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História Migraine - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Olá! Eu sou a Jowoonie e vim trazer minha história Migraine para vocês, será uma shortfic com apenas quatro capítulos, espero que gostem da história! Boa leitura.

Capítulo 1 - 01


Fanfic / Fanfiction Migraine - Capítulo 1 - 01

Primavera de 1968


"Am I the only one I know


Waging my wars behind my face


and above my throat?


Shadows will scream that I'm alone"


Aquela segunda-feira foi como todas as outras para Park Chanyeol, o dia estava radiante, como o mesmo odiava.


  Chanyeol estava caminhando lentamente pelos corredores da grande universidade em que cursava psicologia, já fumando seu terceiro Winston daquela manhã. Apesar de todos o verem, só ele sabia o que as sombras gritavam no momento em que estava sozinho.


  Estava sempre com suas roupas coloridas, aparentando ser cheio de vida, esperançoso e feliz. Mas não estava tão bem quanto aparentava. Sua testa era como uma porta que segurava conteúdos e que faziam os conteúdos da caixa de Pandora parecerem não violentos. Era como uma besta se alimentando de árvores queimadas.


  As sextas eram seus melhores dias, festas, drogas, bebidas, um dia sem problemas. Diferentemente dos domingos, seus piores dias, sempre cinzas, depressivos, o dia em que as sombras se juntavam para o fazer companhia.


  Todos os domingos as 00:30 o mesmo levantava de sua cama, deixando as sombras para trás e vagava lentamente por seu quarteirão, sempre com o mesmo destino, um cemitério onde se encontrava com sua mãe, contigo carregava rosas negras, que conseguia com muito esforço já que elas tinham que ser importadas. Pois para si significava algo relacionado ao nascimento de alguém ruim, mistério, opressão, frieza e ameaça ao mundo. Tudo o que se considerava ser.


        _____________(✪)_____________


  Ao caminhar de forma descontraída, desviando das pessoas que caminhavam seguindo sua direção ou não no corredor da faculdade, avistou os fios avermelhados de Byun Baekhyun, junto ao seus amigo Kim Jongin e Do Kyungsoo. Continuou seguindo em direção a sua sala, parando apenas para acenar ao seu amigo.


  Chanyeol estava com uma enxaqueca e a dor parecia variar de cima, para baixo e para os lados, foi ao banheiro, jogou água em seu rosto e pegou comprimido que estava dentro de sua mochila logo o ingerindo. Resolveu que iria matar as primeiras aulas pois não seriam úteis para si, sentou-se no chão sujo do banheiro, tirando a seringa com a heroína, o líquido escuro em uma quantidade razoável, pegou o garrote elástico e amarrou em seu braço, esperando o tempo necessário, tirou a tampa protetora da agulha e injetou a droga. Estava perdido entre os efeitos até sentir a porta sendo aberta e um Baekhyun sorridente adentrando.


— Não sabia que Park Chanyeol usava drogas até mesmo na universidade. - Se dirigiu até a pia, enxaguando suas mãos.


  Chanyeol apenas sorriu de lado, odiava ser visto nos momentos em que não estava com consciência alguma, principalmente por Baekhyun.


— Você é tão descolado, por que não tem mais amigos além de Jongin? - Perguntou secando as mãos em seu jeans, logo se sentando ao lado de Chanyeol.


— Você não entenderia os meus motivos, criança. - Fechou os olhos, apoiando a cabeça na parede atrás de si que estava preenchida com várias coisas escritas.


— Entendo que está preso jogando seu jogo sozinho. - Respirou fundo fazendo o mesmo movimento. - Você deveria ter um dia para escapar, não? De toda dor que seu cérebro tem feito em você.


— Você não entende e você não me conhece.


Baekhyun abriu os olhos apoiando as mãos no chão, logo se levantando.


— O jogo não é jogado sozinho, Chanyeol - Se dirigiu até a porta, a abrindo lentamente, porém logo se virou para trás passando os olhos por Chanyeol por a última vez. — A vida tem um sutil tom esperançoso. - Disse e se retirou do local.


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  Chanyeol saiu do banheiro cambaleando, havia ficado no local pois simplesmente os efeitos pareciam ainda mais fortes naquele dia, com seu sorriso perdido, ficou por horas ali cheirando as fileiras de pó.


