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História Minha - Capítulo 8


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Capítulo 8 - Nada mais importa parte 02


Anna Rogers, repórter de campo da ABC há cinco anos, acompanhava a transmissão do noticiário da noite aguardando sua deixa para entrar ao vivo para todo o país. Em suas mãos, uma ficha escrita à mão com suas anotações jazia segura junto ao tablet que transmitia as imagens diretamente dos estúdios da emissora, onde sua colega Andrea, a uma das ancoras do programa anunciava a matéria de destaque da noite.

“A atriz Quinn Fabray foi socorrida em casa pela policia esta tarde, após os vizinhos reportarem indícios de violência, pedidos de socorro e disparos de arma de fogo vindos da casa da atriz. Testemunhas no local atestam que a atriz foi retirada de casa inconsciente, pelos paramédicos. Nossa repórter, Anna Rogers, está agora no UCLA Medical Center e tem mais informações sobre essa tragédia. Boa noite, Anna.”

A repórter respirou fundo antes de desviar o olhar para a lente da câmera diante de si. Definitivamente, ela nunca imaginou que sua primeira transmissão nacional seria como a porta-voz desse tipo de notícia. 

“Boa noite, Andrea. Quinn Fabray deu entrada no final dessa tarde no UCLA Medical Center em estado grave, após vizinhos perceberem pedidos de socorro e indícios de violência, logo seguidos do som de tiros sendo disparados na residência da atriz. De acordo com a polícia, o executor dos tiros foi identificado como o ex-namorado de Quinn, o também ator, Alex Brandon, que segundo testemunhas, foi visto nas proximidades da residência da atriz no início da tarde. Quinn Fabray havia retornado para casa, após a participação do programa de auditório onde assumiu seu relacionamento com a socialite nova-iorquina Rachel Berry. A atriz foi agredida pelo ex-namorado em casa, enquanto se preparava para um final de semana prolongado em New York. Segundo testemunhas, uma terceira pessoa, ainda não identificada, também estava presente na hora do crime e também foi trazida para atendimento no hospital. Ainda não temos nenhum pronunciamento oficial por parte do Hospital, ou pela assessoria da atriz, mas há rumores de pelo menos uma morte até agora.”

“Anna, vocês fizeram imagens do momento da chegada de Quinn Fabray, certo?” Perguntou a jornalista ancora.

“Sim, nós temos algumas imagens aéreas do momento da chegada da atriz ao UCLA Medical Center esta tarde.” A repórter viu através do tablet a imagem cortar para a sequência filmada por seu câmera-man no helicóptero da emissora mais cedo. “Ela foi trazia por um helicóptero UTI, do tipo Esquilo que é totalmente equipado para esse tipo de emergência, como vocês podem ver nas imagens. A maca que vai levando a atriz é retirada da UTI aérea pelo acesso do heliporto do prédio, onde é imediatamente cercada pela equipe médica que já estava no aguardo...”

“O que podemos ver pelas imagens Anna, é que parece que há uma movimentação intensa dos paramédicos ao redor da maca que leva o corpo da atriz.”

“Não podemos afirmar com certeza, Andrea, mas pelo que podemos ver nas imagens, aparentemente, os paramédicos já descem do helicóptero realizando um procedimento de reanimação. É uma reanimação cardiopulmonar ou RCP, que é feita com intuito de ressuscitar uma pessoa que sofreu de parada cardíaca ou respiratória.”

“A equipe médica do local...”

De repente o produtor que acompanhava sua equipe começou a pular com um papel em mãos. O nome escrito em letras garrafais fez a repórter interromper sua colega.

“Desculpe interromper Andrea, mas acabamos de ser informados da chegada de Rachel Berry no local. Ela veio de New York assim que soube do ocorrido e acabou de chegar na área que dá acesso a entrada do prédio... o acesso só está liberado unicamente para ambulâncias, então ela vai ter que passar andando próximo ao cordão de isolamento de onde se encontram todas as equipes de reportagem...nós vamos tentar chegar mais perto...” e abrindo caminho entre multidão presente, a repórter continuou. “Rachel? Rachel? Rachel, alguma declaração? Você sabe algo sobre o estado de saúde de Quinn? Existem boatos sobre uma morte! Você confirma ou nega a morte de Quinn Fabray?”

