História Meus Melhores Erros - Capítulo 3


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Comedia Romantica, Original, Romance
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Palavras 4.265
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oii Cupcakes ♥! Desculpa a demora para atualizar. Não ando muito bem esses dias e não consegui terminar de escrever esse capítulo antes. Mas, espero que ele valha a pena. Muito obrigada SweetPrincess19 pelo comentário fofo no capítulo anterior. Espero não decepcionar com esse. Boa leitura...

Capítulo 3 - Dois


Dois

 

...♛...

 

“Nós geralmente descobrimos o que fazer percebendo aquilo que não devemos fazer. E provavelmente aquele que nunca cometeu um erro nunca fez uma descoberta”.

Samuel Smiles

 

A sala inteira se resumia a conversas e risadas, enquanto o professor ainda não havia chegado à sala para ministrar a aula. Eu permanecia na cadeira ao lado da janela e lia meu livro da semana com tranquilidade, ignorando os olhares curiosos de Aline e as encaradas confusas e desconfortáveis de Josy, que no momento, conversava com Juliana em pé, de frente para a mesa do professor.

Perdendo-me no universo de Emil Sinclair, em Demian, eu preferia me manter distante do que ocorria ao meu redor, em especial as duas garotas que me encaravam. Ambas queriam respostas de mim que eu me recusava a dar. Com a ideia de ser a minha fada madrinha, Aline havia até mesmo se sentado na cadeira em frente a minha para que pudéssemos conversar e arrancar de mim as histórias de minhas declarações de amor fracassadas.

Josy, por outro lado, insistia em tentar entender o que estava acontecendo entre Aline e eu. Para sentir ciúmes das garotas que se aproximavam de mim, ela é realmente rápida, agora para se tocar que eu gosto dela e que já me declarei NOVE vezes, ela continua sendo a SuperLerda. E era por esse motivo que eu permanecia em silêncio, apenas deixando que o destino cuide de tudo ou que um milagre aconteça e ela consiga finalmente entender o que está escrito em minha testa.

- Por que está enrolando tanto para me contar? – Pressiona Aline, sem se importar em estar atrapalhando a minha leitura.

Suspiro, mas não digo nada, continuando a prestar atenção nas reflexões dos personagens do livro. Era um livro fascinante, sem sobra de dúvidas, ainda que pudesse ser confuso em alguns momentos. Aline se aproxima mais, como se estivesse prestes a contar o maior segredo dos homens. Não ouso me mexer e nem desviar o olhar das linhas repletas de mistérios apresentado por Sinclair.

- Se você me contar a sua segunda declaração de amor para Josy, eu prometo que te deixo ler seu amado livro. E olha como ela está nos encarando. É só questão de tempo até ela entender que gosta de você muito mais que como amigo ou irmão. – Aline tenta negociar sorrindo animada ao imaginar a última parte de sua fala.

- Gusta odeia que atrapalhem a leitura dele. – Avisa Josy, aparecendo de repente. Ela se senta ao meu lado e encara Aline com seriedade. Desvio meu olhar do livro e o alterno entre as duas garotas. Josy dá um sorriso forçado. – Vai por mim. Experiência própria.

- Nenhuma notícia do professor? Ele já deveria ter chegado. – Mudo de assunto, preocupado com a proporção que aquela conversa poderia tomar.

- Acho que eles está chegando. – Responde a loira ao meu lado, dando de ombros, sem se importar muito com o fato. – A Ju foi atrás do coordenador para saber onde ele está.

- Entendi. – Murmuro, incomodado com o clima estranho que ainda permanecia naquele momento. A verdade era que eu nunca fui bom em lidar com as demonstrações de sentimentos de Josy.

- Você vai ir comigo no jogo de vôlei no sábado? – Pergunta Josy, encarando-me com um sorriso contido. O esporte é uma paixão da garota, então sempre que tinha alguma partida na cidade, ela fazia questão de ir assistir.

- Você sabe que eu sempre vou. – Respondo, correspondendo ao sorriso.

- Legal! E a tarde podemos ir ao fliperama? Já faz algum tempo que nós não vamos. – Sugere, começando a demonstrar sua animação.

- Já está com saudades de perder para mim? – Provoco e ela me encara em desafio. – Não se esqueça de que eu não vou pegar tão leve quanto eu fiz da última vez.

