História Mike - Príncipe do Domínio - Capítulo 3


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Categorias Michael Ronda, Valentina Zenere
Tags Adaptação, Michaentina, Romance
Visualizações 64
Palavras 5.170
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Crossover, Famí­lia, Mistério, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 3 - Ofereço minha ajuda


Fanfic / Fanfiction Mike - Príncipe do Domínio - Capítulo 3 - Ofereço minha ajuda

Valentina

Eu olho a fachada do museu quando Lorenzo, meu segurança, puxa a limusine para o estacionamento subterrâneo. As obras estão a todo vapor e certamente serão concluídas antes do prazo, como é a marca de Mike. Voltei a trabalhar no mesmo prédio. A razão maior para eu ter ido para o edifício vizinho era a minha birra com Mike. Há salas vazias perto do seu escritório improvisado que não serão tocadas pela poeira e outras partículas que podem danificar a restauração.

Então, montei meu laboratório na sala vizinha à sua desde que retornei na semana passada. O ponto positivo é que verei meu lindo e sexy engenheiro fodão o tempo todo. O negativo é que também verei a cara de vadia dissimulada, a morena belzebu, como Anna e eu a estamos chamando carinhosamente. Rio, subindo as escadas na parte de trás do edifício, que levam direto para a minha sala. Aprendi a lição de não transitar de maneira descuidada no meio de uma grande obra. Mike me ordenou, isso mesmo, ordenou a não vagar mais pela parte da frente, onde os trabalhadores estão em ritmo frenético.

Entro na sala, minhas duas assistentes já estão lá. Elas se curvam em uma reverência respeitosa e me dão bom-dia. Eu as saúdo, indo guardar minha bolsa num dos armários e iniciamos o trabalho. A manhã passa rapidamente, estamos restaurando um dos quadros de Cavichioli, uma Violeta mais sombria é o que temos. Esse foi pintado depois do infortúnio dos amantes. Ela está vestida de preto, sua expressão é a mais triste, de cortar o coração mesmo. Tenho o impulso de mudar as cores e trazer toda a beleza dos primeiros quadros em que o artista apaixonado retratou sua musa, mas não posso. A restauração não pode alterar a essência das obras, uma pena nesse caso.

Volto ao palácio por volta das onze e meia para almoçar com meus pais e Dam. Nosso almoço é tranquilo no salão Royal. Meu irmão informa ao nosso pai sobre a reunião com os médicos da fundação. O rei e rainha se desdobram em elogios à doutora Moretti, para o desconforto de Dam, que apenas assente respeitosamente com sua mandíbula tensa. Minha mãe me pergunta como está a restauração e eu a atualizo. Após a sobremesa, mio papà me convida para ir ao seu escritório para uma conversa. Ele ainda está com um pé atrás sobre o meu relacionamento com Mike, posso sentir pela sua postura e na forma como tem me observado como um falcão nessa semana.

O que ele não sabe é que meu amor pelo meu primo é infinito. Nunca vai acabar. Mike se sente da mesma forma, eu sei. Ele demorou a ceder, mas agora é para sempre. É isso que seus olhos me dizem a cada vez que se fixam nos meus. A cada toque apaixonado de suas mãos e boca em minha pele. A cada vez que me possuiu com sua dominação e intensidade em Londres.

O que sentimos é muito forte, avassalador, nunca vai acabar. Precisamos mostrar isso para a nossa família e para o resto do mundo.

Quando entramos no recinto, meu pai me guia para os amplos sofás vitorianos alguns degraus abaixo na enorme sala, onde nos acomodamos.

— Piccola. — murmura, tomando a minha mão entre as suas. — Precisamos conversar. Eu me viro ligeiramente no sofá, ficando meio de frente para ele.

— Si, papà?

— Não conversamos a sós sobre essa situação toda... — recomeça, seus olhos escuros segurando os meus. — O casamento... Você está bem com isso, principessa mia?

— Si, papà. — digo com voz firme. — Eu amo o Mike. Nunca houve outro homem para mim. Ele me sonda.

