer algo estúpido como ele em sua casa ou em qualquer outro lugar feito para humanos? Não tinha o direito de fingir ser uma pessoa, nada seria capaz de transformá-lo em uma de verdade. Ele não passava de uma cópia mal feita que não podia nem mesmo derramar algumas lágrimas na intenção de aliviar sua dor, aliás, dor parecia ser a única coisa capaz de sentir. E como poderia ficar bem assim? Humanos sentem felicidade também, são capazes de amar. JB pensava que também tinha aquela capacidade quando começou a conviver com Jinyoung, mas estava errado o tempo todo. Quem poderia amar algo feito de metal?

Já se faziam algumas horas desde que JB havia sido expulso da casa de Jinyoung e não tinha nenhum lugar para descansar, não que ele realmente precisasse de repouso, mas o fato de ser um robô não descartava a necessidade que tinha de repor suas energias, no entanto, seus relógios especiais que continham as baterias que o mantinham em funcionamento haviam ficado todos na casa do Park e JB não achava que seria recebido lá, mesmo que fosse para ter seus únicos pertences de volta. Portanto, a única opção que tinha no momento, e provavelmente pelo tempo que sua bateria durasse, era a de perambular pelas ruas enormes de Seul em busca de algum lugar onde pudesse ficar. 

O céu já havia escurecido e as estrelas não pareciam ter o menor desejo de aparecer naquela noite. O único vislumbre que tinha no céu escuro era da lua, que era impedida de brilhar por completo por algumas nuvens negras, mas pelo menos havia as inúmeras luzes dos prédios e postes iluminando a penumbra da noite, por mais que não fossem tão graciosas quanto a luz do satélite natural. 

Avistou um bar no outro lado da rua e seguiu em direção ao lugar, que, por mais que não fosse tão chamativo, era bem movimentado e as pessoas andando de um lado para o outro sem parar poderiam ser uma boa distração por algum tempo, já que ficar bêbado era outra capacidade que não tinha. Só agora ele podia notar que tinha muitos defeitos. Provavelmente, ser um humano deveria ser bem interessante, já que eles podiam fazer coisas que, depois daquele dia, o robô passou a achar incríveis, mesmo que anteriormente parecessem apenas ações rotineiras. 

Andando pelo estabelecimento à procura de um lugar aconchegante para ficar por um tempo, notou que só havia homens no lugar e que muitos deles olhavam para si, mas não se importou com aquele fato. Poderia pensar que eles estariam lhe julgando mentalmente por ser o que era, mas sabia que dificilmente alguém poderia perceber que seu corpo era composto de metal ou que podia fazer algumas coisas anormais. Próxima ao bar, havia uma mesa vazia, portanto, aproveitou a chance de ocupá-la enquanto ninguém mais o fazia. Muitos rapazes ocupavam a pista de dança e outros bebiam vários líquidos coloridos que chamaram sua atenção. No balcão, alguns barmans preparavam as mesmas bebidas e ele se arriscou a levantar a mão, a fim de pedir uma delas. O copo cheio da bebida azulada fez seus olhos brilharem, mas apenas até experimentá-la e fazer uma careta.

Decidiu não passar mais muito tempo por ali, o barulho alto de música incomodava sua audição aguçada e viu que não era o lugar ideal para ficar se quisesse ter um pouco de paz, portanto, levantou-se da mesa e se direcionou à saída, mas, antes que fosse embora, foi interrompido por um rapaz um pouco mais alto que ele. 

— Não vai pagar? — falou um pouco mais alto a fim de ser escutado em meio a tanto barulho e cruzou os braços enquanto encarava o robô, que fez uma expressão confusa. O rapaz revirou os olhos e sorriu debochado antes de apontar para o copo ainda meio cheio sobre a mesa em que JB estava antes. — A bebida. Não fazemos caridade. 

— Ah. — Coçou a nuca meio desajeitado e pôs as mãos nos bolsos à procura de algo que pudesse entregar ao rapaz impaciente de cabelos loiros, mas, como era de se esperar, estavam completamente vazios e tudo o que pôde oferecer foi um sorriso amarelo, recebendo em troca uma expressão azeda por parte do barman, que agarrou a gola da sua camisa e o jogou contra uma mesa vazia.

— Não enche a minha paciência e entrega logo o dinheiro ou eu vou dar um jeito em você. — O mais alto ameaçou com o rosto próximo ao seu e JB sentiu seu corpo tenso, afinal, proteger-se em meio a tantas pessoas não seria uma boa ideia, e não queria machucar o rapaz, por mais que a vontade dele fosse o total oposto. 

