História Migraine - Capítulo 9


Escrita por:

Postado
Categorias 5 Seconds Of Summer, One Direction, Twenty One Pilots
Personagens Ashton Irwin, Calum Hood, Harry Styles, Josh Dun, Liam Payne, Louis Tomlinson, Luke Hemmings, Michael Clifford, Niall Horan, Tyler Joseph, Zayn Malik
Tags Charterhouse, Durkheim, Harry Styles, Louis Tomlinson, Migraine, Twenty One Pilots, Zoella
Visualizações 50
Palavras 4.275
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


▪️Me perdoem pela demora :( Dessa vez eu perdi todos os meus capítulos já escritos e tive que reescrever + o fato de que eu tinha muita coisa do trabalho pra fazer e da faculdade também! Não estava tendo tempo para escrever o capítulo e muito menos pra postar :(

▪️Me perdoem também por esse capítulo, não ficou 100% com eu queria, mas ok :/

▪️Espero que vocês ainda estejam aqui!

Capítulo 9 - VII. Luke Hemmings


 

Capítulo VII - Luke Hemmings

 

Z O E L L A

 

Manter os olhos abertos durante as aulas me parecia cada vez mais complicado. Tudo o que passava pela minha cabeça era que eu estava sendo vigiada e que Ashton me odiava. Minha cabeça pesava uma tonelada e a voz calma da professora  Kristie não me ajudava em nada, só fazia com que minha cabeça doesse mais. 

 

— Zoella, acho que você deveria pelo menos se dar ao trabalho de copiar o que está escrito na lousa. — Ela batia o indicador na folha em branco de meu caderno, me olhando com reprovação. 

— Me desculpe... — Murmurei, buscando uma caneta em meu estojo. 

O barulho do sinal que indicava o fim da aula me sobressaltou por apenas um segundo, me fazendo bufar logo em seguida. Sorri amarelo para a Srta. Kristie, vendo-a se afastar de minha carteira. Percebi Ash me fitando do outro lado da sala, com aquele mesmo olhar de reprovação que a professora me lançara segundos atrás. Será que ele esperava por alguma atitude minha? 

Desviei meus olhos dele e acabei percebendo Violeta em uma conversa muito animada com Louis, assim como Pandora, na outra fileira, que tentava insistentemente fazer uma trança em seu cabelo. Ela dividia-o em três partes iguais, trançava perfeitamente as três e bufava em seguida. Por fim, ela desmanchava tudo e voltava ao início. Não sei exatamente o que ela considerava perfeição, mas do meu ponto de vista Dora já havia superado essa categoria com todas as tranças que havia feito.

Me contentei em encarar meu caderno em branco enquanto esperava a próxima aula, já que era realmente terrível a distribuição dos lugares naquela sala e ninguém se sentava perto de amigos declaradamente próximos. Segundo os professores, não deveriam existir as "panelinhas." 

— Bom dia, crianças. — Uma voz, com um sotaque diferente nos saudou, me fazendo levantar a cabeça.

Só então eu me dei conta de que aquele horário seria o da aula do Sr. Payne. Todos os alunos da classe pareceram ter essa mesma percepção, e se calaram imediatamente. A morte dele agora era muito real, tanto que chegava a assustar. 

A voz diferente era de nosso novo professor de sociologia. Era um garoto, não chegava aos vinte e cinco anos. Seus cabelos eram loiros e os olhos muito azuis, cercados por pequenas bolsas arroxeadas. Ele era muito alto e magro, mas tinha os ombros largos. Poderia ser confundido facilmente com qualquer aluno de CharterHouse, especialmente se resolvesse se livrar da barba rala e loira.

Pude sentir na atmosfera da sala o que todas as pessoas do sexo feminino estavam pensando: que homem maravilhoso. Ele era, de fato, lindo. E sua voz grave fez com que todos, e principalmente todas, ficassem ainda mais quietos.

— Meu nome é Luke Hemmings e eu serei seu novo professor de sociologia. — Ele suspirou, apoiando sua maleta na cadeira. — Eu sei bem que o que aconteceu foi horrível, e não quero que vocês se preocupem com isso. A polícia está aqui e vai dar um jeito em tudo. 

Como todos continuaram em silêncio, Luke concluiu que já deveria começar sua aula, sem muitas enrolações. 

