História Meus Olhos Enxergam - Capítulo 16


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Palavras 4.817
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Romance e Novela, Sobrenatural, Yuri (Lésbica)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 16 - Meus Olhos 2 - Capítulo 05


— Oi, Eliza! É um prazer finalmente encontrá-la em pessoa! — gritou um garoto cheio de entusiasmo. Ele agarrou e apertou a mão dela com a mesma animação.

Essa voz… Demorou um instante para que ela se lembrasse do dono da voz.

— Ah, você que é o telepata.

— Isso mesmo. Meu nome é Teodoro, mas pode me chamar só de Teo! — O sorriso do garoto aumentou.

Apesar da surpresa, um sorriso apareceu no rosto dela diante de tanto entusiasmo.

— É um prazer — ela disse, balançando a mão por conta própria dessa vez. — Sua voz parece meio diferente quando não está ecoando na minha cabeça.

— Não é a primeira vez que escuto isso. Não sei o porquê. Pra mim é tudo igual.

— Talvez seja essa coisa de que você acha a própria voz estranha quando escuta ela.

— Sem chance. Não quero isso. — O garoto parecia chocado demais. — Minha voz já é aguda o bastante… e pensar que é essa é a melhor versão dela…

Eliza olhou para ele e depois riu. Ele parece… meio excitado demais com tudo…

— Foi mal se pareço animado demais… mas é a primeira vez que encontro outra pessoa com poderes e que seja quase da minha idade… — Teo esfregou a cabeça e olhou para baixo.

A garota não escondeu sua surpresa. Temos a mesma idade? Eu jurava que ele era mais novo…

Ao menos não parece ser um cara ruim… mas ele tá lendo a minha mente agora, né?

Eliza o observou, esperando que reagisse ao que ela pensava. O garoto não teve reação.

Ele tá tentando esconder ou realmente não consegue ler minha mente agora…?

Ah, merda… isso vai ficar me incomodando o tempo todo…

— Você está fazendo a cara de quem não sabe se o telepata está lendo seus pensamentos ou não — disse João Paulo, caminhando até eles. — Ele recebeu uma punição pelos problemas que causou quando nos conhecemos.

— Só diz que tô de castigo, JP. — Teo ergueu a mão direita para Eliza poder ver, tocando o anel em seu dedo indicador com o dedão. — Essa coisa aqui restringe os meus poderes… com isso, a área da minha telepatia é limitada para alguns centímetros só…

O garoto se aproximou de Eliza e ficou bem ao lado dela. Apesar de ser da mesma idade, o garoto mal batia no ombro dela.

Consegue… me… ouvir… agora?

Eliza piscou algumas vezes ao ouvir uma voz além da sua dentro de sua mente.

Sim… mas bem pouco… como se tivesse uma estática o tempo todo…

É culpa do anel… É uma droga… JP me deixou de castigo com esse anel só porque ajudei um pouquinho além do que deveria…

— Por favor, entre e explicaremos no caminho. Não sabemos a que horas o acordo vai acontecer, portanto precisamos ficar de guarda no lugar — disse o policial, sentando no assento do motorista.

Eliza e Teo sentaram na parte de trás, e JP dirigiu.

Ei, ainda pode me ouvir?

Alto, mas não tão claro, confirmou a garota. Ei, o JP deixou você de castigo mesmo…? Você não é um policial que nem ele?

O garoto mostrou um sorriso desconfortável. Sim… na verdade, não… É que tipo, eu era um garoto normal até acordar um dia com o poder de ler a mente das pessoas à minha volta.

Eliza virou para encarar o rapaz. Então você acordou com seus poderes do nada que nem eu?

Teo assentiu, sem olhá-la nos olhos. Sim… foi… tenso… agora que posso controlar, é legal ter esse poder… Mas no começo… eu não conseguia controlar nadinha… sempre que alguém se aproximava, eu sabia no que eles estavam pensando na hora. Antes de aprender como ligar e desligar isso, ficou forte demais… eu ouvia os pensamentos de pessoas a centenas de metros de distância…

O que aconteceu…?