— O que é isso, Mark? Virou gângster agora? — Um outro rapaz apareceu, puxando o mais alto pela cintura. — Deixa o garoto em paz, vai? 

─ Dá pra me soltar, Jackson? E ele não pode sair sem pagar. 

— Aigoo, deixa que eu pago isso, sim? — Apertou a bochecha do loiro que reclamava mal humorado, não demorando a se afastar dali e voltar ao trabalho. — E você? Já vai embora? Vi que não gostou da bebida, mas, se ficar mais um pouco, eu te compro umas mais leves. — O tal Jackson nem lhe deu tempo de recusar o convite e o puxou pelos ombros rumo a uma mesa onde havia mais um homem, que nem se preocupou em se apresentar, apenas lhe direcionou um aceno e deixou o restante com Jackson, que, aliás, parecia muito extrovertido. — Essa moça se chama Youngjae, não liga pra cara de bunda. Acabou de ser rejeitado. 

A timidez do robô foi momentânea e não demorou muito para que os três estivessem conversando animadamente, sendo Jackson quem mais tinha assuntos para comentar. Apesar de não poder ficar bêbado, JB estava se divertindo bastante com a situação em que os outros dois já se encontravam, no entanto, alguns instantes depois, o clima bom havia evaporado. Pelo menos para JB. 

— O que aconteceu com o Jinyoung que não apareceu hoje? 

— Vai saber. No mínimo está aproveitando a noite com aquele robô. — Youngjae respondeu, falando meio embolado e foi inevitável para JB não se sentir desconfortável com o assunto que veio à tona de repente. Mas não pôde evitar um sorriso triste quando pensou na possibilidade de Jinyoung ter falado sobre si. 

— Jinyoung? 

— Hum? Você conhece aquela criatura? — Jackson lhe olhou com os olhos arregalados. — Oh céus, você deve ser algum burguês! 

— Então por que diabos você está bancando ele? — Youngjae perguntou ao mesmo tempo que fazia um aceno meio atrapalhado, tentando chamar a atenção de algum funcionário do bar. 

— Não, na verdade, eu só... o conheci por acaso. — A vantagem de estar passando a noite na companhia de dois amigos completamente embriagados era que eles não perceberam seu olhar triste enquanto falavam da pessoa que, há algumas horas, o havia mostrado a trágica realidade em que se encontrava. E pensando nisso, percebeu que os dois rapazes pareciam conhecer Jinyoung há muito tempo, o que o fez concluir que eram amigos, principalmente quando via a liberdade que sentiam em xingar o empresário a cada dez segundos por não estar ali, pagando suas bebidas e ouvindo suas lamentações sobre como a vida era complicada. 

Uma ideia, talvez um tanto absurda, lhe surgiu; aproveitar-se da vulnerabilidade de pessoas bêbadas não parecia ser algo muito bom, mas, julgando Jackson e Youngjae pelo jeito tão descontraído de falar sobre qualquer assunto, talvez não fosse um tabu para eles soltar algumas informações sobre a vida do amigo. Poderia se arrepender depois, mas já estava na chuva desde que entrou naquele corredor da casa de Jinyoung, então que mal faria se molhar mais um pouco? — Ele sempre foi tão reservado daquele jeito?

Os amigos trocaram um olhar que JB não pôde ler, mas logo depois deram de ombros e, com um Jackson debruçado sobre a mesa e calado demais para o seu gosto, Youngjae começou a falar de forma quase inteligível. 

— Aquele idiota! Eu sempre disse que casar com um homem seria muito melhor para um cara irresponsável como ele. Mas quem é que me escuta? — O Choi gesticulava freneticamente com as mãos, no entanto, o que era mais importante para JB era tentar entender o que ele havia falado, porque, até então, nada fazia sentido. Abraçado a uma garrafa de vodka, Youngjae resmungava algumas palavras acompanhadas do nome do Park, talvez fossem alguns inúmeros xingamentos que nunca havia escutado. 

— Só ignora, pessoas fracas para bebida acabam assim. — Jackson revirou os olhos e o encarou, e por incrível que pareça, estava completamente sério, nem parecia ter esvaziado dezenas de latinhas de bebida. — Ele não costumava ser assim, acredite. — O chinês notou o olhar confuso do robô na direção do amigo quase desacordado. — Não ele, o Jinyoung. 

— Ah. Aconteceu alguma coisa?

