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História Milagres de Junho - Capítulo 29


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Notas do Autor


Oii Cupcakes <3! Aqui estamos nós com o penúltimo capítulo. Eu já quero começar me desculpando pelo tamanho do capítulo. Eu ainda pensei em dividir, mas achei melhor postar de uma vez. Então, tenham um pouquinho de paciência. Eu prometo que vai valer a pena. Muito, muito, muito obrigada pelos comentários do capítulo passado da Jujubalos, NandadeLuca, Princesa_Fefeh, dudamsilvaa, anna__laura e Emy_Lyah. Boa leitura...

Capítulo 29 - Sonho


ROMANCES MENSAIS

LIVRO VI - MILAGRES DE JUNHO

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CAPÍTULO XXVIII - SONHO

Tem alguma coisa de estranha acontecendo. Eu sentia isso. Todos pareciam esconder alguma coisa de mim e estavam agindo de forma suspeita há uma semana. Não que minha família fosse exemplo de normalidade, mas eu sentia que tinha alguma coisa por detrás de todos os cochichos e risos, todas as vez que eles se reunião e eu aparecia de repente. Felicity também andava um pouco estranha. Sempre ocupada e com os nervos a flor da pele, ela havia me evitado a semana inteira.

Minha mãe e Thea também pareciam a ponto de surtar. Elas estavam tão nervosas que eu sentia que qualquer pergunta que eu fizesse seria motivos para as duas cometerem um assassinato. Damon, meu pai, Tommy, meus avós, tios e todos os meus primos pareciam me encarar sempre com aquele olhar divertido e cheio de expectativas. Quando eu os questionava, a resposta que eu recebia era sempre a mesma: não está acontecendo nada. 

Mas mais uma vez, eu sentia que isso não era apenas paranoia minha. Enquanto seguíamos para mais uma loja de roupas para experimentar novos ternos, já que aparentemente, a loja onde havíamos alugado os ternos para o casamento dos pais de Damon e Elena haviam dado problema, eu via meus primos conversando e trocando sorrisos cúmplices mais a frente, enquanto meu melhor amigo segurava a mão de Tony, que ria e comentava com o tio o que via de mais interessante. E eu odiava essa sensação de estar por fora dos acontecimentos. 

- Você realmente podia ter vindo? - Questiono para Tommy, enquanto empurrava a cadeira de rodas dele pela avenida conhecida pelas inúmeras lojas de roupas para casamentos. - Você não deveria estar descansando?

Seis dias se passaram desde que ele levou o tiro, então ainda estava proibido de fazer movimentos bruscos por um mês. Por isso, tia Rebecca só permitiu que ele viesse conosco para realizar a nova prova de ternos se fosse na cadeira de rodas, já que andaríamos pela grande avenida das noivas até encontrarmos a loja que Damon mais gostasse. E felizmente ela havia decidido isso, já que já estávamos andando há uns vinte minutos e meu melhor amigo não parecia satisfeito com as lojas atuais.

- Eu estou bem. - Afirma meu amigo dando de ombros. 

- Ainda acho que deveria ficar deitado na sua confortável cama ao invés de ficar andando por ai como se não fosse nada demais. - Respondo, sem acreditar em suas palavras. 

- Fala o cara que estava dirigindo depois de ter realizado uma hepatectomia¹. - Retruca Tommy, encarando-me com ironia.

- Você levou um tiro, Tommy! - Resmungo, revirando os olhos. 

- E você retirou uma parte de um órgão. Nós dois sabemos que isso é muito mais complicado do que a recuperação de um tiro. - Fala o outro, dando uma breve risada. - E eu realmente estou bem. Não aguentava mais ficar em casa, ouvindo as reclamações da minha mãe e a sua superproteção. Eu já estava ficando sufocado. E... bem, ficar sozinho me faz pensar em coisas que eu não deveria.

- Ainda pensando em Laurel? - Pergunto, sentindo o gosto amargo em minha boca ao citar o nome da mulher que infernizou minha vida e que por muito pouco não matou meu filho. Eu ainda não conseguia perdoar o que ela fez ou pensar no assunto sem sentir a súbita vontade de torcer o pescoço de minha ex-namorada.

