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História Meu Xodó - Capítulo 1


Escrita por: Loukytah , ackuchi e ProjetoKS

Notas do Autor


Olá pessoal! Como estão?🌹 Esperamos que estejam bem, viu. Agradecemos a chance dada a essa história que fizemos com tanto carinho, agradecemos por essa parceria maravilhosa, pois é impressionante como conseguimos uma sintonia tão boa, apenas agradecer ao @ProjetoKS por ter nos aproximado assim.

Agora temos mais de 366 plots por vir, então aguardem.

Exaltem essa capa digna de banner de filme feita por essa capista linda @Loukytah 🤧 passamos horas admirando

E agradecemos a nossa beta maravilhosa que nos acolheu de última hora @Tylluan🤭

Boa Leitura!🐈❤️

Capítulo 1 - Mandacaru


Fanfic / Fanfiction Meu Xodó - Capítulo 1 - Mandacaru

O dia estava ensolarado, o vento fresco batia contra a sua face bonita e na escuridão que eram os seus belos, e compridos fios de cabelo. O suor escorria por sua testa, ela havia se esquecido de pegar seu chapéu e por isso, quase sentia os seus cabelos pegarem fogo de tão quente que aquele dia estava. 


O som do cavalgar era mais alto para quem estava no estábulo, aos poucos tornaram-se trotes calmos. Uma bela dama, de mais ou menos dezessete anos, desceu do cavalo, ajeitou o cabelo bagunçado e as roupas amassadas que usava.


Estava tão distraída cantando e tentando recuperar a respiração perdida, pela cavalgada de antes, que quase não notou uma outra pessoa no local. Ele a observava de longe.


Receosa, ela o cumprimentou.


- Bom dia, Kawaki. - Sorria gentil enquanto segurava o laço de sua égua com as duas mãos.


Ele parecia perdido em pensamentos, desviou o olhar ao ser notado, e voltou a fazer os seus afazeres, colocando uma certa quantidade de feno em cada box.


- Bom dia. - Respondeu curto. Os dois não eram muito íntimos, eles nem eram amigos, pois não se falavam muito.


Alguns dos cavalos colocaram a cabeça na divisória das portas, Kawaki acariciava suas crinas com carinho, ele sabia que gostavam desse contato e por isso o fazia.


- Como você está hoje? - Sarada arriscou novamente. Admitia que tinha uma certa curiosidade sobre aquele rapaz, mesmo ele sendo tão quieto e reservado.


- Estou bem. - Não sabia como continuar aquele diálogo ou se deveria continuar, pois tinha um certo medo de dizer besteiras e acabar estragando tudo. - E você?


- Estou ótima! - Respondeu sorrindo. - Fazia tempo que eu e Celeste não saíamos juntas. Tenho me dedicado tanto aos estudos que acabo não tendo tempo para a minha égua. 


- Ela gosta bastante de você. - E claramente, ela não era a única.


- Eu noto isso. Celeste é uma grande amiga.


Sarada era apaixonada por sua égua, Celeste era uma Paint Horse, suas manchas não se assemelham a de outros cavalos, porque são únicas, por conta delas jamais serão iguais ou no mesmo lugar, mesmo que seja um filhote seu. Isso os torna únicos. Celeste era única para Sarada.


A morena abraçou o pescoço da égua, Celeste abaixou sua cabeça como se também quisesse abraçá-la, mas não podia. Quando deixou de abraçar-lá caminhou calmamente com o animal ao seu lado, até onde o rapaz estava. Ele era mais alto e tinha que admitir que sua beleza era maior por conta da aproximação.


Kawaki continuou a trabalhar, tentando esconder o nervosismo que só aumentava a cada passo que a Uchiha dava em sua direção. Sarada dava um sorriso sem dentes, e quando parou, ficou de frente para o moreno.


Sem ao menos perceber, o rapaz prendeu a respiração com a proximidade. Não que ela estivesse colada ao mesmo, mas ele estava nervoso mesmo assim. Os olhos e os cabelos da garota eram escuros iguais aos de seu pai, seu belo rosto puxou de sua mãe, a personalidade forte veio dos dois. 


Ela também estava nervosa, e por isso, suas unhas pagavam o preço. Quando se tocou que estava quase sem dedo de tanto roe-lás, parou e foi direto ao ponto.


