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História Minha revolta contra a Lucy - Capítulo 1


Escrita por: e FairyTail_Verse


Capítulo 1 - Capítulo único



I

Magnólia, Reino de Fiore

25 de julho de X794


Fazia um dia limpo de sol na cidade de Magnólia. As águas da lagoa da cidade estavam agitadas, com suas encostas apinhadas de gente. Era o dia do festival de demonstração mágica da Fairy Tail. Aquele era o momento dos magos mostrarem ao povo de Magnólia o que aprenderam ao longo do ano para dar confiança ao povo da cidade que estavam prontos para defendê-la de qualquer ameaça.

Aquele era o segundo dia de apresentações. Os magos mais poderosos, como Erza, Laxus, Natsu e Gray, já se apresentaram no dia anterior. Agora era a vez dela, Levy McGarden, a maga que escreve. Ela estava em um palco enorme de madeira, que se estendia por metros a fio naquela pequena praia do lago. O povo de Magnólia estava do outro lado da cortina, esperando ansiosos pelo que veria sair de lá. Roendo as unhas, a maga de olhos azuis estava ansiosa, tremendo-se toda. 

— Ai, ai, o que eu posso oferecer de bom? As apresentações de ontem foram muito boas mesmo! — disse Levy, agoniada como se estivesse prestes a ir ao banheiro.

Uma mão grossa tocou seu ombro. Era Droy, o seu parceiro  rechonchudo do time Shadow Gear. 

— Levy, você já tem uma magia maravilhosa que é a Solid Script. Você não precisa de nada mais! — disse o homem rechonchudo.

— Pois é, Levy, escuta o gordão um pouco. — disse Jet, se aproximando deles. — Você não precisa ficar nervosa!

— Mas eu não preparei nada! — disse a moça.

— Você já tem tudo o que você precisa, bem aqui! — disse o magrelo, colocando um dedo na testa dela e outro no peito dela, na altura do coração. A garota de cabelos azuis sorriu um pouco com o gesto. — Vai lá, menina, e arrasa! 

   — Pode deixar! — disse Levy, saudando-os com um polegar. Os dois devolveram o gesto e a moça entrou no palco. 


— Senhoras e senhores, com vocês, a nossa Levy McGarden. Uma salva de palmas! — disse Mirajane, falando ao microfone. O povo aplaudiu a moça de cabelos azulados e bandana amarela na testa. 

— Bom dia, gente, bom dia! — disse Levy, timidamente com o microfone na mão.

— Abra! Porta de leão! — disse uma voz na frente dela. 

— Mas, hein? — indagou a moça. 

— Olha lá, é a Lucy! — disse um menino, apontando para um brilho dourado que surgiu na frente de Levy. Era Leo, abrindo sua chave de portal.

— Bom dia, pessoal! — disse Leo. Sua voz era ampliada facilmente com um microfone em sua orelha.

— Bom dia, Leo! — disseram todos, mais alto e mais animado do que quando foi a vez de Levy. A moça de cabelos azuis começou a ficar preocupada. 

— Estão todos prontos para ver a Lucy? — perguntou Leo.

— Sim! — respondeu todos. 

Levy ficou tão incomodada que não se aguentou e perguntou para Mirajane:

— Mira, o que significa isso? Não era pra ser a minha apresentação.

— Sim! Você e a Lucy vão se apresentar juntas! — disse Mirajane, sorrindo. Levy não sorria.

— Mas… A apresentação foi solo ontem… 

— Sim, mas é porque não tinha como colocar o Laxus e o Natsu no mesmo palco! Eles iam destruir tudo e é caro montar um desses, agora você dividindo o palco com a Lucy vai dar tudo certo! Como a sua magia não é tão agressiva… 

— Como assim não é agressiva, Mira? Pensa que eu só sei escrever umas letras no ar e fica por isso mesmo?     

— Bem… A gente não tá dizendo isso… — disse Mirajane, envergonhada, sem conseguir olhar para Levy.