...

Rachel Berry era praticamente um peso morto sendo empurrado para frente por Jesse St. James, que a escoltava por entre aquela horda de urubus famintos por informações. Ele afastava os microfones e câmeras inoportunas, protegendo sua amiga das perguntas que certamente a fariam sofrer ainda mais.

Eles haviam conseguido fretar um voo particular para Los Angeles, logo após Jesse conter uma Rachel desesperada e em vias de ser presa por agressão pela forma que ela sacudia a recepcionista da empresa de frete aéreo. Depois de explicar o ocorrido e conversar com o gerente da empresa, Jesse e Rachel embarcaram no jatinho 20 minutos após a ligação de Tony.

Foram 6 horas e 10 minutos de voo... sem notícias. Depois mais 30 minutos de carro até o hospital.

Eles tentaram o celular de Tony, mas estava fora de área. Jesse conseguiu lembrar que uma das amigas de Quinn, Britanny, era voluntária em um dos projetos de Rachel. Ele ligou para a fundação e pediu o número da dançarina, mas o celular não atendia.

Ninguém podia imaginar o que eles encontrariam no hospital.

Rachel não havia emitido uma palavra desde que eles deixaram NYC. Jesse sabia que sua amiga estava em pânico, as lágrimas escorriam por seu rosto sem parar. O único acessório que a protegia das lentes das câmeras eram os óculos escuros que ele havia enfiado na cara dela, antes deles descerem do carro.

Sentindo o corpo dela tremer, Jesse a apertou mais forte quando a repórter insistiu com as perguntas.

“Rachel, fontes dentro do hospital acabaram de ser confirmar uma morte. Você já sabe quem foi? Você confirma ou nega a morte de Quinn Fabray? Rachel, você tem algo a declarar sobre a possível morte de sua namorada?”

“Sem comentários.” Gritou Jesse e empurrou com força o microfone pairando quase diante do rosto de Rachel. “Saiam da frente!” Com um gesto rápido, St. James agarrou Rachel com um dos braços, e com o outro saiu abrindo caminho e empurrando todos na sua frente, até chegar, finalmente, na porta de entrada do hospital.

Rachel olhou para a recepção ao seu redor, e buscou o apoio nos braços de Jesse. Ela não tinha coragem para perguntar. Nem por Tony... nem por Quinn. Ela levou a mão ao peito e Jesse a amparou imediatamente.

“Rachel!” Ele olhou para os enfermeiros e funcionários ao seu redor. “Pelo amor de Deus me ajudem aqui!”

Um dos médicos residentes tomou a frente e levantou a morena nos braços, passando com ela para uma das salas de atendimento na emergência. Jesse seguindo rapidamente ao seu lado.

O médico colocou Rachel numa maca na enfermaria da emergência, e ofereceu uma máscara de oxigénio para a morena.

“Senhorita Berry? Pode me ouvir? Eu sou o Dr. Swan.”

Ela murmurou algo incompreensível.

“Senhorita Berry?”

A pequena firmou a voz e respondeu.

“Rachel. Só Rachel, por favor. Doutor? Aonde está minha Quinn...? E meu Tony... p-por favor.”

Jesse segurou a mão de sua amiga. O Dr. Swan olhou para ele.

“Rachel, infelizmente eu não tive acesso ao prontuário dela. Eles...”

“É verdade que alguém m-morreu? P-por favor... doutor...m-minha Quinn...m-meu Tony...”

O médico olhava apenado para a mulher a sua frente.

“Eu sinto muito, Rachel. Ela...”

Nesse momento a porta da sala se abre de uma vez e Tony entra aos tropeços, seguido de uma enfermeira enfurecida.

“Você não pode se levantar, rapaz! Você levou um tiro pelo amor de Deus!”

