História Minha vida depois de você... - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Palavras 4.257
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Uma intrusa em minha vida...


       

                  ~Louis W. King ~

 

-Louis? Louis?? -Ouvi uma voz me chamar, tirando-me de meus devaneios, só então notando ser Harry, meu melhor amigo.

    Harry Bass não é só meu melhor amigo, como também é meu braço direito aqui na empresa, a Waldorf Enterprises Holdings Inc. Somos a maior empresa de tecnologias e inovação do mercado, sendo uma das mais influentes atualmente e passando muitas multi-nacionais para trás, ocupando assim o topo da pirâmide na "cadeia alimentar". Todo esse sucesso devo a uma pessoa...

-Ham, desculpe...Eu estava distraído...

-Percebi. Ouviu o que falei? -Perguntou, sentando-se no sofá a minha frente. 

-Não. -Digo sincero, pondo mais gelo em meu uísque. 

-Falei se não esta muito cedo para beber. 

-Esta uma hora perfeitamente Agradável meu caro amigo. -Retruco, dando um gole ao me sentar em minha poltrona, relaxando. 

     Harry me olhou, fazendo um minuto de silencio ate enfim dizer o que parecia estar de fato o incomodando. 

-Estava a pensar no que estou pensando?? 

-Eu nao sei, me diga você o que esta pensando. -Dou de ombros, ajeitando-me em minha cadeira

-Eleanor, esta pensando nela...Você tem estado mais aéreo desde sua perda.  -Falou, parecendo hesitante em entrar no assunto. 

-E nao deveria estar? -Questiono, olhando para a aliança de Eleanor, posta em minha mesa algumas semanas atras. 


   Eleanor foi a mulher de minha vida, a única com quem realmente pensei em construir uma família e passar o resto dessa minha miserável vida. Ela era uma mulher linda, doce, meiga, inteligente, forte, e muito generosa. Ela sempre gostou de ajudar pessoas e a convivência, e influência com ela, me fizeram adquirir o mesmo amor. 

    Ela morreu ja faz quase um ano, um acidente horrível de carro numa noite fria e repleta de neve. Devido a escuridão, e a neve que tornava as ruas irreconhecíveis, seu carro ficou preso na estrada. E antes mesmo que ela tivesse a chance de pedir ajuda, um caminhão se chocou contra seu carro, transformando-o apenas em um grande pedaço de lata amassado e fazendo assim Eleanor não resistir aos ferimentos. Esse é um dos motivos por eu odiar Natal, por eu odiar dezembro e qualquer tipo de comemoração que venha junto a esse mês . 

    E adivinhem? Estamos no inicio de dezembro, mês de natal, e o frio aqui em NY nessa época do ano é gritante. O clima aqui em NY no mês de Dezembro corresponde ao ápice do inverno nos Estados Unidos. As temperaturas são as mais baixas do ano, podendo chegar a 5 graus negativos, com sensação térmica ainda mais baixa. Perdi a conta de quantos casacos tive que vestir essa manhã antes de sair de casa, me perguntando mentalmente se existia alguma possibilidade de ficar em casa ou ir para a mesma mais cedo. Ao menos essa manhã não nevou...O que já ajuda bastante no trânsito, que é um inferno todos os dias, independentemente das estações.  


-Eu sei que é difícil...Estamos em um mês difícil. O mês onde tudo aconteceu...Mas você tem que ser forte Louis, você precisa superar. Já faz um Ano! E se você aguentou um ano...Você sobrevive a mais. Era isso que ela iria querer se estivesse aqui...Que você vivesse. 

    O olho

-Eu estou vivendo. -Rebato

-Não, não esta não. O que você esta fazendo é se afundar no luto, nas bebidas, no cigarro, e em transar com mulheres das quais você não sabe nem quem são e muito menos quais seus nomes...O Louis que eu conheci, ele vivia. Ele se divertia, ele viajava, ele tinha uma vida social, ele apreciava as coisas simples da vida como tomar um simples cafe com velhos amigos. 

-Não começa com a lição de moral Harry. 

-Louis, é natal. Tem Música, festas, cores. NY esta tomada por cultura, turistas e o espírito natalino, nunca se sabe o que se pode encontrar na próxima esquina. 