- Então, amanhã vai ter a festa junina… Você vem? 


Sarada tinha esperanças em poder encontrá-lo lá, talvez a festa seria uma boa maneira de se aproximarem. Ela estava tão ansiosa pela resposta que nem notou a sua mania, de roer as unhas, retornar.


- Não. Eu prefiro ficar em casa, não gosto de festas. - O rosto da garota mudou para uma expressão triste, suas expectativas de se aproximar de Kawaki foram jogadas e trancafiadas dentro de um baú. 


- Quem não gosta de festas? - Perguntou divertida enquanto o seguia pelo estábulo, mesmo trabalhando ele a ouvia com atenção. 


- Eu.


- Tenho certeza que iria se divertir muito. As festas juninas são muito legais, com vários jogos, brincadeiras e comida. Ai meu Deus, minha mãe faz um bolo de milho maravilhoso, e a pamonha que o vovô faz é de matar.


Kawaki se assustou com a expressão que ela usou para elogiar o prato do avô.


- Eu prefiro viver um pouco mais. Vou ficar em casa. - Recusou novamente de uma forma gentil, notou o rostinho tristonho da garota. - Mas obrigado por pensar em mim, Sarada.


As bochechas da morena coraram pelo comentário, ela realmente tinha pensado nele, e também planejado várias coisas, elevando suas expectativas com o funcionário de seu pai. Falando nele, não demorou muito para o mais velho aparecer e estragar qualquer clima que tinha no local.


- Bom dia, senhor Uchiha. - Kawaki o cumprimentou com enorme respeito, e medo por ser pego conversando com a sua filha. Não que ele fosse bravo, mas era de se notar que não gostaria de ver os dois juntos.


- Bom dia. - Respondeu. Suas roupas eram casuais, uma camiseta branca, calças jeans e botas de borracha. O moreno olhou em volta, satisfeito com o trabalho do garoto, mas mudou seu olhar quando viu sua filha ali. - Sarada, você não deveria estar aqui.


- Eu sei, pai. Celeste e eu estávamos cavalgando, ela vai descansar agora. - Rapidamente acariciou as crinas do cavalo, ignorando o olhar do pai, ela abriu a porta de um dos boxes e ajudou o animal a entrar. 


Kawaki observava tudo em silêncio.


- Sua mãe está preparando o almoço, por que não vai ajudá-la? - O Uchiha mais velho propôs com um sorriso puxado em seu rosto.


- Certo. - Respondeu com desânimo. Não deixou de olhar para o rapaz antes de sair do estábulo. 


O sol continuava marcando o céu, o vento impulsionava as gramas a se moverem fortemente, junto às folhas das árvores ao redor de sua casa.


Os degraus de madeira eram novos, por isso, não houve nenhum barulho quando pisou neles. Empurrou a porta e deu de cara com a cozinha, onde estava sua mãe.


Os cabelos tingidos de rosa passavam de sua cintura, assim como os de sua filha, que também possuía cabelos compridos. Sakura amava cozinhar, fazendo com que a cozinha fosse seu cômodo preferido da casa.


- O passeio foi bom? - A mais velha perguntou ao ver Sarada, limpou as mãos em um pano de prato e aguardou a resposta da filha.


- Sim, foi muito divertido.


Mesmo com uma certa empolgação em sua voz, Sakura não botou muita fé naquela resposta. A rosada se acomodou na cadeira e puxou a menor para ficar junto dela.


Apertou as mãos da garota para transferir confiança.


- Me conta. 


Sarada suspirou.


- Por que eu não posso conversar com o Kawaki?


- Ninguém jamais proibiu você de falar com ele. - Sakura ficou surpresa com aquela pergunta. 


- Então porque sempre que eu vou falar com ele, o papai fica bravo e me manda ficar longe? 


A mais velha ficou calada enquanto pensava, a morena não tirou os olhos do rosto de sua mãe. Sorrindo, Sakura respondeu.


- Sarada, meu amorzinho, até parece que não conhece seu pai. - A chaleira começou a apitar, anunciando que a água já estava pronta. - Ele é ciumento mesmo.


Aquilo não deixava de ser verdade, Sasuke tinha muito ciúmes de sua pequena, e principalmente, de sua esposa. Perdida em meio às lembranças do passado, Sakura recordou-se de quando se conheceram.


