História Mike - Príncipe do Domínio - Capítulo 2


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Categorias Michael Ronda, Valentina Zenere
Tags Adaptação, Michaentina, Romance
Visualizações 152
Palavras 6.809
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Crossover, Famí­lia, Mistério, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 2 - Mal posso esperar


Fanfic / Fanfiction Mike - Príncipe do Domínio - Capítulo 2 - Mal posso esperar

Mike

Dias atuais...

Eu assino os documentos mais urgentes e os devolvo à minha secretária. Valu retornou para Ardócia com seus pais na semana passada. Surgiram assuntos e reuniões que julguei importantes presidir aqui na King’s, então fiquei para trás. Não foi uma decisão fácil, no entanto. Apenas oito dias e já estou morrendo de saudades da minha boneca. Meu tio insistiu em levá-la de volta à ilha e optei por não abusar da sorte batendo de frente, dadas as circunstâncias em que ele descobriu o nosso relacionamento. Preciso ser controlado e compreensivo se quiser ganhar alguns pontos com meu futuro sogro. Lucy acena, pegando os papéis.

— Senhor, a engenheira Vivian está lá fora aguardando para vê-lo. — ela me informa e eu franzo as sobrancelhas.

Vivian? O que diabos ela está fazendo aqui?

— Obrigado, Senhorita Carson. — digo em tom educado, mas tenso. — Mande-a entrar, por favor. Ela sai e em seguida Vivian desfila para dentro do meu escritório.

— Bom dia, Mike. Eu...

— O que está fazendo aqui, Vivian? — eu ranjo, cortando-a. — Por que deixou Ardócia sem me avisar?

Ela para diante da minha mesa, seu rosto está um pouco abatido, percebo. Os olhos estão vermelhos como se estivesse chorando.

— M-meu pai... — soluça, se apoiando na cadeira. — Ele passou muito mal no fim de semana e tive que vir vê-lo. Desculpe-me por não avisar, é que fiquei tão angustiada e tudo o mais sumiu da minha cabeça. — ela parece mesmo desolada. Ah, merda, seu pai é doente, recordo-me. — Eu só rogava a Deus para não o levar de mim. Sinto muito... — sua voz quebra em soluços.

Porra.

— Sente-se. — digo, forçando meu tom mais suave. — Aceita uma água, um chá? Ela se senta, puxando um lenço da bolsa.

— Uma água está bem. — murmura. Eu me levanto e vou até a bandeja sobre a mesa de canto. Encho um copo e volto, entregando-lhe. — Obrigada. — ela o pega, sorvendo o conteúdo quase todo.

— Sinto muito. Eu não queria me descontrolar dessa forma. — balbucia.

— Está tudo bem. — respondo, sentindo-me mal por tê-la repreendido. — Como ele está agora? Seu rosto ilumina um pouco e ela sorri fracamente.

— Melhor, graças a Deus. — diz e estende a mão livre na minha direção, agarrando a minha. — Obrigada, Mestre. — usa o tom submisso e leva minha mão à boca, beijando-a como uma sub obediente.

Eu puxo minha mão e voltando para o meu lugar, sento-me.

— Que bom que seu pai está bem agora. — digo-lhe. — Entendo que foi uma emergência, mas não saia novamente do canteiro sem me avisar. Você é a engenheira auxiliar, eu não estou por lá e não aprecio que a minha obra fique desassistida na minha ausência.

— Você está certo, meu senhor. — sussurra mansamente.

Eu sufoco um rosnado. Me irrita que ainda esteja me tratando como seu Dom. As subs tratam os Mestres e Domes com respeito mesmo quando não são sua propriedade, mas isso apenas dentro do clube. Fora, a relação é indiferente.

— Não se dirija a mim dessa forma fora do clube. — uso um tom mais incisivo. Ela arregala os olhos. Sabe das regras, não é uma novata. — Você não tem mais esse direito. Não é minha sub.

Seu rosto mostra mágoa, que é substituída rapidamente por um aceno de desculpas.

— Eu sinto muito. É uma questão de costume, acho. — diz, tentando sorrir.

— Desacostume. — digo ainda no tom firme. — Há algo mais que queira discutir além do imprevisto com seu pai?

Vivian enrola a mão em seu rabo de cavalo no alto da cabeça e me encara quase tímida. Coisa que ela definitivamente não é.

— Pensei se poderia pegar uma carona com você de volta à ilha? — morde o lábio, ainda nessa encenação recatada. — Está retornando amanhã, não é?

Quase bufo com sua proposta aparentemente inocente. Não há a menor chance de Valu apreciar eu viajando com Vivian no meu jato, sozinhos. Não sinto mais nenhum tesão pela mulher à minha frente, mas a minha princesa é tão ciumenta e possessiva comigo como sou com ela.

— Sim, estou voltando amanhã, no final da tarde, mas não vou levá-la comigo. — seu rosto cai com a minha negativa.

— Mas por quê? Estamos indo para o mesmo destino. — inquire, tentando não mostrar sua decepção.

Dessa vez eu não seguro um som irônico.

— Você sabe muito bem porque, Vivian. — digo em tom mais duro. — Valu não gostaria de saber que viajamos juntos, mesmo que não haja mais nada além de profissionalismo entre nós.

Ela suspira longamente, acenando.

