História MINHA VIDA DE GUARDIÃ - Capítulo 1


Escrita por:

Postado
Categorias Eldarya
Personagens Ewelein, Ezarel, Jamon, Keroshane, Leiftan, Mery, Miiko, Nevra, Personagens Originais, Valkyon
Tags Eldarya, Magia, Nevra, Romance
Visualizações 61
Palavras 4.525
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Fantasia, Ficção, Hentai, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Sobrenatural
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Self Inserction, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Não, você não perdeu nenhum capítulo.... A história já começa com a missão do Kappa, e, aos poucos, nos próximos capítulos, vai ser contado o ínicio disso tudo! Como eu disse antes, algumas coisas vão acontecer um pouco diferentes da história original, mas segue a mesma linha!...
Boa leitura!....

Capítulo 1 - TARTARUGA FEDORENTA


Fanfic / Fanfiction MINHA VIDA DE GUARDIÃ - Capítulo 1 - TARTARUGA FEDORENTA


Não, eu não odiava tudo nesse mundo.
Apesar de ter vindo parar aqui sem querer, de estar longe da minha família e sentindo tanta falta deles que chega a doer - inclusive do idiota do meu irmão - apesar de ter sido presa, e depois obrigada a me juntar a uma das Guardas de Eel para não voltar para a prisão - ou coisa pior - admito que minha estada aqui poderia ser pior.
Admito que, se não estivesse aqui contra a minha vontade, eu poderia aproveitar muito mais esse mundo. Poderia até aprender a amá-lo
Como não amar um mundo onde seres que até então eu acreditava que fossem apenas lendas, são reais? Um mundo onde a Magia é real e rege a vida deles?
Mas o fato de não ter a menor esperança de voltar pra casa, para o mundo que eu conhecia e estava acostumada, o mundo ao qual eu pertencia, me fazia sentir como uma prisioneira aqui.
- Yuki!  - não consegui conter minha alegria ao vê-la entrar voando pela janela do meu quarto. Essa é uma das poucas coisas que eu gosto nesse mundo: minha mascote! Eu realmente a amo!
"- Você não deve se apegar tanto aos mascotes" - Kero havia dito - " Eles não são como os animais de estimação do seu mundo. Mascotes são essencialmente selvagens, e, a menos que ele se afeiçoe muito a você, ele pode fugir, ir embora, ou pode se perder, ser atacado..."  Mas era impossível não me apegar a ela.
Ainda era muito filhote, e muito fofa. Parecia um bichinho de pelúcia, branca, com listras douradas. Muito linda. Mexia contente as orelhinhas enquanto eu a acariciava, fechando os olhinhos e fazendo um doce barulhinho como de um bebê e enroscado-se no meu colo.
É uma Owlet, como dissera Kero, uma mascote das terras geladas do Norte, das Terras de Noel - sim, aprendi que a maioria das lendas de nosso mundo estão ligadas aos diversos povos de Eldarya. 
"Isso é formidável! É uma mascote muito rara!" - disse Kero, quando a viu: era a primeira vez que ele via um Owlet de perto. "Eles são muito orgulhosos, e não costumam deixar ninguém se aproximar, a menos que conquiste sua confiança. Mas se conquistá-la, ele se torna o mais fiel dos dos mascotes". Ela vai ficar bem grande e imponente, como um grande cavalo alado com bico de pássaro - como um hipogrifo, branco, com algumas listras douradas, como Kero me mostrara num dos livros da biblioteca sobre mascotes. Meu sonho sempre foi ter um hipogrifo!!!!
Eu tinha outros mascotes, e guardava todos os ovos com muito carinho, adorava todos eles! Mas Kero havia me dito que só podemos ter um mascote por vez, então mantenho os outros nos ovos, mas nunca me desfaria deles. Eu os amo e vou mantê-los comigo!
Não me agradava nem um pouco enviar um bebê tão pequeno em exploração, mas é obrigação de todos os membros da Guarda enviarem seus mascotes em busca das partes do Cristal, espalhados nos diversos cantos desse mundo. E, mesmo não trazendo partes do Cristal, os mascotes acabavam trazendo muitas coisas, algumas bem interessantes, que podemos usar, ou mesmo vender ou trocar.