Ela era apenas uma garota da cidade grande visitando sua madrinha do interior, se sentia deslocada naquele lugar, mas não demorou muito para se acostumar e o ver com outros olhos. Claro, Sasuke ajudou um pouco quando apareceu em sua vida.


- Seu pai tem medo de você ir embora e não precisar mais dele. Ele não aceita que você está crescendo e algumas coisas estão mudando.


Sarada ficou pensando naquilo, sua mãe garantiu que estava tudo sob controle com o almoço e aconselhou a mesma ir estudar um pouco, e assim ela fez.


Subiu as escadas e entrou em seu quarto, ele era bem arrumado e jeitoso, pois Sarada era igual a sua mãe, odiava bagunça. 


A adolescente tirou alguns livros de sua estante e espalhou pela sua escrivaninha, se dedicou para entender a matéria e resolver todas as questões propostas. 


Alguns minutos passaram e ela decidiu descansar, bebeu um pouco de água de sua garrafinha e aproveitou para olhar pela janela.


O ventinho natural era tão refrescante, fechou seus olhos e sentiu seus cabelos serem elevados. Ela amava aquela sensação do vento em seus cabelos, por isso, era apaixonada em cavalgar com Celeste.


Abriu os olhos, girou a cadeira olhando ao redor. Seu quarto era grande, ela sempre o mantinha ajeitado, a cama sempre arrumada e as roupas perfeitamente dobradas dentro do guarda-roupa.


Olhou para o seu caderno, a letra bem feita preenchia todas as linhas, o verde do marca texto destacava as partes mais importantes e os posts its coloridos colados na parede também a ajudavam na hora dos estudos.


No canto da sua mesa tinha um potinho onde ela colocava os seus lápis, mas no lugar dele havia uma linda flor branca. Sarada não sabia exatamente como aquela flor apareceu em sua janela, nem ao menos sabia o significado, mas, mesmo sendo desconhecida ela foi acolhida e admirada pela garota. 


Ficou observando a deslumbrante flor e quase se esqueceu de continuar estudando, sua mãe lhe chamou para anunciar que o almoço estava pronto. Deixou os livros abertos em cima da escrivaninha, não guardaria nada ainda, pois estudaria novamente mais tarde.


Fechou a porta do quarto, mas antes de sair, observou a bela flor mais uma vez.

. . .


Kawaki encostou-se na parede amadeirada do estábulo, enquanto tentava regularizar sua respiração ofegante, enxugando o suor que escorria por sua têmpora com o dorso de sua mão. Finalmente finalizando os serviços do dia, na fazenda dos Uchihas, estava de certa forma acostumado com a rotina exaustiva e que tanto exigia do seu corpo, mas não poderia negar que nunca se tornaria mais fácil.


Tinha começado a trabalhar ainda muito cedo, antes mesmo do que seria tido como legal perante a lei, mas a vida não fora nenhum pouco fácil consigo. 


Seu pai morreu quando ainda era jovem, deixando ele e sua mãe em uma situação financeira delicada. Era certo que desde a chegada do seu padrasto as coisas haviam de certa forma melhorado, tanto financeiramente quanto com o ar denso que a casa tinha após o falecimento.


Agora tudo era mais leve e feliz, agradecia a chegada do loiro de olhos azuis, por toda felicidade que ele trazia à sua mãe e como demonstrava ser um pai melhor que o seu jamais fora.


Naruto Uzumaki nunca o tratou diferente por não ser do seu sangue, ele cuidava do garoto e incentivava que ele buscasse melhoras em sua vida, que olhasse o mundo em sua totalidade, queria que seu filho mais velho alcançasse tudo o que merecia.


Kawaki lavava o rosto no ofurô, tirando o excesso de poeira que tinha se misturado ao suor, o transformando em uma crosta cinzenta. Quando passasse pela casa grande dos Uchihas, não queria dar de cara com Sarada tão acabado como aparentava estar, vestiu uma blusa cinza de tecido flanelado, que ele sempre levava para trocar no fim do expediente, gostava de se manter o mínimo apresentável para a garota de olhos negros.


Ele sabia que Sarada tinha uma personalidade forte e costumava encobrir seus sentimentos atrás de farpas trocadas, mas ele não tinha pressa alguma, porque de certa forma a entendia.


