História Mezcla de estrellas - Capítulo 26


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Categorias Malhação
Tags Clamantha, Heloísa Gutierrez, Lica, Limantha, Malhação, Samantha Lambertini
Visualizações 208
Palavras 4.690
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, LGBT, Romance e Novela, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hello lindezas!
1º: mil desculpas pela demora :( sei que sempre falo isso, mas realmente os dias andam bem corridos e ocupados para mim e está complicado pra manter o nível de atualizações que tive desde o início! me perdoem, de verdade :(
2º: obrigada de verdade por todos os comentários no capítulo passado! meu coração se encheu de amores ao ver que vocês gostaram e se emocionaram com o capítulo, sério! fiquei feliz demais ao ver que conseguir transcrever e passar para vocês um momento lindo e emocionante assim <3 o capítulo anterior foi o que mais gostei de escrever e me sinto grata por vocês terem gostado também!
3°: bom pessoal, a fic está em seus capítulos finais! quando comecei a escrever, não fiz planos de quantos capítulos teriam nem de como a história seguiria. mas acho que saiu algo bom, né? ahahah enfim, ainda não sei quantos capítulos mais terão, mas já aviso que serão poucos!
obrigada a todos os leitores, vocês são uns lindão demais <3
OBS: o título do capítulo é assim mesmo pois serão dois dias importantes, ok? heheh

Capítulo 26 - Os dias Dos


Samantha
 

Todo dia ao abrirmos os olhos, temos apenas duas únicas certeza: novas surpresas e acontecimentos. Tem dias que desejamos que dure para sempre. Outros, que desejamos nunca ter aberto os olhos. Muitas vezes, um único fato pode nos fazer chorar ou rir pelo resto do dia. A vida é uma montanha-russa e nós buscamos apenas aterrissar nos ótimos momentos. Entretanto, para isso, temos que navegar pelos ruins. Às vezes parece impossível que o lado bom aconteça, mas te garanto, ele irá chegar quando menos esperamos. Basta ter paciência e, principalmente, esperança.
 

O tão esperado e temido dia chegou. O banco gélido do tribunal do Rio de Janeiro não deixa que minha mente se esqueça do fato: o dia em que enfim saberei se Theo ficará comigo chegou. Esperei tanto por esse dia, que agora que estou vivendo ele parece um sonho distante. Sim, estou apreensiva. Nem mesmo a mão fria de Heloísa acariciando a minha é capaz de me acalmar totalmente. Nem mesmo o cheiro de pirulito de cereja vindo de Theo em meu colo faz com que meu estômago descanse. Sim, eu tinha esperanças que ótimas coisas sairão desse dia. Mas minha vida sempre foi tão dramática, que me faz pensar que hoje aconteceria algo de ruim novamente. Eu odiava essa sensação.

- Sammy, amor. Eu sei que é difícil, mas por favor, fica calma. - Lica me olhava apreensiva.

- Estou usando toda a força interior que tenho para ficar calma, acredite em mim. - Soltei uma risada nervosa e suspirei pesadamente.

- Pelo menos para se balançar essa perna. O Theo está parecendo uma pipoca estourando na panela em cima das suas pernas. - Ouvi meu filho soltar uma risada contida enquanto mordia seu pirulito. Tinha mania de balançar a perna freneticamente quando estava nervosa, sem perceber.

- Tá divertido. - Theo virou sua cabeça para me olhar, sorrindo. Seus dentes de baixo haviam caído na semana passada. - Eu estava fingindo que dirigia um carro na estrada cheia de buiracos.

Soltei uma gargalhada, sendo acompanhada por Lica. Somente meu filho para me fazer rir nesse momento. Ele sabia o que estava prestes acontecer, mas estava tranquilo. Desejava que ele nunca crescesse para continuar sempre com essa inocência. Theo se virou de lado em meu colo e começou a jogar seu jogo favorito no celular de Lica. Minha namorada acompanhando tudo com os olhos, fascinada. Os dois tinham o mesmo vício em comum: jogos. Muitas vezes eu tinha que bancar a mãe chata para tirá-los do vídeo-game. Heloísa deu um video game no aniversário de quatro anos de Theo. Acabou que perdi minha namorada e filho para o brinquedo.