  Ao chegar no estacionamento da universidade, procurou sua moto, uma Harley Davidson 1960, daria sua vida por ela, era seu único bem material, o que a tornava ainda mais especial para si.


  Já tentando subir pela terceira vez em sua moto, desistiu, ficando de joelhos com as mãos em seu rosto sentindo a sonolência o consumir.


—Chanyeol?. - Byun chamou caminhando rapidamente até o de fios negros. — Porra garoto, você injetou quanto aqui? Você não tem medo de morrer?. - abaixou pegando os braços do mesmo — Olha só como você está, caralho Chanyeol. - Pegou um dos braços do maior, passando por seu pescoço. — Levanta, eu vou te levar para minha casa, não é tão longe daqui.


  Depois de minutos tentando levantar Park e mais outros minutos tentando o manter acordado até sua casa, Byun conseguiu chegar com segurança em sua residência. Mesmo sendo ateu, agradeceu a Deus por sua mãe não estar em casa. Levou Chanyeol até seu quarto, logo o jogando na cama de qualquer jeito, fechou a porta e a trancou.


  Se passaram três horas e Park já podia dar os primeiros sinais que estava prestes a despertar. Baekhyun havia adormecido no chão enquanto teclava em seu celular, desmarcando as festas que iria aquela noite.


Chanyeol acordou assustado, ainda estava no banheiro de sua universidade?


— A HARLEY - Levantou de supetão, gritando ao sentir apenas as chaves em sua jaqueta.


  Ao escutar o grito, Byun levantou rapidamente do chão, o olhando assustado.


— Quem é Harley? - Perguntou rapidamente em seguida.


Chanyeol era hétero?


— Minha moto, criança, você trouxe a moto, não é? - Segurou os ombros do menor, sentindo seu coração apertar só de pensar em não ter seu bem mais precioso consigo.


— Caralho garoto. - Gritou tirando as mãos de Park de onde estavam apoiadas. — Sua moto tá bem, todos da universidade sabem que ela é sua, acha mesmo que as pessoas iriam roubar a moto de um drogado? Estaria pedindo para morrer... - Murmurou a última frase.


— Nunca mais me chame de drogado - Sorriu de lado, passando as mãos por seu jeans conferindo se a cocaína ainda estaria ali. Sentiu seu corpo ficar mais aliviado ao saber da moto e que ninguém havia pego sua cocaína.


— Você mal estava conseguindo subir na moto, resolvi te trazer para minha casa antes que alguém tentasse algo contigo. - passou a mão por seus fios os jogando para trás, se sentando em sua cama, logo cruzando as pernas.


— Desde quando você se importa comigo, criança? - Sorriu sarcástico tirando um cigarro de seu bolso, o acendendo e colocando o em sua boca logo se virando para o de fios vermelhos lhe jogando uma piscadela.


— Você nunca me leva a sério? - Riu, puxando uma almofada. — Não faça barulho ou minha mãe escutará e isso daria problemas para mim.


— Sua mãe é algum tipo de psicopata? - Brincou, encostando seu corpo em uma das paredes do cômodo.


— Que? Não! - Disse com um certo espanto.


— Calma, você não sabe brincar, criança?. - Novamente seu riso sarcástico deu as caras apoiando uma das pernas na parede. — Ouvi dizer que você canta mas nunca o vi cursando música.


— Tenho meus motivos. - Cortou o assunto já podia sentir seus olhos marejarem e seu coração se despedaçar em pedaços.


— Triste. Estou liberado agora, doutor?. - Debochou se afastando de onde estava apoiado apontando para a maçaneta.


— Perdão. - Tirou a chave de seu bolso se dirigiu até a porta e a destrancou. — Apenas me siga. - Ditou e o mais alto concordou e seguiram em silêncio até a porta de saída de sua casa.


— Eu sei que você quer me contar criança, te espero na festa do Yixing. - Jogou o resto de seu cigarro no chão o esfregando com o solado dos coturnos negros e logo saiu correndo para onde sua moto estava.


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  Chanyeol estava a horas em frente ao seu espelho arrumando seus fios, já estava com sua blusa listrada, uma camisa branca por cima, calça vermelha e um tênis amarelo. Ao achar que estava satisfeito com a imagem refletida, pegou sua jaqueta de couro a jogou em seu ombro, logo colocando um cigarro que estava jogado por sua cama em sua boca e o acendendo.