— Que homem é esse? — Li os lábios de Violeta, que exclamavam as palavras sem som. Ela tinha um sorriso sacana no rosto e, por um segundo, desviei meus olhos dela e esbarrei-os em Louis, que parecia petrificado. Talvez ele também estivesse apaixonado. 

Apenas sorri para Vee, balançando negativamente a cabeça, enquanto o Sr. Hemmings fazia algumas anotações no quadro negro. Todos pareceram muito confortáveis alguns segundos após o início da aula, com exceção de Louis, voltando aos murmúrios de rotina e respirando normalmente. 

Eu, por outro lado, me vi presa ao que o novo professor havia falado. A polícia está aqui e vai dar um jeito em tudo. Mas, onde a polícia estava quando a tal garota foi morta? Ou, talvez, quando ela tenha resolvido se matar? 

Tudo era confuso demais naquele ponto, as mortes, o nome no corpo de Tracy, os bilhetes que encontrei. Não conseguia enxergar uma ligação entre tudo aquilo, mas me parecia óbvio que ela existia. Alguém estava tentando nos dar um recado e nós não estávamos entendendo.

 

[...]

 

Decidi que precisava ficar sozinha após as aulas e apenas fugi das vistas de meus amigos. Não estava com humor para conversar e para nenhuma outra coisa. Ashton havia me irritado sem ao menos ter feito nada. 

 

— Então é aqui que a garota mais bonita do colégio se esconde... — Sorri, reconhecendo a voz de Theo.

Eu estava em meu esconderijo, embaixo da escada, sentada de olhos fechados. 

— Oi, Theo. — Me virei em sua direção, agora com olhos bem abertos. 

— O que você faz aqui? — Ele se aproximou, me examinando.

— Na verdade, eu só precisava de um minuto sozinha. — Dei de ombros. A companhia dele me parecia boa naquele momento.

— Nossa! Estou atrapalhando, então... — Theo arregalou os olhos, envergonhado.

— Não, tudo bem. — Sorri, abrindo espaço para que ele se sentasse próximo a mim. — Senta aqui. 

— Tem certeza? 

— Está tudo bem, Theo. Já fiquei sozinha por tempo suficiente. — Sorri para ele, que veio até mim após hesitar por mais um segundo. 

— Se você diz... — Theo sorriu, se sentando. — Mas então, no que você estava pensando?

— Em tudo. — Dei de ombros. — Nessa loucura que está acontecendo aqui.

— Você quer dizer... nas mortes? — Theo arqueou uma de suas sobrancelhas.

— Sim. — Suspirei. — Nas mortes, nesses policiais que ficam por aqui o tempo inteiro mas não veem nada, nas minhas amigas...

— Você está preocupada com elas? — Ele sorriu. 

— Estou preocupada com todo mundo, Theo! — Sorri para ele. — Você também deveria se preocupar! 

Theo sorriu novamente, mas agora de uma maneira diferente. Ele não me parecia nada amedrontado, o que me causava uma certa inveja. 

— Acho que não temos com o que nos preocupar... — Ele piscou para mim, se levantando. — E imagino que já te incomodei demais, vou voltar ao meu quarto!

Theo deixou um beijo em minha bochecha e sumiu pelas escadas. Precisava admitir a mim mesma que aquele comportamento era no mínimo estranho, e que talvez  Theo tenha percebido algo que ninguém mais percebeu. 

 

— O que você faz aqui, mocinha? — Dei um pulo com o susto, me virando para olhar o que deveria ser um policial. 

— Queria ficar tranquila, mocinho. — Sorri para ele. 

— Sugiro que você fique tranquila em lugares mais movimentados, para o seu próprio bem. — O homem me encarou com seriedade, me fazendo bufar. 

Por incrível que pareça, aquela era a primeira vez que um policial me encontrava. Eu estava sempre por aí, em lugares que não deveria estar e eles nunca me viam. Nunca nos encontrávamos. Estava sériamente duvidando da capacidade daquele tal delegado em resolver problemas.

— Vamos, ainda estou pedindo. 

Me levantei contrariada, seguindo em direção às áreas sociais do colégio, sempre cheias de gente. Eu não estava com animo para isso. 

