História Meu romeu ----- Bughead - Capítulo 16


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Categorias Riverdale
Personagens Alice Cooper, Antoinette "Toni" Topaz, Archibald "Archie" Andrews, Cheryl Blossom, Chuck Clayton, Elizabeth "Betty" Cooper, Forsythe Pendleton "FP" Jones II, Forsythe Pendleton "Jughead" Jones III, Ginger Lopez, Hal Cooper, Hermione Lodge, Hiram Lodge, Joaquin, Josephine "Josie" McCoy, Kevin Keller, Marmaduke "Moose" Mason, Personagens Originais, Polly Cooper, Reginald "Reggie" Mantle, Veronica "Ronnie" Lodge
Tags Bughead
Visualizações 138
Palavras 4.557
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Voltei amores

Não sei responder os comentários de vocês, mas eu fico feliz com todos. ❤

Boa leitura

Capítulo 16 - Medo do palco


Seis anos antes 

Westchester, Nova York 

Grove 


Caminho para o teatro baforando um cigarro. Estou pegando o jeito. Não tenho certeza se isso é bom, mas diminui meu nervosismo.

O espetáculo é às sete e meia. Agora são três da tarde. Tomara que o fato de estar no teatro me ajude a focar e liberar a tensão.

Ao menos esse é o plano.

Coisas a fazer nas próximas horas: ioga e tai chi, caminhar pelo cenário, incorporar Julieta, distribuir meus cartões e presentes nos camarins, me vestir, tentar não vomitar, entrar em cena sem precisar ser empurrada, arrasar.

Simples.

Coisas a não fazer: ficar obcecada por Jughead, vomitar, sair gritando pelo teatro.

Difícil.

Sigo direto para meu camarim quando chego. A maioria fica atrás do palco, mas há meia dúzia no nível do mezanino. Erika os reservou para os protagonistas.

Desfaço a mala e tiro maquiagem e acessórios para cabelo. Então, ponho uma legging e minha camiseta da sorte da Sininho e vou para o palco.

Está escuro e o brilho fraco das luzes de serviço lança longas sombras ameaçadoras pelo cenário.

Ótimo. Tudo de que preciso é mais medo pulsando pelo meu corpo, porque, claro, não estou tensa o suficiente.

Respiro fundo e caminho pelo cenário. Passo a mão pelas paredes falsas de isopor enquanto olho para fileiras e fileiras de assentos vazios. Tento ignorar os arrepios quando sinto o brilho de centenas de pares de olhos fantasmas.

Quero arrasar esta noite.

Quero que Jughead arrase.

A peça toda meio que se apoia sobre o fim das nossas merdas. Tenho zero noção de como chegar a isso.

Vou para o centro do palco e passo várias sequências de posições de ioga e respiração. Alongo meus músculos. Procuro foco.

Depois de um tempo, a ioga se transforma em tai chi. Fecho meus olhos e me concentro na respiração. Para dentro. Para fora. Me movimento lentamente. Sincronizo ar e movimento. Expiro o medo. Inspiro confiança.

Eu me concentro em imagens que me trazem prazer. Inevitavelmente, meus pensamentos se voltam para Jughead. A linha definida do seu maxilar com barba por fazer, masculina e sexy. Os lábios, insuportavelmente sedosos e macios. Os olhos. Ferozes. Nervosos. Assustados e aterrorizantes ao mesmo tempo.

Meu corpo todo se incendeia.

Ficar longe dele esta semana foi uma tortura. Tento não ficar olhando para ele por muito tempo, mesmo durante as cenas, senão dói demais. Foco na parede atrás dele ou num ponto do cenário ou no topo do seu cabelo. Qualquer lugar menos naqueles olhos mortais que me incitam a querer fazer coisas bem impróprias com Jughead por horas a fio.

Estou mais calma conforme pratico a respiração. Focada e preparada. 

Quando abro os olhos, quase mijo nas calças de susto porque o rosto de Jughead está apenas a uns poucos centímetros do meu.

— Meu Jesus Cristinho! — grito enquanto me debato como um polvo caindo de paraquedas.

Jughead salta vários metros para trás e coloca a mão no peito.

— Porra, Cooper ! Você me matou de susto! Nossa senhora!

— Eu te matei de susto?! — Vou até ele e dou-lhe um empurrão no peito. — Você quase me fez mijar nas calças!

