História Meu Romeu - Capítulo 25


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Categorias Karol Sevilla, Ruggero Pasquarelli, Sou Luna
Personagens Ámbar Benson, Ana, Jim, Karol Sevilla, Luna Valente, Matteo, Nico, Nina, Personagens Originais, Ruggero Pasquarelli
Tags Lutteo, Ruggarol, Sou Luna
Visualizações 294
Palavras 4.563
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oie, turo bom?
Cheguei tarde, mas cheguei

Capítulo 25 - Minha Julieta - capítulo 3


A Academia Grove de Artes Dramáticas é a mais prestigiada do país, então é lógico que seus padrões são altíssimos. Ainda assim, acho que nenhum de nós estava preparado para o quão difíceis seriam algumas aulas. Especialmente as de máscaras. Ao contrário do que garantiu Juliana, que o trabalho com as máscaras ficaria mais fácil, continuamos a lutar com dificuldade. Mas, ainda que a maioria de nós seja bem ruim, Matteo é o pior de todos. Juliana o tem pressionado mais do que a qualquer outro aluno e, claro, isso significa que ele sempre está de péssimo humor.

Ele está distante, e apesar de eu ter deixado bem claro que adoraria transar novamente, já faz quase uma semana desde que me tocou em algum lugar interessante. Ele nem ao menos segura minha mão, a não ser que eu dê o primeiro passo. O bom é que sempre dou o primeiro passo. Se Matteo não vai me deixar ter o resto de seu corpo, pelo menos a porcaria da mão eu vou ter.

— Porra, a Juliana me odeia — diz ele enquanto caminhamos até o prédio central, um grande edifício de quatro andares que abriga biblioteca, cantina, salão de descanso e vários anfiteatros onde vamos encontrar nossos amigos para almoçar.

— Não é verdade.

— Então por que me força a trabalhar justamente com aquela máscara?

Raiva, tristeza, agressividade, eu me daria melhor com qualquer uma dessas.

— É, mas ela sabe que você tem problemas com vulnerabilidade, por isso está te forçando a superar isso. Imagine como seria incrível se você ultrapassasse esse obstáculo. Provavelmente seria o primeiro da classe. — E seria um namorado mais carinhoso. Ele balança a cabeça, em negativa.

— A possibilidade de isso acontecer é uma porra de um zero. Não consigo, Luna. Na real, nem sei direito o que é isso.

Pego meu celular e entro no Google.

— Vulnerável. Adjetivo que significa suscetível a ser ferido ou magoado; aberto a ataques morais, críticas, tentações. E, uau! Ao lado da definição tem uma foto sua.

— Engraçadinha.

— Obrigada. Eu tento.

Estamos quase no Hub quando noto um grupo de estudantes do segundo ano perto da porta. Entre eles reconheço Fernanda, a ex-mais-do-que-levemente-amarga de Matteo. Ela fecha a cara quando nota Matteo segurando minha mão.

— Não acredito — diz ela quando nos aproximamos.

— Pensei que todas as histórias sobre você ter arrumado uma namorada eram conversa fiada e, no entanto, aí está você, com a mesma garota com quem o vi no começo do ano. Está realmente se esforçando para deixá-la bem ligada a você antes de lhe dar um pé na bunda, não? Quer dizer, o que você fez comigo foi ruim, mas essa daí? Ela vai te amaldiçoar por anos. Impressionante.

Matteo aperta mais a minha mão.

— E o dia não para de melhorar. — Ele puxa meu braço e nós entramos.

Sinto o olhar fixo de Fernanda nos seguindo.

— Ela odeia mesmo você, não odeia?

Ele faz que sim com a cabeça.

— É, bem, eu lhe dei bons motivos. — Matteo resmunga que precisa de comida antes de sumir na cantina lotada.

Vou até o outro lado do salão e encontro Ramiro, Lucas, Simon, Aiyah, Yam e Âmbar na nossa mesa de canto de sempre.

Ramiro olha em volta com cara de nojo.

— Caramba, este lugar é deprimente. Será que o conselho estudantil não tem nada melhor para fazer do que decorar toda essa merda? Parece que Jingly, a

Fada da Purpurina, mijou na droga da cantina toda.

