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História Midsummer Madness - Capítulo 1


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Notas do Autor


OOOOOI. tudo bem com vocês? espero que sim!

essa johnjae vem sendo produzida desde uns bons meses atrás e agora vou começar a postar ela. aviso: tem menções a álcool e muita masculinidade frágil. KSDHJKASJDHJSK

nos vemos nas notas finais. boa leitura!

Capítulo 1 - Primeira noite


Se tinha uma coisa da qual Jung Jaehyun tinha certeza era que ser calouro do curso de direito da Universidade Nacional de Seul não era fácil, mas mais complicado ainda era ser um calouro relativamente popular indo a um extremo de dar um caralho de uma festa de arromba só pra ficar com uma veterana do curso de Arquitetura – e ver tudo, absolutamente tudo indo por água abaixo porque amigos eram péssimos na tarefa de ajudá-lo a chegar em Rui Watanabe.

Frustrado e já um tanto quanto surdo pela música alta – quem diabos era a anta que decidiu colocar Selfie dos Chainsmokers para tocar? –, passou a mão pelos fios castanhos e os jogou para trás, como se estivesse tentando não perder a cabeça. Na cozinha, ao lado do amigo canadense, Mark Lee, lhe entregou um copo descartável vermelho com uma das bebidas compradas por seja lá quem fosse que ficou responsável por ir atrás do álcool, afinal, festa sem álcool não é festa, é confraternização de parentes chatos num domingo entediante.

“Toma um gole disso. Essa bosta tá intragável,” Jaehyun resmungou, encostando-se na bancada americana da cozinha da república que era um dos únicos ambientes da casa que não estava cheio de gente. Mark o obedeceu, franzindo o cenho antes de levar o copo à boca e bebericar seu conteúdo. O desgosto ficou evidente em seus traços faciais de um garoto que havia saído da adolescência há pouco tempo e o Jung riu soprado, mas não porque a situação era engraçada, e sim porque era ridícula. O canadense não demorou a ir na direção da pia para cuspir o que havia em sua boca, jogando o copo ainda com a bebida no lixo e fazendo um bochecho com água da torneira na esperança de que o gosto horrível que predominava em sua língua fosse embora. “Pois é. Essa merda deve ser algum tipo de vodka barata misturada com suco azedo. Você acha que desse jeito a gente vai ter moral com os veteranos? Eles vão sair dessa festa falando que os calouros não sabem nem embebedar a galera, e pior, eu não vou pegar a Rui noona!”

“Hyung, a procedência da bebida tem que ser discutida com o Donghyuck,” a voz do outro ecoou em um murmúrio, despertando o mais velho de um momento de contenção de raiva onde ele encarava o chão, como se o próprio fosse sugerir uma saída praquele verdadeiro fiasco. “Ele me disse que pegou uma parte das cervejas e dessa tal batida com a galera da Chi Omega. Então...” deu de ombros, um pouco nervoso e evitando olhar nos olhos do acastanhado.

“Ele foi pegar as bebidas de uma fraternidade não oficial que só causa encrenca...” riu soprado, esfregando a palma da mão no rosto e suspirando. “Beleza, que seja... manda uma mensagem pro Ten hyung e veja se ele consegue aquela cerveja barata em algum lugar,” caminhou pela cozinha e colocou a mão na maçaneta na porta, não sem antes virar-se para Mark. “Cara, nem vi se a Rui chegou... você viu ela?”

E então Jaehyun girou a maçaneta e abriu a porta, exibindo uma expressão de confusão em sua face quando o loiro arregalou os olhos e abriu a boca, levando uma mão ao rosto e olhando com nervosismo para Jung, que não entendeu do que aquilo se tratava até que, em meio à aglomeração da sala enxergou um cara alto beijando sua gata e apertando sua cintura, ao mesmo tempo em que ela puxava seu cabelo e parecia arranhar sua nuca. Puta merda.

“De acordo com essa merda que tá se passando diante dos meus olhos, eu vou morrer agora mesmo, morrer lentamente ou só preciso de um copo daquela bebida podre pra fingir que isso não tá acontecendo.”

 

 

Johnny Suh era com certeza um cara que chamava a atenção de qualquer um. Talvez fosse por sua altura – ter 1,84m é pra poucos –, talvez fosse por sua capacidade comunicativa da qual ele usava e abusava cursando Cinema & Audiovisual, talvez fosse por sua beleza de traços marcantes e sua risada que era quase uma música, de acordo com todos aqueles que a ouviam com frequência. Já no terceiro ano, tinha liberdade para operar na central de rádio da universidade em um estágio e, e foi por meio dela que ficou tão conhecido, principalmente entre as garotas, o que poderia ser considerado por ele como uma dádiva. Era sempre bom ter a atenção das calouras, mas é claro que preferia as veteranas, por estarem mais habituadas ao caos universitário naquele campus em Seoul e, bem, estava muito mais próximo delas, tanto no quesito da idade quanto no local de trabalho, visto que algumas garotas dos cursos voltados para comunicação operavam por ali.

O moreno de cabelos lisos cujo corte era realçado com um undercut que tornava sua aparência um tanto quanto intimidadora era natural de Chicago, Illinois, e embora quase tenha entrado numa das universidades da Ivy League, decidira estudar no país de seus pais para compreender mais da cultura deles e se encontrar. Porra, era um aquariano deveras determinado, independente e atraente – não à toa conseguira chamar a atenção de Rui, a japonesa veterana de Relações Públicas.

“Você é interessante, Chicago boy,” ela lhe dissera com sua voz simpática que naquele momento carregava um tom óbvio de flerte e os lábios carmim repuxados num sorriso de canto, ao que ele respondeu apenas com um riso soprado e um olhar malicioso através de seus óculos de grau (maldito astigmatismo). “Acredito que seja ainda mais interessante o que você guarda nessa sua Calvin Klein. Quando tiver um tempo, o que acha de me chamar pra tomar um drink...? Quem sabe eu não possa conferir que presente você esconde aí, bonitão?”

E então lhe passou seu número numa folha rasgada, o fitando com os olhos delineados e o cabelo longo cujo comprimento era tingido de um intenso roxo balançando em seu rabo de cavalo conforme ela fora andando pelo corredor da saída da biblioteca, indo para a aula.

Brooo...” Doyoung murmurou atrás do mais alto, com seu engraçado sotaque coreano toda vez que decidia falar algo em inglês. Johnny virou-se para ele, sorrindo como se houvesse ganhado na loteria e fixando o olhar em seus livros de antropologia seguros contra seu peito. Ah, Doyoung e seu vício em estudar...  se deixassem, o garoto passaria o dia todo rodeado de livros e só sairia do lugar por meio de ordens judiciais. “Não acredito que ela deu mole pra você. Ela chegou em você! Bem que dizem que ela tem uma personalidade dominadora...”

O americano gargalhou, aproveitando que quase não havia mais ninguém na imensa biblioteca repleta de livros e deu de ombros, como se não estivesse surpreso. Afinal, quem diabos conseguia resistir a John Jun Suh? “Não posso culpar ela. Se eu pudesse, me pegaria também...” mordeu o lábio inferior carnudo, sabendo que tal ato lhe renderia um chute na canela por parte do amigo.

Dito e feito. Ao menos não fora dolorido.

“Caralho, Doyoung. Então isso quer dizer que você me acha feio?” o resmungo fora acompanhado de algumas lamúrias pela dor aguda que acometeu a região ferida, que àquela altura já deveria estar acostumada aos chutes do estudante de Ciências Sociais, sempre sério com seus óculos de fundo de garrafa e o cabelo roxo – havia algum dress code indicando que todo estudante de humanas deveria pintar o cabelo de cores fantasia?

“Você é sim bonito, né, hyung? Mas não é essa coca toda não...” empurrou o mais alto, que apenas riu mais e colocou a mochila nos ombros, pesada devido ao seu notebook e alguns livros e cadernos que carregava ali para a realização de um relatório de uma das disciplinas optativas do curso, Estudos do Cinema Contemporâneo. Por um segundo se arrependera de escolher logo aquela matéria, pois para o americano não havia nada mais entediante do que analisar filmes sem pé nem cabeça – e hypados – de Quentin Tarantino e Woody Allen, embora até ousasse dar um desconto para a atuação surreal de Brad Pitt como protagonista em Bastardos Inglórios.

Em meio a uma das aulas da disciplina, comentou com o colega chinês, Qian Kun: “Convenhamos, a única parte minimamente interessante em Pulp Fiction é aquela onde o Samuel L. Jackson cita uma passagem da bíblia antes de dar um tiro naquele personagem sentado na poltrona. De resto...”

E, bem, Kun concordou.

“Beleza, pra onde estamos indo agora? Seu dormitório ou...?”

Doyoung, com a mochila nos ombros e os livros contra o peito, caminhando devagar ao lado do maior, arqueou as sobrancelhas grossas. Andavam pelo parque do meio do campus ainda sem um rumo definido, cansados, absorvendo a vitamina D do sol do fim de tarde, já que não exatamente tinham tempo livre o suficiente para sentar-se num banco debaixo das grandes árvores ali e jogar conversa fora.

“Eu não sei. Pera. Aquele ali é o...”

“Yuta?”

O japonês ruivo e de sorriso largo corria na direção dos dois, como sempre, apenas com lapiseira e caneta numa mão e o caderno em outra. Gostava de dizer que era um homem prático sem tempo pra frescura de guardar as coisas em uma mochila e se recordar de que ela existia antes de sair do complexo dos estudantes. O garoto parou em frente aos dois amigos deveras ofegante, com as palmas apoiadas nos joelhos, deixando o coreano e o americano atônitos. “Calma,” ele murmurou em meio a uma risada, voltando a ficar ereto e suspirando alto. “Não, não tô morrendo, Doyoung. Relaxa,” tranquilizou o de cabelo roxo, que o olhava como se desejasse jogar a imensa coleção de Jean-Paul Sartre que tinha nas mãos em sua cabeça naquele instante. “Eu só vim avisar que aqueles novatos que moram na república do bloco 12 vão dar uma festa nessa sexta e pelo visto eles estão chamando todos os veteranos... deve ser porque querem se inserir nos grupos, se enturmar, foda-se. O importante é que vai ter bebida, pizza e o Taeil hyung disse que vai descolar um absinto pra gente da casa dele. E aí, bora?”

Yuta havia conseguido uma bolsa na faculdade por jogar futebol, e fazia imenso sentido que ele praticasse o esporte devido à sua energia sem fim. Johnny o invejava por aquilo. “Você já me viu perdendo uma festa?” o moreno exclamou, sorrindo e desviando das pessoas que passavam pela calçada, indo na direção oposta. “E ainda mais, perdendo cerveja de graça? É lógico que eu vou! E o Doyoung aqui tá com essa cara de bosta porque quer ficar estudando, mas ele não vai.”

