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História Minha pequena Eva - Capítulo 9


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Capítulo 9 - Nove


À flor da pele, eu estava entorpecida.

Em um segundo estávamos no campo andando de bicicleta pelas fazendas e em outro ergui minha mão para alguém carimbar algo, não consegui ver o que era já que o nosso grupo estava ansioso demais.

Me puxaram gritando, seus gritos eram inaudiveis... A música estava muito mais alta.

A luz néon brilhou em meu corpo, era altamente sexual tudo aquilo. A forma que dançavam tão juntos, o suor, a alegria e a dor, os mistos de emoções dentro daquela boate.

- Cara, isso é foda demais!

Amanda falou se jogando no meio da multidão. Olhei em volta e pela primeira vez ninguém me olhara de volta, aqui ninguém se preocupa com ninguém, "apenas dance" era o que a música dizia.

Flo Milli - In The Party.

Mordi os lábios e lentamente fui para o meio da multidão, várias pessoas começaram a grudar em mim como imãs. Passei as mãos no pescoço e as ergui segurando meu cabelo, senti as mãos de alguém apertarem minha cintura, senti também minha vergonha se despedindo naquele momento.

Saweetie- My type, era a música de Dalila.

A morena me avistou e correu para dançarmos.

Rapidamente estávamos uma em cima da outra, seduzindo como nunca, cantando como nunca.

Acho que chegamos a nos abraçar sentimentais no calor do momento, eu nem havia bebido ainda e já estava emotiva.

Jean se aproximou e nos envolveu, dançamos como três loucos.

- Isso é completamente demais!

Gritei erguendo minhas mãos.

- E olha que o DJ japonês ainda nem chegou.

Ele disse próximo ao meu ouvido. Eu nem pude pensar no que responder, outra música já estava tocando e outra energia começou a se aflorar no lugar.

The way I are - Timbaland, slowed.

Fechei meus olhos e sorri frenética, meu coração se acerelou enquanto minhas mãos passavam descontroladas por meu corpo.

Não sabia se me mexia por conta da música ou se a música estava me mexendo...

- " Amor, se você se despir, você pode ganhar uma gorjeta pois eu gosto de você do jeito que você é... Eu estou quase despido, e estou bem equipado, você me aguenta do jeito que eu sou? "

Cantei esse verso e saiu mais sentimental do que esperava, eu estava pensando em alguém... Penso nele desde que o vi pela primeira vez e agora deveria apenas me concentrar em me divertir, por que minha mente continua voltando a ele?

- Vamos comprar bebidas?!

Dalila esbravejou, nós concordamos e começamos a andar em direção ao bar. Foi um pouco difícil de sair já que havia muita gente na nossa frente, mas foi após a música ficar mais baixa que percebemos nossa distância do palco.

A fila do bar estava gigantesca, Jean parou de andar e se virou para nós duas.

- Eu dou um jeito de passar na frente, quais bebidas vocês irão querer?

- Eu irei querer Vodka Cranberry.

Sua namorada respondeu. Franzi o cenho pensando nisso, eu nunca havia bebido drinks diferentes antes, só os tradicionais e não havia gostado muito.

- O que vai querer Eva?

O moreno perguntou apressado.

- Hãm... Eu não sei, nunca bebi essas coisas.

Falei pensando se pedir tequila era uma boa ideia já que eu não gostava.

- Tá, eu trarei algo legal pra você.

Ele falou saindo, o puxei pelo braço.

- Traz para a Amanda também.

Proferi sorrindo amarelo, Jean assentiu e logo tratou de passar na frente toda aquela gente...

- Cadê a Amanda falando nisso?

Dalila perguntou passando um mero olhar por aquela infinita aglomeração de gente.

- Não sei, deixa seu namorado voltar com as bebidas que eu irei procurá-la.

Falei aérea, um menino passou por mim e segurou em meus braços como se estivesse me predendo. Me virei meio bruta no intuito de mandá-lo sair, mas ao ver seu doce sorriso logo relaxei.