— Estamos quase em dezembro — diz Aiyah. — É festivo.

— Festivo? — Ramiro faz um gesto abarcando o tsunami de papel laminado e penduricalhos à nossa volta.

— É quase psicótico. Ontem eles arrancaram a decoração de Ação de Graças como se ela tivesse pessoalmente xingado a mãe deles, e hoje tem uma tonelada dessa porra de pornografia natalina para todo lado. Ninguém precisa de tanto enfeite! Se eu aparecer no jogo de rúgbi hoje à tarde coberto de glitter, vou fazer uma reclamação oficial ao reitor. Não vou ficar conhecido como a bola disco humana, não importa o quanto isso me deixe fabuloso.

Há risadinhas, e então Lucas diz:

— Então, o que todo mundo vai fazer neste fim de semana? Ramiro, você finalmente convenceu a ruiva que está fazendo especialização em dança a sair com você?

Ramiro sorri.

— Convenci, porra. Vamos àquele restaurante italiano que abriu no centro. Um pouco de vinho, um pouco de massa. E depois, quando eu ligar o charme López, prevejo minha cara enfiada em suas coxas de bailarina antes da hora de dormir.

Yam o encara, furiosa.

— Você sabe que pagar uma refeição para uma mulher não lhe dá o direito de comê-la, certo?

Ramiro não dá a mínima.

— Estou ciente. Além do mais, gosto dela de verdade. Se só quisesse sexo, não me daria ao trabalho de levá-la para jantar, certo? Apenas a convidaria para assistir a algum pornô leve no Netflix, esperando que ela entrasse no clima.

Simon cutuca Lucas.

— E você, cara? Não está vendo aquela mina de dreadlocks das artes visuais?

Lucas se reclina no assento e põe a mão sobre o coração.

— Oh, doce, doce Mariah. Vamos viajar no fim de semana. Um tour pelos vinhedos. Pousadas com café da manhã. A coisa toda.

Ramiro franze a testa.

— Porra, isso foi rápido. Vocês não estão juntos há só umas duas semanas?

— O que eu posso dizer, cara? Quando a coisa dá certo, dá certo. Ela é incrível. Eu posso ser péssimo em um monte de coisas, mas cuidar de mulher não é uma delas.

Sinto uma pontada ao ouvi-los conversar, porque o papo me lembra que, apesar de Matteo e eu estarmos oficialmente namorando há mais de um mês, ele ainda não me chamou para um encontro de verdade. Normalmente nós ficamos no meu quarto ou no dele. Vemos T V. Lemos. Estudamos.

Se eu estiver com muita sorte mesmo, até damos uns amassos, mas é isso.

É meio deprimente, na verdade.

— E quanto a você e Balsano? — pergunta Simon, pegando umas batatinhas. — Algum grande plano romântico para o fim de semana? — O tom da voz dele é de quem já sabe a resposta.

Olho para Matteo na fila da comida.

— Hum, não tenho certeza. Ainda não falamos disso na verdade.

— Aham. — Mais uma vez, Simon baixa os olhos para seu prato, e sinto uma punhalada de ressentimento por ele ter tocado no assunto.

Será que todo mundo percebe o quanto Matteo não é romântico?

Tenho a impressão de que, se eu dissesse a todos daquela mesa que o Matteo me deixou sozinha na manhã seguinte à noite que transamos pela primeira vez, ninguém ficaria surpreso.

É como se nosso relacionamento fosse um daqueles paradoxos lógicos idiotas.

Quando é que um namorado não é um namorado? Quando ele é Matteo Balsano.

Enquanto todo mundo continua tagarelando sobre seus planos românticos, peço licença e vou ao banheiro. Acho que sempre soube que Matteo não era a pessoa mais aberta do mundo, mas pensei que, assim que nossa relação se tornasse pública, isso mudaria.

Parece que não.

Saio do reservado e Fernanda está lá, curvada sobre a pia, aspirando algo de cima da bancada. Quando me vê, limpa o nariz com a mão.

— Ei.

Eu tomo fôlego e passo por ela para lavar as mãos.

— Talvez fosse melhor você fazer isso onde ninguém te veja.