Olhei para a entrada e vi Rafael, sua esposa Fernanda, dona Antonella e o advogado da família chegando. Quando me viu, Rafael acenou de longe, falou algo para os acompanhantes e veio em nossa direção, sorrindo.

- Bom dia, pessoal. - Ele tinha um sorriso amigável no rosto. Aquilo estava estranho.

- Oi, Rafael. - Falei tentando soar simpática e não deixar meu nervosismos transparecer.

- Ei garotão, não vai falar oi pro papai? - Rafael se ajoelhou e colocou sua mão na perna de Theo.

O garoto olhou na direção do pai, assustado com sua presença. Estava tão ligado ao jogo que mal percebeu a aproximação do pai. Heloísa se endireitou na cadeira, o fitando. Sua mandíbula travada, como de costume. Eu adorava quando ela ficava nessa pose de durona. Me fazia ter uma nostalgia da Lica revoltada, como seus amigos costumavam se referir à ela. Embora não tenha conhecido essa fase de Lica, podia imaginar perfeitamente seu rostinho lindo na pose de durona, como agora.

- Oi, papai! - Theo entregou o celular para Lica segurar, e abraçou o pai. Apesar de tudo, o pequeno tinha um carinho muito grande pela criatura que contribuiu em sua geração. - Desculpa, não te vi. - Theo deu seu sorriso galanteador, banguela nos dois dentes de baixo.

- Que coisa mais fofa essa janelinha aqui! - Rafael sorria ao olhar o sorriso banguela do filho. Theo fez uma careta e voltou à atenção ao celular. - Samantha, a gente pode conversar? - Os olhos azuis me fitavam, apreensivos.

- Sim, claro. Theo, fica aqui com a mamãe um pouco, ta bom? Eu vou conversar com seu pai e já volto. - Coloquei meu filho no colo de Lica, que me lançou um olhar preocupado. Apenas sorri para tranquilizá-la e segui para um canto mais afastado com Rafael.

Entramos em um corredor mais afastado e vazio. Fazia frio do Rio de Janeiro. Pelas janelas, entravam um ar gelado que me fez esfregar as mãos e depois colocá-las dentro do bolso de meu casaco. Rafael se encostou na parede, com o olhar distante. Permaneci em pé na sua frente.

- Mamãe, é? - Ele perguntou sem tirar os olhos da imensa janela em nossa frente. Sabia que ele estava se referindo à Lica.

- Sim. Ele começou a chamá-la assim há algumas semanas. - Ele se virou e sorriu para mim. Ok, aquilo estava muito estranho. - Tem algum problema pra você? Eu iria te contar sobre isso hoje.

- Problema nenhum, Samantha. De verdade. - Ele colocou suas mãos no bolso da jaqueta e voltou o olhar para a janela. - Eu já sabia que isso aconteceria, mais cedo ou mais tarde.

- Sei que você queria que ele chamasse a Fernanda assim. - Rafael me olhou assustado. - Ele me contou quando voltou das férias em sua casa.

- Que malandrinho. Eu pedi que ele não contasse. - Rafael soltou um riso frouxo, as covinhas nas bochechas ganhando destaque. Não parecia estar bravo. - Me alivia saber que vocês não tem segredos um com o outro. Mas sim, eu disse que ele poderia chamar a Fernanda assim se quisesse. Mas ele disse que não queria.

Soltei uma risada sem querer. Rafael me olhou incrédulo, mas depois caiu na gargalhada também. Ele estava diferente. Mais leve. Mais maduro, talvez. Seu olhar estava diferente, calmo tranquilo, totalmente diferente do que estava acostumada a ver nos últimos anos.

- Ele gosta muito da Fernanda, Rafa. Mas a palavra “mãe” tem um significado muito forte, sabe? Uma criança não sai falando facilmente assim. - Coloquei minha mão em seu braço, acariciando levemente. - Mãe é quem está presente todos os dias, cuidando, amando, ensinando, sabe?

- Tipo a Heloísa? - Ele me olhou. Retirei a mão de seu braço, pronta para iniciar uma discussão. Percebendo minha intuição, ele logo suavizou a expressão.  - Não falei isso em tom de crítica, Sam. Não me entenda mal. - Ele passou uma das mãos pelos cabelos, desarrumando os fios negros. - Eu sei que é ela quem está lá com ele todos os dias, cuidando, conversando, ensinando, amando. Fazendo tudo que uma criança espera que sua família faça. E acho incrível que ele a chame e à veja como mãe, de verdade. Porque é isso que ela é. Você e ela são. Soube disso desde o dia que vocês apareceram de surpresa lá em casa, há dois anos atrás.

