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História Meu universo particular - Fillie - Capítulo 33


Escrita por:


Notas do Autor


Devo realmente desejar uma boa leitura? KKKKKKK Mesmo assim:
Boa leitura pessoal <3

Capítulo 33 - 33. Uma história inacabada



M I L L I E

Nem posso contar quantas horas fiquei chorando agarrada no corpo de Sadie. Eu queria gritar, chorar, expressar todo a minha raiva, no entanto sinto braços fortes me puxarem para fora dali, mesmo eu insistindo para ficar junto ao corpo de Sadie. 

Desisto de me debater. Eu estava fraca demais para me debater nos braços que me tiraram de perto de tudo que eu renegava a ver. Meus olhos irritados e inchados vão a quem me carregava nos braços, era Finn, o cacheado que estava tentando manter a calma, mas parecia tão atordoado quanto eu nessa situação. Fecho os olhos e jogo minha cabeça para trás, eu estou exausta, exausta de tanto chorar por algo que sei que não posso voltar atrás para evitar essas lágrimas de agora. 

Finn sobe as escadas. Ele apenas fica quieto, perdido em seus próprios pensamentos. Me leva até o meu quarto, me coloca deitada delicadamente na cama. O olho procurando seu contato visual, mas o mesmo se negava a me direcionar o olhar direito. Suas mãos quentes seguram meu rosto molhado por lágrimas, podia sentir a emoção que ele queria me passar. Ele aproxima seu rosto e deposita um beijo calmo e suave em minha testa, aquilo só me fez derramar mais lágrimas, nem o gesto mais doce poderia me tirar do auge dessa melancolia que entrei. 

Ele limpa minhas lágrimas delicadamente com seus polegares. O mesmo sorri sem humor para mim. Entre abro meus lábios secos e sem pensar muito aproximo o mesmo de mim e o envolvo num abraço grudento. A única imagem que vem em minha mente é o corpo de Sadie. 

— Por favor, não toque no assunto. — O imploro com tanta emergência. Me encolho ali. Deixo minha boca entre aberta para deixar as palavras fluirem. — Eu não conseguiria dizer nada. 

Ouço sua risada fraca sobre meus ombros. Ele faz um carinho com suas mãos em minhas costas. 

— Você deveria descansar, senhorita Brown. — Ele diz e eu sorrio levemente. Com essa frase tinha certeza que ele não tocaria no assunto. 

Saímos do abraço e eu o encaro atentamente. O choro estava preso em minha garganta, mas eu não queria chorar, não na frente de Finn. Olho para minhas roupas sujas de sangue seco, eu estava suada e suja com o sangue da pessoa que era minha âncora, não queria ficar daquele jeito. Percebendo o estado de minhas roupas, Finn me segura novamente, não retruco, não tinha ânimo nem ao menos para falar ou realizar uma tarefa direito. 

O cacheado entra em meu banheiro e me coloca na banheira vazia com roupa e tudo. Ele liga a torneira e eu sinto a água quente descendo pelo meu ombro. O imortal se senta do lado de fora da banheiro e me observa silenciosamente enquanto eu olhava para o nada até a banheira encher. Quando a superfície da água chega a cobrir meus ombros, Finn desliga a torneira e começa a esfregar minhas mãos delicadamente com o esfregão de banho. A espuma aumentava conforme ele pressionava a esfregão contra os cantos dos meus dedos para tirar o sangue. 

A água da banheira estava suja com sangue, mas nem tanto sangue, mas o necessário de relembrar de Sadie sofrendo com seu sangue escorrendo pela flecha enfincada em sua barriga. Uma ardência em minha barriga me faz sair de minha lembrança recente e levar meus dedos até ali. Como a ponta da flecha rasgou minha blusa, posso tocar minha pele com meu dedo indicador. Sinto um desnível em minha pele, uma ardência suportável cada vez que passo meu dedo, era um machucado feito com a pontinha afiada da flecha. Franzo o cenho olhando para baixo, já era para esse machucado ter se curado. Nego com a cabeça, deve ser que ainda não curou completamente por ser um corte maior. 

Suspiro e volto meu olhar para Finn, ajoelhado em frente a banheiro, com seus olhos concentrados em minhas mãos. Quem acreditaria se um dia eu dissesse que o grandioso dono da cidade estaria me dando um banho de forma tão delicada e de vontade própria? 

Ele se vira para limpar minhas costas, mas eu o impeço. Finn leva seu olhar para mim. 

— Pode deixar que eu faço sozinha. — Digo tranquilamente, forçando um sorriso e pegando o esfregão de suas mãos. — Você já fez muito por mim hoje. 