— É o que eu faço normalmente, mas achei que você devia ver o que te espera depois que Matteo partir seu coração. Não é bonito.

Eu faço que não com a cabeça e lavo as mãos o mais rápido que posso.

— Não curto drogas.

— Ainda não. Você tem tempo.

Seco as mãos e tento ignorá-la enquanto ela cheira outra carreira em cima da bancada.

Quando conheci Fernanda há alguns meses, não pude deixar de notar o quanto ela era deslumbrante. Ela fazia eu me sentir inferior de todas as formas. Meu cabelo era do tom castanho mais comum possível, enquanto o dela era de um castanho profundo e dourado, forte e brilhante. Apesar de eu ser curvilínea e bem proporcional, com meu um metro e sessenta e cinco, ela era uns dez centímetros mais alta e tinha o tipo de elegância esbelta que sempre invejei.

Ela devia parecer fantástica ao lado de Matteo, imagino, um tão estonteante quanto o outro.

Infelizmente, a mulher de pé à minha frente agora não se parece nada com aquela. Seu cabelo está oleoso e sem graça, a pele é áspera e amarelada, e a elegância longilínea que ela costumava ter deu lugar a faces encovadas e ossos proeminentes.

Sejam quais forem os demônios que carrega desde que terminou com Matteo, eles parecem estar devorando

Fernanda viva.

Quando me viro para sair, sinto uma pontinha de solidariedade.

— Fernanda, se cuide, está bem?

Antes que eu possa abrir a porta, ela toca meu braço.

— Olhe, eu realmente não estou aqui para encher sua paciência. Só quero ter certeza de que você sabe no que está se metendo.

— Eu sei, obrigada.

— Sabe mesmo? Porque, olhando daqui de onde estou, o Matteo Balsano que partiu meu coração se parece um bocado com esse com quem você está namorando.

— Ele mudou desde então.

Ela se encosta na pia e cruza os braços.

— Deixe eu lhe contar uma história.

Já posso prever que não vou gostar dessa história.

— Com muito custo ele concordou em deixar as pessoas saberem que vocês estão namorando, mas não age como um namorado de verdade. Nada de encontros, pouquíssimas demonstrações públicas de afeto, e fazer ele falar de seus sentimentos ou mudanças de humor é como tentar extrair dentes. Parece familiar?

Mantenho meu rosto impassível, apesar de minha adrenalina ter subido mais um ponto.

— Eu não sei o que lhe dizer. Gosto dele. Muito. Estou disposta a dar a ele o benefício da dúvida.

Fernanda balança a cabeça.

— Você não entende, não é? Talvez ache que não vai acontecer com você, porque você é diferente ou especial, e talvez esteja certa. Mas não é esse o problema. Talvez você seja diferente, mas ele não é, e é ele quem vai destruí-la.

Vá devagar. Esse cara é um desastre.



— Então essa garota anda perseguindo você agora? — pergunta Jazmin, minha colega de quarto, enquanto luta para abrir uma lata de sopa de tomate.

— Mais ou menos, mas sinto que ela meio que está tentando me ajudar.

— É, bom, a vadia precisa dar um tempo. Esse trabalho é meu. Ainda assim, ela está certa. Eu não acredito que ele nunca a chamou para sair de verdade. Parece que o cara não tem sequer um único ossinho romântico no corpo. — Ela despeja a sopa em uma panela.

— Ele não é tão mau.

— Luna, fizemos o teste “O quanto seu namorado é romântico?” da Cosmopolitan e o resultado do Balsano foi “Este homem não sabe que é seu namorado”. É ridículo, cara.

Dou uma olhada nos pãezinhos pré-assados que coloquei no forno há poucos minutos. Ainda estão muito pálidos.

— Já magoaram o Matteo. Ele só não demonstra seus sentimentos como os caras normais, acho.

— E como Matteo demonstra seus sentimentos? Porque, pelo que eu já vi, ele não te beija nem abraça para dizer “oi”, quase não anda de mãos dadas, dormiu com você uma vez, mas não quer dormir de novo. Nada de presentes, nada de encontros e nada de poemas de amor épicos escritos com a cabeça cheia de peiote.

Faço uma careta.

— O que é essa última coisa?