O Kim abriu a boca para falar algo, mas o maior dos três ali o cortou no mesmo instante com um olhar de advertência. “Dongyoung, por tudo que é mais sagrado, o seu diploma não vai sair correndo se você se divertir um dia. Qual é, fica lá, bebe, pega alguma gata... vai transar. Você tem um pênis aí. Usa ele.”

“Vai se foder. Usa o seu na Rui noona, que tal?” E Doyoung saiu trotando pelo campus, irritado, mas Johnny sabia que não era uma irritação a ponto de gerar um caos na amizade – era mais algo como ‘tô prestes a mandar você tomar no cu e não quero fazer isso na frente de ninguém, então tô saindo’. Provavelmente o amigo mandaria mensagens lhe chamando de nomes idiotas e tudo voltaria ao normal.

O ruivo, todavia, apenas riu, e assoviou ao mesmo tempo em que arqueou as sobrancelhas grossas. “Rui, uh? Que papo é esse?” e o americano riu, passando um dos braços fortes pelo ombro do Nakamoto antes de dizer, “Vem comigo que eu te conto.”

 

 

Jaehyun não podia estar mais frustrado. Talvez o auge de sua juventude tivesse sido aquele, gastar metade do limite do cartão de crédito dando uma festa na república e convidar os veteranos para se aproximar de uma única garota – garota essa que estava sim beijando uma boca, mas não era a dele. Era a de um cara alto, moreno, com um corte de cabelo um tanto quanto... emo. Não soube apontar o que doía mais naquele instante, seu bolso ou seu ego. O dinheiro recuperaria no fim do mês, visto que após os treinos do basquete tinha tempo livre suficiente para trabalhar no refeitório da faculdade durante fins de semana, e não rendia vários números em sua conta bancária, mas era o suficiente para sobreviver e poder se virar estando longe dos pais. Porém, o ego... ah. Se tivesse tido culhões para falar com a japonesa no instante em que a viu, tudo seria diferente.

Toda a paixonite aguda começou numa das tardes onde estava na quadra praticando basquete com um colega, Jungwoo, de voz suave e paciência extrema. O garoto tinha cabelo acinzentado, e era sempre amigável e prestativo. Não era de se estranhar que cursasse Biologia, sendo um grande apaixonado pela natureza e por animais. Jungwoo não vivia num dos complexos habitacionais da faculdade, mas sim num pequeno apartamento que dividia com a irmã, enfermeira em um hospital de Seoul.

Por vezes o treinador deixava a chave do ginásio com os atletas, tendo confiança neles e sabendo que nenhum aprontaria algo por ali, visto que poderia ocasionar de uma advertência até uma expulsão por desobediência. O Jung havia enfim terminado de ler um artigo de direito penal quando recebera a mensagem do amigo convidando-o para treinar, já que dali a alguns meses haveria um campeonato entre as principais universidades coreanas e ambos haviam sido escalados para o time principal. Cada momento de treino contava. Jaehyun estava ali pela bolsa de estudos que havia lutado tanto para conseguir durante o período do ensino médio, e caso derrapasse, seria obrigado a voltar com os pais para Connecticut, ultimato dado com firmeza pela mãe, onde entraria para Yale, que talvez fosse sua última opção na lista de universidades nas quais queria estudar. Era fato que Yale era uma das melhores instituições de ensino superior do mundo, mas há muito já não se sentia mais pertencente à América do Norte. Morar lá com a família durante a infância fora algo necessário pelo trabalho do pai, e apenas isso. Adaptou-se ao local eventualmente, porém, sentia falta de seu país natal e não queria sair dele para se aventurar em outro local mais uma vez.

“Hyung, o Yukhei tá pensando em te colocar como pivô por você ser forte e ter reflexo rápido o suficiente pra agarrar a bola sem enrolar. O que você acha?”

A voz de Jungwoo ecoou pelo ginásio quase vazio, exceto pelos dois ali e alguns desconhecidos na arquibancada, com seus notebooks e cadernos no colo, que poderiam estar em busca de um local tranquilo para focar em suas tarefas. Ele fazia a bola de basquete quicar na quadra, e a repassava para Jaehyun, atento e suado.

“Hm... ele é o cérebro do time. Se ele chegou a essa conclusão, é porque andou vendo meu potencial. E você? Vai ficar de pivô também?” O suor molhava seus fios castanhos e escorria por sua nuca e seu rosto, grudando-os em sua pele, mas não dava atenção àquilo, estando completamente focado em repassar a bola para o mais novo. “Porque eu e você somos uns dos mais altos. O Sicheng vai ficar de armador?”

“Isso ele ainda não decidiu ou só não me falou. Disse que iria tentar aparecer aqui de noite porque tá ocupado montando uma maquete com o Dejun...” Jungwoo respondera e em seguida se sentou no chão da quadra, esticando as pernas e apoiando o peso na palma das mãos, cansado, ofegando e pegando sua garrafa de água, da qual bebeu um longo gole. “Como tá sendo o seu curso? Tá gostando?”

Jaehyun permaneceu em pé, quicando a bola no chão e ocasionalmente fazendo cestas distantes, buscando não se afastar tanto do amigo para que ainda pudessem conversar. O loiro era sempre calmo e compreensivo, gostava de estabelecer diálogo – por isso foi o primeiro jogador do time de quem se aproximou. Falar com ele era fácil e embora demorasse a se abrir, com ele foi diferente. “É cansativo... sabe? Sei lá, leitura pra caralho. Passo mais tempo na biblioteca quebrando cabeça com os artigos e livros do que na sala de aula. Mas pelo menos assim aprendo... fora que a galera gosta de fazer grupo de estudos quando tá perto de prova, então é mais tranquilo pra todo mundo. E o seu curso?”

Com suas feições infantis, o mais novo franziu o nariz perfeitinho. Estaria ele saturado do bacharelado em Biologia? “Não gosto da professora de microbiologia. Como você já deve saber, a gente tem que higienizar tudinho direito antes de fazer qualquer coisa e a Suhyun espera que a gente aprenda a ligar uma autoclave na base da fé e da prece...”

Prestava atenção em Jungwoo como se ele estivesse dando uma palestra microbiológica da qual o acastanhado pouco compreendia, porque qualquer coisa relacionada a bactérias ou fungos não fazia parte de seu mundo. Não prestou atenção nas aulas de ciências da natureza no ensino fundamental, e no ensino médio estava ocupado demais tentando não repetir em matemática e beijando qualquer garota que estivesse lhe olhando com segundas e terceiras intenções. Mas de repente decidira olhar para a arquibancada já não mais tão vazia, e... porra.

Ele não sabia quem era aquela garota que havia entrado no ginásio, porém, sabia que agora toda sua atenção pertencia a ela. O que primeiramente chamou sua atenção foram as pernas longas cobertas por um jeans justo; o salto agulha de seu scarpin que se chocava com a madeira da arquibancada na qual era havia subido não lhe incomodava, apenas a tornava mais... interessante, e droga, Jaehyun ainda nem havia visto sua face. E quando viu...

Era como se alguém tivesse colocado uma caixa de som ali na quadra e Suddenly I See da KT Tunstall tivesse começado a tocar. O rosto dela era mesmo como um mapa do mundo – maxilar definido, nariz que combinava com todo o resto de seus traços poderosos e os lábios cobertos por algo brilhoso, como um gloss. Os cabelos de cor marsala eram ondulados e longos, balançando conforme ela andava e sorria, como se estivesse numa passarela, como se fosse uma modelo – o que ela fazia ali? Ela deveria mostrar ao mundo o quão bela era. Deveria ser uma modelo da Allure, talvez.

A bola pesada de basquete há muito tempo havia fugido das mãos do garoto, perdida em algum canto da quadra.

A ruiva misteriosa e bonita demais havia feito tudo ao seu redor se tornar desinteressante. She got the power to be, the power to give, the power to see, yeah, yeah tocava em sua mente quando seus orbes escuros cruzaram com os dela, e caralho. Ela sorriu. Caralho. O sorriso mais bonito que Jaehyun já havia visto. Os lábios carnudos agora estavam esticados em um sorriso largo para Jaehyun! Jaehyun, um calouro desconhecido, um garoto do curso de direito, um membro do time de basquete da universidade – tudo havia mudado. Seu ego havia sido inflado com um simples sorriso, e sua autoestima cresceu quando ela acenou, e, tonto demais, acenou de volta, boquiaberto, pagando mico, mas não que aquilo fosse algo novo. Estava sempre passando vergonha de uma forma ou outra, porém, o que contava era que ainda assim as meninas decidiam que ele era gostoso e sentavam em seu pau.

“... bom, e aí a Soojin derrubou um tubo de ensaio que tava com caldo quente nele e... Jaehyun hyung...? Tá me ouvindo?” A voz de Jungwoo era como um sopro distante que não fazia sentido em sua mente entorpecida pela beleza de uma garota ruiva que ele nem conhecia.

“Agora... eu tô,” respondeu, com a voz fraca, nem mesmo olhando para o loiro para que não perdesse de vista a mulher mais deslumbrante em quem seus olhos já haviam pousado. “Quem é ela?”

“A de cabelo vermelho? Watanabe Rui. Ela é presidente da união de estudantes e estuda Relações Públicas. É nossa noona, apesar de não parecer. É veterana.”

“Certo... e o que eu preciso fazer pra pegar ela?” Descarado como sempre, não escondeu as intenções que tinha com ela. Seria ainda mais fácil agora que tinha seu nome – ou não. O que pulsava mais forte naquele momento, sua rola ou seu coração?

Jungwoo colocou a mão em seu ombro e fez um som com a boca. “Um hyung meu, Taeyong, ficou com ela uma vez. Ele disse que ela não é chegada em ficar com calouros... mas você tem os looks. Pode tentar.”

Se aproximar de veteranos não era lá algo tão fácil assim – calouros com sua turma, veteranos com sua turma, simples assim. Porém... e se uma festa unisse todas as pessoas? E se uma festa fosse capaz de fazer Jaehyun jogar seu irresistível charme em Watanabe para que ela caísse em seus braços, e possivelmente, em cima de seu pau, de preferência sem roupas?

Com um sorriso de canto, Jung decidiu que era uma ideia a ser considerada – e eventualmente, se permitiu ser convencido por Mark, que ficou animado com a ideia de passar uma noite lendo algo que não fossem artigos sobre a bolsa de valores.

“Qual é, hyung... faz a festa sim. Eu não pego ninguém desde que saí do Canadá pra vir pra cá, sabia? Você bem que podia dar a festa pra me tirar da seca, sei lá... só insinuando...” o mais novo ditou enquanto esfregava a palha de aço no fogão repleto de manchas de gordura. Donghyuck não gostava de limpar a cozinha, embora fosse o cômodo definido pelos colegas que seria de sua responsabilidade, logo, sobrava para Mark, que era um dos mais jovens da república, a tarefa de organizar o cômodo, além do banheiro do primeiro piso. Jaehyun, rolando o feed do Instagram no perfil da ruiva que agora não era mais ruiva, já que havia escurecido a raiz do cabelo e pintado o comprimento de roxo, pensou sobre – mas não para que o canadense pudesse transar, e sim para que pudesse dessa forma se aproximar de Rui sem que parecesse... necessitado ou desesperado demais.