-Um bom bar, . -Digo pensativo e Harry revira os olhos

-Vamos la, levanta essa bunda dai vai. 

-Ainda não é hora de almoço Harry,e ta um frio do caramba la fora. Nem pensar que sairei daqui para o que quer que seja nesse tempo, por mim nem de casa teria saído hoje. -Falo, virando de uma vez o restante de meu uísque, deixando o copo de lado

   Ele abriu a boca para dizer algo mas nesse exato momento ouve uma leve batida na porta e Rachel, minha secretária, a abriu em seguida. Rachel é uma mulher muito bonita, tendo não só os padrões de beleza impostos pela mídia, como também fazia o tipo da empresa. Todas as mulheres que passam por essa empresa são selecionadas e escolhidas, todas tendo não só uma ótima aparência, como também ótimos currículos e uma beleza de dar inveja a qualquer modelo da Victória's Secret. E eu sei disso porque conheço modelos da VS, são rostos de muitos outdoors e capas de revistas renomadas da Moda em NY. 

    Rachel é jovem, magra, cabelos longos e loiros, e de lindos olhos castanho-esverdeados. Ela esta sempre elegante e bem arrumada, na maioria das vezes usando saltos tão altos que até uma Drag Queen duvidaria de sua própria capacidade em andar neles. Ela sorriu ao abrir a porta, pedindo licença antes de entrar e anunciar o que a trouxe a minha sala. 

-S.r King, o senhor tem visitas. 

-Visitas? Não lembro-me de ter agendado nada, muito menos de estar esperando por alguém. Tem certeza que é para mim?? 

- Ela foi bem clara quando disse que queria falar com você. Disse que se chamava Amélia Humphrey e que não sairia daqui ate ser atendida. Ela esta com um bebê nos braços..

  Olho para Harry, que me lança um olhar curioso.

-Só me faltava essa agora. -Digo, ja imaginando que deveria ser algum tipo de mae reclamona e insatisfeita com os serviços dos nossos eletrônicos. Sempre tem umas, e nesses casos, elas realmente não saem ate de fato serem atendidas com todo o direito da boa recepção. - Peça para entrar. -Digo, e assim que Rachel se retira, Harry levanta-se do sofá, ajeitando sua gravata. 

-Acho que essa é minha Deicha. Vou nessa, depois me conte como foi. -Fala, dirigindo-se a porta. Apenas assinto, o observando. 

  Harry para na porta e chama minha atenção ao estalar os dedos, lançando-me um olhar de reprovação. 

-E lembre-se, animação! -Brinca ao piscar rapidamente e me lançar um sorriso, saindo de minha sala.

   Suspiro e ajeito minha mesa, distraído enquanto espero pela mulher. Não demorou muito ate a mesma aparecer, segurando um bebe nos braços, ficando próximo a porta que agora Rachel fechou para nos dar um pouco mais de privacidade. 

    Aparentemente o bebe era uma menina, e a moça que o segurava aparentava ser jovem, talvez até mais do que Rachel. Ela era baixa, cabelos castanho-claros e dedos tão delicados que mal pareciam ser capazes de ter firmeza suficiente para segurar aquela criança. Ela usava tantos casacos que nem sei dizer sua forma ideal, o rosto parecia um pouco inchado mas a considerar a delicadeza em suas maças e a grossura de seus dedos, ela não devia pesar tanto. Sua pele parecia meio pálida, talvez fosse o frio. Ela parecia estar um pouco assustada, e eu precisei dar inicio ao dialogo para saber o que de fato aquela mulher queria.

-E então, S.ra Humphrey não é? 

-Sim..-Assentiu, lançando-me um olhar desconfiado.

-Algum problema? Algo em que posso ajuda-la? 

-Não...Quer dizer, na verdade sim. -Disse, com uma voz confusa e impaciente. 

   Ela tinha um tom de voz doce e calmo, juntamente com um sotaque bem forte e, claramente, britânico. 

-Seja clara, e se não lhe for muito incomodo eu gostaria que fosse o mais breve possível em seu assunto, tenho um dia cheio hoje e esse é o único momento de folga que tive até então.

