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História Middle Of The Night - Mareven (Mare Barrow e Maven Calore) - Capítulo 10


Escrita por: mavenkingofnortha

Notas do Autor


Não sei se ficou realmente bom, tive um pouco de bloqueio de criatividade, mas está fofinho.

Boa leitura.

Capítulo 10 - All of you, all of me


MARE

Eu detesto ser avaliada. Detesto o fato visionar um trabalho sob meus espectros de qualidade e ter uma terceira pessoa tomando nota do quão adequado ele está para as metodologias estabelecidas. Detesto que algo pelo qual me esforcei possa ser considerado um lixo, mas faz parte. Julian Jacos, meu professor da matéria de Jornalismo Impresso me mandou um e-mail essa manhã, chamando-me ao laboratório do jornal universitário para uma discussão breve acerca da matéria que redigi para o trabalho principal do semestre. Podia ser tanto uma reação positiva, quanto uma reação negativa. Eu não fazia ideia, ele não especificou. 

Vesti um conjunto de roupas simples, uma calça jeans, blusa de malha, uma jaqueta de couro e tênis. Eu havia acordado de bom humor, efeito de uma boa noite de sono após um bom orgasmo. O que me faz lembrar de qual foi a causa dele, o que me faz lembrar que eu deveria esquecê-lo de uma vez por todas. A forma como Maven enfatiza e caçoa do fato de eu ser namorada de Cal me deixou certas coisas sobre as quais deveria refletir. Eu não tinha certeza se ele me queria por mim, ou se me queria porque eu era do irmão.

A ideia de ser apenas uma peça em um jogo familiar de egos e soberba revirava o meu estômago. A teoria me parecia viável. Maven era claramente ferido pela preferência do pai por Cal. Um potencial esquecido na sombra do irmão mais velho. E então eu, a namorada idiota no meio de um cabo de guerra entre os dois. E se isso for tudo o que eu sou para Maven? Apenas um prêmio de consolação?

Respirei fundo enquanto eu descia as escadas. Chegando ao andar de baixo da minha casa, dei de cara com a minha mãe na cozinha. Meu pai estava trabalhando, Gisa estava dormindo, essa é a hora perfeita para um confronto.

— Podemos conversar? — Perguntei séria. Talvez fosse mais cordial começar com um bom dia, mas eu não tinha tempo para perder.

Minha mãe, que antes tomava uma xícara de café quente, voltou sua atenção para mim, soltando um suspiro pesado. Presumi que ela já sabia do que se tratava a minha chamada. 

— O que você quer saber, Mare?

— Quero saber o que está acontecendo com o papai, só isso. — Respondi, enquanto me aproximava da ilha da cozinha, onde minha mãe repousava a sua pequena xícara de café. 

Ela se pôs as duas mãos em volta da porcelana, encarando o líquido preto e fumacento dentro dela. Minha mãe parecia estar organizando as próprias ideias, se preparando para falar tudo com a melhor clareza possível.

— Seu pai acabou bebendo durante uma crise de abstinência... — Naquele momento eu pude sentir o meu coração se partir em dois. — Fiquei sabendo através de colegas de trabalho dele, ele chegou bêbado em uma reunião da equipe. É provável que o grupo de ajuda não consiga dar conta de colocá-lo de volta nos eixos. Ando conversando com alguns especialistas em alcoolismo e o mais indicado é que ele vá para uma clínica de reabilitação. — Minha mãe conseguiu olhar para mim ao final da explicação.

Eu preferia que ela não tivesse feito isso, pois àquela altura eu não conseguia controlar as linhas finas de lágrimas quentes descendo dos meus olhos até o meu queixo. Funguei e enxuguei meu choro rapidamente, tentando me manter forte, diante da situação.

— Ele já sabe disso? O papai sabe da reabilitação? — Perguntei.

— Não. E eu estou apavorada em abordar esse assunto com ele, você sabe o quanto ele queria evitar ser internado, o quanto ele se esforçou para que isso não acontecesse.

— Se esforçou tanto que embebedou de novo! — Eu exclamei, deixando minha pose pacífica de lado.

Nós fizemos de tudo por ele. Tudo. Aguentamos a irresponsabilidade dele de faltar compromissos importantes para estar em bares. Aguentamos a grosseria dele em crises de abstinência. Perdoamos o fato de ele ter gasto todo o dinheiro da poupança para a faculdade de Gisa em bebida. 