Era impossível dar uma festa e arcar com todos os custos sozinho. Sim, tinha dinheiro, mas ainda não tinha tanto dinheiro assim para torrar em uma única noite; era um jovem com responsabilidades e não nascera em berço de ouro. Os custos da festa foram divididos tanto com os colegas da república quanto com alguns amigos do curso. Hendery se oferecera para comprar algumas pizzas – outras pegaria da pizzaria de sua mãe, escondido; Donghyuck e Jaehyun dividiriam o dinheiro para pagar as bebidas, Jaemin compraria os copos e Sicheng mexeria com a parte de instalação do som. Mark ficou com a pior parte: postar algo sobre a festa em todas as redes sociais e chamar o maior número de veteranos possível, especialmente, claro, os de Relações Públicas.

Tudo correu bem até o dia da festa. Mark havia conhecido alguns veteranos e se encarregou de espalhar a mensagem sobre uma espécie de open bar que ocorreria em sua república, e sugeriu que levassem as próprias bebidas, afinal, quanto mais álcool houvesse melhor. Jaehyun chamou todos do time de basquete, desde os que estavam jogando ativamente até os que estavam no banco reserva, e também pediu que eles fizessem a própria parte de chamar quem quer que fosse porque seria uma festa de arromba pra todos os estudantes que estavam cansados das provas e só queriam jogar tudo pro alto por uma noite.

Só que é claro que o estudante de Direito sabia que algo daria errado. Se parece bom demais pra ser real, é porque não é real. Pensava que os problemas surgiriam durante a tarde corrida de organização – haviam escondido vários itens e trancado as portas dos quartos pois não queriam fluidos sexuais de estranhos em suas camas – já que Sicheng e Yukhei se atrapalharam enquanto carregavam as caixas de som pra dentro da casa, Jaemin fez as contas errado durante a compra dos copos, e foi obrigado a retornar à loja para comprar mais, o que rendeu um riso de desespero de Jaehyun, riso de desespero que só aumentou quando provou a cerveja horrível que Donghyuck havia arranjado.

Ainda assim, não deixava que isso lhe subisse à cabeça. Estava estressado com as provas de Direito Civil e as cobranças de um certo professor para que os estudantes montassem um caso fictício e apresentassem usando retórica no fórum da universidade. Jung se arrependeu com todas as forças de seus ancestrais da escolha do curso quando se viu obrigado a fazer aquilo, porém, bastou uma selfie da bela Watanabe com o cabelo preso sorrindo e usando um óculos de grau com armação redonda e uma legenda indicando que ela viria sim à festa, pois apesar de ser tão atarefada, precisava descansar – e céus, Jaehyun não poderia concordar mais, pois precisava beijá-la e talvez foder com ela, se fosse sortudo. Se fechasse os olhos, conseguia imaginá-la em sua cama, abrindo as pernas longas e as enlaçando em sua cintura, o cabelo longo espalhado em seu travesseiro, a boca carnuda colada à sua enquanto metia o pau em sua buceta melada, que estaria se contraindo e apertando sua pica pulsante e...

Ao invés disso, quem estava em sua cama era Jung Jinsoul, com seu cabelo platinado seguro em seu punho enquanto a comia de quatro, com raiva, processando a imagem de sua paixonite com outro cara. Aquilo não estava em seus planos. Não era assim que o script deveria seguir.

Jinsoul era uma amiga do curso com quem desenvolvera uma amizade colorida que rendia ao de fios castanhos um sexo intenso e frequente, quase que semanal. Por vezes estudavam juntos e acabavam na cama ou no chão do quarto de algum dos dois, fodendo até que estivessem de fato exaustos e com dor nas pernas pelo esforço intenso realizado. Naquele momento, seu quadril ia de encontro à bunda alheia, as peles se chocando e provocando um barulho que ecoava pelo cômodo e misturava-se aos gemidos altos da loira, que explicitamente pedia por mais embora seus sons fossem abafados pela música alta no restante da casa.

“Vagabunda,” Jaehyun murmurou entre dentes, puxando a amiga contra seu peito, soltando seus cabelos para deslizar as mãos calejadas pelo seu torso, apertando seus seios e acabando por colocar dois dedos entre suas pernas abertas, massageando o clitóris úmido e teso. Estava suado, desesperado, nervoso – e descontava tudo que sentia no corpo delicado e de pele clara já repleta de marcas de mordidas e tapas. “Você gosta quando te como assim, Jinsoul? Quando te trato como uma cadela sedenta pelo meu caralho?”

Ela gemeu e se contraiu, colocando a mão sobre a dele, forçando-o a lhe masturbar mais rápido. Podia sentir o quão molhada ela estava, e sentiu-se culpado quando ao fechar os olhos imaginou Rui, o jogando de costas no colchão, montando em seu pau, cavalgando e rebolando ao morder o ínfero pintado de rosa, os seios úmidos com saliva porque porra, Jaehyun iria sim mamar naqueles peitos até que os mamilos estivessem vermelhos e inchados. E depois... depois faria a japonesa lhe chupar, levar a sua pica até a garganta e engasgar nela. Rui tinha algo de erótico e casto em si, e imaginava se ela seria o tipo de garota que esfregaria a buceta em sua pica até lhe fazer gozar sobre seu clitóris ou então se sentaria em sua cara e obrigaria Jaehyun a lhe comer com sua língua longa e flexível.

Sentiu-se escroto por pensar em outra quando tinha uma gostosa do caralho em sua cama, dando a buceta e pedindo por mais, mais e mais. Todavia, qualquer sentimento de culpa deu adeus assim que Jinsoul o fez se afastar para que pudesse deitar de costas, com as pernas abertas. A loira estava uma bagunça; os cabelos bagunçados, o batom borrado, suor cobrindo sua testa e a bucetinha avermelhada pela força que Jaehyun impunha em suas investidas, além do visível tesão que ela sentia.

“Vem...” levou dois dedos à boca pequena e olhando nos olhos do acastanhado, que se punhetou com a visão da amiga sendo tão descarada, simulando um boquete e gemendo enquanto chupava os dígitos finos. Não demorou a enfiá-los em sua cavidade úmida, arqueando as costas e chamando pelo mais velho com um sorriso nos lábios inchados pelos beijos que haviam trocado e pela mamada de mais cedo. Se fodia com gosto, abrindo as pernas cada vez mais, como se desse motivos para que ele não desviasse os olhos da região – não que tivesse planos de fazer tal coisa.

O Jung rosnou, colocando-se entre as pernas arreganhadas de Jinsoul que riu, sabendo que ele nunca conseguiria resistir às provocações. Tirou os dedos dela de sua buceta, os lambendo no mesmo momento em que meteu a rola na loira mais uma vez. De novo, tornavam-se uma bagunça de corpos e sexo em meio a uma festa onde Jaehyun deveria estar comendo outra garota, uma garota que ele desejava havia meses...

Quer saber? Foda-se Watanabe Rui, disse em pensamento, colando os lábios aos de Jinsoul e se perdendo em meio ao sexo gostoso dela mais uma vez. “Gostosa do caralho. Vou arrombar sua buceta, entendeu?” As palavras grosseiras foram o suficiente para que a amiga se rendesse por completo, e lá estavam de novo, fodendo forte e rápido até que a cama rangesse.

Talvez a noite já não estivesse mais sendo tão ruim assim.

 

 

Johnny, numa festa estranha com gente esquisita mas também com muita gente conhecida, se viu tentado a ir atrás de quem quer que fosse o responsável por tocar as músicas pois apesar da bebida ruim – céus, ainda bem que Taeil havia trazido absinto e Yuta trouxe Henessy –, a playlist era incrível e se encaixava com o que estava se passando consigo. Um cover synthpop de Girls Just Wanna Have Fun tocava e droga, queria colocar aquela música pra tocar na rádio da universidade.

Por que porras estava pensando em rádio e universidade quando tinha Watanabe Rui dançando em sua frente com um cropped amarelo, uma saia jeans simples e o cabelo balançando nos ombros conforme se movia e parecia murmurar a letra da música para o americano de forma deveras sugestiva? Ela movia o quadril como se fosse de plástico, jogando o cabelo para trás e se aproximando, pouco a pouco, permitindo que ele se perdesse no perfume cítrico e doce que ela usava, e... droga, combinava demais com a personalidade extrovertida, a simpatia, os sorrisos frouxos e fáceis, a aura energética e feliz...

As mãos grandes envolveram a cintura delicada assim que Rui passou os braços pelos seus ombros largos. Já alta, de salto quase conseguia ficar quase da mesma altura que o moreno, encantado pelos olhos grandes e a beleza que parecia ser ainda mais inegável vista tão de perto. Não deixou escapar o when the working day is done, oh girls, they wanna have fun sussurrado contra o pé de seu ouvido segundos antes de as bocas se encontrarem num ósculo escandaloso onde as línguas se tocaram fora das cavidades bucais e a japonesa ofegou puxando os fios escuros alheios. Ainda assim, tão atrevida, não deixava de ser delicada. Ao som da batida eletrônica se tocavam, se descobriam – minutos depois, estavam na lavanderia; a porta trancada, as calças de Suh em seus pés e Rui sentada em cima da máquina de lavar-roupas, as pernas envoltas em sua cintura, o pau em sua buceta, movimentos frenéticos e gemidos contidos com beijos. Ela pedia por mais, e mais era o que Johnny lhe dava. Lhe deu com mais força quando a colocou de costas para si, empinada contra o eletrodoméstico, estalando a palma da mão em seu rabo. E porra, ela gostava – exigia que o americano lhe batesse mais, que puxasse seu cabelo, que a comesse com força.

Selvagem.

Quando enfim chegaram ao ápice, juntos, Johnny encostou a testa no ombro da garota, ofegante, sensível, o pau ainda pulsando na camisinha. “Isso foi bom demais... merda, Rui. Eu nunca imaginaria que você é assim...”

A de cabelo colorido riu, curvando-se sobre a máquina, apoiando a testa no braço. Parecia tão cansada e saciada quanto ele. “Se deixou levar pela minha aparência, John? Pensou que eu gosto de ser tocada como se fosse de vidro?”

“Ousada, uh?” Johnny gargalhou, afastando-se da outra com calma, permitindo que assim ela colocasse a calcinha anteriormente jogada em um canto do chão. De fato, não esperava que ela fosse se empinar para vestir a peça íntima, mostrando o sexo avermelhado e úmido, tanto pelo lubrificante da camisinha quanto pela sua lubrificação natural. Rui parecia se contrair de propósito, e isso fez o moreno rir soprado e morder o ínfero inchado pelos ósculos trocados. “Não devia fazer isso na minha frente, Watanabe. A menos que queira que eu coma você de novo.”

