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História Meus 7 Sentidos Musicais - Capítulo 4


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Notas do Autor


vamos de flop 💕

Capítulo 4 - Carta 3: Liberta-me de tudo que me prende ao alerta vermelho


‐ PUB!

Puberdade;

Universal;

Bocó;

Isso é minha definição de pub. Incluindo meus melhores amigos e irmão mais velho. Apesar dessa expressão ser um tanto conturbada para o momento, eu que devo lutar para aguentar tudo isso. Não quero ir hoje, eu tenho que está em um estado ótimo, não com o coração voltando suas redias neste exato momento.

Culpem o Jungkook por isso… o garoto me deixou confuso em alguns minutos próximo. O pior, ele continua grudado em mim. 

Porém meu doce melhor amigo, vulgo Taehyung, vulgo imbecil, está com a fixa idéia de levarmos os garotos ao pub. Como bom bêbados que aqueles garotos são, todos toparam e esse ser foi deixado de lado. Eu sei o que Taehyung quer com tudo isso, a bebida sempre o deixou mais leve e corajoso… Hoseok, fique longe do idiota.

Já eu considero a bebida algo perigoso. Um líquido amargo que desce por sua garganta e muda todo seu psicológico. Você faz coisas que podem ser arriscadas, inteligentes, heróicas ou simples. Porém a algo que ninguém pode contestar: você uma hora ou outra vai acabar magoando alguém. Você não segue mais o racional e sim o emocional… ele machuca.

Eu passei a olhar a bebida com outros olhos, porque ela mostrava o que minha família era: compulsivos a tristeza. Eu não queria ser assim, apesar de Jin ser diferente, PJ não podia se deixar levar. Todas as bebidas deveriam sair de perto de mim, porque iriam me mostrar que eu era igual, que laços de sangue são fortes no final. 

Eu só os acompanhavam nessas noites porque apesar do álcool impregnar aquele lugar, o resto era sempre tão chamativo. Quando eu não tinha que cuidar dos garotos, eu podia ver os casais dançando pela pista alegremente e eu esquecia o porquê odiava aquele momento. Tinha a bebida amarga, mas um coração doce ao som do violino alegre.

Os levava para casa e tinha certeza que eles estariam em segurança. Eu não gostava de bebida, mas eles tinham o direito de apreciar aquele álcool. Quando estava sozinho, eu me lavava para deixar ser levado a sujeira que eu tinha. Todos os meus medos de ser igual a eles e eu deixava a água cair… eu queria que todo o meu medo de me tornar igual fosse embora junto com a água suja.

O problema é que isso se repete todas as vezes que vou lá. 

Taehyung, não, por tudo que é mais sagrado. Estamos cansados!– Tentei explicar, mas a risada de Yoongi se faz presente. Ele estava ferrando meu dia inteiro a cada segundo e minha paciência diminuía a barra de carga.

‐ Fale por você, Jimin. Todos querem ir, então por que não vai acompanhar seu novo amigo?– Ele perguntou em tom sarcástico. Meu cérebro começou a trabalhar lentamente, já estava fugindo da barreira dele.

‐ Perdão?

‐ Opa, por que não vão os três primeiro?– Joonie tomou a frente da discussão, apontando para Tae, Hoseok e Yoongi– Pode ser assim, Taehyung?

‐ Claro, Nam. Vamos meninos!– Taehyung passou por mim, me lançando um olhar gentil, puxando Yoongi pelo braço.

Fiquei pensativo, respirando lentamente. Meu cérebro agora trabalhava rapidamente tentando tirar toda a teoria. Fechei os olhos, o pensamento já começava a acelerar e eu odiava a sensação que dava quando isso acontecia. O tempo parecia fechar em todo meu corpo e minha cabeça rodava nas minhas próprias paranóias.

As mãos leves e macias tocam meu braço e eu reconheço, pois aquele toque eu já senti dezenas de vezes só nesse dia. Abri lentamente os olhos e pude encarar sua visão e foi a mais bela que eu tive dele. O sorriso gentil e os olhos infestados de estrelas, as que eu tanto amo. Ele não dizia nada e por não dizer, eu pude me sentir melhor. Quando voltei a mim, tombei um pouco e que foi rapidamente segurado por ele. Seu corpo estava próximo do meu e seus braços nas minhas costas. Eu podia ouvir seu coração batendo fortemente, como o meu.

‐ Tudo bem, Chimmy?– Ouvi a voz de Jin ao lado e virei meu rosto confirmando lentamente.