"Não se preocupe tanto. Os mascotes sabem se defender, e nasceram para isso. É a função deles" - Kero tentava me tranquilizar.
Peguei algo que Yuki trouxera e me estendia com a patinha.
- O que temos aqui, menina? - peguei um pergaminho e uma pedra brilhante e vermelha.
O pergaminho emitia uma fraca e pálida luz azulada, mas aparentemente estava em branco. Conclui que deveria ser algum tipo de magia. Teria que leva-lo para Kero depois, e perguntar a ele para que serve essa pedra. Ainda não sei muita coisa a respeito desse mundo, e Kero me ajuda bastante nisso.
Yukina se enroscou no meu colo, e eu acariciei sua barriga, em agradecimento pelos "presentes".
- Ei! Também quero carinho assim!
Num impulso, arremessei um travesseiro contra ele - Então é assim que você recebe o seu chefe? - ele fingiu irritado, pegou o travesseiro e o cheirou - Seu cheiro é delicioso. Me abre o apetite! Mas ainda precisa de umas palmadas pra deixar de ser mal-criada! - ele ajeitou o tapa-olho, que saiu do lugar com  a travesseirada, passando a mão pelos cabelos negros.
Nevra.
Ele realmente me irrita!
Só porque é meu chefe, o Chefe da Guarda da Sombra, para a qual eu fui selecionada, ele acha que é meu dono, e que pode bancar o engraçadinho comigo.
- Só porque você tem a chave do meu quarto, não quer dizer que eu vou te deixar entrar aqui a hora que quiser, "chefe" - usei a palavra chefe com um tom irônico - E me devolva meu travesseiro!
- Pra começar, a porta estava aberta. E nada mais justo do que eu ter a chave, se fui eu que tive o trabalho de arruma-lo. E você podia ter pelo menos ter pedido por favor. Foi você que jogou o travesseiro, ele é meu agora!
- E você podia pelo menos aprender a bater na porta!
- Vim avisar que a Miiko pediu pra te chamar. - e me atirou o travesseiro de volta - Apronte-se e a encontre na Sala do Cristal.
Com um gemido, deixei-me cair na cama. Esse cara realmente mexia com os meus nervos! O simples fato de estar perto dele me deixava inquieta. Como se houvesse algo de perigoso nele, algo que me dizia para tomar cuidado e me afastar, mas... quanto mais eu tentava me manter longe, mais alguma coisa me levava em sua direção.
"Pára, Nick, você não tem tempo pra pensar nisso agora!" Estava mais preocupada com o que a Miiko queria comigo.
Yuki choramingou um pouco quando eu a tirei do meu colo, colocando-a na cama, e, num pulo, levantei, troquei de roupa o mais rápido que pude, e segui pelos corredores.
Não que eu estivesse ansiosa para ver a Poderosa Chefona da Guarda de Eel, mas sabia que não era legal - nem muito saudável pra mim - deixá-la de mau-humor.
E ela parecia estar sempre de mau-humor.
- Ahnnnn... Com licença, Miiko - bati timidamente na porta.
A Sala do Cristal foi a primeira coisa que vi nesse mundo, e cada vez que entro aqui, não deixo de me impressionar.
Um enorme Cristal, azulado e brilhante, mas que parecia conter todas as cores, luminosas, emanando-as por todo o ambiente, e espalhando-se, não só dentro da sala, mas além, como se irradiasse dali para todo aquele mundo. Mesmo sem saber muita coisa sobre Eldarya, e sobre o Cristal, podia sentir sua energia, e o Poder que emanava dele.
Eu sabia apenas que era a fonte de toda a magia que sustentava esse mundo estranho,e que, por algum motivo, por algum enorme poder, havia sido partido, espalhando seus pedaços  por todos os cantos desse mundo - e talvez até do meu, pelo que se sabe - enfraquecendo a Magia de Eldarya.