- Desculpa, que maneira terrível de chegar em você.

Ele falou no meu ouvido, dei os ombros sorrindo meio tímida.

- Vaza!

Dalila gritou o empurrando.

- Dalila, qual o seu problema?

Perguntei de olhos arregalados, queria bater nela agora mesmo.

- Olha só, ele está de aliança!

A morena gritou apontando para a mão dele, o olhei de lábios torcidos e acabei acenando para ele sair.

- Escuta só gata, minha namorada nunca vai saber de nós, né!

O garoto falou se aproximando novamente, mas eu que o empurrei dessa vez.

- Não idiota, sai.

Falei trocando de lugar com Dali. Ele ficou parado me olhando uns segundos antes de realmente decidir sair.

Eu e minha querida parceira de dança decidimos dançar cruelmente até seu querido amor chegar. Para nossa infelicidade, foram apenas 3 músicas.

Jean logo apareceu fazendo o maior esforço para segurar todas aquelas bebidas.

- Ajuda!

Ele gritou atordoado, fomos correndo.

- O seu é esse Eva.

Falou olhando para a bebida laranja meio avermelhada.

- OK...

Falei pegando.

- Qual o nome?

Perguntei antes de provar.

- Sex on the beach. Prove, você vai se amarrar.

- Ah, beba puxando o canudo para cima porque dessa forma você mistura todos os ingredientes com o restante do drink.

Assenti meio empolgada, decidi provar só um pouquinho.

O sabor do suco de laranja combinava perfeitamente com o licor adocicado que eu não sabia de que sabor era, mas eu tinha certeza do gosto marcante da vodka e do adocicado que estava transcendendo por cada canto da minha boca.

- Gostou?

Ele falou abraçando Dalila, eu sorri afirmando.

- Esse é a bebida de Amanda?

- É sim, toma.

- Vou procurar ela.

- Tá, a gente vai ficar mais um pouco pra frente mas não no meio da multidão.

- Tá certo.

Peguei a bebida de Amanda e parti no intuito de encontrá-la.

No banheiro ela não estava, havia um corredor escuro e não precisava ter a mente muito suja para imaginar o que as pessoas estavam fazendo ali...

Meus olhos amedrontados passaram lentamente por todo o lugar. Nunca esquecerei aquelas fotos alternativas coladas na parede, ou as tintas néon que haviam manchado minha pele ou, Amanda beijando outra garota.

Amanda beijando outra garota?!

- Amanda...

Sussurei de olhos arregalados, minha boca abriu também.

Não foi apenas um beijo, era sentimental demais. Após se afastar da garota que estava beijando, alisou o rosto dela como se fosse a coisa mais preciosa do mundo.

Um sorriso genuíno saiu de seus lábios, nunca a vi sorrir assim...

Seus olhos escuros vagaram pela parte iluminada do corredor e era a parte em que eu estava, nos olhamos sem jeito.

Amanda ficou pálida.

- Eva?

Falou vindo trêmula em minha direção, engoli seco sem saber o que falar.

- Eva, eu...

A garota tentou concluir, sua boca estava seca. Eu não sabia o que dizer, ela gostava de garotas?

Por que nunca nos disse?

Então foi por isso que entrou em desespero por conta do casamento forçado...

- Seu drink.

Falei estendendo a bebida, mas ela estava nervosa demais para pegar.

- Eu não... Eva, é que...

Seu nariz começou a ficar avermelhado, era assim quando estava prestes a chorar.

Abri minha boca para falar algo e não sabia mesmo o que dizer, então meu coração fez o favor de proferir por mim:

- Amanda, eu sempre estarei orgulhosa de você.

Falei sorrindo ainda surpresa.

O que estava sendo essa noite?

- Eu te amo, amiga.

Ela falou me puxando, nos abraçamos mais verdadeiramente do que em todos esses anos de amizade. Quando nos afastamos, encostamos nossas testas sentindo a irmandade genuína que tínhamos reacendendo mais forte do que nunca.