Foi demais pra a minha mente, disse Teo, olhando para baixo. Eu sentia dor o tempo todo… Não aguentei…

Que nem meu… pensou Eliza quando ele ficou quieto. Eu não conseguia controlar meus poderes no começo também… acabou que eu não consegui nem dormir porque via através das pálpebras…

Era horrível… embora agora eu ame meu poder e provavelmente não consiga viver sem, eu tive vários problemas com minha telepatia naquela época…

Eliza tinha uma ideia de que já sabia, mas perguntou de toda forma. O que aconteceu?

Minha cabeça doía o tempo todo, mas era… suportável… bem, quase… imagina ter uma dor de cabeça o tempo todo. Mas um dia a dor foi muito grande… Não lembro do que aconteceu… Meus pais disseram que eu gritei e desmaiei enquanto eles me levaram correndo pro hospital… Eu estava… os médicos não tinham ideia do que tava acontecendo… mesmo olhando a minha tomografia… o melhor que podiam fazer era me sedar o dia todo…

Os olhos de Teo pareciam distantes enquanto ele se lembrava. Ele piscou, quase como se percebesse onde estava e se virou para a garota. Não parecia ter jeito mais, mas foi quando o JP me encontrou…

Ele te encontrou…? Eliza olhou para a nuca do policial. Ele viaja pelo estado todo atrás de pessoas com poderes?

Teo sorriu. Eu não sei sobre isso… mas, no meu caso, ele disse que podia ajudar… O garoto ergueu a mão de novo. Ele me deu este anel e explicou que ele podia conter os meus poderes… meus pais ficaram… muito chocados, tipo, ao descobrir sobre a minha telepatia, transmitiu ele, seguido por uma risada fraca. Eles ainda não se acostumaram.

Eliza não conteve a surpresa com a última informação. Seus pais sabem sobre seus poderes? Ela não conseguia imaginar como seria contar aos seus pais. Descobrir sobre meu poder seria mais ou menos chocante do que pegar a filha lésbica na cama com a namorada…?

Teo soltou uma risada animada. Não sei. Mas, no meu caso, não tinha como eu estar aqui sem eles saberem… Após ser liberado do hospital, eu… ouvi eles… Não faziam ideia de como lidar com esse negócio que mais parece saído de um filme… E não posso culpá-los… Esse poder só tinha me trazido problemas…

Houve um instante de silêncio. Então Teo suspirou e sorriu.

Mas este poder é parte de mim agora… Já que tenho que viver com ele pro resto da minha vida, eu queria controlá-lo… meus pais não gostavam da ideia de eu me envolver com assuntos da polícia, mas, no fim, eles concordaram e me juntei ao grupo do JP. Tecnicamente, não sou um membro oficial ainda. Sou só um consultante independente, por isso eu não vou em missões como essa de tempo em tempo. Só quando o JP acha que o meu poder pode ser útil.

Eliza ficou quieta enquanto ela processava tudo.

É incrível… Ele já pensou sobre usar seu poder dessa forma… Sinto até uma inveja, pensou, mostrando um sorriso triste. Se o JP tivesse me encontrado antes, quem sabe eu não teria sofrido tudo aquilo…

Mas teria sido ruim, a voz de Teo ecoou na cabeça dela. Aí você não teria encontrado a Bianca! Seria uma grande pena!

Eliza arregalou os olhos. Depois sorriu e riu.

É… tem razão… Se algo tivesse saído levemente diferente, jamais estaríamos juntas.

Você já sabe, mas ela te ama muito. Ficou pensando o tempo todo em como poderia te proteger se o JP não tivesse boas intenções.

Eliza corou enquanto a visão de sua namorada surgia em sua mente. Aquela idiota… consegue me fazer corar mesmo não estando por perto.

Aposto que ela diria o mesmo, pensou Teo, rindo. Mas a mente dela é muito engraçada… Não que eu possa falar, mas ela tem muitos pensamentos intrusivos, sabia?

O que é um pensamento intrusivo?

Hm… Como explico…? São aquelas coisas estranhas que vem na sua cabeça do nada.

Ah… então isso tem nome… e eu pensei que era a única com isso… Tipo quando você pensa de repente no que aconteceria se jogasse seu celular no chão.

Sim! É tipo o que aconteceria se você socasse uma pessoa qualquer na rua.

Eliza balançou a cabeça. Não acredito que todo mundo tem pensamentos assim…

Sim. E os da Bianca só provam o quanto ela te ama.

Como assim?