- Ah, você chegou - a voz de Miiko me despertou do meu "transe", e então me toquei que estava olhando fixamente para o Cristal, como se ele me hipnotizasse. Ele excercia esse poder sobre mim, desde que cheguei aqui. 
- Ikhar, leve-a para a Sala do Conselho da Guarda, e passe-lhe a missão. Leiftan e eu temos assuntos mais urgentes para discutir - ela parecia indiferente , mal olhou em minha direção, como se eu fosse alguém que ela era obrigada a suportar, assim como eu era obrigada a suportar esse mundo.
Leiftan, no entanto, era gentil, e sempre foi simpático comigo desde o início, diferente dos outros. Deu uma piscadinha em minha direção, com um sorriso leve e discreto, mas que seria capaz de derreter uma geleira e fazê-la sorrir de volta.
Mas mal tive tempo de retribuir. Ikhar, a brownie coelha, me puxou pra fora da sala 
- Ahn... A Miiko falou algo sobre uma missão para mim? - disse, assim que chegamos à Sala do Conselho, uma sala para reuniões oficiais da Guarda de Eel.
O chão era acarpetado e vermelho, as paredes cor de marfim, com detalhes dourados. Ao fundo, em um lugar de destaque, uma grande mesa de mármore, com uma cadeira imponente ao centro, pertencente à Miiko, e outras ao longo da mesa, para a Guarda Reluzente. 
Havia outras três mesas grandes, de madeira, dipostas paralelas, com cadeiras com estofados nas cores das respectivas Guardas - vermelha para a Obsidiana, verde para a Absinto e roxa para a minha, a Guarda da Sombra.
Como uma pequena afronta pessoal ao meu "amado e querido chefinho", sentei na cadeira do Nevra, à mesa da Reluzente, enquanto a Ihkar puxou  a ela, sentando de frente para mim. 
- Sim! Mas não se preocupe, não é nada de muito perigoso, afinal, esse kappa ainda é apenas um bebê que se perdeu. Não sabemos como ele pode ter vindo parar aqui, mas houve mais de um boato, e agora uma pessoa o viu, e garantiu que é verdade, embora ele tivesse fugido assim que o viram, afinal, ele é um kappa, e eles....
- Ei, Ihkar! Vai com calma! Explica devagar!
Ihkar é uma brownie, uma das raças de Eldarya, meio humanos, meio animais. Ela é meio coelha. Até que é fofinha, com suas orelhas enormes e sua carinha de boa moça.
Desde o teste de Ezarel, que, para a surpresa de todos - inclusive a minha, que não fazia a menor idéia - mostrou que eu tenho sangue faery - ou seja, sou em parte um dos seres mágicos de Eldarya - ficava me perguntando de que raça eu seria. De qualquer forma, eu não poderia ser uma brownie como a Ihkar, pois não havia crescido nenhum tipo de rabo, orelhas, bigodes ou chifres em mim - para a minha sorte! E a reação da poção em mim.... mostrou muito mais do que eles mesmos esperavam....
Ihkar era da Guarda Reluzente, a elite de comando da Guarda de Eel, e, ao contrário da Miiko, era uma das pessoa mais gentis que conheci por aqui - assim como o Kero e o Leiftan. Porém, Ihkar é um tanto "atrapalhada", e costuma falar muito rápido - o que não não é nada bom pra quem ainda está se acostumando com esse mundo.
- Bom, está bem - ela recomeçou - Há indícios de que há um bebê kappa na floresta. Ele deve estar perdido. E isso tem preocupado a Miiko, pois levamos muito tempo para alcançarmos a paz e a confiança do povo Kappa. Se um bebê deles está desaparecido aqui, eles podem achar que nós o sequestramos, e até começar uma guerra, e com o nosso poder enfraquecido como está... - ela então parou e me olhou, seu rosto corando - Ai, estou fazendo de novo. Desculpa! O que você entendeu?
- Um bebê kappa perdido na floresta pode começar uma guerra. 
- É basicamente isso!
- Mas... o que é um kappa?
