História Minha alma gêmea - Capítulo 4


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Categorias As Crônicas De Gelo e Fogo (Game of Thrones), Emilia Clarke, Kit Harington
Personagens Christopher Harington, Emilia Clarke
Tags Kimilia
Visualizações 34
Palavras 5.683
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Mistério, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi gente, como vocês estão?
Então, estive sumida por um longo tempo e é até um pouco constrangedor visto que eu mesma disse que tentaria postar toda semana kkkkkkkkk. Bom, peço desculpa a vocês, de coração. Durante esses quase seis meses eu estive muito ocupada, voltei a estudar, tive alguns problemas com meu computador e tudo acabou saindo do meu controle. Sei que é complicada a situação de não poder postar sempre e tudo mais e eu acabei perdendo parte do que eu tinha escrito (quase tudo). Devido a isso esse capítulo ficou bem mais ou menos, a imagem da capa não tem muito sentido também, mas eu fiz o que pude pelo tempo que tive (essa semana) e só pensei em terminar o mais rápido para postar pra vocês. Peço desculpas por qualquer coisa, espero que leiam e gostem do capítulo, comentem e me digam, de coração, o que acharam.
Ps: Estou muito feliz, mas muito mesmo, com os comentários de vocês. De verdade, estão me deixando bem felizes <33333
Ps.2: Leiam a caixinha final e me respondam nos comentários.
BEIJOS, APROVEITEM!

Capítulo 4 - A complexidade de viver


Fanfic / Fanfiction Minha alma gêmea - Capítulo 4 - A complexidade de viver

KIT 

Mergulhado no calor dos lençóis e do quarto fechado, ouvi baixo, ainda de olhos fechados, o som inebriante do alarme, que ressoou alto pelo quarto evidenciando o fato de que minha rotina havia, finalmente, voltado ao normal. Sentei, com certa dificuldade, na grande cama do hotel, ao limite que minha mente se recuperava do susto tomado ao simples toque de despertar e vi, escancarada na tela do celular, a urgência para com a repentina pressa que estava por me tomar. Ao passo dos segundos perdidos, vi as mensagens que se firmaram no bloqueio da tela e, o atraso que seria provocado caso eu resolvesse respondê-las naquele momento. Segui aos pulos para o banheiro, ainda cambaleando à margem do sono, e busquei ao fundo da imaginação, os motivos que haviam me levado à perda do horário, ainda que, inerte à normalidade, pressentia que nada se pendurava para que tal fenômeno fosse justificado, simplesmente, pelo cansaço que havia me cercado na noite mal dormida. De imediato percebi que, embora necessitasse apressar meus costumes e afazeres matinais e que o tempo não estava, de prontidão, ao meu lado, ainda me restavam segundos de adiantamento, de modo que não seria por mim o retardo do set ou das gravações.  

Segui meus hábitos, lance ao tempo que me restava, enquanto sentia o nervosismo se aproximar. Peguei, por entre as roupas jogadas dentro da mala de viagem, que na noite anterior se encontrava em perfeito estado, uma calça preta, que eu sempre usava na estreia das gravações ou em momentos importantes e estreantes. Sorri, diante da recordação que não se enquadrava apenas no âmbito de memória, e me lembrei do quanto superstições me acompanhavam e que isso era hilário, visto minha total descrença para com elas. Suspirei, ainda sugado pela alegria que me tomava pouco a pouco, enquanto calçava os tênis e terminava de me arrumar. Olhei para o relógio, calculei os vinte minutos que ofereciam calma diante da pontualidade e resolvi seguir o cronograma do dia cheio que me esperava.  

-Kit. -Ouvi assim que fechei a porta à minha frente, já nos corredores do hotel. - Você já está indo para o set? - Jacob vinha caminhando para perto de mim, enquanto eu ainda saía da ilusão do caminho que se formava em minha mente. 

-Sim, terminei de me arrumar um pouco mais cedo hoje e decidi ir caminhando para lá. Sabe como é né... - Levantei o olhar a tempo de vê-lo acenando de leve com a cabeça. - Já sou conhecido pelo desastre da pontualidade, chegar atrasado no primeiro dia seria constrangedor demais, até mesmo para mim. - Ri extasiado. E também, quero ir adiantando a formação de Jon. - Ele assentiu, novamente, com a cabeça, enquanto se aproximava mais de mim para um cumprimento fraternal. - E você, cara? - Perguntei enfim. 

-Também já estou indo, não quero me atrasar, só vou passar no quarto de Emília antes para... 

-Emília? - Não percebi o impulso dos meus reflexos quanto à menção de seu nome e quando compreendi a inevitabilidade de meu ato, não me pus a segurá-los. - Está tudo bem com ela? 