— Muito obrigada pela sua compreensão! — Ouvi o policial exclamando, ao longe. Idiota.

 

Continuei andando por aí, sem rumo e sem objetivos. Estava apenas sendo aquele barquinho, que navega em busca de alguma coisa, ainda que nas águas mais calmas.  

 

— Porra, Luke! — Uma voz masculina chamou-me a atenção, ainda mais por conter um sotaque muito familiar. 

Resolvi ir até o som, já que alguém estava xingando o novo professor de sociologia em seu primeiro dia de trabalho. 

— Cara, você têm que relaxar! — O professor respondeu e eu continuei me aproximando, até estar espiando por uma fresta da porta aberta. 

— Eu não tenho como relaxar com você aqui! — O outro estava muito nervoso, e eu não conseguia enxergar quem era ele pelo ângulo em que me encontrava. 

— Você não achou que conseguiria fazer tudo sozinho, não é? — Luke debochava do outro. Será que ele já havia dado aulas para o outro garoto antes? 

— Eu só não quero que mais ninguém se machuque por minha causa... 

— E, para o seu azar, além de ser o seu melhor amigo, eu também estou em treinamento. — Vi o sorriso vitorioso no rosto do sr. Hemmings e imaginei a frustração do outro garoto. — Agora sugiro que você vá embora, ninguém tem dúvida nenhuma no primeiro dia de aula, garoto. 

Ouvi o outro garoto bufar e me sobressaltei, dando um pulo para longe da porta. Pensei em sair correndo, mas queria mesmo ver quem é que estava conversando com o sr. Hemmings. Demorei tanto para pensar no que fazer que acabei tendo que fingir que estava apenas passando quando a porta se abriu e revelou quem eu menos esperava. 

— Ei, Zoe! — O garoto me chamou, fazendo meu coração quase parar.

— Louis! — Me virei para encara-lo, disfarçando ao máximo a surpresa que eu estava sentindo. 

— Você está fazendo alguma coisa importante? 

— Apenas andando... — Dei de ombros. — um policial me expulsou do lugar em que eu estava. 

— Que grosseria, não?! — Ele zombou de mim.

Encarei-o em silêncio, com um milhão de perguntas em minha cabeça. Me senti extremamente idiota por não ter reconhecido seu tom de voz, era realmente inconfundível. Ainda mais por conta do sotaque. 

— Pois é. — Ri suavemente, apenas para não parecer tão estranha.

— Bom, o que você acha de me mostrar algumas coisas aqui dentro dessa escola? — Ele arqueou uma sobrancelha. — A Violeta não conseguiu me mostrar quase nada diferente do que todo mundo conhece. Acho que você conhece umas coisas mais interessantes.

Sorri para ele, concordando. Talvez eu conseguisse alguma informação sobre o que estava acontecendo entre ele e Luke Hemmings. 

 

[...]

 

— Essa porta, como você já deve saber, é onde fica o Porão. Acho que a Vee também te contou que o da OldHouse era mil vezes melhor, mas aos poucos estamos adaptando esse também. 

Continuei andando, mas percebi que Louis havia parado, então me voltei para ele.

— O que foi? 

— A Vio não me mostrou nenhum Porão. — Ele deu de ombros, vindo até mim.

— Bom, então você precisa conhecê-lo. — Guiei Louis de volta a grande porta barulhenta do nosso Porão.

Percebi que ele absorvia cada detalhe do lugar, enquanto descíamos as escadas. Era verdade, ele não me parecia nada impressionado. 

— Me parece muito confortável, tipo, dá pra se sentir em casa. Não é como se estivéssemos dentro do colégio. 

— Sim! — Concordei, sorrindo. 

Um segundo depois, fui tomada por uma dor horrível. A dor de não me lembrar como era se sentir em casa. Eu não me lembrava do cheiro, do barulho, das vozes. Era exatamente esse o maior problema: eu quase não me lembrava de minha família. Se eu parasse realmente para pensar no assunto, conseguia me dar conta disso. Acho que a única imagem que eu via perfeitamente em minha cabeça era a de minha irmã, Zora. O resto era como se alguém estivesse me contando uma história e eu estivesse imaginando como eram os personagens, como suas vozes soavam... 