- Ai, eu acabo esquecendo que você não é daqui! O povo kappa é um dos povos mais antigos de Eldarya. Um dos poucos que não se mistura com os outros povos, preferindo viver isolados em sua ilha na Costa de Jade, mantendo suas tradições milenares. Como um bebê deles, sozinho, veio parar aqui, é um mistério. E se não veio sozinho, e temos outro kappa, adulto, nas redondezas, vamos ter sérios problemas. A coisa será pior do que imaginamos!
- Tá, agora foca na missão, Ihkar. O que eu tenho que fazer? - Eu já estava ansiosa para minha primeira missão. Queria provar para todos, e esfregar na cara do Ezarel que eu não sou tão inútil como ele adora jogar na minha cara.
- A Miiko quer que você encontre esse kappa, e o traga até aqui, para que possamos devolvê-lo ao seu povo.
- Tudo bem... Não deve ser tão difícil... Se pelo menos eu soubesse como é um kappa...
- Bom, eu nunca vi um pessoalmente, mas já vi ilustrações em livros. Eles parecem uma tartaruga do seu mundo, mas andam sobre dois pés, têm uma espécie de recipiente com água na cabeça e têm um cheiro... hummmm... muito característico.
- Hummm, uma tartaruga fedorenta, que anda de pé... Não deve ser muito difícil reconhecer.
Ela pegou um livro que trazia consigo, e abriu em cima da mesa., me mostrando uma imagem de um kappa, explicando. 
- O difícil dessa missão é a floresta. Pode ser muito perigosa, principalmente para quem não conhece. Dependendo do lugar, tem bolsões de água de lete, areia rastejante, cavernas escondidas, entre outras coisas, isso pra não falar dos mascotes selvagens , outras criaturas ferozes, e você pode se perder, ou...
- Já sei! A Miiko quer se livrar de mim, e está tentando me matar!
- Não! Claro que não! - a coelhinha arregalou os olhos, espantada, não entendendo meu tom irônico - Ela jamais faria isso! - Ela realmente acreditou que eu falava sério.
- Por que eu então? Por que ela me escolheu pra missão?
- Para que você tivesse a sua primeira missão! Para que possa mostrar seu valor, e conquistar o respeito de toda a Guarda. Veja isso como um voto de confiança dela em você.
- É, se eu morrer, vou ter mesmo muito respeito....
O olhar dela me dizia que essa era uma possibilidade real, e vi que ela realmente sentia muito por isso.Nos fitamos por alguns instantes, enquanto ela pensava no que fazer, e eu rezava para que ela não visse a pontada de medo em meus olhos.
- Olha, você não precisa ir sozinha na floresta. Como é sua primeira missão externa, você pode pedir pra alguém ir com você.
- Ótimo! Vem comigo! Por favor..... 
- Eu... eu não posso... Bom, de qualquer jeito tenho muita coisa pra fazer na biblioteca... Mas... Vou ver se o Leiftan me libera pra ir com você... - ela não resistiu ao meu olhar de cachorrinho que caiu da mudança - Mas ele ainda deve estar em reunião com a Miiko, então...
- Você... e o Leiftan... - meu coração involuntariamente deu um salto, rejeitando a ideia de imaginá-lo com alguém que não fosse... Será que ele e a Ihkar... ou então ele e a Miiko...
- Ele é o meu superior direto, meu chefe na Guarda Reluzente.
- Pensei que fosse a Miiko.
- A Miiko é a Chefe dos chefes, está acima dele. O Leiftan é o segundo em comando. Eu não posso sair em missão sem a autorização dele, ou da própria Miiko. Mas vou falar com ele, e se ele deixar...
- Desculpa... Não sei se é certo te pedir pra se arriscar na floresta comigo.
- Não tem problema. Os brownies gostam da natureza. Na verdade, a maioria prefere viver no campo ou na floresta, nas partes seguras, é claro, embora eu tenha nascido na cidade. Vou checar se o Leiftan já terminou a reunião.
Cansada de esperar, depis de muitos minutos, resolvi procurar por ela.
BAM!
- Ai! - dei de cara com uma parede, ao sair da sala. Uma parede alta, com peitoral largo, e braços musculosos, que me seguraram, evitando que eu caísse.
