História Minha Cura (Vkook-Taekook) - Capítulo 10


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Categorias Bangtan Boys (BTS), Black Pink, EXO, Got7, Red Velvet, Seventeen, TWICE
Personagens Baekhyun, BamBam, Irene, Jackson, JB, Jennie, Jeon Jeongguk (Jungkook), Jinyoung, Jisoo, Jung Hoseok (J-Hope), Kai, Kim Mingyu, Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Lisa, Lu Han, Mark, Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais, Rosé, Tzuyu, Youngjae, Yugyeom
Tags Namjin, Taekook, Vkook, Yoongmin
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Palavras 9.947
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Lemon, Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 10 - Manipulado


Pov autora

Em questão de segundos, Jungkook e Yoongi, foram em direção a voz rouca e falha de Taehyung, que ouviram ecoar pelas ruas desertas. Já não estavam mais perto do centro da cidade, e muito menos da escola.

Jungkook se sentia mal por estar fazendo aquilo, o garoto acabara de abandonar seu primo, que por pouco não fora morto pela pessoa que causava tanta curiosidade sobre si. Sabia que não era muito comum ele agir daquela maneira, nunca sentiu essa quantidade tão grande de curiosidade sobre uma pessoa que mal conhecia; de fato, era curioso, mas não daquela maneira tão obsessiva.

Podia sentir-se uma pessoa ruim, por simplesmente ter abandonado seu próprio primo naquela situação, todo machucado, com vários ferimentos expostos no seu rosto; ferimentos que com certeza Eunjin iria questionar ao seu filho a existência deles. Mas Jungkook sentia que mesmo não sabendo sobre o que aconteceu entre Taehyung e Jimin, sabia que seu primo estava errado, isso era algo notável, podia perceber apenas vendo a reação de Jimin quando pronunciava o nome de Taehyung, e por conta disso, sabia que seu primo estava errado, e que não era um completo inocente naquela história; ninguém era.

Jungkook já não via mais sentido em viver naquela cidade pacata, afinal, não faz o menor sentido uma pessoa como ele viver em um lugar como aquele, era uma vantagem completamente inexistente morar ali. Jungkook não tinha seus amigos e muito menos Tzuyu, essas pessoas – além dos seus pais – eram o seu único suporte e nada mais, mas agora ele estava completamente só, sem suporte algum para ele. O garoto nunca tinha se sentido assim, talvez por essa separação, ou até mesmo pela perda dos seus pais; lógico que esse era o problema. Por mais que ele sempre brigasse com seus pais, ele amava-os, sentia falta de ouvir a voz da sua mãe do seu pai todos os dias em plena manhã, sempre perguntando como ele havia passado a noite; sentia falta de quando sempre que chegava em casa depois da escola, na maioria das vezes, se deparava com seus pais sentados no sofá assistindo por algo qualquer que passava na televisão. Se arrependia profundamente por nunca ter ido se sentar junto aos seus pais, ou até mesmo por nunca ter respondido os mais velhos sem levar em um tom de gozação ou ironia; chegava a sentir falta das suas brigas. E, em especial, sentia saudades de quando a sua mãe chegava a perguntar como ele estava ou o avisar sobre algo, fazia-o sentir-se uma pessoa especial e existente no grande caos que esse mundo é. Jungkook sabia que seus pais se preocupavam com ele, o garoto apenas não aceitava isso, tinha raiva do passado, para ele nunca existiria um jeito certo de eles se redimirem pelos seus inúmeros erros; pelo menos não agora. Entretanto, com todos esses sentimentos, ele se arrependia profundamente por nunca ter dado a devida atenção aos seus pais; tinha o sentimento de culpa dentro do seu peito.

O garoto chegava a acordar durante várias noites, sentindo o medo dominar seu corpo por completo, tinha medo de se esquecer de tudo; de como seus pais eram, e qual era a importância que eles tinham na sua vida. Tinha medo de esquecer o som da voz deles, afinal, a primeira coisa que esquecemos de uma pessoa é a sua voz, mas Jungkook não queria esquecer isso, era algo especial para ele. Tinha medo de não se lembrar mais do cheiro dos seus pais, todo mundo tem o seu cheiro; um cheiro distinto, que nada pode se comparar ou ser exatamente igual àquele aroma; Jungkook tinha medo de não ter mais as preciosas lembranças dos seus pais.

Naquele exato momento, Jungkook, sentiu um forte arrependimento pesar sob seu peito. Céus, como ele era tão idiota em chegar ao ponto de largar seu primo naquela situação para ir atrás de uma pessoa que mal conhecia. Não conseguia controlar a sua ansiedade, era como se fosse que Taehyung o atraia, por mais que não o conhecesse, sentia isso. Jungkook era uma pessoa confusa, principalmente com seus sentimentos, não sabia o que estava sentindo pelo Taehyung. Era lerdo demais para perceber qualquer coisa a sua volta, muitas vezes precisava de alguém para ajuda-lo com algo, nunca conseguia descobrir sozinho; precisava de alguém para abrir seus olhos.

Jungkook travessou a rua, logo atrás de Yoongi, que parecia estar completamente emputecido com tudo aqui; com certeza ele estava. Por um momento, Jungkook chegara a pensar que a amizade dos dois se alimentava apenas de brigas e discussões, afinal, durante todo o tempo que passara dentro daquela cidade, nunca viu, nenhuma vez sequer, algum gesto de afeto entre os dois. Mas Jungkook estava completamente errado, eles se amavam, apenas não mostravam para as pessoas, na verdade, isso nem mesmo acontecia entre ele. Estavam em um momento ruim, mesmo isso nunca ter acontecido uma única vez, nunca tinham brigado daquela maneira, e muito menos envolvendo Jimin no meio, era apenas brigas bobas. Mas desta vez não era uma simples briga, e eles sabiam disso. Ambos estavam putos um com o outro, principalmente Taehyung, pois era ele quem estava ficando pior ainda. Yoongi até poderia estar sentindo dor, mas não tamanha dor que seu amigo sentia. Yoongi era o tipo de pessoa que poucas vezes pensava nos outros, não era egoísta, mas mesmo assim, não dava muita bola para isso. Não pensava no todo, apenas nas partes que mais importavam para si. Naquele momento não se preocupava tanto com Taehyung, pensava apenas superficialmente, se preocupava apenas em saber se seu amigo chegaria em sua casa salvo e sem mais nenhum problema, não se preocupava com o que Taehyung estava sentindo com tudo aquilo; não tinha culpa disso. E esse estilo de Yoongi, era o que mais irritava seu amigo, que sabia perfeitamente toda a sua personalidade.

Taehyung podia sentir algo ruim dentro dele, tinha a sensação de afogamento. Estava sendo afogado pela areia movediça, e sabia que a qualquer momento não teria mais ar dentro dos seus pulmões, gostava de se sentir assim; completamente afogado, igualmente da maneira que gostaria de morrer. Não era do tipo de pessoa que pensava muito na sua morte, mas sempre que alguém tocava naquele assunto, era difícil tirar isso da sua mente. Era como se fosse que cada assunto que o fizesse pensar muito, demoraria anos para sair de dentro de si. Taehyung gostava de se sentir afogado, na maioria das vezes, tomava banho gelado para ter essa sensação; uma sensação de morte.

Quando alcançaram Taehyung, Yoongi pegou seu amigo por se casaco preto, o pressionando contra o muro de uma casa qualquer, o mais velho estava muito impaciente com tudo aquilo, já não aguentava mais ter que ficar cuidando de Taehyung, por mais que fossem amigos, ele não tinha essa grande obrigação de ficar fazendo isso toda hora que Taehyung decidisse ficar embriagado.

- Vamos para casa. – Puxou Taehyung pela manga da sua blusa, tentando sair daquele lugar, que para ele já era desconhecido, mas Taehyung simplesmente puxou seu braço de volta ao seu corpo, andando na direção oposta dos outros.