‐ A gente pode voltar para casa se preferir...– Namjoon começa a falar, mas eu o interrompo negando rapidamente. 

Eu prometi um dia bom para os meninos, não vou acabar por capricho.

‐ Estou bem, podemos ir. Apenas um mal estar!– Sorri fraco fazendo que os dois se entreolham. Eles não acreditaram e eu não julguei, eu também não iria.

Meu irmão chegou perto de mim– mesmo Jungkook estando grudado e segurando-me fortemente–, aproximou‐se do meu ouvido e sussurrou. Eu não entendi o que ele quis dizer com aquilo ou se sua intenção foi literal. Meu corpo frágil concordou com aquilo e ele afagou meu cabelo antes de olhar para Jungkook. Foi um sorriso fraterno que ele distribuiu e eu queria entender o que se passava naquelas mensagens sublimes, eu queria, mas não podia.

"Deixe‐se segurar nele. Apenas dessa vez, maninho, se deixe apoiar nessa caminhada em alguém"

E eu me apoiei, ele ao meu lado segurando meu ombro acolhedor. Seu calor me fazia bem e meu pensamento voltava ao trabalho lento e normal de sempre. Seus dedos batiam no meu anti‐braço, me deixando mais próximo. Eu andava com meus pés, mas estava sendo guiado pelos deles e meu coração batia serenamente. 

O sol se punha e aquele era chamado de a hora em que não havia mais nenhum dos astros, apenas um vazio entre os dois cosmos. Eu apelidei de minha hora e de Jungkook, porque não havia ninguém a não ser nós dois a caminho… eu me apoiei em um garoto gentil e ele não parecia ser mais alguém passageiro na minha vida.

‐ Eu vou sempre lembrar de hoje, Jimin!– Ele sussurrou me segurando mais forte.

‐ Hum?

‐ Você tem cheiro de tulipas vermelhas– Jungkook comentou baixo, como se dissesse mais para si do que para mim.

Caminhamos mais alguns metros, sendo vigiados pelos olhares preocupados de meu irmão, que também parece mais meu pai do que qualquer um. Eu via Namjoon o cutucar e um resmungo vindo como resposta, nesse momento Jungkook ria docemente e me apertava mais. Estranho.

‐ Pronto, chegamos ca...– Seokjin dizia alegremente, mas recebeu uma cotovelada de Joonie que riu sem graça– Credo, Joonie. Eu ia dizer: pronto, chegamos caminhando alegremente!

‐ Claro!– Jungkook negou rindo, recebendo um olhar ameaçador de meu irmão. 

Namjoon deu os ombros puxando meu irmão para dentro do local. Jungkook caminhava e seus olhos brilharam de animação quando encarou todo o local. Ele se soltou de mim e encarou abismado a agitação que estava o pub da cidade.

As mesas estavam lotadas, os dançarinos no meio da pista se divertiam ao som do grupo que tocava alegremente. Olhei para frente e avistei Taehyung balançando o braço animadamente, enquanto tomava uma caneca de cerveja. Hoseok se balançava ao som e Yoongi me encarou. Ele olhou de cima para baixo e eu suspirei forte.

Senti as mãos de Jungkook me puxarem em uma direção oposta. Sentamos na mesa junto com Joonie a Jin que já bebiam algo. Tinha um copo de água na frente e agradeci por eles lembrarem. Jungkook começou a perguntar sobre como funcionava tudo e eu acabava rindo da inocência que ele tinha para o que era diversão.

‐ Sim, Jungkook, elas tiram a camiseta e dançam na mesa!– O imbecil do meu irmão brincou fazendo o garoto arregalar os olhos.

‐ É sério?– Ele quase pulou da cadeira.

‐ Não, Jungkook, calma. O Jin é meio idiota, ele só está brincando. Ninguém vai tirar a camiseta–

‐ A não ser que você peça!– Namjoon me interrompeu deixando o garoto mais assustado do que estava e acabando por se esconder atrás de mim.

‐ Parem de assustar o menino!

‐ Desculpa, não implico mais o Kookie!– Jin diz se fazendo de arrependido. Jungkook saiu do seu maravilhoso esconderijo e fez um bico. Fofo!

‐ Sem Kookie, eu não sou uma criança!– Sua voz saiu emburrada e fiquei imaginando se ele acreditava nisso realmente. Pobre garoto de 16 anos, é só um bebê!