- Ahn! Nick! Me desculpe! Eu não te vi! 
- Oi, Valkyon - eu tentava recuperar o fôlego, embora isso fosse uma missão quase impossível, com os braços do líder da Guarda Obsidiana ao meu redor.
- Onde vai, pequena Nick? - Ele era muito gentil, apesar de seu tamanho, e a maioria das pessoas pareciam "pequenas" perto dele.
- Procurando a Ihkar. Ela me deu minha primeira missão, e ficou de ver se poderia me acompanhar.
- Uma missão? Gostaria de poder me oferecer para acompanhar, mas infelizmente já tenho uma outra missão.
- O-obrigada, Valkyon ... Bom, sua missão deve ser um pouco mais importante e difícil que a minha! Já vai me ajudar muito se você souber onde está a Ihkar.
- Acabei de vê-la saindo da Sala do Cristal. Não parecia muito animada.
- Obrigada. Vou encontrá-la.  - me apressei pelos corredores, tentando disfarçar meu rosto vermelho. 
O grandão disse mesmo que queria ir comigo? Ele era realmente muito gentil, o mais gentil entre os Chefes das Guardas, mas... bom, era muito fechado e calado, não era de falar muito, então isso já foi um grande avanço - além do fato de que ele queria minha companhia - o que me fez me sentir menos "rejeitada", pela primeira vez desde que cheguei aqui.
Como ele não perguntou aqul era a minha missão, também não podia ter a cara-de-pau de perguntar qual era a dele, poderia ser alguma missão ultra-secreta para a Guarda, ou coisa parecida. Seja lá o que for, deveria ser mais importante que um kappa perdido na floresta.
- Ihkar! E aí, falou com ele?
- Falei, e nada feito. Tem muita coisa pra fazer na biblioteca, além de terminar de organizar muitos arquivos de missões. Mesmo com Kero ajudando, vamos levar tempo! Desculpe. Terá que ver com outra pessoa.
Puxa, eu não esperava por essa. Eu estava aqui a poucos dias - apesar de já parecer um século - eu não conhecia muita gente, na verdade ninguém além da Guarda Reluzente. 
- Perdida por aqui? - uma voz meio rouca sussurrou no meu ouvido, saindo do nada, fazendo meu corpo se eriçar.
- Aiii - por que ele faz isso? Ele deu um sorrisinho cínico - Pára com isso, Nevra! 
- Haha! Gosto de fazer você se arrepiar toda assim
- Não tem graça! Você ainda vai é me matar de susto. 
- O que está fazendo?
- No momento? Procurando alguém pra fazer uma missão comigo.
- Que missão?
- Ir até a floresta, procurar um kappa.
- Ah! O tal bebê kappa! 
- É. Não conheço a floresta, Ihkar disse que eu não devo ir lá sozinha.
- Pois eu estou louco pra me perder com você na floresta... - ele insinuou, me deixando vermelha.
- V-você não tem alguma outra missão? N-não quero atrapalhar...
- No momento, não. Posso ir com você, se quiser. Hummm... não precisa me olhar com essa cara desconfiada! Não vou fazer a gente se perder na floresta de propósito, não se preocupe... - ele esboçou um sorrisinho malicioso, mas logo depois ficou sério - Você quer que eu vá?
- Eu.... quero. - respondi, enfim.
- E o que eu ganho em troca? - affffs, eu devia ter imaginado!
- Bom, eu não sei... O que você iria querer - senti que tava dando corda pra enforcar!
- Eu vou te dizer, no momento certo... - ele chegou bem próximo, e disse quase num sussurro no meu ouvido. Eu ainda vou quebrar esses dentes dele!
A verdade é que Nevra me deixava inquieta. Desde a primeira vez que o vi. Cada vez que ele estava por perto, era como se houvesse um alerta ligado na minha cabeça apitando... como se chegar perto dele eu pudesse sentir uma descarga elétrica passando pelo meu corpo. Era estranho que eu me sentisse mais próxima dele do que de qualquer outro no QG.
Atravessamos os pátios do QG, chegando aos portões, partindo em direção à floresta. 
- Você parece bem animada! 