— Maldita doença! Maldita doença que não deixa a nossa família em paz! — Eu puxava os meus cabelos para trás firmemente com as duas mãos, deixando as lágrimas caírem, deixando meu ódio se esvanecer. Ódio do meu pai, ou da doença? Eu não sabia dizer. Às vezes era difícil compreender as causas por entre as consequências, mas eu me esforçava. A família inteira estava se esforçando pra caralho. E ainda sim, não foi suficiente. 

— Mare, se acalma, querida. Não é culpa dele, nem nossa, nem de ninguém. Lembre-se do que você mesma me falou: Ascendemos como uma família e caímos como uma, certo? — Minha mãe se aproximou de mim, esfregando a parte inferior da mão nas minhas costas, tentando me confortar. 

Eu não queria ouvir mais nada, só queria abraçá-la e ficar assim até que o choro passasse. Ela continuou falando, suposições positiva sobre o futuro, sobre a recuperação do papai e sobre a nossa família. No entanto, eu não conseguia ouvir mais nada além dos pensamentos intrusivos da minha mente, aqueles que preveem o pior . 

Mais ou menos recuperada da conversa com minha mãe e ainda tentando processar tudo que a recaída do meu pai implicaria daqui pra frente. Saí de casa e subi no primeiro ônibus em direção à faculdade que passou no ponto da esquina. Coloquei os fones de ouvido e encostei a cabeça no vidro. A música tão significativa e familiar estourando na minha audição.

"Oh, eu te imploro, posso seguir? Oh, eu te pergunto, por que não ser sempre O oceano, onde eu deságuo? Seja meu único. Seja a água onde estou percorrendo. Você é o meu rio, correndo forte. Corra profundo, corra selvagem. Eu, eu sigo você..."

[...]

Em frente à sala do laboratório do jornal universitário, eu já não tinha nem uma única gota do bom humor com o qual acordei. Com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, desejei que minha consulta psicológica acontecesse mais cedo. Mas minhas sessões com a Dra. Merandus foram marcadas regularmente para toda sexta-feira da semana.

Percebi que se o Sr. Jacos tivesse coisas más a falar sobre a minha reportagem eu sequer me importaria mais, seria apenas mais uma coisa na lista de problemas. Respirei fundo e desferi três batidas na porta. A voz familiar do meu professor de Jornalismo Impresso me chamou para entrar e assim eu o fiz, girando a maçaneta redonda e entrando na sala através de passos tímidos e concisos.

O laboratório do jornal universitário era pequeno, mas aconchegante. As prensas gráficas e o cheiro de papel de jornal abraçavam o local e me faziam ter uma certa sensação de conforto. O Sr. Jacos estava sentado atrás de uma bancada, os óculos pendendo na parte mais baixa do nariz. Ele dirigiu o seu olhar para mim e sorriu. Um bom sinal, eu espero.

— Bom dia, Srta. Barrow. — Ele me cumprimentou, enquanto se levantava.

Eu fechei a porta atrás de mim e me aproximei um pouco mais dele. 

— Bom dia, Sr. Jacos. 

— Você parece tensa. Por favor, não fique. Trago boas notícias... — Ele começou, contornando a mesa de maneira que seu corpo se apoiou nas margens frontais do móvel. — Eu adorei a sua reportagem! 

Soltei todo o ar preso nos meus pulmões, aliviada. O professor riu da meu alívio e continuou a falar. 

— O bom jornalista é aquele que não apenas informa, mas transforma. Somos profissionais que funcionam como os olhos da sociedade, esclarecedores da verdade - mesmo que sejamos deslegitimados, muitas vezes. Você tem o que é preciso, Mare. Tem a técnica e tem o coração para a coisa. Sua matéria foi uma surpresa muito boa.

— Sr., eu... eu não sei nem o que dizer. — Não consegui evitar que um sorriso orgulhoso tomasse forma nos meus lábios. 

— Não precisa dizer nada, apenas orgulhe-se do seu trabalho e continue se aprimorando. Você vai longe, Mare.

— Eu pensei em abandonar o curso de jornalismo muitas vezes, acho que eu estava precisando de um destaque desses. — Eu pensei em voz alta e o Sr. Jacos riu. 

— Se você desistir, o jornalismo de Norta vai perder um talento formidável. 

— Obrigada, senhor. 

— Outra coisa... — Ele começou, enquanto contornava a bancada, de volta à cadeira onde estava sentado quando eu entrei. — Eu gostaria de pedir a sua autorização para publicar a sua matéria no site oficial da universidade. A qualidade está impecável e não vejo necessidade nenhuma de pedir para um colunista oficial escrever sobre o evento, sendo que já temos uma reportagem pronta. 

— Oh, meu Deus. Nem precisava perguntar. É obvio que eu permito! — Respondi animada.