‐ Pois bem nada criança, você precisa de um apelido para fazer parte do grupo!– Jin disse fazendo o garoto parar para pensar em algo.

‐ Qualquer um menos Kookie!

‐ Por quê não pode s–

‐ Que tal JK?– Sugeri. Juro que ele parecia uma assombração ao virar em minha direção. Seus olhos sorriram e sua cabeça balançou positivamente. Ri levemente– Tudo bem, agora você é o JK!

‐ Adorei!

‐ Tsc, quando faltar luz nem precisamos de velas!– Namjoon comentou rindo logo depois. Eu não ligo, não vou tentar descobrir essas coisas do mal.

A música mudou e minha atenção foi para a pista de dança. Casais dançavam animadamente se revezando em trocas daquela dança tradicional. As palmas eram fortes e os gritos animados dos mais velhos também. Tudo se tornava mais animado quando a dança era incluída na noite. Meus olhos se tornavam velozes quando todos os passos eram executado e meu corpo balançava.

‐ CHIMMM!!– Taehyung correu em minha direção segurando meu braço– Vem dançar comigo e com o Hoseok, por favor!

‐ Nem pensar!

‐ Vai logo, maninho. Divirta-se um pouco!– Jin quase ordenou enquanto bisbilhotava a bebida de Yoongi, que havia se aproximado junto a Tae.

‐ Vamos, Jimin. O Hoseok dança muito bem, vocês dois vão brilhar!– Ele fez um sinal positivo com o polegar e riu abobado. O que eu disse sobre ele beber?

‐ Não sei!

‐ Vai lá Jimin, você parece bem interessado em dançar!– Jungkook me empurrou de leve em direção a Taehyung, que agradeceu animado.

‐ Se eu for, você também vai, JK!– Segurei sua mão, entrelaçando nossos dedos, e o puxei junto a mim. Corremos em direção a Hoseok que parecia voar por todos.

Eu dancei e voltei para casa com aquela imagem. O sentimento de sobrevoar que eu senti quando nós quatro dançamos. Mesmo depois de horas da dança, eu não conseguia tirar o sorriso travesso de Jungkook da minha mente. Enquanto andávamos pelas ruas escuras de Amsterdã e Jungkook observava os meninos a frente rindo e brincando entre si, eu só conseguia manter meus olhos nele.


 🎼°•°🎼°•°🎼°•°🎼°•°🎼°•°🎼°•°🎼


‐ Que audácia, Jin!

Ri alto batendo em seu braço. Era uma segunda‐feira e meu irmão pegou a tarde de folga. Mamãe estava na cozinha preparando algum doce e eu e meu irmão no quarto conversando sobre tudo e ao mesmo tempo nada. O vento frio passava pela janela aberta, e Jin tinha o corpo deitado na cama e as pernas na parede.

‐ Não é audácia quando eu estou certo.

‐ Grande bobagem, é claro… olha, uma borboleta!– Apontei animado para o inseto que pousou em cima da mesa– Quero até ver qual a sua teoria de quem pinta as asas.

‐ Claro que são fadas, seu bobinho– Ele diz brincalhão colocando a mão no queixo e analisando a borboleta.

‐ Ah claro senhor inteligente, como sabe que fadas existem?

‐ Estou vendo uma agora e cheguei a conclusão que são realmente minúsculas!– Ele fez um quadrado em minha direção focando no meu corpo.

‐ Ei, só porque você é alto não deveria me implicar!– Digo emburrado arrancando uma risada alta dele– Aliás, fugimos do assunto.

‐ Você fugiu, Chim!– Ele diz se jogando na cama.

Me joguei junto a ele. Encarei o teto pintado por algumas bolinhas amarelas, me lembravam as  estrelas que eu tanto admirava. Jin pintou para mim quando éramos crianças. Ele disse que quando não pudesse estar comigo, era só olhar para as estrelas. Elas estão sempre brilhando e ele estaria brilhando em mim. 

Eu não preciso delas, porque ele nunca foi embora e acredito que nunca vá. Estar com ele torna meus dias mais belos, porque ele é minha casa. Nunca entendi porque irmãos brigam tanto, é uma relação tão linda. Ter alguém que parece contigo e que viveu as mesmas coisas. Ter um sorriso semelhante e coisas em comum. Ter um irmão é sinal de continuação, a sua continuação. 

‐ Hey Jimin!– Ele me chamou e eu virei o rosto em sua direção. Ele tinha os lábios entre-aberto e focava no teto.

‐ Hum?

‐ O amor?