- Eu não vou para lugar nenhum com você, você não é nada meu, aliás, quando mesmo você foi algo meu?! – Perguntou rindo, sarcástico.

- Olha Taehyung, eu já estou cansado de ficar indo atrás de você toda hora.

- Problema é seu, por acaso eu cheguei em você e falei “Yoongi oppa, me leva pra minha casinha?”, não, eu não te pedi nada, então se já esta cansado de mim, pode ir embora, porque ao invés de eu ficar triste ou mais puto que eu já estou, eu irei pessoalmente até você e lhe agradecerei por isso. – Disse calmo. Por um momento, Jungkook chegou a duvidar profundamente se Taehyung estava realmente bêbado, apesar do cheiro forte de álcool ser sentido de longe, Taehyung não era igual todas as pessoas que ele já tinha visto bêbadas. Sempre parecia ter total consciência do que estava falando, ou até mesmo para onde estava indo, e o mais estranho de tudo, não se fazia de vítima.

Taehyung odiava isso; odiava pessoas que se faziam de inocente quando estavam bêbadas, ficar embriagado não é para ficar chorando por aí, e sim lembrar de todos os momentos ruins e simplesmente pensar que eles não eram nada demais, apenas problemas passados que amaldiçoam a cabeça de todos, era isso que Taehyung pensava. Quando bebia, sabia que em algum momento, iria se fazer de inocente, e por isso preferia ficar sozinho com sua embriaguez e loucura, não gostava de fazer isso na frente das pessoas, o que elas iriam pensar dele nessa situação?

Ele era uma pessoa diferente, talvez não levava isso para o lado da inocência porque era uma pessoa completamente sarcástica, ou por saber que ele não tinha literalmente nada de inocente dentro dele, e isso fazia-o pensar que não deveria agir desta maneira, estaria sendo completamente sem noção.

Jungkook não estava gostando nem um pouco de estar presente naquele local, mal conhecia a cidade, nem sabia como voltaria para sua casa, ou até mesmo para a escola; se arrependia profundamente por ter saído da escola para a atrás de Taehyung, deveria ter ficado com seu primo. E, além disso, não gostava de ficar apenas como platéia, ele simplesmente não fazia nada, apenas via o conflito entre Taehyung e Yoongi, nunca tinha o poder e nem a coragem para tomar alguma atitude madura em uma situação daquelas.

- Yoongi, acho melhor eu já ir indo embora. Você se importa com isso? – Sim, Jungkook acabara de pedir isso, não iria aguentar ficar vendo a briga dos dois sem ele poder falar nada, afinal, não conhecia Yoongi, e muito menos Taehyung, não sabia como tinha que agir na frente deles; não sabia se podia se intrometer no meio da briga deles; não sabia o que fazer; não sabia nem ao certo porque estava alí. Céus, Jungkook não fazia a mínima ideia do que estava fazendo ali. Sua vontade era de sair correndo e não olhar para trás, sentia medo deles, especialmente de Taehyung, como uma pessoa conseguia ser daquele jeito?, se perguntara. No ponto de vista de Jungkook, Taehyung era como se fosse uma pessoa largada, tinha noção do que fazia, mas parecia nunca ter um rumo certo, não só naquele momento, e sim durante todo o tempo que Jungkook passou a conviver junto com Taehyung. Não tinha medo de Taehyung o fazer algum mal, mesmo vendo seu primo quase sendo morto por ele; Jungkook não tinha medo, tinha medo do que Taehyung poderia fazer consigo mesmo, aliás, Jungkook presenciou umas das recaídas do mais velho, e era exatamente isso que causava medo no garoto. Chegava a ficar agoniado em pensar que com aquelas recaídas Taehyung poderia morrer, não queria ficar sabendo da morte de mais ninguém na sua vida, a dos seus pais já fora o suficiente para ele, mesmo não conhecendo Taehyung, se sentiria mal por saber que ele morreu.

- Claro que não. Olha, Jungkook, eu sei que você está de saco cheio disso, mas eu também estou, e se você não percebeu, o Taehyung não vai me ouvir e nem deixar eu levar ele para minha casa, então eu preciso de você comigo para me ajudar a levá-lo para minha casa, ok? Eu sei que posso estar abusando, mas eu preciso da sua ajuda agora. – Diz enquanto encarava Taehyung, que andava lentamente no sentido oposto que estavam. Claramente Jungkook ficou sem palavras, não era muito próximo de Yoongi, mas mesmo assim, o mais velho era a única pessoa que Jungkook realmente sabia que havia feito amizade sozinho, já estava cansado de ficar ao lado do seu primo, era como se ele fosse um simples objeto que poderia ficar com qualquer coisa ou pessoa, Jimin fazia exatamente isso com Jungkook, o apresentava para qualquer pessoa, e o deixava sozinho, mas sempre fora pessoas da confiança do seu primo, não pessoas que eram diferentes. E Jungkook estava procurando exatamente isso, pessoas as quais não eram da confiança de Jimin, não porque queria ser meio rebelde, e nem por causa da briga que teve com o mais velho, apenas queria conhecer pessoas diferentes, cada uma com problemas diferentes, e que seguiam suas próprias regras, igualmente ao Taehyung, não pessoas que idolatravam Jimin, e faziam o que ele pedia ou mandava; queria se arriscar.

Por fim, Jungkook acabou aceitando,  e fora junto ao Yoongi até Taehyung, que agora estava completamente maluquinho da cabeça, tinha sorte de não ter ninguém da cidade o observando, imagina, uma pessoa que já é mau vista pelos outros ser vista no estado em que se encontrava? Isso seria o fim do mínimo de reputação que Taehyung tinha, afinal, Taehyung já tinha uma ótima reputação,  era conhecido por todos da cidade, apenas não era visto como uma pessoa boa.

Ao alcançarem Taehyung, Jungkook sem se importar,  puxou o acastanhado pelo pulso, virando-o em sua direção. Taehyung mal raciocinava direito, não estava afim de pensar muito; dava muito trabalho, para ele pensar era algo indesejável por qualquer pessoa, naquele momento, sua mente apenas aceitava as lembranças que tinha, literalmente todas, milhares delas. Mas de todas elas não eram algo bom, afinal, Taehyung não tinha lembranças boas da sua vida, todas que antigamente ele julgava serem boas, agora nada mais eram do que coisas que sempre latejavam e perturbavam sua mente. Gostava de ficar bêbado. Na maioria das vezes evitava chorar, aliás, quem fica bêbado para chorar, devemos chorar quando estamos com a total consciência das nossas mentes, não quando mal sabemos quem nós mesmos somos. Para ele a embriaguez, apenas servia como um ativador de lembranças e memórias, nada mais além disso. Quando estava bêbado, o sentimento de culpa ia embora, às vezes chegava a desejar que aquela embriaguez toda durasse por todo o resto da sua vida, lógico que sentiria dor, mas não tamanha dor que sentia quando não estava bêbado, quando tinha a total noção do que estava acontecendo a sua volta, a dor que sentia era insuportável, sabia que se fizesse alguém sentir a dor que ele sentia, a pessoa não aguentaria nenhum segundo sequer, com certeza rapidamente iria dar um fim nela, de alguma maneira, conseguiria fazer isso, e Taehyung tinha a total noção do que era necessário fazer, apenas estava esperando o momento exato para que pudesse fazer isso, finalmente tirar toda a dor que o torturava durante mais de um ano completo. Isso era ficar bêbado para Taehyung, sentir dor, mas uma dor superficial, tinha que às vezes tirar a dor tão profunda que sentia.

Taehyung podia notar que a cada dia que se passava, mais os espasmos de agonia que sentia aumentavam. Era como se fosse que isso o transtornava da maneira mais impiedosa do mundo, com certeza era um castigo infinito, não um castigo, e sim uma culpa de que ele sabia que era o causador do acidente.

- Vem Taehyung. – Jungkook o puxou pela sua manga da blusa, indo atrás de Yoongi, que o guiava em direção a sua casa.