Tony estava pálido e caminhava com dificuldade. Ele tinha o ombro e o braço direito enfaixados. O olho esquerdo estava inchado e várias marcas que sugeriam uma briga violenta espalhadas pelo resto do rosto. Ele ignorou a enfermeira e continuou arrastando o suporte do soro com sua medicação para dor, e se aproximou de sua senhorita.

“Eu vi quando o doutor passou com você nos braços... está tudo bem?”

“Tony...meu Tony...” A morena tinha lágrimas nos olhos. Ela estava feliz por ver seu amigo e fiel assistente, vivo, na sua frente, mas de repente as palavras do médico se juntaram as declarações da repórter de antes. A percepção da realidade fez seu coração afundar em uma dor insuportável.

“Minha Quinn...Tony... m-minha Quinn...minha Quinn... Jesse...ela...”

Jesse abraçou Rachel, puxando o pequeno corpo que tremia incontrolavelmente, para o mais próximo que pode. O médico percebeu a dor da morena e se apressou em dizer.

“Rachel. Olhe para mim... Rachel.”

Ela mal conseguia ouvir.

“Eu soube que ela deu entrada no centro cirúrgico...em estado grave... a informação é imprecisa... eles realmente estavam procedendo com RPC desde o momento em que ela chegou...” Ele fez uma pauta. “Não se sabe de mais nada desde que ela deu entrada no centro cirúrgico...Você deve ser forte, Rachel. Deve ser forte por ela. Ela ainda está lutando...entendeu Rachel?”

Rachel não demonstrava sinais que escutava o médico, a cada segundo s dor se fazia mais presente nos olhos da nova-iorquina.

“Eu...s-senhorita Rachel... me desculpe... eu não cheguei... a tempo...”

A voz de Tony mal passava de um murmúrio, mas Rachel pareceu sair do transe em que estava na mesma hora. Ela se impulsionou no mesmo momento na direção dele tomando seu rosto entre suas mãos.

“Olhe para mim.” Pediu ela suavemente, mas sua voz firme. “Nunca mais se refira a mim usando essa palavra. Só Rachel, lembra?” Tony fez que sim entre lágrimas. “...e se não fosse por você...ela...ela poderia já estar...” Ela não conseguiu terminar a frase. Rachel se recusava a cogitar essa possibilidade. “ Não desista ainda, okay? Você precisa voltar para seu quarto e repousar, Tony. Quando você estiver mais calmo quero saber o que aconteceu. Agora, eu preciso estar ao lado dela, ou pelo menos o mais próximo dela o possível. Quinn precisa saber que estou aqui.”

Tony se deixou levar pela enfermeira, após Rachel exigir sua transferência da enfermaria para um dos melhores quartos do hospital. Ela também solicitou que ele fosse acompanhado por um dos médicos cadastrados por sua empresa.

“Rachel.”

“Dr. Swan?”

O jovem médico havia deixado a morena logo após Jesse e Rachel terem deixado a sala de atendimento com Tony. A morena conseguiu ter acesso ao sexto andar do prédio, justamente por causa da internação de Tony, mas até aquele momento, suas tentativas de ter notícias de Quinn haviam sido frustradas. Ela não entendia o porquê ninguém naquele maldito lugar podia dar uma satisfação sobre o estado de saúde de Quinn Fabray.

“Rachel, eu consegui notícias. Pelo que parece, ela saiu do centro cirúrgico, mas direto para o CTI, o estado dela é instável e...”

“Qual andar? - Perguntou a morena apressando o passo até os elevadores. O médico logo atrás dela.”

“Oitavo. Mas Rachel, você não vai poder vê-la...”

As portas do elevador se abriram e a morena apertou o botão de número oito.

“Isso é um absurdo! Dr. Swan, eu entendo que existem procedimentos, mas ela não pode simplesmente ficar à mercê do hospital!”

O elevador abriu as portas e Rachel caminhou rapidamente para fora, o jovem médico quase foi atropelado por um dos responsáveis pela limpeza, na presa de segui-la.

“É disso mesmo que estou falando, Rachel. Existe alguém que está controlando as informações e proibindo a divulgação de qualquer boletim sobre ela.”