Nos afastamos rindo menos tensas

- Eu acho que você deve aproveitar a garota, ela é bem bonita e está esperando você.

Falei olhando para a menina de cabelos curtos e vestido lilás encostada na parede bebendo sua cerveja e nos olhando curiosa.

- É... É, eu acho que devo ir.

Ela falou finalmente pegando a bebida da minha mão, saiu tão empolgada que não olhou para trás.

XXX

Olhei as horas no celular, quase 02:00 da manhã e 30 ligações dos meus pais, mas o som estava muito alto e eu não pretendia sair da pista... Dei mais um gole na minha cerveja e apertei mais o nó que havia dado na jaqueta já presa à minha cintura.

Eu estava tão bêbada que tudo estava girando, me sentia um animal selvagem mas também mantinha meu alto nível de melancolia.

Observei um cara chegar mais perto, ele tinha uma pele negra brilhante, literalmente havia glitter ali, longos cabelos cacheados e as poucas luzes néon que batiam sobre nós era suficiente para que eu pudesse notar todas aquelas tatuagens.

- Posso te beijar?

Ele disse se curvando, parecia ter um sorriso fofo... Eu assenti meio sem coragem.

O homem me puxou para mais perto já pondo suas mãos em minha cintura, acabei tocando em seu braço, era forte... Aproximei nossos lábios e a cena era perfeita.

Sentia o gosto da tequila presa à sua língua, gostava daquilo, mas o beijo foi bem rápido. Seus lábios super carnudos desceram ao meu pescoço e um chupão extremamente forte havia me dado.

Mordi os lábios sentindo a dor.

- Qual o seu nome?

- Eva, e o seu?

- Kyle...Vamos lá pra cima.

Ele sussurrou mordendo o lóbulo da minha orelha.

- Você cheira tão doce...

Concluiu meio extasiado.

- Onde é lá em cima?

Falei rindo um pouco nervosa.

- VIP, gata.

- Ah... Vamos.

Falei entrelaçando nossas mãos.

Ele sorriu e começamos a andar de mãos dadas, nunca andei de mãos dadas com nenhum outro garoto antes...

Quando íamos subir as escadas, alguém me puxou tão forte que eu quase caí! Olhei para ver quem era o sem noção e tive uma surpresa ao descobrir que era Toby.

- Você está louco? O que você quer?

Gritei já paciência, cheguei até a empurrá-lo nervosa.

- Você não vai com ele Eva, nem o conhece!

Falou apontando para Kyle, que cruzou os braços se segurando para não esmurrar a cara do loiro.

- Eu também não te conheço Toby...

- O que?!

- É isso mesmo que você ouviu.

- Você não precisa me esquecer por conta da Elisa... Não faz isso Eva.

- Então por que você fez? Droga! Você era meu melhor amigo.

- Eu ainda sou.

- Não você não é... Você nunca ficou do meu lado, se eu parar para pensar talvez você nunca realmente se importou.

- Olha, eu não sei o que tá acontecendo aqui gata, mas eu fui!

Kyle disse nos olhando como se fôssemos dois loucos. Respirei fundo e encarei Toby com todo ódio do mundo.

- Eu te odeio garoto.

- Você não sabe o que ele poderia fazer com você, eu estou te protegendo.

- Igual você me protege de todos os meninos que aparecem? Você nunca deixou seus amigos conversarem direito comigo, sempre fez algo para me afastar dos meninos... Qual é o seu problema?!

Gritei enfurecida, estava bêbada e completamente confusa.

- É que eu te amo.

Ele disse dando os ombros.

Arregalei os olhos e em seguida pisquei meio tonta, antes que eu pudesse reponder Toby já havia se aproximado demais... Deu um beijo em meus lábios e eu fiquei petrificada pensando em como meu pior pesadelo estava se tornando realidade.

- Sua vadia!

Elisa gritou, ele parou de me beijar e olhamos para ela completamente espantados.

- Elisa, não é o que você está pensando-

Tentei explicar, mas ela não deixou.