- Sim. Eu só... Bem, eu gosto da Laurel desde que éramos crianças. Enquanto você tinha seus primos da família Barton, Laurel estava sempre comigo. Você sabe que apesar de ter o temperamento estourado, ela era uma boa garota. Laurel sabia exatamente o que dizer para os animar. Por mais que eu tente ignorar, eu não consigo parar de pensar quando ela começou a mudar. De repente, ela sequestrou uma criança e se eu não tivesse entrado na frente de Tony, ela tinha atirado nele. - Tommy parecia extremamente deprimido. Sua voz revelava a culpa que levava em sua consciência. 

Apesar de tudo, eu entendia como ele se sentia. Laurel realmente era uma boa pessoa quando criança. Ela realmente me ajudou a sair do fundo do posso quando Sara morreu. Assim como o rapaz na cadeira de rodas, eu também não entedia como uma pessoa poderia ter mudado tanto. Talvez, nós apenas estivéssemos nos cegado pelas palavras doces usadas por ela naquela época e apenas não víamos a verdadeira natureza de Laurel. 

- De qualquer forma, o melhor a fazer agora é dedicar sua mente em outras coisas e esquecer Laurel. Você é uma boa pessoa, Tommy. Facilmente influenciável? Sim. Babaca? Com certeza...

- Ei! - Reclama o rapaz, rindo de minha brincadeira. - Eu já aprendi minha lição. E eu já pedi desculpas por ter dito que você deveria esquecer do seu filho. Eu tenho ciência de que fui babaca. Mas, o fato de me redimir não deveria contar?

- Claro que conta. É por isso que eu disse que você é uma boa pessoa. - Respondo, rindo. Ele dá uma risada anasalada e suspira, fechando os olhos ao sentir a brisa suave do outono bagunçar nossos cabelos. - Obrigado mais uma vez. Você arriscou sua vida levando um tiro para salvar a vida do meu filho. Eu serei eternamente grato.

- Estamos quites. - Responde, dando de ombros. Ele me encara pelo canto do olho com um meio sorriso. - Você sempre foi um bom amigo. Merece ser feliz, Oliver. Então pare de agradecimentos desnecessários. Eu estou bem e seu filho também. Tony é um garoto forte. Eu pensei que ele fosse sofrer vários traumas depois do que aconteceu, mas parece que ele reagiu bem.

- Ele ainda tem alguns pesadelos com a Laurel e não dizemos o nome dela em voz alta. Mas ele é realmente muito forte. E você sabe como é minha família. Eles se apegaram ao Tony. Essa semana, ao invés de ficar com a Mal, eles insistirem em cuidar no neto no período da tarde e passam o dia brincando com ele. Meus pais e Thea também insistem em ter contato com ele diariamente. E meus primos... bem, acho que já dá para ver como Tony os adora. - Digo, sinalizando para a forma como o garoto se divertia com Damon, Austin, Barry e Ben. - Segundo a psicóloga dele, as sessões de terapia e o apoio da família é o essencial para conseguir superar os traumas. 

- Ele vai superar. - Afirma Tommy, sorrindo discretamente. - Tony é uma criança extremamente inteligente e madura, então acho que ele será capaz de assimilar tudo o que aconteceu e seguir em frente.

- É o que esperamos. - Respondo, suspirando cansado.

- Anda logo, papai e tio Tommy! - Grita Tony, no colo de Damon. Meu melhor amigo sussurra alguma coisa a mais no ouvido do garoto, que ri e assente, concordando. - Vocês são muito lerdos!

- Para de ensinar coisa errada para o garoto, Damon. É por isso que todo mundo diz que você é má influência. - Provoca Tommy, sorrindo irônico.

- Olha que incrível, Tony! - Damon aponta para frente, chamando a atenção de meu filho. O homem então lança o dedo do meio para Tommy e balbucia um "vá a merda".

- O quê, tio Damon? - Pergunta Tony, inocentemente, voltando a encarar meu melhor amigo. O trio ao lado passa a rir, esperando a resposta de Damon. Aproximo-me mais deles com Tommy.

- Ah... era um porco voador. Mas ele já foi embora. - Responde Damon, fazendo com que todos segurassem suas risadas ao relembrar das desculpas que eu dava para nossos primos mais novos, fazendo essa mesma brincadeira, apenas para roubar beijos de Sara. 

- Não seja bobo, tio Damon. Porcos não voam. - Tony repreende o tio, dando tampinhas de leve no rosto dele, como se Damon fosse uma criança ingênua e Tony o adulto.

É claro que depois disso, foi impossível segurar nossos risos. Não importa quanto tempo eu passe ao lado de meu filho, ele sempre dá um jeito de me surpreender. Sendo alvos de olhares confusos, demoramos algum tempo até conseguirmos nos recuperar da crise de riso. 