  Não havia demorado muito tempo até chegar na enorme mansão de Yixing, as luzes coloridas, adolescentes bêbados deitados no gramado, a música 'I started a Joke' de Bee Gees já podia ser escutada a quarteirões.


  Estacionou sua moto no meio do gramado, sem se importar caso alguém achasse ruim jogou seu Winston na grama e o pisoteou, por sentir frio colocou sua jaqueta, cruzou os braços e encostou na sua Harley esperando por Jongin e Kyungsoo. Não demorou muito para que o casal chegasse, todos se cumprimentaram e entraram juntos na festa enquanto Jongin e Kyungsoo conversavam com seus amigos, Park foi até a cozinha no pequeno freezer havia um bilhete escrito "Não mexa", por isso abriu o freezer e tirou uma garrafa de cerveja.


— Não sabe ler?. - Baekhyun indagou se colocando atrás de Chanyeol.


— Sei sim e você? Sabe cuidar de sua vida?. - Revirou os olhos antes mesmo de olhar com quem estava falando, após se virar se deparou com um Byun, seus cabelos estavam mais vermelhos, seu delineado junto a uma sombra vermelha destacava seus olhos. Estava com roupas pretas com pequenos detalhes vermelhos, o mais novo se sentia encantando. — Caralho criança, retocou o cabelo? - Disse com o mesmo sorriso sarcástico de todos os dias, abriu a cerveja com seus dentes e logo se sentou no balcão que havia ali.


— Achei que estava muito morto, dei uma vida para ele. - Sorriu ao perceber que o mais alto reparava em si. Havia ficado horas em frente ao espelho se arrumando apenas para chamar sua atenção.


— Ficou bonito. - Deu de ombros colocando a garrafa em seus lábios.


— Podemos conversar? - Disse se aproximando, logo sentando ao seu lado.


— Se for sobre aquele assunto eu perdi a curiosidade, não precisa dizer nada. - Estendeu a garrafa para Baekhyun, seu olhar estava vago nas pessoas que dançavam extremamente juntas na sala de estar.


— Acho que a cocaína acaba com seus neurônios mais rápido que o normal - Sorriu levando o frasco até seus lábios. — Você não sabe conversar sobre coisas normais?


— O que seriam coisas normais? - Dessa vez seu olhar pareceu curioso.


— Por exemplo, sua música favorita, o que você gosta de fazer, sua comida favorita, quem são seus amigos.


— Não sei conversar sobre coisas normais. - Se levantou da pequena bancada. — Preciso ir criança, tenho um compromisso. - se colocou de frente a Byun, se inclinando e depositando um beijo quente em sua bochecha. — Até amanhã. - Se afastou indo em direção ao gramado, onde encontrava sua moto.


  Por um momento as sombras apareceram e tudo que diziam era verdade, ele estava sozinho, por que Baekhyun tentava se aproximar? Preferiu escutar suas sombras e ir para o único lugar que o deixava bem, onde sua mãe estava.


  Passou em casa antes de seguir até seu destino, guardou todo tipo de droga que havia em sua jaqueta e em sua calça de baixo de seu colchão pegou apenas uma caixa de cigarro, um isqueiro e as rosas. Seu pai já estava em casa, então precisou escutar algumas coisas como 'Você não deveria existir', 'Você matou sua mãe', 'Se mate antes que eu faça isso'.


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  Chegou ao cemitério completamente ofegante, costumava a ir caminhando calmamente mas hoje seria diferente, queria o colo de sua mãe o mais rápido possível.


  As lágrimas caíam em seu rosto, seu coração parecia querer parar, as sombras estavam sempre ao pé de seu ouvido dizendo as mesmas coisas, sem pensar duas vezes, deitou-se na lápide de sua mãe, sussurrado um 'Me leve por favor' e deixando as lágrimas caírem, sentir o gosto salgado em sua boca o lembrava que ainda estava vivo.


  Após alguns minutos encolhido, as lágrimas pararam de cair, seu coração estava quente e sua mente estava tranquila, as sombras haviam ido embora. Se levantou e deixou as rosas em sua lápide.