A morena parou de uma vez na frente de um posto médico, onde lia-se CTI acesso restrito.

“O quê?”

O médico passou a mão pelos cabelos e continuou.

“Tem uma ordem que proíbe o seu acesso a área ou a qualquer informação sobre o estado dela.”

“Como assim? Quem? Quem seria capaz de fazer isso?”

A resposta veio imediatamente na forma de uma voz grossa e fria atrás de Rachel

“Eu.” O homem loiro, alto de feições duras respondeu. “Russel Fabray.”

Rachel levou alguns segundos para reagir.

“Você não pode fazer isso...”

“Quinn é minha filha e eu tenho plenos direitos de responder por ela agora.” Russel Fabray rebateu o friamente. Ao lado de Rachel, o médico tentou inteceder.

“Sr. Fabray, eu sou Dr. Swan, e não sei se o senhor saber, mas essa senhorita é namorada de sua filha, nada mais justo que...”

“Minha filha não tem uma namorada, Dr. Swan. Isso seria contra os princípios que ela foi criada. Quinn não seria capaz de tamanha abominação. Isso é uma tentativa de autopromoção, dessa jovem.” O médico estava sem palavras. Ele já tinha conhecido pessoas preconceituosas antes, mas aquele homem era de uma frieza assustadora. “Então, minha jovem eu espero que leve todo esse show de programa de auditório, que está montado lá fora, com a senhorita e saia desse hospital, antes que eu chame a segurança, para afasta-la de minha filha.”

Rachel tremia, de raiva, angustia e de medo. Medo por pelas decisões de salvar a vida da mulher que ela amava estarem nas mãos desse homem.

“Como o senhor ousa?” E as lágrimas começaram a brotar nos olhos da morena. “Eu amo sua filha.”

“A senhorita é uma aberração que invadiu a vida da minha filha. Isso.” E ele apontou para uma parece de vidro, logo atrás deles, onde Rachel percebeu pela primeira vez o corpo de Quinn estendido numa cama, repleto de fios e monitores ao seu redor. “É o castigo que Deus deu a ela por se associar a gente de sua laia.”

Rachel mal conseguiu se manter de pé. Seu corpo cambaleou e ela foi aparada pelo médico ao seu lado.

“Como o senhor pode tratar uma mulher dessa forma?” Disparou o médico.

“Ela não merece nenhum respeito... ela é uma...”

“Eu sugiro que você cale essa boca, Russel, ou vou processar esse seu traseiro preconceituoso por agressão, danos morais, físicos e outras mil coisas, que eu tenho vontade de processar você, desde que você chutou sua filha para fora de casa quanto ela tinha dezesseis anos!”

Santana Lopez invadiu o andar do CTI acompanhada por Nigel, Britanny e Jesse, que havia ficado dando entrada na papelada de internação de Tony para que Rachel pudesse procurar por Quinn.

“Santana Lopez, vejo que está tão mais intragável do que era.” O homem debochou, reunindo todo escarnio que pode em seu tom de voz.

“Pois é Russel, e agora eu tenho um diploma em direito.”

“E eu tenho um mandato.” Afirmou Nigel, tomando a frente da situação, exibindo o documento. “Um documento assinado por um juiz que ordena que você se retire desse prédio agora.”

Santana sorriu maquiavelicamente. Britanny e Jesse estavam ao lado de Rachel. A morena mal percebia o que acontecia ao seu redor, seus olhos não se desviavam do lugar aonde estava Quinn. Mesmo a distância, ela parecia mais pálida. O peito da atriz subia e descia mecanicamente, ela respirava com auxílio de aparelhos.

“Eu sou o pai dela.” Ele voltou a rugir.

Santana deu um passo à frente, rosnando de volta entredentes.