- Eu sempre soube que você é uma puta... Não acredito que você me traiu Toby.

Ela gritou mordendo os lábios anguistada.

- Amor, é que-

Toby também tentou falar, mas ela não deixou.

- Não querido, nada do que você fale eu escutarei... Mas saiba de uma coisa Eva, eu tornarei a sua vida um inferno.

A ruiva disse maligna, seus olhos cheios de lágrimas denunciou seus verdadeiros sentimentos por Toby. Após dar passos para trás, ela correu e se perdeu na multidão.

- Eva, eu não sei o que eu fiz.

Ele disse tocando em meu rosto, o empurrei completamente magoada.

- Você ferrou com tudo, Toby, muito obrigada!

Falei saindo.

Se eu soubesse que todas essas merdas iriam acontecer, recusaria o convite sem nem pensar.

Andei cambaleando, realmente tudo estava girando... Joguei minha bebida no chão e tirei a jaqueta da cintura, vesti e passei pela saída.

Senti o ar gelado da madrugada em pleno alvorecer, só queria correr para casa, dormir e acordar sabendo que isso foi só um pesadelo.

Peguei meu celular e quando estava digitando o número do meu pai, observei que todos estavam sussurrando curiosos alguma coisa.

Parei o que estava fazendo para observar o amontoado de gente à minha frente, se aglomerando em volta de alguma coisa.

Dei os ombros e não me importei em olhar.

- Não...

Murmurei descrente do que meus olhos estavam vendo, passei entre as pessoas e um sorriso idiota se formou nos meus lábios mesmo estando ainda triste.

Era como uma anestesia temporária, era Vincent.

Ele saiu de seu carro com certa fúria, como se não gostasse do jeito que as pessoas o cercavam, fechou as portas com grosseria e andou em minha direção.

- Ele deve ser algum ator, sei lá.

- É, com esse carro só pode...

Duas mulheres do meu lado falaram curiosas.

Olhei novamente o magnífico, que por sinal não estava usando roupas caríssimas como das outras vezes.

Vestia uma camisa preta larga, um relógio simples preto também e calça moletom.

Toby ao me beijar deixou-me claramente perceber que meu coração não acelerava frequentemente, mas Vincent era o cara que mudava as regras e me atiçava sem nem mesmo tocar-me.

Quanto mais se aproximava mais surreal ficava, era fenomenal, eu poderia cair de joelhos no chão de tão entorpecida.

- Vamos.

Vicent falou tocando em meu braço, olhei sua mão perpassar tão friamente por minha pele.

Naquela hora o Hennessy atingiu meu cérebro e a vontade que eu tinha era de desmaiar.

- Por que você está aqui?

Perguntei curiosa, ele arfou demonstrando que não queria ter vindo.

- Comentei com seu pai que viria hoje à esta boate, mas acabei que não vim... Ele me ligou perguntando se eu poderia ver se estava tudo bem com você, falei que tudo bem.

- Mas você não estava aqui.

- Estava por perto.

Assenti de lábios torcidos, não por Vincent e sim por mim. Que situação...

- Você quer que eu te leve para casa?

Perguntou cruzando os braços, estava impaciente porque todos estavam nos olhando eufóricos.

- Eu queria, mas minha mãe vai me matar.

Falei pálida, ele deu um sorriso travesso e também deu os ombros!

- Vamos para minha casa, você pode dormir lá. Convenço seu pai, ele confia em mim, eu confio em você.

Ele falou sério dessa vez, sem nenhum olhar malicioso ou dissimulado. Fiquei procurando entender o significado do que havia acabado de escutar, o que ele queria dizer?

- Eu vou querer sim.

Falei sem pensar.

- Então vamos.

O belo homem falou deitando sua mão sobre meu ombro, andamos assim até seu carro. Queria ter me aproximado mais, mas então entendi o significado de "Seu pai confia em mim, eu confio em você".

E é uma pena Vincent, já que ultimamente nem eu mesma tenho confiado tanto em mim...