— A Lucy é a bonzona, então e eu sou a merreca que vai ser a assistente dela? — perguntou Levy, indignada. — Olha lá, meu nome é Lucy Heartfilia, tenho uns peitões enormes e essa minha colega aqui não tem peito nenhum! Olha pra mim, eu giro uma chave no ar e faço magia! — disse Levy, gesticulando ao reclamar de Lucy. Todos viram o gesto dela e começaram a gargalhar. Mirajane tentava colocar panos quentes na situação, mas até Leo reparou que alguma coisa havia de errado.  

— Levy, tá chamando a atenção! A Lucy pode ver! — disse Mirajane, preocupada. 

— Que se dane a Lucy! Que ela veja mesmo! Só eu sei o valor da minha “Solid Script” e o trabalho que dá fazer! Com licença! — disse Levy, saindo do palco. Ninguém da plateia entendeu  e olharam confusos para o palco. Lucy apareceu logo em seguida, com o rei dos espíritos celestiais ao lado dela. 

— Fala aí, gente! Quem tava animado pra me ver! — disse Lucy, com a roupa de Leão.    

— Todos nós! — respondeu a plateia.

— Vamos lá! Estou aqui eu e a minha amiga… — disse Lucy, olhando ao redor. Levy não estava mais lá e a loira tentou corrigir a gafe. — Eu e meu amigão Rei dos Espíritos Celestiais e o Leo! 

— Aí sim, Lucy! — todos ovacionaram.


II


Levy saiu do palco, deprimida. Sentou-se numa das mesas vazias do salão da guilda e ficou escrevendo coisas com o dedo, mergulhando-o de vez em quando no copo de saquê ao seu lado. Jet e Droy lhe faziam companhia. 

— Levy, eu falei com a Mira e ela deixou você se apresentar sozinha no final, se quiser… — disse Jet. 

— No final? Maravilha! Que sorte eu tenho me apresentar no horário que todo mundo já viu tudo o que tinha pra ver e não sobra mais nada! — disse Levy, bebendo o copo de saquê de uma vez. 

— Mas é o fechamento, Levy! É um momento importante também! — disse Droy, tentando animar a amiga, acariciando os cabelos dela. Nesse momento, o Mestre Makarov e Lucy entraram no salão da guilda. Levy levantou a cabeça da mesa e tornou a baixar.  

— Jet, Droy, pode nos deixar a sós um pouco? — disse o Mestre, batendo com o cajado de madeira no chão. Os dois prontamente obedeceram. Makarov e a maga celestial se sentaram nas cadeiras vazias deixadas pelos colegas do time Shadow Gear

— Levy, o que foi que aconteceu? Tá sentindo falta do Gajeel por conta daquela missão? — perguntou o mestre.       

— O que foi que aconteceu? Aconteceu nada, mestre! Acontece que eu sou tão fraca que preciso do príncipe encantado, Gajeel, do meu lado pra que eu tenha alguma utilidade por aqui, puxa vida! — disse Levy, revoltada. 

— Levy, ninguém tá te chamando de fraca aqui… — disse Lucy.

— Como não? que ideia de jerico é essa de juntar a minha apresentação com a sua? — disse Levy, levantando a cabeça.

— A ideia foi minha, Levy! A ideia foi minha! Não culpa a Mira! Eu que quis fazer uma apresentação surpresa, junto às minhas amigas escritoras! A Laki ia aparecer também, ela tava atrás da cortina! O erro foi eu não ter dito nada pra você antes! Péssima escolha que eu fiz! — disse Lucy, aos prantos. Levy olhou Lucy por um tempo, com os dentes trincando de raiva.

— Apresentação surpresa, Lucy? A Mirajane já me disse outra coisa. Disse que a minha magia não era agressiva e, por isso, eu me apresentaria com vocês! Me diz: a magia da Laki não é nada agressiva pra você também? — indagou Levy. Lucy não soube como responder. 

