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História Meu Santo Amor - Capítulo 10


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Capítulo 10 - A confissão


Fanfic / Fanfiction Meu Santo Amor - Capítulo 10 - A confissão

Pov Autora

 

Alguns segundos haviam se passado e Elizabeth ainda estava paralisada digerindo o que acabara de ouvir, enquanto Helena aguardava ansiosamente sua reação.

Lizzy então pareceu recobrar os sentidos e olhou com repreensão a Helena.

- Helena, não! Isso não pode... Isso não é possível.. Isso...

- Isso aconteceu e não há o que ser feito. – A loira disse a interrompendo.

- Mas Helena, e sua vocação? Lembre-se do motivo de estar aqui.

- Eu sei Lizzy, eu sei! Mas não mandamos em nosso coração. Eu amo ser uma religiosa, e pensava que essa era minha vocação mas... – Helena abaixou sua cabeça por alguns instantes e após voltou a encarar Elizabeth. – Eu amo você e descobri que você é minha vocação.

Elizabeth andava de um lado para o outro com a mão em sua testa, refletindo os futuros problemas que surgiriam diante dessa revelação, lembrou-se de Laura a ameaçando a não revelar seus sentimentos para Helena, e o quanto ela pagaria caso acontecesse algo.

- E você? – Helena perguntou, fazendo com que Elizabeth parasse de andar e a encarasse. – Ouvi naquela noite dizendo a Laura que me amava Lizzy. É verdade?

- Helena, eu não... – Elizabeth planejava dizer que era mentira, que tudo foi um plano para provocar Laura e que não tinha tais sentimentos por Helena, mas as palavras não saiam.

- Isso é loucura! – Lizzy por fim disse. – Você não pode me amar. Laura te mataria.

- Eu não me importo com o que Laura faz ou deixa de fazer, eu quero saber o que você sente por mim Lizzy.

-Eu...

- Irmã Elizabeth, finalmente a encontrei. – Madre Isaura surgiu no corredor e encarou as duas freiras como se percebesse que ali acontecia algo muito importante. – Desculpe se interrompi algo, mas preciso falar com você Irmã, me acompanhe por favor. - Em seguida deu as costas voltando para o caminho de onde veio.

Elizabeth antes de sair sussurrou para Helena:

- Destrua esse sentimento dentro de você Helena, ou ele acabará te destruindo.

 

Helena chorou por dias. Quase não comia ou dormia. O único lugar que ficava além de seu quarto era a capela. Em suas orações implorava a Deus para compreender seus sentimentos e o que Elizabeth sentia. Em momento algum ela pediu para retirar de si seu amor por Lizzy, pois ela sabia que era o amor mais puro lindo e verdadeiro, seria um pecado pedir para não ter esse sentimento.

 

Enquanto isso, Elizabeth dedicava seu tempo as crianças do orfanato,  para evitar ver Helena e Laura.

O tempo foi se passando e a tática de Lizzy durou até certo ponto.

As vezes ela podia ouvir de seu quarto o choro de sua amada, o que também a fazia chorar. E algumas vezes esbarrava-se com Laura pelos corredores.

- Elizabeth! – Laura a chamou em uma das vezes que a viu.

- Sim irmã Laura? – Ela limpou rapidamente uma lágrima que escorria em sua face.

- Você sabe que pode acabar com esse sofrimento. – Laura disse quando a viu secar suas lágrimas. – Depende de você...

Laura secou suas lágrimas e manteve sua mão acariciando a delicada pele de Lizzy. Deu um passo ficando muito próxima a ela e disse em um sussurro:

- Seja minha Elizabeth! Entregue-se a mim e tudo isso acabará. Até permitirei que retorne sua amizade com Helena.

Ela então foi aproximando seus lábios aos de Lizzy até que ao quase encostar aos dela, percebeu o súbito afastamento.

- Nunca serei sua, irmã Laura!

- Então continue a sofrer. Se não for minha, não será de mais ninguém.

 

Ao passar do tempo, as esperanças em Elizabeth iam morrendo.

Ela já vivia dessa maneira a mais de dois anos. Distante de Helena e ameaçada por Laura, não saberia até quando aguentaria mais.

 

Pov Elizabeth

 

Caminhava distraidamente admirando o lindo jardim de nosso convento. A natureza sempre me acalmava, apenas de observar a linda obra que Nosso Senhor fez.

- As flores estão lindas não é?

Meu coração sempre acelera quando ouço essa voz.

- Sim. Estão maravilhosas.

- Irmã Lilian cuida muito bem dessas flores. – Ela dizia distraída, ainda olhando as flores.

- E você Helena, como está?