— Não importa. É uma longa história. Mas o que eu quero dizer é que o garoto é incapaz de ser romântico, e você é quem sofre. Não acredito que não esteja puta da vida com isso.

— Bem, feliz eu não estou, mas o que posso fazer?

— Certo, eis o meu conselho: você está sendo um capacho.

— Isso não é conselho, é uma afirmação. E grosseira ainda por cima.

— Porra, Luna, vire mulher! — Jazmin mexe a sopa agressivamente. — Matteo está tratando você como uma merda porque tem problemas ou sei lá, mas isso não é desculpa. — Ela despeja um pouco de leite na panela. — Diga a ele para deixar de frescura, ou então escreva um BEM-VINDO nos peitos e pronto.

A escolha é sua.

Eu sei que Jazmin está certa, mas não consigo não pensar que um movimento em falso com Matteo teria resultados desastrosos.

— Ai, merda! — Jazmin franze a testa olhando para a panela, e então pega a.lata de sopa e lê as instruções.

— O quê?

— Acho que fodi tudo isso aqui.

— Como é possível? É sopa. Em lata.

— Eu pus leite demais. Parece que eu devia ter medido ou alguma merda assim. — Ela mergulha a colher na sopa e prova.

— Como está o gosto?

Ela dá de ombros.

— Leite sabor tomate.

Eu suspiro e me apoio na bancada.

— Não é a coisa mais esquisita que você já fez.

— Não mesmo.

— Servimos em canecas?

— Sim. Pelo menos temos pão.

— Ai, droga! — Abro a porta do forno e sai fumaça. Quando puxo a assadeira, os pães estão pretos. — Merda.

— Quem é a péssima cozinheira agora? Você só precisava esquentá-los, pelo amor de Deus.

Por alguns instantes ficamos olhando para os patéticos restos de nosso horrível jantar. Não sei se rio ou choro. Tenho uma vontade louca de ligar para Matteo e perguntar se ele viria cozinhar algo para nós, mas calculo que, se ele quisesse conversar ou passar algum tempo comigo, teria me avisado.

— Vinho? — Pergunto.

Jazmin suspira.

— Definitivamente. Acho que o vinho eu não consigo estragar.

— Nisso concordamos.



Oh, Deus. Ai.

Eu me encolho ao abrir os olhos. A luz do sol espeta meu cérebro dolorido.feito um furador de gelo.

Estou no chão, cercada de garrafas de vinho e caixas de pizza. A julgar pelo gosto horroroso em minha boca, na noite passada eu não só bebi muito além da conta, como também fumei um caminhão de cigarros. Minha boca tem o gosto do chão de uma rinha de galos.

Enquanto me espreguiço e passo a língua pelos dentes, vejo Jazmin deitada no sofá, um braço cobrindo o rosto.

Realmente espero que ela se sinta tão mal quanto eu ao acordar. Apesar de não me lembrar de muita coisa da noite passada, tenho certeza quase absoluta de que foi culpa dela.

Minha cabeça lateja e meu estômago dá cambalhotas, e quando estendo um braço para me equilibrar, algo em minha mão chama a minha atenção. Está.escrito MATTEO com delineador preto nos nós dos meus dedos.

Mas que...?

Na outra mão tem a palavra FEDE rabiscada nas falanges.

Ouço um gemido e olho para Jazmin.

— Não fui eu — diz ela por detrás do braço. — Bem, o.k., fui eu, mas foi você quem mandou.

— Você se lembra da noite passada?

— Você não?

— Na verdade, não.

— Bem, eu fiquei discursando por umas duas horas sobre como o Balsano é um filho da puta, até que você concordou comigo. Então você fez isso na minha cara.

Ela afasta o braço para revelar a maquiagem mais horrenda que eu já vi. Suas sobrancelhas foram engrossadas e a linha do maxilar foi desenhada, tudo com ângulos agudos e péssimo sombreado.

— Você tentou me deixar parecida com o Balsano, porque você queria dar um soco na cara dele por ser tão fechado.

— Oh, Deus, Jazmin, eu bati em você? — Era difícil saber, com tanta maquiagem.

— Não, mas você gritou muito, mas gritou muito mesmo com o Balsano pelo telefone lá pelas duas da madrugada.