- Da última vez eu deixei você ganhar. Não queria que você se sentisse humilhado por ter perdido para mim. – Responde no mesmo tom, cruzando os braços como se fosse a dona da razão. – Mas dessa vez eu não serei tão boazinha.

Nós nos encaramos por alguns segundos, em completo silêncio, no entanto, eu ainda sentíamos que estávamos naquele diálogo apenas visual, apenas em nosso próprio mundo. E era nesses momentos que eu percebia a influência que Josy tem sobre mim. Somente ela conseguia despertar esse lado mais irracional meu. Mesmo quando eu apenas gostaria de me isolar do mundo apenas para ler meus livros, ela conseguia com facilidade me fazer agir como um garoto de dez anos.

E de repente, nós começamos a ri. Nós somos assim. Talvez seja o companheirismo de longa data, a nossa amizade de quase dezoito anos. Sempre foi assim. Ela sempre esteve ao meu lado e eu me sentia orgulhoso por também estar ao lado dela, fosse nos momentos bons ou ruins, nós sempre estivemos juntos, quase como carne e unha. Muito além do amor e atração que sinto pela garota, existe um sentimento forte de companheirismo e união que eu sei que jamais terei com ninguém.

O professor não demora muito a aparecer, dando um fim a nossas risadas e minhas reflexões. Aline me encara com um sorriso satisfeito nos lábios e eu sabia que essa pequena interação entre nós dois ainda me renderia muitas dores de cabeça. Ela com certeza não me deixaria em paz até ter a certeza de que Josy e eu finalmente tivemos o nosso felizes para sempre.

- Bom dia, alunos. Desculpem o atraso. Eu estava na sala dos professores, conversando com o diretor e meus colegas de trabalho. – Começa o professor, recebendo a atenção dos alunos. – E como vocês estão no último ano do ensino médio, há poucos meses do fim dessa nova etapa, nada mais justo que pensarmos em qual será o tema do baile de formatura de vocês e como será a decoração. Por isso, todos os professores representantes do último ano do ensino médio irão ceder duas aulas para que possam discutir as ideias e projetos para o baile. Ao chegarem a uma conclusão aqui, os representantes de turma irão se reunir e irão defender suas ideias para ser o tema do baile e preparar a melhor formatura de todas. Assim, vocês terão que chegar a um acordo ainda hoje. Josy e Juliana, poderiam assumir daqui para frente?

Uma série de conversas paralelas se inicia ao nosso redor, enquanto as garotas se aproximavam do quadro. Aline se vira para mim e quase consigo ver seu cérebro trabalhando em algo que com toda certeza não me agradaria, no entanto, permaneço em silêncio, apenas esperando o momento em que ela daria o sorriso perigoso dela e revelaria o que se passava em sua mente.

- Eu tenho um plano. – Sussurra Aline, sorrindo animada até demais.

- Não. – Nego no mesmo tom de voz que usado por ela, antes mesmo que ela dissesse alguma coisa.

- Mas você nem mesmo me ouviu. – Murmura, assumindo uma postura mais desanimada e frustrada. Era como se eu estivesse lidando com uma criança. – Eu sou sua fada madrinha. Você tem que me ouvir e fazer o que eu te disser.

- Obrigada por nos deixar usar a sua aula, professor. – Agradece Juliana, assim que chega ao quadro. Ele sorri levemente e balança a cabeça, dispensando o agradecimento. – Já que estão todos aqui, vamos começar com sugestões para o tema do baile de formatura.

- Você não é minha fada madrinha. – Afirmo, atento ao desconforto de Josy e Juliana por terem que estar de frente para sala. Ainda que já fosse o terceiro ano como representantes de turma, as duas garotas permaneciam tímidas e retraídas quando colocadas frente as responsabilidades como a exercida neste momento. – E eu não preciso ouvir para saber que é uma péssima ideia.

- Eu sou sim. E você está sendo injusto. – Responde, aumentando um pouco mais o tom de voz. Lanço um olhar repreendedor e ela se encolhe em sua cadeira. – Desculpa.

- Alguém tem alguma ideia? – Insiste Josy ao ver que ninguém parecia inspirado a sugerir algo para o tema do baile de formatura.