Eu disse que ela pensava em como proteger você do JP, mas o que ela pensou… Às vezes ela considerava ferir o policial do nada. Ela sempre acalmava essas ideias perigosas, mas elas ainda estavam no canto da mente dela…

Bianca… Eu sabia que ela era impulsiva, mas pensar que considerou mesmo machucar um policial… Apesar de pensar naquilo, tinha um sorriso no rosto de Eliza.

Pois é, mas não é tudo. Após isso, a ideia de ela ser seu cavaleiro de armadura brilhante, que vai te salvar do JP veio na mente dela.

Quê? As maçãs do rosto de Eliza ficaram quentes quando ela imaginou.

Isso mesmo! Ela teve a mesma imagem na cabeça dela na hora! É incrível como vocês duas estão em sincronia, pensou Teo, assentindo e sorrindo ao mesmo tempo. Na verdade, ela conteve a vontade de expulsar o JP e voltar pro quarto pra fazer o que vocês estavam fazendo a tarde toda.

Quê? Você leu esses pensamentos também? A garota corou mais. São coisas pessoais…

Até o telepata corou e desviou o olhar. Não deu pra evitar… foi a sua namorada que ficou pensando nessas coisas…

Droga, Vermelha… Ela sabia que havia um telepata por perto e pensou no que fizemos… Apesar de sua vergonha, Eliza ainda sorria. Não acredito…

No instante seguinte, ela se lembrou do que as duas faziam e do quão bom foi para ambas.

Ah! Droga! Saia da minha mente por um instante até eu me reorganizar!

Eliza empurrou o telepata para o outro lado do carro, se afastando o máximo que podia, encostando na porta. Ela respirou fundo, tentando limpar a mente. Mas só conseguia pensar no corpo de Bianca como veio ao mundo.

Não! Não posso pensar nisso! O corpo dela é só pra eu ver! Não quero que ele veja!

Demorou um instante até Eliza controlar seus pensamentos e abaixar a mão, permitindo que o garoto se aproximasse.

No instante em que Teo estava no assento do meio, Eliza pôde ouvir sua voz.

Desculpe por falar disso! Mas não foi culpa minha! Nem da Bianca! É isso o que pensamentos intrusivos são… na maior parte… E-E não se preocupe! Nunca vou falar pra ninguém! O corpo nu dela é só seu, o telepata adicionou às pressas. Depois ele corou, abrindo e fechando a boca, sem saber o que dizer.

A garota olhou para ele e suspirou. Era difícil ficar brava com alguém tão nervoso, mesmo sem indicar qualquer mal a ela. Valeu.

— Chegamos — disse o policial após muito tempo.

A rua estava deserta e mal iluminada. JP entrou em um dos depósitos alguns quarteirões de distância do porto na parte velha da cidade.

— Acho que está dentro do limite do seu poder — adicionou, conferindo a hora no celular.

Estive na capital antes, mas nunca por aqui, pensou Eliza, respirando fundo para acalmar o coração. Estou nervosa demais…

Embora a missão parecesse simples para Eliza, e especialmente seu papel, ela sabia que não era. Tudo que precisava fazer era observar uma das docas e observar para além dos containers. Ela não fazia ideia do que o Departamento de Casos Não Resolvidos estava atrás; ela só precisava olhar. Nem precisar saber o que. Teo usaria seus poderes e conectaria Eliza com a mente do policial.

Eles não eram os únicos lá. Alguns instantes após estacionarem, outro veículo entrou no depósito e parou perto deles.

Isso… parece até que saiu de um jogo, pensou Eliza ao dar uma olhada no veículo. Era um dos caminhões blindados para transportar dinheiro ou coisas valiosas. Sinto que estou naquele jogo que meu irmão gosta… aquele em que ele é o criminosos e rouba carros e outras coisas.

E alguns instantes depois, outro carro da polícia estacionou do outro lado do caminhão blindado.

Eliza abriu e fechou suas mãos trêmulas, respirando fundo de novo. Droga… agora estou bem mais nervosa… Pensando bem, essa operação parece importante demais, mas tem pouca gente aqui, pensou enquanto se mexia em seu assento para encarar na direção das docas.