— O quê?! O que foi que eu disse?!

Ela se senta, e então segura a cabeça e geme.

— Você disse um monte de coisa. Posso ter bancado a torcedora bêbada ao fundo. Lá pelo final, fiquei com pena do cara. Você realmente acabou com ele Aí você desligou e desmaiou.

— Oh, Deus. — Me sinto enjoada, e não é só por causa do álcool. Engatinho pelo chão e abro caminho em meio à bagunça tentando achar meu telefone. — Por que você não me impediu?

— Amor, eu estava ainda mais bêbada que você. Além do mais, ele mereceu tudo. Para uma garota bêbada, você foi bem eloquente. Exceto quando chorou.

Paro o que estou fazendo e olho para ela.

— Por favor, diga que está brincando.

— Não. Depois de uns dez minutos discursando, você balbuciou algo sobre como ele é seu primeiro namorado, seu primeiro amante, e que você deveria estar zonza e apaixonada, mas só consegue se sentir confusa e solitária, porque,.mesmo quando ele está com você, não está totalmente presente.

— Oh, Deus.

— Então você disse alguma coisa tipo: “Por que você simplesmente não se permite me amar? Não vê como daríamos certo?”. E, bom, a essa altura eu também estava chorando, então...

Eu esfrego os olhos.

— Ai, Jazmin, isso é ruim. Muito ruim.

— É, nunca mais vamos beber desse jeito.

Empurro as coisas de cima da mesinha de centro, desesperada para.encontrar meu telefone. Por fim o encontro embaixo de uma caixa de pizza. Está desligado e coberto de gordura.

Quando eu o ligo, há oito chamadas perdidas e duas mensagens de texto.

— Merda, merda, merda...

Leio sua primeira mensagem.

Ligue de volta. Agora.

Pressiono o telefone contra a cabeça, que lateja de dor.

Eu não quero olhar a outra mensagem, mas sei que devo. Matteo a enviou uma.hora depois da primeira.

Odeio ter te feito chorar, porra. Ligue quando ler isso. Não me importo com o tamanho da sua avassaladora ressaca. Precisamos conversar.

Olho fixamente para a tela por um longo tempo enquanto releio suas.palavras.

— Luna? Tudo bem?

— Não sei. Ele disse: “Precisamos conversar”.

— Ih, merda.

— Foi o que eu pensei.

Digito o número dele. A chamada cai na caixa postal.

Oi, aqui é o Matteo. Deixe um recado. Ou não. Tanto faz.

Desligo.

— Droga!

— São só sete horas — diz Jazmin —, e além do mais você o manteve acordado com seus etílicos maus-tratos verbais. Talvez seja melhor deixá-lo dormir.

— Preciso de seu carro emprestado.

— Hã... você não acha que ainda está bêbada demais para dirigir? Eu com certeza estou.

— Preciso ir até lá, Jazmin.

Ela esfrega os olhos.

— Tá bom. As chaves estão na minha mesa. Mas talvez seja bom tomar um banho e trocar de roupa antes. Você tem manchas de pepperoni nos peitos. Olho para baixo e não fico nem um pouco surpresa ao ver que ela tem razão.

— Jazmin, nós nunca mais vamos beber de novo.

— Amém.

Meia hora depois, bato à porta da casa de Matteo enquanto náusea e pânico disputam para ver qual dos dois consegue me fazer vomitar primeiro. Quando ele não responde, o pânico toma a dianteira. Eu bato outra vez.

Depois de mais alguns segundos, ouço passos arrastados, e aí a porta se abre um pouco, para revelar o rosto de Nina, que força a vista.

— Luna?

— Oi, Nina.

— São sete e meia da manhã.

— Eu sei.

— De sábado.

— Sinto muito. Seu irmão está aí?

— Não, senão eu o mataria. Ele berrou alguma coisa sobre sair para dar uma corrida meia hora atrás. Espero que seja atropelado. O idiota estressadinho ficou quicando pelo apartamento desde, tipo, três da manhã. Xingando e batendo portas enquanto limpava a casa.

— Enquanto... limpava a casa?