— Claro, entendo perfeitamente. — diz abrindo um sorriso despreocupado. — Eu não vejo qualquer problema, mas a princesa pode não gostar. Está certo, irei em voo comercial ainda hoje, não se preocupe.

Estreito meus olhos, analisando-a. Estou a ponto de dispensá-la quando continua.

— A propósito, fiquei chocada com a calúnia que aquela funcionária do palácio plantou a seu respeito...

Eu rosno, ajeitando-me no assento. Ainda fico puto com o quão perto estive de ter o nome arrastado para a lama, ou até mesmo ser preso. O Parlamento já estava se preparando para me enquadrar, fiquei sabendo através de Dam. Pois é, eu estaria regiamente fodido em pouco tempo e tudo isso porque uma louca achou que seria divertido inventar mentiras a meu respeito. O Jornal de Ardócia publicou uma nota de retratação e junto com ela a carta que Celina deixou. Tudo foi esclarecido ainda na semana passada, graças a Deus. Estou livre para assumir meu amor por Valu sem nada manchando isso, e estou ansioso para desfilar com minha bonequinha. Quero mostrar ao mundo que é a minha mulher agora.

— Esse assunto não é da sua conta. Se era só isso, já pode sair. Tenho muita coisa para cobrir antes da viagem. — eu a corto.

Vivian parece ressentida, mas se levanta alisando a saia muito justa.

— Posso perguntar uma coisa antes de ir? — inquire, seu rosto suavizando um pouco.

— Duas coisas, você quer dizer. Acaba de usar a primeira pergunta. — aponto. Ela sorri.

— Eu amo essa sua sagacidade e inteligência. — murmura, fazendo-me sentir desconfortável pela forma como seus olhos brilham para mim.

— Pergunte ou saia. — eu a pressiono.

— Eu sei que a princesa não é minha fã desde aquele acontecimento infeliz... Eu bufo e rosno impaciente.

— Vá direto ao ponto.

Ela levanta as mãos, rindo da minha explosão.

— Está bem, está bem. Você irá levá-la ao clube? — pergunta, seu rosto ficando sério.

O quê? Eu franzo o cenho, começando a ficar puto. Quem ela pensa que é para bisbilhotar a minha relação com Valu?

— Mais uma vez, isso não é da sua conta. — respondo com dentes cerrados. — Se quiser permanecer trabalhando na King’s, não volte a fazer perguntas estúpidas sobre a minha vida pessoal. Estamos entendidos?

Vivian empalidece, acenando.

— Entendido, Mike. — diz com voz macia. — Acredite, não estou querendo ser enxerida ou coisa assim. Podemos ser amigáveis um com o outro, não podemos?

Eu levanto uma sobrancelha cética para ela, cruzando meus braços sobre o tampo da mesa na espera que pegue a dica e dê o fora da minha sala.

— Na verdade, o que eu ia propor era... — ela suspira, balançando a cabeça. — Eu sei que a princesa é inexperiente... — onde diabos ela quer chegar? Me pergunto, tentado a expulsá-la da sala.

— Eu poderia ajudá-la a se ambientar no clube, em nosso mundo. Eu posso treiná-la para ser a sub perfeita para você, Mike. Eu posso...

— Você está louca?

Eu rosno, levantando-me, sem acreditar que tenha feito uma proposta tão descabida como essa.

Valu jamais aceitaria isso e eu muito menos. Ela se assusta, recuando um passo.

— Não é tão estranho assim. O Mestre Colton usa sua esposa para treinar suas futuras submissas. — diz em tom de defesa.

Eu rosno mais à menção de Colton. Ele é o mais liberal e bizarro em nosso clube. É casado há muito tempo, mas continua comendo tantas subs quanto lhe der na telha, enquanto sua mulher é apenas dele. Uma troca desleal. No entanto, é consensual. A esposa treina as futuras subs do marido. Eles formam um casal estranho pra caralho. Eu jamais trairia Valu e é certo como o inferno que não vou permitir que a princesa sequer olhe para outro fodido homem. Sou louco possessivo com essa menina. É minha. Toda minha. Por ela eu mato e morro.

— Não ouse me comparar a esse babaca, Vivian. — eu cuspo, irritado. — É de muito mau gosto colocar uma mulher que eu fodi para treinar a mulher que amo. — seu rosto cai de novo. — Além disso, a princesa não precisa de treinamento. — ranjo. Não de você, pelo menos. Acrescento para mim mesmo. Vivian gosta de um jogo perverso. É sadomasoquista. Gosta de infligir e sentir dor. Eu jamais submeteria minha boneca a algo desse tipo.

— Mike, eu conheço seus gostos. — diz, não disfarçando a satisfação em seu tom e semblante. — Todos eles. — sussurra. — Deixe-me treinar a princesa, moldá-la para você.

— Sem chance, porra! Você deve sair. — raspo, arrumando os papéis sobre a mesa, dispensando-a.

— Eu torço para que esse amor e encantamento todo que está sentindo agora possam ser suficientes. Mas nós dois sabemos que o dominador em você gosta, precisa de um jogo pesado. — continua como se não a tivesse dispensado. — Enquanto a princesa ainda não está pronta, pode voltar a ter sessões comigo, se quiser. Prometo que serei sigilosa. Quero apenas servir o Mestre, fazer o que você precisa e não está tendo no momento...

E é a gota d’água. Eu a olho com as narinas expandidas.