À flor da pele, eu estava entorpecida.

Em um segundo estávamos no campo andando de bicicleta pelas fazendas e em outro ergui minha mão para alguém carimbar algo, não consegui ver o que era já que o nosso grupo estava ansioso demais.

Me puxaram gritando, seus gritos eram inaudiveis... A música estava muito mais alta.

A luz néon brilhou em meu corpo, era altamente sexual tudo aquilo. A forma que dançavam tão juntos, o suor, a alegria e a dor, os mistos de emoções dentro daquela boate.

- Cara, isso é foda demais!

Amanda falou se jogando no meio da multidão. Olhei em volta e pela primeira vez ninguém me olhara de volta, aqui ninguém se preocupa com ninguém, "apenas dance" era o que a música dizia.

Flo Milli - In The Party.

Mordi os lábios e lentamente fui para o meio da multidão, várias pessoas começaram a grudar em mim como imãs. Passei as mãos no pescoço e as ergui segurando meu cabelo, senti as mãos de alguém apertarem minha cintura, senti também minha vergonha se despedindo naquele momento.

Saweetie- My type, era a música de Dalila.

A morena me avistou e correu para dançarmos.

Rapidamente estávamos uma em cima da outra, seduzindo como nunca, cantando como nunca.

Acho que chegamos a nos abraçar sentimentais no calor do momento, eu nem havia bebido ainda e já estava emotiva.

Jean se aproximou e nos envolveu, dançamos como três loucos.

- Isso é completamente demais!

Gritei erguendo minhas mãos.

- E olha que o DJ japonês ainda nem chegou.

Ele disse próximo ao meu ouvido. Eu nem pude pensar no que responder, outra música já estava tocando e outra energia começou a se aflorar no lugar.

The way I are - Timbaland, slowed.

Fechei meus olhos e sorri frenética, meu coração se acerelou enquanto minhas mãos passavam descontroladas por meu corpo.

Não sabia se me mexia por conta da música ou se a música estava me mexendo...

- " Amor, se você se despir, você pode ganhar uma gorjeta pois eu gosto de você do jeito que você é... Eu estou quase despido, e estou bem equipado, você me aguenta do jeito que eu sou? "

Cantei esse verso e saiu mais sentimental do que esperava, eu estava pensando em alguém... Penso nele desde que o vi pela primeira vez e agora deveria apenas me concentrar em me divertir, por que minha mente continua voltando a ele?

- Vamos comprar bebidas?!

Dalila esbravejou, nós concordamos e começamos a andar em direção ao bar. Foi um pouco difícil de sair já que havia muita gente na nossa frente, mas foi após a música ficar mais baixa que percebemos nossa distância do palco.

A fila do bar estava gigantesca, Jean parou de andar e se virou para nós duas.

- Eu dou um jeito de passar na frente, quais bebidas vocês irão querer?

- Eu irei querer Vodka Cranberry.

Sua namorada respondeu. Franzi o cenho pensando nisso, eu nunca havia bebido drinks diferentes antes, só os tradicionais e não havia gostado muito.

- O que vai querer Eva?

O moreno perguntou apressado.

- Hãm... Eu não sei, nunca bebi essas coisas.

Falei pensando se pedir tequila era uma boa ideia já que eu não gostava.

- Tá, eu trarei algo legal pra você.

Ele falou saindo, o puxei pelo braço.

- Traz para a Amanda também.

Proferi sorrindo amarelo, Jean assentiu e logo tratou de passar na frente toda aquela gente...

- Cadê a Amanda falando nisso?

Dalila perguntou passando um mero olhar por aquela infinita aglomeração de gente.

- Não sei, deixa seu namorado voltar com as bebidas que eu irei procurá-la.

Falei aérea, um menino passou por mim e segurou em meus braços como se estivesse me predendo. Me virei meio bruta no intuito de mandá-lo sair, mas ao ver seu doce sorriso logo relaxei.