A japonesa virou-se para encará-lo. Estava uma bagunça; o rabo de cavalo desarrumado, as bochechas vermelhas, algumas marcas no pescoço e nas coxas devido ao aperto das mãos grandes de Johnny na região. E ela fazia questão de exibir tudo, sem o mínimo de pudor, abotoando e ajeitando a saia jeans curta.

“Ah, eu quero... e da próxima vez, quero mamar.”

Direta. Direta demais, e ele gostava daquilo. A garota se aproximou, roubando um selar demorado e levou a boca carnuda ao pé do ouvido alheio. “Espero ansiosa pra sentir seu pau dentro de mim de novo, garotão. Manda uma mensagem quando estiver querendo ficar louco comigo mais uma vez, sim?”

E então, ela saiu. Suh ficou ali, sorrindo como se tivesse ganhado na loteria, como se tivesse ganhado vinte barras de ouro. Porra, havia tirado a sorte grande. Pegou a gostosa da universidade, e ela ainda deixou claro que queria mais, que queria mais do seu pau!

“Então quer dizer que você tem a pica de ouro, hyung?” Yuta comentou quando estavam do lado de fora da casa, rodeados pelos amigos. Taeil estava ali, segurando a garrafa de absinto pois a bebida ali era uma merda e ele se negava a perder a única coisa que o deixava louco o suficiente pra não pensar no turno de enfermagem que ainda enfrentaria na tarde de sábado. Johnny estava com o copo cheio, felizmente – e agora queria saber onde arranjar tequila das boas. Como diabos esses calouros inventaram de dar uma festa e nem tiveram capacidade de encher a casa com álcool?

“Eu não sei, talvez...? Só posso te afirmar que foi bom pra caralho e eu com certeza quero foder ela de novo. Garota gostosa da porra, Nakamoto. Você nem tem noção.”

“Não tenho mesmo, mas...” tomou um gole da cerveja que havia arranjado com um dos amigos, Taeyong. “Sei de uma pessoa que quer te pegar. Hirai Momo. Lembra dela? Minha colega de intercâmbio. Ela se forma esse ano.”

“Pera... a morena com franja e que é baixinha? Sempre anda com a tal da Minatozaki Sana?”

“É, ela mesma. Elas se pegam de vez em quando. Fiz a três com elas uma vez...”

“A Momo é bi, não?”

“Sim, hyung. Eu peguei ela hoje de novo e ela me disse que tinha te visto por aí às vezes e tava interessada. Como o bom amigo que sou, tô aqui fazendo o papel de alcoviteiro. O que me diz?” O sorriso de Yuta era deveras persuasivo, como sempre. O cabelo ruivo estava solto, bagunçado, e Johnny imaginava o motivo daquilo. O chupão em sua clavícula era motivo suficiente para não o questionar.

O moreno estava acostumado a ficar com várias meninas em uma única noite. Ainda em Chicago quando adolescente, numa festa na casa de um amigo, Dominic, ficou com Angel, Julie, Dannie, Jessie, Marie, Tina e uma conhecida de mesma etnia, Krystal Jung – talvez tenha ficado com mais, porém, perdeu a conta de tantos beijos que trocou em poucas horas. Na época não passava de um garoto sem jeito aos 14 anos que tentava fazer seu caminho em meio às meninas, mas agora, já adulto, com certeza tinha energia o suficiente para beijar e foder quantas mulheres atraentes lhe dessem mole. Gostava da bajulação, de se sentir desejado, de retribuir todo aquele desejo de volta.

Quando tocava as mulheres que levava pra cama, era sempre firme, mas ainda assim, um tanto quanto gentil. Hands and knees era considerada por ele uma posição superestimada. Preferia quando as tinha em seu colo, de frente ou de costas; gostava de vê-las cavalgando em sua pica, de ver seus seios marcados com seus dentes, úmidos com sua saliva, o clitóris cada vez mais molhado, deixando rastros onde tocava acima de seu pau... não negava, por vezes estapeava suas nádegas – com a permissão delas, claro, não era nenhum babaca –, e quando elas queriam algo mais pesado, ousava amarrá-las e... dava tapas em seus rostos.

A reputação de garanhão não era à toa. Johnny fazia questão de honrá-la.

“Beleza,” deu de ombros, sorrindo de canto. “Me leva até ela.”

“Só quero deixar avisado que... ela vai te dar um desafio.”

“Desafio?” Arqueou a sobrancelha, confuso. Que espécie de ficada era essa onde ele teria de cumprir um maldito desafio? Havia retornado à quinta série? Céus.

 

 

“Me deixa ver se entendi essa história direito,” Johnny passou os dedos pelos fios pretos, os jogando pra um lado, confuso, inquieto, sentado naquele sofá com muita gente perto. À sua frente estavam Hirai Momo e Kim Nari, ao seu lado, Yuta. O copo estava entre as pernas; não podia perdê-lo. Se mal havia bebida decente na tal festa, era fácil supor que não havia muitos copos também. Calouros, como sempre, despreparados... “Você quer que eu beije um cara que eu nunca vi na vida? A troco de quê?”

“Não é qualquer cara, John,” Nari se pronunciou, amarrando o cadarço do all star surrado. Momo tinha um sorriso pretensioso, como se quisesse ver do que ele era capaz. Os olhos astutos não desviavam de si por um momento sequer. Sentia-se intimidado, talvez. “É o calouro gatinho de Direito. Jung Jaehyun. Você trabalha na rádio da universidade e não sabe que ele é um dos jogadores do time de basquete?”

Buscando defender-se, o maior levantou as palmas e encolheu os ombros. “Quem dá as notícias dos esportes é o treinador deles. Eu não sei de nada. Mas voltando, por que diabos eu beijaria um cara, Nari? Tenho cara de quem tem interesse em macho?”

“Não sei, Suh, essas coisas não se veem pela cara da pessoa,” Momo disse, os cabelos escuros e escorridos lhe caindo pelos ombros. “Você tem cara de quem tá interessado em mim. Prova que é macho o suficiente pra ficar comigo... e não se preocupa, ninguém vai ficar sabendo. Só eu, já que vou estar presente pra ver se você realmente vai cumprir o desafio. Vocês dois são muito gostosos e eu quero saber se ele beija bem pra poder ficar com ele no futuro. E aí, aceita?”

O americano de fato não estava na seca e muito menos passando vontade, porém... Momo era mesmo gostosa pra caralho; lhe secava com intensidade. Ela tinha presença, parecia ser interessante – o amigo era deveras seletivo, então não ficaria com Momo se ela não fosse uma pessoa boa para se ter por perto.

Entretanto, beijar um homem... dar selinhos inocentes em amigos era algo comum, ainda mais em seu grupo de amizades. Mas beijar um homem de fato, envolvendo língua, saliva e a porra toda não era para si um território já antes explorado.

Johnny era competitivo demais. Era só um caralho de ficada. Se recusasse, ficaria com o ego ferido... e seria zoado por Nakamoto.

Que se fodesse.

“Ninguém vai ficar sabendo?”

“Ninguém,” a morena assegurou, cruzando os braços e pendendo a cabeça para o lado direito.

“Eu aceito.”

 

 

“Caralho, que mordida é essa no seu pescoço? Tem uma vampira na festa e eu não fui informado?”

Jaehyun virou-se para trás para encarar o amigo Sicheng, que tinha nas mãos uma latinha de Dr. Pepper, provavelmente misturada com tequila. Ele não exatamente parecia muito são naquele momento – mas havia alguém são naquela festa?

“Vai se foder, porra,” riu, empurrando o chinês no corredor dos quartos que por sorte não estava lotado, tendo apenas a presença de algumas garotas sentadas no chão jogando cartas. “Foi a Jinsoul. Ela saiu daqui agora... eu tava só trancando o meu quarto pra garantir que nenhum indivíduo vai transar na minha cama.”

Jinsoul, com as bochechas vermelhas e suada, deu apenas um beijo na nuca do amigo antes de vestir as roupas com pressa e dizer que a insuportável roommate britânica ameaçou trancá-la para fora do quarto caso ela não voltasse antes da meia-noite. Fez a loira prometer que lhe mandaria uma mensagem no instante em que chegasse no apartamento, já que beiravam onze e meia e embora ela tivesse ido embora de Uber, era perigoso e prezava por sua segurança. Jaehyun sorriu para ela, deitado de costas em sua cama, ofegando e observando o corpo delicado da amiga que se vestia desajeitada.

“Vocês fodem todo dia?” O outro alfinetou com a sobrancelha arqueada, virando mais um gole da mistura esquisita na latinha. “Cara, a bebida dessa festa tá uma merda. O Donghyuck merece um soco por causa dessa palhaçada e o Ten hyung tá preso num engarrafamento com o Yangyang.”

“Nem me fala disso...” Jung murmurou, descendo as escadas, subitamente injuriado pela lembrança da festa que quase foi por água abaixo por causa do amigo. “Vem comigo ver se tem mais alguma decente. Acho que o Mark andou comprando vinho e dá pra gente fazer umas batidas e racionar pra galera toda...”

Boa parte dos universitários estavam no quintal da república, o que implicava em mais espaço para andar pela casa. A sala estava lotada e haviam dezenas de copos espalhados por todos os cantos – os armários, a pia, a estante da televisão... e se haviam copos ali, é porque haviam copos no banheiro também.

O objetivo da festa ter acontecido era um só: para que Jaehyun pudesse ficar com Watanabe Rui, mas ou fora frouxo demais para se aproximar dela antes ou apenas demorou demais para notar que ela havia chegado, graças à palhaçada das bebidas, e a demora foi suficiente pra que perdesse o que poderia ser uma talvez inexistente chance com a garota, já que ela estava beijando sabe-se lá quem e isso o deixou puto pra caralho. Porém, pelo menos fodeu. Até que havia valido a pena. Foi a melhor foda com Jinsoul, e continuaria comendo-a caso a roommate da amiga não fosse uma empata-foda dos infernos.

Após procurar nos armários na cozinha, todavia, com o chinês sentado no balcão e cantando a música que tocava, não achou garrafa de vinho algum. No máximo um champanhe ruim cuja garrafa estava pela metade na geladeira... quem diabos beberia isso numa festa informal?

“Puta que me pariu... Sicheng, me faz um favor. Procura o Mark e pergunta onde aquele filho da puta enfiou as garrafas de vinho que ele disse que comprou,” Jaehyun bateu com força a porta do armário em cima do balcão e o amigo se assustou tanto que apenas acenou positivamente e saiu da cozinha, lhe deixando ali sozinho. Sentou-se no chão, frustrado. No instante em que algo parecia dar certo, algo dava errado em seguida. Não sabia onde estava com a cabeça quando decidira dar uma festa apenas pra chamar a atenção de uma veterana cujo nome mal sabia direito, que só via no feed do Instagram, que só via andando pelos corredores do campus e a praça de alimentação. Mal haviam trocado um ‘oi’ e então pensara que a ideia mais madura e sábia era gastar dinheiro e sujar a porra da república toda pra ver se assim Watanabe o enxergaria.