— Quem disse que não estou tendo o que preciso? — digo baixo e friamente. — Só preciso de Valu, a mulher que amo mais que tudo nesse mundo. — ofega baixinho com a minha declaração veemente. — Eu poderia fazer a porra de baunilha para o resto da minha vida e ainda seria feliz. Sabe por quê? — cuspo com raiva. — Porque pertenço à Valu. Sou dela. Eu a amo e nunca a trairia, como está levianamente sugerindo, porra! Nunca!

Vivian levanta as mãos novamente, seu rosto não mostrando sinal de aborrecimento.

— Eu não estou...

— Sim, porra, você está sugerindo que eu volte a ter sessões com você. — olho-a sem dar-lhe chance de fugir com essa. — Na minha cartilha isso é traição.

Seu semblante cai, percebendo o quanto me deixou puto.

— Tudo bem, tudo bem. Entendi. Desculpe-me. — pede em tom suave. — Eu só pensei realmente em servi-lo. Sexo. Apenas isso. Sabe que não tenho esses falsos pudores sociais. Sexo é sexo, nada tem a ver com amor. — estou a ponto de pegá-la pelo braço e jogá-la para fora. — É perfeitamente possível amar uma pessoa e ainda foder loucamente com outra. Conheço várias pessoas em meu círculo de amigos que são assim.

— Seu círculo de amigos é fodido, devo dizer. — cuspo, com nojo dessas pessoas. — Você deve sair agora e lembre-se de se manter fora dos meus assuntos pessoais. — olho-a diretamente nos olhos para que veja que não estou blefando. — Outra intromissão como essa e asseguro que não serei tão compassivo. Vou esquecer que tem um pai doente e precisa do emprego. Fui claro?

Seu rosto se transforma, caindo a máscara profissional imediatamente.

— Certo, certo. — diz, ajeitando a bolsa sobre o ombro e se encaminhando para a porta. — Foi inapropriado da minha parte, admito. Tenha um bom dia, Mike. — murmura. — Vemo-nos em Ardócia.

Ela finalmente se vai e eu afundo de volta na cadeira. Porra, vou ter que demiti-la quando as obras do museu encerrarem. Sei que Valu não está feliz com uma antiga sub rondando tão perto de mim. Eu ficaria puto também se história fosse inversa. Sim, terei que me livrar de Vivian.

Faço uma videoconferência de duas horas com a equipe do resort de Angra dos Reis. As chuvas intensas causaram alguns danos às nossas instalações e estou enviando alguém para verificar isso de perto. Eu mesmo iria, mas tenho um pedido de casamento para fazer. Sorrio, fechando meu laptop. Tenho algo planejado para o fim de semana com Valu. Só nós dois em Roma, namorando muito, fazendo amor gostoso. Eu rio mais, notando o termo que acabei de usar. Nunca me referi ao sexo como fazer amor. Bem, isso era porque eu não fazia amor. No entanto, com a minha princesa é isso que fazemos. É amor. Mesmo quando a estou dominando, degradando-a, ainda é amor. Um amor tão forte, abrasivo, que tomou conta de mim, não deixando espaço para mais nada. Valu é a única para mim. A única que quero dormir e acordar ao lado para o resto da minha vida.

Depois que encerro a última reunião do dia em que eu e meu pai presidimos, reúno os documentos dentro da minha pasta, já louco chegar em casa e ligar para Valu. O conhecimento de que apenas um dia nos separa, faz meus lábios repuxarem em um pequeno sorriso. Amanhã estarei com ela em meus braços. Dentro dela. Meu corpo já está queimando pela saudade absurda de sentir sua pele suave e nua contra a minha. A sala vai sendo escoada pelos acionistas e meu velho se levanta, ajeitando o terno e vindo para perto de mim.

— Esse sorriso de adolescente tem um nome, filho? — ele sorri levemente.

— Com certeza, pai. — ajeito tudo e o olho, meu sorriso escancarando. — Farei o pedido nesse fim de semana.

Ele acena, mas seu rosto fica sério em seguida.

— Eu quero que dobre a sua segurança e a de Valu, quando saírem em público.

Franzo a testa com suas palavras e a seriedade latente. Ele parece preocupado. Para ser sincero, mesmo com a nota de retratação que foi veiculada, ainda sinto um estranho aperto em meu intestino, alertando-me de que alguma coisa não está batendo. Há algo me preocupando, não me deixando totalmente relaxado como deveria estar.

Instinto.

Acredito piamente que o instinto é tão ou mais importante quanto os outros sentidos. Essa sensação de antecipação que se infiltra dentro de nós, acionando mecanismos de defesa sem nosso consentimento, e se escolhermos ignorar, pode trazer consequências.

Bem, é assim que continuo me sentindo, em alerta. Pelo visto, meu velho também não está satisfeito com o desfecho da malfadada tentativa de me desmoralizar.

— Por que, pai? O que não está compartilhando comigo? — inquiro. Ele suspira, enfiando as mãos nos bolsos da calça.

— O tal colunista ainda não foi localizado pelos agentes, Mike. Além disso... — seus olhos escuros me estudam como se ponderasse o que vem a seguir. Eu aguardo, intrigado. — Dam me ligou antes da reunião. A perícia levantou dúvidas de que Celina... Bem, a moça pode não ter cometido suicídio.