— Levy, por mais que você não queira aceitar o fato, Lucy é mais forte do que você — disse o Mestre, seco. Um fio de lágrimas escorreu do canto do olho da moça de bandana.

— Mestre… Por quê? Eu tenho mais missões que ela, mais tempo de casa, mesmo assim, eu sou a mais fraca? — indagou Levy.

— Sim. Lucy é filha de magos celestiais e a magia dela se desenvolveu de forma impressionante. Além disso, Lucy tem uma magia própria pra lutas, que são os espíritos celestiais. Quanto à você, convenhamos, escrever é uma forma menos agressiva de luta e… 

— Mas é a minha forma de lutar! Não conheço nada além da Solid Script! Não foi o senhor mesmo que disse que a gente tem que lutar da forma mais confortável pra gente? Que cada um tinha sua forma especial de lutar? — disse Levy, indignada.

— Pois é, sua forma de lutar. Para a sua decepção, não é uma forma muito prática em alguns casos. Você tem que aceitar isso se você quiser tentar um caminho mais firme na sua Solid Script — disse Makarov, sério. 

— Mas… O senhor não para pra pensar que tá sendo injusto comigo? A apresentação era minha e ela recebe o dobro de aplausos? — perguntou Levy. O mestre não se alterou. 

— Lamento, Levy, não posso fazer nada com relação à isso — finalizou Makarov. Ele levantou-se da mesa e pediu para que Lucy fizesse o mesmo. De repente, a azulada virou a mesa sobre eles, com garrafa de saquê, copo e tudo.

— Mestre de merda! Como ousa ter os seus queridinhos enquanto o resto da guilda tá na merda? Vou te mostrar a minha firmeza, velhote! — disse Levy, saindo do salão. 

— Levy! — disse Lucy. Ela tentou correr até a amiga, mas a mão firme e elástica de Makarov impediu que a moça fosse além.

— Deixa ela! Vamos deixar a Levy descansar um pouco…        


III

Quartel-General da Igreja de Zentopia, Fiore

Uma semana depois… 


— Senhor Gajeel, conhece nossas regras. Como um ex-membro da guarda do conselho mágico, é esperado que as siga em vez de ter feito aquele barraco todo na entrada… — disse um sacerdote. 

— Me desculpe pela ousadia! Mas minha mulher está trancafiada nas paredes dessa, dessa… Instituição de paz e retiro e eu não podia ficar calado! — disse Gajeel. 

Os dois andavam por um amplo corredor. Havia arcos e colunas que levavam até um jardim de arbustos bem aparados e portas que davam nas mais diversas salas. Aquele era um setor de estudos teológicos da Igreja. O sacerdote parou na frente de uma dessas portas.

— Aqui. A Senhorita Levy está há uma semana estudando sem parar na biblioteca subterrânea. 

— Senhorita Levy? Que papo é esse? — perguntou Gajeel, indignado, quase batendo no sacerdote quando agarrou a batina dele. Dois legionários que estavam por perto colocaram a lâmina de suas alabardas afiadas no pescoço do dragon slayer, para que ele não se esquecesse onde estava. 

— É esperado que todos que fazem parte desse retiro estejam desvinculados de seus vínculos terrenos. — explicou o sacerdote, sério. Gajeel sentiu um soco no estômago escutando aquelas palavras. — Por favor, não nos atrapalhe mais do que o senhor atrapalhou na entrada! Passar bem! — disse o Sacerdote e os guardas, retirando-se. Só ficou Gajeel, olhando para a porta de madeira da biblioteca. Nem mesmo ele sabia se teria coragem para continuar a entrar.


IV


Depois de um longo lance das escadas em espiral e passar por um longo túnel subterrâneo, o dragon slayer do metal chegou até uma porta de madeira. Abriu e encontrou uma série de livros espalhados pelo chão. Levy estava no outro extremo da biblioteca, lendo um livro atenciosamente. 

— Levy? — disse Gajeel.