-Ah, sim. - Jacob riu vergonhoso à medida que meu corpo dilatava a preocupação constante. - Está tudo bem com ela sim. - Ele sorriu para mim, apertando firme a mão que ainda se encontrava sobre meu ombro seco. - Cara, você é muito preocupado com ela, juro que as vezes chego a pensar que... 

-Ela é minha melhor amiga, é normal me preocupar. Eu faria isso com qualquer pessoa que fosse muito próxima a mim. - Contra argumentei seus sentidos e o julgamento que me caía antes mesmo de ser proclamado.  

-Tudo bem, eu não quis criar suposições. - Vi seu rosto se contorcer sobre a marca do sorriso oculto que lhe atingia, enquanto ele levantava as mãos em sinal de rendimento. - Mas, retornando ao assunto da ida ao quarto de Emília, - Minha atenção se firmou em seus gestos e sinais, que se intensificavam no ritmo datado por minha espera. - Só estou indo levar alguns papéis para Náthalie... - Os olhos que antes refletiam o entusiasmo por sobre a brincadeira, tomaram por si um novo brilho. Senti os papéis se invertendo, embora minha razão estipulasse que um sentimento diferente havia o tomado. - Daniel confundiu nossos quartos e trocou nossos roteiros. - Tentei ressoar um sinal de desconfiança para com suas palavras, embora soubesse que era pequena a probabilidade de Jacob mentir para mim. - Eu nem percebi essa confusão, apenas peguei os papéis que ele me entregou e guardei. Náthalie que viu o erro e me alertou sobre o problema. - Seu sorriso se alarmou em referência ao fato que lhe ocorria.  

-Claro, Náthalie sempre muito atenciosa né. - Reforcei o tom de desconfiança, deixando evidente minha alegação suspeita para com sua felicidade. - E você... - Fortaleci o contato entre nossos olhos, enquanto minha boca tomava por completo, o sorriso esclarecedor entre as falas que me ocorriam. - Resolveu agora, de uma hora para outra, ser um grande amigo dela, não?  

-Não vou cair na sua, Kit. -Sua voz ressoou com certa graça, carregada de vitória e entendimento, mas pela perspectiva que eu tinha sobre suas expressões de fuga, entendi que ele ainda não estava pronto para falar sobre seus sentimentos para com Nathálie ou que, talvez, eu estivesse imaginando coisas que só eram reais para mim. - Te conheço bem e não vou cair assim tão fácil, pelo menos não hoje. -Vi seu sorriso crescer com minha aceitação, a derrota por entre suas revelações não era o tipo de perda que deixava alguém com um ar de descontentamento. A sensação da confiança estabelecida em suas palavras me cativava ao conhecimento das emoções sinceras que ele carregava consigo. Jacob era um dos amigos mais próximos que eu tinha no set e ele sabia disso. - Você vai querer ir comigo? - Acordei no vislumbre de sua questão e ele percebeu minha confusão para com a ocasião. - Passar no quarto de Emília. Eu vou ir lá, Nathálie pediu para que eu entregasse seu roteiro antes de irmos para o set, disse alguma coisa sobre ter mais tempo para analisá-lo e entender as cenas. Então eu lhe disse que passaria em seu quarto hoje cedo, mas ela disse que estaria com Emília, então estou indo lá agora. Quer ir comigo? 

-Sinto muito por Emília ter atrapalhado você, amigo. - Sorri ligeiro e continuei meu discurso como se tivesse dito a mais verdadeira alegação, ainda a tempo de ver seu rosto retorcendo no clarão das minhas pausas propositais. - E, claro que te acompanho, já estamos no caminho mesmo. - Não resisti a proposta lançava à minha frente. Olhei firme para Jacob, tentando analisar suas expressões e descobrir se ainda existia em seus pensamentos algum resquício da loucura que havia sido processada antes da ruptura de nossa conversa. Firmei meus olhos no seu rosto, que agora estava inclinado à procura de algo nos bolsos dianteiros do casaco e, em meio ao inevitável, reconheci o tempo de parada. Minha dúvida cerca a imaginação alheia não se formava quanto ao necessário e quanto ao plausível. Diante do inevitável e do que apenas eu entendia, compreendi que a falha da dúvida me deixaria a mercê do que os outros pensavam e que isso, a demonstração da certeza quanto aos meus sentimentos e atitudes, só dependiam de mim. 

-Quanto a festa, nunca mais falamos sobre. - Meus olhos ainda se firmavam sobre o rosto que, por instantes desligados da realidade, já se virava para mim. Olhei, com mais precisão, para ele, que me fitava a espera de uma resposta. - Você se esqueceu? - Riu abertamente. - Claro que esqueceu, caso contrário não seria você.  

