História Meu Romeu - Capítulo 2


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jimin, Jungkook, Personagens Originais, Suga, V
Tags Drama, Mençãosuicidio, Romeuejulieta, Suji, Yoonmin
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Palavras 6.098
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Voltei com mais um capítulo me Meu Romeu aaaaaaaaaaaaaa Fico feliz com a recepção que esse novo projeto teve, obrigada por cada comentário e favoritos TUDO ISSO EM UM CAPÍTULO AAAAAAAAA SOCORRO, amo vocês <333

AVISO SÉRIO, COLA AQUI RAPIDÃO: esse capítulo aborda alguns temas pesados e que podem ser um gatilho, repito a mesma coisa que disse no capítulo anterior: se você acha que pode ser afetado sobre assuntos desse tipo (todos estão nas tags, caso tenha dúvidas) NÃO LEIA. Priorize sua saúde emocional.

Espero que gostem desse capítulo!

Boa leitura!

Capítulo 2 - Morte


 

ATO II — Morte

 

 

A morte deles também estava ali, implícita no início da história dos amigos ambiciosos, embrenhada entre as linhas vermelhas do destino que ainda pareciam tão indefinidas. Ela esperou silenciosa e traiçoeira pelo seu momento, tentando aqueles que mantinham esperanças a pisarem no terreno árido do desespero emocional pela primeira vez. Abalou as estruturas do conto de fadas de Jimin e Yoongi, e assim como o final trágico da maior história de amor do mundo, despejou ali a dose de veneno necessária para o último suspiro. A inocência havia ido embora, deixando para trás rastros do que antes costumava ser repleto de esperança. O espaço vazio entre o final da adolescência e vida adulta era preenchido por dor, a mais intensa que alguém poderia sentir; a dor da decepção e impotência, de querer salvar o que estava fadado ao fracasso desde o início.

O que machucava mais era lembrar que eles sabiam daquilo. Eles sabiam e insistiram porque havia algo a mais pulsando dentro deles, a vontade de mudar e querer o melhor que o amor pregava.

Mas tudo era passageiro, e em um último ato de desespero, eles descobriram aquilo da pior forma possível.

 

CENA II

Park Jimin

 

 

Demorou para acordar. Era difícil respirar, seus pulmões pareciam insuficientes para receber a quantidade necessária de oxigênio. Seus ossos doíam, os músculos queimavam e sua garganta seca arranhava toda vez que tentava engolir a própria saliva.

Jaehyun estava ali. Seu pai o analisava do outro lado do vidro com os olhos marejados, parecendo ansioso para poder vê-lo. Jimin tentava associar tudo o que havia acontecido dentro de sua cabeça, mas não conseguia com aquele zunido intenso ecoando dentro de seu ouvido. Era enlouquecedor, o fazia querer dormir novamente. Deixou que algumas lágrimas caíssem, o tubo enroscado em sua garganta o trazia náusea e tudo parecia uma bomba prestes a explodir; as máquinas apitando, sua respiração soando pesada ao redor, os médicos de jaleco branco andando de um lado para outro, monitorando suas reações... e então veio ele.

Yoongi.

Preencheu seus pensamentos com força, as lembranças de tudo o que havia acontecido deixando-o em desespero imediato. As batidas do coração aumentaram, alguma coisa apitava com mais velocidade nas telas pequenas ao lado da maca. Precisava vê-lo, precisava dizer que estava tudo bem, que estava vivo e que o plano daria certo, porque seria sua última cartada. Fugiriam daquela vida juntos, prontos para tentar construir uma nova e só deles, onde pudessem viver o amor que sentiam sem precisar escondê-lo.

Mas tão rápido e repentino quanto acordou, ele dormiu novamente.

 

↣♡↢

 

Na segunda vez, haviam menos fios conectados ao seu corpo. Conseguiu beber água sozinho. Suas pernas fraquejaram quando tentou movê-las, e não demorou muito para descobrir que aquilo era devido aos meses que passou sem usá-las. Meses. Cinco meses após dois dias de coma induzido, dormindo e recuperando-se do traumatismo craniano. Mesmo que forçasse a memória, não conseguia entender com clareza o que havia acontecido naquela noite para o carro capotar.

E mesmo que desse seu máximo para a recuperação nas semanas seguintes, não conseguia parar de pensar em Yoongi. Em como ele estava, se sentia saudades, se havia ido vê-lo pelo menos uma vez. Queria ouvir sua voz, sentir seu abraço. Mas sua consciência lhe traía e após poucos minutos acordado, acabava dormindo por causa do efeito dos remédios fortes que tomava.

 

↣♡↢

 

Annie tinha uma voz bonita. Jimin notou aquele detalhe quando ela o visitou pela primeira vez após conseguir andar e falar normalmente. O timbre feminino era baixo, contido. Ela sorria enquanto lhe dizia que tudo ficaria bem. Talvez não fosse tão ruim quanto imaginava. Era uma boa pessoa, poderia até ajuda-lo a ligar para Yoongi – porque ninguém lhe emprestava um celular sequer para tentar. Por isso deu seu máximo para sorrir e convencê-la a ser sua aliada.

— Não posso, Jimin. — ela disse seu nome com o sotaque forte nova iorquino. — Seus pais proibiram todo mundo de te emprestar o celular. É bom para a sua recuperação estar concentrado apenas ao que acontece no hospital.

