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História Meu Vizinho: Destiel - Capítulo 8


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Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 8 - Capítulo VIII


 Sentado em sua poltrona preferida, cuja mesma fica posicionada ao centro do ambiente, Dean assistia The Rocky and Bullwinkle Show, antigo desenho animado da década de 60, enquanto tomava sopa de legumes. Ainda que não agradasse ao paladar do homem, precisava por duas razões: tua saúde que, se continuasse com sua antiga dieta, estaria comprometida; e os pontos que levou na abertura da gengiva, com a agressão que sofreu há alguns dias. Negligente para com o próprio bem-estar, nunca se preocupou em obter um plano de saúde, o que o trouxe arrependimento. Seu irmão caçula foi o que mais se envolveu na situação, cuidando do mais velho e o amparando com aquilo que estava a seu alcance, ainda que Dean nem ao menos queria que ele ficasse sabendo daquilo, pois tal aproximação levaria Sam cada vez mais para perto de seu envolvimento com coisas indevidas.

 Ainda meio ao programa, alguém bateu na porta de seu quarto. Sobrepôs a tigela na mesa central da sala de estar, apanhou seu rifle, cujo mesmo estava posicionado ao lado da porta, e observou através do olho mágico. Uma pessoa de cabelo ruivo e curto olhava ao redor, de costas para porta. Dean a abriu, era uma antiga amiga, Rowena MacLeod.

 — Dean! — exclamou a mulher e logo saiu entrando, retirando o cano do rifle de sua direção. — Tranque a porta! Depressa! — afobada, melodramática, ordenou com a mão. — Aconteceu uma coisa muito ruim comigo!

 Estranhou a agitação, a declaração de tragédia e o cabelo curto da mulher que, até a última vez que a viu, era longo e Rowena se vangloriava do quão belo era. Assim que Dean trancou a porta, deu-lhe uísque em um copo cristalino e a convidou para sentar-se.

 — Foi Crowley... — ela revelou, puxando levemente uma madeixa, na esperança de que quanto mais puxasse, mais rápido cresceria. — Ele e alguns outros apareceram em minha casa. Alegaram que "ele" havia encurtado o meu prazo para a devolução. Antes de partirem, Dean... — dramática, fez uma pausa, o olhando sofrida. — Antes... picotaram todo meu cabelo! Ficou feio e desproporcional! A única forma que encontrei de consertar, foi cortando mais e assumindo esse penteado.

 — Meu tempo também está acabando, Rowena. Crowley levou um dente meu. Ainda dói, mesmo com os comprimidos — Rowena expressou dor e horror, tapando a boca com a mão livre. — Você é mãe dele, como ele pôde fazer isso?

 — Crowley não me considera sua mãe há muito tempo, Dean Winchester... — com semblante marcado pelo desprezo, tomou um gole da bebida. — Na verdade, eu não me considero mãe há muito tempo também.

 — Isso não está certo... Eu lamento, Rowena.

 — É... Eu também.

 — Só para registro, não acho que tenha ficado mal assim — com o elogio, arrancou um sorriso genuíno de Rowena. —  Pretendo assaltar o banco da cidade vizinha semana que vem. O que você vai fazer?

 — Insano! Perigoso demais. O risco é muito grande e as chances de você fracassar são enormes — ela o repreendeu, depositando o copo vazio sobre a mesinha central, depois, cruzou as pernas e depositou as mãos sobre os joelhos magros. — É o seguinte, eu já pensei em vingança. Irei me aproximar de Crowley, obter informações, encontrar a melhor forma de tirar a vida "dele" e você irá matá-lo.

 — Não! Sem essa de se aproximar com a proposta de ser mãe apenas para se aproveitar dele, Rowena — Dean pensou em Mary Winchester, sua mãe, e em como as coisas terminaram frias entre ambos, antes da mesma cometer suicídio. — Se for para chegar mais perto... Por favor, faça isso de verdade.

 — Acredito que eu não consiga, Dean. Você não sabe o que é estar perto de alguém intimamente sem qualquer sentimento por essa pessoa.

 — Está errada. Conheço a sensação e o quão dolorosa é — a refutação do homem despertou curiosidade em Rowena. — Mas eu só posso imaginar o quão sofrido deverá ser, para quem mentimos, quando descobrirem a verdade. E a verdade é que eu... gosto de homens, Rowena.

 Com os vários anos de proximidade, Dean sabia que poderia compartilhar aquilo com Rowena, pessoa leal e liberal. Antes daquela noite, Dean nunca teve a oportunidade de ouvir-se dizer aquelas palavras em uma única frase. Foi libertador, ainda que, depois, sentiu vontade de repeti-la, mas usando a palavra com G, "gay". Após quase uma hora de conversa, o homem fez despertar em Rowena a curiosidade em voltar a se sentir como mãe, graças às lembranças que Dean compartilhou de sua infância com Mary. A saudade que ele sentia era evidente e a mulher apenas ouvia as histórias com um sorriso no rosto, o perguntando algo, vez ou outra. Rowena aprendeu a ser boa ouvinte com Dean e Dean aprendeu a se abrir com Rowena.

 Quando as histórias terminaram de ser narradas, o ambiente contava apenas com o som baixo da televisão. Em seguida, Rowena tirou o celular da bolsa e discou para alguém.

 — Olá, Crowley — disse ela, um pouco ríspida. — Sou eu, sua mãe.