- Não estou sendo injusto. Apenas tenho certeza de que sua ideia vai me dar dor de cabeça e pelo pouco que eu te conheço, eu sei que é melhor eu me manter longe de suas loucuras. – Respondo e lanço um sorriso sem graça para as garotas em frente a turma, que me encaravam quase como se me implorassem por ajuda.

- Qualquer ideia, pessoal! Vamos lá! Não se segurem. – Foi a vez de Juliana, que sabiam que se a turma não chegassem a um acordo, acabaria sobrando para as duas criarem alguma solução. – Não tem nenhuma decoração na mente de vocês?

- Apenas confie em mim. – Pede Aline com seriedade. – Se isso te ajudar, você me conta a sua segunda declaração para Josy.

- Isso não está em negociação. Esquece isso. – Declaro, começando a me sentir irritado pela insistência da garota.

- Eu não vou esquecer. E acredite em mim, você não irá se arrepender. – E assim que eu abri minha boca para impedir que ela fizesse uma besteira, a garota muda de expressão facial e levanta a mão com um sorriso animado. – Eu tenho uma ideia.

- Pode falar, Aline. – Fala a representante de turma, sem conter o alivio por ver que alguém finalmente havia se manifestado. Todos da sala se viram para Aline e eu sentia todos os meus sentidos em alerta. O que essa garota estava planejando?

- Que tal um baile de máscaras diferente? – Sugere a garota de cabelos ondulado, com um sorriso misterioso em seus lábios. Os alunos a encaram confuso e eu já começava a pensar em alguma forma de fugir da sala sem ser visto. Eu não precisava ter a décima humilhação na minha lista de tentativas com a Josy.

- E como seria esse baile de máscaras diferente? – Questiona Josy, encarando Aline com interesse. A curiosidade da loira sempre falou mais alto.

- Todo baile, as pessoas vão com um acompanhante e, como é de se esperar, elas se conhecem. – Começa Aline, levantando-se da cadeira. Ela então começa a andar em direção ao início da sala, enquanto fala. – Mas e se não tivéssemos par? E se não pudéssemos falar nossos nomes? E se você tivesse que descobrir quem é a pessoa com quem você está conversando apenas por dicas? Isso poderia deixar as coisas mais interessante. Imaginem só: Nós chegamos na festa e escolhemos nossos pares. Conforme conversamos e dançamos, nós vamos dando dicas aos nossos acompanhantes do momento para que ele descubra a nossa identidade. À meia noite, o relógio badala e as máscaras irão cair. E você finalmente descobre quem é a pessoa com quem você esteve a noite toda.

Conversas animadas se iniciam. Aline me encara com um sorriso presunçoso e eu continuava confuso, tentando entender aonde ela queria chegar com aquilo. O que o baile tinha a ver comigo? Um baile de máscaras onde a pessoa não sabe quem é seu acompanhante? Como isso pode me ajudar com a SuperLerda? Eu já fiz NOVE declarações nos últimos sete anos. Como esse baile pode vencer a super lerdeza de Josy?

- E tem mais! Assim, nós teremos a chance de conhecer novas pessoas. De máscaras, nós podemos ser nós mesmos. Sem timidez ou algo que nos prenda. Se você não gostar da pessoa, podemos trocar de pares.  Nada será fixo. Quem sabe assim não iniciamos um novo amor? Nesse baile, o que não vai faltar é oportunidade para descobrir a pessoa que você ama e se declarar. – Complementa Aline, observando com satisfação a reação positiva dos alunos, conforme argumentava. – Essa é a chance de deixarmos de lado as aparências e conhecer a beleza interior. Sem preconceitos. Ninguém vai ficar sozinho. Conforme a conversa vai surgindo, mais interessante as coisas podem ficar. Pensem nisso.

- Essa ideia parece ser muito boa, Aline. – Afirma Juliana, animada com a sugestão de Aline. – Alguma coisa a mais para acrescentar?

- Se a minha ideia for aprovada por todos os estudantes, eu posso desenvolver melhor as regras do baile e a decoração do ginásio, que é onde ocorrerá o baile, certo? – Responde a garota, dando um sorriso simpático.

- Isso mesmo. – Responde Josy, pensativa. – A ideia de baile de máscaras até passou pela minhas cabeça, mas essa sua sugestão parece ser muito mais interessante. Alguém mais tem algo a sugerir ou já devemos determinar o baile de máscaras da Aline a escolha da nossa turma?