-Claro que não me esqueci. -Tentei acompanhar a risada livre de Jacob, embora fosse impossível disfarçar minha confusão sobre o tema. Eu me lembrava da festa, lembrava da animação dele e da minha promessa sobre ajudá-lo com os preparativos. - Eu me lembrava da festa, só... 

-Eu me lembrava da festa, só... - Me cortou, imitando, com maestria, minha voz e minha atitude para com ele. - Você não toma jeito mesmo né, cara. - Me puxou na direção dos corredores longos e frios que nos cercavam. - Sorte sua eu já conhecer esse seu jeito desleixado. - Suspendi o rosto, novamente, para os olhos tranquilos de Jacob, enquanto seguia seus passos.  

-Eu vou te ajudar, se é isso que quer saber. - Segui seu tom risonho, que estendia pelo caminho o aroma da sensatez. - Vamos conversar com Daniel e David hoje mesmo, tudo bem? -Vi, embora minha atenção já estivesse depositada, novamente, na direção que havíamos tomado, sua feição se transformando em puro contentamento e a cabeça balançando em concordância com a alegação.  

-Eu sabia que você ia me ajudar, não esperava outra coisa de você, já sinto como se fosse um hábito nosso isso de organizar comemorações e... - Escancarei a surpresa, sem impedimentos, que me tomava meio a animação de meu amigo.  

-Como se você me desse a oportunidade de escolher. - Ri alto, acompanhado de referências a uma luta armada entre dois companheiros de trabalho. Jacob virou para mim e levantou as mãos, deixando claro que não deixaria passar qualquer implicância para com ele, mas que, no momento, não iria dar ouvidos às minhas brincadeiras.  

Seguimos firmes pela trajetória tão conhecida, analisei os detalhes e imaginei que passavam imperceptíveis pela maioria das pessoas. O teto descascado se mostrava evidente em algumas alas e, diante de tal preposição, minha atenção se voltava para os desenhos subentendidos na diferença de coloração. Um sol brilhava radiante no claro destacado pelo borrão do estrago e, ao lado, a parede demonstrava um cuidado ensurdecedor. Os pequenos arranjos que ligavam as principais alas do hotel se harmonizavam com o fundo bege das cortinas que, no meu entendimento, escondiam o melhor daquele lugar: a luz que deixava tudo mais leve e mais bonito. Meus pés seguiam com desconforto, embora meu corpo se esforçasse para com a calmaria e não compreendesse motivos para tamanha prepotência. O caminho, que nunca parecera tão longo quanto naquela manhã, se contorcia pelas sombras e vultos que nossos passos deixavam no chão, a demora rondava nossa chegada e me dava um receio cerca a ansiedade que momentos simples como aquele, me causava. Os números prateados que ressentiam a madeira rústica das portas do hotel indicavam o quão próximo estávamos de seu quarto e abaixei os meus olhos para as soleiras solenemente, para os sinais de reforma que já se aproximavam e para as pequenas pontas das cartas que haviam sob as portas. De longe, ainda que por intermédio da minha imaginação, escutei sua voz risonha e me acomodei na sensação de ouvi-la e de ser suspendido pelos gritinhos de contentamento que eu já esperava ouvir assim que seus braços se envolvessem em mim e me apertassem como sempre.  

O sentimento estranho me cercou novamente, ainda que eu não tivesse encontrado motivos para tê-lo comigo. Meus pés, frente a frente, seguiram velozes, embora parecessem lentos sob uma perspectiva detalhista. Senti, em espanto, a controversa do desconhecido, minhas mãos que, normalmente possuíam um calor habitual, estavam paralisadas e frias.  

-Você está bem? Parece meio pálido. -Jacob disse, assim que viramos no corredor de dava de encontro ao quarto de Emília. 

-Ah, estou sim. - Não, não está, minha mente gritou silenciosamente. Tentei me enquadrar nos motivos para tal nervosismo, mas as justificativas bobas que me eram datadas se cancelavam ao simples passo da imaginação. - Só estou um pouco cansado. - Apertei firme as duas mãos, me convencendo, em parte, que tudo se tratava de saudade e nervosismo. 

-Sabe, eu estou estranhando você esses dias... - Falou, chamando, imediatamente, minha atenção para seu rosto seco. - Você está diferente, não sei no que ainda, mas diferente. 

-Como assim? - Tentei sorrir, engasgado com a interpretação rápida que ele tivera sobre minha mudança de comportamento.  

