História Mil historia de um vampiro - Capítulo 23


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Capítulo 23 - A libertação da dama de sangue


— dia 1825 ou 1823, diabos — falo me erguendo, estava olhando pela fresta de parede maciça, a cerca de quatro anos fazia isso diariamente olhando se o dia já passará, era a parte mais divertida dos meus dias — hoje parece que vai ser do especial — falo sarcasticamente, me recostando na parede, como sempre fiz nesses últimos anos apenas sentei e esperei minha morte lenta — não vai vir hoje velho amigo — falo me referindo no rato que vinha diariamente ver se eu ainda estava viva, muitas vezes tentava morder minha pele ossuda, mas era a única companhia que eu tinha nessa sala escura e impossível de sair, nos primeiros dois anos eu tentei sair, com força bruta ou magia, fizeram um bom trabalho em construir essa prisão, em pensar que a poucos metros daqui a existia a cozinha — seria bom comer algo, droga já faz dias que não me trazem nada, nem sobras ou comida estragada me trazem mais.

-acho que não me resta muito mais tempo — cochicho cansada mordendo meu próprio dedo ossudo com a pele ressecada e grudada nós ossos. Meus olhos estavam cansados e ardendo, mesmo sem ter oque enxergar na escuridão deste quarto vazio — eu me arrependo? — penso lembrando dos corpos das garotas que deixei jogado na frente do meu palácio que se tornara minha pior prisão.

— droga, estou voltando a alucinar — falo para mim mesma ao ouvir uma voz masculina.

— talvez fosse aquele ratinho, gostosa de tentar não deixar ele me morde, brincadeira divertida eu diria — estava a anos presa em um quarto escuro, o pior não era a fome ou não conseguir enxergar, mas não ter oque fazer “o homem é o lobo do homem” eu diria que o "tédio é o lobo do homem” no começo eu comecei a pensar nas dezenas de Mirtes que causei no total 834, mas só acharam cerca de 600, não me arrependo, por isso agora sou quase imortal, uma maldição na minha atual situação.

— maldição — tento gritar, mas sufoco com minha garganta seca — água seria muito bom, senhor alucinação, escutando passos, eram mais leves do que os do senhor bota, duas botas que passavam andando, das trinta primeiras vezes corri para a fresta implorando para que me soltassem, até ver que eram apenas botas caminhando.

— tem alguém aí? — escutei a voz novamente agora na porta de concreto.

— é acho que sim, viu te chamar de voz de ganso, e minha água, Sr. Voz de ganso?

— espera aí — a voz falou se afastando a passos nulos.

— Aiai, celebro você não tem senso de humor, que tal Sr. Piadista ou Bibi da corte, saudade do meu palhaço não devia ter matado ele bom 10 anos a mais pelo menos.

Após alguns minutos olhando para a luz graça que emergia da fresta que antes me passaram comida, acabei adormecendo, meus olhos em fim puderam descansar tão pesados quanto estátuas de bronze.

— ei você está acordado? — acordo com alguém gritando, junto a batidas na porta de concreto.

— oque? — pergunto confusa, aquilo era real de mais para ser uma alucinação.

— quem é você — grito de volta me afastando da porta com medo.

— espera, já vou te tirar dai — a voz grita com batidas violentas.

— merda — sussurro me arrastando para o mais longe possível no canto da sala encolhida com medo do que estava batendo tão forte no concreto, forte o suficiente para os poucos ele rachar deixando frestas de luz aparecendo.

— sai daqui! — grito assustada deixando poucas lágrimas escaparem sobre meus olhos cecos — me deixe em paz — estava amedrontada aquilo não era humano, talvez o diabo tinha vindo me pegar para me jogar no mar de gelo e frio excruciante.

A coisa ficou em silêncio batendo na porta que logo começou a despencar com baques estridentes de grandes blocos, meus olhos queimaram ao ver luz, alguns segundos me acostumando puder ver um garoto erguendo grandes blocos de pedras como se fossem almofadas.

— você está bem? — ele pergunta, porém, me encolho mais, aquilo não era um humano e não queria saber oque era.

— vamos moça sei que pode falar — ele fala se aproximando, quando estendeu mão em minha direção, eu me debati por extinto, o acertei diversas vezes me debatendo, mas ele não se movera e assim ficou até que eu parei exausta quase desmaiando.

— cansou? — ele me olhava de uma maneira estranha como ninguém nunca me olhou, meu corpo estava fraco de mais para impedir que ele me pegasse em seus braços.

— calma, você vai ficar bem — ele falou me tirando do quarto queimando novamente meus olhos com a luz da lua oque não fora nada ruim.

Acabei desmaiando de fome logo após.

— ei acorde — escutei ele falando enquanto me sacudia, abrindo meus olhos ainda adendo vi ele nitidamente seu rosto fino e pele branca, sua, olhar vermelho e cabelos negros longos — aqui cima — ele falou me dando uma tigela de madeira com uma gosma branca oque parecia muito, muito delicioso. Acabei pegando ela, mas logo me afastei correndo de quatro usando uma das mãos livres, me afastando o suficiente, devorei aquela gosma sem usar a colher de madeira, minhas mãos ficaram cheias de gosma junto ao meu rosto, era a comida mais deliciosa que já havia devorado, em segundos a tigela estava limpa tinha raspado toda com meus dedos ossudos.

— delicioso não, desculpa por não saber cozinhar bem — a coisa falava rindo — quem é você? — pergunto me afastando — pode me chamar de Manuel, sou o novo dono desse castelo, desculpe não sabia que alguém ainda morava aqui.

— oque você é?

— que delicadeza, então você é Elizabeth, Elizabeth condessa de sangue, devia estar morta não? Para uma bruxa está bem pasma em ver um vampiro.

— um vampiro? Você, já ouvir falar, mas achei que era um mito.

Manuel não falou mais nada apenas pegou outra bandeja e colocando mais gosma branca digo aveia, ele não era como os outros homens, podia sentir algo diferente nele que nem mesmo meu antigo marido tinha, seria isso amor? Penso mesmo depois de anos.

Após aquele dia, andei do lado de Manuel aprendendo coisas que pudessem ajudar meu amado, até que ele acabou ficando com aquela cigana, se ele a ama está tudo bem.



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