- Melhor que ontem e pior que amanhã.

Assim que ela respondeu abriu seu lindo sorriso que me encanta.

- Elizabeth...

- Lizzy! – A corrigi. – Pra você será sempre Lizzy.

- Lizzy! – Ela testou chamar-me novamente desta forma. – Podemos conversar?

Ponderei se conseguiria conversar com Helena. Eu tinha minha desconfiança sobre o que seria o assunto.

Pensei em negar esse pedido, mas ao ver seus olhos brilhando em minha direção implorando, não tive escolha.

Olhei a nossa volta, haviam várias freiras na parte externa do convento.

- Venha comigo!

Fomos até uma parte deserta do convento, um corredor próximo a capela.

- Lizzy, você sabe o que eu sinto por você. Eu apenas preciso saber o que você sente por mim. Se for apenas amizade entenderei, eu preciso apenas ouvir de você. Se me disser que não me ama, me conformarei e não a pressionarei mais.

As lágrimas já banhavam o rosto de Helena, o que me fez a puxar para meus braços e consola-la.

Após enxugar suas lágrimas, a observei por alguns instantes. Como eu a amava, mas para o bem dela, nada poderia ser dito.

- Helena, somos amigas, e nosso relacionamento não passará disso... – Não consegui completar, pois ela havia voltado a chorar.

Assim que a abracei novamente, escutei ao longe Laura me procurando.

- Helena, esconda-se, Laura não pode nos ver juntas.

Ela correu e assim que desapareceu de vista, vi Laura vindo em minha direção.

- Graças a Deus te encontrei. O que estava fazendo?

- Or-orando irmã Laura, o que mais estaria fazendo?

- Deveria fazer isso na capela, não aqui no corredor.

- Estava indo para lá. Até que a ouvi me chamando. O que houve? – Perguntei enquanto íamos à capela.

- Ouvi alguns comentários de que estava com Helena.

- Pelo que pode ver não estou. E caso estivesse qual o problema? Ainda sou a responsável pelas crianças órfãs e Helena é uma das freiras que me ajudam.

- Você sabe muito bem do que sou capaz, não me desafie Lizzy!

- Não me chame assim! – Parei diante dela para que não continuasse indo à capela, lembrando-me de ter visto Helena indo até lá para esconder-se.

Laura segurou meu braço e me encaminhou até a capela.

Aliviei-me ao perceber que Helena não estava mais lá, provavelmente teria saído para a porta de acesso a área externa.

- Reze irmã Elizabeth. Peça a orientação de Deus para escolher seu futuro.

Após me deixar na capela, Laura saiu a passos largos.

Ajoelhei-me em frente ao altar, e implorei:

- Meu Deus! Por favor, mande-me um sinal do que fazer? – Minha voz saiu em meio aos soluços, pois lágrimas já não eram o suficiente para mim.

Então o sinal veio, da forma que o pedi.

Olhei ao confessionário e percebi a presença de alguém. Hoje é sábado, e para minha salvação, dia em que o padre estaria na capela para organizações da santa missa e atendimento de confissões.

Eu precisava desabafar e contar todos os meus pecados e minha situação a alguém, e por que não a Deus, através da confissão?

Aproximei-me do confessionário, ajoelhei e fazendo o sinal da cruz, disse:

- Vim confessar meus pecados em busca do perdão.

Estranhei em não obter resposta, então perguntei:

- Padre, o senhor está ai? Pode me dar um sinal de que está me ouvindo?

Ouvi alguém mexendo-se dentro do confessionário e derrubando algo no chão, provavelmente a Bíblia que costuma ficar lá dentro. Entendi ser o sinal que pedi.

- Obrigada... Bem... meus pecados pesam cada vez mais em minhas costas, porém o peso maior está em meu coração.

...

...

...

Disse tudo o que eu precisava dizer, desde o dia em que percebi estar apaixonada por Helena.

Confessei quando sonhei com ela, quando irmã Laura me flagrou na madrugada, e que fui forçada a afastar-me de meu amor. Disse tudo, até o presente. E ao final confessei que a cada dia que passa meu amor por Helena só crescia.

De certa forma me senti mais aliviada, no entanto, estranhei em não obter nenhuma palavra do padre.

- Qual é minha penitência? – Aguardei alguns instantes, ao não obter resposta, perguntei: – Padre, o senhor está ai?

Ouvi de dentro do confessionário como se alguém estivesse chorando.

Fiz o sinal da cruz, levantei-me e abri a porta do confessionário.

Para minha surpresa não encontrei o padre, mas sim outra pessoa, que me disse:

- Essa era a confissão que eu precisava ouvir. 



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