— Me perdoe por ter nascido, mãe


  Saiu de perto antes que sentisse mais vontade de ficar junto a sua mãe, adentrando um pouco mais o cemitério, encostou em uma árvore que havia ali, logo acendeu seu Winston, estava apenas aproveitando o silêncio de vozes, o barulho do vento que batia nada árvores, as corujas que estavam atentas a tudo em cima de algumas árvores. Mas foi interrompido quando percebeu uma mão se estendendo em sua direção.


— Tentando bancar de fantasminha camarada, criança? - Perguntou com seu sorriso sarcástico.


— Segura minha mão caralho. - Ditou e assim o mais novo fez, jogou o cigarro no chão e seguiu o mais velho.


  Ao andarem com dificuldade em meio a tantas árvores e escuridão, finalmente puderam parar, Baekhyun soltou a mão de Chanyeol e sorriu, o sorriso mais doce que Chanyeol já viu em sua vida.


  Em todos os anos Park nunca havia notado aquele lugar antes, foi como descobrir um novo mundo, uma árvore extremamente alta, nela havia uma pequena casa de madeira.


— Você construiu isso?. - perguntou incrédulo.


— Não... Foi meu pai. - Sorriu fraco. — Vem, entra, eu sei que você está curioso irei te contar.- disse, já correndo até às escadas que levavam a aquela pequena casa na árvore. E logo foi acompanhado por Chanyeol.


  Ao entrar parecia um conto de fadas, vários posters do grande astro do cinema Kirk Douglas, e até mesmo dos grandes cantores da banda Bee Gees, as almofadas coloridas, algumas fotos de Baek com seu pai e pelúcias. Chanyeol estava entrando no "quarto" em que sonhava ter.


  Baekhyun se sentou em cima de algumas almofadas, logo chamando Chanyeol, que não demorou e se sentou ao seu lado.


— Eu não gosto de motos. - disse esticando o braço até um retrato. — E eu não canto mais. - o pegou, logo passando o polegar no rosto de seu pai. — Meu pai era um herói para mim. - sorriu ladino, já com os olhos marejados. — Mas eu estraguei tudo... se ele não me levasse para minha aula de música, na porcaria da moto, quando estava chovendo, ele estaria aqui... - sentiu as lágrimas rolarem por suas bochechas e logo tratou de seca-las com as costas das mãos. — Ele era a única pessoa que eu tinha, minha mãe teve depressão pós parto e nem sequer olhava na minha cara, e meu pai estava sempre lá, por mim, para mim. - Sorriu fraco, devolvendo o retrato ao lugar. — Você lembra meu pai, Chanyeol. Você apaixonado por sua moto, está sempre observando a chuva e você é forte, eu quero estar ao seu lado...


— Você não sabe o que tem por trás do meu olhar, criança. - riu, se arrastando para perto de Baekhyun. — Você é forte criança, eu posso ver as ilhas atrás dos teus olhos, são cheias de afeto e bondade. - levou uma de suas mãos até o rosto de Byun, acariciando sua bochecha. — Você é bom de mais para mim criança, não se apaixone por mim, eu só te daria problemas. - disse tirando a mão de sua bochecha, a levando até sua nuca. — Você não vai querer ter alguém como eu ao seu lado, espero que entenda. - sorriu ladino, já chegando seus lábios perto das bochechas rosadas de Baekhyun, fechou os olhos lentamente e logo depositou um beijo ali. Um beijo lento, quente, cheio de carinho e amor.


— Por que não me deixa ver suas ilhas?. - Se afastou com uma expressão confusa.


— Você ainda é uma criança. - voltou a mesma posição em que estava antes.


— Caralho Chanyeol, eu sou mais velho que você, por que você nunca me chama pelo nome? Por que você nunca deixa que eu me aproxime de você? Você me trata como se eu fosse literalmente uma criança! Você me faz de trouxa, sempre me dando beijos na bochecha, porra, nós estamos em 1968, você vai esperar o que para explicar uma única coisa? Você acha mesmo que estaremos vivos em 2020 para explicar a porcaria de uma simples palavra? Eu faço de tudo para ficar perto de você, e você só me usa como um brinquedo, você se aproveita que eu não sou forte, que eu não escondo as coisas e me abro fácil e apenas me usa. Eu estou cansando, Park Chanyeol. - após gritar tudo o que estava sentindo e pensando a semanas, Baekhyun saiu da pequena casa na árvore com pressa, desceu as escadas e correu para sua casa, estava segurando as lágrimas a cada palavra que havia dito e as soltou em meio ao caminho, seu coração parecia estar quebrado em mil pedaços e o causador disso, seria Park Chanyeol.