Ele começa a rir de chorar.

— Não tem graça! — Bato nele de novo.

— Tem, sim. — Ele se afasta quando continuo a acertá-lo.

— Que tipo de aberração é você para assustar alguém desse jeito?

— Eu não queria te incomodar — ele argumenta enquanto agarra minhas mãos. — Porra, para de me bater.

Ele coloca minhas mãos contra seu peito, mas já estou tendo muito trabalho com meu coração acelerado para reconhecer como seu peitoral é durinho debaixo de meus dedos.

Solto as mãos, corro para o cenário do quarto e me jogo na cama.

— Que diabos você está fazendo aqui? Achei que estivesse sozinha.

Ele está parado diante de mim, sua risada morrendo enquanto enfia as mãos nos bolsos.

— Pensei a mesma coisa. Gosto de ficar no teatro algumas horas antes da estreia. Ajuda a desestressar.

Passo a mão no cabelo.

— É? E como está se sentindo agora, senhor Assustador? Calmo?

— Por mais hilário que tenha sido, não foi minha intenção te assustar. Eu só queria... observar.

A sensação de susto passa, e paro para registrar o que ele está vestindo.

Regata “machão” branca, bermuda de corrida azul-marinho bem colada e Nike preto e prateado.

Que diabos?

Ele não pode usar isso.

Quer dizer... é que... ele...

Meu Deus, olha para ele!

Ombros largos. Belos braços. Peito amplo. Cintura fina. Panturrilhas musculosas.

Que injustiça! Obscenamente sexy. Isso é proibido!

— Por que você está me olhando assim? — Ele está alternando o peso do corpo de um lado para o outro.

— Assim como? — É só o que consigo dizer no meu torpor de tesão.

— Como se quisesse me comer.

Quase me engasgo. Tusso e cuspo.

— Por que está usando isso?

Ele se olha de cima a baixo e dá de ombros.

— Estava correndo. Achei que podia aliviar a tensão.

Meu cérebro viaja para uma imagem dele correndo: braços pulsando, rosto vermelho, longas pernas avançando, cabelo balançando ao vento.

— Você... correu?

— Corri.

— Nisso aí?

Ele confere suas roupas e franze a testa.

— Sim. Qual é o problema? É só uma regata e uma bermuda.

— Só uma... você acha que é... só uma... não! Jones, isso é maldade!

Meu cérebro travou. Ele olha para mim como se eu fosse doida, mas não consigo tirar os olhos dele.

Que gênio decidiu chamar essa roupa em particular de “machão”? Não é machão, é um ímã para fêmeas. Um despertador de vaginas. Um destruidor de calcinhas.

Puta merda.

— Cooper?

Ele dá alguns passos na minha direção e todo o tesão que venho reprimindo inunda meu corpo. Salto da cama e me afasto.

Não vou perder essa maldita aposta só porque ele decidiu se vestir como um gostosão delicioso e irresistível. De jeito nenhum.

Preciso ficar longe até que a vontade de jogá-lo no chão e montar nele suma.

— Tenho que... fazer umas coisas. — Saio do palco cambaleando.

— Cooper? — ele me chama, mas eu não paro. Não posso olhar para aqueles ombros de novo. Os bíceps. Antebraços.

Que merda!

Corro para o camarim e bato a porta. Passo as duas horas seguintes fazendo exercícios de respiração. O tempo todo eu digo a mim mesma que implorar a Jughead por sexo na noite de estreia é uma ideia bem ruim.



Às cinco e meia, começo a me preparar. Quero fazer isso logo para que eu possa deixar todos os cartões e presentes nos camarins das pessoas antes que elas cheguem.

Dar cartões de boa sorte ao elenco e à equipe na noite de estreia é uma tradição. Também vou dar chocolatinhos em forma de coração para representar o amor pelo nosso espetáculo. Sim, é cafona, mas sou pobre e os chocolates são baratos.

Termino a maquiagem, escovo o cabelo, ponho meu robe de seda da sorte e pego a sacola dos presentes. Passo depressa pelos camarins, o tempo todo pensando que não acabei o cartão do Jughead ainda. Tudo o que escrevi até agora foi “Querido Jughead ”. Depois disso, não faço ideia do que dizer.