 Crowley, em diversos momentos, demonstrou arrependimento pelo que foi obrigado a fazer por "ele", em paralelo, genuinamente, Rowena não queria falar sobre dívidas, trabalhos sujos e o que houve àquela tarde. Após alguns minutos conversando, a mulher se despediu com um sorriso no rosto e desligou. Dean estava confuso com o que havia acontecido, ainda que tivesse escutado a conversa. A incógnita é que não sabia das reais intenções de Rowena e ela revelou ser a vontade de reencontrar a maternidade, o que era verdade. Dean a levou na portaria e se despediram com um abraço. Subindo pela escadaria, de volta a seu quarto, cruzou com Castiel. Seus olhos estavam avermelhados e inchados, como os de quem chorou fazem alguns minutos. Após a troca de olhares, Castiel sorriu amistoso entrou para seu quarto e Dean seguiu seu destino, sentindo um aquecimento nas bochechas.

 Na manhã seguinte, homem estava determinado a encarar a sua grande adversidade, mas, agora, com racionalidade e companhia. Deixou a gerência de sua oficina mecânica — cuja compra da mesma é o motivo caro de sua dívida — com Jo e a deu um beijo na face, dizendo precisar encontrar um amigo que estava com problemas, o que não era mentira, pois havia combinado de encontrar Garth Fitzgerald IV em sua casa, no interior do estado. Lá, também se faria presente Arthur Ketch, cujo mesmo foi o primeiro homem a ter uma relação sexual com Dean, contudo, fora apenas uma fez, uma troca de sexo oral. Aconteceu meio a uma das pancadarias frequentes entre os dois, o contato físico acabou por excitá-los e o fim daquela história já foi contado.

 No fim de algumas horas de viagem no seu Impala 67, Dean chegou às terras agrárias de Garth, avistando de longe seu casarão de madeira. Estacionou o automóvel na entrada, próximo ao carro de luxo de Arthur, o que indicava que ele já havia chegado. Dean bateu na porta e foi recebido pelo Fazendeiro, que o abraçou forte, sorridente.

 — Dean Winchester! Que falta fez, amigo! — falou Garth, durante o abraço, mas se afastou quando encostou a lateral da cabeça na de Dean, o que gerou dor. — Sinto muito por isso.

 — Garth, o que houve? — se referia aos curativos na região lateral da cabeça do Fazendeiro. — F-Foi... Não! Aquele filho da mãe mandou fazer isso?!

 O homem Fazendeiro estava sem uma das orelhas, ela havia sido decepada a mando "dele". Dean foi convidado a entrar e lá dentro estava, de pernas cruzadas, bebendo uma xícara de chá, o Letrado, chamado assim por Dean, por ter cursado Letras na universidade. Ele perguntou pelo motivo do encontro e pelo quê não poderia ser tratado por um telefonema.

 — Você viu o que fizeram com o Garth, seu filho da mãe? — Dean berrou, espumando de raiva. — Arrancaram um dente meu e você, com certeza, está na lista dos próximos, Arthur! "Ele" está encurtando o prazo da dívida de todos, algo está estranho. Eu não vou ter tempo o bastante de conseguir a quantia e há vidas de pessoas muito importantes para mim em jogo.

 — Garth sabe o quanto eu lamento, Winchester, mas eu não tenho dinheiro o bastante para a dívida de vocês dois e eu mesmo — bebericou sua bebida. — O chá está ótimo, obrigado, Garth! O que quero dizer é: eu não posso ajudar você.

 — Que se foda o dinheiro!

 — É! Que se foda! — Garth proclamou. — "Ele" mandou arrancarem minha orelha, eu senti tudo! E minha esposa e meus três filhotes... O pavor que eles devem ter sentido ao ver tudo aquilo. Não tiveram piedade de nós, Letrado.

 — E é por isso que eu sinto muito, Garth. Conheço sua família há uns cinco anos, me preocupo com vocês, e estou disposto a ajudá-lo com o dinheiro. Mas... — Arthur suspirou fundo. — Lúcifer não irá parar. Eu já fui contactado por seus agentes. Pegaram leve comigo, pois eu já havia pagado há muito tempo, mas querem que eu pague outra vez.

 — O que disse? — perguntou Dean. — Ele quer mais?! Eu já entendi... Lúcifer está desesperado! E é a partir dessa brecha que nós derrubamos esse filho da mãe.

 — Nós? — perguntou Arthur, esnobe. — Não há nós, Dean.

 — Calado! Você ainda me deve! Quem se livrou daqueles corpos fui eu, só para você não ter que sujar as mãozinhas — a novidade assustou Garth, que arregalou os olhos. — Faremos isso juntos, porque assim temos uma chance maior. Você é inteligente, mas não é esperto, tanto é que está considerando pagá-lo outra vez.

 — E o que você sugere, Winchester?

 — Nós iremos matá-lo.


Notas Finais


Se chegou até aqui e gostou do que leu, não deixe de favoritar e comentar o que achou, mas só se você quiser! Mas se não curtiu, tudo bem, deixe sua crítica e me diga em que posso melhorar! :D

Enquanto eu reviso o conteúdo escrito, na busca de erros, mais eu sinto que estou fugindo da trama principal: Destiel. Contudo, me lembro que para Destiel acontecer, alguns arcos precisam estar fechados, para dar espaço ao romance deles dois. O capítulo de hoje foi muito voltado à solução do problema de Dean, agora, entramos no processo de conclusão. Só posso dizer que continuem acompanhando o nosso alcance até Destiel. Vocês também vêm sentindo isso?


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