-Sei lá, cara. - Levantou os olhos, sustentando minha visão sobre ele. - Você parece mais ansioso que o normal. - Sorriu baixo. - Não sei se é isso ou se outra coisa, mas, de certo, percebi sua mudança, Kit. 

-É estranho dizer isso... -Percebi sua consideração e continuei com meu desabafo. - Eu realmente não sei o que está acontecendo comigo esses dias. Estou nervoso, ansioso, estressado e...  

-Distante de tudo. - Ele completou e afirmei, assim que entendi a conexão de suas palavras com meu sentido de texto. -Sabe, mano...- Ele continuou assim que percebeu que eu não ainda não tinha encontrado um roteiro que me deixasse a vontade para dizer e entender o que me incomodava. - Desde que te conheço sei das dificuldades que você tem para digerir algumas coisas. Os problemas em começar, terminar, se distanciar ou fazer qualquer coisa que abale seu interior. - Deixei de sustentar seu olhar, que me pesava sob a consciência de saber que algo, realmente, não estava normal. - Desde sempre sei que você é assim e de todas as consequências disso. E não sei se seu problema está no medo ou em outra coisa. Kit, - murmurei um som que o fizesse continuar. - Tudo bem em ter medo, cara, eu te entendo e sei que é normal. A expectativa torna tudo mais doce, sabe. Então, não é de todo ruim, ter toda essa ansiedade guardada dentro de você, mas a partir do momento que isso passa a te prejudicar, não é bom manter essa agonia. Me entende? - Assenti com a cabeça. - Você é um ótimo ator, não precisa se machucar tanto assim para que tudo saia perfeito, porque conduzir isso de um jeito que te deixe bem e feliz já fará com que os episódios e suas cenas saiam como planejado. 

Levantei os olhos, a tempo de ver que estávamos próximos demais do nosso destino final e perceber que ele ainda esperava por um sinal ou alguma resposta da minha parte. 

-Jacob...- Sua cabeça, que já estava voltada em minha direção, se estendeu dando lugar a minha fala. Coloquei uma mão no ombro fino e apertei, levemente, os ossos que se expunham sob sua camiseta. - Obrigado, amigo. Não sei bem o que te dizer e nem sobre o que devo justificar essa tensão que me cerca. Mas, de verdade, estou bem. -Vi sua visão cerrar, enquanto tomava ar de reprovação diante da mudança que ele acreditava estar sendo datada por mim apenas para que a conversa chegasse ao fim. - É sério, estou bem, óbvio que um pouco ansioso, mas mesmo assim, bem. Sempre fico assim no início das gravações mesmo, hoje já teremos uma cena para ser filmada e, depois disso, provavelmente darei uma controlada nos nervos. Sabe, cara... -Sua atenção, voltada para mim, se deu no total sentido de me apoiar e demonstrar sua disponibilidade para com meus problemas pessoais. - Só estou precisando relaxar, matar a saudade dos meus amigos, já que até agora não tive tempo de aproveitar vocês, e deixar de me preocupar com o que os outros podem achar. -Respirei fundo, mas consegui ver sua cabeça balançando em aprovação para com meu desabafo. Olhei para ele, que ainda me encarava profundamente, parecendo ler e processar todas minhas palavras. -Eu fico preocupado com o que vai ser da série, o que vai ser dos meus relacionamentos com as pessoas após cada cena e esqueço de aproveitar os momentos que estou vivendo, os momentos que estamos vivendo. -Ressaltei, enquanto me aliviava de um fardo que, para mim, carregava apenas essas dúvidas e complicações.  

-Que bom ouvir isso. - Ele sorriu e percebi que estávamos parados em frente ao apartamento de Emília. Que não havíamos batido na porta ou chamado alguém para que fôssemos atendidos. Nosso diálogo havia se estendido ao ponto do longo e demorado caminho ter chegado ao fim sem termos percebido. Sorri para ele e indiquei, levemente, com a cabeça, a porta diante de nós. Jacob me olhou coma calma e tranquilidade de sempre e abaixou suavemente a cabeça para que eu chamasse, indicando que nossa conversa seria retomada em qualquer momento que tivéssemos a sós.  

Bati na porta, dois toques secos e frios. Olhei para baixo e vi meus pés se entortarem e se firmarem no chão gelado. Sorri diante do mínimo sinal de preparação para acolhê-la junto a mim. Minhas mãos badalavam sob a noção de saber se já era hora de chamá-la novamente ou se eu deveria esperar mais um pouco e ver se ela já estava vindo ao nosso encontro. De fora do cômodo escutei Náthalie chamando-a, perguntando onde ela havia colocado as chaves e sobre o porquê de carregar manias tão exageradas, sobre a falta de lógica existente nelas e sobre os motivos escondidos por detrás do fato de Emília não deixar as chaves no gancho. “Eu sei o porquê”, pensei baixo, enquanto uma onda de calor envolvia meu peito e me preparava para tê-la comigo ali. “Eu sei o porquê”, insisti para minha mente, que processava a inevitabilidade do meu conhecimento sobre suas manias e atitudes e sobre as justificativas existentes para cada uma delas.  