“Boa sorte na estreia” parece brega e impessoal e “por favor, faça sexo comigo” simplesmente parece errado. Preciso encontrar um meio-termo, mas é mais fácil falar que fazer.

Já entreguei a maioria dos cartões quando passo pelo camarim dele. Enfio a cabeça pela porta. Está vazio.

Entro escondida e deixo os cartões de Reggie e Chuck bem rapidinho, dizendo a mim mesma que vou terminar o do Jughead e dar a ele depois.

Quando me viro para sair, ele aparece na porta, seu rosto é uma sombra no corredor escuro.

— Ué, não tem cartão para mim? — ele pergunta, e há algo de errado em sua voz.

— Hum, vai ter. Só não terminei de escrever sua mensagem ainda.

Sigo em direção à porta, mas ele entra, me cortando. Ainda está usando o traje destruidor de calcinhas. Seus ombros são incríveis. Quero mordê-los.

— Você escreveu mensagens para todo mundo, Cooper, mas não para mim? Não mereço um cartão seu?

O rosto dele está sombrio e um pouco suado.

— Jughead, está tudo bem com você?

— Belo robe — ele diz, olhando para meus peitos. Ele toca a faixa ao redor da minha cintura. — Está usando alguma coisa por baixo?

— Apenas minha deliciosamente moderna lingerie cor da pele — respondo quando ele afasta a mão. — Sem espiar. Você já viu antes.

— Muitas vezes.

— Não é tão ruim, é?

Ele pega a faixa novamente.

— Não se espera que eu continue ignorando você e seu corpo gostoso pra caralho. — Ele passa os dedos pelo tecido sedoso. — Tenho feito tanto esforço. Para ser bom e respeitoso. Seria fácil não ser.

A energia que faltava entre nós na última semana está de volta, espessa e pesada. Desesperadamente magnética.

Perco o fôlego.

— Foi você quem estabeleceu os limites. Quero que você faça exatamente o que quiser comigo.

Ele solta o ar enquanto enrola a faixa de seda em sua mão e dá um passo à frente.

— Você não tem permissão para dizer essas coisas.

Sua voz está falha. As mãos tremem. O pouco suor em sua testa ainda está ali, mas agora escorre também pelo pescoço e ombros.

— Sério, você está bem? — pergunto enquanto ele engole em seco e faz uma careta.

Mal acabo de falar e ele aperta a própria barriga, cambaleando para trás e caindo no sofá.

— Porra.

— Jughead?

Depois de respirar fundo algumas vezes, ele inclina a cabeça para trás e fecha os olhos.

— Só tô nervoso, tá? Nervosismo foda pra caralho.

— Com o espetáculo?

— Entre outras coisas, também.

Ele solta o ar devagar e controladamente.

— Minha ansiedade vai direto para o estômago. Fico com cãibra e náusea. Que boiola que eu sou.

— Entendo como você se sente.

Ele esfrega o rosto.

— A não ser que você também tenha um pai que só está vindo para sua apresentação para poder dizer que você está desperdiçando a vida com essa baboseira de teatro, então, não... você não entende.

— Seu pai não está feliz com sua escolha?

— Isso seria um megaeufemismo.

— Ah...

Ele segura a cabeça entre as mãos e puxa o cabelo.

— Não importa. Vou ser uma droga hoje de qualquer jeito. Ele vai fazer a festa repetindo “eu te avisei”.

— Você não vai ser uma droga.

— Fomos horríveis pra caralho a semana toda. Você sabe disso tão bem quanto eu.

— Estávamos meio sem jeito.

Ele lança um olhar severo para mim.

— Tá, fomos horríveis. Mas é porque estamos tentando arduamente negar a atração que sentimos, por isso nosso desempenho está caindo. Não podemos nos fechar e esperar que nossos personagens pareçam tão apaixonados a ponto de não poder viver sem o outro. É impossível.

— Então o que você está sugerindo? — ele quer saber. — Que eu te jogue neste sofá nojento pra gente bancar os amantes de verdade?

— Bem, isso seria bacana...

— Cooper...

— Tá, tudo bem. Não cedemos aos impulsos fora do palco. Mas, no palco? Precisamos deixar nossa conexão acontecer. Chega de lutar contra isso. Porque a mágica só acontece quando deixamos o outro entrar.

Ele parece cético.

— Apenas no palco? Você acha que vai ser fácil controlar isso?