Parecia fazer bem mais de um ano que eu não os via ou conversava com algum deles. Meus pais não se davam ao trabalho de me ligar, apenas mandavam cartas. Eu não conhecia mais suas vozes.

— Ei, você está bem? — Louis parecia estar me chacoalhando. 

— Ãhn, é... sim. — Suspirei, secando meus olhos.

— Por que você está chorando? — Ele me puxou para si, tentando me acalmar.

— Eu não me lembro deles, Louis. — Sussurrei, tentando segurar as lágrimas. — Eu não me lembro dos meus pais, do cheiro da minha casa, das vozes deles... é como se eles nem existissem mais...

— Faz quanto tempo que você não os vê? — Perguntou, afagando meu cabelo.

— Não sei. Nós temos uma semana por ano para sair e encontrar nossos pais, mas não me lembro de ter saído daqui no ano passado. 

Me deixei afundar nos braços de Louis, absorvendo mais essa dor. Ouvi a porta do Porão se abrindo, mas não me dei ao luxo de me mover. 

— Olha só! Agora acho que entendi toda aquela ceninha de hoje cedo!

Afastei-me de Louis como se ele tivesse me dado um choque. Sequei disfarçadamente meu rosto, que já deveria estar avermelhado. 

— Não te devo satisfações mas não é nada disso que você está pensando. — Respondi.

— Bom, acho que eu deveria... — Louis começou. 

— Não sei porque ainda está aqui, Austin. — Ash o cortou, sem tirar seus olhos de mim.  

— Não o trate dessa maneira, Ashton. Ele tem o direito de estar aqui, assim como você. 

— Tudo bem, Zoe. Acho que vocês precisam conversar. — Louis disse simplesmente antes de sair. 

— O que há com você? — Me aproximei de Ash, irritada. Ele passara a manhã inteira me encarando como se nem estivesse me vendo. 

— Você.— Ele suspirou. — Meu único e maior problema. 

Encarei-o supresa, tentando controlar o ritmo acelerado de meu coração. Por que ele tinha sempre de agir assim? 

— Não estou te entendendo.

— Está sim, Durk. — Eu amava odiar aquele apelido idiota. Amava vê-lo pronunciando-o. — Você sabe do que eu estou falando. De nós. De como eu estou me sentindo aterrorizado com a ideia de um maluco te matar de repente e essa nossa história toda ser realmente só uma história. Percebi que para mim, é mais que isso. 

Ashton estava incrivelmente próximo de mim, esticando as mãos para me puxar pela cintura. Era muito difícil resistir a isso.

— Não existe nós, Fletcher. Você sabe disso. — Respirei fundo, sentindo que ele se aproximava mais ainda de meu rosto. 

— Se não existe um "nós", por que você ainda está aqui? — Ele sorriu antes de me beijar. Ash sabia que eu resistiria com todas as forças e pensava que aquele beijo mudaria as coisas. 

Posso confessar que aproveitei cada segundo daquele beijo. Senti seu toque macio em minha cintura, depois em meu rosto. Enrosquei meus dedos em seus cabelos enrolados. Senti que seu coração batia tão acelerado quanto o meu. Deixei que meu corpo se derretesse nos braços de Ash e prometi para mim que essa seria a última vez. Não me permitiria gostar de mais ninguém na porcaria da minha vida. Até onde eu sabia, todo mundo me abandonaria em algum ponto e eu apenas ficaria sozinha, tentando me lembrar do que um dia havia sido. De como era bom estar completa. 

E minha família odiava a família dele. 

 Me afastei, retomando o fôlego. Vi um sorriso brotando em seus lábios e me odiei pelo que faria a seguir. 

— Não temos nada e nunca vamos ter, Ashton. — Disse, vendo seu sorriso sumir. — É só história.

— Como é? — Seu tom já estava completamente diferente. — E que porra de beijo foi esse?

— Quem me beijou foi você, eu só aproveitei. — Dei de ombros. — E essa foi a última vez. 

— Você é inacreditável, Zoella! — Ele gritou. — Não sei que porra eu estava pensando quando resolvi te procurar. Melhor dizendo, quando resolvi me apaixonar por você. 

Arregalei meus olhos ao ouvir aquilo. Eu sabia que tínhamos um tipo de atração, mas jamais havia entendido dessa maneira, apesar de todos os sinais. Apesar de ele estar gritando tudo aquilo. Que porra eu estava pensando? 