Ela nem se virou para ver o companheiro. O moreno correu e deu de cara com uma parede invisível. Teve que bater a cara várias vezes para se dar conta do que o impedia de avançar.

Jutsu Shiki? — perguntou ele.

— Traidor! — disse Levy, por fim. Ela arremessou o livro que lia contra ele e voou para onde estava o rapaz, coisa que ela nunca tinha feito antes. O moreno de cabelos espetados reparou que os poderes dela haviam aumentado com as leituras na biblioteca, mas não comentou nada. Tudo o que queria era entender o que ela estava lendo esse tempo todo. Recolheu o livro e viu que na capa estava o título “O real pesadelo dos dragon slayers, pelo Cardeal Lapointe”. Gajeel ficou confuso.

— Mas… O que é isso? 

— Sabia que o relógio infinito foi criado pra segurar os poderes dos dragon slayers? Uma tragédia como aquela que a gente teve que evitar, aqui em Zentopia, nunca teria acontecido se não fosse por conta da existência de gente como você!    

— Mas que coisa é essa, Levy? Como você diz uma coisa dessas? 

— Os dragon slayers são muito poderosos, simples assim! Eles são capazes de absorver magia e até mesmo são capazes de se transformar nos mesmos dragões que eles tanto combatem, vide o Acnologia. 

Gajeel não entendia nada, mas sabia que a companheira estava caminhando em raciocínios perigosos.

— Eu não sou nenhum Acnologia, Levy!

— Mas é capaz de ser um, não é? Não minta pra mim! — disse Levy, apontando o dedo na cara dele. 

— Sim, sou sim, se você quer saber! E eu tenho culpa disso? Eu era uma criança quando me pegaram pro programa de dragon slayer

— Então… Aí que tá o problema. Se você não tivesse um corpo que não fosse compatível com o programa, você não teria virado um dragon slayer, correto? 

Gajeel não soube o que responder.

— Me diz você então! Eu não sei nada disso e nunca quis saber! — disse Gajeel, berrando. Levy deu as costas para ele e voltou a revirar uma das estantes do lugar.

— Me diz, Gajeel: por que uns são mais fortes do que os outros? Por que eu, que me mato de escrever, de ler, de pensar, sou menos maga do que você e o Natsu, que são uns ignorantes em termos de teoria mágica? Até mesmo a Wendy me supera! Absurdo isso! 

Gajeel baixou a cabeça quando ela falou isso. 

— Esse é o problema com esse mundo! — disse Levy, batendo com o dedo no peito do homem. — Uns nasceram pra ter tudo de bom e outros pra se ferrar como eu! Eu não admito isso! Aguentei tudo calada até agora, mas tô dando um basta!

— Levy… O Natsu é nosso companheiro! Essa é a nossa força!   

— Tem vezes, Gajeel, que a amizade não funciona. Sabe, eu tenho uma amiga escritora em Magnólia. Ela sempre buscava escrever todo dia e escrevia seus livros com um zelo sem igual, publicando sempre os capítulos do livro dela no jornal com muito carinho e com frequência… Daí, tem umas outras autoras que escrevem vez sim, vez não. Acredita que essas autoras são mais procuradas, têm menos livros que a minha amiga e é mais lida do que ela? Pode isso? Os textos da minha amiga servem pra quê? Pra limpar porcaria de cachorro? 

— Levy, são muitos fatores: o casal da história, o que o povo quer, a forma como ela constrói os cenários, as relações… Tem gente que se contenta com pouco e quer coisa simples! Tem gente que prefere um tipo de casal só, sei lá! Ou talvez o pessoal seja ignorante pra entender ela mesmo! — disse Gajeel, tentando ajudar. Levy sorria com ironia. 

— Isso é injusto demais! Uns são mais machões do que outros, uns são mais bonitos do que outros, uns são mais fortes que outros, uns são lidos mais que os outros! Essa é a minha revolta contra a humanidade! Essa desigualdade absurda entre as pessoas! Contra essa desigualdade eu vou lutar! Ah, se vou! Ou eu morro tentando! — disse Levy, dando as costas para ele. Gajeel ficou tão sentido com o que ela disse que decidiu sair. Deu as costas e tocou na maçaneta da porta, mas voltou-se assim que fez isso.