Olhei em frente, para a madeira seca e para o belo número que ressentia nela, em um tom prateado.  O barulho das chaves ao simples giro da maçaneta, me levou ao retorno da espera, do momento de nosso encontro e do instante de tê-la junto a mim. 

-Jacob, ainda bem que você apareceu, Nathálie já estava me... - Eu a vi e também vi sua surpresa ao me ver. -Kitten. - Ela disse, ainda com os olhos caídos sobre mim, enquanto garantia aos lábios o carinho e a sinceridade de um sorriso acolhedor. Olhei para ela e percebi o quanto estava linda naquela manhã, embora eu sempre gostasse do seu estilo único de ser. Suas roupas continuavam a demonstrar a tranquilidade de participar de uma coisa que lhe deixava feliz. A blusa branca, justa e simples, combinava com os sapatos que ela usava, mas tirava, de modo singelo, a ênfase escondida em seu olhar grandioso. O cabelo estava preso, com pequenos fios curtos e soltos. Os olhos esverdeados brilhavam de maneira pura, mas não estavam destacados do jeito que eu, em segredo, gostava. Olhei firmemente para ela, linda e simples, não evitei sorrir. 

-Você pode me abraçar, sabia? - Falei por fim, enquanto me aproximava de seu corpo e a puxava, levemente, para perto de mim. - Eu não mordo. 

-Ahh, sobre isso eu não sei. Não confio tanto assim em você, mas tudo bem, caso esteja mentindo e me morda, creio que seu dono lhe deu todas as vacinas. - Ela respondeu de imediato, enquanto grunhia e me apertava sob seu abraço. Imaginei a malícia do seu sorriso e me segurei para não parar e admirá-lo.  

-Você está brincando com fogo, mocinha. Acho melhor não mexer comigo, eu não sou... 

-Você não é? - Seus braços se desvencilharam de mim, olhei para seu rosto, risonho e calmo, e vi suas sobrancelhas se levantarem sob a ironia de nossas brincadeiras.  

-Não sou seu fantoche, Emília Clarke. - Fechei a cara, atuando sobre a idealização de uma mágoa que nunca existiria entre nós. 

-Isso Kit, estou gostando de ver, cara, é isso aí. - Ouvi a voz de Jacob e olhei para ela, os olhos grandes brilhavam sorridentes, enquanto os lábios se fechavam demonstrando a irritação que ela queria manter, mas não conseguia. 

-Obrigado, Jacob. - Balancei a cabeça em aprovação e agradecimento para ele, mas dispensei manter meu olhar sobre o dela. Suas mãos seguravam meus pulsos, ainda no resquício do nosso encontro. Minha pele se adormecia sob a mínima idealização de seu toque, suave e marcante, à medida que minha mente se ajeitava no incômodo de não entender que eu não possuía controle sobre os momentos vividos ao seu lado. Isso, a inconstância de tê-la era, digo eu, o que mais me incomodava e o que mais me agraciava. Meu desespero margeado pela dúvida quanto aos instantes que se passariam, pela incerteza do que ocorreria depois, me tocava ao ímpeto do medo e da ânsia. Medo pela falta de domínio, ânsia pelo desejo de saber. - Acho que ela está enganada ao meu respeito. - Sorri de lado, petulante, quando consegui falar, ainda fixado pelo verde à minha frente.  

-Talvez eu esteja, Harington. - Ela ergueu as sobrancelhas levemente, com um aspecto diferente dos demais. Mantive a postura sob a inconstância temida, embora eu soubesse seu senso cômico e acreditasse mais nele do que em ideais contraditórios ao meu conhecimento sobre ela. - Ou talvez... -Ela continuou firme, me encarando, enquanto mergulhei na soberania da ignorância. Minha comemoração com simplicidades remetia à glória na perspectiva de conhecê-la tão bem quanto eu imaginava conhecer. - Você seja mesmo quem eu penso que seja. 

-E quem você pensa que eu sou? - Seu sorriso se formou a espera do inevitável e eu soube, instantaneamente, que ela ganharia nossa batalha. 