- É melhor nós entrarmos. Eu estou começando a ficar com medo de alguma pessoa chamar o manicômio para nós. - Alerta Austin, risonho. Ele passa as mãos pelos olhos, limpando as lágrimas que escorreram pelo seu rosto de tanto ri. 

- Finalmente escolheu uma loja, Damon? - Pergunto empurrando a cadeira de rodas de Tommy em direção a loja que Austin, Barry e Ben entravam.

- Não foi nada fácil. - Comenta Ben, lançando um olhar repreendedor para Damon.

- Quem diria que Damon se tornaria um cerimonialista tão exigente. Vou perguntar para a minha prima qual foi o segredo para domar a fera. - Brinca Barry, fazendo Damon revirar os olhos.

- E você ainda pergunta? - Provoca Tommy com um sorriso malicioso. - Foi o amor, é claro.

- Parem de encher o saco e entrem logo. - Resmunga Damon, envergonhado.

Aos risos, entramos na loja e prontamente fomos recepcionados por uma atendente. Damon tomou a liderança e passou a explicar tudo a mulher, que prontamente chamou sua equipe para nos ajudar a escolher nossos ternos. Sem estar realmente interessado em qual modelo de terno usaríamos para a cerimônia, fico cuidado de Tony, enquanto observo toda a movimentação. Eu seria apenas um convidado, então eu vestiria um terno simples mesmo.

- O que está esperando para escolher o seu terno, Oliver? - Questiona Damon, encarando-me como se eu estivesse ferindo a mais grave das regras do mundo do casamento.

- Eu não preciso escolher. Irei com o clássico terno e gravata pretos, camisa social branco e sapatos pretos. - Respondo, dando de ombros. 

- Ficou maluco?! - Questiona Barry e eu o encaro, entendiado.

- Qual o problema? Eu serei apenas um convidado. Deixe os noivos terem o destaque do dia. Além disso, eu sou o pai da criança mais bonita do mundo e o noivo da mulher mais deslumbrante do universo. Não importa o que eu vista, eles sempre vão chamar mais atenção. - Respondo e os cinco homens me encaram como se tivessem ouvido uma grande bobagem. - O que foi?

- Levanta logo daí e acompanha a Chloe para ela te mostrar as opções de ternos. - Resmunga Damon, lançando aquele olhar que eu conheço como "você não tem outra opção". - Não temos o dia todo.

- Mas o Tony... 

- A gente cuida dele. - Responde Ben, sorrindo em desafio, provavelmente pronto para retrucar todos os meus argumentos.

- Tony, não saia de perto dos seus tios. Eu já volto. - Alerto o garoto, que brincava com o meu celular, jogando um dos inúmeros joguinhos infantis que eu baixei para distraí-lo.

- Sim, papai. - Responde Tony, sem nem tirar os olhos da tela do celular.

Acompanho a atendente de longos cabelos pretos presos em um alto rabo de cavalo. De repente, sou obrigado a experimentar diversos smokings, que variavam em cores e quantidades de peças. E é claro que meus melhores amigos tinham que me obrigar a passar pelo ritual semelhante aos das noivas quando levam as amigas para experimentar vestidos. Eles faziam questão de fazer comentários idiotas e tirar fotos dos modelos mais ridículos. 

Eu não faço ideia de quanto tempo permaneci naquele ciclo de experimentar roupas e mostrar para meus amigos, mas foi inevitável um suspiro de alívio quando Chloe apresentou o último modelo que eu provaria. Enquanto eu me vestia, ouço a voz alta de Damon, parecendo gritar com alguém por telefone. Pelo pouco que deu para entender, ele estava com algum problema com o fotógrafo do casamento do pai.

- Qual o problema? - Pergunto, assim que saio do provador. Damon estava mais afastado e ainda brigava ao telefone, então nem mesmo notou a minha presença.

- Uau! Esse ficou ótimo, Oliver! - Afirma Austin, fazendo um sinal positivo com as mãos.

- Sim. Provavelmente não vai precisar de ajustes. - Comenta Tommy, parecendo tão satisfeito quanto o loiro.

- Eu casava. - Brinca Barry, lançando uma piscadela.

- Desculpa. Eu já tenho o Damon. - Respondo, fingindo esnobar Barry, e ele coloca a mão no peito em falsa mágoa.

- O que achou, Tony? - Pergunta Ben, que estava com o garoto no colo. Tony desvia o olhar da tela do celular e me encara com um grande sorriso. - Como seu pai está? Ele não está bonito?