— Pode deixar comigo! Eu vou lutar do seu lado contra as injustiças do mundo! — disse Gajeel. Levy sorriu. 

— Procura alguém mais forte que eu pra ficar do seu lado. Eu não tenho peito nenhum, não tenho bunda, só fico lendo. Sou uma maga fracassada! Você deve procurar outra coisa melhor… — disse Levy, folheando o livro. As palavras dela doeram tão fundo nele que ele bateu a porta da biblioteca com força. As estantes tremeram com o impacto. Levy tirou a cabeça do livro, melancólica. 

— Você gosta de mim porque eu sou fraca, né, Gajeel? Você gosta de mim por caridade? Você gosta de mim porque eu não posso levantar a mão contra você? Eu tô cansada disso! — disse Levy, chorando lágrimas de raiva.


V        


Já era de noite. Naquela caverna subterrânea, isso não fazia diferença. Em cima da mesa, Levy lia um livro e tentava colocar em prática os ensinamentos dele, a cada experimento que fazia. Havia uma pequena gaiola com um pássaro ao lado dela. Ela pegou um caderno de capa preta e escreveu uma coisa nele, olhando para o pássaro.

Solid Script: Death note! (escrita sólida, caderno da morte!) — disse a moça de cabelos azuis. O pássaro se debateu na gaiola e, em segundos, caiu morto. — Interessante. Com o jutsu shiki que eu coloquei nesse caderno, posso matar um pássaro se eu quiser. Ele coloca uma barreira ao redor do pescoço dela e impede que ela respire. Será que serve com pessoas? — indagou Levy.

 Ela começou a escrever nele o nome “Lucy”. Mas faltava coragem para escrever “Heartfilia”. Jogou a caneta em cima da mesa e encostou as costas na cadeira, pensativa. 

— Eu sou mole demais! Ninguém vai saber que fui eu! Ou vai? Eu dei muita bandeira pro Gajeel e pro Mestre! Eles vão saber que fui eu! — Levy levantou-se da cadeira e olhou mais uma vez para o caderno da morte que havia criado. Bocejou. Estava morta de sono e cansaço. — Não comi nada hoje! Tô morrendo de fome. Vou dormir um pouco, amanhã eu continuo… — disse Levy. Ela deitou-se num tapete e encostou a cabeça num livro. E fechou os olhos.


[...] 


O cenário era desolador. A cidade de Magnólia não foi destruída, nem coisa do tipo, mas a maioria das casas estava fechada e abandonada. Nem mesmo a padaria estava aberta. Dentro de uma dessas casas, Lucy olhava para fora da janela do quarto, trêmula. Estava muito magra. No seu colo, segurava uma criança de cabelos cerejeiras. O bebê chorava. Ela apertava os seios de Lucy, causando mais dor para a maga celestial. Não era uma dor física, mas, sim, uma dor na alma.

— Não tem mais, Nashi, acabou! — disse Lucy, com uma lágrima nos olhos. Nessa hora, Natsu entrou no quarto. 

— Lucy…

— Natsu… Conseguiu comida? 

— Nada… Nem um naco de carne… 

— Como a gente vai fazer, Natsu? Tô sem um pingo de leite pra o bebê porque eu não tô comendo direito!

— Eu tô tentando, Lucy! Eu tô tentando! O problema é que tá difícil pra mim também! Parece que todos os bichos que estavam na floresta de Magnólia fugiram! E você sabe que não dá pra passar de certos limites daqui, não sabe? 

— Sei, sim… o jutsu shiki. Colocaram um jutsu shiki que matou quase todo mundo da cidade, né? Todo mundo da guilda morreu menos a gente! — disse Lucy.