Isso tem a minha atenção imediata. O quê? Ela não cometeu suicídio? Então, o que...

— Os agentes acreditam que a moça foi assassinada. — meu pai prossegue, cortando meus pensamentos.

Porra! Assassinada? Mas que merda é essa?

— Por que eles acham isso? — pergunto, não gostando do rumo dessa história.

— O ângulo dos cortes nos pulsos, de acordo com a perícia, põe em dúvida de que ela mesma tenha se cortado.

Santa Mãe. Eu gelo. Que tipo de sádico iria matar uma pessoa cortando seus pulsos? Cristo. Isso é muito cruel. E a carta? Será que o assassino a obrigou a escrever a fodida carta? Meu intestino torce. Se isso for verdade, Celina era inocente. Porra, não só inocente, mas uma vítima. Sinto-me incomodado com o sentimento de pesar por tê-la condenado apressadamente. Encaro meu velho.

— O que o senhor está pensando sobre isso, pai? Ele exala baixinho.

— Continuo com um pressentimento de que algo não está certo, Mike. — diz, confirmando minhas suspeitas. — Algo não se encaixa nessa história. Achei que o escândalo foi contornado e resolvido rápido demais. Como se alguém quisesse desviar a nossa atenção, não sei...

Balanço a cabeça, assentindo.

— Sim, também achei que foi rápido, mas isso me trouxe certo alívio. Pelo menos agora, Valu e eu podemos assumir o nosso relacionamento.

— Claro, filho. Só estou dizendo para tomar cuidado. — ele reitera. — Enquanto não colocarmos as mãos no tal colunista, mantenha-se em alerta.

Aceno em concordância mais uma vez.

— Na verdade, eu já estava cogitando aumentar a nossa segurança. Conversei com Harry hoje sobre o aumento do efetivo para três homens. — meu pai parece satisfeito com a notícia. — Compartilho desse mesmo pressentimento, pai. Algo não está certo nisso tudo. Mas, o quê? — suspiro, frustrado. — Acha que esse filho da puta pode ter assassinado a camareira de Valu?

— Não sei, filho. Dam garantiu que os agentes estão trabalhando para encontrá-lo e esclarecer os pontos nebulosos.

— O que esse fodido teria contra mim? — ranjo os dentes. — O que está por trás disso? Meu pai me olha longamente. Meu velho está me deixando desconfortável.

— Nós vamos descobrir. Só me prometa que vai tomar cuidado enquanto tudo não se resolve.

— Prometo, pai. — digo com veemência para tranquilizar meu velho. Ele acena e seu rosto se transforma em um leve sorriso.

— Então, fará algo especial para o pedido? — inquire. Eu rio como um bobo apaixonado.

— Eu a levarei para Roma em um fim de semana romântico. — digo sem parar o sorriso satisfeito.

— Parece bom, filho. Eu, sua mãe e irmãos estamos felizes por vocês. — diz com emoção na voz.

— Eu sei, velho. — digo, puxando-o para um abraço rápido.

Ele resmunga, sorrindo, e se despede em seguida, deixando-me sozinho. Eu deixo a empresa em alguns minutos e sigo direto para a casa. No trajeto, Harry, meu segurança, me informa que os homens estarão prontos para nos acompanhar para Ardócia amanhã. Isso me deixa mais relaxado. A segurança de Valu é uma questão de Estado. Tenho certeza de que o próprio rei já está cuidando disso também, antecipando o pandemônio que será a mídia quando aparecermos como um casal pela primeira vez.

Depois de tomar uma ducha rápida e comer um sanduíche, eu vou para a cama chamar a minha menina. Valu atende no segundo toque.

— Oi, Amore mio... — sua voz baixa e ansiosa faz meu peito aquecer e meu pau inchar instantaneamente. Porra. Eu me ajeito sobre os travesseiros, tesão, saudade, amor louco tomando meu corpo.

— Boneca... — minha voz sai engrossada, mas terna. — Deus, como é bom ouvir a sua voz. — ela sorri suavemente. — Como foi o seu dia, amor?

— Monótono. — é a minha vez de sorrir com implicação por trás disso. Ela está sentindo a minha falta também. — A restauração está avançando bem, no entanto. — sua voz cai para um sussurro provocador quando acrescenta. — Fui informada de que o engenheiro chefe quer entregar a obra antes do prazo e tenho que me desdobrar para atender as expectativas do tal fodão... — eu rio baixinho e rosno, apertando a cabeça do meu pau.

Impertinente. Deliciosa.

— Ah, sim, eu conheço o cara, princesa. — murmuro sedutoramente. — Ele está caidinho por você, mas é muito exigente quando o assunto é trabalho.

Ela ri.

— Eu diria que ele é exigente em outros aspectos também... — ronrona e meu pau dói de tão duro.

Sua voz suaviza mais quando sussurra: — E você? Como foi o seu dia, caro mio?

— Trabalho e mais trabalho. — exalo uma respiração fatigada. — Mas consegui adiantar bem as coisas por aqui.

— Parece que teve um dia longo. — murmura com a voz doce. — Gostaria de estar aí para aliviar sua tensão...

Eu gemo.

— Sim, princesa. Eu deveria ter suas pernas enroladas em minha cintura nesse exato momento. — ela ri gostosamente do outro lado. — Isso é o que está me frustrando pra caralho.

— Eu sei. — sussurra, meio ofegante. — Sinto sua falta também, amor.