Era o que Annie havia respondido naquele fim de tarde. Jimin respirou fundo, sem saber como controlar a vontade súbita de chorar. Queria pelo menos ouvir a voz do homem que amava. Precisava daquilo, mas apenas aceitou o abraço de sua noiva enquanto soluçava, revirando dentro de si todo o sentimento sincero que sentia pelo outro. O desespero por causa da distância entre eles corroía seu corpo, sua vontade de continuar persistindo firme no tratamento de recuperação começava a ser negligenciada de seus objetivos. Doía, percorria seu coração com ondas intensas de mágoa e impotência.

No dia seguinte, quando seu pai entrou pela porta sem a companhia de sua mãe, Jimin sabia que estava a um passo de ter uma conversa séria. O homem de meia idade possuía marcas leves do tempo no rosto, deixando-o com feições joviais e bem conservadas, a pele limpa de barba. O olhar inflexível agitando certo medo dentro de Jimin.

— Soube que está querendo saber notícias de seus amigos em Seul. — foi a primeira coisa que disse quando sentou na poltrona ao lado da cama. Seus olhos analisavam o filho com seriedade, esperando por qualquer resquício de vacilo em suas reações. Jimin sabia daquilo, portanto deu seu melhor em esconder a raiva que sentia cada vez mais latente dentro de si.

— Taehyung... ele está bem? — questionou baixo, tentando controlar o ritmo agitado que o coração havia adotado naquele instante.

— Talvez. Ele liga para saber notícias sua uma vez por semana. — Jaehyun empertigou o corpo sobre o estofado, olhando-o com seriedade antes de continuar. — Nunca gostei de sua amizade com ele. Sabe que ele é sobrinho do Min. Deveria aproveitar que vai ficar aqui agora para dar um basta nisso tudo.

— Não posso simplesmente encerrar uma amizade. — Jimin respondeu seco, segurando a vontade de gritar em frustração. Sentia-se sempre pequeno perto do pai, incapaz demais. Insuficiente para ser um bom filho. — Não é como encerrar um dos seus casos e arquivar.

— Pois deveria ser. — o mais velho respirou fundo, projetando o tronco em direção a cama. Jimin não quis sequer virar o rosto para retribuir e permaneceu olhando para a tv desligada na parede oposta. — Eu sei que quer falar com seus amigos, mas com o tempo vocês vão se separar. É um processo natural. Vai deixar a adolescência para trás e iniciar uma nova vida, com novos pensamentos.

— Nem todo mundo é como você e o senhor Min. — tomou coragem para encará-lo, sentindo os olhos arderem pela vontade de chorar. Não adiantava querer pagar de bom pai a partir dali quando nunca se preocupou em tentar antes. O acidente não anulava as marcas que ele já havia deixado em seu coração. — Nem todo mundo se odeia como vocês dois.

Os segundos que se passaram eram regados de um silêncio frio. Totalmente distante, assim como o olhar de Jaehyun sobre o filho. Havia algo desafiador em suas feições a partir daquele momento, algo que confrontava Jimin de alguma forma. O tempo passou lento demais, o tic tac do relógio ao lado da cama pareceu uma sentença. O que viria a seguir? O que aquela falta de palavras escondia? Era como se um mundo inteiro de acusações estivesse prestes a sair da boca do próprio pai. Jimin sentia o corpo estremecer em medo. Tocar naquele assunto sempre o deixava com a sensação de algo entalado na garganta, a vontade avassaladora de ir contra aquele olhar firme que o encarava, o pomo de adão engolindo a raiva visivelmente contida antes de lhe responder.

— Está se referindo ao filho deles, Min Yoongi? — mais silêncio. Por longos segundos. A acusação surtira efeito, bastava que o réu a assumisse. Jimin retesou o corpo, engolindo em seco. Até respirar tornava-se difícil. — Tem algum tipo de contato com ele? — havia um brilho diferente percorrendo os olhos de Jaehyun. Uma hostilidade gratuita que Jimin levou como limite enquanto pensava em uma resposta. Não poderia colocar tudo a perder. Não naquela altura do campeonato, após tantos meses sem notícias. Seu coração ainda pulsava por Yoongi, bombeava amor genuíno para todo o seu corpo, dando-lhe vitalidade para se recuperar e procurá-lo. Iria até o inferno caso fosse necessário, até estar ao lado do homem que amava. — Não se atreva, Park Jimin... não se atreva, nunca mais, a tocar no nome desse garoto. — Jaehyun concluiu entredentes.

— Eu nunca falei com ele antes. — deu seu máximo para mentir, sendo sufocado cada vez mais pela sensação de claustrofobia que tomava conta de seus pensamentos, o corpo tremendo com mais intensidade. Era mais uma das crises de ansiedade chegando, era por causa delas que ainda estava naquele maldito hospital. Pensar em Yoongi o acalmava, mas naquele momento tornava-se uma tortura sob os olhos do outro.

— Seja lá o que tenha acontecido, tenha em mente que não vai continuar. — Jaehyun levantou-se como se nada tivesse acontecido, ajeitando o terno e dando um último olhar no filho. — Yoongi cometeu suicídio na semana em que você entrou em coma natural.

Vazio.