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  Chanyeol voltou para casa apenas no dia seguinte, queria ficar longe de seu pai e as sombras ainda não sabiam da casa na árvore, não teriam como acha-lo. Ao chegar em casa correu para o banheiro, fez suas higienes rapidamente, vestiu uma calça preta com linhas das cores verde, amarelo e vermelho aos lados, colocou uma blusa de quebra cabeças e uma faixa preta e azul em sua cabeça. Pegou uma quantidade de heroína que precisava para aguentar passar o dia, jogou sua jaqueta de couro em seu ombro, acendeu seu Winston, e logo estava a caminho da universidade com sua Harley.


  Ao estacionar procurou Baekhyun, passando os olhos por todos os alunos que estavam ali fora. Sentiu que precisava levar o mesmo a um lugar para se redimir.


  Jogou seu Winston na lixeira mais próxima, vestiu sua jaqueta e caminhou até sua sala. Desta vez não havia encontrando Jongin, será que terá avaliação para a turma de direito, Chanyeol pensou.


  Depois de semanas prestou atenção em duas aulas, Chanyeol iria se formar no inverno de 1968, seria seu último ano cursando psicologia.


  Resolveu que não passaria de duas aulas, se retirou da sala e foi ao bloco de direito, procurar Byun. Passou por cada sala, olhando cada cabeça na esperança de ver algum cabelo vermelho. Ao passar algumas horas procurando, optou por ficar no mesmo banheiro de sempre. Sentou-se no chão que hoje estava limpo, tirou o primeiro frasco de heroína de sua mochila e injetou em si.


  Seria calúnia dizer que Chanyeol não estava esperando por Baekhyun, estava a todo instante olhando para a porta, na esperança que ela se abrisse e aquele lindo sorriso iluminasse o local. Mas desta vez, até os últimos minutos de aula, Baekhyun não se dirigiu até lá. Decepcionado, Chanyeol saiu do banheiro, desta vez havia injetado apenas duas doses de sua droga favorita, não queria encontrar Byun como da última vez. Saiu do banheiro tentando disfarçar que não estava dentro de si, ao olhar pela porta de vidro, jurou ter visto Baekhyun saindo por ela.


  Correu o mais rápido possível e decepcionou ao notar que não passava de uma alucinação.


  Desta vez não subiu em sua moto, nem ao menos tentou, foi a empurrando até sua casa.


  Após horas deitado em sua cama, escutando Hey Jude, dos Beatles pensou que Baekhyun poderia estar apenas em um lugar e pediu a qualquer santidade que existisse para que ele estivesse lá.


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  Chanyeol pegou sua moto e foi rapidamente em direção ao cemitério, deixou a mesma parada ao lado da lápide da sua mãe, sussurrando um "Não deixe ninguém roubar". Correu até a casa na árvore, acabou se perdendo por um momento, pois o local a noite parecia completamente diferente.


Respirou aliviado ao achar alguns minutos depois, subiu as pequenas escadas rapidamente, logo adentrando o local e dando de cara com um Baekhyun deitado em meio as almofadas coloridas, seu rosto estava inchado, e seus cabelos estavam caídos sobre seus olhos, estava com um moletom cinza, encolhido, o tempo estava frio.


  Chanyeol foi até o mais velho, tirou sua jaqueta, e a jogou em cima do mesmo, seria uma tentativa de diminuir o frio que Byun aparentava ter.


Deitou-se a sua frente, passando os braços por sua cintura e o olhando, Chanyeol sabia que Baekhyun sofreria ao teu lado, sendo amigo ou namorado, ninguém aguentaria passar algum tempo com seus problemas e suas ilhas de violência por trás de teus olhos.


Colocou sua mão no cabelo de Baekhyun, afagando o local. Infelizmente não durou muito pois Byun estava começando a acordar, ao abrir por completo os olhos e percebeu quem estava ali, tirou as mãos de Chanyeol de si, logo se sentando.


— O que você quer garoto?. - perguntou passando as mãos por seus fios, os levando para trás.


— Vamos ao Drive-In hoje, criança.