— Estou louco, morrendo para tê-la em meus braços, bonequinha. — meu tom é muito amolecido, mas não me importo.

Seu sorriso de menina faz meu peito expandir.

— Eu quero você... — geme em meu ouvido. Porra. Meu pau baba na calça do pijama.

— Eu também quero você, princesa. — meu tom sai áspero. — A noite inteira embaixo de mim. — rosno.

Uma vez mais sua risada gostosa ressoa em meu ouvido.

— Apenas algumas horas nos separam. — seu tom é todo sedutor. — Mal posso esperar, mio bello dominatore.

Eu ranjo, então sorrio malvadamente.

— Me espere no meu quarto, Valu. — sussurro rouco. — Nua. Eu vou te comer tanto, porra. Ela ofega do outro lado.

— Tudo que quiser, meu senhor. — murmura, seu tom excitado, submisso, deixando-me ansioso e frustrado pelas horas que ainda nos separam.

— Eu te amo muito. — minha voz derrete ao pronunciar essas palavras. No entanto, essas simples palavras parecem insípidas diante da grandeza dos meus sentimentos por essa menina. Eu a venero. Pura e simplesmente. Para mim, Valu sempre esteve em um patamar acima de todas as outras. É meu lindo e contagiante raio de sol. Meu amor. Meu tudo.

— Eu também te amo muito. — sua voz está um pouco embargada agora. — Odeio ficar longe de você.

— Também odeio não ter você perto de mim o tempo todo. Sempre odiei. — resmungo e solto um pequeno suspiro. — Eu tenho uma surpresa, amor... — acrescento, já com um sorriso de provocação se abrindo. Adoro deixá-la curiosa.

Valentina

— Uma surpresa? — pergunto, não disfarçando o amplo sorriso e a excitação rolando em minhas veias. — O que é?

O som da sua risada profunda é a única resposta, fazendo-me gemer e em seguida sorrir.

— Essa é uma informação sigilosa, boneca, ou não seria surpresa. — diz em tom divertido.

Eu bufo, fazendo-o rir mais no meu ouvido. Ele sempre adorou me deixar curiosa desde que me entendo por gente. Eu amei cada surpresa no passado quando éramos fraternais, mas agora a minha mente viaja e meu pulso acelera, cogitando o que meu príncipe dominador e sexy tem preparado para mim.

Meu coração está leve ao ouvir sua voz, mas ainda pesado por faltarem vinte e quatro longas horas para tê-lo aqui comigo. Todo o meu corpo pulsa e dói de amor, saudade, tesão reprimida. São oito dias sem sentir seu toque, seu cheiro másculo. Seus beijos intensos, sua posse exigente. Suprimo um gemido, rolando nos lençóis macios da minha cama.

— Tem certeza de que não posso arrancar essa informação? — sussurro em minha melhor voz sedutora.

Ele geme.

— Não há nada que possa fazer, sinto muito. — ele não parece sentir. Seu tom ainda é perversamente divertido. — Se estivéssemos perto, quem sabe...

— Você é tão malvado, amore mio. — continuo na vibe mulher fatal. — Talvez se entrarmos no FaceTime e pudesse ver o que preparei para você também... — jogo a isca, sorrindo quando ele rosna. Dio, minha vagina lateja, inundando despudoradamente.

— O que fez para mim, bonequinha? — seu tom abaixa asperamente.

É a minha vez de rir enigmática. Eu completei a tatuagem com seu nome em minha pélvis um dia depois que cheguei à Ilha. É a minha surpresa para ele. Já antecipo, os olhos escuros me olhando com posse e em seguida, a forma bruta e deliciosa com que vai me tomar em sua cama. Afirmando seu poder sobre mim. Nossa fantasia em comum, transar em seu quarto. Passar a noite toda nos amando como sempre desejamos. Sem medo de sermos flagrados porque agora somos um do outro. Meu corpo está todo quente, ansiando por amanhã.

— É uma informação sigilosa. — devolvo suas palavras e ele grunhe. Eu abaixo propositalmente a voz e murmuro: — Uma surpresa para o meu dono.

— Droga, Valu. — diz asperamente. — Você vai me matar aqui. — então ele ri meio gemendo. — Deus, eu amo quando fala assim, toda submissa. Me deixa insano estar longe e não poder me afundar até o talo em seu corpo perfeito.

Eu gemo longamente.

— Amanhã, meu moreno lindo e viril. — sussurro, luxúria escorrendo em meu tom. — Amanhã vai poder fazer tudo comigo. Meu corpo está ansiando para ser usado pelo meu senhor. De todas as formas que quiser.

Outro rosnado ressoa em meu ouvido.

— Deliciosa... Você ama ser a minha putinha obediente, não é princesa? — sua voz é engrossada agora, fazendo-me latejar. Madonna mia, eu me sinto com o equivalente a bolas azuis femininas. Minha vagina está agonizando para ser preenchida até o punho. Eu junto as coxas, friccionando uma na outra para aliviar a dor. — Vai me fazer gozar duro amanhã, minha menina linda? Sim, eu sei que vai. Você sempre faz seu dono gozar tão gostoso, porra...

Meu corpo arrepia, os mamilos endurecendo, torcendo em agonia. Fecho os olhos e posso sentir seus lábios macios e quentes sobre eles, sugando-os, mordendo, devorando-me.