- Você está muito bonito, papai. - Afirma Tony, sorrindo com doçura.

Acabo sorrindo e encaro a minha aparência no espelho. Eu usava um smoking preto com lapelas em cetim, um colete preto, camisa branca e gravata borboleta. No meu bolso, Chloe coloca uma rosa amarela e se afasta para que eu pudesse ver como eu havia ficado. Sorrio. Havia ficado realmente muito bom, ainda que eu achasse o colete e a rosa um exagero.

- Uau! Já está pronto para nos casarmos. - Fala Damon, observando-me com um sorriso divertido. 

- Só falar o dia e a hora. - Brinco e ele ri.

- Hoje. Às oito horas da noite. - Responde com um sorriso cansado. - Inclusive, Chloe, isso é sério. Nós podemos levar esses ternos hoje e devolvermos na segunda-feira?

- Se não precisarem fazer muitos ajustes, podemos sim. - Afirma a mulher, sorrindo simpática.

- Ótimo. 

- O que aconteceu? - Pergunto, estranhando essa pressa repentina. 

- Você se lembra que eu tinha comentado semana passada com você que iríamos fazer um ensaio fotográfico antes do casamento? As mulheres da família com a tia Isobel e os homens com o meu pai? - Questiona Damon e eu assinto, concordando. - O maldito disse que aconteceu um imprevisto e teremos que fazer esse ensaio hoje. Iremos aproveitar a lua cheia para fazer um ensaio mais misterioso ou outra baboseira que ele disse. Então iremos para a casa dos seus avós hoje à noite para fazer esse ensaio.

- É sério isso? - Questiono, desanimado. - Eu queria aproveitar essa noite de sábado para jantar com Felicity. Comemorar nosso um mês de namoro.

- Que romântico. Quem olha assim, nem pensa que é um ogro. - Provoca Barry e eu lanço meu olhar nada amigável para ele, que por instinto, acaba se encolhendo. Hoje em dia nós nos damos muito bem, mas quando mais novos, Barry sofreu bastante nas minhas mãos. Não que eu tenha orgulho disso, mas o garotinha sempre acabava sendo alvo de minhas brincadeiras um pouco pesadas demais para uma criança. Eu não fazia por mal, mas eu gostava de usar o Barry como meu alvo, enquanto praticava arco e flecha. 

- Não brinca com fogo, que daqui a pouco ele arruma um arco do meio da bunda e relembra os velhos tempos. - Provoca Damon, divertindo-se com a careta de Barry. Acabo rindo, porque não perdia a graça provocar Barry. - E seu jantar vai ficar para outro dia. Eu tenho certeza de que a Felicity vai entender. Nós vamos nos arrumar lá em casa e depois seguimos para a casa dos seus avós. Meu pai vai se arrumar no salão de beleza e vai direto para lá. Barry, você fica responsável por levar Ben, Austin e Tommy.

- Como sempre. - Comenta o outro, entendiado.

- Não adianta fingir. A gente sabe que você nos ama. - Retruca Austin, sorrindo convencido.

- E você nem tinha planos para hoje mesmo. Você está de folga e a Cait trabalhando. Então fique feliz que vai passar o sábado a noite ao nosso lado. - Fala Ben, provocando o primo.

- Quando eu acho que vou me livrar de vocês... - Comenta Tommy, suspirando dramático.

Depois de muitas discussões, todos terminaram de escolher seus ternos, que foram muito mais rápidos que eu. Depois disso, passamos o restante do dia resolvendo os últimos detalhes do casamento com Damon. Quando eu dei por mim, já era hora de irmos para casa. Como eu combinei com meus pais no dia anterior, deixei Tony com Thea e fui para a casa de Damon para me arrumar para o ensaio pré-casamento.

A verdade é que eu estava exausto. Após passar o dia escolhendo bebidas, decoração e outros assuntos que eu nem sabia que era necessário para um casamento, tudo o que eu queria era ter uma boa noite de sono. Eu também passei o dia tentando falar com Felicity, mas seu celular se encontrava desligado, então imaginei que ela deveria estar ocupada no hospital. Ela havia me dito que o doutor perfeição pediu para trocar de turno com ela, porque iria sair com uma garota nova. Então eu dei total apoio para que ela o cobrisse.

