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História Milagros - Capítulo 10


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Capítulo 10 - Capítulo 9 - Os sobreviventes de Atlanta


Fanfic / Fanfiction Milagros - Capítulo 10 - Capítulo 9 - Os sobreviventes de Atlanta

A mesa estava cheia,com os dois grupos ocupando ambos os lados,entretanto,os sobreviventes do Tennessee pareciam ter a fome três vezes maior do que os de Atlanta.

- Nós sentimos muito pelos seus amigos._iniciou Meggie.

- Obrigada._agradeceu Nancy com um sorriso.

Quanto mais o diálogo se estendia,mais estranho a aura do lugar ficava.Afinal de contas,todos na mesa haviam passado tanto tempo tentando sobreviver,que aquela tentativa de encontro casual parecia artificial.

- Então...vocês são de onde?_perguntou Michone tentando quebrar o silêncio.

Naquele momento,Dulce enlaçou a mão com a de Daryl por baixo da mesa,buscando o conforto que o toque dele transmitia.Quando ele permitiu,ela sorriu discretamente.

O caçador acariciou com os dedos e continuo à prestar atenção na mulher com a katana.

- Alguns do Kentucky e outros do Tennessee._respondeu Nancy.

- Nos encontraamos na fronteira com a Virgínia,perto dos trilhos._adicionou Kenan devorando a comida.

- Trilhos?Estavam indo para aonde?_indagou Gleen interessado.

- Haviam placas sinalizando para um lugar chamado Terminus._contou a médica._Estavamos indo para lá,mas quando vimos que os trilhos levavam até a Geórgia  percebemos que não aguentariamos a viagem e apenas desistimos.

- E eu e Dulce os encontramos._completou Meredith._Estamos juntos desde de então.

Só de ouvir Terminus,o estômago dos moradores de Atlanta embrulhou com as lembranças do pesadelo que foram os dias naquele lugar.

Dulce sentiu a mão de Daryl apertar com mais força e o rosto dos outros ficar tão branco quanto uma folha de papel.

- Algum problema?_a voz da mexicana saiu preocupada e confusa.

- Nós estivemos no Terminus._falou Rick com o tom endurecido._Era uma armadilha.

Foi a vez do outro grupo ficar surpreso.Até mesmo Santiago,que estava totalmente alheia à conversa,tinha os olhos arregalados.

- Como assim armadilha?_arriscou Kenan.

Nancy lançou um olhar atravessado para o namorado.Se o clima não estava bom antes,agora piorou.

- Eles era canibais._Daryl encerrou o assunto,voltando a atenção para a comida e soltando a mão de Dulce.

...

Enquanto o clima desconfortável ainda perdurava,no andar de cima,Tyler estava sentado correndo os olhos pelas páginas coloridas cheio de nostalgia.

- Gosta de quadrinhos?_perguntou Carl que estava analisando o outro garoto.

- Sim._respondeu o mais velho._Antes,eu tinha uma coleção enorme.

- Qual era o seu favorito?

- Watchmen._o rapaz gorducho sorriu com as lembranças._Meu irmão também gostava,mas ele preferia os da Marvel.

A mente do menino de chapéu se confundiu.Ele estava crente de que o bebê que compartilhava o berço com Judith era o irmão do outro.Mas um recém nascido não pode ler quadrinhos,certo?

A atenção de Tyler desviou das revistas assim que ouviu um choro.Ambos os garotos levantaram e encontraram Judith chorando enquanto Miguel continuava sentado no berço distraído com um copo plástico.

- Ele não chora._observou Carl segurando a irmã.

- Sim.Ele é bem risonho na verdade.

- Ele que é o seu irmão?

- Não._soltou um leve riso._Ele é filho da Dulce.Meu irmão morreu antes de chegarmos aqui.

- Eu vi Aron falando que vocês perderam pessoas em um ataque,mas pensei que eram garotas.

- Evie e Ester,elas também morreram no ataque._Tyler rodou os olhos pelo quarto._Elas iam gostar daqui...meu irmão também.

Os dois garotos passaram mais alguns minutos encarando o berço,com a cabeça perdida em outros pensamentos,até que o copo que Miguel brincava virou e o bebê começou á rir.

- Viu?Não disse que ele era risonho?

...

Na sala,o único som eram os dos talheres batendo enquanto todos comiam em silêncio.

Dulce sentiu que depois da "conversa" sobreTerminus,o clima parecia pesar três vezes mais que antes.

- Sinto muito por aqueles que vocês perderam._a latina repetiu o que Meggie havia dito.

- É só que...nós passamos muito tempo lá fora...e perdemos muitas pessoas._a voz da Greene estava falha,como se ela se lembrasse da irmã e do pai.

- Nós também.Perdemos muitas pessoas,muitas coisas...mas estamos dispostos à confiar em vocês,se confiarem na gente.

O silêncio voltou à reinar,porém,parecia mais leve dessa vez,como se fosse um silêncio que mostrava que todos estavam digerindo o discurso.

- Lá fora parece o inferno._comentou Kenan ainda comendo com vontade.

- Parece mesmo._riu amargamente Rick.

Ainda tentando entender o que lhe deu tanta coragem para falar daquele jeito,Dulce sentiu uma mão forte acariciar a sua e encarou com o canto dos olhos Daryl,que também lhe lançou um olhar discreto.

...

Apesar da conversa não ter se estendido,o grupo de novatos voltava para a casa com uma sensação boa e os alexandrinos pareciam compartilhar desse sentimento.