Sem saber o que estava acontecendo, Taehyung apenas cedeu e seguiu Jungkook sem relutância alguma, diante dos seus olhos, não via a presença de Yoongi, e isso o alivia de uma maneira incontrolável, não queria ver seu amigo, sabia que se o visse, iria avançar para cima dele, e isso era a última coisa que ele queria para terminar aquele dia tão melancólico, afinal, todos os dias para Taehyung eram melancólicos, não importava o que acontecia, era sempre a mesma coisa; ele sempre se culpava; ele sempre era o meio de gozação para Jimin; qual era o sentido de achar que algum dia, um único dia, era diferente dos outros. Cada vez mais se sentia morto, não só psicologicamente, mas também fisicamente, sentia seu corpo dolorido, não pelas suas feridas, e sim pelo cansaço que sentia. Seu corpo era fraco, não comia nada e nem se cuidava, apenas se maltratava, finalmente havia encontrado um jeito de tirar sua dor; talvez apenas ele pensasse dessa maneira, sua dor não podia ser tirada de maneira alguma, ele apenas pensava que fazendo isso consigo mesmo, se machucando da maneira mais boba do mundo tirava sua dor, mas na verdade,  aquilo não ajudava-o em nada.

Jungkook foi seguindo Yoongi com a maior calma do mundo, Taehyung não relutava, apenas andava na mesma velocidade que ele, e isso causou uma leve surpresa em Jungkook, que por um momento pensou que o mais velho iria dizer algo, ou pelo menos tentar, mas ele não fez exatamente nada. Isso com certeza surpreendeu Jungkook, na sua mente Taehyung era uma das pessoas que quando ficavam bêbadas falavam tudo que tinham vontade, igualmente a ele, mas Taehyung não era assim, não tinha força o suficiente para dizer algo. Quando Jungkook ficava bêbado, sempre dizia tudo que vinha na sua mente, além disso, também relutava muito quando Kai tentava levá-lo para casa. Mas cada um tem seu tipo de embriaguez, Jungkook era igual a todo mundo, mas Taehyung não, gostava de ter seu próprio jeito de agir em situações que todos faziam a mesma coisa, afinal, ele não é todo mundo, qual é o problema de ter seus próprios hábitos e manias?

Após um longo período andando, finalmente tinham chegado na casa de Yoongi. No caminho inteiro, ambos estavam com pensamentos completamente diferente, Yoongi em como poderia ter uma conversa calma e esclarecedora com seu amigo, Jungkook pensando em como estava sendo um pouco tolo em ir atrás de Yoongi abandonando seu primo, e por fim, Taehyung, que não pensava em exatamente nada.

Embora os três estivessem com vários sentimentos naquele momento, ambos se arrependiam profundamente por estarem em frente àquela casa. Preferiam estar fazendo outra coisa da vida, ou praticando suas rotinas do dia-a-dia, com certeza isso iria ser algo muito melhor do que ficar na casa de Yoongi com uma pessoas completamente bêbada.

Daquela vez, Taehyung decidiu extrapolar todos os seus limites, estava tão embriagado que mau se lembrava de quantas garrafas de Sujo tinha bebido naquele pub. Gostava de a cada dia sobrepujar suas fraquezas, e aquele dia foi apenas um de muitos que fez isso. Era algo diferente, com certeza ninguém fica tentando beber o máximo que pode, na maioria das vezes, apenas ficam bêbadas e param de beber, nunca procuram seus próprios limites. Taehyung adorava a sensação que o álcool trazia para o seu organismo, não pensava igual quando comia ou bebia qualquer coisa, sempre se preocupando com o que aquele alimentos ou líquido poderia fazer com o seu próprio organismo, ou até mesmo imaginava o percurso que todo o que ele ingeria fazia dentro dele; ele não pensava assim quando bebia, afinal, ele já sabia o que trazia de mal para ele, e esse mal, ele aceitava da melhor maneira possível, agora com qualquer outra coisa não pensava assim. Taehyung tinha medo de comer, não que isso fosse um trauma para ele, antigamente, comer era a melhor coisa do mundo,  mas desde que perdeu aquelas pessoas não viu mais motivos em se alimentar. E, isso ao invés de deixa-lo fraco ou coisas similares a isto, ele apenas sentia-se como se nada estivesse acontecendo, a sua alimentação fazia-o ter pensamentos ruins, e essa era uma das coisas que ele mais gostava. Gostava de pensar no que Mingyu ficaria falando para ele, afinal, Taehyung nunca fora um menino que comia muito, mas antes seu irmão o influenciava a fazer isso, não só o influenciava, como também fazia jogos com ele para que pudesse se alimentar da melhor maneira possível, e agora Taehyung não tinha mais Mingyu ao seu lado, qual seria o sentido disso; não tinha mais ninguém que realmente se preocupasse por livre e espontânea vontade com a alimentação de Taehyung; ninguém se importava com isso e nem tinha a mínima disposição para ajuda-lo.

Jungkook desejava mentalmente estar vivendo sua vida como todas as pessoas daquela cidade, afinal, a está hora, já deveria estar andando na solitária estrada de terra rumo a casa de Taehyung, mas ao invés de estar fazendo isso, estava parado em frente a casa de Yoongi, ainda segurando a manga do casaco de Taehyung, como se fosse que o mais velho pudesse fugir dele a qualquer momento, mas ele não iria fazer isso, estava parecendo uma pessoa completamente morta, apenas respirando, na verdade, ele sempre foi assim, apenas estava pior do que o normal. Seus cabelos ainda estavam cobertos de tinta rosa, chegava a ser difícil encontrar alguma mexa revelando a cor verdadeira dos seus cabelos castanhos, era quase algo impossível de se localizar a cor verdadeira deles.

Taehyung estava em uma situação completamente deplorável o cheiro de álcool vindo do seu corpo podia ser sentido de longe. Seus cabelos rosas, grudados na sua testa, desta vez, levemente divididos no meio, igualmente a cerca de dois anos atrás. Seus rosto e casaco preto tinham vários resquícios de tinta rosa. Taehyung já não se importava mais com a conservação daquele cassação, ou de qualquer outra peça de roupa de Mingyu ou até mesmo das outras pessoas que tanto amava que tivessem seus cheiros nelas, agora, apenas álcool era o único cheiro que prevalecia em qualquer parte do seu corpo e até mesmo do seu organismo. Já não via mais sentido em manter aquilo conservado, não tinha mais forças para se preocupar com algo tão insignificante, afinal, Taehyung em poucas semanas ou até mesmo meses, já estaria ao lado deles, qual é o sentido em manter algo, sendo que em pouco tempo você poderá sentir o real cheiro da pessoa, sem utilizar uma peças de roupa para se lembrar delas? Não fazia sentido, seria apenas mais preocupações e acusações dentro da sua mente, não precisava disso pra si.

O acastanhado se sentia exatamente igual ao mar, igualmente as ondas, sempre sentia algo diferente dentro de si, mas sempre que pensava que conseguiria superar toda essa dor, a onda se quebrava e todos os seus sentimentos esperançosos iam embora; já não existia mais a onda. Ele sempre era barrado por algo, como as ondas que sempre são impedidas de continuarem seu percurso pelos milhares de grãos de areia, e isso acontecia com Taehyung, sempre tinha algo que o barrava de criar expectativas de que sua vida finalmente melhoraria. Se sentia mal por isso, queria sair daquela situação tão melancólica que a vida o colocou, mas ele nunca conseguia, sempre alguém o interferia, conseguia melhorar sozinho, sabia disso, mas parecia que esse pequeno universo não queria que isso acontecesse. E esses acontecimentos apenas faziam Taehyung ser mais revoltado com a vida que levava, a raiva dele crescia a cada dia que se passava, sentia ódio da sua vida.

Yoongi deixou os dois entrarem na sua casa, agradecendo ao santos que não tivesse ninguém na sua casa, não queria dar explicações alguma aos seus pais, não sentia a mínima necessidade de fazer isso.