Damon parecia estar em uma pilha de nervosos. Ele não largava o celular em nenhum minuto, trocando mensagens e ligando para outras pessoas. Ainda era difícil de acreditar que meu melhor amigo estava assim tão dedicado em fazer o casamento do pai com a mãe da namorada. Acho que eu nunca o vi tão envolvido em um projeto como esse. Pelo visto, seria um casamento muito bonito.

Como conseguimos trazer nossos smokings para casa, tudo o que fizemos foi tomar banho e vestir nossos trajes para a prévia. Quanto mais nos aproximávamos da casa dos meus avós, mais nervoso Damon parecia ficar. Parecia até que o casamento seria dele e que seria realizado ainda hoje. Ele roía as unhas e balançava a perna, intensamente.

- Por que está tão nervoso assim? É só o ensaio de casamento. Seu pai já deve estar a caminho e do jeito que o Barry é apressado, os outros já devem estar lá. - Tento tranquilizar meu amigo e ele finalmente para de roer a ruim para me encarar, sorrindo sem graça.

- É que... isso é muito importante para mim. Muito mesmo. É um casamento muito especial para mim. Então, eu quero que tudo saia perfeito. - Responde Damon, encarando-me com um sorriso sincero.

- Vai sair. Não tem com o que se preocupar. Você e Elena estão fazendo um excelente trabalho. Você já sabe até mesmo a diferença dos materiais dos guardanapos usados na cerimônia. Tenho certeza que tudo vai sair incrível. - Afirmo e ele sorri, respirando fundo.

- Você gostou das coisas que eu escolhi hoje? Quer dizer, você acha que os convidados e os noivos vão gostar? - Pergunta meu melhor amigo, inseguro. Era a primeira vez em anos que eu via Damon assim. Chegava a ser cômico.

- Claro que vão. Eu sou suspeito para falar, porque temos gostos parecidos, mas eu não teria feito escolhas diferentes se fosse para o meu casamento. Tio Giuseppe e tia Isobel vão amar. - Respondo com sinceridade e isso parece deixar meu melhor amigo mais calmo.

- Certo. Obrigado. - Agradece Damon, sorrindo mais relaxado.

- Sempre que precisar, irmão. - Digo, trocando um rápido toque com meu melhor amigo.

E finalmente chegamos na casa dos meus avós. Surpreendo-me ao ver que não havia carro algum na entrada da mansão, indicando que Barry, os rapazes e o fotógrafo ainda não haviam chegado. Sinto Damon ficar tenso novamente, mas ele não diz nada. Ele digita freneticamente em seu celular, provavelmente em busca de notícias do pessoal. Meu melhor amigo então suspira e me encara com um sorriso nervoso.

- É melhor nós entrarmos. Austin me disse que eles já estão chegando. O fotógrafo também deve estar para chegar. Meu pai também me mandou mensagem, avisando que atrasaria uns dez minutos, mas já está a caminho. - Comenta Damon, encarando o celular.

- Tudo bem. - Concordo, estacionando o carro. Assim que descemos, suspiro ao encarar a linda Lua cheia soberano no céu noturno de Hawkins. Seria incrível aproveitar esse cenário romântico para ter um jantar a luz de velas com Felicity.

Damon desce do carro e segue na frente para tocar a campainha. Travo o carro e ajeito a gravata borboleta que incomodava meu pescoço. Aproximo-me de meu melhor amigo no mesmo instante em que Agnes atende a porta da mansão imponente de meus avós. Ela estava diferente. Mais arrumada do que de costumes.

- Uau! Que gata é essa? - Brinco e ela ri, negando. - Por acaso eu vim parar no paraíso e eu não estou sabendo?

- Vocês também estão lindos. - Comenta Agnes, abraçando Damon. Ela também me dá um abraço e abre espaço para que entrássemos. - Os seus avós estão no jardim. Tudo já está pronto para o ensaio, Damon.

- Certo. Obrigado, Agnes. - Agradece Damon, ainda encarando o celular. - Bom, é melhor irmos para...

E então, todas as luzes da mansão dos meus avós se apagam. Arfo, surpreso. Essa era a primeira vez que eu via esse enorme lugar completamente apagado. Agnes também parece surpresa com a inesperada queda de energia.

- Era só o que me faltava. - Choraminga Damon e isso começa a me deixar nervoso também.

- Calma. Vamos procurar o quadro de luz. Deve ter sido apenas um fusível. - Comento, tentando tranquilizar o rapaz. Pego meu celular do bolso e acendo a lanterna dele. - Agnes, onde fica o quadro de energia da casa?