— Ash, se acalma... — Tentei me aproximar, mas ele me afastou. 

— Não, está tudo bem! — Eu reconhecia seu tom irônico. — Foda-se você e toda essa merda! Vai ser mais fácil aguentar tudo isso se minha única preocupação for comigo mesmo. 

— Eu não... — Tentei falar, mas não consegui. Ao invés disso, me segurei para não chorar na frente dele.

Ashton saiu do Porão praticamente correndo, parecendo estar roxo de tanta raiva. 

— Porra, Zoella! — Gritei, me sentindo uma grande idiota. — O que eu estou fazendo? 

Me sentei no chão gelado do Porão, deixando minhas lágrimas escorrerem livremente. 

 

 

 

— Boa noite, Zoe. — Max sorriu para mim quando adentrei meu quarto. Havia me esquecido dele. — Estava quase indo atrás de você.

— Não estou no clima, Max. — Murmurei, me jogando em minha cama. 

— O que foi que te aconteceu? — Ele se levantou da poltrona, para me examinar de longe. — Você andou chorando, não é? Seus olhos estão incrivelmente inchados.

— Muito sutil da sua parte. — Comentei. — Aposto meus pulmões que você não tem uma namorada.

A risada de Max fez meu coração se aquecer. Eu não estava com raiva dele, afinal. Estava com raiva de mim. 

— Tudo bem, talvez eu não seja muito bom com as outras garotas... — Ele disse, no que me parecia ser um tom de brincadeira. — ...mas entendo você. Sou bom em entender você. 

Olhei para Max, que sorria vitorioso. Ele realmente me entendia, ao menos noventa e oito por cento das vezes. Os outros dois por cento ninguém entendia, provavelmente. 

— Você está ficando um pouco convencido, não acha? — Sorri para ele.

— Discordo. — Max me observava da mesma maneira de sempre, como se soubesse de tudo. Como se o mundo todo fosse controlado por ele. — Já até consegui fazer você sorrir, olha só! 

— Tudo bem, acho que você venceu. — Dei de ombros. — O que você quer de mim? 

Pela primeira vez na vida, vi Max Hall me olhando de uma maneira totalmente nova. Ele mordeu o lábio inferior e sorriu, balançando negativamente a cabeça. De repente, retomou sua postura normal. Era como se aquilo nunca tivesse acontecido. 

— O de sempre, quero saber como você está se sentindo. — Foi andando até as poltronas, esperando que eu o seguisse. 

— Não sei, talvez eu só esteja com muita raiva de mim. — Suspirei, me jogando na poltrona. — E com saudades de casa, dos meus pais...

— Então iremos por partes. — Max disse, anotando algo em sua costumeira prancheta. — Primeiro, quero que você me conte porque está com raiva.

— Bom... — Mordi meu labio, pensando se queria falar daquilo para ele. 

— Você se lembra que ninguém além de mim vai saber disso, certo? 

Dei de ombros. Eu mesma havia decretado o fim do meu caso com o Ash, então não tinha mais problemas com isso. 

— Briguei com o Ash hoje, do tipo, de verdade. — Suspirei. — Me arrependi um segundo depois, mas agora imagino que tenha sido melhor dar um basta no nosso... relacionamento. 

Max ergueu as sobrancelhas, surpreso. 

— Você tinha um relacionamento com Ashton Irwin? — Ele nem disfarçou a descrença em sua voz. Parecia ter odiado descobrir aquilo e eu estava começando a me divertir.

— Digamos que sim. Durou mais de um ano. Mas ninguém sabia. — Sorri. — Quando a coisa é escondida, fica mais interessante. E sabemos que nossas famílias não se suportam.

— Entendo. — Ele continuava escrevendo. 

— Mas acho que me cansei dos joguinhos e do humor tênue, se é que posso definir assim, do Ashton. Acho que ele precisa crescer.

— Realmente, você merece alguém melhor que Ashton Irwin. — Max me encarou nos olhos.

Não sei o que estava acontecendo com ele hoje, não conhecia esse lado de Max. O lado que não controlava as emoções. 

— Você acha? — Arqueei uma de minhas sobrancelhas. — E tem alguma sugestão? 