— É. Ele só faz isso quando está mais do que agitado. Começou a passar aspirador de pó lá pelas quatro. Alguma coisa aconteceu entre vocês dois a noite passada?

— Hã, o negócio é que... eu estava bêbada, e eu... bem, acho que o ataquei verbalmente.

— Você ligou para ele bêbada?

Eu faço uma careta.

— É, eu acho.

— Bom, isso explica muita coisa. — Ela boceja. — Quer entrar e esperar?

— Claro. Se não tiver problema.

— Tudo bem. — Ela abre a porta, então se arrasta de volta para o quarto. — Ele não deve demorar. A casa é sua. Vou voltar para a cama. Quando ele voltar, dê um tapa na cabeça dele por mim, pode ser?

— Está bem. Obrigada. Desculpe tê-la acordado.

— Sem problemas. — Ela fecha a porta atrás de si, e eu olho em volta na sala de estar. Está limpíssima.

Nunca uma sala arrumada me deu tanto mau pressentimento.

Minha cabeça dói, então me sento no sofá e folheio uma revista por alguns minutos, até que percebo que mal olho para ela. Jogo-a de volta na mesa de centro e vou até o quarto de Matteo. Sua cama foi arrumada com precisão militar.

No meio dela está aberto... oh, Deus.

Aquilo é o diário dele?

Sua letra bonita cobre as duas páginas, e uma caneta está aninhada no meio delas.

Tentação, diário de Matteo é seu nome.

É quase impossível resistir ao impulso de ler, mas sei como é ter a privacidade invadida, e mesmo que eu fosse capaz de dar meu braço esquerdo em troca de uma espiadinha dentro da cabeça dele, isso não valeria o custo da quebra de confiança.

Fecho o diário, com cuidado para não olhar para o que está escrito, e o coloco com a caneta no criado-mudo. Então subo na cama e enfio o rosto em seu travesseiro.

Hmmm... que cheiro bom.

Por favor, não deixe que ele sinta raiva de mim. Deixe-me consertar isso. Por favor.

Algo roça meu pescoço. Lábios. Respiração quente. Eu me viro, querendo mais.

— Luna?

Shhh. Você vai afastar os lábios.

— Ei... Está acordada?

— Não. Shhh. Mais lábios. Meu namorado vai voltar logo.

Os lábios voltam. Com um formato diferente. Um sorriso?

Eles se movem pelo meu pescoço, meu queixo, tão macios quanto ásperos. Seu queixo. Bochecha.

— Quem você acha que está te beijando?

— Hmm. Orlando Bloom?

Os lábios param, no meio de um beijo.

— Bloom? Sério? Seu namorado faria picadinho daquele inglês pálido.

— Você está insinuando que é meu namorado?

Mais beijos que se demoram no meu pescoço, então pressionam minha orelha de leve.

— Não estou insinuando nada. Estou citando um fato.

— Impossível. Meu namorado não é assim tão carinhoso.

Os lábios param. Ele solta o ar. A tensão se transmite do corpo dele para o meu.

Engulo em seco, ainda de olhos fechados.

— Desculpe.

— Por quê?

— Pelo que acabei de dizer. Pelo que disse a noite passada. Por favor, não fique irritado. Foi culpa do vinho.

— Não foi, não.

— Certo. Você tem razão. Não posso colocar toda a culpa no vinho, mas ele ajudou.

Ele segura meu rosto.

— Luna, não foi o vinho, ou você, ou a Jazmin, apesar de eu ter ouvido no telefone ela instigar você. Se for culpa de alguém, foi minha.

A desculpa que estou a ponto de dar morre em minha boca. Abro um olho.

— Hã... o quê?

— Você me chamou de uma porra de namorado horrível, e você estava.certa.

Abro os dois olhos.

— Eu realmente usei essas palavras?

— Sim.

— Até a que começa com P?

— Sim. Não vou mentir, isso meio que me deixou excitado.

Eu me ergo um pouco, apoiada em um dos cotovelos, e olho para ele. Matteo deve ter acabado de sair do chuveiro, porque só está usando cuecas. A visão do seu peito nu me desconcerta. O que é ainda mais desconcertante é que ele não está se retraindo quando eu o olho assim.

Balanço a cabeça.

— Desculpe, mas o que exatamente você está dizendo?