Puxou o celular do bolso da calça e suspirou aliviado quando notou a mensagem de Jinsoul avisando que chegara em casa e já estava se preparando pra ir dormir. Respondeu à mensagem desejando-lhe boa noite, e soltou o aparelho no colo, encostando a cabeça na porta do armário gelado, fechando os olhos. Amanhã, ao acordar, teria de limpar a república, e o faria na companhia de seu celular e o fone de ouvido, junto de uma playlist de música eletrônica. De tarde, precisaria revisar algumas matérias, e acabaria fazendo isso ao lado de Jinsoul e quem sabe, Kim Yerim, também colega de curso. Não exatamente eram próximos, mas por vezes caíam juntos em grupos de estudo e trabalhos. De noite... veria a segunda temporada de Mindhunter, pois céus, esperou por aquela temporada por um ano e queria saber qual rumo a série tomava após tanto tempo sem notícias. Domingo... meh, iria dormir, porque na segunda todo o inferno começava de novo às seis da manhã.

“Ei, cara. A gente pode bater um papo bem rápido?”

Jaehyun foi despertado de seu devaneio com violência por uma voz relativamente firme e suave ao mesmo tempo, um tanto quanto distante. Abriu os olhos castanhos de abrupto, os fixando numa figura alta com a mão na maçaneta da porta, tendo acabado de abri-la, encostado no batente. Conhecia-o de algum lugar... forçou a vista até que a memória puxasse de algum canto aquele undercut unido à altura intimidante. A camiseta do The Doors e a calça jeans surrada... por alguma razão ele não lhe era estranho e havia se sobressaído em meio ao bando de esquisitões que entraram em sua residência naquela noite.

A educação havia lhe ensinado que era errado continuar sentado quando algum estranho vinha chamar pra uma conversa, então, se levantou, deixando o celular no balcão e limpando as palmas das mãos na calça preta. “Uh, claro. Algum problema?” Questionou, cruzando os braços e se aproximando do desconhecido, vendo que era alguns centímetros mais baixo que ele – talvez 5cm menor, algo assim.

“É que assim... a gente não se conhece, só que eu preciso de um favor seu.”

“Que favor?”

“Preciso que você fique comigo pra eu conseguir pegar uma gata aí.”

E quase que de imediato, Jaehyun franziu o cenho e começou a rir. Riu descontroladamente, batendo palmas como se tivesse ouvido a coisa mais absurda do mundo todo em sua vida de jovem com hormônios à flor da pele. “Pera, me desculpa... quem foi que te mandou aqui? Por um acaso foi o Mark? É zoeira, né?”

O maior o fitou incrédulo, arqueando a sobrancelha grossa e cruzando os braços. “Não sei quem é esse tal de Mark, e não, não é zoeira. É sério. A gente precisa ficar, cara. É um favor...”

No instante em que ele virou para olhar sabe-se lá o que, Jung notou aquele undercut. O cabelo preto quase azulado, a altura que não tinha reparado em mais nenhum homem na festa... era ele. Era ele o filho da puta que furara seu olho sem saber que estava furando seu olho – mas foda-se, ele continuava sendo um vacilão. Alto pra caralho, com feições parecendo terem sido esculpidas, as maçãs do rosto elevadas, o olhar sério... ele era forte, os braços com veias saltadas. Jaehyun não se intimidou.

Talvez um pouco.

“Meu amigo, sinto te informar, só que isso não é problema meu e eu não tenho vontade de beijar homens. Se quiser, sei quem beija e posso te apresentar ao indivíduo,” ditou, com um sorriso cínico. Havia também cruzado os braços, num claro ato de resistência e desafio às palavras alheias. Estava puto, não por um cara pedir pra lhe beijar, mas sim porque era o cara que havia pegado a garota em quem ele estava de olho há tempos.

Diante das palavras do acastanhado, o outro pareceu se frustrar. Correu os dedos pelos fios escuros e úmidos de suor e suspirou. “Calouro,” começou ele, se aproximando tanto de Jaehyun que a noção de espaço pessoal havia sumido; o tom de voz carregado de escárnio. “Eu fui desafiado a beijar você. Talvez seu ego esteja inflado, mas não estou interessado em te pegar. Você não passa de um meio pra me fazer chegar até a gostosa com quem quero ficar. E aí? Qual vai ser?”

“Se você quer ficar com a tal gostosa,” Jaehyun enfatizou com ironia, “Vá. Eu não tenho nada a ver com isso. Aliás, a gostosa você já pegou, não é? A gata com quem eu queria ficar.”

“Ah... agora eu saquei,” o provável veterano ditou em escárnio, com um sorriso nos lábios carnudos. Como se estivesse disposto a irritar o acastanhado, “Tá com inveja porque eu fiquei com a Watanabe e você não conseguiu, calouro? Machuquei seu egozinho e não quer cumprir um desafio como uma espécie de punição? Não é homem o suficiente pra me beijar?”

O filho da puta havia ido direto na ferida e ainda jogou sal e vinagre em cima. Ouch. “Não interessa e eu não tenho que te provar nada, veterano.”

E ficaram os dois ali, no meio da cozinha, a sós, discutindo e trocando farpas. Jaehyun tinha o maxilar travado, as mãos fechadas em punhos, a presença tão imponente quanto a alheia. O perfume do mais velho se misturava com o cheiro de bebida que àquela altura já impregnava a república, principalmente a cozinha, que servia de estoque para dezenas de garrafas arrumadas num canto, destampadas.

“Cara, já deu de a gente ficar discutindo. Vou te propor um bagulho, suave?” Jaehyun suavizou a expressão fechada. “Se você ficar comigo, eu dou um jeito de fazer você e a Rui ficarem sozinhos em algum lugar pra ver se assim você consegue pegar ela, embora aquela garota seja areia demais pra um calouro que nem você. Pode ser?” Antes mesmo que pudesse retrucar a alfinetada ou questionar, o moreno lhe cortou. “Vai ser tudo escondido e ninguém vai ficar sabendo que a gente ficou. O que me diz?”

Jaehyun não soube dizer o que o levou a concordar com aquele papo absurdo.

Talvez fosse Watanabe Rui.

Tudo pela gata.

 

 

Parados ali no meio da lavanderia, a porta trancada, a única testemunha do que aconteceria sendo a morena, Hirai Momo, que tinha em seus lábios carnudos um sorriso enviesado. Jaehyun havia lhe medido de cima a baixo – ela era pequena, delicada, com certeza dona de uma energia que enfeitiçava qualquer um. Sabia quem ela era, conhecida pela beleza e inteligência que esbanjava, junto de sua capacidade para persuadir.

Naquele momento, seus olhos escuros estavam voltados para o veterano, Johnny, a quem encarava com desgosto. O último retribuía o olhar, mas carregava em seus orbes castanhos astúcia – por ter mexido tanto com o ego do calouro, que pensava em mil e uma maneiras diferentes de matar aquele à sua frente, de postura altiva e braços cruzados, sem terminar na cadeia.

“Suh, você já sabe o que fazer. Estou esperando,” ditou ela, encostando-se na máquina de lavar, sem nem mesmo ter consciência das atividades que ocorreram ali anteriormente.

Os dois estudantes encaravam-se, e embora não houvessem vocalizado, ambos sentiam um pouco de vergonha. É claro que já haviam beijado antes, céus, porém, jamais alguém do mesmo sexo, fosse por vontade própria ou na situação em que se encontravam agora – um desafio.

Foi Johnny quem tomou a iniciativa, aproximando-se de Jaehyun o suficiente para que o espaço pessoal do calouro se tornasse inexistente. O americano, deveras tímido e um tanto quanto sem reação, colocou uma mão na cintura alheia sobre a camiseta fina que Jaehyun vestia e a outra encontrou repouso em sua nuca, ato que fez com que o acastanhado se arrepiasse e olhasse para cima, encontrando então o olhar do veterano, sendo intimidado tanto pela intensidade com a qual era fitado quanto com o perfume do outro, mais forte que o próprio.

Suh concluiu que o desconhecido – que agora tinha nome – era ainda mais bonito assim, tão de perto. O cabelo estava bagunçado, caído sobre a testa; o olhar dele era tão incerto quanto o seu, e seus traços faciais eram fortes, embora um tanto quanto infantis. Será que sou gay por achar ele bonito pra caralho?, pensou consigo mesmo, curvando-se levemente para esfregar a ponta de seu nariz no semelhante, segundos antes de fechar os olhos. Agora não havia mais como voltar atrás.

Os lábios se tocaram. Jaehyun suspirou, negando-se a tocar no veterano como ele estava lhe tocando – nem mesmo havia pedido permissão! O cheiro da loção pós-barba dele misturava-se ao perfume que ele usava, e decidiu que com aquele selar experimental, não havia nada de diferente em beijar um homem. O coração estava disparado, uma queimação de ansiedade tomava conta de seu estômago, e porra, tudo só piorou quando ele sugou seu lábio inferior. Johnny orgulhava-se de beijar bem, sabendo da sua reputação desde a época do ensino médio. Todavia, viu-se mexido com o suspiro que o calouro soltou, e as mãos dele então tocaram seu peito.

A princípio, fora tudo inocente. Apenas esfregavam os lábios, vez ou outra dando selares estalados que ecoavam pelo cômodo, misturando-se ao som de suas respirações carregadas. Os dedos de Johnny embrenharam-se nos fios castanhos de Jaehyun, que ofegou em resposta, agarrando a camisa alheia do The Doors, nem mesmo se dando conta do que estava fazendo mais quando deslizou a língua para dentro da boca do maior. O veterano, apesar de surpreso com a atitude do outro que momentos antes estava tão relutante com toda aquela palhaçada, não se fez de rogado: chupou o músculo áspero, apertando a cintura do Jung, tão entregue quanto ele àquele beijo cujo encaixe parecia ser perfeito; o ritmo do ósculo era ideal para ambos, nem tão rápido e nem tão lento, mas intenso, tão intenso que Johnny chegara a perder a noção de quem estava beijando quando colocou a mão debaixo da camiseta do menor, tocando diretamente a pele coberta por uma fina camada de suor, ato que fez Jaehyun se retesar e morder o ínfero do outro, com força aplicada o suficiente para que ele grunhisse baixinho, contra os seus carnudos.

O estudante de direito engoliu uma risada que com certeza não poderia dar agora, ou quebraria aquele maldito beijo que estava até mesmo... apreciando. Jaehyun não queria admitir para si mesmo que o tal John beijava bem pra caralho, sendo capaz de deixá-lo de pernas bambas de uma forma que apenas seu primeiro beijo havia deixado.

Johnny não estava tão diferente. Aproveitava cada mísero segundo da boca contra a sua, do corpo másculo contra o seu, de uma experiência que certamente nunca mais se repetiria. Mas droga... a forma como Jaehyun chupava sua língua com certeza fazia com que faíscas de tesão corressem por sua espinha dorsal. Porra...