- Por aqui. - Responde Agnes, indo na frente para nos guiar. Damon vai logo atrás dela, usando o próprio celular para iluminar o caminho.

O lugar era tão grande que tornava o cenário propício a um filme de terror. Mesmo com as lanternas de nossos celulares, nós ainda não conseguíamos enxergar tão bem o caminho. E então, chegamos ao fundo da mansão de meus avós. Agnes para e abre a porta de vidro que nos levava ao jardim da casa. Ouço alguns barulhos estranhos e isso começa a me deixar mais nervoso ainda. 

Saímos da casa e assim que coloco meus pés no jardim, as luzes da casa se acendem e eu prendo minha respiração ao ver o jardim da casa dos meus avós completamente decorada com luzes de led e flores. O local estava cheio de rostos conhecidos como meus primos, tios e amigos. As pessoas gritavam, eufóricas. Vejo então um altar no fim do tapete vermelho que cortava o jardim. 

- Vamos lá. - Fala Damon, empurrando-me.

- O que... está acontecendo? - Murmuro, atordoado. 

- Você, meu amigo, está no seu casamento. - Responde meu melhor amigo, sorrindo animado. 

- O quê? - Questiono, ainda sem acreditar no que estava acontecendo.

Damon me conduz até o tapete vermelho e minha mãe se aproxima de mim. Ela usava um vestido roxo simples, mas que a deixava linda. A mulher sorria emocionada e me abraça apertado. Meus primos acenavam animados e riam de minha falta de reação. A minha expressão deveria estar expressando toda a minha confusão. 

- Chegou o grande dia, filho. - Sussurra minha mãe, afastando-se de mim.

- Como vocês conseguiram fazer tudo... isso? Quando que...? Deus! - Eu nem sabia o que pensar. Damon ri e minha mãe pega no braço dele, sorrindo amorosa.

- Todo mundo fez sua contribuição, mas as grandes cabeças por trás da cerimônia foram Damon e Felicity. - Confessa a loira, encostando a cabeça na de Damon.

- Por isso o estresse e todo o desespero para que tudo saísse perfeito! Você estava organizando meu casamento, não o do seu pai! - Relembro de todos os sinais e ele ri, concordando. Damon deixa um beijo na testa de minha mãe e suspira. - Diggle vai realizar a cerimônia de casamento. Obviamente, eu serei o seu padrinho. Então eu irei lá para frente. Entrem quando a música começar e o resto é com você. Espero que goste de tudo, irmão.

- Você é o melhor. - Afirmo, abraçando Damon. 

Eu estava tão emocionado que foi difícil segurar as lágrimas, enquanto entrava pelo tapete vermelho ao som delicado do piano e do violino. Todos sorriam e a cada passo dado em direção ao altar, mais apoio eu recebia de minha família e amigos. A emoção era inexplicável. Até mesmo meus avós pareciam emocionados.

Assim que chego ao altar, cumprimento Diggle, um amigo de infância que eu nem mesmo sabia que havia retornado para a cidade. Minha mãe beija a minha testa e se coloca em sua posição. Respiro fundo, tentando controlar minhas emoções. Sorrio ao reconhecer cada um dos convidados. Até mesmo Nancy e tia Tasha haviam comparecido.

Os primeiros toques de Your Eyes Open ecoam pelo jardim e com a voz doce de Ally interpretando a canção, assisto Felicity se aproximar do tapete vermelho acompanhada de meu pai e Tony vinha logo a frente junto de Holly. Ela estava deslumbrante. Com seu vestido creme rendado contornando seu corpo com perfeição e o buquê de flores rosas, ela caminha pelo tapete em minha direção, com seus lindos olhos fixos nos meus.

Meu coração bate loucamente e minhas mãos tremiam. As lágrimas logo se formam em meus olhos. Eu não sabia definir o que eu estava sentindo. Tony alcança o altar com Holly e corre para Thea, acenando em despedida.  E depois do que pareceu uma eternidade, meu pai beija a testa de Felicity e me entrega a mão dela. Uma promessa silenciosa é feita entre meu pai e eu. Ele sempre a viu como uma filha e esperava que eu a fizesse feliz. 

Volto meus olhos para Felicity. Seu sorriso era como o Sol, iluminando e trazendo vida a minha existência. Ela sorria, nervosa, ansiosa. Eu não sabia como reagir além de admirá-la. A mais bela mulher que já tive o prazer de conhecer. Nossas mãos se entrelaçam. Tremiam, incertas sobre o que deveríamos fazer.