Amor;

Amor;

Amor.

Uma palavra que eu gosto e tenho medo ao mesmo tempo. Ele sabe.

‐ Você ainda tem medo?

‐ Por que a pergunta?– Me mexi um pouco na cama e ele sorriu de lado.

‐ Você acabou de responder. Por que tanto medo de um sentimento tão lindo?

Medo, essa é a palavra mais verdadeira. Eu tenho medo de tudo e isso me faz covarde. Tenho medo de sorrir, porque é passageiro. Tenho medo de confiar, porque promessas são quebradas. Tenho medo de amar, porque não quero chorar por alguém. Eu nunca amei ninguém e isso foi proteção. 

Eu nunca amei e nunca me machuquei.

Amar pode ser bom, belo e cativante, mas dói. Amar sozinho é uma dádiva que todos carregam. Esse sentimento que balança seu peito pode carregar mágoas de alguém. Eu tenho pavor do que pode acontecer se meu coração despedaçar por aí… Por alguém que não merece.

Dizer eu te amo deve ser verdadeiro. Esperamos isso por anos, longe da familiaridade. Alguém que olhe em seus olhos e diga: eu amo você. Quero responder que sim, porém, eu vou me machucar? Você, meu querido ninguém, vai se arrepender de amar alguém quebrado? Eu quero amar, mas não quero sozinho.

‐ Não sei, apenas é estranho.

‐ O Jungkook… o que acha?– Ele questionou e eu fiquei confuso. O que ele tinha haver com tudo isso?

‐ Perdão?

‐ Ele parece saber amar muito bem e da forma certa. Não percebeu?

‐ O que?

Os olhos dele são de alguém que está procurando o amor!

Procurando o amor. Existe olhos para isso? Se têm pessoas que buscam isso, então elas são especiais. Os olhos são brilhantes ou apenas um sopro sereno de amor? Jungkook, eu quero ver seus olhos de procura. Desejo saber como eles enxergam o mundo.

‐ Como assim?

‐ Garotos, eu quase queimei o bolo!– Mamãe entrou animada no quarto. Ela tinha o avental sujo de farinha e os cabelos cobertos de glacê. Eu e Jin nos encaramos e soltamos uma gargalhada– Olha só, eu não sou mais respeitada nesse ambiente!

‐ Desculpa mamãe!– Meu irmão pediu desculpas se levantando e indo em sua direção. Ele a abraçou e beijou sua testa. Mamãe era pequena em relação a Jin e ele a cobria totalmente. Jin já era adulto, mas queria sempre estar no colo de nossa mãe.

‐ Tudo bem, querido. O que estavam conversando?– Mamãe se sentou na cadeira e cruzou as pernas. Eu e Jin trocamos olhares. Afinal, havia coisas que mamãe não precisava saber, ela iria se preocupar e comigo era sempre assim: alerta vermelho.

‐ Sabe como somos, conversamos sobre tudo e nada!– Jin mentiu se jogando novamente na cama.

‐ Sei sim, eu que criei vocês!– Ela riu ajeitando alguns lápis esparramados na mesa. Olhou atentamente meu caderno e sorriu de lado– Jimin, pode me fazer um favor?

‐ Não sei cozinhar!– Disse na defensiva e ela riu alto.

‐ Eu sei, meu amor. Pode ir na casa dos Jeon's levar um bolo?– Ela questionou e tombei um pouco a cabeça. Jin ergueu o corpo rapidamente e encarou minha mãe negando com a cabeça.

‐ Por que o Jin não vai?

‐ Porque eu pedi para você!– Ela sorriu meiga, mas eu sabia que se eu não fosse ela me mataria.

‐ Okay, estou indo!– Me levantei pegando meu casaco jogado no canto.

‐ Alguém vai ficar feliz com sua visita!– Sua voz saiu sugestiva e ouvi a risada do meu irmão ser presa.

‐ Hum? Quem ficaria feliz?

Eu não entendi?

‐ Não entendi.

‐ A gente sabe que não!– Foi a gota d'água, meu irmão riu alto.

Ótimo, até minha mãe vai entrar nessa.

‐ Não sou nem mais respeitado. Já estou indo!

Sai do quarto e fui em direção a cozinha. Peguei o bolo em cima da mesa e partir em direção a casa. Agradeci aos céus por ser ao lado, porque eu não estava com ânimo de andar tanto assim. Estava estocando energia para as aulas que logo começariam, sim, eu faço um estoque de energia. Eu realmente preciso, minha escola é um inferno  personificado em quatro paredes.

