História Meus Olhos Enxergam - Capítulo 11


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Palavras 2.133
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Romance e Novela, Sobrenatural, Yuri (Lésbica)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 11 - Epílogo


Eliza deitava no colo de Bianca, cobrindo o rosto com as duas mãos.

— Não acredito que a gente foi pega… — Ela suspirou.

— Bom… podemos assumir com segurança que foi um jeito de dizer aos seus pais que você gosta de meninas — disse Bianca, esforçando-se para não rir. A ruiva acariciou o cabelo de Eliza gentilmente, como se aquilo a fizesse a garota mais feliz do mundo. —Mas essas coisinhas embaraçosas acontecem. Já foi. Vamos ficar felizes que eles sabem agora.

Coisinha embaraçosa? Chama aquilo de coisinha? — Eliza mordeu os lábios, fechou os punhos, respirou fundo e pressionou as têmporas. — Deixa eu explicar os níveis de vergonha. Ser pega pelos pais ou amigos flertando com a pessoa que gosta é levemente embaraçoso. Ser pega ficando com a pessoa é mais embaraçoso. Ser pega se masturbando é quase morrer de vergonha. Ser pega transando com sua namorada lésbica que seus pais nem faziam ideia que existia ultrapassa isso tudo.

Assim que as palavras saíram de sua boca, as memórias voltaram à sua mente, não a deixando esquecer. Eliza balançou a cabeça, dando tudo de si para não relembrar a cena. De novo. Mas não importava o quanto tentasse, ela tinha sido pega nua com a namorada na cama.

Ainda bem que a gente tava no hospital. Mainha não ia fazer escândalo onde trabalha. Mas por que ela precisava trazer o padre justo na hora exata? Ele é tão lesado que vai acabar contando pra todo mundo da igreja, pensou Eliza, soltando um gemido frustrado. Só a ideia de pessoas saberem que era lésbica antes que estivesse pronta para contar fazia sua cabeça doer. Se eles sabem, dá para assumir que todo mundo sabe. Nunca vi um grupo mais interessado em saber da vida alheia do que o povo da igreja.

— Pera aí. Seus pais já te pegaram masturbando? — A ruiva não conseguiu conter a risada dessa vez. — Você nunca me contou isso. Quando foi?

— Quer parar de falar bobeira uma vez na vida? — Eliza tentou demonstrar toda sua raiva sem gritar. — Ah, puta que pariu. Meu plano foi pro saco!

— Que plano?

— Eu pretendia fazer você se tornar uma presença maior lá em casa. Tipo, ficar lá, estudar comigo, jantar com a família. Esse tipo de coisa. Daí eu sairia do armário pros meus pais. Algo tipo “mãe, pai, eu amo a Bianca.”

— Você me ama? — interrompeu Bianca com um grande sorriso e as bochechas vermelhas.

— Eu já tinha pensado em tudo — continuou Eliza como se não tivesse sido interrompida. — Mas, não. O que eu consigo no lugar? “Ei, mãe e pai, tão vendo essa ruiva gostosa pelada aqui com a cabeça entre minhas pernas? Ela é minha namorada lésbica. Eu também sou lésbica e a gente faz coisas de lésbicas juntas.” — Ela soltou outro gemido frustrado.

O sorriso de Bianca aumentou.

— Você me acha gostosa?

Embora a visão de Eliza estivesse voltando ao normal lentamente, ela ainda via tudo embaçado. Mesmo assim, não podia suportar o sorriso e olhos animados de Bianca. A garota não suportava mais aquela expressão e cobriu o rosto da ruiva com as duas mãos.

— Para de me olhar assim.

— Não dá. Você ainda não me contou se foi pega se masturbando ou não.

— Até parece que eu ia contar. Levou uma vida para eu reprimir essa memória! — Bianca lutou para agarrar a mão de Eliza. — E por que você está tão tranquila com tudo isso? Foi culpa sua que a gente foi pega. Em vez de rir, que tal pedir desculpas?

— Eu? — Bianca mordeu os lábios, mas não foi o bastante para conter a risada. — Eram duas na cama. Então por que sou eu quem deveria me desculpar?

— Por que foi você quem não podia esperar até eu sair do hospital. Precisava ficar pelada debaixo dos… — Eliza ficou vermelha quando se lembrou de que não estavam sozinhas no pátio. A garota desviou o olhar sob o sorriso malicioso da ruiva.

— Não foi bem assim — sussurrou Bianca com uma voz doce, tocando os lábios de Eliza delicadamente. — Sim, fui eu quem ficou pelada e entrou debaixo dos lençóis. Mas não me lembro de você reclamar ou me mandar parar. Na verdade, só lembro dos seus gemidos e como envolveu suas pernas em mim. Cheguei a pensar que não ia me soltar mais.