— Si, eu o quero gozando duro, bem fundo dentro de mim. — digo sem vergonha e minha mão desliza pelo ventre, descendo por dentro do short do pijama. Eu gemo estrangulado, quando toco meu montículo todo inchado, necessitado.

— Não ouse se tocar, Valu. — Mike rosna, assustando-me. — Eu quero tudo para mim amanhã.

Cada gota do seu gozo é minha, porra. Cada fodida gota é para mim.

Eu lamento, retirando a mão relutante de dentro do short. Se a minha vagina pudesse fazer beicinho, tenho certeza estaria fazendo um agora. Droga.

— Eu quero tanto você. — minha voz é ofegante, rouca.

— E eu a você, boneca. — ele diz mais suavemente, fazendo-me derreter como as geleiras sob o aquecimento global. Um suspiro e um sorriso baixo se seguem. — Me conte mais sobre o trabalho com a restauração, princesa. Preciso de distração para o meu pau duro.

Eu rio e ele também. Mike não quis fazer sexo por telefone nenhuma vez nesses dias. Quis que guardássemos tudo para o nosso reencontro. Concordei no começo, mas depois tentei seduzi-lo em cada uma de nossas conversas, o que não funcionou, como devem ter percebido pelo meu nível atual de tesão. O homem tem um autocontrole invejável. No entanto, não estou perdendo as esperanças. Em algum momento, irei colocar o dominador de joelhos, anotem isso aí, meninas.

Então, eu conto tudo sobre o trabalho, nos mínimos detalhes. Conversamos por duas horas seguidas. Nossa conversa sempre flui tão fácil. Eu poderia ouvir sua voz profunda, escura e sexy no meu ouvido a noite inteira e não estaria reclamando.

Quando nos despedimos com promessas apaixonadas, sussurradas para amanhã, eu durmo com um sorriso sonhador em meus lábios.

***********

Tomo café da manhã com meus irmãos na cozinha menor, na ala norte. Desde pequenos a usamos para as nossas refeições informais. Max está regressando para Boston antes do almoço e já estou sentindo falta do meu irmãozinho. Nos vemos tão pouco nos dias de hoje. Dam também irá a Mônaco no final da tarde. Ele finalmente conseguiu aprovar o projeto de colocar Ardócia no circuito da Fórmula 1. Parece que haverá uma grande obra na adequação do autódromo da Ilha, que até o momento só recebeu competições de Kart e outras categorias inferiores do automobilismo.

— A Fórmula 1 trará montanhas de dinheiro para os nossos cofres, o aquecimento do setor de turismo. — mio fratello informa-nos, todo orgulhoso de sua façanha. — E, claro, a razão maior que me impulsionou a ir atrás dos grandes figurões para nos colocarem no circuito: prestígio. — é difícil acreditar que só tenha vinte e quatro anos quando encarna esse ar implacável de futuro rei. Bem, verdade que completa vinte e cinco um mês depois de mim. Então, tecnicamente faltam apenas três meses para o seu aniversário. — Prestígio, senhores, é o que move o mundo.

— Uh, eu pensei que era o dinheiro que movia tudo. — Max sorri.

Há orgulho em seu rosto pelo irmão mais velho. Todos nós estamos orgulhosos dele. Nossos pais então, nem se fala.

— Errado, irmão. Em nosso meio só o dinheiro não basta. — Dam meneia a cabeça e sua boca torce quase com desdém. — Sua conta bancária não vale nada se não tiver séculos de história em suas costas. Isso foi o que contou a nosso favor na disputa com países talvez mais ricos, mas menos expressivos, e charmosos do que um reinado ao Sul da Itália.

Ele pisca. Mio fratello está definitivamente apaixonado por esse projeto, é visível na forma como fala. Max assobia baixo, vendo a mesma coisa que eu.

— Mandou bem, irmão. — diz, engolindo o último gole do seu suco de laranja. Então seus olhos brilham com irreverência antes de completar. — Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades, você sabe, futuro rei.

Dam bufa e eu rio dos dois. É tão bom estar em casa com os meus irmãos.

— Você poderia pensar que a universidade lhe daria uma capacidade maior de argumentação, pirralho. Em vez disso, tudo que tenho é uma paráfrase do Homem Aranha? — ele torce os lábios em desdém brincalhão, alfinetando Max de volta. — Nossa mãe ficará desapontada.

— Humpt. Foi o avô do Peter Parker quem falou isso, idiota, não o Homem Aranha. — Max revida como se Dam tivesse falado algum sacrilégio. — Costumávamos assistir a isso, lembra-se, fratello?

— Si, e isso tem o quê? Dez, onze anos? — Dam refuta. — Me admira que consiga pegar alguma garota citando falas dos filmes da Marvel, irmãozinho.

Max bufa, abrindo o maior sorriso arrogante. Oh, isso vai longe... Eu degusto meu desjejum, observando a batalha verbal.

— Você ficaria realmente surpreso com a quantidade de boce... — Max para e limpa a garganta, olhando-me com desculpas nos olhos. — Digo, garotas, que passam pelo meu apartamento, espertalhão.

— Só preserve sua bunda, idiota. Não é agradável ver seu pau nos tabloides. — Dam rebate, fazendo-me quase engasgar. Madonna mia. Já era para estar acostumada sendo a única menina no meio deles.