— O povo acha que foi algum vírus ou uma doença invisível que matou o povo. Demorou pra saber que colocaram um jutsu na cidade toda. Quem saísse, tava morto. Não adiantava nem cavar túnel! No começo, a gente até que pensou que fosse uma barreira na cidade, mas começaram a matar gente que nem tinha passado das fronteiras… Sei dessa história toda, Lucy! Parece o fim do mundo! Não sei se é virus, jutsu shiki ou tudo isso junto. Acho que não tem esperança mais… 

— A gente vai morrer mesmo, é isso que você tá dizendo, Natsu? Você fez essa menina comigo há um ano, com um otimismo grande no rosto, agora fala que não tem mais esperança? Você é um patife mesmo, Natsu, você é um canalha! — berrou Lucy, chorando. A pequena Nashi chorou mais que ela. 

— Eu não sei mesmo o que fazer, Lucy! Eu vou tentar caçar uma coisa pra gente de novo… Ou eu vou morrer tentando fazer isso… — disse Natsu, abrindo a porta do quarto. Quando pôs o pé para fora, colocou a mão na garganta, ajoelhou-se e caiu no chão, sufocado. Lucy viu. Arregalou os olhos e colocou a pequena de lado para acudir o companheiro. 

— Natsu? Natsu? Não me deixa, Natsu! Não me abandona, vai! Natsu? Natsu? — disse Lucy, desesperada.


[...]


Levy abriu os olhos e viu que não havia despertado ainda. Estava em uma sala toda escura com uma fogueira na frente dela. Olhando para a fogueira, sentada em uma tora, estava uma mulher de cabelos vermelhos trançados, com um chapelão de mago na cabeça.

— A gente se encontrou de novo… — disse a mulher.         

— Eileen Belserion? Você por aqui? Pensei que estava morta… 

— Pois é, a morte é o fim de tudo, não? — disse a mulher, dando um sorriso tímido. — Até mesmo de uma pessoa forte como eu.

— O que você quis dizer com isso? O que foi aquilo que eu vi agora há pouco? 

— Foi uma pequena demonstração do que você pode fazer com os poderes que você adquiriu nesse buraco… Você pode acabar com Magnólia se quiser, sabia? Você pode causa o apocalipse. Você pode até mesmo acabar com todos os companheiros da sua guilda agora mesmo. O que acha? — perguntou Eileen. Levy calou-se pela primeira vez.

— Posso mesmo? 

— Claro que sim! O que é o Mestre Makarov, com sua grande força, diante da morte? Nem ele é capaz de vencer a morte. Ninguém é capaz. Nem mesmo aquela gente daqueles exemplos que você citou mais cedo… 

— Você tava lendo a minha mente, é? 

— Eu só coloquei em prática a sua raiva. A Lucy pode ser mais forte que você, mas ela não é nada diante da morte. Basta uma ação, uma ação dessas e nenhum espírito celestial vai ser capaz de ajudar ela. Nem mesmo o rei dos espíritos celestiais. Se lembra da Karen Lilica? — perguntou Eileen. Levy, mais uma vez, não falava nada. 

— Esse é o único jeito de eu me tornar mais forte que todo mundo? — perguntou Levy.

— Meio difícil dizer… O que você define como força? Se for a capacidade de escrever livros, você é mais forte que todos eles… — disse Eileen. 

— Lá vem você com relativismos… 

— É sério… Você não tem o preparo físico do Natsu, nem os anos de truculência dele. Ele também não tem seu anos de leitura e pesquisa. 

— Eu tô querendo dizer no geral! — berrou Levy.

— Bem, Levy, o geral, o geral mesmo é cheio de lados. O problema do mundo é que ele só vê um lado das coisas, só vê a força bruta como um meio de vencer. É como aquelas histórias de um rapazinho e uma mocinha hétero que todo mundo shippa. O rapazinho ajuda a moça na maior força bruta e vice-versa. E foram felizes para sempre. Sabe, ninguém para valorizar a inteligência, a capacidade artística deles, nada. Tudo fica na mesmice de sempre. Todo mundo fica preso nos seus preconceitos, nas suas limitadas visões de mundo e acabam não vendo as outras coisas que tornam as pessoas igualmente fortes… Maldito seja esse mundo limitado! — disse Eileen, servindo uma taça de saquê para ela.