- Posso falar com você?_pediu o xerife para a latina.

Dulce assentiu e acenou para que o grupo voltasse para casa enquanto ela ficava na varanda do policial.

- Ele é seu filho?_Rick apontou com o queixo para o bebê que ia embora no colo de Mer.

- Sim.

- Qual o nome?

- Miguel._ela respondeu com um brilho nos olhos que aparecia sempre que pronunciava o nome.Rick conseguiu se identificar com aquele olhar,era o mesmo que lançava para Carl todos os dias.

- Você e seu grupo são bem-vindos se quiserem ficar.Só preciso que você me responda algumas perguntas.

Dulce concordou sentindo o nervosismo domina-la.Como ela queria 

- Quantos caminhantes você matou?

- Muitos...eu não sei...perdi a conta.

- Quantas pessoas você matou?

- 11_respondeu rápido.A morena sabia a resposta de cor.

- Por quê?

- Me atacaram ou atacaram meu grupo._respondeu puxando ar e criando forças para falar._Eu não gosto de matar,na verdade,me sinto culpada todas as vezes...mas eu sei que é necessário para lidar com as pessoas nesse novo mundo.

Naquele momento,Rick percebeu quantas semelhanças ele e Dulce tinham.Era quase como se estivesse vendo o reflexo de sua essência.

- Espero que consigamos trabalhar juntos daqui pra frente._terminou a garota com um sorriso e estendendo a mão.

Com um levantar de lábios,o xerife apertou as mãos.

Talvez Meggie estivesse certa,aquele grupo precisava apenas de uma chance para se provar.

... 

Caminhando para casa,Dulce se sentia alegre por ter se entendido Rick.Aquele seria um novo começo para seu grupo e ela sentia um  raro otimismo.

Ela ouviu passos atrás de si e entrou em alerta,mas logo baixou a guarda.

- Daryl._a garota não conseguiu segurar um sorriso quando viu o homem sair da escuridão.

Ele soltou apenas um suspiro rouco,caminhando lado à lado,mesmo que aquele não fosse o caminho para sua casa.

- Eu nunca pensei que um dia iria morar em lugar desses._Dulce quebrou o silêncio confortável._Antes,eu não tinha dinheiro nem para respirar em um lugar desses.

Daryl sorriu.Era a primeira vez que ele via a morena soltar uma frase divertida.

O mais interessante é que o caipira já tinha a visto nua,cantando e chorando,mas descontraída era a primeira vez.

- Então,você vai ficar?

Os olhos castanhos viraram para o homem e Dulce parou de andar.

- Vou.

Um pequeno sorriso se formou nos lábios rachados e ela se aproximou do caçador com a mesma timidez da noite no carro.

Quando já estava perto o suficiente para sentir a respiração do homem,a morena teve a certeza de que estar em Alexandria não mudou o desejo que ela sentia por ele.

O motoqueiro também se aproximou colocando os braços ao redor do corpo pequeno.

- Posso?_ela assentiu e o beijo se iniciou.

Quando as línguas se encontraram,Dulce percebeu a saudades que sentia de beijar Daryl.

Os lábios dele eram selvagem mas ao mesmo tempo doces,e aquela combinação estava a deixando viciada.

O arqueiro aprofundou o beijo segurando a cintura da mulher enquanto ela enredava as mãos no cabelo comprido.

Em uma das pequenas pausas,Dulce viu Daryl sorrir no beijo e aquilo a fez rir levemente.

Era a primeira vez que o Dixon ouvia o riso gostoso da moça,e instantaneamente se tornou um de seus sons favoritos,perdendo apenas para o gemido manhoso da latina.

Motivado pela alegria do momento,e com as lembranças da noite no carro ainda vivas na mente,o mais velho desceu os lábios para o pescoço fino,ouvindo a risada se transformar em um gemido ofegante.

Ser agarrada com tanta ferocidade,e carinho,em um local afastado,e escuro, despertou novamente aquela sensação gostosa no ventre de Dulce.

- ...A-Alguém pode ver..._disse ofegante a garota.

Assim que ouviu a frase,Daryl se afastou.

Foi aí que ela se lembrou das evidências de desconforto de Daryl com demonstrações de carinho em público.

- Pode ficar traquilo._sorriu a morena._Não vou te agarrar na frente de todos.Eu não sou assim.

- Eu não quero que pense que eu não te quero ou algo assim.

Essa foi a primeira vez que a garota o ouviu externando algo que sentia,e ela ficou surpresa.

- Eu entendo,Daryl._ela se aproximou passando os dedos pelo braço forte._Isso é só nosso,não é da conta de mais ninguém.

O Dixon assentiu,se aproximando e raspando levemente o nariz no de Dulce,antes de iniciar outro beijo.

Ah,a mexicana adorava os beijos de Daryl.Eles incendiavam todo o seu corpo e a faziam se sentir especial só por estar provando os lábios do caipira.

- E-Eu preciso ir._disse se afastando contragosto._Até,Daryl._se despediu abrindo outro sorriso.

O arqueiro ainda ficou parado alguns segundos,assistindo Dulce descer a rua.

Assim que destrancou a porta da casa,o motoqueiro viu Carol na cozinha,guardando os restos do jantar.Ela tinha um sorriso no rosto e Daryl estranhou aquilo.

- Boa noite,Daryl._a mulher desejou de costas.

- Boa noite._resmungou sumindo pela casa.

Antes de apagar a luz,Carol sorriu para si mesma.Para ela,era óbvio aonde o Dixon estava à alguns minutos antes.



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