-Bom...- Me aprontei para o que viria, mesmo que nada me conformasse para com tal derrota. - É difícil te definir assim... - Ela retirou, cuidadosamente, uma das mãos de cima do meu pulso enquanto eu me segurava para não acompanhar tal movimento com o olhar. - De imediato. Afinal, -Sua respiração tomava o ambiente com a calmaria do nosso momento. - Nunca encontrei palavras suficientes para descrever você. - A sensação me acoplava ao extremo do entendimento. - E então, Kit, talvez, eu esteja enganada sim, mas acho isso pouco provável diante de tudo o que sei sobre você. -Senti meu ar ser tomado, aos poucos, em uma linda manhã que mal havia começado. Minhas atitudes se fecharam pela surpresa que suas palavras sempre, sempre e sempre causava em mim. - Você é... 

-Você é o fantoche dela, cara. - Jacob interferiu. - É isso o que ela tá dizendo, mano, você não percebe? -Meus olhos desviaram para os dele, enquanto seu rosto tomava um ar engraçado e espontâneo. - Não deixa ela fazer isso com você, mano.  Você está indo tão bem, Kit. Sério... - Suas mãos gesticulavam ferozmente à nossa frente, tentando, ao máximo, demonstrar a indignação para com a certeza da derrota do nosso time frente ao delas. - Eu estava apostando tanto em você. Jurava que você não ia cair nessa lábia hoje, poxa. Você precisa aprender a se controlar, Kit, estava indo tão bem e... 

-E não foi dessa vez. - Náthalie cortou-o, sorrindo com grandiosidade. - Não entendo essa sua ideia maluca de ver competição em tudo, Jacob. Não existe isso e se existisse, você sabe bem que não haveria a mínima chance de ela perder pra ele. 

-Ei. -Chamei sua atenção, embora já não houvesse mais assunto nenhum para ser discutido. Jacob e Náthalie já haviam se afastado para resolver a questão da troca de roteiros e toda a brincadeira já havia chegado ao fim. Sorri, aceitando a normalidade, e senti seu corpo se aproximar do meu novamente. 

-Importante demais pra mim. - Ela sussurrou, enquanto depositou um beijo no meu rosto e eu entendi, por fim, do que se tratava tal comentário. Nossa conversa ainda não havia terminado e, de uma forma estranha, me senti feliz por isso. 

 

EMÍLIA 

Me afastei de seu corpo lentamente, mas a tempo de ver suas expressões e poder analisá-las. Sua boca se curvava na breve ameaça de um sorriso, que, de certa maneira, levou meus sentidos ao extremo do contentamento. Seus olhos, antes fechados e imersos em nosso abraço, ainda mantinham a mesma tranquilidade conhecida, embora se dissolvessem no clarão do quarto. As bochechas, vermelhas, demonstravam a timidez que ele carregava e que, embora ele não soubesse, me encantava.  

-Acho que é melhor irmos andando, Kit está querendo chegar mais cedo hoje e... - Suspendi meus pensamentos ao soar de Jacob, ainda que meus olhos estivessem presos ao de Kit. - e tenho que ajudar Peter com uns materiais que estão no depósito.  

Vi de relance a cabeça de Náthalie balançando em concordância com as palavras de Jacob, mas não evitei a provocação que me coube a fazer. 

-Olha, não sei o que significa chegar cedo para vocês, mas... - Abaixei meus olhos para o relógio, enquanto segurava firme minha expressão séria e rígida, pressionada pelos olhares que me encaravam. - Faltam apenas cinco minutos para que não haja atrasos. - Levantei meu olhar, travesso e seguro. - Mas tudo bem, - apertei meus lábios para não vacilar meu riso frente às impressões de meus amigos. - Chegar na hora exata já é chegar adiantado para você, Kitten.  

Observei seus olhos se revirarem para cima, enquanto sua face tomava um ar cômico e irônico. Levantei minhas sobrancelhas à espera de um julgamento direto, mas ele não veio. Pelo contrário, Kit sorriu para Jacob e me encarou convencido, enquanto se direcionava para a porta. 

-Vamos, Jacob. Pelo visto temos apenas cinco minutos. - Suspendi minha perspectiva para além do inevitável, paralisada com a reviravolta. - E você, mocinha – olhou-me firmemente – sinto muito.  

-Pelo que? - Perguntei de relance, enquanto seu corpo tomava forma em outro ambiente.  

-Parece que... - Ele abaixou o olhar para o relógio, da mesma maneira que eu, minutos antes, havia feito. - Agora só faltam quatro minutos e bom, pelo que estou vendo, você não vai chegar adiantada e nem na hora exata. 

Náthalie riu descaradamente, ao passar de instantes em que eles começavam a se afastar. Escutei Jacob se despedindo, sorrindo para com a indignação que eu, com impulso, havia tomado para mim. 