Max respirou fundo antes de pular da poltrona, já andando em direção à porta do quarto.

— Me desculpe, Zoella. — Ele respirou fundo mais uma vez. — Não estou bem hoje, me desculpe por...

Como ele nem se moveu, apenas me apressei em direção a ele. 

— Não precisa se desculpar. — Sorri, me aproximando. Estiquei uma de minhas mãos e toquei suavemente sua bochecha. — Gostei desse Max mais... transparente. 

— Transparente, é?! — Ele sorriu depois de um segundo, me puxando pela cintura. — Eu diria maluco. Descontrolado.

— Eu sou maluca também. — Dei de ombros, agora com as duas mãos envolvendo seu pescoço. 

Esperei inutilmente que Max me beijasse, mas ele apenas respirou fundo pela milésima vez e se afastou.

— Você não entenderia... — Ele mordeu o lábio, saindo do quarto.

Fiquei observando o espaço em que Max estava um segundo atras. Ele conseguiu me fazer sentir um pouco feliz por esses minutos, mas agora já sentia a velha tristeza voltar.

 

[...]

 

— Zoe, o que há com você? — Violeta me perguntou.

Aparentemente, já fazia algum tempo que todos na nossa mesa de jantar estavam tentando se comunicar comigo. 

— O que? — Perguntei, tentando entender a situação.

— Acho que ela brigou com o Irwin hoje. — Louis disse, despreocupado.

— E qual a novidade? — Violeta deu de ombros. — Nunca vi duas pessoas que se odeiam perdendo tanto tempo juntas. Vocês gostam mesmo de brigar ou é só pra não perder o costume? 

— Não enche, Vee. — Dei uma garfada em meu prato cheio de comida. Praticamente havia me esquecido dele. 

— É sério, tem alguma coisa errada com você! — Vee exclamou. — Você não acha, Dora?! 

— Não sei dizer, ela só está muito quieta. — Pandora me examinava. — Sua cabeça está doendo ou algo do tipo? 

— Não! Me deixem em paz! — Bufei. — Eu só... preciso descansar.

Me levantei da mesa, desistindo da minha comida. E dos meus amigos. Quando já estava na metade do corredor, escutei alguém me chamar.

— Zee, espera!

— O que foi? — Encarei Violeta sem a mínima paciência.

— Também estou indo pro quarto, não quero te deixar sozinha. — Realmente aquele horário era um pouco ruim, já que todos nós sabíamos que os policiais trocavam de turno durante nosso jantar. 

Fomos andando em silêncio até o quarto mas assim que entramos, Violeta começou a me fazer perguntas. O que estava acontecendo? Por que eu estava tão estressada? Por que meus olhos estavam pseudo-inchados, dando a dica de que eu havia chorado? Por que Max saiu mais cedo de nossa conversa? 

— Tudo isso é uma história longa até demais. — Suspirei. — Mas posso te dizer que estou com saudade dos meus pais.

— Ah... — Ela suspirou. — Isso eu também estou. 

Vee ficou em silêncio por alguns minutos, enquanto nós duas vestíamos nossos pijamas. Me deitei em minha cama e ela logo se deitou comigo. Percebi que ela não me deixaria em paz tão cedo. 

— Agora me conta o que aconteceu com o Max. — Ela sorriu.

— Não sei, Vee. Ele estava estranho hoje. Não era o Max de sempre, sabe? 

— O Niall também estava assim, não entendi o por que. Ele agiu como se nós nunca tivéssemos feito absolutamente nada. — Ela bufou. — Ele estava tão difícil quanto o Max foi. O Max é o único, desses nossos novos professores, que não teve um caso com nenhuma aluna. Você acredita nisso? Ele é inalcançável. 

Sorri para Violeta, feliz em saber que eu seria a primeira. E também a única. 

— Isso é sério? — Arqueei as sobrancelhas. — Do jeito que você fala, sempre achei que todos os professores tivessem casos com as alunas.

— O Max não. — Ela deu de ombros. — Mas o Niall, o sr Payne, o sr Malik, o sr Duhn e tudo o mais... 

— Uau, isso é um pouco nojento. — Fiz uma careta. — Quer dizer, eles são uma perdição...

— E você só tem olhos para o Max, eu sei! Ele é o mais novinho de todos eles. — Vee sorriu. — Talvez ele só esteja esperando pela garota certa.

