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História Midnight Nightmare - Capítulo 7


Escrita por:


Notas do Autor


Oii, vocês estão bem? Lavando as mãos? Em casa de quarentena? Acho bom que todas as respostas sejam "sim".

Isso não vai fazer o menor sentido para as pessoas que lerem depois da epidemia, mas ok.

Esse capítulo é para os fortes, tem uma cena aí que meu Deus, nem eu acreditei que saiu de mim.

Boa leitura.

Capítulo 7 - Ataque de Pânico


ZAYN MALIK

Droga! Droga! Droga!! Eu tinha me perdido entre tantas árvores. Meu pulmão queimava pelo tanto de vezes que eu respirava em poucos segundos, minhas pernas doíam de tanto correr. Eu já estava cansado, muito cansado, mas não tinha a menor ideia de onde estava ou para onde seguir. Eu estava totalmente perdido no meio da floresta.

Parei de correr e com a respiração ofegante me sentei no chão, logo apoiando em uma árvore. O suor já escorria por minha testa junto com a água da chuva, passei a mão pelos cabelos molhados tentando me acalmar. Sem sucesso. Meu corpo estava quente, mesmo sob a chuva, e nem parecia que era uma noite fria de outono. Olhei para o céu nublado, as gotas de água tinham me molhado inteiro, tinha certeza que se esquentavam quando entravam em contato com meu corpo.

Era pra ser só uma semana de férias com meus antigos amigos, como tudo isso pôde acontecer? Aquela droga de lenda era real, mais real do que eu podia imaginar. Eu só queria saber por quê? Era pedir demais?

- Por que?!

Dei um soco no chão, toda aquela decepção tinha virado raiva, estava furioso. Tudo podia ter sido as mil maravilhas, uma semana me divertindo com meus velhos amigos, mas tinha aparecido um maníaco assassino, só pra destruir o clima bom. Mas não ficaria assim, não mesmo, eu tinha que resolver, eu precisava. Levantei em um pulo e olhei ao redor, se fosse voltar a correr, dessa vez eu acharia um lugar e uma direção pra ir ou pelo menos algo útil contra aquele psicopata.

Entre as dezenas de árvores, vi uma marca em uma delas, era um uma flecha mal feita, apontava pra cima, me aproximei para analisar melhor e vi que não era uma flecha, era um 'A'. Um flash de memória veio em minha mente.

- O abatedouro.

Repeti para mim mesmo. A ideia parecia patética, o abatedouro não podia estar tão perto, tinha certeza que ainda não tinha saído da nossa propriedade, mas lá seria um bom lugar para se esconder. Ou achar alguma coisa. Sorri, não tinha total certeza se aquele negócio estava perto, mas valia a pena arriscar, afinal, eu estava perdido no meio de uma floresta, algum lugar com paredes e uma porta seria bom.

Passei pela árvore e segui novamente correndo, com um objetivo: eu seguiria até o abatedouro e acharia algo para acabar com aquele maníaco.

Depois de alguns minutos correndo, as arvores começaram a ter mais espaço entre elas e, ao longe, eu já podia ver a pequena construção entre as grandes árvores. Eu achei! Estava feliz enquanto corria com pressa até lá, eu salvaria a todos. Eu salvaria meus amigos.

Quando cheguei na construção antiga, a porta de madeira já estava aos pedaços, apenas um empurrão foi suficiente para acabar de a destruir. O primeiro passo que dei foi recheado de barulhos. A madeira comida pelos cupins ragendo, as gotas de água caindo pesadamente no chão, minha respiração apressada, as moscas voando incessantemente, ratos correndo pelo chão.

O lugar era escuro, não tinham lâmpadas, afinal, abatiam os animais logo de manhã. O cheiro era de sangue e gordura, um odor podre, era quase impossível ficar ali dentro.

Droga! Meu celular estava dentro de casa, eu não conseguiria ver muita coisa sem luz alguma. Um clarão iluminou a construção e por um segundo eu senti o medo me invadindo. Consegui ver todo o cômodo, com mesas de metal opacas ou oxidadas e cheias de sangue seco. O trovão tinha soado alto e eu estava ficando com nojo do cheiro.

Coloquei a manga molhada da blusa azul no rosto e adentrei mais, não tinha certaza se teria algo mortal e portátil, pelo menos naquela parte eu não conseguia ver nada. Andando cegamente pelo cômodo, o cheiro de podridão estava ficando mais forte, como se eu me aproximasse de alguma coisa que não estava viva a muito tempo.

No meio de todo o barulho da chuva, ouvi um ruído metálico próximo e parei de imediato. Quando dei um passo adiante, me assustei com um estrondo, como se algo muito pesado tivesse caído no chão e logo depois ruídos dos ratos correndo.

- Praga maldita.

Sussurrei com o coração quase saindo do peito.

Novamente um clarão me fez enxergar e eu pude ver que havia uma outra porta, mais conservada que a outra. Me aproximei, tropeçando, e abri a porta.