— Quem disse que eu vou?


— Eu, vamos.


— Mas eu estou de moletom. - Disse formando um bico em seus lábios.


— Você fica lindo de qualquer jeito, criança, vem. - Sorriu simpático, seria a primeira vez em que Chanyeol não era sarcástico com Baekhyun. Isso deu uma certa felicidade no peito do mais velho que logo segurou sua mão.


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  Seguiram em silêncio até a casa de Chanyeol, Baekhyun se recusou a subir na moto de todo jeito, o que resultou em um Chanyeol tendo que empurrar a moto enquanto caminhavam.
Precisavam ir a casa de Park pois o Drive-In só estava aceitando carros. Então Chanyeol só via uma solução. Roubar o carro de seu pai.


— Pai, trouxe um amigo para um trabalho da faculdade. - gritou e obteve um "Tudo bem" como resposta. Seu pai fingia ser um bom responsável quando haviam visitas.


— Certo, finja estar interessado em qualquer coisa, apenas distraia ele. - Sussurrou indo até seu quarto, pegou alguns cobertores e colocou dentro de uma mochila que não usava a décadas.


  Baekhyun seguiu até a cozinha, onde Sr.Park estava, começou a distrai-lo perguntando sobre a refeição que estava fazendo, de algum modo, achou estranho estar fazendo apenas uma porção de alimento.


  Chanyeol foi ao porta-chaves com passos lentos, estava tudo saindo perfeitamente, ao chegar no destino, pegou as chaves do Cadillac Eldorado 1959 e saiu com o mesmo cuidado.


  Entrou em seu quarto, descarregou todo tipo de droga que havia em sua jaqueta, está noite ele não precisaria de nada para o manter vivo. Vestiu a sua jaqueta de couro novamente, logo colocando as chaves dentro de um bolso, se perguntou se aquele bolso ainda estava furado como há um ano atrás mas preferiu confiar em seu insistindo. Colocou a mochila nas costas e saiu de seu quarto, encontrando seu pai e Baekhyun sentados no sofá, conversando.


— Vamos, criança? Peguei tudo. - disse sério, sabia que seu pai estava apenas atuando fingindo ser um bom pai.


— Vamos, tchau senhor Park, espero que possamos nos ver novamente. - sorriu docemente, logo se levantando e se curvando.


  Baekhyun estava atrás de Chanyeol, que acenou para seu pai e logo ouve um barulho de algo caindo no chão, Byun já desconfiava do que poderia ser e ao conferir, tomou certeza.


— O que foi isso, filho? - Perguntou se virando em direção a Chanyeol.


O coração do mais novo chegou a errar as batidas, sabia que provavelmente seria a chave.


— Uh, nada não, só as chaves de casa, não tenho hora para voltar, adeus. - Disse enquanto se abaixava para pegar as chaves.


  Agiu rapidamente, correu até a garagem, e logo ligou o carro, daria tudo certo se o portão não estivesse emperrado, o barulho foi enorme, o que fez o pai de Chanyeol correr até a garagem. Quando chegou no local, Chanyeol já estava longe.


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  Chegaram ao Drive-In, passaria um filme de comédia, o que animou Baekhyun. Haviam poucos carros no local, por isso Chanyeol estacionou o Cadillac vermelho em meio ao gramado.


— Seu pai é divertido. - disse enquanto tirava os cobertores da mochila e os esticava na parte de trás do carro.


— Você não sabe de nada, criança. - Tirou a chave, a guardando em um bolso em que tinha certeza que não estava furado. Logo se sentando ao lado de Baekhyun.


— Esqueci, eu nunca sei de nada. - Revirou os olhos enquanto deitava sua cabeça ao colo de Chanyeol.


  Nada fizeram após as últimas palavras de Baekhyun, Chanyeol se sentiu culpado por não o contar o porque de sempre chamar Baekhyun de criança e por nunca contar o que acontece dentro de si. Mas seria melhor assim, deixaria Baekhyun achar que o chamava de criança por conta do tamanho e que sua vida era desinteressante o suficiente para não contar a ninguém.


  E assim seguiram a noite, Byun com a cabeça no colo de Park, recebendo carinho em seus cabelos enquanto soltava risadas gostosas em partes do filme.


Seria um dia que Chanyeol nunca se esqueceria.