Ele está se referindo a uma manchete que mostrava Max pulando nu em uma piscina numa festa de fraternidade há três meses. Sua bunda não era a única coisa em exibição... Nossos pais ficaram estupefatos com ele e nosso irmãozinho prometeu se comportar desde então. Lipe estava junto também, igualmente nu, os dois cercados de meninas.

Eles, com certeza, estão curtindo a universidade, coisa que Dam e eu não fizemos. Não dessa forma. Eu, porque me guardei para o Mike. E Dam, bem, ele tem uma responsabilidade maior pesando em suas costas. Embora os tabloides enlouqueçam com todas as notícias sobre a nossa família, é a Dam que eles perseguem ferrenhamente, esperando apenas um ínfimo escorregão. E ele nunca os satisfez. É claro que houve aquela vez no ensino médio, em que ele foi flagrado experimentando um baseado... Eu rio com o alvoroço que isso causou no palácio.

Conseguem imaginar? O príncipe herdeiro de Ardócia fumando maconha? Meu pai teve que mover muitos pauzinhos para tirar a notícia de circulação o mais rápido possível. O que quer que o rei tenha dito a ele funcionou. Dam nunca mais escorregou. Bom, pelo menos não publicamente. Tenho plena consciência de que meu irmão está longe de ser um monge, no entanto. Ele apenas sabe ser discreto.

Os gêmeos de tio Jay é outra história. Aqueles meninos causaram rebuliço em Boston quando passaram por lá. Houve uma manchete uma vez que insinuou que os dois gostavam de compartilhar suas meninas. Eles negaram veementemente, mas os tabloides ainda desenterram isso de vez em quando... E, claro, há Karol. Essa tem sido uma fonte incessante de notícias desde... Bem, desde que se tornou muito mais porra louca, como diria meus irmãos.

— Estou detectando certo despeito aí, fratello? — Max zomba, tirando-me do meu devaneio sobre os escândalos reais. — Será que as suas joias da Coroa não fazem frente às minhas, huh?

Dam bufa em desdém e eu decido intervir.

— Ei! Isso é o suficiente de testosterona em plena manhã, não acham? — encaro os dois e eles abrem seus sorrisos arrogantes, tão bonitos e tão parecidos.

— Perdonami, sorella. — dizem quase em uníssono.

Eu reviro os olhos porque eles sabem como me ganhar com esses sorrisos. Max limpa a garganta.

— Irmão, na verdade, eu queria dizer que estou orgulhoso... — ele parece um pouco desconfortável falando seriamente. — Você sabe, com a coisa da Fórmula 1. Mal posso esperar para o ronco oficial dos motores aqui na Ilha. — ri com sua empolgação juvenil.

Dam sorri e estende a mão, bagunçando os cabelos escuros do nosso irmão caçula. Max se esquiva, rolando os olhos para o gesto.

— Grazie, fratello. — Dam diz num raro momento sem provocação para o irmão mais novo. Eu acho que ele compartilha os meus sentimentos de saudade antecipada do nosso irmãozinho. Apenas não vai dizer isso em voz alta. Homens... — Eu tenho um compromisso até as dez, mas volto a tempo de acompanhá-lo ao aeroporto. — informa como se não fosse grande coisa, no entanto, eu sei que é a sua forma sutil de dizer que vai sentir falta de Max enquanto estiver fora.

Max também sabe pelo sorriso brincando em sua boca. Ele se levanta do banco, sua estatura se

elevando. Nossa, quando esse menino vai parar de crescer? Sorrio levemente, mastigando minha última porção das panquecas que Dam preparou para nós. É um ritual que meu irmão mais velho nunca deixou morrer, mesmo depois que crescemos e ele teve que assumir sua agenda como príncipe herdeiro. Sempre que seus compromissos permitem, prepara o café para nós três quando estamos no palácio. Eu amo esses momentos com eles, com os concursos de mijadas e tudo.

— Vou arrumar minhas coisas. — ele anuncia.

— Irei ao seu quarto antes de sair. — digo-lhe com suavidade. — Sentirei sua falta, bonitão.

Ele sorri e isso o deixa ainda mais bonito. Ele se aproxima, inclinando-se sobre mim e me dando um beijo afetuoso na bochecha.

— Também vou sentir sua falta, sorella. — sussurra, seus olhos escuros me encarando. — Então, teremos mesmo um casamento em breve? — assobia baixo. — Mike não está brincando em serviço, hein?

Tenho certeza de que há corações em meus olhos nesse momento.

— Possivelmente. — respondo com um meio sorriso.

Max me dá uma piscadinha maliciosa, dirigindo-se para a porta.

— Ah, o amor... — provoca antes de sumir da nossa vista.

Eu pego um guardanapo, limpando minha boca. Dam está encarando a porta, seu rosto com uma expressão leve.

— Também vou sentir falta desse fedelho. — ele ri, dirigindo os olhos para mim. — Diga isso a ele.

Meneia a cabeça, rindo do seu jeito presunçoso.

— Ele sabe, sorella. — eu rolo meus olhos.

— Homens... Vocês não vão perder as preciosas joias da Coroa por mostrar seus sentimentos.

Mio fratello ri mais.

— Temos uma reputação a zelar, principessa. — rebate, seu tom é brincalhão, fazendo-me bufar.