Habilmente Yoongi levou Taehyung até o seu quarto, o garoto já não estava mais entendendo nada; não sabia com quem estava; não sabia onde estava; nada mais estava fazendo sentido para ele. O mundo girava dentro da sua mente, igualmente quando uma simples laranja caia sobre o chão, girando sem parar, até encontrar algo para pará-la, mas Taehyung, naquele momento, não tinha nada para o impedir de girar. Sua visão turva o impedia de reconhecer os aposentos de Yoongi, não enxergava nada, estava completamente cego; cego igual um simples passarinho que acabara de chegar nesse pequeno lugar que todos chamam de mundo. Não raciocinava direito, sentia-se como um animal qualquer, um animal que mal enxergava o mundo direito, lógico, usava seus olhos, mas tinha seu próprio mundo dentro dele, não vivia no mesmo mundo que todos, apenas saia quando alguém fazia algo com ele, igualmente aos animais, que sempre que são incomodados, saem dos seus lugares, quietos, para poderem ao menos se protegerem.

- Jungkook, fica aqui, que eu vou dar um banho nele. – Pediu encarando Taehyung, que estava sentado na sua cama, sua postura completamente curvada para baixo, encarando profundamente o chão. Parecia perturbado.

- Ok, posso ajudar em alguma coisa? – Não queria ficar parado naquela casa desconhecida por si, não queria ser apenas um enfeite ali, queria ajudar em algo, afinal, fora ele quem havia levado Taehyung para a casa de Yoongi, não o mais velho. Queria ajudar de qualquer maneira possível, já se sentia um inútil em qualquer lugar que ia durante a sua vida, não queria sentir-se desta maneira dentro da casa da pessoa que ele julgava ser, possivelmente, futuramente seu amigo.

Aborrecimento era o sentimento que Jungkook sentia naquele momento, queria ser algo a mais do que um simples garoto que levou Taehyung até a casa de Yoongi, queria ser algo maior que isso, na verdade, ele era, apenas não enxergava isso. Desde a morte dos seus pais, Jungkook sentia- se a pior pessoa existente nessa imensidão de mundo, se culpava profundamente por não ter dado a devida atenção e carinho. No passado, tinha o maior tempo de toda a sua vida para fazer isso com os seus pais, mas ao invés de fazer isso, preferia sair de casa, sempre indo com um dos seus amigos para qualquer lugar sem rumo algum, depois tendo que se encontrar naquela gigante cidade e voltar para casa, ou até mesmo preferia ficar infortunado dentro do quarto.

Jungkook nem sequer chegou a apresentar formalmente Tzuyu aos seus pais, eles sabiam que ela era sua namorada, mas nunca receberam nenhuma confirmação do próprio filho. E, o garoto sabia que seus pais não ficariam nada felizes em saber sobre a relação dos dois, Tzuyu não era uma das melhores pessoas, para alguém como Jungkook namorar.

- Pode. Se puder, pode separar uma roupa para ele, acho que ele vai dormir dentro do banho. – Disse arrastando Taehyung para dentro do banheiro. Jungkook foi em direção ao closet de Yoongi, se questionando mentalmente o porquê de todas as casas ao invés de terem um simples armário, terem um closet, por mais que pudesse ter tudo dentro do seu quarto, nunca chegou a se preocupar com isso, achava comum usar um simples armário, mas as pessoa que moravam naquele lugar pareciam não conhecer a invenção do armário, com certeza, aquela cidade tão pacata apenas conhecia closets.

Ao abrir o closet, Jungkook se deparou com diversas cores diferentes de roupas, já tinha se acostumado com o estilo preto e branco de Yoongi, o mais velho parecia viver igualmente a imagem das televisões no passado, completamente preto e branco, parecia conhecer apenas essas cores em toda a sua vida. Mas no seu armário não era apenas branco e preto, havia diversas outras camisas, e isso faz o garoto que observava tudo aquilo cuidadosamente, se questionar o porquê de Yoongi sempre usar apenas aquelas roupas, qual era o problema de usar roupas coloridas?

Por um momento, todo esse questionamento fez Jungkook imaginar que naquela cidade todo mundo conhecia apenas uma cor ou duas, afinal, todos sempre tem suas cores preferidas, mas não há a necessidade de usá-las em qualquer ocasião. Taehyung apenas se vestia de preto; Yoongi preto e branco; Jin, usava roupas diferentes, mas sempre podia-se encontrar uma cor rosa no meio de tudo; Namjoon agia igualmente a Jin, sempre tinha preto, por um momento fazia Jungkook se questionar se os dois fossem algo a mais do que simples amigos, sempre usavam roupas combinando uma com a outra, e, talvez Jungkook poderia estar certo. Hoseok usava roupas coloridas, tentava esconder seu passado, não queria ser tratado pelos outros como uma pessoa que no seu passado, sofrera pela perda de uma pessoa tão importante na sua vida, gostava de fazer isso, de fato, era uma pessoa alegre, mas não tinha um real gosto por usar roupas daquele tipo, às vezes, chegava a invejar Taehyung, que não sentia um pingo de vergonha por sempre usar a mesma cor de roupa, mas ele era um louco, ninguém o questionava por isso. Jimi era o único “normal”, usava qualquer roupa, se preocupava com sua vestimenta, aliás, ele era popular na escola, tinha um imenso exército para cuidar, não podia passar uma má impressão.

Jungkook passou a procurar por roupas quentes e pretas para Taehyung, não queria pegar outra cor, o mais velho usava aquelas roupas porque queria, e Jungkook não era ninguém para julgá-lo da maneira que se vestia. E, aquela não seria uma vez que mudasse esse hábito do mais velho, respeitava isso, e por respeitar esse estranho gosto de Taehyung, iria fazer exatamente o que Taehyung fazeria. Pegou uma blusa preta, junto a uma calça de moletom larga preta. Os deixou em cima da cama de Yoongi, e se sentou ao lado das roupas, não iria pegar cueca para o mais velho, sabia que seria completamente desconfortável mexer nas vestimentas íntimas de Yoongi, ainda não tinha esse tipo de liberdade.

Enquanto isso, Yoongi despiu Taehyung, o deixando completamente nu. Já tinham proximidade o suficiente para isso, não se preocupavam com isso, afinal, eles eram amigos há anos, não viam problemas nisso.

Ao ver Taehyung completamente nu, Yoongi sentiu uma flechada atingir seu coração, como tinha sido tão incapaz de ajudar seu próprio amigo? Já não sabia mais o que fazer com Taehyung, aquelas feridas não só atingiam seu amigo, como ele também, sentia-se culpado por aquilo, certamente, se tivesse dado mais atenção a Taehyung, e se preocupado mais com o mais novo, aquilo não teria acontecido. Não sabia ao certo se aquilo tinha sido feito por si mesmo ou pelo seu pai. Mal-Chin não era um homem muito respeitável, pelo menos não pelos seus filhos.

Taehyung sentia-se culpado por aquilo, com certeza seu pai não tinha feito aquilo, por mais que, inúmeras vezes, já tivesse feito aquilo, parou, sabia que não era certo castigar seus filhos pelos seus próprios atos, estava sendo inconveniente. Parou por perceber que não levaria a lugar algum aquela agressão, mesmo que tivesse parado, Taehyung não parou, e se ele soubesse disso,  com certeza iria agir, de alguma maneira, tentaria dar uma lição em seu filho. Taehyung era culpado por cometer vários deslizes desnecessários, fazendo com que sua irmã fosse castigada injustamente pelos seus erros. Irene não era uma irmã muito presente, mas sempre que podia ajudava, e Taehyung ao invés de fazer bom proveito desse ajuda, preferia ficar quieto, com seus problemas, sem precisar ver sua irmã sofrer, por isso que sempre que ela tentava se aproximar dele, Taehyung dava um jeito de a manter distante de si.