- Pra entrar numa floresta onde tudo vai querer me matar? Não muito. Mas com essa missão, vou ser útil pra alguma coisa.
- E você acha mesmo que essa missão vai te tornar útil? - ele riu. Não sabia como eu estava perto de socar a a cara dele!
- Eu sei que ainda vou ter que provar que mereço fazer parte da guarda, mas pelo menos não vou ficar de braços cruzados, parada, sem fazer nada.
- Já é uma excelente maneira de pensar. É o que eu exijo de todos os membros da minha Guarda.
- Seu tirano! - respondi, rindo
- Ei! Não sou um chefe tão mau assim, sou? - ele entrou na brincadeira - Só porque eu gosto da minha Guarda liderando o ranking sempre? Não gosto de perder!
Na verdade, isso mostrava um lado dele bem perfeccionista e competitivo. Não era à toa que era o líder da Guarda.
Nevra parecia estar atento a cada barulho, cada movimento, enquanto nos embrenhavamos cada vez mais na mata fechada. 
- Fique perto de mim - ele avisou, pondo-se um passo à frente, me puxando para trás de si, como se protegesse meu corpo com o seu. Entendi que ele captara alguma coisa com seu sentidos apurados de vampiro.
Sim, Nevra é um vampiro. Acho que isso explica o estado permanente de alerta que sinto ao seu lado, embora eu saiba que ele não me oferece perigo. 
No ponto em que estávamos, a floresta era bem densa, árvores enormes cujas copas bloqueavam a luz do sol, tornando o ambiente escuro, plantas gigantes completamente desconhecidas do meu mundo, e eu não sabia quais delas poderiam ser venenosas - ou pior, carnívoras! Tá certo que plantas carnívoras do meu mundo se alimentava de insetos, mas essas plantas daqui, bem poderiam engolir uma pessoa!
- Ei, fique atenta! - distraída, acabei esbarrando nele.
- Desculpe... estava perdida nos meus pensamentos.
- Deu pra perceber. Hummmm.. estava pensando em mim, eu espero - ele deu aquele sorriso de canto da boca que me fazia querer matá-lo
- Desculpe te decepcionar, mas não.- respondi, seca.
- È só uma questão de tempo! - como eu odeio quando ele faz isso!
Ainda andamos muito, sem achar nada.
- Onde será que está esse kappa? - eu já estava ficando preocupada.
- Você tem certeza que recebeu mesmo essa missão?
- Claro que tenho! O que quer dizer com isso?
- Não seria a primeira vez que alguém mente, pra ficar a sós comigo. Eu não gosto disso!
- Você tá brincando, né?
- Estou falando sério. - e o pior é que parecia, mesmo.
- Se eu quisesse ficar sozinha com você, eu teria pedido! 
- Você faria isso mesmo? - ele tentou segurar um risinho.
- Sim. Eu não sou de ficar enrolando. Se eu quero alguma coisa, vou atrás. E foi você que se ofereceu pra vir comigo!
Foi impressão minha, ou ele ficou vermelho? 1 x 0 pra mim! Consegui deixar ele sem graça!
Já estávamos quase desistindo e voltando, sem conseguir cumprir a missão. 
- O que faremos se não acharmos o kappa? - eu já estava exausta.
- Bom, eu posso pensar em mil coisas pra fazer com você no meio de uma floresta...
- Não ouse completar essa frase! - apontei o dedo na cara dele! - Vamos só procurar mais um pouco.
Até que, perto de uma clareira, ouvimos um barulho. Uma respiração forte, parecia de um animal muito grande, e um rosnado, que parecia ecoar por toda a floresta, seguido por outro som, mais alto e irritante, algo entre o guincho de um animalzinho e o choro de um bebê.
Nevra fez sinal pra eu me manter atrás dele e não fazer barulho, enquanto avançavamos alguns passos, contornando as árvores, até podermos ver a origem do barulho. 
Em uma árvore, há alguns metros de nós, um pequeno ser verde, com a aparência de uma tartaruga, escorava-se, assustado, encurralado por um enorme animal. Não tive dúvidas de que o pequeno era o kappa! Podíamos sentir o cheiro dali! 