— E o duque de Montessola? Você esteve envolvida com ele por um tempo. — aponta.

Eu quase bufo com a menção de Paolo. Meu pai ainda acha que meus sentimentos e de Mike podem mudar.

— Ele foi apenas uma tentativa patética de esquecer Mike. Nunca tivemos nada, huh, mais profundo...

Meu pai acena, parecendo um pouco desconfortável.

— Quando mia bambina cresceu? — sorri, seu rosto se enchendo de nostalgia. — Foi tão rápido. Parece que foi ontem que eu estava olhando para os seus olhinhos de esmeralda pela primeira vez, e agora, você está apaixonada e a caminho de se casar. — faz uma pausa e seu semblante vai assumindo seriedade. — Eu só quero que seja feliz, figlia. Tua felicidade e de teus irmãos está acima da minha. Foi assim desde o momento em que peguei cada um nos braços pela primeira vez. — aceno, meus olhos ficando marejados.

— Eu sei, papà. — murmuro. — Não há pai melhor do que o senhor. — minha voz embarga enquanto me inclino e o beijo na bochecha.

Papai sorri. A risada que enche o escritório me faz lembrar da minha infância, quando o surpreendia aqui no meio do trabalho e ele parava tudo que estava fazendo para brincar comigo.

— Você sempre soube como derrubar tuo papà. — meio que resmunga, fazendo-me sorrir também. Ele suspira com resignação antes de acrescentar: — A notícia foi devidamente esclarecida, mas Mike precisa se pronunciar sobre o casamento. Ele já fez um pedido?

Eu seguro o impulso de rolar os olhos para os modos antiquados do meu pai.

— Não estamos mais no século XIX, sabe disso, não é? — ele levanta uma sobrancelha de monarca que não gosta de ser contrariado. — Mike não vai se casar comigo porque o rei decretou. Vai fazê-lo porque me ama. Nós nos amamos muito, aceite isso logo e vamos evitar embates desnecessários.

Ele levanta a mão, tocando meu rosto, seus olhos muito brilhantes.

— Tão parecida com tua madre. — murmura quase para si mesmo, olhando-me com amor. — Não importa o século em que estamos, bambina. Os pais sempre vão querer proteger seus filhos.

Meu peito amolece com suas palavras amorosas.

— Eu sei, papà. — digo, emocionada, indo me sentar em seu colo. Seu rosto se ilumina por ter sua garotinha assim. Seus braços amorosos me envolvem em um casulo protetor. — Apenas deixe Mike e eu decidirmos sobre o casamento, está bem? — ele não parece muito contente, mas acena. — Deixe-nos fazer do nosso jeito, per favore.

— Desde que não demore muito. — diz com desagrado em seu tom. — Mike cruzou a linha, ele a desrespeitou levando sua pureza antes do casamento.

Dio mio! Sinto meu rosto em chamas de vergonha. Meu pai é mesmo tão antiquado.

— Per Dio! E se fosse um dos meus irmãos levando a pureza de uma garota? — ironizo. — Você os obrigaria a se casar?

Ele faz um som desgostoso, franzindo as sobrancelhas.

— Não fale assim com tuo papà. — ele me repreende. — É diferente. Eles são homens.

Eu bufo.

— Isso é puro preconceito de gênero e sabe disso. — ouso retrucar.

Ele ri, dando-me um beijo conciliador na testa. Eu rio e me aconchego em seu peito forte.

— Va bene, tesoro. — concede, esfregando minhas costas ternamente. — Vou tentar me manter fora e deixar você e Mike decidirem.

Dou risada, sabendo que ele não vai realmente cumprir essa promessa. Meu pai é naturalmente controlador com a sua família. No entanto, agradeço que está pelo menos tentando nos dar espaço.

— Grazie, mio rè. — sussurro.

— Tenham cuidado com sua exposição na mídia, porém. Sua segurança será reforçada. — seu rosto fica sério e ele repete o discurso que eu e meus irmãos escutamos desde a adolescência: — A fama para as pessoas comuns é algo passageiro, a não ser que façam coisas realmente memoráveis.