— Não, não acho — respondo, me ajoelhando na frente dele para alinhar nosso rosto. — Mas temos um elenco inteiro dependendo de a gente acabar com as nossas merdas e fazer esse espetáculo funcionar. Se formos mal, vamos arrastar todo mundo conosco. Então vamos só fazer a peça, e você vai poder voltar a negar seus sentimentos por mim na semana que vem, tá?

Por um instante tenho a impressão de que ele vai tocar meu rosto. Em vez disso, ele passa os dedos pela frente do meu robe. Perco o fôlego.

— Tá. Você venceu. Se eu puder parar de me sentir como se eu fosse desabar de cinco em cinco segundos, eu paro de me segurar.

O tom da voz dele arrepia os pelos do meu braço.

— Tenho técnicas de concentração que podem ajudar — comento enquanto ele continua a acariciar meu robe.

— Preciso tomar uma ducha e me arrumar primeiro.

— Sem problema. — Fico de pé. — Volto no sinal de meia hora. Quando terminarmos, estaremos tão focados que vamos estar grudados nesses personagens.

Ele suspira e balança a cabeça.

— Que foi? — pergunto.

— Nada.

— Fala.

— Agora a imagem de você grudada em mim vai perturbar minha cabeça. É melhor você sair.

Começo a rir, mas a fome animal nos olhos dele me diz que ele está falando muito sério.

Ele se levanta e meu coração acelera.

Deus. Ele vai me jogar na parede. E vai grudar em mim.

Prendo a respiração enquanto ele se aproxima.

Para minha decepção, ele dá a volta ao meu redor e agarra a toalha no encosto da cadeira antes de seguir para o banheiro.

— Sai daqui, Cooper — ele diz sobre o ombro —, antes que eu esqueça por que deixei você com esse maldito robe. 


Às seis e quinze, o teatro está fervilhando. Há cartões de boa sorte e presentes espalhados por todo meu camarim. Meus pais enviaram um enorme buquê de flores com um cartão me dizendo quão orgulhosos estão e como gostariam de estar aqui.

Também queria que eles estivessem. Meu primeiro grande papel, e ninguém que eu amo está aqui para ver.

Sigo para o palco para dar a última verificada nos objetos de cena. Todo mundo que encontro me deseja boa sorte e nos abraçamos, mas não estou convencendo. Estou enjoada e meu nervosismo está cada vez pior, crescendo conforme a hora do espetáculo se aproxima.

Quando volto ao camarim de Jughead, parece que o sanduíche de frango que jantei está no meio de uma revolta do tipo O grande motim.

Respiro fundo e bato na porta. Chuck grita para eu entrar.

— Oi. — Fico parada na porta.

— Oi, doce Julieta — Chuck me cumprimenta quando termina de passar um pouco de pó no rosto. — O namoradinho está no banheiro.

— Ainda?

Escuto sons abafados de golfadas. Chuck faz uma careta.

— Ainda. — Ele se levanta e me abraça. — Boa sorte nos beijos esta noite.

Ele me dá um abraço solidário antes de fechar a porta atrás de si. Vou até o banheiro e bato.

— Vá embora — Jughead devolve com a voz fraca.

— Sou eu — aviso através da porta. — Posso entrar?

— Não. — Agora a voz falha. — Estou nojento pra caralho.

— Bom, estou acostumada com isso.

Abro a porta e entro no banheiro. O ar está tomado com o cheiro acre de bile. Quase me engasgo. Então, avisto Jughead caído contra a parede, seu rosto está pálido e brilhando de suor.

— Ai, inferno, você está bem? — Eu me abaixo na frente dele. — Você está um lixo.

Como uma triste demonstração da minha autoestima, eu ainda o considero incrivelmente atraente.

— Achei que você deveria me fazer sentir melhor. — Ele puxa as pernas contra o peito. — Se vai me ofender, posso ficar arrasado e nojento sozinho.

— Vou ajudar — respondo. — Mas é melhor fazer o que eu mandar. Sem perguntas.

— Tudo bem, tanto faz. Só faz o mal-estar passar.

Ele já está no figurino. Camisa branca de botões com as mangas enroladas. 

Os botões de cima estão abertos revelando uma quantidade perturbadora do tórax. Da cintura para baixo veste jeans e botas.

Agarro seu pé esquerdo e começo a desamarrar o cadarço.