- Desculpa, que maneira terrível de chegar em você.

Ele falou no meu ouvido, dei os ombros sorrindo meio tímida.

- Vaza!

Dalila gritou o empurrando.

- Dalila, qual o seu problema?

Perguntei de olhos arregalados, queria bater nela agora mesmo.

- Olha só, ele está de aliança!

A morena gritou apontando para a mão dele, o olhei de lábios torcidos e acabei acenando para ele sair.

- Escuta só gata, minha namorada nunca vai saber de nós, né!

O garoto falou se aproximando novamente, mas eu que o empurrei dessa vez.

- Não idiota, sai.

Falei trocando de lugar com Dali. Ele ficou parado me olhando uns segundos antes de realmente decidir sair.

Eu e minha querida parceira de dança decidimos dançar cruelmente até seu querido amor chegar. Para nossa infelicidade, foram apenas 3 músicas.

Jean logo apareceu fazendo o maior esforço para segurar todas aquelas bebidas.

- Ajuda!

Ele gritou atordoado, fomos correndo.

- O seu é esse Eva.

Falou olhando para a bebida laranja meio avermelhada.

- OK...

Falei pegando.

- Qual o nome?

Perguntei antes de provar.

- Sex on the beach. Prove, você vai se amarrar.

- Ah, beba puxando o canudo para cima porque dessa forma você mistura todos os ingredientes com o restante do drink.

Assenti meio empolgada, decidi provar só um pouquinho.

O sabor do suco de laranja combinava perfeitamente com o licor adocicado que eu não sabia de que sabor era, mas eu tinha certeza do gosto marcante da vodka e do adocicado que estava transcendendo por cada canto da minha boca.

- Gostou?

Ele falou abraçando Dalila, eu sorri afirmando.

- Esse é a bebida de Amanda?

- É sim, toma.

- Vou procurar ela.

- Tá, a gente vai ficar mais um pouco pra frente mas não no meio da multidão.

- Tá certo.

Peguei a bebida de Amanda e parti no intuito de encontrá-la.

No banheiro ela não estava, havia um corredor escuro e não precisava ter a mente muito suja para imaginar o que as pessoas estavam fazendo ali...

Meus olhos amedrontados passaram lentamente por todo o lugar. Nunca esquecerei aquelas fotos alternativas coladas na parede, ou as tintas néon que haviam manchado minha pele ou, Amanda beijando outra garota.

Amanda beijando outra garota?!

- Amanda...

Sussurei de olhos arregalados, minha boca abriu também.

Não foi apenas um beijo, era sentimental demais. Após se afastar da garota que estava beijando, alisou o rosto dela como se fosse a coisa mais preciosa do mundo.

Um sorriso genuíno saiu de seus lábios, nunca a vi sorrir assim...

Seus olhos escuros vagaram pela parte iluminada do corredor e era a parte em que eu estava, nos olhamos sem jeito.

Amanda ficou pálida.

- Eva?

Falou vindo trêmula em minha direção, engoli seco sem saber o que falar.

- Eva, eu...

A garota tentou concluir, sua boca estava seca. Eu não sabia o que dizer, ela gostava de garotas?

Por que nunca nos disse?

Então foi por isso que entrou em desespero por conta do casamento forçado...

- Seu drink.

Falei estendendo a bebida, mas ela estava nervosa demais para pegar.

- Eu não... Eva, é que...

Seu nariz começou a ficar avermelhado, era assim quando estava prestes a chorar.

Abri minha boca para falar algo e não sabia mesmo o que dizer, então meu coração fez o favor de proferir por mim:

- Amanda, eu sempre estarei orgulhosa de você.

Falei sorrindo ainda surpresa.

O que estava sendo essa noite?

- Eu te amo, amiga.

Ela falou me puxando, nos abraçamos mais verdadeiramente do que em todos esses anos de amizade. Quando nos afastamos, encostamos nossas testas sentindo a irmandade genuína que tínhamos reacendendo mais forte do que nunca.