— Essa é a minha revolta contra a humanidade! — disse Levy, aceitando a taça e brindando com ela, como se fossem amigas de muito tempo atrás. — Será que dava pra eu enfrentar o Acnologia? 

— Quem sabe… Nunca testamos os limites da sua Solid Script com ele e isso foi um erro… Por mais sanguinário que ele fosse, sua magia poderia ter uma chance contra ele. 

— Da mesma forma que eu fiz com Magnólia na visão que você me mostrou?

— Pois é… Da mesma forma… Só que vou deixar nas suas mãos o destino que você quer dar à cidade da sua Guilda… — disse Eileen, levantando-se da tora. — Você pode até matar a Lucy, matar Magnólia toda e isso vai ser tão forte quanto tudo o que o Império Alvarez fez até agora, mas e o depois? E o dia depois de amanhã, o que dizer dele? Tem gente que pode investigar as mortes e chegar até você. E você vai ser o novo Acnologia a ser combatido. Me diga, Levy: Acnologia teve paz? — perguntou a mãe de Erza. Levy não soube o que responder.

— Agora, do outro lado da vida, eu vejo claramente que os humanos são como ouriços, que só fazem mal uns aos outros. Mas, de certa forma, esses “ouriços espinhudos” dependem um dos outros, porque a humanidade luta contra um inimigo maior: o “frio” da natureza. Senão, cada “ouriço” isolado ia morrer de frio. 

“Por causa disso, pra se aquecerem, dependem do calor um dos outros. O problema é que as pessoas se machucam umas às outras quando se aproximam muito. Então, o melhor a se fazer é manter a máxima distância possível das pessoas e de seus conceitos limitados, desde que, é claro, não nos afastemos demais a ponto de sentir frio. — disse Eileen.

— Tão Shopenhaueriana você… — disse Levy, sorrindo para a nova amiga que tinha ganhado.         


VI 


— Levy, Levy, acorde! — disse um rapaz. A moça de cabelos azuis abriu os olhos e se deparou com um rapaz de cabelos verdes longos. Era Freed, seu colega de guilda. Somente ele para reescrever o jutsu shiki que pôs em volta da biblioteca. Atrás dele, estava uma série de sacerdotes da Igreja de Zentopia e alguns legionários.

— Freed? Você aqui? O que está acontecendo? 

— O Arcebispo quer ver você, Levy — disse um dos sacerdotes. 


VII


A sala do Arcebispo era um lugar amplo e aconchegante, com amplas cortinas púrpuras ao lado da imensa janela, que dava de cara para o jardim. Mas o caderno preto em cima da mesa dele tornava tudo mais sufocante. Temia questões sobre ele.

— Levy… Seus amigos estão aqui… Tem um até mesmo que ameaçou tacar fogo nas paredes desse lugar santo se ele não visse você, mas os amigos dele e nossos legionários trataram de sossegar o facho dele. Nem tudo se resolve com força bruta… — disse o líder da Igreja, sorridente. — Eles me contaram o que aconteceu. O que você tem a dizer?   

— Eu não tenho nada a dizer, sua graça… — respondeu a moça.

— Nem sobre esse caderno? — perguntou o senhorzinho de bigodes longos e brancos, de mitra na cabeça. 

— Eu já aprendi a lição, sua graça. Eu não tenho poder pra derrubar o mundo todo de uma vez… — disse Levy, cabisbaixa. 

— Você seria feliz fazendo isso, Levy? — indagou o arcebispo. 