Ele se deixa cair de costas e fecha os olhos.

— Tudo que você disse. Todas as críticas... você estava certa. Tenho mesmo mantido você distante.

— Por quê?

Quando ele faz uma pausa, eu acaricio seu braço para estimulá-lo a continuar. Depois de alguns segundos, ele abre os olhos e olha para o teto.

— Você sabe qual foi meu primeiro pensamento quando entrei aqui e a encontrei na minha cama?

— Qual?

— Que você tinha lido meu diário.

— Mas eu não li. Eu juro...

Ele se vira para mim.

— Eu sei. Quando parei e pensei a respeito, percebi que você não faria isso. E, no entanto, meu primeiro instinto foi pensar o pior de você, porque é assim que eu lido com... as coisas. Pessoas. Estou sempre preparado para o pior, para não ser pego de surpresa. E não me decepcionar. Imagino que, se não tentar de.verdade, não posso fracassar de verdade, certo? Então é isso que tenho feito.

— Matteo... — Ponho a mão em seu ombro, e ele fica tenso.

Ele se senta.

— Fiquei com muita raiva de você ontem à noite, puto pra caralho, não porque o que você disse era mentira, mas porque era tudo verdade. Você falou de todas as coisas que eu odeio em mim mesmo. Merdas do passado que não têm nada que afetar você, mas afetam.

— Ele balança a cabeça. — Vou tentar. Sei que parece conversa fiada, mas é só o que eu posso fazer, certo?

Eu não sei se ele está tentando convencer a mim ou a si próprio.

— Tentar o quê?

— Tentar ser... melhor. — Ele pega meu rosto entre as mãos e me beija. Há um toque de desespero na forma como seus dedos me tocam, em como seus olhos ainda estão fechados quando ele afasta o rosto do meu. — Eu consigo fazer isso. Ser o namorado que você merece.

— Eu acredito em você.

Sei que é mentira o que acabo de dizer, mas realmente acredito que Matteo vai tentar.

Na manhã seguinte, estou jogando os últimos livros na minha bolsa e enfiando um pedaço de torrada na boca quando ouço alguém bater à porta.

Abro e vejo Matteo, sorrindo e me estendendo um copo de papelão.

— Pintaccino? — pergunto, preocupada. Às vezes os baristas fazem desenhos indecentes com a espuma do leite no café.

— Não, só chocolate quente. Com uma porção extra de marshmallow. — Ele dá um sorrisinho e me beija rapidamente.

Ele acabou de fazer a barba e está usando calça jeans desbotada e um suéter azul. Por um instante, minha mente não consegue processar que este é mesmo

Matteo. Aqui. Atencioso. Sorridente. Vestindo outra cor que não preto da cabeça aos pés, como o Ceifador.

Não faz sentido.

Seu sorriso se apaga.

— Que porra de cara é essa? Você está me olhando como se eu fosse um assassino em série. O chocolate não está envenenado.

Certo, isso é mais familiar.

— É só que... você normalmente não é... — Estou desconcertada com o quanto ele está lindo e... despreocupado. — Hã, o que você está fazendo aqui?

Matteo passa por mim e põe o copo sobre a mesa.

— Sendo um namorado melhor, lembra? Namorados normais levam suas namoradas à aula, então aqui estou eu. — Ele pega minha bolsa e a pendura no ombro. — Puta merda, o que você está levando aqui dentro?

— Livros.

— De chumbo?

— Acho que namorados normais são mais legais que você.

— Eu sou legal.

Dou uma risadinha irônica.

— Certo.

Ele passa o braço pela minha cintura e me puxa para perto, e então me beija de um jeito que faz meu corpo ir do zero ao superaquecimento hormonal em dois segundos.

Ele olha para mim, triunfante.

— Você não pode dizer que isso não foi legal. Concordo, balançando a cabeça. Não é uma resposta válida, mas é tudo que consigo fazer.

— Pronta para ir?

— Sim.

Ele agarra minha mão e fecha a porta às nossas costas. Acho que gosto desse novo namorado.


Notas Finais


Gente, até falaria algo, mas estou caindo aqui de sono, só vim aqui postar para vocês, um beijo! ❤


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