- Nossa, eu não sei nem o que dizer, de verdade. - Eu estava incrédula. Estava preparada para iniciar mais uma discussão, com sete pedras na mão, e fui surpreendida com toda essa compreensão vindo do meu ex.

- Sei que você não esperava ouvir isso vindo de mim, Sam. - Ele sorriu, lendo meus pensamentos. Mordi meu lábio e concordei com a cabeça, o fazendo soltar uma risada nasal. - Samantha, eu tive algumas conversas muito esclarecedoras com a minha mãe há um tempo atrás. Abriu meus olhos, sabe. Eu percebi como errei com você. Como errei principalmente com Theo. Eu tive a chance de ser um ótimo pai mas falhei miseravelmente desde o ínicio. - Notei os olhos de Rafael se enxerem de lágrimas, porém nada disse. Ele jamais chorou em minha frente. Sempre disse que um Lacerda jamais demonstrava sua fraqueza, a ninguém. - Desde que você me contou que estava grávida, eu falhei como pai. Agora, quatro anos depois, eu percebo meus erros e sei que é tarde demais para compensar a maioria deles. Esse tempo for perdido e não volta. Mas eu tenho todo o futuro pela frente para tentar ser melhor, Samantha. E sei reconhecer que o melhor para Theo é estar com você e Heloísa. Vocês são a família dele. Eu sou apenas o cara que contribuiu com o espermatozóide. - Ele riu. Uma risada cheia de dor. Senti uma pontada em meu coração. Todo o arrependimento dele sendo demonstrado através de seus olhos azuis.

- Você falhou sim, Rafael. Mas eu também falhei, e muito. Não podemos colocar a culpa somente em você. - Acariciei seu braço e o puxei para sentarmos em um banco que estava próximo a nós. - Eu falhei quando carreguei Theo pela primeira vez em meus braços, você se lembra? - Ele concordou com a cabeça, os olhos ainda lacrimejados. - Quando senti aquela vida em meus braços, que dependia única e exclusivamente de mim, meu mundo desabou também, Rafa. Eu surtei e você presenciou isso. E cuidou do nosso filho no momento de meu surto, quando eu não pude, quando eu falhei como mãe. - Agora eram meus olhos que transbordavam algumas lágrimas teimosas. Lembrar aquela história era muito difícil, minha falha como mãe no primeiro momento me dilacerava. - Mas eu procuro não me apegar a isso. E sim a mãe que eu sou agora. Éramos imaturos. Você estava noivo, Rafa. Engravidei em sua despedida de solteiro, o quão imaturo isso foi de ambas a partes? - Ele então riu e apoiou sua mão em meu joelho. - Mas somos pessoas diferentes agora. Pais diferentes. Erramos sim, mas aprendemos com nossos erros para não repeti-los. Isso é amadurecer. E ambos amadurecemos.

- Inacreditável como tudo pode mudar, menos a sua sabedoria e palavras profundas sobre a vida, Samantha Lambertini. - Gargalhei de seu comentário. Enxuguei as lágrimas que estavam escorridas em meu rosto. Rafael virou sem corpo de lado, em minha direção e segurou minha mão. - Samantha, sei que ambos falhamos como pais. E sei que ambos procuramos todos os dias sermos melhores para não falar novamente. E também sei que ambos falharemos ainda, porque essa é a magia de ter filhos. Todos os dias é um aprendizado.

- Eu aprendo todos os dias com o Theo. Ele é mil vezes mais inteligente que eu, apesar de ter apenas quatro anos. - Revirei os olhos e Rafael sorriu. O momento de tensão e angústia sendo deixado para trás. - Independente da escolha do juiz, quero que saiba que você é um ótimo pai, Rafael.

- Obrigada, Samantha. É muito bom ouvir isso de você. Depois de tudo que fiz, depois de ter mandado nosso filho para fora do país, você dizer isso e me perdoar significa muito. - Ele deu um sorriso de lado, seu olhar mostrando gratidão. - Eu quero ser um bom pai e para isso eu preciso dizer que o melhor lugar para Theo estar é com você e Lica. E sei que o juiz decidirá isso também. E caso essa não seja a decisão dele, abrirei mão do meu pedido de guarda. Vocês duas são a família dele, Samantha. E eu não quero ser mais o vilão nessa história.