Não houve um dia certo em que ele simplesmente descobriu que estava apaixonado pela filha do patrão, tudo foi se desenvolvendo de forma tão natural que uma dia ele se via admirando os longos e densos cabelos negros que voavam ao vento enquanto ela calvogava em Celeste, e no outro ele queria um dia poder proporcionar uma vida feliz a ela.


Era impossível não se apaixonar por Sarada Uchiha e todos seus trejeitos, sua mania incontrolável de sempre estar roendo as unhas, os olhares furtivos que trocavam quando o Sr. Uchiha finalmente os davam um descanso, e como ela mesmo que inconscientemente sempre o procurava para conversar.


Entendia que se dependesse do grande senhor Uchiha, ambos nunca ficariam juntos, e ele não o culpava, pois lá no fundo sentia que Sarada merecia mais, e só torcia para que fosse esse tal homem um dia.


Juntou todos seus pertences na pequena mochila que levava para passar o dia na fazenda e chamou seu mais fiel companheiro.


— Fred! – soltou um longo assobio, sabia que o cão escutaria de onde estivesse.


O cão caramelo SRD, Fred, foi encontrado quando ainda era apenas um filhote ao redor da fazenda, perto do lago, ele e Sarada tinham ouvido pequenos grunhidos quando passavam por ali, acabaram encontrando o pequeno, todo enrolado em uma manta dentro de uma caixa.


Ela bem que tentou ficar com o cão, mas Sasuke não era fã da raça canina, então Kawaki o levou para casa.


— Bom garoto – o cachorro já estava à sua espera com a língua pendendo para fora da boca, por conta da distância que ele percorreu em pouco tempo — Vamos?


Ambos começaram a caminhar lado a lado pela estrada, o fim de tarde se desenhava no céu, composto por suas cores alaranjadas, junto com a vegetação verde da recente chuva.


Sua casa não era tão longe, já era possível avistar a fachada chamativa. Ainda se lembrava do dia em que sua irmã tinha decidido que sua cor favorita era amarelo, e desde então ele e Boruto haviam preparado uma surpresa para a pequena Hima, pintando a fachada da casa de amarelo canário.


Claro que Sarada o ajudou a escolher o tom de amarelo, já que para ele tudo se resumia a mesma coisa.


Agora a parede amarela se destacava ainda mais com as flores de sua mãe, principalmente com as de Mandacaru, que ele vinha roubando furtivamente nos últimos tempos, apesar de ter certeza que sua mãe sem dúvidas sentiu falta de suas flores prediletas.


— Cheguei – anunciou ao adentrar na casa.


— Fred! – a voz infantil gritou, vindo a passos apressados abraçar o cachorro.


— Quando eu passei a ser menos que o cachorro? – perguntou irônico a mãe, que assistia a recepção calorosa da caçula segurando um sorriso pelo ressentimento do filho.


— Também estou feliz que voltou, Kawa.


O abraçou mais forte que conseguia, nem se importando se ele ainda estava sujo ou com cheiro de suor. Himawari era imensamente grata por ter dois irmãos que sempre faziam de tudo por si.


— Vá tomar um banho, querido – a mulher de olhos perolados falou, enquanto pegava a mochila do garoto para lavar as roupas sujas do dia.


Hinata tinha um imenso orgulho de todos seus filhos, mas era certo que Kawaki havia aberto mão de inúmeras oportunidades pelo seu bem estar.


Seu ex marido havia morrido, os deixando desamparados, já que ela sempre foi dona de casa, então viu seu filho tomar as rédeas e se tornar o homem da casa muito precocemente. Kawaki largou os estudos na escola, pois precisava de tempo para trabalhar, estudava no período noturno, em sua casa mesmo, indo fazer provas mensalmente na escola para que no fim pegasse seu diploma.


Ele não tinha grandes expectativas em relação a uma faculdade, ou até mesmo cursos preparatórios, apesar de hoje seu padrasto dar conta de grande parte das finanças, ele tinha medo, medo de que algum dia Naruto se fosse também.


Naruto chegou em sua vida de forma quase sorrateira, cercando sua mãe de encantos, flores, encontros, palavras doces e promessas, ele não podia negar que o loiro cumpriu cada uma de suas palavras e fazia sua mãe imensamente feliz, e ele era grato por isso.