É… você tem razão. O departamento está com uma falta de gente horrível… Tipo, só encontrar pessoas que consigam lidar com o sobrenatural é difícil. Pode acreditar que é bem mais difícil encontrar pessoas dispostas a lutar contra essas coisas, informou Teo. O dinheiro não é nada mau, mas ainda assim…

Como sabe de tudo isso? Perguntou ela mentalmente. Então soube logo o motivo. Você leu a mente do JP?

Apesar de não olhar para ele, Eliza sabia que o garoto sorria ao seu lado.

Ele tende a se esquecer de colocar o anel… ei, não é culpa minha…

A garota riu e se virou para ele. Você fala muito isso, sabia?

É q-que nem você no começo, pensou Teo, seu rosto estava tão nervoso quanto a voz em sua cabeça.

Suas reações são engraçadas demais, pensou ela, rindo. Relaxa. É como você diz… Eu sei como é não conseguir se controlar…

Teo parecia menos nervoso.

Eliza sorriu e bagunçou o cabelo dele. É como ter um irmãozinho, pensou, esquecendo-se que ele podia ouvir seus pensamentos por um instante.

JP tossiu um pouco alto na própria mão.

— Pode começar a qualquer instante, Eliza.

Eita, quase esqueci, disse Teo, encarando a janela para esconder o sorriso enquanto tirava o anel. Com a mão livre do acessório, ele a colocou no ombro de Eliza. É para que eu possa me focar somente na sua mente e não escutar os pensamentos de outros. Assim posso conectar sua visão a de JP, adicionou o garoto antes que ela perguntasse.

Ela assentiu e se virou para a esquerda. Respirando fundo, ela limpou a mente. Depois se focou.

No começo, nada aconteceu. Então os cantos de sua visão começaram a ficar borrados e ela enxergou além. A porta e janela do carro sumiram. Logo as paredes do depósito também.

Sua visão foi indo, passando pelos outros depósitos, os containers, pessoas, tudo e todos se tornaram transparentes enquanto sua visão atravessava tudo.

Uau… é incrível… Eu vi uma memória de quando você pensou em Meus olhos enxergam, mas jamais imaginei que seria assim, a voz de Teo entrou em sua mente, tirando um pouco do foco dela.

Sua visão tremulou e recuou um pouco. P-Poderia não falar…? É difícil manter o foco…

Ah, d-desculpa! Vou ficar quieto.

Com o silêncio mental de volta, sua visão continuou avançando.

É esse. Pode parar, a voz de JP ecoou na mente da garota.

Argh… pessoas demais na minha cabeça, pensou Eliza antes que pudesse parar.

Eu sei como é, veio a voz de Teo.

Desculpe por isso, mas por favor, observe essa área por um tempo, disse JP.

P-Por quanto tempo…?

O lugar não estava na beira do alcance de seus poderes, nem em sua situação reduzida. Diferente de quando ajudou o pai de Bianca, não havia necessidade de forçar seus olhos além do limite. Mas, se precisasse manter por muito tempo, o cansaço poderia ser parecido.

Não acho que vai demorar muito. Nossa fonte informou que deveria ser por volta deste horário.

O-Ok…

Eliza tentou relaxar e manter o foco ao mesmo tempo.

A área que ela vigiava era a sexta doca, que foi abandonada recentemente. Embora não fosse usada por um tempo, havia alguns navios velhos ancorados lá. Os containers que restavam por lá estavam enferrujando.

Apesar de ser abandonado, não estava deserto. Pelo que ela podia ver, havia algumas pessoas usando drogas.

Não parece ser um lugar pra uma troca ilegal… pessoas demais…

Justamente por isso que é perfeito… eles têm pessoas de poderes, como nós. Provavelmente se preocupam mais com os policiais invadindo do que algum viciado vê-los.

Apesar de manter a mente limpa, Eliza registrou aquelas palavras.

Faz sentido…

Não acho que são só viciados… olhe para aquele lá… no canto direito perto daquele container azul, disse JP.

A garota obedeceu, focando-se em um homem em especial. Apesar de ter uma agulha na mão, não havia furos no braço dele. Seus olhos não prestavam atenção nas drogas. Ele olhava o arredor, como se esperasse por algo.

Viu? Não é um drogado. Ele é parte do disfarce.

Quando Eliza conferiu os outros, ela percebeu que o homem não era o único.