- Oi. - Ela sussurra, quase sem voz. 

- Oi. - Respondo, tão afetado quanto ela. 

- Eu sei que é meio repentino, mas você quer casar comigo? - Ela pergunta, ansiosa. As risadas ecoam pelo jardim. Acabo rindo também, nervoso, mas certo de minha resposta.

- Sim. Eu quero. Muito. - Respondo, sem conter a minha felicidade.

- Mesmo? - Questiona Felicity, incrédula.

- É claro que ele aceita, mulher. Esse homem te pediu em casamento três segundos depois de te beijar. Acha mesmo que ele ia recusar um pedido desses? - Grita Damon, que recebe um tapa de Elena, enquanto as risadas se espalham pelo local.

- Isso é verdade. - Concordo, lançando uma piscadela para Damon. 

- Já que os noivos estão de acordo em continuar a cerimônia, acho que podemos começar o casamento. - Afirma John Diggle, sorrindo com gentileza. Felicity e eu nos viramos para o homem que nos encara brevemente, antes de todos se sentarem. - Quando eu recebi a ligação de Tommy informando que precisaria de mim para celebrar um casamento que seria organizado em cinco dias, eu fiquei surpreso. Mas descobrir que Oliver Queen tinha um filho e ia se casar com a mãe dessa criança, sendo que eles se conheciam a três meses me chocou ainda mais. Eu acho que fiquei pelo menos uns quarenta minutos confirmando com Tommy se estávamos falando do mesmo Oliver Queen. Não fazia sentido algum. 

"Bom, não fazia até eu conhecer Felicity Smoak. E logo compreendi o que aconteceu. Assim como todos que estão aqui presentes, Felicity conquistou a minha simpatia logo no primeiro contato. E de repente, não pareceu tão insano assim um casamento sendo realizado três meses depois dos noivos se conhecerem e um mês depois deles começarem a namorar. A forma como vocês se olham deixa claro a intensidade do amor de vocês. Essa linda criança que os observa com tanto fascínio é a prova viva de que vocês estavam destinados a se conhecerem e a viver essa linda história de amor." - Sorrio emocionado com as palavras de Diggle, observando as lágrimas se formarem nos olhos de Felicity. - Eu realmente me sinto muito grato por poder realizar a cerimônia de casamento de vocês.

- Obrigado. - Sussurro e Felicity assente, parecendo evitar falar para não permitir que as lágrimas descessem.

- E agora, vamos aos votos dos noivos. - Orienta Diggle, levando o microfone para perto de Felicity, indicando que ela começaria.

- Oliver, eu sempre acreditei que não era boa suficiente para conhecer o amor. Eu não cresci em um ambiente amoroso, não fazia ideia do que era receber o carinho do meu pai, da minha mãe ou da minha família. E então, Clint entrou na minha vida com toda a sua excentricidade. Ele me incentivou a seguir o meu sonho de me tornar pediatra e eu me ajudou a conseguir entrar na universidade dos meus sonhos. Essa foi a primeira vez que experimentei um pouco do que é ter uma família. Na universidade, eu tive o prazer de conhecer Mirela Moon, que se tornou uma irmã mais velha para mim. E então surgiu a honra de trabalhar com Robert Queen, meu mentor que sempre me tratou e me orientou como um pai. Sem perceber, eu fui sendo acolhida por sua família, sem nem mesmo imaginar que um dia eu te conheceria. E esse dia chegou. De forma tão inusitada que até hoje eu mal consigo acreditar. Acho que ninguém ainda consegue.

"Nossa conexão foi única. Eu me lembro perfeitamente de ficar fascinada pelos seus olhos. Eles eram tão intensos e pareciam carregar tanta doçura e força. E então graças a você, eu consegui o meu maior milagre. Eu achei que conseguiria me manter longe de você. Eu tive medo daquela conexão. Daquele fascínio que mexeu tanto comigo. Mas novamente você foi responsável por mais um milagre em minha vida. E então você entrou de vez em minha vida, trazendo toda a sua intensidade. Você despertou o meu lado mais irracional e impulsivo. Oliver, você conquistou cada pedaço do meu coração e da minha mente. Ao ponto de me fazer organizar um casamento em cinco dias, apenas porque eu não via a hora de me casar com você. Você trouxe a felicidade que nem em meus melhores sonhos eu imaginei que sentiria. Eu amo você. Eu amo nosso filho. Eu amo essa família que nos acolheu com tanta doçura. Eu ama pessoa que eu me torno quando eu estou com você. Enfim, eu amo estar com você e não vejo a hora de passar o resto de minha vida ao seu lado". - Felicity sorri e as lágrimas rolam com intensidade pelo seu rosto. Rio e também permito que as minhas se revelassem. Limpo seu rosto e aperto nossas mãos, ansioso para beijá-la. Diggle então passo o microfone para perto de mim. 