Ele fica tenso.

— Que porra?

— Sem perguntas, lembra?

— Tá, mas essa regra começa depois que você me contar o que está fazendo.

— Preciso tirar seu sapato.

— Por quê?

— É outra pergunta.

— Cooper ...

— Porque preciso massagear seus pés.

Ele puxa a perna e balança a cabeça.

— Nah. Isso é contra as regras. Meus pés são nojentos.

— Tenho certeza de que eu aguento a visão.

— Tá, mas eu, não.

— Jughead  — suspiro, irritada. — Você quer arrasar esta noite ou quer ser uma grande droga e dar motivo para seu pai dizer que você está desperdiçando a vida?

O rosto dele despenca.

Eu me sinto mal por não jogar limpo, mas que diabos? Ele precisa superar isso.

Ele grunhe, frustrado, e estende o pé para mim. Então, acabo logo de desamarrar sua bota e tirá-la, junto com sua meia.

Por alguns segundos, eu apenas observo.

Seu pé é lindo. Perfeito. Ele podia ser um excelente modelo de pés.

Eu levanto o olhar e ele dá de ombros.

— São feios. Grandes demais. Dedos ossudos.

— Você pirou.

Coloco seu pé modelo no colo e ele vacila.

— Confia em mim, tá? Minha mãe é uma especialista em cada forma de terapia alternativa que existe, e ainda que eu ache que a maioria seja enganação, a reflexologia sempre funcionou comigo. Aprendi todos os pontos de pressão aos doze anos, então relaxa. Não vai doer. Muito.

Ele tenta recuar quando cravo os dedões nos pontos onde a parte anterior da planta de seu pé termina e o arco começa.

— Dói? — pergunto. Se um órgão está inflamado, o ponto de pressão pode estar sensível. É só perguntar ao meu ponto de pressão do útero durante meu período menstrual.

— Não — ele responde. — Eu... hum...

O quê?

Ele suspira e me encontra com um olhar.

— Não ouse me falar merda disso, mas tenho cócegas pra caralho, tá?

Eu seguro o riso.

— Cócegas?

— Sim.

— Você?

— Sim.

— Você, o bad boy que caga pra tudo?

Ele me olha feio.

— Ah, não fode.

— Viu?

Ele bufa e aperta a barriga.

— Continua com esse troço e pronto, vai.

Sorrio e o massageio novamente. Uma parte do meu cérebro registra que ele ter cócegas é uma graça, enquanto outra parte foca em deixá-lo num nível adequado para subir no palco em meia hora.

Sua respiração desacelera depois de algum tempo.

— Está fazendo diferença? — pergunto ainda massageando todo seu arco, acertando pontos de seu intestino, cólon e pâncreas.

— Sim — ele suspira. — A cólica está melhorando um pouco.

Faço movimentos giratórios com meus dedões e seu pé fica mais pesado enquanto ele relaxa.

É um pé grandão. Meu cérebro busca a história que ouvi uma vez sobre o tamanho do pé estar relacionado ao tamanho do pênis.

Tento me concentrar no que estou fazendo. Pensar no pênis dele agora

poderia acabar em desastre.

Continuo por mais alguns minutos até que ele relaxa por completo. Então, coloco de volta sua meia e a bota, e o observo amarrar os cadarços.

— Valeu. — Ele me dá um sorriso agradecido. — Tô melhor.

— O suficiente para sair deste banheiro fedido?

— Sim. — Ele fica de pé e caminha até a pia, onde há escova de dentes, pasta e um frasco de antisséptico buscal. — Hum... só me dá um minuto, tá? Não quero que você beije alguém que tenha gosto de sanduíche de peru regurgitado.

Lavo rapidamente as mãos antes de ele me fazer sair. De volta ao camarim, eu me jogo no sofá enquanto escuto a lavagem bucal mais completa desde que a escova de dentes foi inventada. Ele termina com um gargarejo que bate recorde mundial em duração. Balanço a cabeça quando percebo que até um gargarejo soa sexy vindo dele.

Estou claramente perturbada.

Por fim, ele ressurge, com cheiro de menta fresca. Faço sinal para que ele se sente de pernas cruzadas no chão.

Ajudá-lo me acalmou um pouco, mas ainda não tenho certeza de que vou fazer uma boa apresentação esta noite.