Percebi que estava chorando quando algumas lágrimas caíram em minha mão gelada. A única coisa que consegui fazer em seguida foi abraçar Rafael, torcendo para que ele entendesse naquele abraço que tudo de ruim que já dissemos e fizemos um para o outro seria deixado para trás. Queria que ele entendesse naquele abraço que estava disposta a ser a melhor mãe do mundo à Theo e confiava plenamente que ele também seria o melhor pai. Eu podia imaginar o quão difícil dizer aquelas palavras tenha sido para ele. Rafael sempre foi muito orgulhoso, quase nunca pedia desculpas e jamais desistia de uma luta. Naquele momento, ele havia vencido todo esse orgulho ao se abrir comigo.

- Por favor, Samantha, não pense que eu estou desistindo de nosso filho, ok? - Ele me olhava aflito. Havíamos nos separado do abraço e notei seu terno molhado por minhas lágrimas em seus ombros. - Eu só acho que Theo é mil vezes mais feliz morando com você do que comigo. E quero a felicidade dele, acima de qualquer coisa.

- Jamais pensaria isso. Eu entendi esse recado desde o início e jamais pensaria que você estava desistindo dele ou algo do tipo. - Lhe direcionei um sorriso amigável. Me levantei e sequei meus olhos em seguida. - Obrigada por esse momento, Rafa. Juntos para ser os melhores pais para Theo, certo? - Estendi minha mão em sua direção. Rafael bateu nela, sorrindo para mim. Viramos cúmplices para que nosso filho recebesse todo o amor possível do universo e não precisasse mais presenciar os pais brigando a cada cinco minutos.


 

Quem foi a pessoa que proibiu de realizar festas comemorativas dentro de um avião? Gostaria de conhecê-la apenas para criticar essa escolha. Oras, como eu poderia aguentar até chegarmos em casa para comemorar com minha família definitiva? Theo era oficialmente um morador de São Paulo agora. O juiz concedeu o direito do pequeno morar comigo e Lica, com visitas periódicas do pai. Não ficou estipulado nenhum dia específico. Rafael poderia visitá-lo sempre que quisesse. Essa foi uma escolha minha, tomada junto com Lica, é claro. A garota de franja havia ficado surpresa quando contei sobre minha conversa com Rafael. Decidimos que não havia porque deixar àquilo ser formal e dentro da lei. Éramos os três pais de Theo e não precisaríamos de um papel para definir quais dias o garoto teria duas mães e quais dias o garoto teria um pai. Estava plenamente grata à esse grau de maturidade que havíamos alcançado em conjunto.

 

Pousamos em São Paulo e automaticamente nossos olhos se encheram de lágrimas. Theo ficou olhando entre eu e Lica, confuso pelas mães estarem chorando sem motivos. Ambas tínhamos em nosso coração a melhor sensação que uma mãe pode sentir: o filho estaria sempre ao nosso lado.

O táxi nos deixou em frente ao nosso prédio. Por sorte, havíamos levado apenas uma mala para eu e Lica e uma para Theo. O pequeno estava em meus braços. Não pretendia desgrudar dele tão cedo. Lica estava com as malas, uma em cada braço.

- Vocês estão muito folgadinhos na minha opinião. - Heloísa resmungou do nosso lado dentro do elevador.

- Cadê o cavalheirismo, Heloísa? - Impliquei com minha namorada, que me direcionou um xingamento silencioso para que Theo não ouvisse. Gargalhei de sua cara emburrada e selei nossos lábios brevemente.

Lutei com a bagunça de dentro de minha bolsa para achar a chave do apartamento. Depois do que pareceram séculos, virei a chave na maçaneta e tomei um susto com o grito de “SURPRESA!” vindo dos meus melhores amigos. Meus olhos não acreditavam no que viam. Meu apartamento estava todo decorado com balões e cartazes que diziam “Bem vindas, mamães do ano”; “Limantha me adota”; “Chra família tradicional brasileira”; entre outros. Lica gargalhava ao meu lado vendo toda aquela festa que nossos amigos planejaram sem que soubéssemos.