Irene apenas se preocupava profundamente com Yang-mi, era a casula da família, tinha apenas cinco anos de idade, precisava de alguém ao seu lado, com certeza seu pai não era uma das melhores opções, muito menos Taehyung, que poucas vezes tinha momentos de irmão e irmã junto a pequena. A mais velha que sabia exatamente toda a rotina e gostos da irmã, não por ser do mesmo sexo que Yang-mi, e sim por saber que aquilo era necessário, a garotinha já não tinha um suporte certo, Irene apenas tentava ser esse suporte. Apenas deixava a irmã com Taehyung quando ia a casa do namorado, LuHan era o seu suporte, sempre a ajudava em tudo, acolhendo-a em qualquer momento ou instante da sua vida. Taehyung não o conhecia, Irene nunca iria apresentar seu namorado ao seu irmão, tinha uma certa vergonha do mais novo, mesmo LuHan ter presenciado toda a sua dor, e conhecer um pouco que seja Taehyung, ela não queria que isso acontecesse, imaginava perfeitamente como poderia ser, um completo caos.

Yoongi o levou para debaixo da água quente, que caia calmamente, se chocando com força no chão, emitindo sons relaxantes na mente de Taehyung, o lembrava o barulho da chuva. Gostava da chuva, trazia-lhe sentimentos docentes um do outro em menos de um segundo sequer, poderia ser um barulho melancólico, mas ele gostava disso, se lembrava de quando era mais novo, literalmente toda a sua infância. Quando chovia ia se acolher na cama junto ao seu irmão, ficavam completamente cobertos, abraçados um ao outro, com o medo prevalecendo em seus corações. Naquela época, Mingyu já era esperto demais, sempre acolhia Taehyung, nunca passava impressão aos outros que era mais novo que seu irmão, não era imaturo como Taehyung, tinha uma mentalidade avançada, Taehyung também era assim, apenas não usava toda a inteligência existente dentro do seu cérebro. Gostava daquelas lembranças, várias coisas lembravam Mingyu, Taehyung percebia isso de longe e na maioria das vezes, evitava essas coisas.

Banho de água quente, na opinião da maioria das pessoas, não seria a melhor opção naquele momento, mas Yoongi preferia daquele jeito, afinal, estava frio demais, não queria que seu amigo ficasse resfriado. Durante o banho, o mais velho passou seus dedos longos cuidadosamente nas feridas de Taehyung, ouvindo seu amigos soltar gemidos baixos de dor. Com certeza era uma dor insuportável, mas preferia sentir a dor física do que psicológica, não sofria tanto. Após o banho, Yoongi abandonou seu amigo já seco sentado na tampa da privada, quase dormindo, sempre acabava por dormir dentro do banheiro, seu amigo era muito enrolado, não tinha uma velocidade tão grande para secar Taehyung e colocar uma roupa no seu corpo e o deitar na sua cama, era lerdo demais.

Yoongi foi ao seu quarto, encontrando Jungkook deitado na sua cama, por um momento acharia um abuso do mais novo, mas sabia que o garoto estava cansado demais, apenas na manhã daquele dia, já tinha casado muito todos daquela escola. Além disso, Jungkook teve que andar durante horas, arrastando Taehyung junto a si para sua casa, era mérito seu um mero descanso naquele instante. O mais velho apenas pegou a roupa e voltou para o banheiro, agora, encontrando Taehyung completamente adormecido, ainda sentado. Não parecia mais aquela pessoa completamente agitada, às vezes chegava a precisar beber para poder dormir calmamente, se dormisse consciente, tinha sonhos desagradáveis, e isso era algo que o incomodava muito, preferia beber para dormir.

Ao colocar Taehyung deitado no seu sofá, Yoongi, o cobriu com um coberto fino, suspirando profundamente por ver seu amigo daquela maneira tão indefesa, olhando Taehyung dormindo parecia completamente outra pessoa, não parecia ser um garoto que arruma briga com todos da sua escola, e que é conhecido como grotesco, de fato, não parecia nem um pouco um grotesco. Taehyung era uma pessoa calma e nada estranha, mas depois de tudo que tinha passado a anos atrás, afetou todos os sentimentos bons que havia em seu coração, Taehyung se tornou uma pessoa fria, lógico, continuava com sentimentos, mas não os mesmo as de antes; gostava desse seu novo estilo, era diferente de tudo e de todos, e Taehyung gostava de ser uma pessoa diferente dos outros; ele era único.

E, por Taehyung ser único, tendo uma personalidade completamente diferente de todas as pessoas existentes naquela cidade, Yoongi gostava dele por isso, gostava de ter uma pessoa ao seu lado diferente dos outros, mesmo às vezes não aguentando grandes comportamentos do seu amigo, ele gostava dele, na fundo gostava.

Abandonou Taehyung dormindo no seu sofá, em um sono completamente profundo, chegava a parecer um anjo dormindo daquela maneira, totalmente espremido no sofá pequeno da sala, enrolado na coberta que continha o cheiro de Yoongi, Taehyung adorava o cheiro do amigo, não falava nada, mas gostava daquele cheirinho amargo, lembrava a personalidade do mais velho. Yoongi, foi até o seu quarto, e passou a fazer as lições que os professores haviam passado naquele dia, deixando os mais novos dormindo em paz.


Hoseok, enquanto levava seu amigo em direção a enfermaria, podia sentir a preocupação dominar seu peito, gostava de Jimin. Mas, também podia sentir algo agonizante latejar dentro da sua cabeça, o mais novo não deveria ter feito aquilo com Taehyung, Hoseok sabia que aquilo afetaria o outro, e ele também tinha que ser incluso junto ao Taehyung, sentiu-se mal com tudo aquilo, aquelas atitudes do seu amigo o afetaram muito. Pode se lembrar de todo o seu passado, toda a dor que havia passado, para ele também não era nada fácil agir naturalmente enquanto seu coração se apertava cada vez mais.

Sentiu-se mal por ver Jimin naquele estado, mas por um momento Hoseok não viu nem um pouco de inocência do mais novo, aliás, ele merecia aquilo; merecia passar por algo ruim para pelo menos refletir sobre suas atitudes. Além disso, estava com raiva do seu amigo, que fez ele se lembrar tanto do seu passado. Hoseok pedia profundamente a todos os deuses existentes nesse mundo que Jimin finalmente parasse com toda a gozação que fazia com Taehyung, aquilo também o afetava, afinal, já tinha sido muito próximo do garoto. No passado, Hoseok chegou a considerar Taehyung como seu melhor amigo, por mais que sentisse um pouco de ódio do mesmo, ainda tinha um laço com ele, não podia deixar Jimin fazer aquilo com ele.

- No que está pensando? – Por um momento, Hoseok sentiu ódio daquela pergunta, igualmente ao Taehyung, ambos odiavam essa pergunta, qual é a necessidade de ficarmos tendo que falar o que estamos pensando? Se temos mentes diferentes, significa que cada um deve ter seus próprios pensamentos para si mesmo, não deve ficar compartilhando um com o outro, isso é algo completamente desnecessário.

Pode sentir o ódio dominar seu corpo, como tinha sido tão trouxa de ficar ao lado de Jimin? Ainda gostava de Taehyung, como amigo. Antigamente tinham uma amizade saudável, e mesmo com todos aqueles acontecimentos, eles continuaram se falando, mas ao Jimin entrar na sua vida,  ele o manipulou, para que sentisse o mesmo ódio que ele por Taehyung, não odiava Taehyung.

Acabara de ser enganado por Jimin. Céus! Como não pode ter percebido isso antes, com certeza, era mais lerdo do que qualquer coisa existente nesse mundo.

A partir daquele momento, Hoseok, passou a se culpar profundamente por ter feito tudo aquilo com Taehyung, sena raiva do garoto,  mas não a mesma raiva que Jimin sentia e o influenciava. Aquele ódio não era seu; não pertencia a ele; não foi ele que criou tudo aquilo.

- Hoseok ‘tá tudo bem?