Como se pudesse sentir minha aflição, Jughead aponta para meus pés.

— É... você quer que eu faça... você sabe, em você... ou algo assim?

Ele parece tão desconfortável com a ideia que quase respondo sim só para torturá-lo.

— Vai passar. Não temos muito tempo. Vamos simplesmente nos concentra para subir no palco e arrasar.

Ele assente, e parece grato.

Digo a ele para fechar os olhos e focar numa imagem que considere relaxante. Tento visualizar um lençol branco balançando ao vento. É o que a Mery l Streep usa para se acalmar. Geralmente, funciona bem para mim, mas não esta noite.

Estou atenta demais à presença de Jughead. Seu cheiro e energia fazem meu corpo pulsar e tremer, estragando qualquer chance de eu encontrar paz.

Não acho que ele esteja indo muito melhor, pois sua respiração está entrecortada e irregular. Ele grunhe de frustração.

— Isso não está funcionando.

Abro os olhos. Está me encarando.

— Você está perto demais e longe demais.

Logo em seguida, a voz do produtor fala pelo interfone: “Senhoras e senhores da Companhia Romeu e Julieta, esta é a chamada de quinze minutos. Faltam quinze minutos para entrarem em cena. Obrigado”.

Estou certa de que meu rosto é a definição do pânico.

Não estou pronta. Nem perto disso. Estou sem concentração e sem personagem.

Onde diabos está Julieta? Não consigo encontrá-la.

Fico de pé e começo a andar de um lado para o outro.

— Devíamos ter começado antes. Estamos aqui a tarde toda, pelo amor de Deus!

— Cooper, se acalma. Nós vamos conseguir.

A voz dele está incrivelmente tranquila.

— Não, não vamos — respondo balançando as mãos e girando a cabeça. — Não temos tempo o suficiente.

— Só respira.

Caminho até a porta e pressiono minha testa contra ela enquanto tento dar ritmo à respiração. Posso visualizar a plateia tomando seus assentos, folheando os programas, cheia de empolgação e ansiosa por uma apresentação que não vai ser uma droga. Eles vão se decepcionar.

— Preciso ir. — Pego a maçaneta.

— Pra onde?

— Pra longe, preciso fazer... ioga... alguma coisa. — Giro a maçaneta.

Ele cobre minha mão.

— Cooper, para.

Abro a porta, mas ele a fecha com um baque.

— Jughead! Abre a porta!

— Não. Acalme-se. Você está surtando.

— Claro que estou surtando! — Viro meu rosto para ele. — O espetáculo começa em menos de quinze minutos e não tenho ideia do que diabos estou fazendo!

— Cooper...

Suas mãos estão nos meus ombros. Eu o ignoro.

— É meu primeiro papel grande. Erika disse que diretores e produtores da Broadway vão estar na plateia.

— Para... — Ele emoldura meu rosto com suas mãos. Eu o ignoro.

— Há críticos lá, pelo amor de Deus! Eles vão dizer que matei o espetáculo.

Eu. Matei bem matado.

— Betty... — Ele acaricia minhas bochechas. Eu o ignoro.

— Eles vão publicar coisas sobre quão terrível eu sou, o mundo todo vai ver que farsa eu sou...

Então ele me beija.

Isso eu não posso ignorar.

Ele pressiona seu peso contra o meu, grunhe enquanto suga gentilmente meus lábios. Inspiro devagar enquanto meu corpo todo ganha vida. Escuto meus gemidos, então o beijo de volta, frenética e desesperadamente tentando encontrar consolo na sua deliciosa boca.

Ele gela antes de se afastar e me olhar em choque.

— Ah... merda.

Estamos ambos respirando pesadamente, olhando um para o outro.

— Você me beijou.

— Eu não queria. Você estava surtando. Eu queria fazer você parar.

— Colocando a língua na minha boca?

— Não usei a língua.

— Ainda estou surtando um pouquinho. Talvez um pouco de língua seja bom.

Ele suspira e baixa o olhar. Suas mãos ainda estão no meu rosto, seu corpo pressionado contra o meu.

— Jesus. Acabei de perder nossa aposta.

— Sim, perdeu.

— Foda-se.

— Se você insiste.

Ele se afasta e passa a mão pelo cabelo.

“Senhoras e senhores. Esta é a chamada de dez minutos. Obrigado.” O pânico toma conta de nós outra vez.