- Vocês querem me matar do coração, é isso mesmo? - Coloquei minha bolsa na mesa ao lado da porta para abraçar meus amigos que faziam uma fila para nos parabenizar.

- Vocês três são a família mais linda do mundo. Eu não aguento com isso, gente. - Clara foi a primeira a nos abraçar, com os olhos emocionados. - Cadê o bonitão da tia, hein? - Ela estendeu os braços para Theo, que pulou no colo da loira. Clara encheu seu rosto de beijos e bagunçou seu cabelo, recebendo uma careta de Theo.

- Gente, vocês podem me adotar? Sério mesmo, real oficial. - Tina pulou em cima de Lica, que quase caiu para trás com o impulso da oriental.

Nossos amigos aos poucos foram nos parabenizando pela conquista. Eu jamais imaginei que eles fariam algo assim. Fui pega completamente de surpresa. Estávamos sentados na sala de casa, comendo pipoca e brigadeiro.

- Gente, mas e se não ganhássemos a guarda? Como seria a torta de climão nessa sala nesse momento?

- Que horror, Samantha! Jamais pensamos que daria errado. - Tina jogou uma pipoca em minha direção, fazendo careta. - Sempre confiamos nas mamães do ano. E se o juiz não desse a guarda para vocês, eu mesma iria pessoalmente tacar fogo nele. - A platinada deu de ombros, como se fosse algo normal, e tomou um pouco do seu suco de laranja.

- Eu não duvido nem um pouco. - Lica falou, arrancando gargalhadas de todos os presentes.

 

Acordei na manhã seguinte sentindo a maior felicidade que alguém pode sentir na vida. Virei para o lado e vi as pessoas que mais amava no mundo: Theo e Lica. O pequeno havia dormido conosco na noite anterior. Nesse momento, estava deitado com uma das pernas jogadas por cima de Lica. A morena deve ter tomado vários chutes de Theo durante a noite, já que o garoto se mexia bastante enquanto dormia. Minha namorada estava virada de lado, seu braço direito estava esticado e Theo repousava a cabeça em cima dele. Seu outro braço estava em cima da barriga de nosso filho. Era a cena mais adorável que eu já havia presenciado. Estiquei meu braço para pegar meu celular no criado mudo ao lado da cama e fotografei aquela cena. Queria ter um registro eterno.

Em seguida à foto, Lica abriu os olhos preguiçosamente e me lançou um sorriso adorável quando viu que eu a admirava.

- Bom dia coisa linda! - Sussurei e lancei um beijo para ela, que fez um gesto de pegá-lo no ar e enviou outro em minha direção. - Olha se não é a cena mais linda para se ver já que acordo. - Ergui o celular em sua direção, com a foto que havia tirado à segundos trás. Lica sorriu lindamente e depois me lançou um olhar sério.

- Precisamos conversar, Samantha. - Ela disse baixo para que Theo não acordasse. Em seguida, se levantou devagar e me chamou para segui-la.

Senti minhas mãos começaram a suar de nervoso. Lica estava séria e aquilo me deixou um pouco em pânico. Fomos para a varanda, o ar gelado com a neblina da manhã. Não passava das 8h da manhã. O sol estava escondido no céu.

- Lica, você tá me deixando nervosa. - Soltei um riso nervoso para demonstrar exatamente o que estava sentindo naquele momento.

Ela apenas me olhou e acenou com a cabeça para que eu sentasse na cadeira branca em frente à mesinha da varanda. Lica puxou a outra cadeira e a posicionou em minha frente. Em seguida, se sentou, segurou minhas duas mãos entre as suas e suspirou.

- Samantha, eu estive pensando muito sobre nós. E nós quero dizer eu, você e Theo. Agora que sabemos que ele ficará conosco oficialmente, sinto uma responsabilidade muito grande pairar sobre mim. - Senti um soco em meu estômago. Milhões de coisas passavam pela minha cabeça apenas naqueles segundos. A única certeza que tinha era que Lica iria dizer que não era capaz de suportar aquela responsabilidade e me deixaria sozinha com Theo. Algumas lágrimas já começaram a rolar em meu rosto. Ao perceber isso, Lica arregalou os olhos e passou seu polegar em meu rosto para secá-las. - Meu Deus, Sammy. Eu nem comecei a falar nada ainda.