-A gente se vê lá. - Ele piscou sorridente e convencido, me levando à crença dos momentos que eu sempre passava com eles e de que, claramente, eram os melhores.  

-Pelo visto você acordou bem-humorado. Espero que isso se conserve durante toda a semana. - Gritei assim que sua imagem se esvaiu porta a fora. 

-Ah, por favor, Milly, não precisa agradecer tanto pela visita. E não se atrase tanto, não estou querendo esperar muito. - Escutei sua resposta detalhada, frente minha vontade de sorrir mais com a simplicidade e a felicidade de sua presença. 

Caminhei para meu quarto, sorrindo baixo para com o início de uma semana feliz. E percebi, tarde demais, base ao olhar encantado de Náthalie, que minha imaginação corria livre e longe de toda pressa.  

-Você gosta muito dele, né? 

-Dele quem? - Perguntei, tentando esconder minha aflição, diante da certeza de uma falha memorável e nítida. 

-Emi, você sabe do que estou falando e de quem estou falando. Não precisamos fingir, não é mesmo? - Suas mãos se encontravam firmes e encostadas na porta, o que me forçava a permanecer no local e encarar aquela conversa desnecessária. 

-Não sei se está falando sobre Kit ou Jacob, mas, de toda maneira, minha resposta é sim. - Suspirei aliviada, nada mais que a verdade me cercava quanto à pergunta de Nathálie. Eu realmente gostava muito dos dois, eram grandes amigos e desde então me faziam muito bem. 

-É...- Seu rosto sobressaiu de meu alívio instantâneo, da maneira que eu já conhecia. - Percebo mesmo que você realmente gosta, fica até meio boba, parece. 

-Boba? Já é demais, Nat. - Ri descaradamente. - São meus amigos, não tem como não gostar. Jacob atua com a gente, é um cara legal e está aqui quando precisamos. E Kit, bom, Kit é ele e isso já basta para ser amado. Ele sempre esteve comigo, me faz ver as melhores coisas desse projeto e me faz feliz, é, sem dúvidas, meu melhor amigo. Então... - Vi seu sorriso crescer, contente e com um ar de vitoriosa. - Não fique com coisas guardadas nessa cabecinha, você me conhece e sabe muito bem o que penso sobre tudo isso que você está me dizendo.  

-Tudo bem. - Levantou as mãos em rendição, mas sem tirar o ar de grandiosidade que ela carregava em seu semblante. - Hoje você escapou, até porque preciso lembrar de que estamos atrasadas e precisamos ir andando se quisemos cumprir com nossas obrigações. 

Balancei a cabeça firme, fechando o assunto com o qual ela me provocava. Por fim, peguei a bolsa e coloquei meus pertences dentro, coisas que eu iria precisar durante o dia e que cabiam dentro da pequena maleta.  

-Vamos? - Levantei, já pronta para sair e procurando pela concordância de Nat, que de encaminhou para a porta de saída. 

O caminho foi longo até o set, minha cabeça virava no esquecimento das dúvidas que Náthalie carregava e na alegria do meu dia. Os minutos de caminhada, relatados por palavras soltas que ela, de maneira extrovertida, soltava e que eu, sem acompanhar os raciocínios escancarados, concordava e fingia entender, se passaram lentamente. Durante a trajetória, minha mente se perdia nos contextos e passatempos, no futuro e nas perspectivas, na emoção e na reviravolta. Minha vida se modificava de maneira tão explícita a cada cena e a cada dia que, mesmo para mim, era difícil acompanhar meus pensamentos.  

Chegamos no set, minutos atrasadas, mas ainda antes de grande parte do elenco. Os camarins que, desde o princípio, já haviam sido divididos e nomeados, se formavam sobre a companhia de todos meus amigos e colegas. Entrei na porta estreita com Náthalie ao meu lado, e dentro, Jayne me esperava com um sorriso grandioso, enquanto mexia no armário em que ficavam as roupas de Dany.  

-Estava esperando por vocês, temos muito o que fazer hoje. - Caminhou em nossa direção para um longo abraço e senti, novamente, a sensação de pertencer àquele local. 

-Náthalie nos atrasou, Jay. - Falei rapidamente, disfarçando a mentira e sorrindo para com a reação de minha amiga. 

-Eu nos atrasei, Emília? - Fingi intimidação diante da revolta dela e apenas confirmei com a cabeça. - Tenha vergonha na cara, era só o que me faltava, Jay. Emília fica enrolando, voando com esses pensamentos estranhos e ainda tem a coragem de falar que eu nos atrasei. - Começou a rir desesperadamente, levando Jay ao contínuo de sua presença, enquanto eu fingia indignação.  

-Não sei do que está falando, Nat. - Falei com delírio. 