- Não. Não está. Caralho, como eu fui trouxa. – Jimin parou de andar, passando a encará-lo, não estava entendendo nada, Hoseok não era assim, sempre respondia a tudo que o mais novo perguntava, com certeza, a manipulação de Jimin era algo incomum. Era tão grande, que chegou ao ponto de ele ter feito várias pessoas acreditarem nas suas palavras, não era um grotesco, podia ser um pouco, mas não tudo aquilo que Jimin falou. Sempre usava acontecimentos verdadeiros, mas nunca falava a história toda,  sempre tinha um dedo seu no meio de tudo, distorcendo todo o acontecimento para Taehyung ser o culpado. Tudo era culpa do Jimin. Ele manipulou a todos, de fato, um ótimo manipulador.

- Cara, o que está acontecendo? Você está bem? – Estava preocupado, nunca tinha visto Hoseok naquele estado, balançava a cabeça inúmeras vezes, tentando pelo menos raciocinar tudo que passava pela sua cabeça naquele momento. Lógico, não iria estragar sua amizade com o menor, apenas deixaria de ser manipulado. Entendeu perfeitamente o porque de Seokjin e Namjoon não andarem muito com ele, na verdade, tudo isso era por causa de Jimin; não queriam ser manipulados por Jimin, por isso que não ficavam próximos de si, pois, ele já havia se tornado apenas mais um objeto do mais novo.

- Por que você fez isso comigo?

- O que eu fiz para você? – Perguntou sem entender nada. Hoseok se virou em sua direção, e o empurrou de leve contra os armários, tendo uma visão completa do rosto do menor. Seu rosto estava completamente coberto por sangue, inúmeros cortes espalhado pelo seu rosto podiam ser notados, e o pior de tudo, seu pescoço estava completamente vermelho, podendo ver as marcas das mãos grandes de Taehyung na sua pele; não merecia tudo aquilo, mas era algo necessário.

- Por que você me manipulou dessa maneira? Sabia que eu me senti mal com tudo o que você fez com o Taehyung?

- Qual é o problema, ele merecia aquilo. Ele jogou suco na minha roupa de propósito, merecia pelo menos alguma punição. – Disse alterado, não conseguia aceitar o fato de Hoseok estar tirando satisfações com ele por ter feito aquilo com Taehyung.

- Para você pode ser uma simples punição, mas para mim foi algo muito pior. Eu também estou me sentindo mal com isso, o que você acha? Que eu também não me lembrei do passado? Jimin acorda para a vida. Eu sofro com isso e você não percebe, apenas continua, continua, continua. Não pensa nos efeitos colaterais? – Continuou. – Eu estou cansado de ser seu objeto, você não tem o mínimo direito de fazer essas coisas com o Taehyung, você mal conhecia as pessoas que você julga ele ter matado, não tem o direito de se “vingar” dele, por acaso você já chegou uma única vez para me perguntar se eu estava bem com mais uma das suas idéias malucas? NUNCA, você nunca fez isso, e agora eu irei responder essa pergunta. Nunca mais faça nada com o Taehyung, ele não tem culpa de nada, o garoto já é perturbado, e você apenas está ajudando para que isso fique pior. Porra, ele era meu amigo, e você me tirou tudo o que uma vez já foi meu. Então, a partir de agora aprenda que nem tudo pode ser uma simples brincadeira, eu ainda estou muito mal por tudo isso, às lembranças ficam aparecendo a cada momento que você faz alguma coisa com ele, e eu não quero mais isso. Pare de fazer isso, eu não vou deixar de ser seu amigo, mas por favor, pare com isso, até mesmo o Jin e o Nam não andam comigo por sua culpa. Agora pode parar com isso, porque a qualquer momento o seu pai pode ficar sabendo disso. – Disse em um tom de ameaça. Sim, Jimin agora estava nas mãos de Jimin, não ligava para as consequências que isso daria, mas se soubesse que Taehyung também poderia ser prejudicado com isso, não falaria nada, e Jimin sabia muito bem que o pai de Taehyung poderia fazer algo de ruim com o garoto. Mais um ponto para Jimin.

Hoseok se virou de costas para seu amigo, indo em direção a saída da escola, estava completamente puto com tudo aquilo, finalmente tinha entendido todo o jogo de Jimin. Mas logo se virou, voltando até Jimin que tentava raciocinar tudo aquilo que Hoseok tinha falado.

- E você pode esquecer de dormir na minha casa, vê se aprende a conviver com outras pessoas que não pertencem a você. – Disse ríspido, agora, realmente indo embora daquele lugar de uma vez.

Jimin ficou completamente imóvel, tentava engolir tudo que seu melhor amigo havia falado a ele segundos atrás. Não sabia direito a relação que Hoseok e Taehyung tinham antigamente, afinal, ele chegou no oitavo ano, não se lembrava e nem se importava com quem Hoseok andava, aliás, ele não tinha muitos amigos naquela época, Jin e Namjoon foram as primeiras pessoas que passaram a notar sua existência naquela escola com tantos alunos.

Antigamente, Hoseok, tinha Taehyung e Yoongi, eram o trio de amigos mais brincalhões de todos, não eram próximos de ninguém naquela escola, apenas ficavam eles três juntos, e isso fez com que tivessem uma relação muito boa um com o outro, mas depois da chegada de Jimin, Hoseok abandonou seus amigos e foi ser manipulado pelo mais novo. Se arrependia profundamente por ter largado os dois, eram pessoas únicas, mesmo sendo loucas da cabeça eram diferente dos outros, e isso fazia Hoseok se sentir mais confortável junto a eles, e com Jimin não sentia isso, apenas sentia coisas ruins, de fato, o mais novo era uma pessoa boa, apenas tinha um ódio que não pertencia a ele.

Taehyung e Yoongi sentiam ódio de Hoseok, tudo começou muito antes do acidente, o sentimento de ódio agravou com o tempo, mas ele já existia faz tempo. Yoongi não sentia ódio do Jimin, afinal, a escolha havia sido de Hoseok andar com o garoto, não tinha culpa de nada, agora Taehyung tinha um pensamento completamente diferente do seu amigo, sentia ódio dos dois, ambos foram culpados por ele ser o que era agora.

Enquanto andava em direção a enfermaria, completamente sozinho, Jimin, durante o caminho inteiro, foi pensando no que Hoseok tinha dito a ele, sentia-se mal por saber que suas atitudes afetam seu melhor amigo, não era a sua intenção que isso acontecesse. Mas, mesmo com tudo isso que o mais velho havia dito a ele, Jimin não pararia agora de perturbar Taehyung, principalmente em um momento crucial como agora, não podia deixar o mais velho ganhar um ponto por isso, por mais que gostasse de Hoseok, não pararia; não se importava com aquela ameaça falha, afinal, ele conseguiria sair da emboscada; sempre conseguia. E, tudo o que Hoseok havia pronunciado, grande parte, não era importante para Jimin, estava com mais ódio de Taehyung por isso, não podia perder sua pose.


- Há quanto tempo eu estou aqui? – Perguntou se levantando da cama, assustado por perceber que tinha dormido naquela cama. Yoongi se virou na sua direção, tentando conter a risada da expressão do mais novo, seu rosto estava completamente amassado, junto ao seu semblante assustado, aquilo era uma cena impagável de se ver. – Ei, por que está rindo de mim? – Perguntou arqueando as sobrancelhas, fazendo Yoongi rir mais ainda, não ria a dias, com sua nova preocupação com Taehyung, não tinha tempo para se divertir, apenas pensar no psicológico do seu amigo, chegava a nem ter tempo para si mesmo.

- Relaxa, são umas seis horas agora. – Disse contendo a risada, se virando sobre a cadeira em direção a sua mesa, ouvindo a movimentação rápida do menor.