Eles têm muitas pessoas… Eu sei que JP pode se teletransportar e tudo mais, porém…

Não se preocupe. Nosso objetivo principal é pegar o artefato. Não vai ser preciso lutar.

Se você diz…

Ela continuou procurando por qualquer coisa que parecesse suspeita. Mas, após ver todos os containers e barcos, não havia nada que merecesse sua atenção.

Se passou quase uma hora. Os olhos de Eliza começavam a arder, embora não estivesse nem um pouco perto de quando ela ajudou ao pai de Bianca.

Então, algo finalmente aconteceu; ela viu algo se movendo entre dois barcos abandonados.

Eliza focou sua visão e a carcaça frontal e o interior do navio desapareceram em poucos segundos.

É isso…? O tal artefato…? Perguntou a garota, tentando manter o foco.

Era um barco pequeno com quatro pessoas em volta de um grande engradado. Se movia sem motor ou remos. Tudo que os três homens e a mulher faziam era olhar em volta, seus rostos tensos e preparados para tudo.

Sim, é, pensou JP e Teo transmitiu.

Embora fosse só por voz, Eliza sabia que o policial estava ficando mais tenso.

Não importa o quanto ela encarasse o artefato, para ela parecia ser só um tabuleiro de xadrez gigante, mas, em vez de quadrados, tinha um bando de símbolos que pareciam sobrenaturais. Também tinha um grande cristal verde-escuro no topo, segurado por dois apoios de madeira em cada canto.

A garota engoliu em seco e pressionou os lábios, tentando olhar para cada detalhe do artefato. Embora não fizesse ideia de como ele funcionava, sabia que era perigoso. Antes que Eliza concordasse em ajudá-los, ela perguntou o que o artefato fazia.

— É algo que força o despertar de poderes não desenvolvidos — disse JP com uma voz grave pelo telefone.

— Como assim?

— Existem pessoas que nascem com poderes. Mas a maioria é como você, quem os poderes aparecem um dia. Porém, tem os em que os poderes ainda estão dormentes. Há muitas formas de despertar a habilidade de alguém, mas em uma escala menor. Eles querem algo bem maior, que pode despertar o poder de milhares de pessoas de uma vez. Está sendo desenvolvido fora do país e é o primeiro protótipo. Não conseguimos mais detalhes, no entanto, aparentemente deve poder enviar um sinal que vai ativar esses poderes dormentes.

Eliza teve dificuldade em entender tudo aquilo. Parece o enredo de um filme… A Bianca vai adorar ficar sabendo disso, pensou na hora, com um sorriso amarelo.

— Pelo que sabemos, eles querem mais pessoas com poderes. — JP ficou quieto no outro lado da linha. Eliza sabia de cara que o policial estava pensando se deveria contar a ela ou não. — O mundo está mudando… todos os grupos estão tentando conseguir mais membros, mas ainda não é o bastante. Aquela máquina pode criar o caos e, ao mesmo tempo, despertar mais poderes…

Eliza não disse nada, deixando a raiva crescer dentro de si. Ela sabia por que sentia raiva daquilo. O artefato poderia fazer as pessoas passarem pelo mesmo sofrimento que ela.

Apesar de não ter qualquer senso de justiça que a forçasse a fazer qualquer coisa, ela não gostava da ideia de ninguém ter a vida virada do avesso graças a um poder desconhecido tirado do nada. Quase morri tentando lidar com o meu poder… Dei sorte de ter encontrado a Bianca, mas não é como se todo mundo tivesse a mesma sorte…

— Vê a mulher? — disse JP com sua voz real. — Ela e o cara ao lado dela são os mais problemáticos. Por favor, fique de olho neles. Preciso lidar com eles logo após roubar o aparelho. Se não, eles vão nos causar problemas.

Teo pressionou os lábios, contendo um sorriso. Você está prestes a ver algo incrível, disse o telepata diretamente para a mente da garota. Ao mesmo tempo, ele apertou o ombro dela com um pouco mais de força. Por favor, não pisque por nem um segundo. Não quero perder nada.

Do que tá falando?

Você vai ver, foi tudo que Teo disse.