Eu o observo por um momento. Apesar da descontração dessa manhã, Dam tem estado meio estranho ultimamente. Taciturno, irritadiço. Desconfio que isso tenha a ver com certa doutora. Algo aconteceu entre eles naquela selva, tenho quase certeza.

— O que há com você, Dam? — pergunto baixinho. Seu cenho franze, mostrando confusão, então adiciono: — Algo aconteceu entre você e a doutora Moretti enquanto estavam isolados na selva?

Seu semblante se fecha. Os olhos negros brilham duramente com a menção de Isadora.

— Nada aconteceu. — ele meio que rosna. — O que a faz pensar assim?

— Uh, pelo fato de que a tem tratado com hostilidade a cada vez que a encontra? — aponto, levantando uma sobrancelha desafiadora.

Ele suspira, enfezado.

— A doutora é uma mulher leviana. Uma vad... — corta a ofensa e se levanta, pegando os pratos e levando-os para a pia. — Não vou falar sobre isso com a minha irmãzinha, Valu.

Hum, então algo aconteceu de fato. Meu irmão não ofende as mulheres assim. Não na minha frente, pelo menos.

— Ela tem um noivo. — digo o óbvio.

Dam emite um pequeno rosnado, virando-se para mim e encostando-se à bancada.

— Si. É uma pena que o bom doutor não saiba quão mentirosa é sua futura esposa. — cospe com asco. — Mas isso não é problema meu. — diz e força um sorriso, sua voz suavizando. — E você, sorella? Não acha que já estar pensando em casamento é um tanto precipitado?

— De acordo com nosso pai, não. — respondo com um sorriso brincando na boca. — E Mike se empolgou... Ele quer que nos casemos dentro de dois meses.

Dam ri, o humor enchendo seus olhos escuros.

— O velho não ia aliviar, nós já sabíamos disso. — rimos os dois. — É bom Mike cuidar bem da mia principessa, ou terei de chutar aquela bunda arrogante dele.

Eu me levanto, contornando o balcão e indo até ele. Dam me puxa, envolvendo os braços fortes à minha volta. Eu me sinto protegida nos braços do meu irmão mais velho.

— Grazie, mas você não vai precisar. — digo, levantando o rosto para olhá-lo. — Ele me ama.

— Si, o idiota só precisava levar um sacode para agir sobre seus sentimentos. — resmunga e isso me faz rir. Ele fica sério. — Eu soube que visitou a família de Celina. Isso foi bonito e atencioso da sua parte. Não esperaria menos vindo de você. — sua voz é suave e carinhosa quando sussurra. — Uma princesa da cabeça aos pés. Eu tenho tanto orgulho de ser tuo fratello.

Meus olhos marejam com o carinho do meu irmão. Parece que ele não tem a menor cerimônia em ser meloso comigo, como tem com Max. Tão machista, mas me derreto, apreciando o momento.

— Si, sua família é modesta. Eles precisam de apoio não só financeiro, mas saber que alguém se importa, que lamentamos o triste fim de sua filha.

Dam engole e acena.

— Esse é um risco que todos os funcionários assumem quando aceitam nos servir, Valu.

Infelizmente, pessoas morreram e vão continuar morrendo em nome da realeza.

— É tão injusto, Dam. — choramingo. Eu sei que é verdade, mas ainda assim incomoda que a realeza seja colocada acima das pessoas comuns.

— Si, caríssima. Muito injusto, mas tem sido assim desde que o mundo é mundo. Tudo que podemos fazer é honrá-los com as nossas posturas, como está fazendo ao dar apoio à família de sua camareira.

Eu o olho, impressionada com o quanto tem amadurecido.

— Será um grande rei um dia, mio principi. — digo com emoção na voz. Sua mão levanta para o meu rosto num suave toque fraternal.

— Se eu for apenas metade do rei que nosso pai é, já estarei satisfeito. — diz em tom solene e ele nunca se pareceu tanto com nosso pai como agora.

— Será. Tenho certeza disso. — torno a afirmar. — Vou dar uma passada no quarto de Max para me despedir. — eu o beijo na bochecha e me afasto, pegando minha bolsa sobre a bancada. — Se não nos virmos antes da sua partida, tenha um voo seguro, fratello. Estou orgulhosa de você.

Um sorriso luminoso toma seu rosto e ele me beija suavemente na testa.

— Grazie, caríssima. — ele se estica, alcançando seu celular sobre o balcão e ajeita o terno bem cortado. — Tenho uma reunião tediosa com os médicos da fundação até as dez. — um músculo pulsa em seu maxilar. Quero perguntar se Isadora estará lá, mas não é necessário. Pela sua postura, imagino que a encontrará. Tanto ela como o noivo. Gostaria de cavar mais sobre isso, porém, Dam é muito reservado com seus assuntos pessoais. — Depois de embarcar Max, volto para almoçar com você e os nossos velhos. — anuncia.

— Vemo-nos no almoço, então. — aceno, enquanto saímos os dois, deixando a cozinha.

Meus pais também viajam hoje após o almoço. Eles estão saindo em uma viagem diplomática a Istambul. Um frisson na forma da excitação mais devassa e despudorada escorrega pela minha coluna, passando pela barriga e se instala mais embaixo, no meio das minhas coxas, com o conhecimento de que seremos apenas Mike e eu, sozinhos no palácio.

Por uma semana inteira. Dio mio... Mal passo esperar.



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