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História Meu Santo Amor - Capítulo 12


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Capítulo 12 - O lago


Fanfic / Fanfiction Meu Santo Amor - Capítulo 12 - O lago

Pov Elizabeth

Alguns dias se passaram, e desde o dia em que Laura me ameaçou, não me encontrei mais com Helena.

Por medo? Pela própria ameaça? Por estar agindo de forma errada? Realmente não sei, talvez sejam todas as opções juntas.

Toda vez que Helena me olhava, parecia que me perguntava com seu olhar o que estava havendo. E eu não sabia o que fazer. Mas não ficaria mais sem vê-la.

Fui até Helena para ajuda-la com algumas coisas, e assim conversávamos sobre assuntos diversos.

Laura nos observava ha certa distância, seu olhar fulminava ódio, mas decidi que ela não me amedrontaria, e como eu mesma havia dito a ela, não iria conseguir me chantagear.

Assim passavam-se os dias e em um deles, quando terminei uma de minhas conversas com Helena, caminhava em direção ao jardim, para realizar alguns afazeres, mas antes de chegar onde queria, senti alguém me puxando pelo braço para um corredor deserto.

- O que quer irmã Laura? - Perguntei com um ar tedioso.

Ela me observava desacreditada.

- Quanta audácia Elizabeth! Pensei que gostasse de sua querida Helena.

- E gosto. É por isso que não deixarei de falar com ela. Laura entenda que você não irá nos separar.

- Escute aqui sua tola... - Ela segurou meu braço com mais força, depositando toda sua raiva em mim. - Você quer que eu me torne uma assassina não é? Mas essa morte quem irá carregar o peso dela será você, a culpa será sua.

Meus olhos arregalaram-se de terror, minha boca ficou entreaberta, diante daquelas palavras, meu braço já nem sentia o aperto da mão de Laura. Por alguns instantes fiquei em estado de transe. Mas então, uma coragem que nem imaginei ter surgiu e disse a ela em desafio:

- Nós duas sabemos muito bem que causou o incêndio do convento, que quase matou a Madre. Já que Helena está correndo perigo de qualquer forma, a polícia irá gostar de saber de algumas novidades sobre o caso na investigação do incêndio, não é mesmo?

Agora parecia ela a estar espantada com minhas palavras. Aproveitei e retirei suas mãos de meus braços.

Antes de retirar-me disse a ela:

- Qualquer coisa que acontecer com Helena, te denunciarei a polícia!

Saí a passos largos sem olhar para trás, provavelmente a deixando, no mínimo pensativa.

Meu dia foi conturbado, com pensamentos invadindo minha mente, não me deixando fazer nada. Decidi então fazer algo que já estava planejando a fazer há muito tempo.

Dei leves batidas na porta. E assim que ouvi "Entre", obedeci imediatamente.

- Madre, precisamos conversar! E é algo muito importante. Sei que com o que tenho a dizer posso ser até expulsa do convento, mas preciso que me ajude!

Com algumas lágrimas que surgiam em meu rosto, contei a Madre, de uma maneira resumida, que me apaixonei por outra pessoa, e que estava disposta a sair do convento, mantive o nome de Helena em sigilo, pois não queria prejudica-la.

A madre me ouvia com atenção e paciência, e ao final de tudo, contei a ela sobre meu interesse em adotar Estevão e se ela poderia me ajudar com isso.

Aguardei por alguns instantes, enquanto Madre Isaura refletia sobre tudo o que lhe contei.

- Irmã Elizabeth, agradeço a confiança que depositou em mim a me contar tudo. Quero que saiba que a ajudarei com a adoção de Estevão, prepararei alguns documentos ainda hoje, junto ao conselho tutelar. - A madre deu um longo suspiro e continuou. - Quanto a te expulsar do convento, creio que não seja necessário. Sei que no momento certo você sairá, e também poderemos preparar seus papeis para o cancelamento de seus votos, os mesmos serão enviados a diocese, e eles encaminharão seus documentos aos responsáveis. Caso queira, pode deixar o convento, mas creio que não deixará por conta de Estevão.

A madre me olhou como se me avaliasse, e por fim disse:

- Devo preparar também os papeis de Irmã Helena? - Ela abriu um leve sorriso ao perguntar.

O frio em meu ventre foi inevitável diante de tais palavras. Não dei detalhes, nem sequer descrevi como ou quem era a pessoa por quem estou apaixonada.

- Irmã... - A madre disse chamando minha atenção a ela. - eu reconheço o amor quando o vejo. Jamais contei isto a alguém, mas como depositou sua confiança em mim, depositarei a minha em você também... Quando muito jovem, apaixonei-me perdidamente, Ângelo e eu nos apaixonamos, mas minha família não permitiu que este amor acontecesse pela diferença de classes sociais. Então planejamos fugir. No entanto, um dia antes de nossa fuga, ele faleceu. Meu pai então me obrigou a me casar com um homem que não amava. Alguns dias antes do casamento, fugi e vim para o convento, já que não poderia mais casar-me com Ângelo, só aceitaria me casar com Cristo, e aqui, apaixonei-me perdidamente por Nosso Senhor, e sou muito feliz com minha escolha.