— Nós… nos lembramos das coisas de forma diferente… outros pontos de vista e tal…

Na verdade, mal consigo me lembrar, pensou ela, sentindo o rosto ficar quente. Apesar de querer esquecer e fingir que nunca foi pega, não importa o quanto tentasse, Eliza não conseguia se lembrar exatamente do que aconteceu após a cabeça de Bianca ficar entre suas pernas. Ela se lembra, porém, de sentir o êxtase de finalmente estarem juntas após tanto tempo.

Ela também se lembrava perfeitamente do rosto da mãe quando abriu a porta e viu Bianca abraçando Eliza nua. Nunca a vi tão chocada, pensou a garota, suspirando. Ela mal conseguia formar uma frase. E sempre que vem ver como eu tô, ela bate na porta fazendo bastante barulho e espera antes de entrar. Ao menos ela não mencionou nada desde… só uma coisa sobre jantar…

— Claro… ponto de vistas diferentes. Vamos deixar assim. — Bianca acariciou o cabelo de Eliza de novo com um grande sorriso. — Tudo bem, digamos que fomos pegas por uma coisinha um pouco mais que embaraçosa. Ainda não entendo por que está tão nervosa. Deu tudo certo no fim.

Eliza abriu a boca para responder, mas mordeu os lábios e segurou as palavras com certo esforço. Então soltou um grande suspiro e encarou o céu azul.

— Desisto. Não vou ficar brava com isso mais. O que está feito, está feito.

— Oba! — Bianca mostrou um grande sorriso infantil. Então inclinou a cabeça, colocou um dedo nos lábios e mostrou uma expressão inocente falsa. — Mas, em vez de desistir, você não devia admitir que estou certa?

— Não tem chances de eu dizer isso. Seu ego já é grande o suficiente. — Eliza murmurou a última parte com um sorriso e tirou uma risada de Bianca.

— Ei, vai me contar por que adiou sua alta? — perguntou Bianca, cutucando Eliza na bochecha. A garota mostrou um sorriso amarelo. Mas, antes que a namorada respondesse, a ruiva falou de novo: — Ficou com medo de ficar sozinha com sua mãe em casa, né?

— Se você sabe, pra que pergunta?

— Para ver seu rosto sofrendo — respondeu Bianca, sem sentir vergonha.

Eliza tentou ficar brava, mas, sob aquela expressão, tudo que podia fazer era mostrar um sorriso pequeno.

— Poderia parar de ser tão linda? Fica difícil ficar com raiva de você quando está assim.

— Oba! Então não vai mais ficar brava comigo sobre o que aconteceu na escola hoje. — O sorriso de Bianca aumentou enquanto ela cantarolava.

— O que você fez? — Eliza tinha um mau pressentimento, mas se esforçou para ignorá-lo.

— Não foi culpa minha.

— Apenas diga. Prometo que não vou ficar com raiva.

— Todo mundo ficou dizendo que sempre souberam que meu pai era inocente e como ficaram preocupados comigo…

— É, como achei.

— Isso, mas também falaram que eu devia tomar cuidado com a viciada sapatão que estava tentando arrumar algum podre para me chantagear.

— Eu? Sabia que iam adicionar lésbica nos meus boatos depois que gritei aquilo. — Eliza arregalou os olhos e riu. — E o que você fez? Espera. Já tenho uma ideia.

— Fiquei furiosa e contei que você não era uma viciada e que era eu quem estava atrás de você por semanas até que você finalmente se apaixonou por mim — disse Bianca com um sorriso orgulhoso.

Eliza abriu a boca, mas, em vez de palavras, ela riu.

— Bem o que eu esperava.

— Não está brava? — Bianca parecia surpresa.

— Já falei que não ia ficar com raiva. Aliás, não ligo pro povo da escola. Só queria manter segredo pra que os boatos não chegassem aos ouvidos dos meus pais.

— Agora que todos os seus amigos e familiares já sabem, quer dizer que não precisamos esconder nosso relacionamento mais? — Bianca sorriu.

— Sim, quer dizer isso. — Eliza não conseguiu conter um sorriso próprio.

Então todos sabem agora, hein? Ela fechou os olhos e apreciou a brisa enquanto Bianca acariciava seu cabelo de novo. Eu queria ter contado pra Amanda primeiro, mas agora já era… Vou falar com ela quando receber alta.

— Sendo honesta, meus pais foram muito mais compreensivos do que imaginei — disse Eliza após um tempo. — Embora eu acredite que foi porque estávamos no hospital e a mãe não iria fazer um escândalo onde trabalha, achei que seria de outro jeito quando eles descobrissem.

— Eu sempre disse que você exagerava tudo. Deveria dar o benefício da dúvida a seus pais.

— Você está confundindo os meus pais com os seus.