Jimin sentiu vazio por alguns instantes. Desacreditado, um nó se formando em sua garganta. Ele precisava continuar mantendo aquele disfarce, não poderia colocar tudo a perder ali, mas aquela notícia fora como uma facada em seu coração. Sentia como se alguém apertasse o músculo vital que insistia em pulsar, pressionando e pressionando até não sobrar nada. Nem sangue, nem sentimento. Só dor.

Então sucumbiu ao desespero, o mais profundo que já sentira até ali.

As lágrimas não saíam, a voz inconformada não pronunciava nada, nem mesmo sua mente trabalhava de forma correta. Tudo o que conseguia fazer era encarar a parede branca com a boca entreaberta, o estômago revirando-se em ânsia, o coração batendo pesado demais, machucado demais. Não poderia ser verdade. Não. Não o seu Yoongi. Ele jamais tentaria algo como aquilo.

— Está mentindo. — a voz soou esganiçada, quebrada pelo choque da notícia. — Está mentindo pra mim... — acrescentou dolorosamente. Olhou para o pai e notou suas feições vacilarem por alguns segundos.

— É a notícia que chegou até mim. — o timbre soou com um pingo, uma gota pequena de empatia que jamais seria o suficiente para acalentar o coração estraçalhado de Jimin. — Não soube se teve algum enterro. Desde o acidente eu estou aqui em Nova York. Acho que meu ódio pelos Min é conhecido demais para que alguém me dê mais notícias além dessas. Também não vi nenhuma manchete no jornal, se quer saber. — acrescentou com a voz um pouco mais tenra. Jimin queria chorar, gritar e bater em alguém, mas não conseguia nem se mover.

Yoongi não poderia ter morrido.

Era mentira.

— Vou chamar algum médico, você está pálido. — avisou pouco antes de sair do quarto.

Jimin passou o resto do dia daquele jeito. Sua mãe tentou falar consigo, seu pai, Annie e os psicólogos que cuidavam de si desde que havia acordado. Ninguém conseguiu uma resposta.

 

↣♡↢

 

— Ele não está morto. — Taehyung murmurou baixo do outro lado da linha, a voz cansada por ter sido acordado durante a madrugada. — Sequer tentou o suicídio. Isso tudo é coisa dos pais dele. Depois que ele teve uma crise e surtou, disse que estava apaixonado por você e que precisava te ver. Foi uma semana depois do seu acidente. Você sabe como meus tios são; disseram que Yoongi estava louco, atormentado. Foi obrigado a sumir, ir para uma clínica de reabilitação como se estivesse doente. — Jimin chorou pela primeira vez em dois dias, desde que recebera a falsa notícia. Queria acreditar que estava chorando de alívio, mas saber daquilo doía mais ainda em seu coração. Saber que, de alguma forma, era responsável por tudo aquilo também. — Ele está lá desde então. Não pode receber visitas. É como se estivesse enterrado... ninguém fala sobre isso. Nem mesmo os pais. O irmão mais novo dele me disse uma vez que Yoongi estava quase conseguindo alta. Se quiser posso tentar entrar em contato com ele.

— Eu não sei se vou conseguir te ligar novamente. — Jimin respondeu com a voz trêmula, os olhos inchados pelo choro. Sentia-se tão pequeno perante aquela situação que doía em sua alma, corroendo sua essência, matando-o aos poucos. — Foi a Annie que me emprestou esse celular escondido. — olhou para a garota sentada na poltrona, sentindo o olhar pesaroso dela sobre si. Mesmo sem saber o que ele estava falando ou o motivo de todo o choro, ela exalava nas atitudes e presença uma empatia grande; provando que era uma boa pessoa, tão vítima quanto ele naquele casamento arranjado e injusto. — Me passa um endereço de confiança para mandar uma carta. Espero que consiga entregar para ele, Taehyung. Espero poder falar pessoalmente com você em breve. — acrescentou.

Depois de encerrar a chamada, Annie o abraçou. Jimin chorou, soluçou e contou toda a verdade para a garota de olhos azuis. Era a única pessoa que poderia confiar naquele lugar. Ela apenas maneou positivamente a cabeça, pedindo desculpa pelas decisões dos próprios pais. Não era o certo, tão jovens e obrigados a uma vida que não queriam. Nem mesmo o carinho e cuidado que recebera dela parecia acalentar sua dor. Ele estava sendo afogado pela culpa de tudo o que estava acontecendo.

Pensou em Yoongi, no que ele poderia estar passando. No sofrimento que sentia todas os dias, sendo tratado como doente por amar alguém genuinamente. Queria poder tirá-lo de lá, fugir junto dele para uma vida melhor, mas sabia que não poderiam. Não eles, fadados a escolhas de terceiros, com um oceano os separando.

O amor não machuca. Ele não pesa, não é trágico, não dói. E Jimin sabia que aquilo tudo o que sentia não era culpa do sentimento que nutria. Mas precisava manter-se firme em sua decisão. Precisava agir com racionalidade. Levaria aquilo como temporário, um coma induzido para o amor que sentiam, até que estivessem bem o suficiente para se entregarem um para o outro novamente.

Aceitar a realidade machucava. Crescer machucava. Escrever aquela carta machucava.