Acontece que o Uzumaki não chegou só, trouxe uma pequena grande mala, o nome dele era Boruto, seu irmão, mesmo sem nenhuma ligação sanguínea, que o tirava do sério, mas não se imaginava em um mundo sem ele.


Muito menos sem a pequena Himawari, fruto do amor de sua mãe com o padrasto, ele jamais achou que fosse amar tanto uma criatura tão pequena, Hima domou todos da casa, com seus sorrisos fáceis e sua doçura, e o mais velho faria de tudo ao seu alcance para a felicidade da pequena de olhos azuis.


Desceu os degraus do segundo andar após o banho, já escutando as risadas que ressoavam pelas paredes cobertas por fotos e quadros da família.


A mesa de jantar já estava cheia, só faltando ele. A Uzumaki havia preparado uma grande travessa com vatapá, o cheiro chegava em suas narinas o guiando até sua cadeira.


— Como foi seu dia, Kawaki? – O mais velho servia o prato de seus filhos, enquanto aguardava uma resposta do moreno que parecia mais cansado que o normal.


— Foi bom, bastante serviço, mas consegui terminar tudo.


— Fico feliz – sorriu para o enteado. 


Levou o garfo a boca, degustando a comida deliciosa de sua mulher, sempre impecavelmente perfeita, sorria feliz por todos ali, quando sentiu um chute fraco em sua canela, apesar de ser leve não deixou de ser doído.


Observou todos em sua volta, procurando um culpado, mas pareciam distraídos demais com a comida, exceto uma, sua suspeita número um, Himawari Uzumaki.


Fitou a garota baixinha de cabelos negros, que o olhava também como se quisesse lhe dizer algo, ele franziu o cenho sem entender do que se tratava, quando a carranca da garota aumentou. Possivelmente algo que ela havia pedido mas ele tinha esquecido.


Tentou se forçar a lembrar do que tinha conversado com a filha antes do jantar, quando lembrou.


— Kawaki?


— Sim?


— Você vai fazer algo amanhã? – indagou sorrindo amigavelmente.


O moreno já suspeitava o que surgiria dali.


— Amanhã é meu dia de folga, então acho que vou ficar em casa.


Ele não iria topar aquilo!


— Hum… é que amanhã eu e sua mãe estaremos ocupados na barraca, então queríamos saber se você podia acompanhar a Hima na festa Junina.


Ele observou a feição de pidão do padrasto e depois a de cão abandonado da pequena irmã, aquilo era jogo sujo!


— Desculpa Hima, eu queria descansar amanhã.


Não era totalmente mentira, ele realmente precisava descansar, mas o fator principal era que ele odiava festas, com todas as suas forças. 


Viu os olhos brilhantes da garota murcharem em desapontamento.


— Eu posso ficar com ela, pai – Boruto prontamente se ofereceu, querendo alegrar a irmã.


— Boruto, você não cuida nem de si – Naruto o olhou com reprovação.


— Isso não é verdade, sempre olho a Hima quando vocês estão ocupados e o Kawaki está no trabalho – crispou os lábios, emburrado por falarem dele assim.


— Fala daquela vez em que vocês quase colocaram fogo na casa? – o moreno perguntou com deboche na voz.


Boruto o encarou feio, aquilo tinha sido um segredo entre os irmãos, fora que ele estava tentando achar um jeito de animar a pequena Himawari, e o mais velho só estava impondo mais dificuldades.


— Tudo bem papai, eu posso ficar aqui com o Kawaki – a caçula tentou ser o mais convincente possível, mas era visível sua decepção. 


Seu vestido de bolinhas já estava totalmente ajustado, só esperando que ela o usasse, mas parece que não aconteceria.


O resto do jantar foi debatido sobre o que tinha acontecido no dia do quase possível incêndio, enquanto Boruto caçava todas possíveis desculpas. 


O moreno tentava se concentrar na matéria de botânica que a escola havia passado naquela semana, mas seu pensamento viajava da conversa que teve mais cedo com Sarada até a feição de desapontamento de sua irmã. Ele odiava em todos os níveis qualquer tipo de festa que fosse, mas tinha que fazer um esforço por suas garotas.


Ou pelo menos uma era sua garota.