Estava de pau duro com um beijo. Pior: estava de pau duro por um beijo com outro homem.

“Ok, garotos, estou satisfeita. John, já pode pegar seu prêmio.”

A voz da japonesa despertou ambos do mundinho em que estavam, e se separaram às pressas; Jaehyun fez questão de limpar os resquícios de saliva da boca com o dorso da mão e Johnny pigarreou, enfiando as mãos no bolso da calça, tentando disfarçar a ereção que guardava na calça. Aquilo era quase humilhante para sua masculinidade.

Um rubor intenso cobria não só as bochechas do calouro, mas também as pontas de suas orelhas denunciavam o quão envergonhado estava por ter aproveitado a situação e saber que não teria se afastado a menos que Momo os trouxesse de volta para a vida real. A realização, então, de que ela havia assistido tudo o deixou ainda mais nervoso.

“Uh...” Johnny começara, jogando os fios tingidos de preto para trás e olhando para seus tênis surrados. “Momo, eu preciso achar a Watanabe. Me encontra lá na sala. Logo mais estarei lá.”

Os saltos dela se chocaram contra o piso de madeira até que estivesse próxima do americano, selando seus lábios e acenando com a cabeça. “Me diz depois se o beijo dele é bom,” sussurrou ela. Jaehyun fingia não estar presenciando nada. Estava presente ali apenas de corpo, pois sua mente divagava sobre os acontecimentos dos últimos minutos. Ainda podia sentir o gosto da bebida que Johnny havia tomado em sua boca, ainda podia sentir o jeito que ele lhe segurou com firmeza...

“Jaehyun? Você quer ir atrás da Rui ou...?” Ele gesticulou com a mão, confuso sobre o que o outro queria fazer naquele momento.

“Uh. Não.”

Nada mais importava. Nada importava além do quanto aquele maldito beijo havia lhe afetado, como se fosse um adolescente virgem, inexperiente, como se tivesse voltado aos seus 15 anos. Não se reconhecia. A atitude combativa para com o veterano havia desaparecido por um instante. Estava confuso.

“Não, cara, relaxa. Só garanta que a garota vai ficar de bico calado. Eu... eu tô indo nessa.”

E Jaehyun saiu, não tendo fitado o americano nem por um instante, tendo coisas demais se passando por sua cabeça.

Suh, por outro lado, de pau duro, não ficou ali. Tão afetado quanto o menor, fora atrás de sua foda. Passando por tantas pessoas para chegar alcançar Momo, pensava no beijo, em como os lábios carnudos deslizaram contra os próprios... mas quando chegou até ela, sendo recebido com um largo sorriso naquela multidão, nada importava mais. Agora eram apenas os dois, e que se fodesse o resto.

 

 

Com os braços apoiados na sacada do quarto que dividia com Mark, Donghyuck e outro estudante estrangeiro, Jaehyun respirava um pouco do ar fresco, longe da fumaça de cigarro, maconha e do som alto. Já devia passar das duas da manhã; o amigo tailandês, Ten, finalmente havia chegado com a cerveja, descartando então toda a bebida arrematada por Donghyuck, que apenas se desculpou pela ingenuidade e sumiu junto com Jaemin, afirmando que iriam num mercado 24 horas para comprar sorvete, visto que ambos compartilhavam da vontade de degustar um milkshake alcoólico.

Em sua mão, havia uma garrafa de soju – deveras amarga, mas forte, que era o que precisava naquele momento. Sentia-se confuso, estranho, diferente. Por mais que odiasse admitir para si mesmo e sua heterossexualidade, o beijo recebido do veterano havia mexido consigo. Havia ficado vermelho, roxo, azul – todas as cores possíveis – desde o acontecimento. Não soube a razão de ver-se tão afetado ao certo. Oras, Jaehyun tinha certeza de que não se interessava por homens. Esteve sempre certo de que gostava de mulheres. A lista de mulheres que havia beijado e fodido era extensa, e apreciara todas elas, fazendo questão de pedir um replay quando era possível.

A primeira garota a lhe chamar a atenção de fato fora uma mais velha. Kang Seulgi tinha 13 anos e ele, apenas 12. Jaehyun esteve sempre ciente de seu charme, desde a infância, característica que sua mãe fazia questão de ressaltar nos domingos de missa para as amigas de meia idade com suas filhas pré-adolescentes trajando vestidos castos e laços nos cabelos lisos. Não se interessou por nenhuma delas a não ser para brincar de pega-pega enquanto o padre dava seu sermão aos devotos. Mas Seulgi... com certeza, fora seu ponto fraco.

Tinham a mesma altura, e não foi nada difícil compartilharem o primeiro beijo atrás da antiga grande árvore de tronco grosso do parquinho do bairro. Fora um selar inocente, sem língua ou qualquer coisa do gênero, apressado, desajeitado, com dentes se batendo junto de testas.

Se recordava de ter ficado tão constrangido que saiu correndo para casa, evitando a amiga e paixonite pelos próximos dias. Todavia, quando enfim recuperou-se, tornou a falar com ela e desenvolveram um namoro bobo e infantil, com trocas de cartas e briguinhas porque a mais velha insistia que Jaehyun era galanteador demais, e o garoto não entendia, pois só fazia conversar com as amigas da escola e do bairro quando saía pra brincar. Tempos depois Seulgi foi embora para outro país, e Jung só teve contato amoroso e sexual com outras meninas aos seus 16 anos, já quase um homem formado, alto, presidente do grêmio estudantil, ávido jogador de basquete, bonito e popular. Foi com Jung Eunha que perdeu a virgindade, num acampamento de férias do colégio. Fizeram tudo às escondidas numa barraca próxima a um lago; inexperiente e nervoso, Jaehyun quase estourou a camisinha e Eunha precisou improvisar um lubrificante.

“Passa em você e depois em mim,” a morena sussurrou, a franja colada à sua testa devido ao suor. O fitava com seus olhos grandes, atentos, as bochechas vermelhas.

Tudo fora muito rápido e intenso. A princípio, estranhou o aperto ao redor de seu pau e todo aquele calor quando penetrou a menor, mas logo ficou confortável. Engoliram gemidos com beijos, evitaram deixar marcas no corpo um do outro e gozaram juntos, silenciosos, ofegantes e suados.

Depois de ter um corpo contra o seu pela primeira vez, fazer sexo se tornou algo frequente. Passou a ir em festas, a sair com grupos de amigos, a ir para bares com identidade falsa com garotas do colégio... sentia-se confiante o suficiente para dizer que fodia bem. A experiência veio acompanhada de muita prática.

O som de uma garrafa se quebrando lá embaixo causou uma ruptura em sua linha de pensamentos e Jaehyun acabou por despertar do mundo da lua. Sabia que não era uma boa ideia ficar em seu quarto, principalmente devido ao risco de algum casal entrar no cômodo e... coitar ali. Não estava disposto a limpar fluidos sexuais alheios, de forma alguma. Bufando, decidiu deixar aquilo tudo pra lá. Estava dando importância demais a uma coisa insignificante, afinal, não era possível que um mísero beijinho estivesse fazendo-o duvidar de sua intocável heterossexualidade. Nunca se atraiu por homens antes. Por que o faria agora?

Prestes a sair do quarto e trancar a porta, algo trombou em si. Algo forte, pesado e alto, que fez com que fosse empurrado para dentro do cômodo de novo, tamanho fora o impacto em seu ombro. A cena foi cômica: caiu de bunda no chão e seja lá quem fosse o demônio que lhe atropelou, caiu ao seu lado, gemendo um audível ‘ai’ junto de uma série de palavrões.

“Cara, que merda foi essa? Você tá maluco?” Esbravejou Jaehyun, se sentando e reclamando pela dor que já atingia suas cadeiras e o lado direito do quadril. Antes que pudesse ficar ainda mais puto, entretanto, reconheceu quem estava jogado junto consigo, segurando o pulso e com o cabelo preto bagunçado.

Não era possível. Aquilo devia ser perseguição ou pegadinha do destino.

Era o maldito veterano, que agora retribuía seu olhar, franzindo o cenho e gemendo de dor.

“Maluco o que, porra. Eu tava procurando um banheiro higienizado nessa república pra mijar e acabei esbarrando em você por pensar que tinha um aqui, nesse lugar,” um resmungo foi dado por Johnny, que tinha certeza de que havia feito alguma merda no pulso esquerdo, que havia usado para minimizar a sua queda estrondosa. Jaehyun, embora contrariado, foi o primeiro a se colocar de pé e ousou oferecer ajuda para o inimigo machucado ao lhe estender a mão, que ele pegou de prontidão com a própria que não doía, logo se apoiando na parede e crucificando seus ancestrais pela dor infernal que sentia. Com certeza iria precisar usar uma tala.

Pelo menos não havia ferido a mão dominante, que usava para trabalhar e estudar – e punhetar, claro.

“Bom, ter banheiro aqui em cima até tem, cara, mas você não vai usar.”

A afirmação carregada de autoridade feita por um Jaehyun de braços cruzados e olhar firme deixou o americano surpreso, tão surpreso que tudo que fez foi soltar um riso soprado de pura exasperação.

“Meu amigo,” ditou, irônico. “eu preciso mijar. Entendo você estar putinho por não ter pego a Rui, mas você vai me punir me impedindo de usar o banheiro? Vai se foder,” grunhiu, avançando no calouro, que nem por um segundo se amedrontou. Jaehyun não corria de brigas. A competitividade o fazia ficar e garantir que seria o vencedor.

“Sua bexiga cheia não é problema meu,” desafiou Jung. “Você não pegou a gostosa chamada Momo? Se teve tempo pra dar surra de pica nela, por que não teve o bom senso de cogitar mijar lá fora? Tem medo de que outros caras vejam seu pau mole?”

Agora havia jogado baixo. Tão baixo que engoliu em seco, fechando as mãos em punhos e preparando-se para se defender de possíveis socos que lhe atingiriam.

Johnny pendeu a cabeça para um lado e agora havia um sorriso em seu belo rosto – que Jaehyun definitivamente queria socar e arrancar aquela petulância à força. “Peguei ela sim, Jaehyun,” o nome saíra de sua boca com tom de desprezo. “Tá falando do meu pau por quê? Quer ver ele, por um acaso?”

Mas que porra...? O mais novo ficou estupefato com tamanha ousadia do outro, cujo sorriso não havia ido embora. Johnny notara o quão fácil era estourar o menor, e se divertia por estar pegando em seu ponto fraco com tão pouco.

O de cabelos castanhos já devia esperar aquilo. Qual veterano naquela universidade não tinha um ego do tamanho do mundo e não se achava maior que todas as regras impostas pelo reitor?