“Você não tem direitos aqui, Russel. Quinn tomou providências a esse respeito há muito tempo. Bastou o juiz olhar essa procuração e ler essa carta, escrita por ela, solicitando que caso algo aconteça e ela não possa responder por si, as decisões sobre sua vida e seu patrimônio, estariam a cargo de Santana Lopez e Britanny S. Pierce. Por isso, falo por nós três, e tenho certeza que por Quinn, quando digo que a senhorita Berry, mesmo que não tendo seu nome nela, faz parte dessa lista o tanto quanto nós mesmos. Seria uma questão de tempo para que Quinn desse a ela esse direito... Você é carta fora, Russel. Saia daqui, antes que nós chamemos a segurança.”

Russel Fabray estava, por falta de termos melhores, roxo de raiva. Ele havia tomado um voo para LA muito antes de saber do crime. Sua presença no local do crime, havia se dado pelo fato de ter visto a entrevista onde sua filha se declarou apaixonada por outra mulher. Russel não aceitaria essa vergonha. Por isso, suspendeu seu compromisso e seguiu para onde sabia que sua filha morava. Ele havia chegado no exato momento que os paramédicos estavam retirando Quinn de dentro de casa.

Algo que não demorou a ser percebido por Santana. Era só fazer a matemática. Horários de voos, tempo de rotas do aeroporto para Bel Air. O olhar da latina escureceu, e no momento que ela avançou na direção dele, Britanny a segurou pela cintura.

“Su miserable hijo de puta, no he venido aquí a causa del accidente! Você já estava en la ciudad! Você deve estar feliz de ter encontrado Quinn assim ¿no? Aquele bastardo do Alex, poupou você do trabalho! Maldito sea, Russel Fabray! Se você pudesse puxava os aparelhos que mantém ela viva! Maldito sea!”

“San, não vale a pena.” Britanny repetia sem parar junto a sua namorada.

“Isso é agressão verbal, ou seria assédio moral, jovem advogada?” Respondeu Russel. “Vocês todos vão receber uma ligação do meu advogado.” E Russel marchou para o hall de acesso dos elevadores.

Britanny ainda tentava acalmar Santana, enquanto o Dr. Swan chamou uma enfermeira pedindo que ela chamasse o médico responsável por Quinn, e que avisasse a segurança de que o homem que acabará de sair do CTI estava proibido de voltar, ou ter acesso a informações sobre a atriz. Nigel se aproximou de Rachel e tocou seu ombro.

“Vá vê-la.”

A morena não precisou que ele repetisse. Em segundos ela estava na frente do vidro da sala onde Quinn se encontrava. Suas mãos suadas espalmadas na superfície fria, e seus olhos percorrendo cada centímetro do corpo da loira. Ela parecia tão frágil.

“Hey...”Murmurou Jesse.

A morena não respondeu.

“Tony, me contou o que ele viu. Você quer ouvir agora?”

Rachel fez que sim. Jesse suspirou.

“Ele invadiu a casa, arrombando a porta de entrada. Disse que podia ouvir Quinn gritar do primeiro piso, mas que quando ele chegou no segundo andar já não se ouvia mais nada. Depois de arrombar a porta do quarto, Alex se surpreendeu. Ele estava...” Jesse limpou a garganta. “Ele ia estupra-la, Rachel. As mãos dele estavam no pescoço dela e a camisa dela estava rasgada.”

Rachel enrijeceu, seu olhar ficou frio, mas ela não tirou os olhos de Quinn.

“Depois do susto inicial, Alex alcançou uma arma e atirou em Tony. Ele teve sorte, porque conseguiu desviar do tiro e foi atingido no ombro, mas quando conseguiu ficar em pé de novo, ele viu Alex agarrar Quinn e colocar o corpo dela na frente do dele. Tony disse que ele falava coisas desconexas como "Eu estou acabado" e "ela vai morrer comigo"...o tiro seguinte foi a queima roupa, junto as costelas, atravessando o lado direito do corpo... Tony se jogou em cima dele e eles brigaram, mas Quinn não se movia do chão... o outro tiro foi disparado para cima. Tony não faz ideia do tempo, mas ele disse que ouviu as sirenes e que ouviu os policiais invadindo a casa, a última coisa que ele lembra foi de Alex olhar para Quinn, sorri e dizer " Até logo"... depois ele meteu uma bala na cabeça. A morte dele foi confirmada pela polícia há alguns minutos. A assessoria dele estava tentando abafar até encontrar uma justificativa pelos atos dele...mas a informação acabou vazando.”