— Não sei, sua graça, só queria ser forte…

— “Força” é um substantivo abstrato demais pra ter significado sozinho. Você quer “força nos braços”, nas pernas, na cabeça? — perguntou o homem, com a mesma serenidade de sempre. Levy calou-se. — Pois eu digo a você, Levy: nem mesmo Natsu com toda a sua força é capaz de derrubar uma montanha sozinho e ficar por isso mesmo! Ele vai se desgastar muito gastando tanta energia, sabia? 

— Sei…

— Somos pequenos demais neste planeta, Levy. Esse planeta é só um grão de areia no meio do universo. Quando nos despimos das paredes da vaidade e de tudo o que a alimenta, só resta a nossa pequenez. Quando Lucy se vê livre de uma plateia que a saúda e a aplaude, ela não passa de uma mulher pequena girando uma chave no ar e berrando para ventos que não escutam e nem respondem… 

— Meu Deus… 

— Esses são os ensinamentos da Igreja, Levy. Não adianta a gente construir coisas que o tempo corrói, como a beleza e a força. Temos que buscar aquilo que permanecem sempre: o nosso espírito, a nossa inteligência. O que é um autor bem lido sem seus leitores, Levy? Nada mais que um cadáver adiado que escreve! — disse o Arcebispo.

— Credo! — respondeu Levy. O homem sorriu.   

— Bem, era isso que eu tenho a lhe dizer. Não é mais forte quem derrota o Acnologia com um golpe. Dou valor para aquela pessoa que, com uma sucessão de golpes, derrota o dragão que se achava Deus. Você não acha? — perguntou o Arcebispo, sorrindo.

— Pode ser… — respondeu Levy.

— Leitores vão e vêm, plateia vai e vem… Nós também… O que fica é o que a gente faz com a nossa força, que vai desde causar um genocídio até ajudar os outros… — disse o Arcebispo.

— O que vai acontecer agora, sua graça?

— O que vai acontecer agora depende de você. Seus amigos lamentam muito o que aconteceu. É bom que seja assim, pelo menos eles a respeitam. Dá pra ver que a amizade de vocês é forte mesmo… — disse o Arcebispo, entregando o caderno negro para ela. — Resta a você decidir o que vai fazer com as desculpas deles. — Levy pegou o caderno e ficou olhando para ele por um tempo. 

— Bem… Eu já decidi o que eu vou fazer… — disse Levy. Nesse instante, Natsu e Happy abriram a porta do escritório do Arcebispo, de supetão. 

— E então, Levy! — disse Natsu, animado como sempre. — Vamos competir… vamos competir… — A animação dele diminuiu e ele começou a engasgar quando viu o caderno preto na mão dela, entendendo os motivos que fizeram a moça abandonar a guilda. Ele queria tocar no assunto, mas Happy deu um cascudo na cabeça dele para que ele não fosse indelicado numa situação como aquela. — Vamos competir pra ver quem escreve o melhor conto? — disse o rapaz, num berro só, quase soltando fogo pela boca. Levy o olhava sério. Por mais que tentasse, ele não conseguiu sair do assunto. — Sabe como é… Eu… quase morri duas, três vezes nessa história toda… Eu estaria ferrado se não fosse o Gray e a Lucy, por isso… a Ultear… Não sei se sou tão bonzão assim como todo mundo fala, nem gosto de me gabar por isso… — disse Natsu. Levy ainda o olhava sério. — Levy, eu sou só um cara que cospe fogo e sai dando murro por aí… — disse Natsu, sem jeito para falar com ela.

 A moça de cabelos azuis colocou a mão no ombro dele e disse:

— Em casa a gente resolve essa disputa, tá? — disse Levy. O rapaz de cabelos cor de cerejeira deu um tímido sorriso.

   

FIM



Notas Finais


À todos que leram, muito obrigado por chegar até aqui! Esse trabalho não seria possível sem a colaboração das seguintes pessoas:

Plot: @Melivick
Betagem: @Srta_Wu
Capa: @Genyaya
Leitura crítica: @NinaBlack

Muito obrigado à todxs os envolvidos! E mais uma vez, muito obrigado à família @FairyTail_Verse pelo apoio constante!


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