- Madre eu... Estou sem palavras. 

Era uma linda estória de amor e sofrimento que ela viveu. 

- Elizabeth, você apesar de amar Nosso Senhor Jesus Cristo, tem a oportunidade de viver seu grande amor. Então... Deixarei pronto seus papeis e de Irmã Helena, quando estiverem em nosso poder, basta apenas assiná-los e estarão desfeitos seus votos. Só peço, por favor, que respeitem o convento e mantenham o amor ainda contido, se é que me entende.

Naquele mesmo dia contei tudo a Helena, que juntas, ficamos muito felizes, porém, não a beijei mais daquele dia em diante, por motivo da promessa que fiz a madre.

 

Pov Helena

Tudo parecia estar bem, principalmente para Lizzy e eu, com o cancelamento de nossos votos em andamento, em breve deixaríamos de ser freiras e poderíamos adotar nosso Estevão, e vivermos nosso amor. 

Lembrei-me do dia em que iniciei como noviça, tinha tanta certeza de minha vocação. Fiz meus votos e tornei-me finalmente freira, até que fui transferida para o convento em que estou atualmente, foi aqui onde minhas dúvidas surgiram. Meus sentimentos por Elizabeth se afloraram e meu desejo de ser mãe iniciou-se a partir do momento em que, pela primeira vez, peguei Estevão em meus braços.

Estava especialmente feliz, minha vida mudaria drasticamente e minha felicidade seria completa.

- Irmã Helena! Precisarei de ajuda hoje para buscar algumas compras. Acompanhe-me.

Enquanto estávamos indo, ela parecia querer conversar comigo, parecia muito estranha, afinal Irmã Laura nunca teve nada parecido com amizade para comigo. Mas se ela tentava ser mais gentil, não seria eu a impedi-la, a tratei com cordialidade.

Após as compras, no caminho para a caminhonete, irmã Laura andou em direção a uma linda paisagem pelo caminho.

- Venha irmã! Vamos ver as maravilhas que Deus fez para nós!

- Mas, irmã Laura, não é melhor primeiro guardarmos as sacolas na caminhonete e...

- Não! Será rápido, venha! Não percamos tempo! - Ela dizia animada, para não contraria-la no único dia em que ela parecia estar de bom humor, a segui.

Chegamos a um lindo lugar, onde havia belíssimas árvores em volta de um lindo lago.

- Não é maravilhoso Irmã Helena? Chegue mais perto. 

Laura estava a beira do lago, enquanto eu mantinha uma certa distância, pois, por mais bonito que fosse, tinha medo de chegar perto do lago, pois em minha infância quase havia morrido afogada em um.

- Ora irmã Helena, aproxime-se! Veja como é bela a natureza de Deus... - No mesmo instante em que Laura me puxou para mais perto, uma das sacolas caiu no lago.

- Oh! E agora? - Laura me olhou desnorteada.

- Melhor deixarmos irmã, podemos comprar mais e... 

- Não! - Ela me interrompeu. - Está muito caro e não temos dinheiro suficiente. A Madre irá me matar.

Olhei ao redor e encontrei um pedaço de galho que poderia servir para pegar a sacola.

Estendi o galho a Laura, mas a mesma não o pegou.

- O que está esperando irmã? Tente pegar antes que vá para o meio do lago e não a alcancemos mais.

Com muito medo fui para mais próximo do lago e tentava pegar a sacola.

- Consegui! - Gritei assim que consegui pegar a mesma com o galho. 

- Muito bem! - Laura estava atrás de mim, muito próxima, fazendo com que eu me assustasse com sua proximidade. Com esse susto, desequilibrei-me e o que eu mais temia aconteceu.

Caí no lago, que era muito mais fundo que parecia ser. Meus pés não alcançavam seu fundo. Me debatia na água, gritando por socorro. Até que as águas invadiram minhas narinas, fazendo com que eu me afundasse por completo. 

Não conseguia mais respirar, as águas não deixavam, até que em um momento, tudo escureceu.

 

Pov Elizabeth

O dia parecia tranquilo, mas estranhei de não ver Helena. Perguntei a uma das irmãs que me disse que havia saído com Laura. Aquilo me desesperou.

Fui correndo em direção a sala de Madre Isaura para saber onde foram, porém, assim que entrei, encontrei-me com a madre que saía da sala.

- Irmã Elizabeth, era você mesma que iria procurar. - Ela dizia ofegante e desesperada. -  Vá ao hospital! Helena afogou-se!

 

 

 



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