O cheiro de podridão aumentou em um nível que eu não sabia que era possível, eu me sentia em um cemitério com covas abertas. Sem enxergar nada, fui passando a mão livre pelo ar, até que eu senti alguma coisa. Era macio e seco, e em poucos segundos eu descobri o que era. Uma carcaça de porco pendurada. Me afastei rápido, fazendo o animal se mexer e o barulho do gancho balançando encher o local.

Seria quase impossível achar alguma coisa util ali.

Outro clarão iluminou o cômodo e eu pude ver, em uma das paredes, lugares onde se punham facas, e eu via as marcas das grandes facas que não estavam mais ali. Eram assustadoramente enormes. E nenhuma delas ainda estava lá.

Por algum milagre, consegui ver alguma coisa, e melhor, era metálica. Estava fincada em uma das carcaças penduradas, como se estivessem acabado de começar os cortes na carne. Me aproximei e agarrei o cabo do cutelo, sentindo as moscas baterem no meu rosto e braços, puxei com força, mas a carne parecia oferecer resistência.

Estava ainda fazendo força para tirar a lâmina da carcaça quando mais um relâmpago iluminou a sala e eu pude ver melhor.

- Meu Deus! O... o que?!

Eu não podia acreditar nos meu olhos, acabei tropeçando nos meus próprios pés e caí no chão.

Não era a carcaça de um porco, era o guarda florestal. Ele estava com o gancho entrando na nuca e saindo pela boca, as roupas rasgadas e o corpo coberto de sangue e com cortes pelo peito. Uma cena grotesca, ainda mais com a expressão de terror que pareceu paralisar no rosto do homem. Isso ia acontecer conosco, nós iríamos morrer e virar corpos pendurados pelo pescoço. Éramos porcos prestes a serem abatidos.

Minha única reação foi arrancar o cutelo do guarda de uma vez e correr dali, pra longe daquela cena aterrorizante e daquele cheiro agonizante. Fora da construção, pude respirar melhor, mas mesmo assim vomitei na grama, meu estômago já tinha se revirado dezenas de vezes e eu não consegui me segurar.

Olhei para a arma na minha mão, ainda me recuperando. Eu não conseguiria matar o maníaco só com aquilo, ele tinha acabado com um homem muito mais capaz que eu, me matar e matar meus amigos seria mais fácil ainda.

Ao longe, pude ver algum saindo da floresta, trocando em minha direção. Era ele. Eu me levantei com pressa e corri agarrado a esperança de que eu poderia viver por mais algumas horas.

NIALL HORAN

Estava chorando apoiado em uma árvore há um bom tempo, abraçava meu corpo com força e as roupas estavam molhadas e pesadas. Eu estava perdido, com medo, com frio e totalmente sozinho, minha mente gritava incessantemente por socorro, mas minha boca não reproduzia nenhum som além dos soluços. O sangue  escorria do corte que começava do meu mamilo direito até meu umbigo, tinha um estrago maior nas minhas roupas, mas eu não me importei. Meus olhos com certeza estavam inchados e avermelhados e eu sentia como se tivesse um nó na garganta. Tinha me paralisado no chão.

O que eu faria agora? Estava totalmente perdido, a noite parecia mais fria e a água da chuva sobre a minha roupa me deixava ainda mais com frio. Eu estava tremendo, não sabia se era de frio ou de medo, ou talvez dos dois, olhava para os lados com as lágrimas tampando minha visão, paranoico. Alguém viria até mim? Alguém estava vivo? Aquela figura tinha feito coisas ruins com os outros quatro? Estava ao ponto de entrar em pânico.

Minha respiração estava começando a ficar rápida, sentia meu coração batendo depressa, eu sentia que qualquer coisa ali perto poderia me machucar ou me matar e de novo não sabia se tremia de frio ou pela crise de pânico. Olhei para o céu nublado rezando para que alguém viesse me salvar, que alguém viesse me abraçar e dizer que tudo ficaria bem. Rezei para ter um herói.

Na mesma hora Liam invadiu meus pensamentos. Ele estava bem? Não tinha como saber, queria que viesse aqui, pra me ajudar, mas não era possível.

- Liam... E-Eu preciso de você... Por favor... Vem m-me salvar...

Mais lágrimas desceram, se é que era possível. Comecei a pensar nele, apenas nele, pensei em sua voz calma e profunda. "Shh... Vai ficar tudo bem", pude ouvir claramente, como se estivesse ao meu lado. Pensei nos pequenos atos fofos que ele fazia, pensei em seus toques, como ele me abraçou noite passada, como ele passava suas mãos por meu corpo quando estávamos sozinhos. Pude imaginar seus grunhidos roucos de prazer, o calor de seu corpo roçando com o meu, seus beijos quentes. Pensei em todas as sensações que eu sentia perto dele.

Acabei me acalmando pensando em Liam, pensando em coisas obscenas, mas pensando nele. Dei um pulo quando ouvi um barulho alto próximo, me levantei com pressa e olhei para todos os lados enquanto limpava os olhos. De novo o medo me invadiu, mas a voz do castanho voltou a soar. "Você precisa ser forte, por todos aqui dentro", eu prometi que seria forte, cumpriria minha promessa, e mesmo que eu morresse, eu morreria sendo forte.