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  O filme havia acabado, já estava tarde e o medo da surra que iria levar do pai ao chegar em casa aumentava a cada quilômetro que o carro atingia.


— Irei dormir na sua casa. - Baekhyun disse quebrando o silêncio.


— Tudo bem, criança. - sentiu suas mãos pararem de tremer, agradeceu a qualquer deus ou forças malignas por Byun ter dito isso, seu pai continuaria atuando.


  O caminho seguiu em silêncio, ao chegarem em casa, Chanyeol abriu o portão com cuidado, o que foi desnecessário, pois fez o mesmo barulho, guardou o Cadillac 59, tirou a mochila de dentro e entrou em casa, por sorte, seu pai já estava adormecendo.


— Quer tomar um banho, criança?. - perguntou enquanto tirava um de seus moletons velhos. — Toma, se quiser apenas trocar de roupa. - esticou as peças de roupa.


— Só irei me trocar mesmo, obrigado. - pegou a roupa, seguindo até o cômodo.


  Ao entrar no pequeno banheiro, trancou a porta, trocou de roupa rapidamente, dobrando seu moletom e o colocando sobre a pia, notou que havia uma pequena caixa, sua curiosidade gritou mais alto, o fazendo a pegar e olhar o que tinha dentro.


  Haviam tantos antidepressivos que chegava a ser preocupante, os nomes e os horários escritos em cada frasco estava dando nós em sua mente.


Citalopram - 08:30 AM, Fluoxetina - 16:30 PM, Nefazodona - 00:30, entre outros.


  Baekhyun chegou a entrar em desespero, o que está acontecendo com Chanyeol?, Era o que não saia de sua mente.


— Você terá que dormir comigo. - Disse trancando a porta, Baekhyun correu para o lado onde a cama estava encostada na parede e se deitou, logo se cobrindo. Chanyeol desligou as luzes e deitou-se ao lado de Byun. — Boa noite, criança. - passou os braços pela cintura de Baekhyun, o puxando para perto.


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  Baekhyun saiu da residência de Chanyeol cedo, vestiu seu moletom, se despediu do mais velho com um beijo em sua bochecha e seguiu para sua casa, não se importava com sua mãe pois estava ciente que ela não faria questão de se preocupar consigo.


  Chanyeol havia voltado a dormir, sabia que seu pai havia saído mais cedo para o trabalho e hoje seria um dia tranquilo, finalmente, sexta-feira.


  Levantou as 08:30 AM para se arrumar, decidiu que iria ficar todas as aulas hoje, tomou seu antidepressivo e sentiu as sombras irem embora.


Pegou sua Harley Davidson e seguiu até a universidade.


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— Caralho, que dor de cabeça. - Chanyeol disse, apoiando sua cabeça em suas mãos.


— Não usou nada hoje, cara?. - Jongin perguntou bagunçando seus cabelos.


— Não é falta de drogas, seu tapado. - levantou seu rosto, avistando Baekhyun e Kyungsoo vindo em direção, com seus sorrisos radiantes.


— Bom dia. - disseram em uníssono, obtendo resposta apenas de Jongin.


— O que aconteceu, Park?. - Byun perguntou, já estava preocupado o bastante desde a noite anterior com o mais novo.


— Dor de cabeça. - respondeu rapidamente, dando-lhe um sorriso pequeno e totalmente forçado.


— Todo dia isso? Isso não representa nada?. - perguntou apoiando seus braços em sua cintura.


— Criança, irei te dizer o que minha dor de cabeça representa, sou eu me defendendo em expectativa, estou esperando um teste de defesa, sendo tratado por um examinador totalmente cruel, e ele é meu deprimente pensamento. - levou seus lábios até a orelha de Baekhyun, dizendo cada palavra lentamente, para que ficasse marcado em sua mente. Poderia ter sido um pedido de ajuda.


  Ficaram mais alguns minutos conversando sobre coisas aleatórias do cotidiano, como a nova música dos Bee Gees estava estourando nas discotecas e como queriam ter um Aero-Willys.


— Terá uma discoteca perto da casa de Jongin-ah hoje a noite, vamos?. - Kyungsoo chamou.


— Sexta são meus dias de sorte, estarei lá. - Chanyeol respondeu se retirando do círculo em que estavam. — Tenho que ir, tenho uma avaliação. - acenou, recebendo sorrisos e acenos como resposta.