“Qual é a sua, John?” Cuspiu o nome estrangeiro, empurrando o moreno com força e o fazendo cambalear, mas nada que fizesse sua maldita pose arrogante ir embora. Quem era ele pra falar algo daquele nível para si, sendo que se conheciam havia menos de cinco horas? Tudo bem que suas bocas tiveram um contato deveras íntimo e as salivas compartilhadas demorariam mais de três meses pra ir embora do organismo de cada um, porém, não interessava. Naquele instante, o estudante de Direito enxergava tudo vermelho. Sua masculinidade havia sido nocauteada. “Eu tenho meu pau aqui, porra, vou querer olhar o seu pra quê? Tá me tirando? Se você quer me irritar a ponto de sair na mão comigo, a gente vai lá fora.” Nariz empinado, postura altiva. Respiração alterada.

Johnny certamente havia ingerido muito, mas muito álcool durante todo o tempo em que estivera na festa. Tinha uma sorte: não ficava bêbado fácil, a menos que bebesse muitos destilados, coisa que não acontecera; bebera apenas uma dose do absinto e duas de um legítimo whisky escocês. Estava são de suas escolhas e decisões, portanto. O pensamento não estava nublado pelo álcool que, caso não fosse resistente, teria lhe subido à cabeça.

Tão próximo do outro, lembrava-se da sensação dos carnudos alheios sobre os seus. Úmidos, macios, a língua experiente e ávida enroscando-se à sua. O perfume forte, a face hercúlea...

Ugh. Que merda estava fazendo entregando-se a um desejo tão proibido e errado? Sentia-se traído por seu corpo que pedia por um pouco mais daquela boca e da pegada firme...

Por mais que nem de longe estivesse alcoolizado, resolveu culpar a substância pelo que iria dizer... e talvez, fazer.

“A única coisa que eu quero da sua mão é uma punheta, calouro.”

O riff inicial da guitarra de Slash em Welcome To The Jungle inundava a república quando Jaehyun enfim processou o embolado de palavras que mal faziam sentido em sua cabeça. Não porque havia bebido, e sim porque... que merda era aquela? Estava chamando John pra uma briga e ele simplesmente lhe falara algo absurdo, insultando de forma direta sua preciosa heterossexualidade.

O cenho franzira-se de forma quase que automática, e tomou alguns passos à frente até que seu peito estivesse colado ao alheio. Mãos nos bolsos, olhos fixos no do mais velho, o cheiro de bebida dos dois se misturando junto de seus perfumes já quase que por completo evaporados devido ao suor. “Você quer muito levar um soco, não é? Tô louco pra quebrar seu nariz.”

O sangue do acastanhado subiu à cabeça com a risada melódica do estrangeiro, que parecia nem mesmo estar o levando a sério. De fato, Johnny não estava levando o esquentadinho a sério. Estava se divertindo e, por mais que doesse admitir para si mesmo, se excitando. Porra...

“Tem medo de punhetar outro cara? Você é tão frouxo, Jaehyun...” Johnny zombou, cruzando os braços fortes em frente ao peito. “Sabe...” Fixara o olhar nos castanhos do calouro, cujo maxilar travado assustaria qualquer um. Jung estava puto, puto demais. Insano. Não sabia dizer se era ressentimento por ele ter pego a sua garota, por ele ter mexido consigo e o feito repensar sua sexualidade com um beijinho de nada ou por ele estar o desafiando veementemente na sua própria residência, em seu quarto. “Deve ser por isso que não pegou a Rui. Ela gosta de homens com atitude, assim como ela tem... e você é só um novato frouxo, uh? Patético.

Rindo e sentindo-se satisfeito por ter destruído o ego do estudante de Direito, o moreno se virou para sair do quarto, afinal, ainda precisava mijar. Não era nada urgente, mas a cerveja havia detonado seu sistema urinário e precisava eliminar aquilo em breve – talvez se mandaria daquela festa, visto que havia fodido e bebido o suficiente para evitar calouradas que nem sabiam organizar um caralho de saideira por um bom tempo. Todavia, seu pulso direito fora seguro por um Jaehyun irado que lhe puxou com tanta força que seus corpos colidiram. Mais uma vez, estavam cara a cara. Suh sentia a respiração do outro misturando-se à sua.

Com a voz baixa e grossa junto de seu tom grave, começou, “Você quer uma punheta, otário?” As bochechas gordinhas estavam vermelhas de puro ódio, somado a um estranho tesão que lhe acometera quando imaginou a própria mão fechada ao redor da ereção do mais alto, preenchendo sua palma, deslizando por ela... ah, merda. Estava perdido.

“Hm...” Johnny grunhiu em satisfação, puxando o pulso da mão macia de Jaehyun e passando-a em seu cabelo deveras bagunçado, mordendo o próprio ínfero. Jaehyun sabia o que era aquilo. O desgraçado estava tentando lhe seduzir com os lábios carnudos, o olhar intenso e o riso cínico. Maldito. Maldito era ele porque estava funcionando. Era fraco... tornou-se mil vezes mais fraco quando o presunçoso filho da puta desceu o zíper da braguilha, abriu o botão da calça e a abaixou de forma que o elástico de sua cueca Calvin Klein preta estivesse à mostra.

A cena não deveria fazer Jaehyun engolir em seco, mas...

Fez.

“Então cala a boca e punheta logo esse caralho. Você fala demais pra um calouro, garoto.”

Jaehyun até iria responder afiado à ofensa infantil que lhe fora dirigida, porém, quaisquer palavras que iriam sair por sua boca ficaram presas em sua garganta no instante em que Johnny enfiou a mão dentro da cueca e tirou o pau pra fora. Porra.

Era um... pênis. Grosso, médio, e aparentemente ele se depilava – de fato, Johnny afirmava sentir mais prazer quando não havia pelos em seu caminho. Ficou encarando a rola por alguns segundos, embasbacado. Estava prestes a punhetar um cara, um cara que havia furado seu olho, mesmo que sem querer. O cara que o calouro queria socar.

Johnny, percebendo que seu pau estava sendo encarado, riu soprado. O ego foi amaciado, é claro. “Não quer tirar uma foto?” A sua voz melodiosa ecoou pelo cômodo, despertando Jaehyun da merda que estava fazendo. Ruborizou de imediato, e gaguejou antes de murmurar um xingamento entredentes.

“Vai se foder.”

Hesitante, levou a mão até a extensão alheia, envolvendo-a em sua palma macia. Não havia nada de diferente no pau do veterano; o prepúcio era delicado, temperatura normal, e ao mínimo toque, ele suspirou profundamente, aprovando o ato do menor que, embora tímido, experimentou mover os dedos sobre a rola, o masturbando devagar, puxando o prepúcio para baixo, expondo a glande avermelhada que pedia por um toque ainda mais íntimo, mais intenso, e depois cobrindo-a com a pele fina mais uma vez. Jaehyun não sabia pra onde olhar. Não sabia se... se queria encarar a rola sendo punhetada, pois não queria admitir para si mesmo que punhetar outra pessoa estava lhe fazendo sentir tesão. Seu corpo lhe traía por completo: sentia o próprio cacete confinado por tecidos marcando um pequeno volume já na frente de sua calça.

Os suspiros e grunhidos satisfeitos do veterano o desesperavam, porque... caralho, os sons eram gostosos demais pra que não ficasse afetado. Àquela altura ele já estava quase ereto, pesado em seu punho fechado, a pré-porra sendo expelida em abundância...

Foi inevitável não olhar para o rosto do mais velho, com o cenho franzido e o ínfero carnudo preso entre os dentes, orbes castanhos fixas em seu rosto. O coração acelerou – sentiu-se intimidado.

“Fecha os olhos, cara. Não consigo fazer isso com você me olhando,” disse num murmúrio. Johnny, apesar de contrariado, acatou. A palma de Jaehyun deslizava por todo seu cacete, já num ritmo cadente. Ele parecia ter prática no que fazia, punhetando a base e esfregando dois dedos da outra mão na cabecinha sensível, atiçando sua glande e lhe fazendo soltar o primeiro gemido até então. Surpreendeu-se com a resposta que obteve ao som prazeroso: o acastanhado abaixou suas vestes e puxou seu pau por completo para fora, lhe masturbando com mais pressa, pequenos barulhinhos molhados preenchendo o quarto e confundindo-se com a música lá fora. Estavam alheios. Perdidos. Perdidos em algo secreto, só dos dois.

Jaehyun estava acostumado a se masturbar. Mas... fazer aquilo no colega era algo novo. Sentia-se confuso conforme a velocidade da masturbação aumentava, incapaz de desviar o olhar da ereção firme, quente, pulsante e por fim, melada. Estava concentrado na tarefa e tentando não cair na real ou surtaria por estar tocando a pica do veterano, até tomar um susto ao ter seu braço seguro por ele, que o fitava ofegante.

“Para,” foi tudo que Suh disse e de repente Jaehyun fora empurrado para uma cama que por sorte era a sua, e achou um tanto quanto cômico quando John, absurdamente alto, teve de se abaixar para não bater a cabeça na cama de cima. Não houve tempo para rir, não quando o moreno se colocou por cima de seu corpo, entre suas pernas abertas, e ofegou. Que porra estavam fazendo, afinal de contas? O questionamento rodava a mente do calouro assim que o outro colocou as mãos no botão de sua calça, no intuito de abri-la. “Você quer isso, Jaehyun? Eu não vou fazer nada sem seu consentimento.”

As palavras de Jaehyun morreram em sua garganta. Não estava mais disposto a ser um pirralho como minutos antes, não quando todo o seu sangue fluía para a cabeça de baixo. Um sim escapou de sua boca e voltou a atenção para a porta, arreganhada – qualquer um que passasse ali veria a cena que se desenrolava, mas duvidou muito que alguém com tanta bebida no organismo fosse reparar em dois supostos héteros se pegando.

Antes mesmo que pudesse pensar em protestar, o veterano estava puxando sua calça e a cueca juntas, deixando-as na altura da metade das coxas. Johnny estaria mentindo se dissesse que sabia o que estava fazendo com o garoto naquela cama. Todavia, a insegurança não transparecia em seu semblante astuto, o sorriso de canto presente nos lábios carnudos. Tomou o pau alheio em sua mão direita, sentindo os pelos grossos na base, ganhando um ofego do calouro. Ele estava duro por completo, as veias saltadas e a glande inchada. “Pra quem tava fazendo gracinha, você tá bem animado, não é, garotão?” Riu soprado, recebendo em resposta um grunhido de Jaehyun.

“Você vai tocar uma pra mim ou tirar com a minha cara, desgraçado?” Vociferou um Jaehyun puto por estar com tanto tesão, logo sendo calado com a boca do maior colada à sua.

Estavam se beijando de novo – e bom, dadas as circunstâncias, não fazia questão alguma de afastá-lo. Muito pelo contrário: mordeu o ínfero alheio e suspirou, deslizando as mãos pelas costas largas, apenas apreciando o calor da palma do veterano em sua rola pulsante. Aquilo era... perigoso. Arriscado. Mas ambos gostavam do prazer que aquele perigo proporcionava; Jaehyun suspirando contra a boca alheia, Johnny sutilmente esfregando a pica na coxa do menor, provando das salivas com mais calma agora que não eram observados.