— Excelente! Já que a publicação no jornal impresso era uma publicação mais informal por questão de reconhecimento avaliativo, eu vou publicar apenas no site. Você vai receber sua nota normalmente, mas não vou publicar a matéria duas vezes, pois não faria muito sentido por conta do imediatismo de cada veículo.

— Certo. — Eu ainda não conseguia esconder a minha euforia.

— Cheque o site da universidade até o final do dia, sua reportagem vai estar lá.

Um frio na barriga me atingiu de repente, a mistura entre o orgulho e o nervosismo. A certeza de que todos leriam aquela matéria assinada por mim me deixou com medo. Mas aquela era uma ótima oportunidade, e se alguém experiente como o Professor Julian Jacos diz que está ótimo, então está ótimo. Me pergunto se Maven vai ler.

MAVEN

Pintando uma tela com o cavalete virado para a janela do meu quarto, eu observava as implicâncias do fim do dia surgindo na paisagem. O tom arroxeado do céu, a lua redonda e brilhante. Estava tão distraído que nem prestei atenção no que estava pintando, o controle das cores desapareceu da minha consciência, arruinando meu raciocínio, estragando mais ainda aquela pintura sem sentido. 

Eu não conseguia tirá-la da cabeça. Não conseguia tirar Mare Barrow da cabeça. Não conseguia me concentrar em nada sem que o som melodioso dela gemendo o meu nome me viesse à mente. Flashes do que aconteceu no sábado, do que aconteceu ontem. Uma esperança sólida do que poderia acontecer entre nós no futuro. E então essa palavra me assustou. Futuro? Havia futuro para mim e Mare? Ela gostava de mim, ou ela só me queria num relacionamento carnal. Nem mesmo eu sabia como decifrar isso, mas eu sabia que gostava dela, gostava muito dela. E esse sentimento estava comigo a muito tempo.

O toque do meu celular ecoou pelo meu quarto, despertando-me do devaneio breve e me dando mais um motivo para pausar minha tortura do pincel contra a tela. O nome de Iris estava no ecrã.

— Oi, Iris. Fala! — Eu cumprimentei minha amiga.

Maven, você leu a matéria que saiu no site da universidade?

— Não, não sou de acompanhar essas coisas. Por que? O que aconteceu?

Mare. A reportagem que ela fez da entrevista com você, está lá. — Meu corpo estremeceu um pouco.

— O que tem isso? Ela falou mal de mim?

É melhor você ler. Enfim, eu tô na correria com uns deveres aqui. Vai ler e depois me manda mensagem.

— Mas- — Comecei, mas Iris desligou na minha cara e eu bufei.

Pesquisei o site da Universidade Pública de Archeon na janela de busca do meu celular, sendo redirecionado para a página principal de notícias, logo li o título destaque. "ARTE E RESISTÊNCIA: Núcleo de Divulgação do Instituto de Artes e Design tem inauguração prevista para final de julho" por Mare Barrow. Ler o nome da minha garota nos créditos fez o meu peito arder.

Comecei a ler a reportagem. Mare havia tirado fotos belíssimas da galeria, todas as partes dela muito bem apresentadas pelo enquadramento escolhido por ela. De início não havia nada de muito extraordinário na matéria. Apenas informações básicas, histórico, data de inauguração, processo de viabilização, elementos factuais obrigatórios. Então comecei a ler o último parágrafo, o parágrafo de fechamento, explicitamente escrito sobre mim.

"Estudante de Belas Artes e fundador do projeto, Maven Calore, encorajou todo o departamento de Artes e Design à comprar a sua causa e lutar por reconhecimento. Aos 22 anos de idade, Calore impactou a produção da história e da cultura de Archeon, desmistificando o glamour artístico reservado às grande figuras estrangeiras e designando uma missão para a nova frota de artistas pós-modernos em Norta. Esperamos que o 'Efeito Calore' inspire a segunda onda da resistência pela valorização à arte."

Mare me via. Ela me via de verdade. Ela cavou, cavou, cavou e me encontrou. Me encontrou e me compreendeu. Compreendeu meu propósito, me tirou detrás da sombra. Ela... ela me enxerga. A esperança dolorosa de imaginar que Mare Barrow poderia sentir alguma coisa por mim fez o meu peito doer. Me agarrei àquela ilusão e deixei que ela me carregasse como uma correnteza. Li e reli aquelas palavras, sorrindo de orelha à orelha, me dando conta do quão importante ela era pra mim. O quão importante a opinião dela significava pra mim.

Eu... eu estou apaixonado por ela.


Notas Finais


O Maven sendo o último a saber que tá apaixonado pela Mare kk. Todo mundo já sabia more.


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