Atravessou o corredor, indo até o quarto da pequena Uzumaki, que ficava em frente ao seu e que dividia com o irmão. Himawari estava sentada na cama, fitando o vestido azul escuro com bolinhas brancas, que estava pendurado no cabide para que não amassasse. 


Kawaki observou atentamente os olhos vermelhos da caçula, ela estava animada para ir, e ele não conseguiria jamais lhe negar isso.


— Você vai ficar linda nesse vestido amanhã.


— Como assim? – perguntou de cenho franzido, não entendendo onde ele queria chegar.


— Nós iremos para o São João amanhã.


A última vez que Himawari gritou e pulou tanto, foi quando vira a fachada amarela da casa. Havia voltado ao seu estado normal, tagarelando enquanto ajudava seus pais na cozinha com a comida que venderiam na barraca.


. . . 


Revirava de um lado para o outro sobre a cama, mas nenhuma posição parecia suficientemente agradável, a insônia era uma companheira de longa data que insistia em manter-se presente. Suas crises começaram próximas a época em que seu pai se foi, normalmente ele tomava um chá de valeriana, que sua mãe havia ensinado.


Valeriana tinha propriedades que atuavam diretamente na ansiedade, o que costumava o ajudar, mas agora ele tinha um novo hábito.


Se levantou evitando qualquer som que pudesse acordar o loiro, que dormia na beliche de cima, mas Boruto tinha um sono pesado.


Desceu os degraus lentamente para que a madeira rangisse mais baixo, ele nunca odiou tanto aquela escada como naquele momento. Calçou as botas que sempre costumava deixar na entrada da casa, fechou a porta certificando-se que estava trancada, apesar de saber que naquela cidade pequena ninguém faria nada.


Observou mais uma vez o cacto favorito de sua mãe, com as flores brancas pensando se ela daria falta de só mais uma. Puxou a flor, segurando seu caule e se pôs a caminhar até seu destino.  


Pulou a cerca de madeira branca que rodeava a fazenda Uchiha, o estábulo estava silencioso, indicando que os cavalos já dormiam. Observou a mansão antes de se pôr a andar até seu destino conhecido, fitou a janela uma última vez, semiaberta, como ela sempre deixava.


Começou a escalar o pé de acerola que parecia ter sido planejado para que ele alcançasse a janela do quarto. A rosa branca estava no bolso de sua bermuda para que não se amassasse no processo, subia galho por galho lentamente.


A noite escura de céu estrelado contemplava a cena romântica que o garoto de cabelos morenos protagonizou naquele momento, o vento gélido balançava suavemente suas madeixas, seu estômago se encontrava uma confusão pela excitação e nervosismo que o tomavam.


Subiu no galho mais alto, se arrastando sobre a madeira para se aproximar mais e ter uma visão melhor. Era quase como se ela soubesse que ele estava ali todas as noites, velando seu sono sereno, e fizesse questão de que ele continuasse indo vê-la.


O corpo alvo estava apenas coberto por uma camisola vermelha fina de cetim, os braços desnudos apoiavam sua cabeça sobre o travesseiro branco, os olhos sempre tão negros agora estavam cerrados, enquanto ela ressoava baixo.


A visão de suas pernas torneadas sem nada para cobri-las era uma completa tentação ao garoto que engolia em seco, por estar pensando tantas coisas impróprias naquele momento, não que ele tivesse vasta experiência para ter pensamento mirabolantes, ele nunca nem ao menos tinha visto uma mulher nua em sua frente, mas era impossível evitar os pensamentos de se deliciar com aquela pele macia, beijando cada mínimo espaço.


Achou melhor deixar a flor no apoio da janela e sair o mais rápido possível, tudo que menos queria era que ela acordasse e gritasse por seu pai. Tirou delicadamente a flor branca do bolso, a depositando no parapeito. Já estava se preparando para descer quando a voz sonolenta ressoou chamando por seu nome.


— Kawaki?


Seus pulmões tinham parado de funcionar, seu coração batia descompassado, como uma taquicardia, seus olhos arregalados, quase como se fossem sair de órbita. Só conseguia imaginar o quão ferrado poderia estar, não existia uma explicação plausível para assistir uma garota dormindo, ela iria no mínimo nunca mais olhar na sua cara.


— Você não vai me responder?