— Não uma, foram várias. — Bebeu um pouco do líquido que ocupava o copo de vidro à sua frente, deixando a frase em aberto antes de continuar. — Foi há uns dois anos. Ele conheceu uma mulher, se apaixonou e, menos de dois meses depois, eles resolveram casar. O cérebro dele com certeza tinha derretido de tanta paixão, ele não escutava ninguém, foi precipitado como sempre. Claro, Yang Mi era uma ótima pessoa e ele estava muito feliz, mas eu acredito que um casamento exige um certo tempo de relacionamento. De qualquer forma, o que eu quero dizer é que ele não estava preparado. 

“Talvez nenhum dos dois estivesse. Ela era alguns anos mais nova, ainda pensava e às vezes agia de forma muito infantil, ele, apesar de ser um bom tempo mais velho, fazia a mesma coisa. Depois do casamento, até uns três meses depois, tudo parecia estar indo bem, mas a verdade era que eles acabavam discutindo bastante e pelas coisas mais idiotas possíveis. Um dia eles tiveram uma briga um pouco pior que as outras, trocaram ofensas e ela saiu de casa com o carro dele. Eu lembro que ela me ligou, chorando muito e eu não sabia como ajudar, mas ela falava que não queria perder o Jinyoungie quando eu ouvi um barulho alto no meio da ligação e depois disso não escutei mais nada. 

“Quando a encontramos, já era tarde demais. Acredito que ela tenha ido embora naquela mesma hora do estrondo, se é que me entende. Não tinha como sobreviver em um acidente como aquele. Os pais dela o culpam até hoje por tudo que aconteceu, foi muito traumatizante para ele. Imagina o choque ao saber que você ficou viúvo aos 25 anos de idade, menos de três meses depois de ter casado? — O olhar de Jackson estava fixo em suas mãos, ele parecia sentir a mesma dor do seu amigo. — Depois de tudo, o Jinyoungie se afastou de todo mundo, não mudou muita coisa até então. Fazem apenas uns dois meses desde que ele voltou a sair com a gente, mas nunca mais vimos ele sorrir de novo.”

— Eu... sinto muito. — Toda aquela informação pegou o robô de surpresa, talvez, se fosse um humano, não teria conseguido processar metade do que Jackson havia falado. Era muita coisa para uma pessoa só enfrentar e JB tentava imaginar o quanto Jinyoung havia sofrido e ainda o fazia com tudo aquilo. Naquele momento, ser humano pareceu ser algo cruel demais e a vontade que tinha de ser um parecia cada vez mais distante. O que o Park havia feito consigo não chegava a ser nem mesmo um terço de tudo que ele havia passado em um momento da vida que deveria ter sido repleto de felicidade. Sentia-se ridículo por ter invadido uma parte tão dolorosa da vida de Jinyoung. Não tinha o direito de estar ouvindo algo tão pessoal, portanto, ao falar sinto muito, também estava pedindo desculpas, mesmo que fosse para a pessoa errada. 

— Você não teve culpa. — A garrafa de bebida agora estava vazia sobre a mesa em que estavam, e o chinês não parecia mais disposto a beber naquela noite. Um silêncio se fez presente entre os dois, o único som que ouviam era de um Youngjae roncando alto e, vez ou outra, falando coisas sem sentido. Aquela cena em qualquer outra hora os faria rir por um bom tempo, mas aquele não era o melhor momento. Naquele instante, enquanto não sabia sobre o que deveria pensar, JB notou o olhar de Jackson sobre seu pulso, onde estava o relógio que continha sua bateria. — O que você vai fazer em relação a isso? — O olhar confuso se desfez quando notou para onde ele apontava. 

— Ah, meu relógio? Acho que está bagunçado, mas não se preocupe, eu — 

— Eu sei. Ele me falou sobre você. — A sua expressão era de total espanto e o chinês tentou acalmá-lo com um sorriso contido, só então JB notou o quanto ele estava sóbrio. — Sabe, o Jinyoung não é uma pessoa ruim. Eu entendo que a forma como ele tratou você não foi muito boa, mas eu tenho certeza que nesse momento ele deve estar completamente desesperado e arrependido. Aliás, há quanto tempo você está vagueando pelas ruas? — Jackson não lhe deu tempo para responder, mas não precisava. Do jeito que suas roupas já estavam sujas, era óbvio que teria passado no mínimo uma semana. — Me surpreende que sua bateria ainda esteja ligada, mas é melhor você voltar antes que acabe. Meu amigo é meio tonto e deve ter descoberto tarde demais, mas você é importante para ele. 

O robô não conteve a vontade de abrir um sorriso alegre naquele instante e, enquanto levantava pronto para voltar para Jinyoung e pedir desculpas por sua atitude ruim e, enfim, poder começar tudo de novo de uma forma melhor, agradecia ao amigo de Jinyoung incontáveis vezes, enquanto o último apenas sorria e dizia que não precisava daquilo. 