— sua mão segura o meu queixo e continua: — Sabe que não temos esse privilégio de sermos esquecidos pela imprensa, piccola. Não importa o que façamos, sempre estaremos expostos aos olhos do público por causa de quem somos. A realeza, principessa mia. E isso é para sempre. Tudo passa, mas a realeza, essa é eterna. — completa com seu tom orgulhoso e cerimonioso de rei.

— Eu sei. Nunca irei envergonhar a nossa casa, tampouco o nosso nome, papà. — eu lhe garanto no mesmo tom reverencioso. Ele assente, beijando-me na têmpora.

Despedimo-nos alguns minutos depois. Ele tinha ainda alguns assuntos a tratar antes de tomar o jato e eu, precisava me refrescar e dar um beijo na minha mãe antes de voltar ao museu.

A tarde evoluiu mais devagar, como se o relógio tivesse um complô secreto para me manter separada do homem que amo. Consegui concluir o quadro Cavichioli e dispensei as minhas assistentes ainda há pouco. Quero sair mais cedo e me preparar para Mike. Não irei recepcioná-lo no aeroporto como de costume. Ele me quer esperando em seu quarto.

Nua.

Ah, Dio. Um rio desgovernado de excitação enche a minha vagina quando penso que em duas horas ele estará na Ilha. No palácio. Dentro de mim. Eu gemo, pegando a minha bolsa, pronta para encerrar o expediente por hoje, mas uma batida na porta da sala me faz estacar a meio caminho para sair.

— Entre. — digo com leve impaciência no tom. A maçaneta gira e meu humor é testado quando Vivian aparece na soleira.

Meu cenho franze, perguntando-me internamente o que essa mulher pode querer comigo.

— Vossa Alteza. — cumprimenta numa mesura educada, curvando-se quando entra. Eu aceno levemente a cabeça em reconhecimento. Ela não esqueceu que revoguei sua permissão para se dirigir a mim pelo meu nome. Garota esperta. — Pode me conceder alguns minutos, por favor?

Cáspita. O que ela quer? Torno a me perguntar.

— Estou de saída, como pode ver. — confiro o relógio em meu pulso. Sei que é indelicado, mas a novidade é que não me importo de parecer mal-educada. Não para ela. — Se não for tomar muito tempo...

Ela parece estranhamente desconfortável. Eu a analiso com a mesma atenção e apreensão que lutadores de MMA dispensam a um oponente antes do combate.

— Não ousaria tomar seu tempo, princesa. — diz numa voz muito subserviente. — Eu só queria dizer, mais uma vez, que lamento muito a forma como as coisas mudaram desde que fomos apresentadas. — seu rosto vacila um pouco e eu estreito os olhos, tentando descobrir aonde quer chegar com essa lengalenga. — E também que... Bem, gostaria que Vossa Alteza pudesse me dar outra oportunidade de me redimir. — eu franzo a testa em confusão e Vivian continua, seu tom um pouco mais confiante: — Sou uma submissa experiente, como já mencionei...

— E? — eu me afasto um pouco, olhando-a de maneira intrigada.

— Eu me coloco à sua inteira disposição para o que precisar saber sobre o nosso mundo, Alteza.

— seus olhos castanhos brilham com esperança e eu começo a cogitar que ela é louca. — Posso treiná-la para ser uma submissa imbatível. — meu sangue começa a ferver em fogo baixo. Quem essa vadia pensa que é? Tá certo que preciso de algumas dicas, mas não dela, cáspita! Nunca dessa vaca! Eu bufo. — Ouça, não leve para o lado pessoal o que vou dizer, mas conheço todos os gostos do Mestre Mike.

É o suficiente. Fumaça sai pelos meus ouvidos, enquanto a fuzilo com meus olhos. Eu me aproximo devagar, parando à sua frente. Ela se mantém no lugar. É corajosa, tenho lhe dar isso.