Os alunos começam a falar ao mesmo tempo, o que tornava difícil entender o que cada um dizia, mas em geral, era nítido que ninguém tinha uma ideia melhor do que a de Aline. E com um sorriso nos lábios, a garota que se diz ser a minha fada madrinha, ver a turma do terceiro ano “C”, concordar com o baile de máscaras que a turma nomeou como O Baile da Noite Secreta.

De repente, a sala se animou e passou a participar das discussões sobre como seria o baile. Em pouco tempo, detalhes pequenos já haviam sido discutido. Até mesmo os mais deslocados da turma passaram a opinar na decoração. Eu permaneci em silêncio, observando as pessoas e ainda perdido em meus pensamentos. De repente, já não parecia assim tão absurda a ideia de Aline. Ela realmente parecia ter tudo em mente, como se o plano tivesse sido pensado nos mínimos detalhes.

 Por fim, se as outras turmas concordarem com a ideia proposta pela nossa sala, ficou decidido que os responsáveis pela compra dos materiais para o baile seriam Aline, por ser criativa e entender bem de decoração, e eu, por ser o mais responsável do terceiro ano em geral, além de ser o tesoureiro da comissão de formatura. E assim, Aline retornou para o seu lugar, enquanto Juliana e Josy seguiam para a sala de reuniões para apresentar nossa proposta as outras turmas, professores e diretor.

- Você me deve uma história. – Afirma, assim que chega ao seu lugar.

- Eu nunca concordei com isso. – Respondo, dando de ombros. – Além do mais, seu plano ainda tem duas falhas.

- E quais seriam? – Pergunta, encarando-me em desafio.

- Como eu irei saber quem é a Josy e quem me garante que ela irá entender o que eu estou fazendo? Essa não é a primeira vez que eu tento. – Eu explico a garota, que me encara com tranquilidade. Ela realmente havia pensado em tudo?

- Não se preocupe. Como ficarei responsável por tirar as fotos dos formandos chegando para o baile, eu terei que pegar o nome de casa um, assim, eu saberei quem são os alunos e será fácil de você saber quem será a Josy. – Aline sorri e me encara em desafio. – Quanto a sua declaração, eu preciso saber todas as suas histórias para descobrir onde você errou e te orientar a uma declaração perfeita.

- Sem querer ser o chato ou magoar seus sentimentos, mas você não é exatamente a mestre em declarações, caso contrário, não teria sido dispensada pelo... – Antes que eu dissesse o nome do rapaz, ela me encara indignada e coloca a mão na minha boca.

- Calado! – Resmunga Aline e eu afasto a mão da garota, rindo de seu desespero. – Eu posso não ter sido bem sucedida em minha declaração, mas eu sei exatamente onde errei e desta vez, eu conseguirei o coração do meu amado. Além disso, você já tentou nove vezes sozinho. Que tal tentar a décima com ajuda?

- Eu não sei... – Respondo, incerto se deveria envolver alguém em um relacionamento tão complicado quanto é o meu e o de Josy.

- Ah, vamos lá! Não custa nada tentar. Me deixa ser a sua fada madrinha! Por favor! Você já não tem muito a perder. E se ela não entender, a gente finge que só foi mais uma declaração colocada em sua lista. – Insiste, fazendo bico e resmungando como uma criança mimada. – Por favor, Gustavo! Me deixa ser a sua fada madrinha. Eu prometo que não irei decepcionar.

Observo a garota por um tempo. Ela estava certa. De fato, não havia muito o que eu perder. E em casos de falhas, seria só mais um para colocar em minha lista. E no fim, continuaremos ser amigos como sempre fomos. Talvez não seja um negócio tão ruim assim. Talvez uma “fada madrinha” seja mesmo o que eu precise.

- Tudo bem. – Suspiro, dando-me por vencido. – Eu deixo você ser minha fada madrinha. Mas me prometa que se não der certo, você irá desistir disso.

- Certo! Eu prometo! – Fala a garota de maneira animada.

O sinal do fim das aulas toca. Todos são liberados. Em um acordo silencioso, eu pego as minhas coisas e a de Josy e seguimos para fora da sala de aula. Aproveito para mandar mensagem para a garota, informando que a esperaria no pátio da escola. Aline e eu nos sentamos em um banco relativamente afastado da multidão. Era perceptivo a sua ansiedade em descobrir sobre a escola. Suspiro mais uma vez e encaro os portões da escola. Aquela seria uma longa tarde.