-Imagino que não mesmo. - Ela disse ainda sorrindo para Jay. 

Me encaminhei para uma das cadeiras que estavam frente ao espelho, enquanto Jay explicava para Nat quais seriam nossas tarefas do dia. Meu nome reluzia na parte detrás de uma delas e indicava qual a posição que eu deveria ocupar no camarim. As cadeiras ao lado ditavam o nome de Kit, à esquerda, e de Nat, à direita da minha. Ao lado da de Kit, os aposentos de Jacob e Peter mostravam que nossos amigos também ficariam ali conosco. Sentei em minha cadeira, colocando sobre o enorme balcão que formava a penteadeira, minha bolsa e o roteiro que antes eu carregava em minhas mãos. Sentada, vi Jay indicar para Nat a cadeira que pertenceria a ela e se encaminhar para o banheiro que existia naquele cômodo. 

-E então, preparada? - Nat perguntou por fim, assim que se sentou ao meu lado. 

-Eu sempre estou preparada. - Pisquei ligeiramente, recebendo sua reprovação e o riso resguardado de nossa conversa.  

-Jay disse que Dylan está quase chegando. Ele vai mostrar os penteados que vamos usar nessa temporada e ela vai pegar os croquis dos figurinos. -Concordei com a cabeça, analisando a alegria de Nat. - Mas enquanto isso podemos ir relendo o roteiro ou passar alguma parte específica, já que começaremos as filmagens amanhã. 

-Pensei que começaríamos hoje. - Rebati com curiosidade. 

-Eu também havia pensado, mas Jay me disse que David resolveu só filmar amanhã. Hoje cada um ficou encarregado de uma coisa, alguns vão analisar os figurinos de seus personagens, outros estão ajudando a montar um novo equipamento que chegou e mais alguns ficaram de ajudar em outro aspecto. 

-Ah sim, bom que podemos repassar os temas. - Concordei afetuosa.  

Os segundos ligeiros se transpassaram ao nosso entusiasmo e esvaíram o limite da ocupação. O tempo nos corrompia para com a liberdade, embora nossas tarefas nos deixassem distraídas demais para surtar. Olhei ao redor, quando os barulhos indicavam a chegada do maquiador e Nat demonstrou seu êxtase diante dessa percepção, a continuidade de nossa preparação. Percebi, então, que eu já me sentia tranquila e que o ambiente já me aconchegava mais que antes e, assim entendi que eu estava, finalmente, em casa.  

 

NARRADOR OBSERVADOR 

Caros amigos, não tenho muito a dizer, mesmo porque imagino que não há muito a ser discutido entre nós. Talvez pensemos que os pontos imperceptíveis são mais notáveis que os reais, mas sabemos, eu e vocês, que minhas palavras não serão responsáveis pelos atos ou pensamentos de outras pessoas e que nada que eu possa dizer conseguirá sanar as dúvidas ou expectativas que vocês carregam. Acredito então, desde o princípio, que o fundamental está naquilo que é sentido na primeira instância e que isso sim nos apazigua. Penso que, antes das interpretações é preciso rever aquilo que não deve ser julgado e, somente desta maneira, compreendermos o que é fascinante.  

Portanto, não nos revoltemos com a complexidade, não fixemos nossa mente na finalidade do existir, mas sim no que é construído durante o percurso da vida. Assim, compreender o amor não se tornará uma tarefa a ser cumprida ou desvendada e não será visto como tal, mas sim como um prêmio, um presente. E eu entendo, parece estranho analisá-lo assim, concordo com vocês, mas convenhamos que nada grandioso consegue ser explicado por singelas palavras. Então, queridos, sei que para quem não tinha nada a dizer, essas frases já me pesam a mão, mas também sei que não seria possível narrar ou concluir partes importantes sem nossa casual reflexão, até porque já sinto vocês comigo durante esse momento. Por fim, arremato nosso discurso, curto e simples, sobre amor, deixo que vossas imaginações os conduzam para além de minhas palavras e para além, inclusive, do meu próprio pensamento. Entrego, portanto, como uma meta para que juntos, eu e você, nos apaixonemos pela poesia escondida no verbo amar e nos entreguemos, completamente, à magia existente nela.   

 


Notas Finais


Bom, espero mesmo que tenham gostado, fiz de todo coração e tava morrendo de vontade de postar logo.
Eu queria saber o que estão achando da história, o que estão mais gostando ou não (pontos positivos e negativos) e se gostam dessa interatividade (músicas enquanto leem e fotos para acompanhar o capítulo). Espero a resposta de vocês...
BEIJOSSS, obrigada e não desistam de mim (e da história <3).


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