— Você é tão atenciosa... — eu digo baixo. Não preciso gritar. Não. Eu não preciso me descabelar para dar o meu recado e essa puttana vai recebê-lo. Agora. — Ou talvez seja apenas muito estúpida. — cuspo em tom mais duro. — Uma sub imbatível, você está dizendo? — arqueio uma sobrancelha desdenhosa e bufo. — Eu acho que é hora de aceitar que você não deve ser grande coisa como sub, cara. — seus olhos arregalam e surpresa completa estampa seu rosto. — Você não conseguiu prendê-lo mesmo com todos esses conhecimentos dos gostos dele. Aqui vai um conselho que deve seguir: pare de envergonhar a si mesma. Você está sendo ridícula.

— Princesa, por favor, eu não quis ofendê-la. — balbucia, afastando-se um passo para trás. — Como sou mais experiente, pensei apenas em limpar o ar entre nós, ajudando-a. Sinto que lhe devo depois de... Depois...

É possível uma pessoa ter tanta cara de pau? Aparentemente é.

— Depois que peguei você prestes a foder o meu homem. — eu cuspo. — Porque não importa se ainda não estávamos juntos de fato, Mike sempre foi meu. — digo e adoro quando seu rosto perde um pouco da cor. — Si, você é mais experiente do que eu, claro. — e porque quero ser uma cadela total agora que comecei, pergunto com falsa inocência: — Afinal, tem quantos, trinta e quatro? Trinta e cinco? — vejo um lampejo de raiva em seus olhos.

Vamos, mostre a sua cara. Sua verdadeira cara, vadia!

— Trinta e um. Mike e eu somos da mesma idade. — há uma nota de satisfação em seu tom quando me dá a réplica.

— Jura? — rio ironicamente. — Bem, eu podia apostar que era bem mais velha.

Posso dizer que atingi um nervo pela forma que sua mandíbula cerra e ela toma uma respiração aguda. Vamos lá, querida. Venha, me ataque e me dê uma razão legítima para treinar boxe nessa sua cara de puta. Eu a olho desafiante. Mas Vivian é mais esperta que isso. Ela não vem. Não cai na minha armadilha. Com um grande suspiro, diz com uma voz toda controlada novamente.

— Eu não queria ofendê-la, Alteza. Como disse, apenas pensei que, pelo tempo que fui sub regular de Mike, poderia ajudá-la a lidar com o nosso meio...

Santo cielo! Eu juro, vou dar uns tabefes nessa dissimulada. Não posso acreditar que seja tão sem noção para me propor algo assim. Sério? Que mulher aceitaria conselhos de uma antiga amante de seu homem? Somente uma tola faria isso e eu não sou tola.

— Você deve me achar muito ingênua, não é, Vivian? Tola mesmo, eu diria. — digo, ainda tentando controlar o meu temperamento. — Mas deixe-me lhe dizer algo que não deve saber, do contrário, não me faria tal proposta absurda. — ela me olha, atenta. — Você e todas as putas que Mike comeu nos últimos cinco anos eram apenas substitutas pobres, porque era a mim que ele queria quando esteve com cada uma de vocês. — dizer isso é agridoce. Odeio que ele tenha estado com tantas puttanas. Mas, ao mesmo tempo, amo saber que era em mim que pensava o tempo todo. — Ele me confessou que gozava chamando o meu nome em pensamentos. Era a mim que ele queria. É a mim que ele quer. É a mim que sempre vai querer. Portanto, você pode pegar a sua proposta e enfiar em seu traseiro experiente, cara. — estou praticamente rosnando em seu rosto. Isso a faz engasgar um pouco. Ótimo. — Você é uma mulher patética. — uso o mesmo tom irretocável de meu pai e de Dam quando não querem ser mais importunados. — Deixe-me. Agora.

Um arremedo de sorriso cruza seu rosto, como se apreciasse o confronto, mas ela o segura.