Jungkook estava completamente assustado por ter dormido na casa de Yoongi, não tinha avisado a ninguém da sua família que chegaria tarde, por mais que não os considerassem como quase nada sua, ele sabia que os mais velhos, principalmente seus avós, se preocupavam com ele, não queria deixa-los preocupados. Ainda se questionava em saber como tinha sido capaz de dormir naquele lugar, deveria estar em casa, não na casa de Yoongi, afinal, eles ainda não eram nada, apenas colegas da mesma sala, pelo menos, era isso o que Jungkook via, mas Yoongi já sabia que o garoto queria uma amizade com ele, e sabia que isso iria acontecer uma hora ou outra, apenas estava adiantando as coisas. Jungkook era diferente dos outros, e isso fazia com que Yoongi percebesse que eles seriam amigos; gostava da personalidade do mais novo, era ingênuo demais. E Taehyung sabia que Jungkook ficaria próximo de Yoongi, podia perceber pela maneira que o mais novo agia quando estava próximo a ele, mas isso não o incomodava, pois era visível que Jungkook era uma pessoa muito diferente do seu primo, não tentava manipular os outros, tentava fazer amizades naturalmente.

- Como assim relaxa? Está muito tarde, eu vou ter que voltar para casa no escuro. – Disse indignado consigo mesmo, não podia acreditar em como tinha sido irresponsável ao ponto de dormir na casa de Yoongi, e ainda por deixar sua família preocupada por não ter chegado no horário de sempre sem ao menos ter avisado. Sua mente estava em um completo colapso, não podia ter feito aquilo.

- Fica calmo, se o Taehyung ainda acordar hoje vocês vão juntos embora, acho que ele não vai se incomodar. – Tentou acalmar a situação. Jungkook já estava ao seu lado, com seus braços cruzados rentes ao seu peito, não estava acreditando no que Yoongi falava.

- Mas e se ele não acordar hoje?

- Ou eu levo você a pé, ou você dorme aqui. – Disse dando de ombros, continuando a escrever seu trabalho de história.

- Então é melhor você ir agora comigo, não quero dormir aqui, nem avisei a minha família, aliás, eu nem sei o telefone da casa do Taehyung. – Disse rápido. Estava em completo desespero, queria ir para sua casa; queria estar na sua casa, por um momento parecia que Jungkook iria começar a bater seus pés no chão, fazendo birra igual uma criança de sete anos, fazeria isso, mas não conhecia Yoongi, não tinha intimidade com o garoto, mas sua vontade de fazer isso, implorando para estar em casa era muito grande.

- Ok, então vamos. – Disse se levantando da cadeira, indo em direção ao seu closet, de lá, retirando dos casacos pretos, vestiu um deles, entregando o outro a Jungkook, que o encarou confuso, pois já estava com uma blusa. – Coloca, faz muito frio essa hora. – Explicou rápido.

Yoongi iria acordar Taehyung, por mais que quisesse falar com seu amigo com urgência, iria esperar o momento certo para o encurralar mais novo, ainda tinha que tirar satisfações em relação à alguns assuntos com ele, não podia deixar essas coisas passarem, precisava de uma explicação, afinal, Taehyung poucas vezes fazia aquilo consigo mesmo, e quando não fazia, dizia que não fazia sentido se machucar por conta dos motivos que tinha, mas na verdade, ele não se importava com isso, apenas tentava achar uma maneira melhor para não sentir tanta dor igual sentia; talvez morrendo.

Ao descer as escadas, Yoongi, puxou Taehyung, deixando seu amigo sentado no sofá, se despertando aos poucos, o mais velho apenas ficava observando a cena, gostava de ver Taehyung acordando, parecia uma pessoa inocente e indefesa, ao mesmo tempo, mostrava sua fofura involuntária, Yoongi não via Taehyung sendo fofo, então, quando ele acordava era uma boa oportunidade de se lembrar do passado, pelo menos das coisas boas que os dois haviam vivenciado.

Taehyung foi se despertando aos poucos, tendo a imagem de Yoongi e Jungkook parados na sua frente. Odiava ser acordado, conseguia acordar sozinho, não tinha a necessidade de precisar de alguém para fazer isso a ele, já não dormia quase nunca, então, não tinha muita preocupação com o horário de ir acordar, ou se acordaria na hora certa. Pode sentir uma dor tremenda na sua cabeça, era como se fosse que existisse um martelo dentro de sua cabeça, batendo cada vez mais forte enquanto tentava manter seus olhos abertos. Não gostava de ficar com ressaca, trazia-lhe uma sensação pior do que já sentia, como se estivesse mais morto que o normal, não era uma pessoa que ficava com muita ressaca depois de beber, mas como tinha extrapolado todos os seus limites, uma ressaca era algo inevitável naquele momento.

- O que eu estou fazendo aqui? – Perguntou já tendo sua visão melhor do que antes, podendo ter a clareza de que estava na casa de Yoongi.

- Não sei, com certeza você não veio andando sozinho até aqui. Agora levanta e vamos embora, aqui não é sua casa, você tem a sua. – Disse puxando Taehyung pela mão, deixando-o de pé a sua frente.

No caminho inteiro, ambos foram em silêncio, em um silêncio completamente desconfortável, os três não tinham intimidade para ficarem falando naquele momento, queriam pelo menos um pouco de paz para suas mentes. Já andavam na estrada de terra, não estavam muito distantes da casa de Taehyung. Durante todo o caminho, apenas recebiam carícias do vento nos seus rostos e cabelos; estava frio demais, Taehyung fora castigado pelo próprio amigo, por estar usando apenas uma blusa fina, os outros estavam protegidos do frio, mas ele não. Amava o frio, apenas não gostava de passar frio, isso era uma das piores coisas do mundo, mas, mesmo sentindo um frio do Alasca, não reclamou, e muito menos demonstrou alguma atitude que demonstrasse o seu frio, gostava de sentir frio, senti seu corpo congelar, desejava que ao invés de congelar o corpo, congelasse o cérebro; a mente. Não queria mais ficar pensando muito, se congelasse a sua própria mente, não pensaria mais, viveria apenas por viver, sem pensar em nada seria muito melhor do que ficar pensando a cada segundo do dia.

Ao chegarem, Jungkook agradeceu ao Yoongi pela companhia e se retirou, indo para dentro da casa quente, Taehyung tentou fazer o mesmo, sem nem ao menos se despedir, não queria conversar com Yoongi, não queria conversar com ninguém, queria apenas ficar deitado na sua cama, olhando uma das paredes do seu quarto que tinham as cores mais melancólicas da vida. Mas, Yoongi o segurou pelo pulso, puxando-o para trás, ficando um de frente com o outro.

- O que? Quer que eu agradeça? Pois pode ficar aí plantado que eu não vou agradecer nada a você, aliás, eu não pedi para você me arrastar até a sua casa, sei me virar sozinho. – Disse ríspido e rápido, como se tivesse preparado aquilo a anos.

- Eu não estou te segurando para você me agradecer, aliás, você deveria agradecer ao Jungkook, ele que te arrastou até a minha casa. Mas eu não estou aqui para isso, eu quero perguntar o que é isto? – Perguntou levando sua mão livre a barriga de Taehyung, que na hora tentou se afastar, mas Yoongi conseguiu o manter no mesmo lugar. – Anda, me responde.

- Não te interessa, a vida é minha, e o corpo também, então eu faço o que eu quiser com ele, não devo satisfações a você.

- Foda-se, me fala agora. – Ditou quase gritando, agora segurando Taehyung pelos seus ombros. Yoongi não teve resposta alguma, Taehyung apenas se encolheu no seu aperto; estava com medo. O mais velho deu um suspiro profundo, tentando manter a calma, pois acabara de se lembrar que Taehyung odiava quando gritavam com ele, não gostava disso, se sentia submisso a todo mundo. – Desculpa. Eu estou preocupado com você, pelo menos me fale o porquê de ter feito isso, você sempre dizia que nunca mais iria fazer isso, e porque agora está fazendo? – Perguntou calmo.