Precisamos fazer alguma coisa. Agora.

— Tive uma ideia maluca.

— Tem a ver com a sua língua?

— Não.

— Droga.

Ele pega meu braço.

— Vem cá. — E me leva para o sofá.

Ele se senta e me puxa em direção a ele. Entendo o que está tentando fazer e me ajoelho sobre seu corpo, que se posiciona entre as minhas pernas. Então, afundo nele. Quando nossos corpos se conectam, nós dois soltamos suspiros e grunhidos.

Enterro meu rosto em seu pescoço e apenas respiro, e de repente cada grama de pânico se esvai.

Ele solta um gemido e me abraça mais forte.

— Melhor exercício de concentração do mundo — murmuro na pele dele.

Passo meus dedos no seu cabelo e massageio seu couro cabeludo. Ele sussurra e se ajeita embaixo de mim enquanto seu quadril me pressiona.

— Porra... isso.

A agitação do meu estômago se esvai, substituída por uma expectativa ardente.

Ele me aperta mais forte e eu me impressiono com o nosso encaixe perfeito.

Ele sabe como me abraçar e eu sei como acalmá-lo. É instintivo. Nossos corpos se comunicam sem precisar de uma palavra sequer.

Não faz sentido não estarmos juntos. Eu queria saber o que o impede.

— Vai me contar sobre sua ex?

— Qual delas?

— Qualquer uma.

— Não estava planejando fazer isso.

— Então você nunca mais vai namorar?

— Esse é o plano.

— É um plano idiota.

Seus braços me apertam.

— Melhor que machucar alguém de novo.

— Nada disso, Romeu — retruco usando uma das falas de Mercúcio —, tem de dançar.

Ele acaricia minhas costas.

— Não eu. Acredite em mim, você tem alma leve e dança com facilidade. Eu tenho uma alma de chumbo que me prende ao chão, então não posso me mover.

O interfone estala novamente.

“Senhoras e senhores, esta é a chamada de cinco minutos. Cinco minutos. Obrigado.”

Ficamos aninhados, alimentando nossa energia o máximo que podemos. Quando a próxima chamada vem, eu me sinto como se fosse parte dele. 

Estou estranhamente calma.

“Senhoras e senhores da Companhia Romeu e Julieta, esta é a chamada para o palco. Por favor, assumam suas posições para o Ato Um. Obrigado.” 

Nós nos soltamos um do outro sem dizer nada e ficamos de pé. Ele pega minha mão antes de abrir a porta do camarim e nos conduzir escada abaixo.

Nos bastidores, estão todos em suas posições. Tensão e expectativa tomam o ar. Algumas pessoas olham para nós enquanto passamos, e levantam as sobrancelhas quando percebem que Jughead está segurando minha mão.

Não me importo. Me sinto como um transformador elétrico, zumbindo de energia. Olho para Jughead e seu rosto parece calmo, porém intenso. Ele tem o ar de um super-herói, feito de força bruta e poder disfarçado. Meus dedos pulsam com o seu toque, e sei que estamos prontos. Nossos personagens simplesmente pairam sobre nós, esperando para nos habitar assim que subirmos ao palco.

Então, a luz muda. E há silêncio para ouvirmos as frases de abertura do prólogo.

“Duas casas, iguais em seu valor, em Verona, que a nossa cena ostenta, brigam de novo, com velho rancor, pondo guerra civil em mão sangrenta. Dos fatais ventres desses inimigos nasce, com má estrela, um par de amantes.”

Enquanto suspiro de empolgação, Jughead me puxa para um canto escuro atrás de uma cortina e se vira para mim. Meu Romeu está em cada centímetro dele.

— Preparada? — ele pergunta baixinho.

— Incrivelmente — respondo com absoluta confiança.

Escuto os sons dos garotos Montecchio e Capuleto lutando, e sei que está quase na hora da sua entrada.

Ele me encara, os olhos estão brilhando com as luzes do palco.

— Eu também. Vamos mostrar um Romeu e uma Julieta que eles nunca vão esquecer.

Tudo que consigo fazer diante daquela imensa beleza que eu jamais tinha visto é assentir.

Ele me deixa para tomar seu lugar no palco iluminado, e, de repente, a fantasia é real.


Notas Finais


Desculpem qualquer erro.

Beijinhos ❤


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