- Perdoa meu choro fácil e não desiste de mim. - Tentei fazer uma piada para amenizar o momento. Mais lágrimas escorreram pelos olhos. - Por favor. - Ao dizer essas palavras, o choro na minha garganta se fez presente e um soluço seguido de lágrimas me dominou. Lica estava com o olhar assustado e apenas me puxou para seus braços, me abraçando forte. Era o lugar mais seguro do mundo para mim.

- Ei amor, calma! Eu não vou te deixar. Eu te amo. - Sua voz doce me dizia isso enquanto sua mão afagava meus cabelos lentamente.

Busquei toda força que havia em mim para me acalmar. Não sabia o que Lica tinha a me dizer mas só de imaginar que ela poderia falar que não queria mais ficar comigo a dor me dilacerava por dentro. Não que eu achasse que precisava de Heloísa para viver. Eu apenas sabia e sentia que a vida com ela era muito melhor. E gostaria da sensação de seus braços ao meu redor até meu último suspiro.

- Desculpa, Lica. Acho que tenho muitas emoções guardadas em mim ainda e às vezes elas saem sem que eu pretenda. - Lica sorriu sem mostrar os dentes e pegou minhas mãos entre as suas novamente.

- Tudo bem. Só não precisa chorar mais, tá bem? Eu estou e sempre estarei aqui, linda. - Ela fez um carinho com o polegar na costa de minha mão esquerda e sorriu antes de continuar. - Samantha, como eu dizia, penso muito sobre nós. E isso não é de agora, é algo que faço desde sempre, pra falar a verdade. Eu nunca pensei em meu futuro, mesmo antes de estar na reabilitação. Futuro era algo que sequer passava pela minha cabeça rebelde. - Lica soltou uma risada nostalgica e cheia de angústia. - Eu nunca te contei, mas na clínica eu me envolvi com uma garota chamada Mariana. Ela tinha depressão. Nos ajudávamos muito psicológicamente, e ela foi meu pilar para aguentar os quatro anos dentro daquele lugar. Infelizmente, ela perdeu a batalha contra a depressão e cometeu suicídio uns dias antes que eu fosse liberada. - Heloísa abaixou a cabeça e suspirou pesadamente. Sabia que era um assunto difícil para ela. Nunca havia dito que já sabia dessa história, que havia ouvido sem querer quando ela contou para as Five já que retornou para São Paulo. Estava feliz que ela enfim estava conseguindo se abrir comigo em relação a essa história. - Enfim, ela deixou uma carta para mim e nessa carta ela dizia que eu teria um futuro brilhante. Que eu sairia em breve da reabilitação e encontraria minha alma gêmea. “Como as cenas de filmes clichês românticos como costumávamos assistir e rir juntas da história”, essas foram as palavras dela. Quando li aquilo, senti raiva dela. Mariana sabia que eu não acreditava em destino, em alma gêmea. Como ela ousava a escrever aquelas palavras?