Ao descobrir que Jae Bum na verdade era um robô, Jackson não pôde deixar de ficar surpreso e até um pouco desconfiado, apesar de ter conseguido disfarçar muito bem, mas o que o deixou de fato espantado não foi JB ser uma máquina ou a incrível aparência humana que tinha, e sim a personalidade gentil, o jeito educado, o sorriso e olhar simpáticos que sempre enfeitavam seu rosto delicado e até o jeito que ele se sentia culpado por ter invadido a privacidade do seu amigo, mas, acima de tudo, o que mais apreciou naquele robô foi o olhar admirado com o qual ele observava cada humano ali presente, apenas comprovando que androides perigosos não passavam de personagens de obras fictícias. No final das contas, ele era melhor que qualquer ser humano que ocupava aquele lugar, e o seu jeito simples e inocente o tornava ainda mais incrível.

"Jinyoung é um puta sortudo, porém, tonto demais pra saber disso", Jackson falava mentalmente enquanto observava o robô sumir pela porta do bar, animado para fazer as pazes com o humano que mais gostava no mundo. 

JB corria cada vez mais rápido pelas ruas da cidade, que, por causa do horário, já estavam quase vazias se não fosse por algumas pessoas que saíam de estabelecimentos noturnos ou talvez do expediente prolongado de trabalho. Não sabia ao certo, mas também não importava nem um pouco quando a única coisa que queria naquela madrugada era encontrar Jinyoung o mais rápido possível e abraçá-lo bem apertado e nunca mais soltá-lo. Prometeria a ele, com as melhores palavras que encontrasse para se expressar, que seria o melhor robô do mundo apenas para fazê-lo o homem mais feliz e que ninguém, jamais, iria separá-los. Beijaria cada parte do rosto bonito de Jinyoung e diria a ele que, mesmo que fosse apenas um robô, também podia sentir amor, porque aquele sentimento era o que o fazia querer protegê-lo e ficar ao seu lado para sempre. 

Alguns carros passavam apressados pela rua e mesmo que houvesse vários outros parecidos, ele jamais poderia confundir o rosto de Jinyoung, mesmo molhado de lágrimas e um pouco inchado, apesar de estar sendo parcialmente ocultado, tanto por causa da noite quanto pela película que cobria o vidro do veículo. Um sorriso largo se abriu em seu rosto involuntariamente e os olhos brilharam ansiosos para encontrá-lo e ouvir sua voz mais uma vez depois de passar quase cinco dias perambulando pelas ruas. 

Nem se lembrou do perigo que era andar em meio aos carros em movimento e muito menos pensou que poderia hackear os semáforos para facilitar sua passagem, apenas correu em direção à rua e tentou ao máximo se aproximar do veículo de Jinyoung, que vinha na direção contrária à sua na esperança de que o empresário pudesse vê-lo, mas, antes que ele notasse qualquer aceno em sua direção, um veículo maior foi mais rápido em atingir o corpo do robô e arremessá-lo com toda velocidade para o outro lado, e só então a atenção de Jinyoung foi presa pelo som alto de metal se chocando contra o carro e a enorme marca que havia deixado no mesmo. 

Parou seu veículo bruscamente, assim como outros motoristas que tentavam entender o que havia acabado de acontecer com o veículo maior, e apenas quando olhou para os lados à procura do que havia se chocado com seu carro, encontrou quem lhe era familiar demais caído sobre o asfalto a alguns metros. Qualquer outra pessoa se assustaria com a falta de sangue ao redor do corpo do indivíduo caído ali, mas Jinyoung apenas conseguia ficar desesperado, pois não tinha a mínima ideia do que fazer para ajudar o robô, que agora se encontrava com algumas partes do corpo meio destroçadas e amassadas, portanto, correu em sua direção, os olhos cheios de lágrimas que atrapalhavam sua visão. 

Ele estava ali, com a maior parte do corpo destruída, mas o sorriso continuava intacto, largo e expondo toda a alegria que sentia por finalmente ter encontrado o humano que amava, junto aos olhos brilhantes que refletiam as poucas estrelas que brilhavam acima dos dois naquela madrugada. Não conseguia se movimentar muito significativamente, pois o braço esquerdo havia facilmente se desprendido com o impacto do seu corpo contra o carro, e ambas as pernas se encontravam parcialmente deformadas, o material que o constituía sendo exposto pela falta da pele artificial, assim como em parte da sua testa e bochecha.