— Bem, então, se está tão certa de que pode cuidar do seu homem, não tem nada com o que se preocupar, princesa. — seu tom é baixo, comedido, voltando à mesura forjada com que iniciou esta conversa.

— Pode apostar que sei como manter o meu Mike satisfeito. — rosno dessa vez. — Você é a única ingênua se acha que não sei o que fazer na cama. Não é preciso ser uma puta rodada para satisfazer um homem. Ele mesmo não cansa de me dizer o quanto o faço gozar gostoso. — ela está surpresa com o meu linguajar e eu me regozijo. Toma. — A diferença entre nós, cara, é que não sou uma reles sub que ele vai foder e deixar de lado. Sou a mulher que ele ama. Sempre amou. Sempre vai amar.

Ela puxa uma rápida ingestão de ar e acena.

— Certo. Perdoe-me se fui inoportuna, Alteza. — curva-se e começa a se retirar, mas se vira de novo. Cristo. — Ah, antes que me vá. — eu rolo os olhos. Madonna mia, o que é preciso para me livrar desse encosto? — Quando ele a levar ao clube, fique atenta. Há algumas subs que eram regulares dele e que, bem, podem se tornar rancorosas.

Como você? Bufo sarcasticamente.

Espere. O quê? Clube? Mike vai me levar ao seu clube? Eu engulo, não impedindo meus olhos de ampliarem de surpresa. Ele nunca me falou nada sobre me levar a esse lugar. Não sei como me sinto sobre isso. Vivian parece satisfeita com a minha reação e eu endureço a coluna. Não deixando de olhá-la nos olhos, levanto as minhas mãos diante do seu rosto.

— Vê essas mãos aparentemente delicadas? — sorrio friamente. — Elas podem dar excelentes ganchos, cara. — ela me olha com receio. — Mais uma vez, não me subestime pelo meu título. Eu posso descer do salto e esquecer minha tiara se for preciso. Meu sangue é a mistura quente de italiano com brasileiro e esteja certa de que não vou correr porque as antigas subs do meu namorado estão... — eu bufo jocosamente. — Como você disse? Rancorosas? — rio, dando de ombros, minimizando-as. — Eu, pessoalmente, vou arrancar os olhos de qualquer uma que se atrever a chegar perto do meu homem. Será que isso é suficientemente claro para você?

Algo passa em seus olhos castanhos. É uma expressão sombria, que me dá calafrios.

— Há uma sub em especial. — retoma, parecendo ela mesma com medo dessa. — Tome cuidado com essa, princesa. Ela...

O toque do seu telefone a interrompe e eu agradeço mentalmente a quem está ligando. A mulher não se manca.

— Sinto muito, tenho que atender. Me desculpe mais uma vez por tomar o seu tempo. — ela me olha de uma forma estranha e intensa. — Tome cuidado, princesa. Eu sei que você me odeia, mas não sou a ameaça. — com mais uma reverência, ela finalmente se vai.

Suspiro de alívio e em seguida bufo, agora chateada com Mike. Que raios foi isso? Ele vai ter que mandar esse belzebu embora. Quem ela pensa que é para me encurralar dessa forma? Foda-se! Ela vai embora amanhã! Chega de bancar a namorada compreensiva. Com pai doente ou não, Vivian vai cair fora. Marcho para fora da sala, realmente irritada. Ela é patética. Essa conversa toda foi patética. Eu vou arrancar as bolas de Mike por ter mantido essa puttana na empresa mesmo depois de tudo. Em seguida...

Droga. Em seguida vou beijá-lo até meus lábios ficarem dormentes. Estou morrendo de saudades do mio dominatore.

Mike

Eu tomo um gole da minha cerveja e confiro meu Rolex de ouro, pelo que deve ser a milésima vez dede que cheguei com Lucas e Samuel. Quando encerramos o expediente, resolvi acompanhá-los para uma bebida rápida em um pub, no caminho do meu novo endereço. Mas minha mente não está mais aqui. Estou contando os minutos para alçar voo em direção à minha menina.