Nos afastamos rindo menos tensas

- Eu acho que você deve aproveitar a garota, ela é bem bonita e está esperando você.

Falei olhando para a menina de cabelos curtos e vestido lilás encostada na parede bebendo sua cerveja e nos olhando curiosa.

- É... É, eu acho que devo ir.

Ela falou finalmente pegando a bebida da minha mão, saiu tão empolgada que não olhou para trás.

XXX

Olhei as horas no celular, quase 02:00 da manhã e 30 ligações dos meus pais, mas o som estava muito alto e eu não pretendia sair da pista... Dei mais um gole na minha cerveja e apertei mais o nó que havia dado na jaqueta já presa à minha cintura.

Eu estava tão bêbada que tudo estava girando, me sentia um animal selvagem mas também mantinha meu alto nível de melancolia.

Observei um cara chegar mais perto, ele tinha uma pele negra brilhante, literalmente havia glitter ali, longos cabelos cacheados e as poucas luzes néon que batiam sobre nós era suficiente para que eu pudesse notar todas aquelas tatuagens.

- Posso te beijar?

Ele disse se curvando, parecia ter um sorriso fofo... Eu assenti meio sem coragem.

O homem me puxou para mais perto já pondo suas mãos em minha cintura, acabei tocando em seu braço, era forte... Aproximei nossos lábios e a cena era perfeita.

Sentia o gosto da tequila presa à sua língua, gostava daquilo, mas o beijo foi bem rápido. Seus lábios super carnudos desceram ao meu pescoço e um chupão extremamente forte havia me dado.

Mordi os lábios sentindo a dor.

- Qual o seu nome?

- Eva, e o seu?

- Kyle...Vamos lá pra cima.

Ele sussurrou mordendo o lóbulo da minha orelha.

- Você cheira tão doce...

Concluiu meio extasiado.

- Onde é lá em cima?

Falei rindo um pouco nervosa.

- VIP, gata.

- Ah... Vamos.

Falei entrelaçando nossas mãos.

Ele sorriu e começamos a andar de mãos dadas, nunca andei de mãos dadas com nenhum outro garoto antes...

Quando íamos subir as escadas, alguém me puxou tão forte que eu quase caí! Olhei para ver quem era o sem noção e tive uma surpresa ao descobrir que era Toby.

- Você está louco? O que você quer?

Gritei já paciência, cheguei até a empurrá-lo nervosa.

- Você não vai com ele Eva, nem o conhece!

Falou apontando para Kyle, que cruzou os braços se segurando para não esmurrar a cara do loiro.

- Eu também não te conheço Toby...

- O que?!

- É isso mesmo que você ouviu.

- Você não precisa me esquecer por conta da Elisa... Não faz isso Eva.

- Então por que você fez? Droga! Você era meu melhor amigo.

- Eu ainda sou.

- Não você não é... Você nunca ficou do meu lado, se eu parar para pensar talvez você nunca realmente se importou.

- Olha, eu não sei o que tá acontecendo aqui gata, mas eu fui!

Kyle disse nos olhando como se fôssemos dois loucos. Respirei fundo e encarei Toby com todo ódio do mundo.

- Eu te odeio garoto.

- Você não sabe o que ele poderia fazer com você, eu estou te protegendo.

- Igual você me protege de todos os meninos que aparecem? Você nunca deixou seus amigos conversarem direito comigo, sempre fez algo para me afastar dos meninos... Qual é o seu problema?!

Gritei enfurecida, estava bêbada e completamente confusa.

- É que eu te amo.

Ele disse dando os ombros.

Arregalei os olhos e em seguida pisquei meio tonta, antes que eu pudesse reponder Toby já havia se aproximado demais... Deu um beijo em meus lábios e eu fiquei petrificada pensando em como meu pior pesadelo estava se tornando realidade.

- Sua vadia!

Elisa gritou, ele parou de me beijar e olhamos para ela completamente espantados.

- Elisa, não é o que você está pensando-

Tentei explicar, mas ela não deixou.