Olhei para Violeta de uma maneira que acabou me entregando. Ela sabia que algo estava acontecendo.

— O que foi que aconteceu, garota? — Ela quase gritou.

— Eu e o Max... meio que... quase nos beijamos... — Murmurei. 

— Eu não acredito! — Vee praticamente gritou, pulando da cama. — Como foi que isso aconteceu? 

Contei a história resumidamente, omitindo toda e qualquer parte que envolvia o Ash. Vee estava impressionada, afinal, ela já havia tentado Max Hall mas não  havia conseguido nenhum olhar diferente.

— Niall e eu apostamos em vocês! Na verdade, eu apostei que você fugiria quando Max tentasse alguma coisa. Niall apostou que você cederia. Acho que ele já reparou que você tem uma paixonite pelo sr Hall! — Revirei meus olhos. Como Violeta podia ser tão... Violeta? 

— Meu Deus, Vee! — Exclamei. — Foi só um quase beijo! 

— No Max Hall! — Ela gritou. — Sabe quantas garotas tentaram e não receberam nem uma atenção dele? Então acho que ele realmente tem uma queda por você. 

— Cala essa boca, Vee. — Disfarcei meu coração acelerado. Não podia negar que a ideia de ter Max Hall só para mim era incrível. Estava farta de Ashton Irwin. — E me deixa dormir!

Expulsei minha amiga de minha cama, antes que ela conseguisse mais alguma coisa vinda de mim. 

 

[...]

 

 

Não me parecia ter passado muito tempo, mas o garoto que esperava comigo já estava inquieto. Meus irmãos estavam em algum lugar, buscando qualquer coisa que servisse como lenha para nossa pequena fogueira. 

— Por que você não se acalma? — Perguntei.

— Eles entraram no meio daquela... floresta... — Ele mordeu o lábio, nervoso. Seu sotaque britânico parecia ainda mais carregado quando ele estava ansioso. — Você não acha perigoso? 

— Não. — Dei de ombros. — Fazemos isso o tempo inteiro. 

Meu inconsciente sabia que eu havia conhecido o garoto havia apenas algumas horas, mas eu não me lembrava disso pelo simples fato de sentir uma conexão muito grande com ele. 

— Tudo bem... — Suspirou, desistindo de sua ansiedade e se sentando ao meu lado. 

— Está tudo bem. — Sorri para ele, deixando de fazê-lo um segundo depois. 

O garoto sentando ao meu lado parecia não ter rosto e eu só estava me dando conta daquilo naquele momento. Algo preto, que lembrava fuligem, parecia cobrir cada centímetro de seu rosto cheio de cicatrizes estranhas. Eu não sabia quem era aquela criatura. 

Desviei o olhar, com medo de parecer mal educada ou qualquer coisa assim. Mas o rosto indefinido dele estava gravado em meus olhos. 

— Zoella, você está sentindo esse cheiro? — Ele me perguntou. — Me parece que algo está queimando. 

Fiquei em silêncio quando me virei para encara-lo. Seu rosto que antes já me parecia deformado, agora estava em chamas. Eu queria ajudá-lo, mas nada parecia capaz de parar o fogo que destruía a bagunça de seu rosto. O garoto estava derretendo ao meu lado e eu não sabia o que fazer. 

 

[...] 

 

Meus gritos acordaram Violeta, que além de ter insônia, era obrigada a conviver comigo e meus pesadelos quase que diários. Eu era oficialmente a pessoa que mais tinha pesadelos naquele colégio. 

 

 

 

Porque você é um pedaço de mim

E eu queria não precisar

Perseguindo implacavelmente,

Ainda luto sem saber por que

Se o nosso amor é uma tragédia, por que você é meu remédio?

Se o nosso amor é insano, por que você é minha clareza?

Clarity 


Notas Finais


COMENTEMMMMM!!!!!!

▪️O que vocês acham que o Louis e o Luke tem???

▪️Perdoem qualquer errinho, eu postei pelo celular...

▪️ O próximo capítulo vai ser pov de outro personagem hehe já está quase terminado, então creio que não vou demorar tanto para postar!

Música: https://m.youtube.com/watch?v=WtA1rT0We4A


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...