Mesmo quando pensava em Yoongi, não era o suficiente para aterrar as consequências ruins. A liberdade não aplacava o senso de realidade. Mas ele deu seu melhor naquela madrugada, enquanto escrevia aquelas palavras no papel branco torcendo para que Annie conseguisse enviá-la o mais rápido possível. Completamente destruído pela tragédia do amor tão certo, mas que aconteceu na hora errada.

 

Me perdoe por não poder tirá-lo daí agora. Me perdoe por tudo o que aconteceu.

Lembra quando me disse que Shakespeare te lembrava tragédia? Nunca imaginei que poderíamos sofrer por tamanho infortúnio, meu amor. A nossa tragédia não é a morte do corpo, mas sim a da alma. Estar sem você é doloroso, mas estar lutando por nós agora é como usar uma adaga e voluntariamente assassinar qualquer chance que possamos ter.

Espero que me perdoe por ser tão egoísta. Espero que saia logo deste lugar e que possa viver da forma como puder sua liberdade, assim como viverei a minha. Um dia estaremos livres para lutarmos pelo nosso amor.

Apenas espere o efeito deste veneno que nos paralisa passar.

Eu te amo.

“Ó boticário veraz e honesto! Tua droga é rápida. Deste modo, com um beijo, deixo a vida.”

 

↣♡↢

 

Acordou subitamente durante a madrugada, demorando para se situar no ambiente. Annie dormia tranquilamente ao seu lado, o corpo pegando quase todo o cobertor. As imagens do sonho passavam por sua cabeça, lembranças do que havia acontecido cinco anos antes.

Yoongi costumava dormir como sua esposa; corpo encolhido, respiração calma e lábios entreabertos. Ele também costumava lhe dar um beijo simples assim que acordava, como ela. Eles partilhavam de muitas semelhanças, mesmo que houvesse uma diferença enorme entre elas quando borbulhavam em seu ser. Annie o acolhia, o acalmava e trazia a sensação de estar em casa. Yoongi o despertava, o amava intensamente e trazia a sensação de eterno.

Jimin estava cansado de compará-los toda vez que sonhava com seu passado. Não queria insistir em tocar na ferida e abri-la novamente pelas bordas que ainda não haviam cicatrizado, mas era incrível como Yoongi continuava aparecendo em seus sonhos, às vezes como lembrança, outras como expectativas do que poderia ter acontecido.

Ele não respondera a carta que enviou quando estava se recuperando do acidente. Taehyung disse que a deixou nas mãos do irmão dele, que o garoto era de confiança. Semanas depois, quando saiu do hospital e sem uma resposta sequer, Jimin entendeu. Talvez Yoongi não o quisesse mais. A clínica de reabilitação o tratava como doente por amá-lo, corrompendo de suas veias o amor que sentia por si como se ele fosse uma droga destrutiva. Yoongi estava certo, procurando sua cura, sua fuga daquele lugar terrível. E se ela seria encontrada estando longe de si... então tudo bem.

Doeu, sangrou até enfraquece-lo emocionalmente. Jimin chorou por dias até entender que aquele era o fim, que seu veneno temporário era fantasioso demais para lidar com a vida real. A ingenuidade da adolescência passara à força, lapidando com brusquidão o que ele se tornava como adulto, limitando a alma ao mesmo tempo em que lhe dava uma chance de respirar fundo e seguir em frente.

Então era aquilo. Aquelas eram as consequências cruéis de amar aquele que deveria ser seu inimigo.

Jimin ajeitou o corpo mais próximo da esposa e tentou dormir novamente. Sua mente continuava naquele turbilhão de pensamentos enquanto o coração batia pesado, como sempre acontecia ao se lembrar da única pessoa que havia amado verdadeiramente em toda sua vida.

 

↣♡↢

 

O destino era encarregado de colocar objetivos finais nos caminhos de todas as pessoas. Algumas possuíam finais gloriosos, outros importantes de seu próprio modo, afetando apenas seus protagonistas.

Jimin sabia que, até então, trilhava um caminho duplo. Sua esposa o analisava com os olhos marejados, a voz trêmula. Notou que a partir daquele momento, suas escolhas seriam solitárias. Ele não a culpava por não amá-lo, porque era recíproco. Eles se respeitavam mutuamente e foram o suporte um do outro, portanto, aquela ruptura doeria apenas naquela parte do cotidiano de ambos.

— Me desculpe por ter implorado para que se casasse comigo naquela época. — Annie respirou fundo, o nariz vermelho pelo choro. Seus olhos azuis estavam carregados de culpa, uma culpa que se acumulava a cada toque conveniente em locais públicos, a cada beijo frio que trocavam durante o sexo que raramente acontecia. A cumplicidade entre eles era fraternal demais para que se deixassem passar do limite. Soava errado, sujo. E Jimin enxergava aquilo na figura destruída em sua frente. Destruída pelos anos perdidos ao lado dele, impostos pelos pais como uma pena carcerária. A boa convivência nunca iria se sobrepor ao sentimento de serem prisioneiros. As paredes frias do apartamento na cobertura de Manhattan não eram quentes o suficiente para trazer a sensação de lar. Os cabelos curtos e despenteados da mulher em sua frente, que no início eram loiros e cheios de vida, naquele momento pareciam fracos e opacos. Tudo neles gritava para que parassem logo, antes que o pior acontecesse, antes que não houvesse mais saída. — Meu pai precisava daquele acordo, ele estava depressivo por causa da ideia de perder tudo, e eu me deixei levar por causa disso. Eu me arrependo tanto, tanto... — a voz soou sussurrada, dolorosa e sem um fio sequer de esperança.