- Bom, eu primeiro quero me desculpar com vocês. Eu não estava preparado para o meu casamento, então não tenho meus votos. - Começo e todos riem. Respiro fundo, tentando manter minha voz firme. - Como Diggle disse, eu acho que você sempre esteve destinada a mim. Fosse por causa de tio Clint, por causa da universidade, por tia Mimi, pelo meu pai. Enfim, não importa como, nós nos encontraríamos e nos apaixonaríamos a primeira vista, assim como aconteceu. Tudo começou com um empurrão de Damon, que me fez esbarrar em você e desde então eu nunca mais fui capaz de esquecer o brilho dos seus olhos ou o aroma envolvente de seu perfume. Durante seis anos, eu observei você fugir de mim e isso só me fazia querer te conhecer ainda mais. E foi então que em um sábado que deveria ser um dia comum, você veio em minha casa e disse que eu era o pai do seu filho. 

"Eu precisei de alguns instantes para assimilar aquela notícia. Muitas coisas se passaram em minha mente naquele momento, mas eu me lembro de olhar para aquela criança tão pequena e tão doce e pensar: Uau! O sorriso dele é tão incrível quanto o dela. E de repente, ser pai não parecia algo tão ruim assim. Na verdade, eu me sentia eufórico. Eu queria salvá-lo. Queria fazer parte de sua vida. 

Nós passamos por muitas coisas em um período muito curto. Você passou de mãe do meu filho para a minha melhor amiga e de melhor amiga para o meu único e verdadeiro amor.  Você trouxe cor ao meu mundo.  Você me ensinou que o amor é transmutável. A cada dia que se passa, meu amor por você se torna maior e mais intenso. Eu também não vejo a hora de construir nossa vida juntos, de poder estar ao seu lado até o fim, vendo nosso filho crescer e formar uma nova família. De te ver surtando de ciúmes ao descobrir que as garotas não vão resistir ao charme Queen de Tony." - Brinco e ela me empurra levemente, fazendo nossos convidados rirem. - Você é a melhor parte de mim, Felicity. Eu sou uma pessoa melhor porque eu te amo.

Beijo as mãos de Felicity, enquanto a vejo chorar intensamente. Eu também não conseguia mais controlar minhas lágrimas. Ouço nossos amigos e família baterem palmas e gritarem, emocionados. Diggle leva o microfone de volta para a base que estava no alta e sorri.

- E que venham as alianças. - Anuncia o homem. 

Não demora muito para que Tony entrasse trazendo o porta alianças com o máximo de cuidado possível. Ele também parecia nervoso. Era adorável. Minha mãe, Thea e minha avó choravam e tiravam foto do garoto, encantadas. Quando Tony nos alcança, ele entrega o porta-aliança a Diggle e nos abraça, emocionado. Ele também parecia prestes a chorar. Felicity e eu beijamos suas bochechas e ele volta para perto da tia.

- Oliver Jonas Queen e Felicity Smoak, deste dia em diante, vocês prometem estarem juntos para dividir os momentos de tristezas e alegrias, de derrotas e de conquistas, de angústias e de sonhos, de amor e de raiva até que a morte os separe? - Questiona Diggle, encarando-nos com carinho.

- Sim. - Respondemos, uníssonos. 

- Muito bem. Troquem as alianças. - Orienta o homem, entregando o porta-aliança para que cada um pegasse a do outro. Coloco a aliança no dedo de Felicity e beijo sua mão. Ela também coloca o anel em meu dedo e o beija. - Então, diante do poder que foi concedido a mim, eu vos declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva.

E sem esperar mas nenhum segundo, puxo Felicity pela cintura e a beijo finalmente como minha esposa. Os gritos não demoram a vir. Sorrimos e nos afastamos, assim que sentimos uma pressão em nossas pernas. Olhamos para baixo e Tony nos abraçava. Pego-o no colo e ele nos abraça, sorrindo como nunca antes. Felicity e eu nos encaramos, sorrindo. Aquele era o início de nosso sonho. 


Notas Finais




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