— Lá vai você outra vez. Não vai dizer que não ficou surpresa quando sua mãe me convidou pra jantar no domingo.

Eliza murmurou algo inaudível e desviou o olhar. Bianca balançou a cabeça e suspirou.

— Eu fiquei tão feliz quando ela me convidou, mas, pra ser honesta, agora estou super nervosa. Não é a primeira vez que encontro os pais da minha namorada, mas nunca é fácil.

— Ótimo. Quero que você fique nervosa. Mas duvido que chegue perto do que estou sentindo.

Bianca respirou fundo e ficou séria de repente.

— Espero que não perguntem sobre faculdade e meus planos pro futuro. Não estou pronta pra pensar nisso — disse, balançando a cabeça com uma expressão deprimida.

— Para deixar você um pouco menos nervosa, embora não mereça, vou te contar. Duvido que meus pais toquem no assunto de faculdade.

— Por quê? — Bianca inclinou a cabeça por um instante e então seu rosto se iluminou quando entendeu. — É porque você não decidiu e eles não querem falar disso ainda.

— Pois é… acertou — disse Eliza, rabugenta. — Não faça essa cara de “me elogia”. O assunto é meio que tabu lá em casa esses tempos. Com a reabilitação e tudo, não tivemos uma conversa de verdade quanto a isso. Estou feliz, já que também não estou pronta, mas não quer dizer que eu não aguento esse tipo de conversa vez ou outra.

Bianca cerrou os olhos.

— Você está escondendo alguma coisa. — Não foi uma pergunta.

Eliza abriu a boca e depois fechou, movendo a língua pelos dentes. A garota bufou.

— Eu… ah… bem… Sendo honesta, embora estivesse passando do limite, e só conseguia pensar em ajudar você e seu pai… mesmo com a dor e tudo… parte de mim ficou excitada em descobrir a sujeira da cidade… — Sua voz sumiu, evitando olhar nos olhos de Bianca.

— Ei… — Bianca cutucou a garota na bochecha de novo. Sem encará-la, Eliza olhou para a ruiva pelo canto do olho. — Acho que jornalismo combina e muito com você — disse ela, com um sorriso gentil.

— Você sabe exatamente o que eu estava pensando… — Eliza suspirou e depois sorriu também, embora seu sorriso fosse mais ansioso. — Não acha que é perfeito para alguém com o meu poder? Imagine o que eu, digo, o que meus olhos enxergam poderia trazer à luz?

Eliza ergueu a mão para o céu. Respirando lentamente, ela limpou a mente e focou-se nas costas da mão. Não era tão rápido e longe como antes, mas a pele, os músculos, os vasos sanguíneos e ossos ficaram transparentes, então ela olhou pra o céu através da mão.

Vai voltar, pensou Eliza com um sorriso confiante. Ela tinha certeza disso. Conforme a visão ficava menos embaçada, seus poderes voltavam aos poucos. É só uma questão de tempo. E então posso fazer a diferença com o meu poder.

— Vai voltar. Tenho certeza que vai — disse Bianca, Eliza se virou para ela.

— O que te faz ter tanta certeza?

— Esqueceu que sua namorada é a mais esperta do mundo?

Eliza tinha uma expressão vazia por um segundo e depois sorriu quando se lembrou.

— É, eu tenho a namorada mais esperta do mundo.

— Ou em vez de jornalismo, você poderia ser uma espiã! — Bianca ficou animada, de repente. — Sim! Seria incrível! Você poderia usar seus poderes para ser a melhor espiã brasileira da história!

Eliza abriu a boca, mas não tinha ideia do que dizer. No segundo seguinte, não conseguiu conter a risada.

— Espiã? Nosso país tem espiões?

— Você está brincando, né? Temos um dos melhores serviços secretos do mundo todo!

— Sério? Morria e não sabia. — Eliza negou com a cabeça, descrente, embora o sorriso continuasse no rosto. Só minha Vermelha pra ter essas ideias doidas.

— Exatamente. Todo mundo conhece o FBI ou MI6, mas alguém já escutou algo dos espiões brasileiros? Não!

— Tá… parece mais que não temos espiões, mas tudo bem.

— Se não tivermos nenhum, você poderia ser a primeira. — Bianca mostrou o sorriso que Eliza aprendeu a amar.

Ela suspirou e olhou para aquele sorriso.

— Pode ser legal. Mas só se você estiver ao meu lado — disse e então se aproximou para beijar a namorada.

O fim


Notas Finais


Obrigado por lerem.

Antes de tudo, digo logo que este é o fim do primeiro volume

Ainda tenho algumas ideias para Eliza e Bianca.

Mas vai demorar um pouco até lá .

Até lá, acompanhem minhas outras histórias.

Mais uma vez, obrigado por lerem


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