 

˖˖˖

 

[Quatro anos atrás]

 

Quase três anos se passaram desde a minha primeira declaração de amor para Josy. Durante esse tempo, resolvi reavaliar minhas estratégias e entender o que eu havia feito de errado. Além de amadurecer meus sentimentos, entender o que de fato eu sentia e tentar aprender um pouco mais o que se passava com a minha mente e o meu corpo. Não havia sido fácil, afinal, depois que se sabe sobre seus sentimentos, não é tão simples escondê-los. Ainda mais quando se tem quase quatorze anos e puberdade começava a dar seus primeiros sinais de boas-vindas.

Por causa da minha falta de discrição, não demorou muito para que meus pais descobrissem os meus sentimentos por Josy. Sendo assim, eu precisei ter a tão temida conversa com meus pais. Por outro lado, isso me fez entender que o meu erro foi ter me declarado com palavras de dupla interpretação e em um momento inapropriado. E assim, permaneci fazendo minhas leituras e estudando mais sobre o amor.

Até mesmo comecei a me conformar com a situação e a ter mais paciência com o tempo da garota. Por isso, naquela noite, eu jamais imaginei que ela teria o desfecho que teve. Não estava nos meus planos se convocado a nossa casa na árvores pelas batidas singulares da bola de meia contra a janela, quando eu estava terminando de me vestir e ainda me encontrava com a toalha no pescoço.

Encaro as horas e noto que já era um horário consideravelmente tarde. Preocupado, sigo até a janela do quarto e a abro. Não demora muito para que minha melhor amiga viesse em minha direção. Confuso por seu comportamento, estendo minha mão e a ajudo a entrar. Até o momento, ela se manteve calada e de cabeça baixa. Aquilo não era uma atitude comum de Josy.

- O que aconteceu? – Pergunto, observando a garota com atenção.

- Por que eu sou tão boba, Gusta? – Sussurra Josy e somente no momento em que ela levanta o rosto é que eu consigo ver que ela chorava. Aquela imagem me machucou. Doeu tanto ou até mais que um machucado físico. Ela parecia tão vulnerável e frágil. – Por que eu são tão inútil?

- Por que está chorando? Por que está dizendo essas coisas sem sentido? – Questiono, desesperado. Essa era a primeira vez que eu a via daquele jeito. Ela então se joga em meus braços e me abraça com tanta intensidade que chegava a me faltar o ar. Ajeito-me melhor e a abraço com delicadeza, consolando-a, enquanto ela continuava a chorar em meu ombro. – Você é tão incrível. Você não é boba e muito menos inútil, Josy. O que aconteceu?

- Gusta... você vai brigar comigo. – Responde a garota entre soluços pelo choro excessivo. – E eu não quero isso.

- Eu não irei brigar. – Afirmo, preocupado com o estado de Josy. Por que ela parecia tão frágil? Isso não é comum da personalidade forte da garota.

- Você promete? – Pergunta Josy, afastando-se de mim para encarar meus olhos.

- Sim. Eu prometo. – Digo, encarando-a com intensidade.

- Tudo bem. – Concorda e respira fundo, enquanto limpa o rosto molhado por lágrimas. Observo tudo em silêncio, esperando paciente para o momento em que ela finalmente falaria o que havia acontecido. – Eu sai com um garoto.

Ok. Aquela informação me pegou de surpresa e confesso que doeu um pouco. Na verdade, doeu bastante. Ela saiu com um garoto que não era eu. Afasto-me de Josy e passo a encarar minhas mãos, em silêncio. Eu não estava com raiva. Sabia que não tinha direito algum de a impedir de sair com ninguém, porque, ainda que eu a ame, nós somos apenas amigos.

- Eu sabia! Você está com raiva porque eu não te contei que iria sair com ele. – Resmunga Josy, preocupada.

- Não estou com raiva. – Respondo, ainda tentando me recompor. Era difícil fingir que não havia me incomodado. O ciúme que eu sentia queimava meu coração e formava um bolo em minha garganta.

- Então você não se incomoda em saber que eu sai com o Ryan? – Pergunta a garota com cautela. No mesmo instante, viro minha cabeça para encarar Josy e confirmar que se ela estava falando a verdade ou se tudo não passava de uma brincadeira. – Gusta...