— Tudo bem, você sabe que eu não te culpo por isso. — Jimin respondeu sério, projetando o tronco para mais perto de Annie até que conseguisse pegar em suas mãos frias. Eram amigos, apesar de tudo. Bons amigos. — Precisamos fazer o que era o certo.

— Meu pai vai querer fazer perguntas... — ela suspirou cansada, os lábios trêmulos pelo nervosismo. — Vai querer saber o motivo.

— Apenas diga que nos separamos porque não deu certo. Algumas pessoas não nascem para ficarem juntas. — a imagem de Yoongi apareceu repentinamente em sua cabeça, como um fantasma assombrando os resquícios fragmentados do amor que ainda nutria por ele.

— Você ainda o ama. — Annie afirmou com um sorriso terno. — Ei, não me olhe assim. — ela riu fraco. — Aprendi a interpretar o que seus olhos dizem, Jimin. E eles sempre disseram que você nunca o esqueceu. O que sentiam era forte demais e com o tempo comecei a ter inveja de vocês. Queria poder sentir algo assim por alguém também. — mais algumas lágrimas desceram por sua bochecha, grossas e pesadas o suficiente para que Jimin começasse a chorar. — Um amor tão intenso que estagnou dentro de vocês, fincando raízes.

— Me desculpe por não ser a pessoa que pode te proporcionar isso.

— Não peça desculpas. Mesmo com tudo o que aconteceu, com nossos erros... somos vítimas. Talvez, se tivesse realmente fugido e tentado encontra-lo, Juliet não existiria.

Jimin sorriu, o típico sentimento de paz tomando conta de seu coração ao pensar na filha. Não se via mais sem ela. Sua pequena era tudo o que mais importava para si.

— Tem razão. — respondeu baixo, controlando o choro. Apertou as mãos de Annie contra sua palma e olhou de relance para as alianças douradas uma ao lado da outra sobre a mesinha de centro da sala. Aquela decisão havia sido tomada desde o nascimento de Juliet, quatro anos antes, mas tentaram dar o máximo para fazer aquilo dar certo por ela. Após avaliar os quase dez anos casado, Jimin riu fraco ao constatar que mais uma vez havia fracassado em sua vida amorosa. — Eu só posso agradecê-la por ser uma mãe maravilhosa e esposa incrível. Obrigado por ser a melhor companheira que eu poderia ter nesses dez anos. — beijou carinhoso o nó de um dos dedos dela. — Vamos conseguir superar isso e criar nossa filha com todo o amor que pudermos dar.

Annie aconchegou o corpo ao de Jimin, ambos se mantendo presos naquele abraço por longos minutos.

Uma nova fase começaria em sua vida.

 

↣♡↢

 

— E como vai nas aulas de karatê? — Jimin perguntou curioso, dando uma última olhada em um processo no computador.

— Sou a melhor de todas. — Juliet respondeu animada, a voz aguda mudando aos poucos com o início da infância. — A professora disse que vai me deixar fazer a prova para conseguir a faixa preta.

— Nossa, isso é muito bom! Vou poder assistir?

— Sim. Eu ‘tô nervosa sobre isso, mas- espera, mãe? — começou a falar com outra pessoa e Jimin aguardou pacientemente para continuar a conversa. — Mãe, eu ‘tô falando com o pai. O que aconteceu? — alguns segundos depois, o telefone foi passado para Annie. Jimin franziu o cenho, estranhamente nervoso quando ouviu a voz dela.

— Jimin?

— Annie? Aconteceu alguma coisa? — havia notado a voz aflita de imediato. Ajeitou o corpo sobre a cadeira do escritório enquanto ouvia a resposta.

— Jimin, sua mãe acabou de me ligar. — ela começou com a voz séria. — Filha, me espera no carro, okay? Vou só pegar a chave. — suspirou antes de continuar. — Enfim, Jimin... ela tentou te ligar, mas seu celular estava dando como ocupado porque estava falando com a Juliet.

— Diz logo o que aconteceu, Annie.

— Min Doyoung. — Jimin sentiu o corpo gelar por alguns instantes, o nome trazendo-lhe uma sensação ruim na boca do estômago. Sentia raiva daquele homem após descobrir o que havia feito com o próprio filho. — Ele está morrendo. Em estado crítico por causa de um tumor. — tentou dizer alguma coisa nos longos segundos que se passaram, mas só conseguia pensar em Yoongi, no que ele poderia estar sentindo naquele instante. Doze anos haviam os separado, mas ele ainda pulsava em seu coração. — Seu pai foi falar com ele no hospital... ele pediu para avisar que o Doyoung quer te ver.

— Eu... O que? — não conseguia assimilar aquilo de forma coerente, sua cabeça estava completamente confusa.

— Acho que deveria ir até lá. Segundo sua mãe ele está pedindo perdão para quase todo mundo que o visita. — suspirou antes de continuar. — A culpa está batendo antes de partir.

Jimin encostou o corpo na cadeira, atônito demais para responder. Faziam doze anos que não voltava para a Coreia. Onze anos que não mantinha contato com os amigos de lá.

Não sabia se estava preparado para ver Yoongi mais uma vez caso o encontrasse.