Parei na frente da casa e bati na porta. Após alguns segundos ela foi atendida pela senhora Jeon. Ela usava um vestido de estampa florida e tinha os cabelos preso em um coque. Ela sorriu abertamente ao me ver e fez uma leve reverência antes de soltar uma risadinha discreta. Olhou para os lados a procura de alguém, mas nada encontrou, então soltou um suspiro.

‐ Desculpa Jimin, estava procurando o Jungkook!– Ela sorriu abrindo espaço. Agradeci e entrei no ambiente. Ela andava descalço então chegue a conclusão que eu deveria fazer a mesma coisa. Tirei meus sapatos e coloquei junto aos outros. Ela caminhou comentando que o filho havia sumido e ela precisava ir na mercearia, mas esperava a volta do garoto.

‐ Ele foi a muito tempo?

‐ Um pouco, não sei onde esse garoto se enfiou!– Ela diz pegando o bolo e colocando sobre a mesa– Agradeça sua mãe, adoro os doces que ela faz. Sempre tão atenciosa!

‐ Não há de quê… Se quiser posso ir  atrás dele dele.

‐ Oh, sabe o que seria melhor? Você poderia ir lá em cima e avisar o Hoseok que eu vou sair.

‐ Não seria incômodo?– Questionei um pouco receoso, contudo ela negou rapidamente.

‐ Nem um pouco, querido!– Ela segurou meus ombros e apontou para a escada– Você conhece a casa, então só siga o corredor dos quartos e se leve pela música alta. Ele está ensaiando essa hora, então se for alguém como você, ele não ficará bravo. Pode ser?

‐ Se ele não ficar bravo, então tudo bem!

‐ Obrigada, Jimin!

Confirmei indo em direção a escada. Nesse meio tempo ela saia pela porta. Subi degrau por degrau e caminhei lentamente pelos corredores reparando em cada local. Eu sabia tudo sobre aquela casa, todos os mínimos detalhes, contudo parecia que com eles ali tudo havia mudado. As portas agora tinham pequenas identificações pessoais com cada peculiaridade de todos ali. 

A do casal havia um símbolo redondo, preto e branco¹. Eu não sabia o que era, mas achei fascinante. No quarto que julguei ser de Hoseok. havia a imagem de alguém dançando em um campo. Na porta de Jungkook tinha um violino e algumas notas musicais saindo de um caderno. Aquelas identificações eram tão suaves e simbólicas que me perdi um pouco no alvo do meu percurso.

Sorri voltando a caminhar, seguindo o som da música no fundo do corredor. Bater não adiantaria, o som era um pouco alto devido ao gramofone², então abri lentamente a porta. Estava ele, dançando como se não houvesse amanhã e isso era fantástico. Seu corpo se movia em uma sintonia tão suave, mas ao mesmo tempo precisa. 

Ele tinha um sorriso no rosto que trazia uma luz tão grande. Hoseok parecia sol e eu queria sentir os raios amarelos que ele queria passar e, talvez, eu só irei descobrir tendo ele por perto e o observando dançar.

‐ MISERICÓRDIA!– Hoseok gritou escandaloso colocando a mão no peito.

Nossa, eu estava curtindo o sol!

‐ Desculpa!– Pedi envergonhado e ele suspirou– Sua tia pediu para eu avisar que ela iria sair, o Jungkook sumiu e ela precisar ir. Eu…

‐ Ei, relaxa, tudo bem. Eu só me assustei, você é sempre tão silencioso?

Vai por mim, até demais.

‐ Não, nem sempre.

‐ Ah sim!– Ele sorriu grande colocando a mão em seu pescoço– Posso te fazer uma pergunta?

‐ Claro!– Respondi colocando minhas mãos atrás do corpo.

‐ O que achou da minha dança? Sabe, eu estava bem feliz e quis transparecer…

Feliz é? Sei até porquê.

‐ Eu achei fantástica, sério Hobi!– Ele sorriu um pouco tímido quando soltei seu apelido– Estavam bem precisos e percebi de longe que você estava radiante.

‐ Oh, obrigado Jimin!

‐ Posso agora te fazer uma pergunta?

Toda coragem do mundo, PJ. Toda coragem do mundo.

‐ Sim!

‐ Posso assistir seus ensaios?

Ele travou. Eu travei. O mundo travou. Vamos de burrice porque ela nos auxilia todos os dias da nossa vida, assim seja! Estava pronto para sair correndo quando ele percebeu meu desespero e tratou de se recompor.