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  O tempo passou rapidamente para Chanyeol, tudo estava sendo perfeito, como todas suas sextas, saiu da faculdade rapidamente, subiu com um sorriso de orelha a orelha em sua moto.


  Ao chegar em casa tomou um banho demorado, colocou sua blusa dos Bee Gees por dentro de sua calça social rosa, vestiu seu blazer rosa e o tênis preto com detalhes rosa. Passou muito perfume pois sabia que Baekhyun estaria lá, bagunçou seu cabelo, o deixando solto. Juntou toda sua heroína e guardou em seu bolso, pegou sua Harley Davidson 60 e saiu para mais uma sexta interminável.


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  Chegou ao local e aparentava estar cheio, o letreiro extremamente colorido avisando que ali seria a discoteca, a fila de pessoas entrando, alguns adolescentes com suas faixas hippies totalmente chapados, Chanyeol estava em êxtase.


  Estacionou sua moto em um lugar tanto quanto escondido para não ocorrer perigo de esquecer onde teria estacionado mais cedo, ao descer injetou uma dose de heroína e logo se juntou a fila para adentrar o lugar.


  Jongin, Kyungsoo e Baekhyun não demoraram para chegar e se juntarem a Chanyeol. Jongin e Kyungsoo já estavam completamente bêbados, dançando juntos na grande pista de dança, enquanto Chanyeol estava injetando a sexta dose de heroína em sua veia. Baekhyun decidiu não beber pois queria ficar de olho em Chanyeol, queria ter certeza que não faria nada e que não acabasse em brigas.


— Qual é a graça de ficar injetando isso?. - perguntou um tanto alto, pois a música estava extremamente alta.


  Chanyeol apenas sorriu para Baekhyun, todas as luzes, as bebidas, as drogas jogadas nas pequenas mesas que haviam, as luzes coloridas girando de um lado para o outro, as pessoas gritando a letra das músicas, tudo estava distraindo Chanyeol.


  Hoje seria mais uma sexta em que ele não se lembraria que estava vivo, que as sombras estavam atrás dele como loucos, que poderia se drogar o quanto quiser pois estaria livre para ver o que quiser.


— Caralho Chanyeol, me responde. - Gritou batendo a mão com força na mesinha.


— Se você está tão curioso criança, experiente. - Estendeu a agulha com heroína para Baekhyun.


— Porra garoto, você não tem juízo? Para que você faz isso? Você tem problemas mentais?. - Esbravejou, puxando seu braço, o levando para o lado de fora, tentando fugir de todo barulho e qualquer tipo de droga. — É assim que você se diverte? Não consegue passar um dia se quer sem se drogar?. - soltou seu braço quando já estavam em um local calmo.


— As sombras não me enchem o saco assim criança, ela ficam com medo de mim. - disse rindo, após apoiar seu braço no pescoço de Byun.


— Sempre jogando essa desculpa barata de sombras, você não cansa? Fique aqui, irei buscar sua moto e nós iremos de pé até sua casa.


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  A sexta havia terminado bem, Baekhyun empurrou a moto de Chanyeol até sua casa, pegou a chave em seu blazer e o deixou deitado em sua cama.


  Byun ficou um tanto decepcionado, Chanyeol estava tão lindo naquela noite, tudo que queria seria aproveitar a noite ao seu lado.


  O sábado se passou tranquilamente, Chanyeol não saiu de seu quarto durante todo o dia, como sempre, tomou seus antidepressivos e vários remédios para sua dor de cabeça interminável. Baekhyun pensou em ir a casa de Chanyeol ver como estava, e acabou optando por deixá-lo em seu momento.


  E infelizmente, o domingo chegou, trazendo consigo toda depressão de Chanyeol. Se drogou por todo o dia, chorou e para completar seu pai passou todo o dia dizendo o quanto o mesmo era inútil e o quanto ele deveria morrer.


  A noite havia chegado e a insônia se fez presente, Chanyeol estava deitado de bruços em sua cama, contando carneirinhos, porém foi atrapalhado, as sombras estavam lá, ele sabia que elas estavam lá, sussurrando as mesmas coisas. Olhou o relógio e eram 00:30. Hora de ir ver a mamãe, pensou.




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