Antes da garota poder insistir, quando sentiu um movimento dentro do carro da polícia, sem parar para observar o barco, Eliza puxou metade de sua visão para trás. Droga… esqueci do quanto doía olhar para duas coisas ao mesmo tempo…

Apesar da dor, ela observou enquanto JP pegava um par de estranhas luvas negras dos bolsos. Ambas luvas tinham alguns símbolos complicados na palma e um interruptor no meio de tudo. Após ele ajustá-las, os símbolos se uniram, e ele fechou e abriu os dedos. Assentindo para si mesmo, ele virou-se para ela.

— Por favor, me mostre cada detalhe — pediu, tocando no ombro de Teo e fechando os olhos.

A garota engoliu em seco e assentiu, forçando sua visão a voltar para o artefato e o barco. Sua visão tremeu e seus olhos arderam um pouco antes de ver as pessoas em volta da caixa.

Recue um pouco. Preciso ver todos, a voz de JP ecoou na mente de Eliza.

Ela obedeceu na hora, movendo sua visão para trás até poder ver todos os viciados disfarçados nas docas abandonadas.

Alguns se levantaram e caminharam até o barco.

A curiosidade aumentou e Eliza focou seus olhos um pouco mais, para ver os rostos e, mais importante, ler os lábios.

— Nos mostre o aparelho — disse um dos viciados.

Mova os lábios para eu conseguir ler melhor, pensou Eliza.

Com uma amargurada, um dos homens do barco se levantou, puxou um pé de cabra e abriu o engradado.

— Olhe para o homem perto do container amarelo — disse JP perto de Eliza. A garota obedeceu, embora ainda tentasse manter o aparelho em sua visão. — Então é aí que ele estava… maldito… pensei que ele tinha fugido do país… Teo, mostre isso para os outros… Ok. Todo mundo, estou indo. Preparem-se.

No instante em que ele falou, Eliza ouviu o mesmo som estranho que escutara na sala de estar de Bianca no dia em que conheceu JP. No segundo seguinte, o policial estava em cima do artefato.

As pessoas no barco não perderam um segundo, reagindo imediatamente. Ainda assim, JP era rápido demais para eles.

No momento seguinte, antes que pudessem fazer qualquer coisa, ele tinha se teletransportado de novo, dessa vez com o artefato.

Eliza ouviu o som novamente e algo pesado foi colocado no carro blindado.

Ela nem teve tempo de olhar antes de escutar o som novamente.

Enquanto o policial voltava para a doca, dessa vez perto da mulher, o carro blindado se afastava.

No instante em que ele apareceu, ela atirou nele. Todos ergueram suas armas, mas ele se teletransportou para longe.

Quando apareceu de novo, ele estava a poucos metros de distância, flutuando no ar por alguns segundos. Antes que começasse a cair, ele ergueu o dedão e apontou o dedo indicador para o barco.

Eliza teve dificuldade para entender o que estava acontecendo. Foi tudo tão rápido que ela quase perdeu o foco. Quando sua visão tremeu, Teo agarrou o ombro com mais força. Não perca o foco! Não quero perder isso!

O que raios? Por que ele está fingindo que o dedo é uma arma?

Fique vendo! Fique vendo, a voz de Teo ecoou em sua mente, animada demais.

Eliza deixou suas preocupações de lado e se focou no policial, certificando-se de não perder nada.

Em um piscar de olhos, antes das pessoas transportando o aparelho e os viciados falsos descobrirem, uma pequena esfera branca apareceu na ponta do dedo de JP. Quando ele abaixou o dedão, a esfera voou em uma velocidade incrível.

O barco! O barco! Gritou Teo na mente dela.

Eliza recuou a visão na mesma hora, para poder assistir tudo.

A esfera foi na direção do barco. Os três homens e a mulher pularam fora do caminho antes que ela o atingisse.

A esfera cresceu e a força do vento foi o bastante para despedaçar o barco.

— Puta merda! — gritou Eliza, perdendo a concentração o bastante para que sua visão ficasse borrada e recuasse.

Preste atenção! Preste atenção!

Teo gritou, desesperado, na mente dela, com medo de perder qualquer segundo da luta. Ele estava quase balançando a garota.

Eliza estremeceu, semicerrou os olhos e forçou a visão a se focar de novo.

Quando estava vendo as docas abandonadas de novo, o policial havia sumido.

Cadê o JP?

Lá!

JP se teletransportara de novo para sair da linha de fogo. Enquanto se movia de um lugar para o outro várias vezes, ele tocava com a palma da mão e mudava o interruptor na luva.