 

↣♡↢

 

Pisar em solo coreano era estranho. As pessoas, as novas construções, tudo o deixava com uma sensação de que não pertencia mais àquele lugar. Havia saído dali com tanta esperança e vigor, um adolescente sonhador e apaixonado. Retornava como um homem feito, apenas.

Assim que chegou no hospital, sentiu que seu coração não acalmaria tão cedo. Primeiro, andar entre os Min era como pisar em um território hostil, os olhares frios em sua direção por causa de seu sobrenome eram cortantes. Não reconhecia nenhum deles, mas sentiu-se levemente alterado quando achou ter visto Yoongi.

Era óbvio que ele não estaria ali. Havia sido deserdado pelo próprio pai após fugir da clínica.

— Obrigada por ter vindo. — a senhora Min o analisava com um semblante quase assombrado. O tempo havia deixado suas marcas no rosto pálido dela e Jimin observou as bolsas escuras abaixo de seus olhos. — Ele quer muito falar com você e Yoongi, mas...

Jimin engoliu em seco ao ouvir aquele nome. Estava sendo pronunciado pela mulher que deveria ter sido sua sogra se tudo fosse diferente. De repente começou a pensar se Yoongi ainda lembrava dele, se ainda o amava, tais pensamentos repetindo e permanecendo dentro de si durante todos aqueles anos como um cd riscado. O amor que sentia por ele ainda estava ali, adormecido, prestes a explodir novamente. Bastava vê-lo mais uma vez, como aquela noite na sacada. Sentia como se estivesse pisando em um campo minado, onde cada passo deveria ser calculado para não sucumbir ao desespero antigo de não ter o homem que amava ao seu lado. As crises de ansiedade sempre apareciam quando Yoongi tornava-se o foco principal de todos os seus pensamentos. Deu seu máximo para respirar fundo e repetir mentalmente todos os exercícios que a psicóloga havia lhe dito; viva o agora, agora você precisa ver Min Doyoung, agora precisa agir de forma racional, você precisa viver o presente. O passado ainda pulsava intrínseco em suas memórias, mas o medo do futuro incerto parecia assombrá-lo quando uma nova crise de ansiedade começava. Estar ali acarretava inúmeras sensações dentro de si, a principal delas deixando em sua mente a pergunta que sempre tinha medo de confrontar. Será que conseguiria passar o resto de seus dias ao lado do homem que amava?

— Tudo bem. Onde ele está? — murmurou baixo no corredor parcialmente cheio pelos familiares.

— Venha comigo. — ela sorriu breve antes de dar mais alguns passos pelo corredor. Abriu uma das portas do final dele, dando espaço para que Jimin passasse e deixando-o sozinho no quarto.

O cheiro típico do hospital o deixava nauseado. Havia ficado tempo demais dentro de um para se sentir confortável naquele ambiente. Muitos aparelhos e monitores estavam ligados ao redor da maca, Doyoung estava coberto por uma manta fina até o pescoço. Jimin deu alguns passos para perto dele, sentindo o coração apertar ao notar suas semelhanças com o filho. Eram tão parecidos fisicamente, mas tão distantes emocionalmente que chegava a doer em si também. Permaneceu alguns instantes em silêncio, esperando ser notado. Tentou não focar seu olhar para a faixa branca que cobria todo o crânio dele, indicando que todas as tentativas de salvá-lo do tumor cerebral haviam sido feitas.

— Você veio mesmo. — a voz soou grossa e baixa. Nunca havia trocado uma palavra sequer com Min Doyoung, por isso tinha um pouco de receio sobre como aquela conversa fluiria. Olhando-o daquele jeito tão fragilizado, um fio de empatia tomou parte de seus sentimentos. Ele só queria redenção antes de partir e Jimin respeitava aquilo. — Achei que não chegaria a tempo. — sorriu breve, os olhos cansados analisando diretamente seu corpo retesado.

— Como pode ter tanta certeza que eu viria?

— Ah, Park... — ele não respondeu, apenas riu por breves instantes antes de continuar. — Eu queria muito ver o homem que destruiu meu filho. — Jimin sentiu os olhos lacrimejarem por alguns instantes, sem saber como reagir. Engoliu em seco esperando que ele continuasse, os braços cruzados rente ao tórax. — Eu não entendia como ele poderia amá-lo. São homens. Isso é nojento. Mas quando vi o estado dele após o seu acidente, pude entender um pouco do que sentiam. — fez uma breve pausa, o corpo mexendo-se sob o cobertor. — Era urgente, passageiro. Achei que o colocando em uma clínica tudo ficaria bem. Ele iria ser curado.

— Não é para mim que você deve essas explicações. — interrompeu sério, a raiva subindo por seu corpo aos poucos. Queria poder acreditar que Doyoung havia mudado, mas não era o que a conversa indicava. Queria gritar e perguntar o motivo dele ser tão insensível com o próprio filho, com o amor que sentiam, mas apenas respirou fundo e se controlou para não piorar o estado do outro.

— Eu sei, só... me deixa falar. Eu preciso falar isso com alguém. — ele continuou com um tom mais baixo, embargado pelo choro que ameaçava cair de seus olhos. — Achei que aquilo passaria e Yoongi seria liberto desse sentimento repugnante. Passei todos esses anos fingindo que ele não existe. Mas agora, percebo que morrerei sozinho. Meus dois filhos me odeiam. Seu pai, que era meu melhor amigo, me odeia. Eu preciso que você me prometa que não será como nós.

