História Minha estrela - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Conto Lésbico, Drama, Girlxgirl, Lesbofobia, Lgbt, Violencia
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Palavras 940
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: FemmeSlash, LGBT, Literatura Feminina
Avisos: Homossexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Para a estrela mais bela e brilhante


Eu sempre gostei muito das estrelas.

Elas se destacam, às vezes junto a Lua, nesse oceano azul escuro que é a noite; a iluminam, dão vida e outra perspectiva a ela. Um perspectiva bela e encantadora, ao meu ver. 

Não sei dizer, exatamente, quantas vezes esqueci do tempo, do que fazia e tinha que fazer enquanto olhava para elas, as estrelas. Mas, uma coisa eu posso afirmar com toda a certeza do mundo: foram muitas vezes...

Me lembro com exatidão que, quando eu era mais nova, minha mãe me disse uma vez que eu tinha uma constelação em meu rosto. Eu não entendi direito, — apesar de ter ficado realmente muito feliz em saber que possuía algo tão belo em meu rosto — mas depois de um tempo, eu percebi que ela se referia àquilo que você adorava contornar com a ponta de seus dedos delicados e beijar com seu lábios carnudos — As minhas sardas. 

Você amava elas, não é? 

Eu não lhe culpo, eu também amo. É uma constelação, afinal. Quem não gosta de constelações? 

Voltando às estrelas... Ah, sim. As estrelas... elas são realmente muito belas, não são? Tão belas, que é difícil aceitar que um dia elas simplesmente se apagam... 

Coisas tão belas deveriam ser eternas, sabe, porque quando elas não estão mais presente, machuca e sufoca a alma — É como se roubassem todo o ar de nossos pulmões. Como se estivesse rasgando o tecido pulmonar lentamente. Como se tivesse um saco plástico na nossa cabeça, nos negando o oxigênio. 

É assim. Dessa maneira mesmo, só que pior. 

E você deveria ter sido eterna, também, meu amor. 

Todas as estrelas poderiam se apagar, eu não me importaria — Você era a mais bela das estrelas, afinal. Desde que você não se apagasse, tudo ficaria bem. 

Mas nada está bem, agora. 

Você não está mais aqui, ao meu lado, compartilhando seu calor comigo e nem contornando ou beijando minhas sardas. 

Eu não posso mais apreciar você naqueles vestidos brancos e rodados, que você tanto gostava de usar, e que faziam um contraste lindo com seu tom de pele escuro — Foi-me tirado o direito até de apreciar o seu tom de pele... com as mãos, com o olhar, com a boca... 

(Obras de arte como você merecem ser apreciadas de todas as formas...)

Tudo que me resta, agora, é a lembrança que tenho de seu tom de pele e a textura suave dela — A lembrança de seu cabelo ondulado e volumosos, que as pessoas criticam apesar de ele ser lindo. A lembrança — a mera lembrança — de seus lábios quentes e carnudos contra os meus... Céus, o seu calor...

Como eu vou sobreviver sem o seu calor? 

Será que aqueles homens não pensaram ou pensam uma única vez, que matando você eles estariam matando um pouquinho de cada pessoa que te amava e continua amando, também? 

Muito provavelmente, não. 

Eles não se importaram com o fato de você ter uma família... Não se importaram com o fato de você um ser humano incrível, capaz de mover céus e mares por aqueles que ama. 

Alguns do grupo faziam faculdade com você; como que, mesmo só com um pouquinho de convivência, eles não perceberam que você é o tipo de pessoa que não é exatamente uma pessoa — É uma estrela. Uma estrela que dá outra perspectiva à vida, tão sombria e sem cor... 

Mas, é claro, que eles não perceberam nada disso.

Eles estavam cegos pelo ódio, que lhes foi dito que deveriam sentir em relação a pessoas como você; que, apesar de ser uma estrela, não corresponde aos padrões da sociedade. 

Eles estavam tão cegos pelo ódio, mas tão cegos por esse maldito ódio, — que nos é ensinado a sentir sempre que nos deparamos com algo incomum, fora do padrão — que não pensaram uma única vez antes de te matar que alguém — alguém que conhecesse você e, muito provavelmente, se importasse com você — teria que reconhecer seu corpo.

E, esse alguém, fui eu. 

Eu me lembro de nunca ter me sentindo tão vazia em toda minha vida; todas as estrelas se apagaram para mim naquele instante. 

E as imagens ficam se repetindo milhares e milhares de vezes na minha cabeça, por mais que eu não queria; por mais que eu não aguente. 

(Por que minha mente me tortura tão? Ela se tornou um dos meus maiores inimigos desde que você se foi, amor — Eu tenho medo. Tanto medo...) 

Seu corpo, frio e sem vida, repousava numa mesa gélida de metal. Sua pele estava pálida, seus lábios rachados. Seus olhos, desfocados e sem brilho — Você estava morta. 

Aquilo foi demais para mim; eu caí no de joelhos no chão, soluços e lágrimas misturando-se a mais pura tristeza. 

Lembro de um homem tentando — somente tentando, mesmo. Como você dizia tentar não é sinônimo de conseguir, infelizmente. — me consolar. Mas como ele pode pensar que obteria algum resultado? 

Eu não o culpo. Ele não sabia, afinal. 

Não sabia que você era a mais bela estrela, a minha estrela; e tinha se apagado... para sempre. 

Ele não sabia que a luz de meu mundo tinha se apagado naquele instante. Não sabia que, apartir daquela dia, minha mente iria me torturar dia-após-dia com nossas lembranças felizes em combinação com a sua imagem naquele mesa fria. Ele não sabia, mas naquele instante, eu também tinha morrido. 

Minha mãe também me disse, quando eu era mais nova, que quando alguém morre, esse alguém se transforma em uma estrela... Eu não sei onde você está, meu amor, mais eu espero que aí seja bonito e tão agradável quanto você. 


Notas Finais


Eu ficaria muito feliz em saber o que vcs acharam nos comentários!
Bjs 🌈


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