Mas nada impediria o robô de expressar sua alegria e alívio ao ver o rosto do seu amado, por mais que não fosse a expressão mais bonita que já houvesse visto, se não fosse a bateria em sua última porcentagem, que não durou muito depois das poucas palavras que conseguiu falar, quase inaudíveis. 

— Espero que não seja tarde demais para dizer que eu amo você. 

Os olhos não puderam ficar abertos por mais tempo quando a bateria se esgotou, seria impossível durar mais que aquilo depois de todo o esforço que fez para encontrar seu humano. As lágrimas desciam cada vez mais intensas pelos olhos já inchados de Jinyoung e ele apenas sentia-se mais idiota e estúpido naquele momento, não somente por ser a causa de toda aquela bagunça, o covarde que machucou os sentimentos e também o corpo de alguém, assim como por não poder ter correspondido às juras de amor de Im Jae Bum, o robô que, em apenas alguns dias, transformou seu coração completamente congelado, como nenhum humano seria capaz de fazer nem mesmo em mil anos.

Em sua mente, já não existia a possibilidade de haver um humano mais horrível e tolo que ele mesmo. Alguém que não valorizou a segunda chance que recebeu do destino para amar, mesmo que fosse alguém feito de metal, não merecia sequer viver. Não merecia Jae Bum, ele era bom demais para si e talvez fosse por aquele motivo que o robô simplesmente apagou em seus braços, porque sim, depois de tudo que havia feito, sabia que merecia sofrer e aquilo ainda era pouco comparado aos dias difíceis que JB havia passado por aquelas ruas por sua causa. Tudo por causa das lembranças ruins do passado que insistia em guardar como se, de alguma forma, aquilo pudesse aliviar a culpa que sentia, quando, na verdade, descobriu tarde demais que a sua culpa poderia deixar de ser um peso em sua mente com nada menos que aceitar o amor em sua vida mais uma vez. 

Entretanto, era covarde demais e o medo que tinha de sofrer novamente ou de machucar mais alguém o cegava, impedindo-o de ver a chance que recebera diante de seus olhos, a chance que tinha de fazer tudo diferente, de recomeçar do zero. E agora, ele não poderia se odiar mais ao ver que foi exatamente aquele medo idiota que sentia que o fez machucar mais alguém, a pessoa que mais amou depois de tanto tempo, a única pessoa que poderia lhe trazer a felicidade de volta e fazê-lo desfrutar daqueles momentos melosos, cheios de carinhos, abraços, sorrisos e beijos ternos que poderiam remover da sua vida todo tipo de sentimento ruim e colori-la mais uma vez com as cores mais alegres que existem. 

Se naquele dia pudesse fazer apenas mais um pedido, não havia nada que quisesse mais que ter seu amável robô de volta. Sabia muito bem que merecia passar por aquilo, mas não queria aceitar que aqueles quatro dias que passara procurando pelo robô em todos os cantos da cidade tivessem servido para nada e que o final da sua busca fosse encerrado daquela forma, tendo o corpo de JB em seus braços e suas lágrimas molhando os rostos de ambos. Não poderia acabar apenas em lamentos e palavras de profundo arrependimento, precisava que ele acordasse para que pudesse pedir seu perdão e, principalmente, dizer a JB que seria o melhor humano possível para fazê-lo feliz, mesmo que soubesse que ele se contentaria com apenas sua presença. 

No entanto, não estava vivendo em um conto de fadas, não era o protagonista da história fictícia de "A Bela e a Fera" para trazer seu príncipe de volta à vida com meras lágrimas. Mal podia acreditar que os trinta dias de convivência com JB, que deveriam ser os melhores possíveis, haviam se transformado naquele caos e que agora já não lhe restava quase nenhum tempo, quando metade do que ainda tinha seria gasto no conserto do androide, se é que poderia ser feito.

 


Notas Finais


Eu chorei um pouquinho escrevendo esse capítulo, mas não foi exatamente pelo que eu escrevi e sim por causa das músicas que eu ouvi pra entrar no clima (não sou muito boa escrevendo as partes mais tristinhas).
Tá aqui o link da playlist pra vocês derramarem umas lágrimas, preparem os lencinhos e eu recomendo ver a tradução também.
Link: https://open.spotify.com/playlist/3F5mVpfkiCS2c2r47jCMeh?si=Ycwf_24tRT6TuJmO9MmYkg

E por fim, esse é o penúltimo capítulo, portanto, daremos adeus à MRD no próximo capítulo. Muito obrigada a quem leu até aqui e nos vemos depois :)


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