— Embora sua confissão seja convincente, eu penso ao contrário. — Ele se levanta, se colocando de pé em minha frente com as mãos para trás. — Ainda me sinto em dívida com você.

— Eu deveria me sentir assim. Você já me ajudou demais em diversas ocasiões que por mais que pareçam meras coisas, pra mim são grandiosas. Então se sente em dívida comigo, não se sinta mais. Um dia expressarei minha gratidão por você além de palavras, mas por enquanto, por favor, se contente com meus mais sinceros obrigados. — Falo me colocando de pé na banheira para ficar do tamanho do mesmo. Minhas palavras foram frias, formais e evitei o máximo de contato possível com ele.

— Do realmente se trata esse assunto? — Ele me encara seriamente. O mesmo se aproxima pensativo. 

— Se trata da minha saída da aldeia imortal. — Falo em seguida, sem gaguejar ou ao menos hesitar por um segundo. 

Finn me encara perplexo. Ajeito minha postura e respiro fundo, nunca pensei que seria difícil dizer tais palavras, mas ao ver a reação de Finn, vejo o quanto palavras simples acabou tendo um peso enorme. 

— Certo. — Ele fala tranquilamente. Finn desvia seu olhar de mim e engole em seco. — Se é isso que deseja, a partir de hoje, nosso acordo está rompido. 

Suspiro. Eu estava agindo de maneira impulsiva e fria, mas realmente não me importava mais o fato de eu estar ali, mas me sentia horrível por colocar Finn nessa situação, ainda mais depois do que eu praticamente prometi lhe dar, um amor correspondido de minha parte. 

— Realizarei o enterro de Sadie aqui como a última coisa que faria por você. — Ele me encara e eu podia ver tristeza e raiva em seus olhos escuros concentrados nos meus. Finn levanta sua cabeça num ar de superioridade. — Espero que tenha uma boa vida, senhorita Brown. Pelo menos um de nós dois tem que ter uma. 

Lambo os lábios. Lágrimas escorrem do meu rosto, mas isso não era o foco agora. Assinto levemente. 

— Tenho certeza que terá uma boa vida ao lado de Íris. A eternidade deve ser tempo o suficiente para você sorrir novamente. — Sorrio fraco. Nem eu mesma sei se eu consiguirei sorrir novamente. — Só seria uma perda de tempo eu continuar aqui, eu perdi tudo. 

— E eu ainda continuo aqui, mas isso é uma perda de tempo, não é mesmo? — Ele me encara tão frio que me causa um embrulho no estômago, isso me fazia lembrar da primeira vez que o vi. 

Saio da banheira e me aproximo de Finn, mas o mesmo hesita meu toque, dando um passo para trás. Engulo em seco. 

— Eu...

— Não precisa se explicar. Você ou Íris,  tanto faz, nenhuma me interessa mais. — Ele sai do banheiro, mas logo volta novamente. — Ah, e se sinta a vontade para escolher o dia que irá ir embora. 

E ele sai do banheiro e do meu quarto. Frustrada, respiro fundo. Levo a palma da mão no meu coração, já sentindo a imensidão de tristeza me invadindo novamente. 

[...]

Hoje, o dia posterior a morte de Sadie, eu já preparava minha mala, colova todos os meus pertences nela. Enviei uma carta para minha mãe anunciando minha chegada hoje á noite. Arrumarei um trabalho, cuidarei da minha mãe e de Maxine. 

Tudo que eu mais procuro agora é estabilizar minha vida novamente. Não quero desmoronar, mesmo sendo grande a vontade.

Nunca pensei que passaria por isso, mesmo sendo imortal e Sadie mortal, nunca pensei que teria que vivenciar a morte acidental dela. Limpo minhas lágrimas e olho para um canto escuro do quarto que hospedei. Não quero ver a luz do sol invadindo meu quarto, portanto, o cobri com a cortina pesada de comprimento enorme. 

Fecho minha mala após colocar tudo. Eu usava uma roupa preta devido ao luto, após o enterro de Sadie, sairei imediatamente da residência de Finn, prefiro não enrolar minha saída.

A porta do meu quarto é aberta, revelando Íris. A mortal se aproxima após seus olhos baterem na minha mala. Ela me encara perplexa.

— Então é verdade? Você realmente vai embora? — Ela pergunta sem ânimo. Assinto e forço um sorriso. — Não tem nada que eu diga que te faça ficar não é. 

Solto uma risada sem ânimo. 

— Não. Não tem, Íris. — Nego com a cabeça.