“Eu queria ter enfiado essa bala na cabeça dele...” Rachel sentia uma raiva imensurável corroer seu coração. Ela tremia dos pés à cabeça. Jesse se espantou, e tomou sua amiga em seus braços.

“Não repita isso! Você não é esse tipo de pessoa, Rachel. Quinn não precisa desse tipo de sentimento agora! Ela precisa que você seja aquela maluca destemida e totalmente apaixonada por ela!”

Então Rachel desabou em lágrimas junto ao abraço dele.

“Ela precisou de mim, Jesse! Ela chamou por meu nome, eu posso sentir! E onde eu estava? Em New York! Há seis horas e dez minutos de distância dela! Incapaz de estar ao seu lado para protege-la desse psicopata!”

“Rachel, você não podia saber! Quem podia? Não é sua culpa! Olhe!” E ele apontou para a loira na cama atrás do vidro. “Ela está ali! Ainda há esperança! Faça ela sentir que você está aqui! Do mesmo jeito que você sentiu que ela precisava de você! Faça ela sentir que ela precisa ser forte e voltar para você! Por Deus, Rachel! Vocês se apaixonaram no momento que olharam uma para outra. Eu nunca pensei que isso realmente existisse! Se vocês não nasceram para estar juntas, eu realmente não sei mais como eu me sinto a respeito da vida!”

Ele sacudia a pequena pelos ombros.

“Ela precisa sentir você aqui!”

E foi nessa hora que tudo mudou. A pequena rotina das enfermeiras, de olharem e checarem dados nos aparelhos ligados a Quinn mudou. E eles puderam ouvir o barulho de um ensurdecedor de bipe, que apitava continuamente. Então, de repente, médicos e enfermeiros correram para o quarto. Rachel não conseguia acompanhar os procedimentos, mas num momento em que uma enfermeira abriu a porta, para entrar no quarto, ela conseguiu ouvir o médico falar com urgência.

“Nós vamos perde-la!”

Ela viu o desfibrilador ser carregado e usado contra o corpo de sua Quinn. O desespero tomou conta dela e Jesse teve que conter sua amiga, que começou a bater no vidro e chamar por sua amada.

Santana, Britanny e Nigel correram ao encontro de Jesse e Rachel. Todos assistiram o médico usar o desfibrilador, na tentativa reanimar a atriz, uma segunda vez. Uma enfermeira puxou as cortinas que adornavam a janela de vidro, impedindo que eles continuassem a testemunhar o procedimento.

Britanny enfiou a cabeça no ombro de Santana, que estava pálida encarando as cortinas. Nigel cobriu o rosto com as mãos. Jesse tombou no chão, segurando o corpo de Rachel que repetia incessantemente "Não me deixe, não me deixe..."

Dentro da sala, o doutor Ângelo Becker continuava tentando trazer a atriz de volta.

“Doutor...” A chefe das enfermeiras, Sra. Gonzáles, tocou a mão do médico. “Ela se foi...”

O médico negou com a cabeça. A enfermeira ofereceu um olhar compreensivo ao profissional na sua frente. O Dr. Becker era conhecido por atingir os limites da razão para reanimar um paciente. Às vezes, alguém da equipe tinha que trazê-lo de volta a realidade.

O médico parou o procedimento e olhou para a enfermeira completamente derrotado.

“Desliguem o bipe. Hora do óbito...”

“NÃO SE ATREVA A DESISTIR DELA!” Rachel Berry sabe-se lá como, se livrou dos braços de Jesse, Nigel e de mais dois enfermeiros, e invadiu a sala do CTI, onde Quinn estava. Ela estava ofegante, mas sua voz era firme e seu olhar decidido, enquanto ela apontava para o médico de forma ameaçadora.

“OUVIU O QUE EU DISSE? EU NÃO PERMITO QUE VOCÊ DESISTA DELA!”

 



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