“Eu tive que passar mais um tempo na reabilitação porque fiquei muito machucada com o suicídio dela. Todos os dias lia sua carta e pensava cada vez mais que aquelas palavras específicas só podiam ser piada. Ela escreveu que o destino me mostraria minha alma gêmea, que eu sentiria no momento em que colocasse os olhos que aquela seria a mulher que eu passaria todos os dias de minha vida. Que eu construiria uma família com essa mulher, que eu seria feliz como jamais fui e que me tornaria uma pessoa totalmente diferente do que já fui um dia. Do que imaginei ser um dia. - Lica ergueu sua cabeça em minha direção, sorrindo de lado. Seus olhos estavam brilhando. Um brilho de alegria e também de emoção. - Eu não acreditei naquelas palavras no início e custei a acreditar. Quando enfim acreditei, eu fui liberada da clínica e fui para a casa do meu pai. Quando cheguei lá e te vi, Samantha, soube que as palavras de Mariana nunca estiveram tão certas. Soube que não sei que dom aquela garota tinha, mas ela havia previsto a gente. Soube que o destino existia e que ele me trouxe você. Você deve estar se perguntando o porque estou dizendo tudo isso, né? - Ela me olhou sorrindo com os olhos cheio de lágrimas e apertou minha mão delicadamente. Eu sorri para mostrar que estava ali presente, ouvindo cada uma de suas palavras. - Posso ter divagado um pouco mas o que quero dizer com tudo isso, Samantha, é que o destino me presenteou com você e Theo e eu serei eternamente grata por isso. Eu nunca gostei de rótulos, você bem sabe. Eu te pedi em namoro na casa de sua antiga sogra, do nada sem ao menos termos conversado sobre isso, e ainda por cima nem foi um pedido, mas sim uma constatação. - Lica e eu rimos lembrando daquele momento específico. Nunca houve um pedido de namoro porque nunca precisou, é verdade. Nos amamos desde o primeiro instante e não precisamos oficializar para que aquilo fosse comprovado. - Eu ainda continuo achando rótulos desnecessários, então talvez esse não seja o momento que você sempre sonhou na vida, Sammy, mas juro que estou tentando fazer o meu melhor. - Lica soltou nossas mãos por um momento, pegando algo de dentro do bolso de seu moletom. A caixinha preta pequena em sua mã fez meu coração começar a bater acelerado, como se fosse sair pelo meu nariz a qualquer momento. Eu podia sentir meu nariz sangrando com pedaços de meu coração saindo de dentro nesse instante. Meus olhos estavam arregalados acompanhando os movimentos de Heloísa abrindo a caixinha preta que continha duas alianças pratas com detalhes dourados dentro. Ela me olhou e sorriu. O sorriso mais lindo que eu já havia visto até o momento. - Samantha, isso não é exatamente o que você está pensando nem o que sonhou, me desculpe por gostar de ser diferente. - Ela riu, nervosa. Segurou minha mão esquerda em cima da sua e a puxou em sua direção, colocando uma das alianças em meu dedo anelar. - Samantha Lambertini, você é a mulher da minha vida, a pessoa com quem quero passar o resto dos meus dias. Quero eu, você e nosso filho, para sempre. Você aceita passar sua vida inteira ao meu lado?

Heloísa me olhava esperançosa. Eu não conseguia nem responder, tamanha minha felicidade e emoção naquele momento. Sempre soube que Lica não gostava de rótulos e sabia que nunca haveria um pedido de casamento. Eu mesma jamais esperei por isso, porque também nunca fui uma garota de rótulos. E também nunca sonhei com casamento, vestido, igreja, votos trocados, etc. Aquele pedido que Lica havia feito era mil vezes melhor do que qualquer pedido de casamento, de longe.

- É claro que aceito, Heloísa Gutierrez. O único desejo em minha vida é passar todos os dias com você e nosso filho, meu amor.

Peguei a outra aliança da caixinha e coloquei em Lica. Confesso que as alianças haviam me impressionado. Sempre achei que Heloísa jamais usaria aliança, que ia na direção contrária de não ter rótulos. Mas não era uma simples aliança. Elas eram mescladas, prata e dourada, que não definia se eram de namoro ou noivado. Quando peguei a dela para colocar em seu dedo, notei que dentro havia três iniciais: S, H e T, separados pelo símbolo do infinito. Heloísa Gutierrez me impressionava cada dia de uma maneira diferente e maravilhosa.

- Ei, tem um presente para Theo também, olha. - Lica tirou outra caixinha preta do bolso. Em que momento aquelas caixinhas foram parar em seu moletom que eu não havia visto não sei.

Heloísa então abriu a caixinha, revelando um colar com um pingente de uma bússola pendurado. Peguei o colar na mão e notei que o mesmo era feito de ouro. O pingente era robusto e percebi que ele abria. Lica me olhava com expectativa e percebi que ela queria que eu abrisse a bússola. Ao abrir, meus olhos se encheram de lágrimas no mesmo instante. Em uma das partes, havia a foto de nós três, sorrindo. Na outra, as palavras: Amor Eterno, em uma fonte que dava a impressão vintage, fizeram meu coração explodir como fogos de artifícios. Naquele momento, percebi que não existia no mundo uma mulher mais feliz e realidade do que eu. Heloísa Gutierrez me conquistava de modos diferentes todos os dias. Seja como namorada, como mãe, como mulher, como amiga. Não importa o rótulo, ela era a mulher mais incrível do universo e nesse momento, agradeci mentalmente a quem guia nossa vida por ter cruzado nossos caminhos.



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