O animal, uma espécie de cachorro gigante, mas parecia feito de uma névoa negra, com olhos enevoados, vermelhos e brilhantes como sangue gasoso, um deles parecendo vazado, como se a névoa escorresse pela lateral do olho. Algo naqueles olhos me fez paralizar de medo.
Ele rosnava para o pequeno kappa, farejando-o e raspando uma das patas no chão. Devia estar hesitando em se aproximar do kappa por causa do cheiro, muito forte por causa do medo.
Nevra estava bastante sério e tenso, e me puxou pra trás da árvore, para que o animal não nos visse.
- Fiquei aqui. Vou distraí-lo e tirá-lo dali, quando ele estiver longe você pega o kappa e corre o máximo que puder. - Nevra sussurrou, quase apenas movendo os lábios. - Acha que consegue?
Apenas fiz que sim com a cabeça, mas confesso que não sabia se ia conseguir me mexer.
Rápido como um raio, ele sacou duas adagas, saídas não sei de onde, e logo estava frente a frente com animal, encarando-o. O animal saltou para cima dele, mas Nevra jogou-se no chão para trás, rolando, deixando o animal passar por sobre ele, e chocar-se contra uma árvore. Mais enfurecido, o animal atacou novamente, e novamente Nevra esquivou-se, e correu em outra direção, fazendo-o persegui-lo.
Corri em direção ao kappa, mas quando fui pegá-lo, ele guinchou alto, assustado, e me mordeu! Por que ninguém avisou que ele mordia?
Tentou fugir, mas consegui pegá-lo, e o segurei no colo, enquanto ele se debatia, tentando escapar. Quando me virei para correr, vi aquele cão dos infernos já quase em cima de nós, tão perto que eu podia sentir seu bafo quente! O grito do kappa deve tê-lo atraído. 
Foi quando, saído não sei de onde, Nevra saltou, nos empurrando para o chão, nos protegendo com o próprio corpo, e atirou uma das adagas contra o animal, acertando seu pescoço, fazendo-o correr para longe, ganindo.
- Vamos, rápido! - ele estendeu sua mão, me puxando para levantar, e corremos, até estarmos longe o suficiente. Só quando paramos eu percebi que ele ainda segurava minha mão. Ele também percebeu, e disfarçou, largando-a e passando a mão pelo cabelo, um pouco sem graça.
- O-o que era aquilo?
- "Aquilo", pequena, é um blackdog, um dos animais mais perigosos desse mundo. Você foi muito corajosa! Mas é muito estranho encontrar um desses por aqui, e em plena luz do dia! Eles são animais mais noturnos, não se sentem bem durante o dia, e não costumam ficar muito perto de áreas habitadas, e mesmo estando na floresta, esse chegou perto demais. Isso não é normal. 
Nevra então se ofereceu para carregar o kappa, mas logo o pequeno tentou mordê-lo, querendo voltar pro meu colo 
- Bem bravinho, ele! Acho que gostou de você. Assim eu vou ficar com ciúmes, heim! - ele deu uma risadinha - Depois dessa missão, nós dois vamos precisar de um banho, estamos cheirando a kappa... - ele me deu uma olhada de cima a baixo  - .... se quiser, podemos tomar juntos.... - já falei que odeio esse sorriso malicioso dele? Fiquei vermelha - de raiva - e tive que torcer o meu fígado pra não atirar o kappa na cara dele.


E foi assim que, depois de uma semana presa nesse mundo maluco, eu consegui terminar minha primeira missão na Guarda de Eel, com elogios do "chefe", e a promessa de que ia falar bem de mim no relatório da missão. 
Apesar de estar aqui contra minha vontade, passei a sentir necessidade da aprovação deles, de ser reconhecida, de fazer tudo certo, de não ser mais visto como "a humana inútil", aquela que caiu nesse mundo de para-quedas, e não consegue se virar sozinha. 
Acho que esse kappa já foi um bom começo!
 


Notas Finais


Espero que tenham gostado.
Kissus! <3 <3 <3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...