Ela me puxa pelo braço e me abraça fortemente, me surpreendendo. Arregalo os olhos com o gesto de Íris, nunca esperaria um abraço da mesma. 

— Obrigada por tudo e me desculpe por ter sido uma péssima pessoa com você. — Ela sai do abraço e eu posso ver seus olhos claros e sinceros. Assinto brevemente. A mesma solta um suspiro. — E meus pêsames por Sadie, eu e ela nunca trocamos muitas palavras, mas eu sei o quanto ela era importante pra você. 

Engulo em seco. A pior parte de perder alguém era receber os sentimentos das pessoas te lembrando do que mais você quer esquecer.

— Obrigado. — Digo sem graça. Me aproximo da mesma entrelaço nossos braços. — Vem, você precisa almoçar. 

— E você também. — Ela debate ao sairmos do meu quarto. 

— Eu sou imortal. — Justifico-me, mesmo se eu quisesse não teria como morrer de fome ou desidratação. 

Descemos as escadas e entramos na sala de jantar, onde o cacheado já se encontrava, comendo sua refeição sozinho. Íris e eu nós sentamos uma do lado da outra, Finn nem ao menos levanta o olhar para nenhuma de nós duas. Respiro fundo, era evidente o clima tenso que pairava pelo todo ar deste cômodo. Os únicos sons que saiam dali eram os talheres se encostando com o prato de porcelana. Encaro o prato já servido pela uma moça ao meu lado, estava quente e parecia delicioso em questão de aparência.

O cacheado se levanta da mesa. Fecho meus olhos fortemente ao ouvir seus passos se distanciando. Me levanto também da mesa rapidamente e ando em passos apressados até ele, seguro em seu braço e o mesmo se vira para mim. Ele olha surpreso em meus olhos, mas logo desvia seu olhar e se solta de mim. 

— Podemos... conversar? — Peço, incerta de sua resposta. O cacheado não dá um passo, apenas se mantém de costas para mim.

Finn se vira para mim e me encara. Sabia que era a última pessoa com quem ele queria falar, mas ainda tínhamos muitas coisas para colocarmos no trilho. 

— Apenas dez minutos. — Diz, rígido. Assinto freneticamente. Ele ajeita seu casaco preto. — Sobre o que você quer falar?

— Eu quero falar sobre seus sentimentos. — Digo tranquilamente, precisava ter paciência e cuidado com minhas palavras agora. 

— Você falou certo. Somente os meus, porque eu sempre fui o único no final.  — Ele diz me olhando de cima abaixo. 

— Você está errado. — Suspiro. Chegou a minha hora de fazer uma confissão, antes que eu me arrrpenda para sempre de não a ter feito quando tive chance. — Eu gosto de você. Apesar de minha falta de demonstração e minha falta de expressão, eu gosto de você. 

— Isso não tem utilidade nenhuma agora, então por que dizer isso? — Ele se aproxima, tentando me decifrar apenas em nosso contato visual. 

— Porque eu não quero me arrepender depois. E porque eu quero que você saiba que nunca foi um amor de um lado só. — Engulo em seco. Eu realmente não sabia me expressar ou o que dizer. 

Me aproximo de Finn lentamente. Um pouco receosa, levo minha mão até seu rosto, ele não recusa o toque então me aproximo e uno nossos lábios. Deposito um selinho suave, esperando que isso sirva como um pedido de desculpas e uma despedida descente. Me afasto do mesmo e o vejo abrir seus olhos lentamente. 

— Eu preciso de um tempo. — Sorrio sem jeito para Finn. — Com a morte de Sadie percebi que eu não sei o que quero pra mim e muito menos sei como seguir em frente, mas eu sei que não quero mais sua ajuda, eu preciso enfrentar certas coisas sozinha. Espero que respeite minha escolha, eu realmente sinto muito. 

— Preferia que você não tivesse dito nada disso. — O encari confusa. Ele fita o chão. — Seria mais fácil me despedir de você se eu te odiasse. 

Uma lágrima escorre dos meus olhos, sorrio e assinto.

— Eu sei. — Lambo os lábios e desvio meu olhar dele. 

Finn retira um lenço de seu bolso e o estende para mim. Revezo meu olhar entre ele e o pano, pego o lenço de sua mão. 

— Odeio ver você chorando. — Ele se vira e sai andando.

Me apoio na primeira parede que vejo. Eu queria que Sadie tivesse aqui para me aconselhar. Não consigo deixar Finn assim sem mais nem menos. Eu estou indo e estou fazendo a história de nos dois se tornar inacabada, se é que ela havia começado.



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