- Por favor. Me diz que você não saiu com o mesmo Ryan que eu estou pensando. – Peço, precisando fazer um grande esforço para não descontar a minha decepção e irritação sobre a garota.

- Me desculpa, Gusta. Eu sei que você não gosta dele, mas...

- O problema não é que eu não goste dele, Josy. Aquele cara é um babaca! Ele sai com as garotas apenas para se aproveitar delas. – Interrompo a garota, levantando-me de minha cama.

- Eu sei, mas é que eu... eu gosto dele, Gusta. – E as palavras ditas por ela naquele momento me destruíram. – Eu sinto muito. Sei que não deveria, mas eu gosto dele. E quando ele me chamou para sair, eu não conseguir dizer não. Eu só... só não esperava que ele fosse fazer o que fez comigo.

- O que aquele maldito fez com você, Josy? – Coloco-me em alerta no mesmo instante. Eu conheço Ryan o suficiente para saber de sua má índole e a fama de usar e manipular garotas inocentes.

- Calma. – Pede Josy, ao notar o quão alterado eu havia ficado com sua fala. – Ele não fez nada fisicamente comigo. Ele beijou outra garota, enquanto eu ia ao banheiro em nosso encontro. Quando ele me viu, veio atrás de mim e pediu para que eu não levasse para o lado pessoal. Ele apenas queria saber o que eu tinha de tão incrível que fez você gostar de mim, no entanto, ele ainda não viu nada demais em mim. Mas eu sei que isso foi apenas uma desculpa. E eu sou uma idiota por chorar por algo tão bobo. Você tem razão. Ele não vale nada. O único motivo que ele teve para me chamar para sair foi por sua causa. Ryan sempre teve essa briguinha com você, então era claro que ele jamais me chamaria para sair por gostar de mim. Mas, ele me tratava bem. Parecia gostar de mim. É óbvio que nem ele e nenhum outro garoto jamais se apaixonaria por alguém como eu. Não tem nem mesmo sentido eu chorar por algo tão evidente.

- Eu amo você, Josy! Você é tão única e incrível. É linda e inteligente. Você é especial para mim. Eu te trato bem. Por que não se apaixona por mim ao invés do maldito do Ryan? – Pergunto, sem controlar minha boca. As palavras simplesmente saíram. Por alguns instantes, permanecemos em silêncio. As lágrimas desciam discretas pelo rosto de Josy, que me encarava de maneira confusa.

E se por alguns segundos, eu me arrependi de dizer meus sentimentos de maneira tão direta, mas depois percebi que essa era a chance que eu precisava para dizer a Josy a verdade. Eu estava escondendo meus sentimentos por muito tempo. E ainda que eu recebesse um não em troca, ao menos eu conseguir tirar esse peso de meus ombros e de meu coração.

Josy então ri e chora ao mesmo tempo, enquanto me abraça com força. Meu coração se alegra. Ela finalmente tinha entendido? Finalmente aceitaria meus sentimentos? Uma chama de esperança cresce dentro de mim, enquanto eu correspondia ao abraço. Eu estava prestes a questionar se ela realmente me correspondia. Mas eu fui trouxa. Eu me iludir muito facilmente. Eu deveria saber que estava fácil demais.

- Você é o melhor amigo do mundo. Mas não precisa me dizer essas coisas só para fazer eu me sentir melhor. – Responde, sorrindo fraca. Mas havia um brilho de admiração em seus olhos.

- Josy, eu realmente te amo. – Declaro, sem acreditar que ela realmente não havia entendido minha declaração.

- Eu também te amo, irmãozinho. Obrigada por ser o único homem que presta nesse mundo. – Agradece, voltando a me abraçar.

E o que eu fiz? Correspondi ao abraço, desistindo de insistir naquela noite. Qualquer resquício de coragem que havia dentro de mim foi levado embora ao ouvir a palavra “irmãozinho”. Estava claro que ela não me via como um homem. E mesmo doendo, constatar que ela não me via da mesma forma que eu a enxergava, ignoro meus sentimentos e a consolo. Naquele momento, Josy não precisava de mais um babaca para quebrar seu coração. Ela precisava do “único homem que presta no mundo” e do melhor amigo para ouvir suas lamúrias pelo restante da noite.


Notas Finais


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