Quando pôde, o policial apontou o dedo, fingindo ser uma arma de novo. Uma nova esfera surgiu.

Mas foi azulado dessa vez e atingiu um homem próximo que atirava nele. A esfera se transformou em água, a pressão tão forte que empurrou os viciados para longe.

Um dos containers abandonados voou na direção do policial com uma velocidade incrível.

Aquele cara no barco! Ele está na doca! Foi ele quem jogou! Disse Teo, batendo na garota com sua mão livre.

JP se teletransportou para longe do caminho bem na hora. Mas, no instante que apareceu, outro container veio voando para onde ele estava. Ele apontou o dedo e a esfera azul se jogou contra ele, salvando-o.

— Caralho! Ele tinha esse poder também? — Eliza perguntou em voz alta, ela não aguentava mais.

Não é um poder. É magia.

Ela não conteve o riso. Caramba! Tem magia agora?

Sempre teve, pensou Teo, sua risada ecoando na mente dela. Eu reagi da mesma forma quando descobri. Parece uma fantasia e tanto.

Caramba, sim! É tipo como se eu tivesse dormido vendo um daqueles filmes que a Bianca gosta e agora estou sonhando com ele.

Eu sei. É incrível! Viu aquelas luvas nele? Elas tem vários círculos mágicos. Quando ele muda o interruptor no meio da palma, muda o círculo. Com isso, ele pode usar outra magia elemental sem precisar fazer qualquer círculo ou movimento.

Eliza não continha o sorriso com o absurdo que era a situação. Ainda assim, ela não perdeu o foco, observando a luta sobrenatural.

JP continuou a atirar esferas no meio do ar. Sempre que sua altura caía demais, ele se teletransportava para um lugar mais alto, metros de distância, escapando dos containers.

Quando estava quase sendo atingido, ele subiu de novo e atirou uma das esferas reduzindo o container para um pedaço de metal amassado.

Tinha outro contêiner vindo voando em sua direção.

JP atirou sem nem olhar para ele. Mas, quando o metal quebrou, havia alguém dentro.

Era uma armadilha, gritou Teo na mente de Eliza, segurando o braço da garota.

Ela não teve tempo de reclamar. Só conseguia observar.

A mulher pulou para fora do container, agarrou o pulso de JP e então deu um soco no policial.

Por que ele não se teleporta para longe? Pensou Eliza enquanto observava a troca de golpe das duas pessoas caindo no meio do ar.

Ele pode. Mas vai levá-la junto. Ele precisa se livrar dela primeiro antes de poder escapar.

JP bloqueou o soco da mulher da melhor forma que podia, mas não dava para se defender de todos só com seu braço esquerdo.

Ele se teletransportou quando estavam prestes a atingir o chão.

Quando surgiram outra vez, alguns metros mais altos, foi a mesma coisa; ela o atingiu e ele tentou bloquear.

Ele não pode mudar a posição dos dois, disse Teo, lendo a mente da garota. O teletransporte dele só leva ele e quem quer que esteja com ele, para um novo local. Acho que ele pode conseguir mudar a posição, mas o teletransporte demoraria mais enquanto ele muda os cálculos.

JP desapareceu com a mulher no meio do ar. Mas eles não reapareceram.

Eliza recuou a visão, tentando achar o policial e a mulher. Onde eles estão?

Lá!

Com a ajuda de Teo, a garota os achou.

JP os teletransportou para debaixo d’água.

Os socos da mulher perderam velocidade e força. Agora o policial tinha tempo o bastante para apontar o dedo na direção dela.

Ela não pareceu surpresa. A mulher o soltou e chutou a mão para longe de si.

A esfera que saiu do dedo dele criou uma grande bola no meio da água.

A pressão os empurrou.

Eles não podem sair, pensou Eliza.

Ela não pode!

JP se teletransportou para fora da água.

— Cadê ele? — perguntou Eliza, freneticamente, já que não o encontrava.

— Eu estou… aqui — disse uma voz por entre tossidas.

Quando a garota virou a cabeça, JP estava de volta no assento do motorista do carro de polícia. Suas roupas e tudo mais estavam completamente ensopados.

— Vamos dar o fora daqui…


Notas Finais


Obrigado por lerem
Espero que tenham gostado


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