Dei passos para trás em direção ao rio, ouvi o barulho mais uma vez, e eu sabia que ele se aproximaria, eu precisava fugir. Entrei no rio gelado e fui caminhando, estava calmo, mal fazia barulho de água correndo, ela chegava até meu peito, me causando um certo desconforto. Enquanto andava até a outra margem, não tirava os olhos da primeira, eu sentia que a qualquer momento aquela figura iria aparecer e me atacar de novo, mas dessa vez talvez eu não tivesse salvação.

Quando saí do rio na outra margem, me apoiei em uma árvore e ouvi algo batendo na madeira, na mesma que eu me apoiava, tirei a mão com o susto e encarei o que tinha a atingido. Era uma machadinha. Olhei para a outra margem do rio e me assustei. Lá estava a figura, maior e mais assustadora que antes, parecia um homem cheio de brutalidade, pronto para jogar outra machadinha em mim. Corri até outra árvore e me escondi, logo ouvindo a arma atingindo a madeira, fui observar o homem de novo e ele estava entrando na água, eu queria correr, mas precisava de algo para me defender.

A machadinha estava funda na árvore, mas não mais que a primeira. Tentei a puxar, mas ela nem se mexia, estava entrando em desespero, eu precisava daquela coisa. Tive a ideia de a chutar, talvez amolecesse. Dei o primeiro chute, não se moveu, mas eu não desistiria tão fácil, olhei para o lado e vi o homem no meio do rio. Foquei novamente na machadinha e dei outro chute, consegui ouvir a madeira rachando. Estava quase. Chutei com mais força, a casca caiu e eu pude ver o miolo da árvore, rapidamente tentei puxar a machadinha de novo, mas estava difícil ainda.

- Você vai sair sua machadinha do caralho!!

Xinguei alto e aquilo pareceu me dar força, ela saiu com mais um puxão, olhei pra trás e ele estava saindo da água, segurei a arma forte entre minhas mãos e corri, o mais rápido que eu pude, sem olhar onde ia, meu medo me movia sem calma alguma.

Parei alguns momentos depois, estava cansado e não conseguia correr mais, eu precisava me esconder, mas estava entre árvores, o único lugar que eu tinha para me esconder era na copa delas, tinha que fingir que o despistei. Olhei em volta e vi uma boa árvore, tinha galhos abertos, com muitas folhas, pesas do outono. Era a opção. Coloquei o cabo da machadinha no bolso e comecei a subir e em pouco tempo eu já estava entre as várias folhas, quase completamente escondido. Não demorou muito para que o assassino chegasse ali, ele vinha trotando, mas parou.

Eu rezava aos céus para que ele não tivesse me visto subir ou para que ele nem desconfiasse que eu tinha me escondido, mas ele apenas agachou e pareceu mexer entre as folhas secas. Ouvi um barulho metálico e me assustei com a altura do som que veio depois, algo tinha desarmado. Era uma armadilha de urso, bem abaixo de mim.

Meu susto tinha mexido com algumas folhas e isso tinha chamado sua atenção, por alguns segundos ele olhou para os lados, provavelmente tentando identificar de onde vinha. Para me atrapalhar ainda mais, senti algo saindo do meu bolso, a machadinha tinha caído e por pouco ela não foi ao chão, a seguirei no último momento pela ponta do cabo e grunhi baixo com a dor do machucado.

Novamente eu tinha feito barulho e dessa vez ele parecia saber de onde vinha, veio até a árvore que eu estava e colocou a mão no tronco, analisando algo. Meu desespero começou a aumentar, minha respiração ficou pesada e meu coração acelerou, eu estava começando a suar. Ele estava prestes a olhar para cima, mas foi interrompido.

Era um grito. Um grito de horror. Alguém tinha gritado muito alto, era o suficiente para se espalhar pela floresta e por alguns segundos eu tive medo do que era aquilo. Parecia que, quem quer que seja, tinha se machucado muito. Estavam me procurando? Alguém se machucou por mim? Era Liam? E se fosse Louis? Eu precisava saber o que tinha acontecido, mas novamente não tinha como saber, eu estava preso.

O homem saiu trotando em direção ao grito, eu estava me recompondo dos sustos e logo desci da árvore. Caí desajeitado no chão, me levantei dando de cara com minha salvação. Uma torre de vigia. A voz de Zayn ecoou na minha cabeça, "Só ele fica na torre norte". Eu poderia me esconder e esperar que viessem até mim, ou poderia salvar alguém com o que tivesse lá dentro.


Notas Finais


Acabou. Então, como foi a experiência? Se agoniaram tudo? Porque eu sim, não vou mentir.

Esse capítulo teve duas visões porque a falta de criatividade me impediu de fazer uma cena de luta muito boa entre o Zayn e o vilão, então enfiei a visão do Niall fugindo.

Gostei bastante de escrever essas primeiras cenas de sofrimento mais físico e psicológico justamente porque saí da minha zona de conforto. Logo eu, que escrevia histórias com sofrimento emocional, estou escrevendo uma obra de horror, uma categoria que por muito tempo eu não gostei. É a vida.

Então, até o próximo capítulo.


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