— O que? — Jimin perguntou mais agitado, pensando seriamente em sair dali.

— Eu e seu pai. Acho que nunca fomos amigos de verdade, porque uma discussão simples transformou tudo em ódio. — o olhar de Doyoung insistia em manter-se preso às reações de Jimin. — Não faça como nós dois. Não se odeiem.

— Eu não odeio o seu filho. E honestamente, acho que nunca te odiei também. — Jimin começou, as informações daquela conversa ainda tentavam fazer algum sentido em sua cabeça. — O que senti e ainda sinto é pena.

— Eu não queria ter brigado com seu pai, mas fui orgulhoso. E afastei você do meu filho, eu menti que ele havia cometido suicídio...

— Acha que isso muda alguma coisa agora? Acha que muda as consequências na vida das outras pessoas? — aumentou o tom de voz levemente, sentindo-se sucumbir à raiva. Por inúmeras noites sonhou confrontar o homem debilitado em sua frente, e mesmo que tentasse respeitar suas condições, ele parecia não facilitar. — Essa briga ridícula destruiu todos ao seu redor, como pode me chamar aqui, desmerecer o que aconteceu entre eu e seu filho e pedir para que não seja como você? Está pedindo redenção dos outros sem querer mudar o que é por dentro. Você continua sendo o mesmo homem de antes, Min Doyoung.

— Me escuta, Jimin. — ele tentou mover o corpo em sua direção e fez uma careta de dor pelo movimento brusco. Jimin respirou fundo e foi para mais perto dele, arrumando o travesseiro sob a cabeça enfaixada. — Eu só quero ajeitar as coisas do meu jeito. Ainda acho que o que sente pelo meu filho é errado, mas quero respeitá-los pela primeira e última vez. Quero que façam o que eu deveria ter feito com seu pai há muito tempo.

— Quer que eu procure o Yoongi e faça as pazes com ele, é isso? — questionou impaciente.

— Sim. Façam as pazes.

— Não nos odiamos para precisarmos disso. Só fomos obrigados por você e meu pai a nos afastar. — Jimin recobrou o autocontrole que estava começando a perder e amenizou o tom de voz. Era triste ver que mesmo depois de tudo aquilo, Doyoung continuava sendo homofóbico. Ele ainda desmerecia o sentimento do próprio filho a uma simples inconsequência adolescente e tratava algo que havia os destruído como uma simples briga. Distorcia tanto o amor puro que nutriam que Jimin começou a sentir nojo de estar no mesmo ambiente que ele. Algumas pessoas simplesmente não mudavam os próprios pensamentos, nem mesmo em leito de morte. — É triste saber que continua o mesmo. Espero que morra com a consciência limpa, mesmo que tenha limpado desse seu jeito mal feito.

Min Doyoung ficou alguns instantes em silêncio, chorando copiosamente. Jimin empertigou a postura, sem conseguir sentir culpa da forma como havia lidado com aquele assunto. Era algo que estava preso no passado dele há tempo demais para ter qualquer tipo de delicadeza além da obrigação de respeita-lo por sua debilitação. Só conseguia pensar em Yoongi, no que sentiria se fosse falar com o pai. O que ele havia sentido durante todos aqueles anos? O quão solitário foram seus dias e noites?

— Me perdoe por isso. — o enfermo murmurou baixo, a voz embolada pelo choro contido.

Jimin suspirou frustrado, buscando dentro de si um entre todos os sentimentos que se misturavam revoltos naquele instante. Olhou no fundo dos olhos do outro, sabendo que seria a última vez que os veria antes de responde-lo.

— Não é para mim que precisa dizer isso, mas acredito que sua intenção já é alguma coisa. Eu te perdoo, Min Doyoung.

E realmente havia perdoado.

Aquele homem havia reforçado as tribulações de tudo o que tinha vivenciado com Yoongi, mas ao contrário dele, ainda havia esperança para seu amor acordar.

 

↣♡↢

 

Não conseguia parar de pensar em Yoongi. Estava há dois dias em um hotel, porque seria torturante o suficiente permanecer na mesma casa que os pais. Passeou por alguns lugares, assistiu o noticiário local, deitou na cama e pensou em tudo o que havia acontecido enquanto olhava para o teto. Ainda que tentasse não procurá-lo era inevitável querer ouvir sua voz mais uma vez, saber o que havia acontecido.

Por breves instantes, sentia medo de ser o único que ainda possuía sentimentos. Sentia um desespero latente toda vez que imaginava que poderia ser ignorado pelo outro. Mas precisava saber como o tempo havia afetado a vida de Yoongi, o amor que sentia por si.

.

 

 

No dia seguinte, assim que acordou e criou coragem, pegou o celular e ligou para o hospital. Após uma conversa breve com a senhora Min, conseguiu o número que precisava para seu recomeço.

Taehyung atendeu após quatro toques, a voz grossa e séria deixou um sorriso saudosista em Jimin.

— Há quanto tempo, cara! Achei que te veria no hospital, mas você apareceu justo no dia em que não fui.