- Eu sempre soube que você é uma puta... Não acredito que você me traiu Toby.

Ela gritou mordendo os lábios anguistada.

- Amor, é que-

Toby também tentou falar, mas ela não deixou.

- Não querido, nada do que você fale eu escutarei... Mas saiba de uma coisa Eva, eu tornarei a sua vida um inferno.

A ruiva disse maligna, seus olhos cheios de lágrimas denunciou seus verdadeiros sentimentos por Toby. Após dar passos para trás, ela correu e se perdeu na multidão.

- Eva, eu não sei o que eu fiz.

Ele disse tocando em meu rosto, o empurrei completamente magoada.

- Você ferrou com tudo, Toby, muito obrigada!

Falei saindo.

Se eu soubesse que todas essas merdas iriam acontecer, recusaria o convite sem nem pensar.

Andei cambaleando, realmente tudo estava girando... Joguei minha bebida no chão e tirei a jaqueta da cintura, vesti e passei pela saída.

Senti o ar gelado da madrugada em pleno alvorecer, só queria correr para casa, dormir e acordar sabendo que isso foi só um pesadelo.

Peguei meu celular e quando estava digitando o número do meu pai, observei que todos estavam sussurrando curiosos alguma coisa.

Parei o que estava fazendo para observar o amontoado de gente à minha frente, se aglomerando em volta de alguma coisa.

Dei os ombros e não me importei em olhar.

- Não...

Murmurei descrente do que meus olhos estavam vendo, passei entre as pessoas e um sorriso idiota se formou nos meus lábios mesmo estando ainda triste.

Era como uma anestesia temporária, era Vincent.

Ele saiu de seu carro com certa fúria, como se não gostasse do jeito que as pessoas o cercavam, fechou as portas com grosseria e andou em minha direção.

- Ele deve ser algum ator, sei lá.

- É, com esse carro só pode...

Duas mulheres do meu lado falaram curiosas.

Olhei novamente o magnífico, que por sinal não estava usando roupas caríssimas como das outras vezes.

Vestia uma camisa preta larga, um relógio simples preto também e calça moletom.

Toby ao me beijar deixou-me claramente perceber que meu coração não acelerava frequentemente, mas Vincent era o cara que mudava as regras e me atiçava sem nem mesmo tocar-me.

Quanto mais se aproximava mais surreal ficava, era fenomenal, eu poderia cair de joelhos no chão de tão entorpecida.

- Vamos.

Vicent falou tocando em meu braço, olhei sua mão perpassar tão friamente por minha pele.

Naquela hora o Hennessy atingiu meu cérebro e a vontade que eu tinha era de desmaiar.

- Por que você está aqui?

Perguntei curiosa, ele arfou demonstrando que não queria ter vindo.

- Comentei com seu pai que viria hoje à esta boate, mas acabei que não vim... Ele me ligou perguntando se eu poderia ver se estava tudo bem com você, falei que tudo bem.

- Mas você não estava aqui.

- Estava por perto.

Assenti de lábios torcidos, não por Vincent e sim por mim. Que situação...

- Você quer que eu te leve para casa?

Perguntou cruzando os braços, estava impaciente porque todos estavam nos olhando eufóricos.

- Eu queria, mas minha mãe vai me matar.

Falei pálida, ele deu um sorriso travesso e também deu os ombros!

- Vamos para minha casa, você pode dormir lá. Convenço seu pai, ele confia em mim, eu confio em você.

Ele falou sério dessa vez, sem nenhum olhar malicioso ou dissimulado. Fiquei procurando entender o significado do que havia acabado de escutar, o que ele queria dizer?

- Eu vou querer sim.

Falei sem pensar.

- Então vamos.

O belo homem falou deitando sua mão sobre meu ombro, andamos assim até seu carro. Queria ter me aproximado mais, mas então entendi o significado de "Seu pai confia em mim, eu confio em você".

E é uma pena Vincent, já que ultimamente nem eu mesma tenho confiado tanto em mim...


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