Taehyung que estava encarando o chão, passou a encarar seu amigo que mantinha suas sobrancelhas erguidas. Tinha sido mais uma das suas promessas de quando eram realmente amigos, Taehyung havia prometido a Yoongi que não iria mais fazer aquilo com seu corpo, se estivesse triste, era para procurar qualquer coisa para se esquecer da necessidade de fazer aquilo, e mais uma vez, Taehyung descumpriu sua promessa com seu amigo.

- Sabe porque? Porque quando fizemos aquela promessa éramos amigos, então agora eu posso ficar livre dela, porque pelo o que eu sei, nós não somos mais nada um do outro, na verdade, nunca fomos. – Aquilo foi como uma faca em seu peito, na hora Yoongi soltou seus ombros, passando a encarar qualquer coisa sem ser Taehyung que agora já estava em casa, de cabeça baixa, provavelmente pensando na merda que havia feito.

Sentiu-se um completo nada, queria sumir do mundo naquele momento, essa fora a pior coisa durante anos que Taehyung havia dito a ele, estava completamente desnorteado com tudo aquilo. Nunca esperava algo assim vindo do seu amigo, tinha cuidado dele, estava preocupado com ele, mas ao invés de Taehyung se justificar, apenas deu uma bela patada na sua cara, uma patada que ele nunca esperava vindo do mais novo. Mas agora Yoongi sabia exatamente o que fazer, não seria uma vingança, ele nunca fazeria isso, apenas iria procurar ajuda com outra pessoa que nele sabia que daria um jeito nisso sem problema algum, talvez estivesse arriscando muito seu amigo, mas era necessário fazer isso.

Ao entrar na sua casa, Taehyung viu todos jantando, Jimin já estava sentado na cadeira que antes era de uma pessoa que o garoto tanto amava, por um momento Taehyung tinha vontade de mandar Jimin param longe, retirar aquela bunda gordinha da cadeira e fazê-lo comprar sua própria cadeira. Jimin já tinha seus ferimentos melhores, seus pais pareciam não saber de quase nada, e isso por um lado trouxe alívio para Taehyung.

Antes que alguém pudesse dizer algo, Taehyung subiu as escadas e foi para o seu quarto, se deitando na sua cama quente. Naquela noite, ao invés de ficar escrevendo, preferiu dormir, não queria pensar muito. Se forçou a dormir e dormiu, sabia que se ficasse acordado iria realmente se arrepender do que havia dito ao Yoongi, e com certeza iria pedir desculpas, mas não queria fazer aquilo, queria dormir, e assim fez, apenas dormiu.

Ao acordar, Taehyung, olhou o relógio e viu que já era mais de nove horas da manhã, não iria a escola naquele dia, precisava esperar a poeira baixar para depois ir falar com Suk, se fosse a escola naquele dia, todos iriam falar mais merda do que o normal e ele, e isso era a última coisa que ele queria, precisava de um descanso da escola, novamente mais uma das suas recaídas bateram na sua porta. Evitar a escola por precisar de um descanso de todos aqueles alunos era uma das suas recaídas, era como se fosse um descanso para sua mente, e raramente isso acontecia, algo de diferente tinha dentro dele.

Se vestiu da mesma forma de sempre, desta vez usando um casaco preto seu, estava tentando evitar seus pensamentos se lembrarem do casaco manchado de Mingyu. Ao descer as escadas, encontrou Irene e Yang-mi na cozinha, Yang-mi sentada no balcão da cozinha, brincando com um brinquedo ao qual Taehyung não queria saber o que era, enquanto Irene fazia torradas para a pequena.

Antes que pudesse sair de casa, Taehyung é chamado por Irene.

– Pode levar a Yang-mi na creche, eu tenho uma entrevista de um trabalho e preciso que leve ela para mim, tem algum problema? – Taehyung negou com a cabeça, ouvindo sua irmã suspirar fortemente.

Antes que Taehyung pudesse sair de casa, pegou uma pequena quantia de dinheiro, seus fones e seu celular, não usava muito seu celular, para ele era algo que não tinha muita importância, se tirasse todos os seus pensamentos da sua mente, realmente acharia o aparelho a coisa mais importante do mundo, mas já que ele não fazia isso, Taehyung não via muita importância em usar celular, principalmente naquela cidade plácida.

Saiu de casa ao lado de Yang-mi, que para a sua surpresa pegou na sua mão, começando a andar saltitante, e tudo aquilo estava incomodando muito Taehyung, não por ela segurar sua mão, e sim por ficar pulando igual uma rã, isso o irritava, fazia-o pensar que ela seria alguém inquieta, igual a ele. Mesmo assim ele não disse massa, apenas tanto não ficar olhando para a garotinha.

Ao chegarem na creche, sem ter trocado quase nenhuma palavra, pois sempre que a garota tentava puxar assunto, Taehyung a respondia já encerrando a conversa, não tinha como dialogar com ele naquele momento, na realidade, Taehyung não queda criar muitos laços com sua irmã, não queria mais uma pessoa louca junto a ele naquela família, ele já era o suficiente.

Várias mães que deixavam seus filhos na creche, passaram a encarar Taehyung, pois em cinco anos, aquela era a primeira vez que ele estava levando sua irmã para a escola, era algo novo não só para ele, mas também para todo mundo daquela cidade. Ao deixar a pequena na escola, ficou sentado em um banco do ponto de ônibus, esperando ansiosamente pela chegada do automóvel.

Quando o ônibus chegou, Taehyung pagou o motorista e se sentou em um dos bancos vagos do veículo. Várias pessoas o encarava, não era normal ver Kim Taehyung pegando ônibus naquela cidade, mas ele mesmo achava bom que às vezes mostrasse aos outros que estava bem; que ainda estava vivo e que ainda existia naquele lugar tão infernal.

Encostou sua cabeça na janela do ônibus, aumentando no último o volume da música que saia através dos fones, estava tentando se desligar do mundo, não suportaria ficar ouvindo os outros falando dele, não queria surtar na frente de todos, sua imagem ficaria mais pior do que já estava.

Após ouvir sua playlist completa da Marissa Nadler, preferiu continuar ouvindo suas músicas melancólicas, gostava delas, era algo que no acalmava. Deixou a música Free the Animal da Sia tocar, desejando mentalmente tudo o que a música dizia no refrão acontecesse consigo mesmo.

Taehyung queria ser detonado; atado como uma bala de canhão; queria ser pulverizado; morto como um animal; queria ser decapitado; acertado como uma bola de beisebol; queria ser libertado igual um animal.

Sentia-se preso ao passado, e agora, queria ser libertado; libertado igual a um animal.







Notas Finais


Tantas perguntas; Para onde o Tae vai? O que aconteceu para o Hoseok ficar tão puto? Com quem o Yoongi falou? Não sabemos.

O que acharam?? Por favor me digam, eu to achando que tem muito textão para ler, e muitos leitores podem estar achando cansativo demais, então me digam.

Recomendo muito ouvirem Marissa Nadler, é uma cantora que eu compartilho com poucos, mas ela é realmente boa, suas músicas são tristes, sim pra caralho, mas mesmo assim ela é boa. E pra quem já sabe um pouquinho de mim, amo Sia, apenas aguardem que ainda vai ter mais músicas dela aparecendo aqui.

Só agora quero agradecer aos +100 favoritos, porque eu esqueci no capitulo anterior. Eu realmente não esperava tudo isso vindo dessa fic logo no começo dela, eu não me apego muito aos números, apenas pela qualidade da fic, mas mesmo assim muito obrigada a todos vocês.

Ta rolando tanta coisa nessa fic que nem eu to conseguindo acompanhar!!! Eu queria ter colocado mais coisas nesse capitulo, mas achei melhor colocar no próximo, não vai mudar muita coisa.

Em relação as minhas outras fics, se eu demorar para atualizar me desculpem, meu pai esta com labirintite então eu tenho que ficar a tarde inteira de olho nele caso dê alguma crise, e isso ocupa boa parte do meu tempo, então espero que me entendam caso eu demore muito.


Espero que tenham gostado!

Até o próximo!!!

Bjus meus chimchims!!!😘💋


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