— Cara, você pode pelo menos fingir que está apreciando a nossa companhia? — o comentário zombador de Lucas me faz olhar de lado para o meu irmão acomodado no banco à minha direita. Samuel ri à minha esquerda.

O barman está na outra extremidade do balcão, atendendo garotas recém-chegadas e isso nos dá alguma privacidade para falar.

— Desculpe, irmãos. — torço os lábios em um pequeno sorriso. — Eu mal posso esperar para entrar naquele jato.

Lucas revira os olhos e Samuel ri, ambos se divertindo à minha custa. Fedelhos.

— E toda aquela conversa de não demonstrem, em hipótese alguma, que a garota tem poder sobre vocês, irmãos, ou estarão fodidos, que sempre jogou em cima de nós desde a nossa adolescência? — Samuel levanta uma sobrancelha, seu sorriso ampliando por saber que pegou seu irmão mais velho nessa.

Eu dou de ombros.

— Esqueçam essa baboseira. — um pequeno bufo depreciador me escapa. — Isso claramente não funciona quando seu coração foi total e completamente arrebatado.

Isso os faz vaiar, assoviando baixo. Porra, estou parecendo uma mulherzinha.

— Mano, eu não sabia que você tinha essa veia poética acontecendo. — Lucas zomba. Eu faço o meu melhor para ignorar a diversão clara no tom do moleque. Ele termina sua cerveja, fazendo um gesto para o barman trazer outra.

— Parem de me encher, porra. — minha voz é um misto de rosnado e riso, terminando a minha cerveja também. O barman providencia mais uma rodada. — Por que não se ocupam com as garotas ali do canto, irmãos? — indico com o queixo o grupo de três garotas, que agora estão olhando para nós, levantando suas taças de Martini e um convite claro em seus olhos. — Ou será que estão perdendo o jeito?

Samuel bufa, sendo seguido pelo gêmeo. Seus lábios enrolam em sorrisos maliciosos.

— Nós estamos de folga hoje. Pegamos uma garota mais velha ontem e... — Lucas ri como o gato de Cheshire. Sua voz é mais baixa quando completa: — Porra, ela sabe foder, mas Samu e eu demos uma canseira naquela coisa deliciosa.

Porra.

Esses moleques ainda continuam com sua prática de fazer sanduíche de mulheres, pelo visto. Pensei que era uma coisa dos hormônios da adolescência e a coisa de viver a um oceano de distância dos nossos velhos quando foram para a universidade em Boston. Mas parece que os pervertidos gostam mesmo de foder uma garota ao mesmo tempo. Eu meio que bufo com esse pensamento. Quem sou eu para atacar de puritano quando tenho minhas próprias perversões? Quem tem teto de vidro...

Se meus irmãos são felizes assim, que continuem. No entanto, ainda posso zoar com eles. Afinal, é isso que os irmãos fazem.

— Caras, vocês são pervertidos pra caralho. Eles bufam em uníssono.

— Olha só quem fala... O cara que gosta de algemar e chicotear suas garotas. — Samuel zomba em tom baixo, afinal, estamos em público e ninguém precisa saber das perversões da realeza. — Merda, ainda não consigo associar a imagem toda delicada de Valu com as suas preferências no quarto, irmão.

É a minha vez de abrir um sorriso malicioso e arrogante. Se eles soubessem como a princesa aprecia a minha veia pervertida. Porra, apenas pensar sobre a nossa última sessão me deixa duro como aço. Ela foi perfeita, tomando tudo que lhe dei... Ainda posso sentir sua boceta e seu rabo em volta do meu pau, apertados, deliciosos, ordenhando-me além da insanidade. Merda. Eu me ajusto discretamente, segurando um gemido.

Eles estão me encarando com sorrisos insolentes, percebendo que a minha mente conjurou lembranças indecorosas. Fecho a cara, deixando claro que não vou entrar nesse tópico com eles. Minha relação com a minha bonequinha não é para ser discutida. Nem mesmo com os meus irmãos.