— Foi repentino mesmo, eu deveria ter avisado. — Jimin tentava conter o nervosismo por estar a um passo de entrar naquele assunto que evitara por tantos anos. Sentia como se estivesse buscando alguma coisa dentro de si durante aquele tempo, uma coragem, uma maturidade. E mesmo com os anos longe, o amor ainda pulsava dentro de si e queimava seu peito em expectativa.

— Não precisava, a gente acabou se afastando naturalmente e eu não culpo nenhum de nós dois por isso. — um silêncio confortável se formou depois disso. Jimin mordeu o lábio inferior, a ansiedade buscando fazer par com a racionalidade dentro de si.

— Na verdade eu também liguei porque... se você tiver... notícias-

— Do Yoongi? — Taehyung interrompeu com um tom de voz surpreso. — Faz muito tempo, Jimin. Ele quase não tem contato com a família, mesmo que eu insista em procurar por ele de vez em quando.

— Ele está bem? — era tudo o que queria saber, o que precisaria para tentar aplacar a decepção caso não conseguisse falar com ele. Ou, no pior dos casos, se fosse ignorado. Não queria pensar aquilo do outro, nem duvidar do amor que sentiram no passado, mas as pessoas mudam e Yoongi poderia ter optado por não querer mais saber de si.

— Está. Tanta coisa aconteceu... — Taehyung suspirou pesado do outro lado da linha, deixando-o apreensivo. — Acho melhor você falar com ele. Posso te passar o número se quiser.

— Eu quero. — respondeu rápido demais, praguejando internamente. Precisava dosar todo aquele alvoroço que borbulhava na boca do estômago.

— Te passo por mensagem, então. E, Jimin... Vamos sair para tomar uma cerveja? O Jungkook está insistindo aqui do meu lado que quer te ver pra te dar um murro na cara, não entendi muito bem... — acrescentou rindo alto, o som de um tapa ecoando através da ligação. Jimin sorriu breve. Eles estavam juntos, mas através de quais sacrifícios?

Nenhum deles conseguia simplesmente viver em paz sem ter que matar alguma parte de suas vidas em prol daquilo. No final, a morte os acompanhava para onde quer que fossem, paralela à vida, ao que permanecia intacto dentro de seus corações. Entretanto, ela fazia tudo valer a pena; a espera, o medo, o desespero e o tempo longe. O torpor da morte o motivava a procurar pela utopia do eterno.

Foi pensando nisso que Jimin encerrou a chamada após alguns minutos e tentou se recuperar. Criou coragem, buscando-a no fundo do coração para reavivar o que tanto ansiava desde o acidente.

 

Jimin: oi

eu realmente não sei como te dizer isso sem parecer loucura, mas sou eu, o jimin

podemos conversar?

 

 


Notas Finais


Okay, vamos as explicações: na história original, Julieta toma um veneno que deixa suas funções inativas por algum tempo e com isso, forja a própria morte (Jimin sofre o acidente e entra em coma), então Romeu, quando a encontra morta e sem saber sobre os planos dela, acaba cometendo suicídio com veneno de verdade (falso suicídio do Yoongi). Quando a Julieta acorda, achando que Romeu estaria a esperando, descobre que ele morreu e acaba se matando com um punhal (decisão do Jimin em manter distância do Yoongi descrita na carta). A partir disso, desenvolvi o enredo sem influência de Shakespeare porque Romeu e Julieta acaba na morte deles.

Passaram doze anos desde o acidente aaaaaaaaa Jimin tem uma filha <3 e a Annie não era uma vilã uashuash não sei se imaginavam esse desfecho pra eles, mas foi a forma que encontrei para lidar com as condições que o amor deles tinham, porque os pais deles eram homofóbicos, Jimin sofreu um acidente, Yoongi internado... enfim ksjs às vezes o tempo ajuda e eles precisavam amadurecer para saber lidar com tudo aquilo. No total, Jimin e Yoongi estão com 30 anos agora. Tentei fazer um paralelo entre a urgência do início do amor deles e a espera, gosto dessas contradições :')

Sobre o pai do Yoongi, eu precisava colocar a parte real. Nem sempre as pessoas mudam, mas isso não significa que elas podem parar a vida de alguém por causa de pensamentos arcaicos e homofóbicos. Yoonmin ficaram separados por anos, mas agora estão tendo a chance de voltar. E mesmo que o Doyoung tenha sido um babaca do começo ao fim, ele não conseguiu controlar a vida do Yoongi, porque ele fugiu da clínica e enfim, vocês leram.

[EDIT] Gente, só pra explicar certinho porque pode acontecer de alguém não ter entendido. Quando o Jimin acorda ao lado da Annie após sonhar com o Yoongi e tudo mais, ele está casado há cinco anos. Na parte seguinte, quando eles estão se separando, já estão com dez anos juntos. Eles iam se separar aos 6 anos de casados, mas a Annie ficou grávida da Juliet e eles resolveram tentar mais um pouco por ela. Conclusão: eles se separaram com 10 anos de casados. Mais 2 anos se passaram quando o Jimin precisa ir pra Coreia. Total de 12 anos. Juliet tem 6 aninhos. Yoonmin tem 30 anos.

VOCÊ QUER MINHAS CONTAS MATEMÁTICAS @?

Ainda não escrevi o próximo capítulo, não sei se isso vai acabar feliz ou triste, vou me basear nas respostas de vocês nos comentários.

Espero que tenham gostado, amores!

Até o próximo capítulo~~


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