Se virou lentamente, vendo a garota em pé em frente a janela o encarando sorrindo, mas que diabos, ela estava sorrindo? Talvez se divertindo com o possível homicídio que iria presenciar.


— Ei, relaxa um pouco – continuou a Uchiha, tentando acalmar o garoto que parecia que a qualquer momento pularia da árvore e sairia correndo.


— Hãn… Oi? – falou confuso, não entendia onde ela queria chegar, já que parecia bem à vontade com ele.


Sarada se sentou na janela, abraçando os joelhos enquanto fitava a feição confusa do rapaz, pouco se importando com o tecido que diminuía de tamanho naquela posição. O que não passou despercebido pelo moreno, que tentava com toda sua força olhar apenas seu rosto.


— Oi – respondeu sorrindo, aquele maldito sorriso que o desmontava por interio – O que fazia por aqui a essa hora? 


Não existia uma resposta correta, nem ao menos coerente para aquele questionamento, suava frio enquanto pensava se deveria ser honesto.


— E-eu vim ver a Celeste, mas como vi sua janela aberta, quis me certificar se estava bem.


— Ah sim, e resolveu ficar me olhando esse tempo todo para se assegurar, certo? – estava atônito, ela sabia que ele estava ali, e o que fazia. — Inclusive, amei a flor.


Tomou a flor em mãos e a cheirou. A visão era quase como se fosse uma obra renascentista, Sarada com os cabelos soltos sobre a camisola vermelha, em uma das poucas vezes que a vira sem óculos, era simplesmente perfeita.


— Desculpe Sarada, não tive a intenção.


— Não precisa se desculpar, de verdade – ela estava feliz em vê-lo, não entendia bem sobre seus sentimentos em relação ao moreno, mas definitivamente, eles eram bons — Que flor linda! Eu amei, obrigada.


Ambos não entendiam bem o que estava acontecendo, a situação tinha tudo para ser constrangedora e estranha, mas eles sentiam apenas a sensação de conforto quando estavam juntos.


— É da plantação da mamãe, se chama flor de Mandacaru.


— Mandar quem tomar no cu?! – perguntou alarmada.


Kawaki não pôde evitar as gargalhadas, Sarada conseguiu lhe tirar o fôlego com sua extrema beleza e principalmente, com seu humor único.


A garota não entendia o porquê dele estar rindo, ela realmente não havia entendido o que ele quis dizer, mas foi inevitável não sorrir quando viu o grande sorriso estampado no rosto dele. O sorriso dele era encantador, sua risada era doce e aquecia seu coração.


Ele explicou pacientemente sobre o significado da flor que nascia no cacto na região nordestina no país, ela significava além do fim do período de seca, era símbolo de resiliência e bravura, o que ele achava que combinava perfeitamente com ela.


Sarada estava encantada com tamanha significância que aquilo em suas mãos possuía, e admirada por ele ter pensado em si enquanto via aquela linda flor branca. Kawaki era sem dúvidas um garoto intenso e profundo, e isso só o instigava mais para se mergulhar de cabeça em todo aquele furacão que era o Uzumaki.


— Eu preciso ir – ele não queria abandonar aquela vista, mas sabia que não podia arriscar mais e dar mais bandeira.


— Tudo bem. – Disse meio desapontada — Tenha cuidado.


Pequenas palavras mas que lhe significavam tanto, ela se preocupava com ele. Não pode conter o impulso, se esticou o máximo que pode, levando seus lábios até a bochecha rubra dela, pegando o canto de seus lábios no selo, não foi muito, mas ele aproveitou cada mínima sensação que apenas aquela pontinha dos lábios vermelhos dela lhe proporcionaram.


— Durma bem, Sarada.


Ela assistiu ele ir embora, pulando a cerca da fazenda. Não conseguia conter o sorriso, levando sua mão até a boca, enquanto fechava os olhos, se recobrando da sensação recém descoberta.


— Boa noite, Kawaki.



Notas Finais


O que vocês acharam? A gente quer saber🥺

Esperamos que tenham gostado! Não se esqueça de nos seguir para receber novas atualizações dessa história e das próximas que estão por vir✨
@Ackuchi: E que peçam nos comentários p Niih gravar um áudio p mim
@Loukytah: Aaah, ela está apelando🥺 kkk


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Vem dar um "oi" pra gente👀


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