‐ Calma Jimin!– Ele riu meigo– Só fiquei surpreso, ninguém nunca pediu para ver meus ensaios. Vou adorar ter uma companhia, mas você tem que opinar.

‐ C-claro… obrigado Hobi!– Sorri e ele retribui– Mas tenho que ir agora. Me avise dos ensaios sempre, ok? 

‐ Claro que vou… Bom, até mais Jimin e cuidado para não ser sequestrado!

Que.

Que.

QUÊ?

‐ Hum?– Tombei um pouco a cabeça em dúvida e ele riu.

‐ Não é que dizem que você é mesmo lerdo? Só tome cuidado, Jiminie!

Tá né…

Olhei ainda ao redor antes de dá os ombros e sair do local. Fechei a porta delicadamente e logo a música começou a tocar novamente. Sorri, pelo menos minhas tardes seriam mais interessantes.

Voltei a andar pela casa e estava pronto para retornar para meu cantinho. Queria bolo e meu irmão sendo um guloso, com toda certeza já está comendo sem mim. Ingrato. Eu tive que vim e ele que come o bolo, o mundo é injusto...

Oh

Não é que o Hobi tinha razão?

Meu braço foi puxado e eu bati em um corpo. Levantei o olhar e era ele, Jeon Jungkook que sorria docemente. Ele não tinha desaparecido? Suspirei negando com a cabeça e sorri em retribuição. Seu rosto ficou levemente rubro e eu não compreendi o motivo, mas achei interessante. 

‐ O que faz aqui, Jimin?– Ele perguntou tão baixo que quase não compreendi.

‐ Ordens de minha mãe– Respondi no mesmo tom, ainda próximos o suficiente e talvez distantes em algo.

‐ Queria mesmo te  ver.

‐ Sério?

‐ Sim, vou lhe mostrar minhas borboletas!

Ele segurou minha mão, entrelaçando nossos dedos. Era uma sensação nova, sentir um toque de mão diferente. Seus dedos eram gelados na ponta, mas tão macios. Os dedinhos tinham marcas das cordas, mas tinham pintinhas tão meigas. Meu coração batia em compasso com nosso passos lentos até o jardim. Eu queria sorrir e não sabia porquê.

Paramos em frente a uma estufa e eu as vi. Borboletas de várias cores voando por todo o local. Tão delicadas e eu pensei se realmente havia alguém que pintasse suas asas ou se era apenas fatores do nascimento, linhagem ou genética. Eu queria imaginar que o universo queria as pintar de cores diferentes, porque elas eram únicas. Aliás, não havia nenhuma igual a outra.

 ‐ Demorei anos para juntar todas. Papai me ajudou a encontrar boa parte e Hoseok as outras. Foi difícil trazer todas, todavia não podia deixar elas para trás!

‐ Ela são lindas, Jk!

‐ Você me mostrou suas tulipas, eu quero te mostrar minhas borboletas e falar sobre o significados delas!

‐ Diga!– Senti algo brincar com minhas mãos e percebi que as minhas ainda estavam unidas com a do rapaz. Eu não queria soltar, porque me fez bem.

Metamorfose. Quer dizer mudança, Jimin. Crescer e voar. As pessoas precisam se libertar para voar e mostrar que são belas. Ir atrás dos seus sonhos verdadeiros!

Libertar, uma palavra bela para quem busca.

 Eu precisava me libertar de muitas coisas.

Libertar-me dos banhos duros que eu tomei ontem quando cheguei.

Libertar-me do olhar frio de meu pai.

Libertar-me do medo de amar.

Libertar-me do silencioso ser que me tornei.

Libertar-me do alerta vermelho.

‐ Todas passam?– Questionei e o olhei e pude perceber o que o Jin quis dizer sobre os olhos.

‐ Sim, porque elas são especiais e únicas!


Ele tinha os olhos de alguém que queria amar e no fundo ser amado na mesma intensidade. Se na casa dele havia cosmos, Jungkook era a galáxia inteira. Seus olhos tinham um universo inteiro para ser explorado e um sentimento tão lindo. Ele é especial e diferente, por essa razão tinha toda uma galáxia em seus olhos escuros.

Atenciosamente, PJ. 


     


Notas Finais


¹ ying yang

² objeto utilizado antes da criança do disco de vinil (1948)

Hoseok dançando;https: //youtu.be/Zq89pRZqhk0


beijo 💕


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