— Uh, mano você está monumentalmente fodido. — Lucas alfineta, entendendo a minha carranca.

— Quando um cara se recusa a entrar em detalhes sobre a garota que ele está fod... — eu ranjo os dentes, desafiando-o a continuar. Ele sorri. Cristo, meu irmão é tão idiota. — Huh, namorando, é porque a coisa ficou muito séria.

— Você está cansado de saber que Valu é diferente, idiota. — digo grunhindo. — Sempre foi. — ele levanta as mãos em sinal de paz, ainda com o riso provocador em sua cara.

Samuel ri e se inclina para sussurrar entre nós:

— Não ligue para o bastardo aí, mano. Quando será o pedido? Conhecendo o nosso tio, você deve se apressar se quiser que a sua cabeça permaneça ligada ao seu corpo.

Eu bufo uma risada e tomo um longo gole da minha bebida. O rei não tem ideia do quanto facilitou as coisas para mim com o seu ultimato. Não vejo a hora de colocar meu anel no dedo da princesa e se tudo der certo, dentro de dois meses, minha aliança marcará definitivamente o meu território.

— Nesse fim de semana, em Roma. — movimento as sobrancelhas sugestivamente. — Apenas eu e a princesa.

Lucas provoca novamente:

— Uau, mano, você se transformou na porra de um romântico. — faz uma cara jocosa, então sorri e passa o braço por cima dos meus ombros, seu rosto suavizando. — Estou só zoando, não queira arrancar a minha cabeça. Todos nós sabemos que sempre foi diferente com Valu. — ele rola os olhos.

— Cara, você sempre foi um maricas quando a nossa prima está em causa. Nenhuma novidade aí.

Eu sorrio, porque é a mais pura verdade. Valu sempre foi o meu ponto fraco.

— Valu é a mulher da minha vida. — digo-lhes com seriedade. — Não há nada que eu não faça para fazê-la feliz. — olho entre eles. — Espero que um dia possam sentir esse tipo de amor, irmãos.

Eles arregalam os olhos em sua arrogância e desdém próprios da juventude, então riem.

— Não, não, irmão, ainda é muito cedo. — Lucas toma a dianteira, como sempre. — Quero me divertir até os trinta. — ele pisca, malicioso.

— Com certeza quero encontrar algo assim, mano, mas concordo com o idiota aqui. — Samuel inclina o queixo em direção ao gêmeo. — Ainda é muito cedo. Quero me divertir com as erradas. Não tenho pressa para encontrar aquela que vai me manter cativo. — conclui, piscando também.

Esses moleques. Balanço a cabeça, rindo com eles. Viro a garrafa, despejando meu último gole na garganta e me levanto.

— Hora de ir, caras. — anuncio. Eles se levantam também, dando-me abraços fraternos. — Tenham juízo. — advirto-os, porque não posso deixar de ser o irmão mais velho. Eles bufam para os meus cuidados, mas acenam.

Pego meu casaco sobre a bancada do bar e os deixo, atravessando o ambiente requintado e começando a lotar. O ar da noite londrina me cumprimenta quando passo pela porta. A temperatura caiu aqui fora. Paro sob o toldo e visto o sobretudo longo, olhando nos arredores. A rua está movimentada. A fila de carros na frente do pub aumentou desde que cheguei com meus irmãos mais cedo. Pessoas transitam pela calçada nas duas direções. Casais aconchegados, sussurrando, perdidos um no outro. Um pequeno sorriso repuxa minha boca ao me imaginar fazendo isso com Valu. Em breve, bonequinha. Em breve estará assim comigo para todo mundo ver.

Harry se junta a mim imediatamente, seguido de perto por dois homens. Eu dei carta branca para ele na seleção do efetivo. Confio plenamente em sua capacidade, além disso, ele é filho de Isaac, antigo segurança e velho amigo de meu pai. Crescemos sempre nos encontrando nas comemorações familiares. Nossa relação é muito mais do que apenas profissional, posso garantir. Harry é fruto das noitadas de Isaac quando era solteiro. Seu velho tem mais dois filhos com sua esposa. Um garoto, um ano mais velho que Sam e Em, e uma adolescente de dezesseis anos.