A língua hábil do moreno se enroscava na sua, lhe deixando sem ar, mas em momento algum ousava apartar o ósculo. Todavia, lembrando-se do intuito pelo qual estavam naquela posição e... com as calças abaixadas, levou uma mão até o cacete do estrangeiro, massageando suas bolas antes de lhe punhetar sem muita pressa, deveras mais confiante e tranquilo que antes. Diante do toque súbito, John mordeu sua língua, o que lhe fez rir.

“Seu merdinha,” Johnny gemeu, e o som fez o mais novo se arrepiar. A mão dele agora também deslizava em seu caralho, firme e calejada, diferente das mãos suaves de Park Sooyoung, ou das mãos bonitas de dedos finos de Park Jihyo. Era... droga, era gostoso pra caralho quando o polegar áspero massageava seu freio, fazendo-o jogar o quadril na direção do toque preciso, lhe retirando gemidos e sons vergonhosos.

Não que aquilo fosse um problema para Johnny, que metia na palma alheia e sentia ainda mais tesão com a respiração pesada, escondendo a face no pescoço de Jaehyun e aspirando seu perfume, fingindo que não sentia o pulso esquerdo queimar de tanta dor ao apoiá-lo do lado do cabeça do calouro.

Nunca antes haviam experimentado aquilo, não com outros homens. A punheta ainda era a mesma coisa de quando se tocavam, mas saber que era um cara tocando deixava tudo mais estranhamente sensual, mais intenso, e Johnny queria fazer aquela experiência valer a pena. Jaehyun embrenhou os dedos em seu cabelo quando fechou os dentes em uma porção de pele na curva de seu pescoço, mordendo com força e depois chupando.

“John, ah, não era pra marcar, inferno,” reclamou, embora a mordida tivesse feito seu corpo tremer em puro desejo. Abriu os olhos e no mesmo momento se odiou por aquilo: face a face com Johnny, notou o quão bonito aquele cara era mesmo sendo tão egocêntrico, o cabelo preto e a boca úmida, inchada, aberta para que ele ofegasse com a masturbação conjunta que ficava cada vez mais acelerada...

O fitou surpreso quando a mão fora afastada e Johnny juntou as picas na própria; um grunhido de choque lhe escapou, pois, porra... ter um pau deslizando sobre o seu devia ser proibido de tão prazeroso. O veterano estava no mesmo estado, insano, apreciando o calor da outra rola, as glandes se esbarrando e arrancando de ambos gemidos guturais.

A porta continuava aberta, mas já não davam mais atenção àquilo. Estavam focados na punheta, nos sons trocados, nos beijos de língua fora da boca, puxões de cabelo...

“Vou gozar,” Johnny murmurou, movendo a palma sobre as picas úmidas, jogando o quadril contra o alheio. As pernas de Jaehyun estavam arreganhadas e ele buscava ainda mais fricção, afundando as unhas na pele dos ombros do veterano que gemia ofegante contra seu pescoço suado. Aquele maldito aviso do outro foi o que lhe levou ao céu e ao inferno. Como podia ele ter uma voz tão sensual?

O orgasmo para ele chegou de súbito: gozou com tamanha força que o coração acelerou e a visão apagou por alguns segundos, jogando a cabeça contra o travesseiro e soltando um som grave que morreu em sua garganta não muito tempo depois. E aquilo, para Johnny... fora excitante demais. Por que diabos estava se excitando com um macho gozando, com a feição demonstrando um prazer ímpar, o cenho franzido e as bochechas avermelhadas?

Tirou a mão da pica do calouro e usou a porra dele que havia sujado sua mão para deixar a própria masturbação mais molhada. Os estalos úmidos eram audíveis apenas entre os dois ali, apertados na cama de solteiro.

Jung, ainda fora de si com o ápice e ciente do que eram as manchas em sua camiseta, pegou na rola do mais alto novamente. John aprovou, juntando as bocas mais uma vez, Jaehyun engolindo seus gemidos graves e esfregando a palma na cabecinha do cacete grosso, que expelia quantidades absurdas de pré-gozo, fazendo uma bagunça. De fato, havia dito mais cedo que não queria fluidos sexuais alheios em sua cama, mas... talvez tivesse aberto uma exceção para o veterano que fodia sua boca com a língua, roubando seu fôlego.

Goza,” Jaehyun sussurrou rouco, e merda... o que aquilo fizera com o veterano devia ser considerado um crime.

Johnny gozou com um grunhido ao morder o lábio inferior do garoto deitado abaixo de si. O toque em sua glande persistia enquanto os jatos de sêmen escorriam pelo pulso do calouro, os testículos se comprimindo no saco e ofegos se perdendo em meio ao cômodo que cheirava a sexo agora.

Ambos estavam exaustos. Johnny desabou sobre o corpo de Jaehyun, que o empurrou para o lado pelo ombro e limpou a porra dele na própria camiseta. Devia estar enojado, mas... o que era a porra dele quando os paus haviam se encostado e Jaehyun havia gozado no dele? Nada.

“Você vai falar sobre isso que aconteceu pra alguém?” O calouro quebrou o silêncio que havia se instaurado, puxando a cueca para cima e guardando o pênis sensível dentro dela. Não podia negar... estava assustado. E se o filho da puta decidisse arruinar sua reputação? A reputação de macho alfa jogador de basquete e pegador cem por cento heterossexual do campus?

Pfff,” foi o que Suh respondera, também ajeitando as roupas, mas diferentemente de Jaehyun, fechara a calça. A única coisa que tinha potencial para denunciar os acontecimentos era o sêmen manchando a camisa dos dois. Johnny não queria acreditar que havia arruinado sua camiseta do The Doors – todavia, valeu a pena. “Que tipo de cara você acha que eu sou, calouro? Não estamos na quinta série mais,” zombou, parecendo tranquilo, embora estivesse uma verdadeira bagunça por dentro. Era um mestre em esconder emoções, ainda mais depois de um orgasmo bom pra caralho.

“E eu lá vou saber? Nem te conheço.”

“Não me conhece, mas a gente ficou. Eu peguei na sua rola, você pegou na minha e ganho merda nenhuma fazendo fofoquinha no campus, seu pirralho imbecil e insuportável,” resmungou, jogando o braço sobre os olhos e respirando fundo. Merda. Merda, merda, merda. O que havia acabado de fazer com aquele calouro arredio?

Confuso, assustado e com o maxilar travado, tudo que o acastanhado disse foi um grosseiro e audível ‘cala a boca’ e saiu da cama, indo para o outro beliche, deitando na cama de Mark. Que se fodesse se ele achasse ruim – quem mandou consumir com toda a porra do vinho que supostamente havia comprado?

A verdade é que não queria encarar Johnny mais. Não naquele momento. O coração estava acelerado, e podia jurar que se não se afastasse dele teria uma crise existencial que não tinha como lidar no momento. De costas para o mais velho e com os olhos fechados, não lidava com seus sentimentos bagunçados, espalhados pelo lugar.

O moreno nada disse. Não insistiu. Não tinha tempo para o que parecia ser um pseudo-adulto mimado que julgava ter o sol na pica; tão incerto quanto o estudante de Direito, ficou de pé, ajeitou a roupa e deu um jeito de disfarçar o resto de sêmen em suas roupas. Concluiu que iria mentir caso fosse questionado, ponto final. Havia comido Rui e Momo naquele dia. Não seria difícil criar alguma historinha.

“Olha...” começou, tentando manter um tom firme. Colocou as mãos nos bolsos da calça. Engoliu em seco. “Eu não vou falar porra nenhuma pra ninguém e sei que você não vai falar nada também. Foi só uma punheta na brotheragem e fica entre nós, Jaehyun,” e o mencionado deu de ombros. Foda-se. Queria dormir. Pro inferno com tudo aquilo.

Sem dizer mais nada, o veterano saiu do quarto, deixando Jaehyun ali, a sós com seus pensamentos embriagados de confusão e medo. Era como se tivesse acabado de dar o primeiro beijo – sentia que devia uma explicação de algo a alguém, como se houvesse feito algo de errado. Droga.

Embora confiante em seus passos, no piso de baixo, Johnny saíra da república sem se despedir dos amigos. No próprio apartamento, deixou a água quente banhar seu corpo e retirar a tensão de seus músculos, assim como a estranha sensação que lhe acometia. Não conseguia parar de pensar no encontro com Jaehyun. Nos toques, nos gemidos, na cordialidade em esconder o acontecimento... o beijo foi e o pedido pecaminoso foi o que mais lhe afetara.

O pulso esquerdo estava inchado e dolorido; provavelmente havia conseguido a proeza de ter uma luxação. Resmungando xingamentos, todavia, aplicou uma pomada calmante na região, pensando que talvez a experiência com o calouro tivesse sido a melhor situação sexual em que já se encontrara na vida – e merda, tivera muitas inusitadas.

Nada superaria o que o estudante de Direito havia feito consigo, ainda mais com seu jeito emburrado e egocêntrico. De forma alguma possuía inseguranças quanto à sua sexualidade, mas quando se deitou na cama com o membro ferido enfaixado, viu-se nervoso e com o coração acelerado, tal como um adolescente ansioso por ter falado com a pessoa por quem estava interessado. A possibilidade nunca havia ocorrido em sua mente, porém... e se...?

Foi uma coisa isolada, tá tudo bem, ditou em pensamento, fechando os olhos e incumbindo-se de apagar os gemidos e os toques de Jaehyun de sua mente.

Johnny e Jaehyun, tão diferentes e tão semelhantes ao mesmo tempo, confusos e inquietos, compartilhavam um mesmo pensamento antes de se renderem ao sono, as cabeças apoiadas em seus respectivos travesseiros macios: desejavam, secretamente, que aquilo acontecesse de novo.

Pois, embora errado para dois caras héteros em seus mundos repletos de garotas – fossem elas cis, trans, não importava –, o ocorrido fora excitante demais pra que pudessem mentir pra si mesmos.

Haviam sentido um tesão inestimável um pelo outro.

E dariam tudo por um repeat.


Notas Finais


e aí? gostaram? ficaram putos com o jaehyun? concordam que o johnny é muito gostoso e que rui watanabe é uma dEUSA??? (pra quem não sabe, ela é do grupo h.u.b que tá parado faz um tempo :/)

por favor, ignorem erros se ainda estiverem aí pois betei horrores ksjhfjsk e talvez algo tenha escapado. sobre as atualizações, quero avisar que não serão regulares. comecei a faculdade agora e embora as aulas estejam suspensas, já tô lotada de coisa pra fazer,,,,, mas cês não vão ficar sem ver a cara da fic por uns 6, 7 meses não. é possível que daqui a um ou dois meses eu volte com o segundo capítulo, que já tá iniciado e com o roteiro esquematizado na minha cabeça

qualquer coisa, cês podem falar comigo no meu tt, que é @clairdeyong. espero ver vocês lá,,,,,, AMO TODOSSSS. ATÉ A PRÓXIMA !!!


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