Entramos no SUV negro compacto e os outros homens pegam o outro carro estacionado atrás.

— Você está cansado de saber que deve me chamar antes de sair, Mike. — Harry diz, pondo o carro em movimento.

Eu bufo, ajeitando-me no banco traseiro. Gosto de liberdade. Eu e meus irmãos sempre tivemos algum segurança atento à nossa retaguarda, mas isso nunca me fez sentir desconfortável, como se precisasse realmente de proteção.

Até agora.

— Aumentamos a segurança e isso já é estranho pra caralho. — eu resmungo sarcasticamente. — Estou me sentindo a porra de um astro do rock nesse momento.

Ele ri baixinho e acena, ficando em silêncio depois disso. Uma coisa sobre Harry é que o cara não perde tempo com conversação. Foi assim desde criança. Eu o agradeço por isso, porque nesse momento, tudo que posso pensar é na minha boneca e no quanto estou morrendo para chegar até ela. Seguimos às margens do rio Tamisa em direção à minha cobertura. Olho para fora da janela, para a noite fria. Alguns minutos depois, passando por uma área comercial, avisto algo que sempre me causa uma incômoda sensação de mal-estar: moradores de rua.

São escassos nessa área da cidade, mas avisto um aqui e outro ali se abrigando contra as paredes, cobrindo-se com tecidos rasgados e imundos. Coincidentemente, esse trecho era por onde eu perambulava há muitos anos, quando meus pais me encontraram. Eu não acho que exista no mundo muitas pessoas com a sorte que tive. Mesmo tendo passado tanto tempo, ainda é meio surreal a forma como fui resgatado de um destino fracassado e miserável. Principalmente quando sou forçado a ver de onde eu vim e a crueza sombria desses cenários. Meu pai e eu ajudamos algumas instituições e albergues que cuidam dos moradores de rua aqui em Londres. São milhões doados anualmente, mas ainda sinto que fazemos pouco. Engraçado, você poderia pensar que tal situação de extrema pobreza é o carma dos países menos favorecidos. Eu bufo ironicamente, meus olhos mudando para um grupo de garotos virando a esquina. Eles se esgueiram, formando um semicírculo, passando um baseado entre si.

Ledo engano, a pobreza está nas nações economicamente estáveis também. É uma questão mais política do que humana. Valu não concorda com a minha posição. A boneca acha que tenho uma visão muito cínica do Estado e seus aparatos econômicos e políticos como um todo. A questão é: ninguém que não tenha passado pelo que eu e meu velho passamos nas ruas, pode entender realmente o que é se sentir abandonado de todas as formas.

O carro avança, saindo da zona comercial, e as figuras maltrapilhas vão ficando para trás. Eu suspiro. Estava tão perdido em pensamentos que só agora percebo que Harry sintonizou o som do carro em uma rádio local e Every Breath You Take da The Police, está tocando em volume baixo. Eu descanso a cabeça para trás no encosto do banco e fecho os olhos, obrigando minha mente a pensar em cenários mais agradáveis, como por exemplo, o fato de que eu e Valu teremos o palácio só para nós por uma semana. Dam me ligou antes de partir para Mônaco. A demora dos agentes em localizar o tal colunista o está deixando preocupado também. Ele sabe que cuidarei de Valu com a minha própria vida, se for preciso, mas mesmo assim, ele me fez prometer que não a deixaria vulnerável em nenhum momento.

Concordamos em não falar para a princesa que a sua camareira pode ter sido assassinada. São conjecturas por enquanto, e Valu é muito sensível, ficaria ainda mais tocada com a morte da moça. Não a quero se preocupando com isso, até porque não vou permitir que nada fique em nosso caminho agora que decidimos nos assumir publicamente. Dentro de dois meses, ela será oficialmente a minha mulher, isso é certo. Nada vai nos atrapalhar. Eu não vou deixar.



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