   Ela me lançou um olhar indignado, como se parecendo levar meu comentário como uma grosseria e não como algo justificável. Em seguida, ela ajeitou a criança nos braços, passando-a para o braço desocupado. Imagino que deva ser porque o que a segurava ja estava a doer. 

-Bem, eu não sei por onde começar. -Falou, abaixando o olhar, e pude ver suas bochechas ficarem levemente avermelhadas. 

-Talvez pelo começo, ja seria uma boa forma. -Dou de ombros, a fitando, cruzando meus braços ao me encostar em minha mesa. 

   Ela suspirou e então pude ver a pequena criança se remexer em seus braços, com resmungos baixos de alguém que queria algo. Ela balançou a bebe, tentando acalma-la, e em seguida com a mão livre pôs em sua boca uma chupeta. 

   Ela parecia ter prática com a pequena, e acima de tudo, muita paciência. Ela me fez lembrar minha mãe, quando minhas irmãs eram pequenas. Minha mae também era jovem, e elas estavam sempre a consumir tanto dela, e ainda assim ela estava ali, firme, forte, e sempre as dando todo suporte e amor necessários. As vezes me perguntava de onde ela tirava forças, pois seu desgaste e seu cansaço eram notáveis. Esperei, e assim que a bebe se acalmou, ela me olhou, agora com uma expressão mais séria e dura. 

-Bem, ja que você esta sendo tão direto,  eu acho que é melhor eu também ir direto ao ponto. -Falou firmemente, agora com seu tom de voz um pouco mais elevado, de forma que a ouvia perfeitamente bem de minha mesa. 

  Levou um minuto, mas as palavras saíram de sua boca tão rápidas que até mesmo eu tive dificuldade em assimila-las. 

-Essa criança é sua S.r King. -Anunciou ela, engolindo a seco, com o medo visível nos olhos.

    Apenas a fitei, tentando me lembrar se ter dormido com ela alguma vez em minha vida recentemente. 

-Meu? Olha eu sinceramente nao me lembro de ter transado com você, desculpe...Até porque, -A olho de cima a baixo, vendo o quão desarrumada e fora de meus padrões de beleza ela era- Você não faz muito o meu tipo. -Arqueio a sobrancelha, lhe jogando a real. 

    Não que ela não fosse bonita, e creio que tem muitos que concordariam com isso, mas considerando as poucas mulheres que tive em minha vida, ela com certeza não fazia o meu tipo e nem seria o tipo da qual eu olharia numa festa a noite. 

-É claro que nao. - A ouvi dizer, mais consigo mesma do que para mim especificamente. 

    Ela voltou seus olhos para mim e deu alguns passos em minha direção ate ficar próxima o suficiente. Foi ao olhar bem para ela que pude ver a cor de seus olhos, eram de um verde esmeralda, parecendo ficarem mais vivos à luz do dia. Seus lábios eram pequenos e carnudos, e o pouco inchaço de seu rosto não tirava a beleza natural dele. Era um rosto diferente desses que se esta acostumado a ver em capas de revistas e televisões, alias, era diferente de qualquer um que eu ja tenha visto. Era um diferencial que minha empresa não tinha, com traços longe de serem americanos, ingleses ou qualquer outra coisa associada e do tipo. 

-Essa bebê é sua. E tenho a mais plena e absoluta certeza disso. 

   A olho nos olhos, sendo atingido por suas palavras, por um instante sentindo algo tomar meu peito, aquecendo-o e ao mesmo tempo o paralisando. Soltei o ar que segurava discretamente, e sem tirar os olhos dela, não pude conter a vontade imensa que tive de rir. Comecei a rir, tive até que ir me sentar para não mijar de tanto dar risada. Eu literalmente comecei a gargalhar de tão hilário que estava sendo aquela cena.

-Você, você esta rindo? -Perguntou ela, vacilando nas palavras, parecendo ser pega de surpresa. 

-É claro que estou, isso é sem duvida a coisa mais engraçada que ouvi hoje. 

-Isso não é engraçado, estou a falar sério...

-É claro que esta...-Tento me controlar, a olhando- Estou ansioso para ouvir sua história. -Digo, limpando a lagrimas que se formaram em meu rosto com as risadas. 

-Eleanor Watterson. Esse nome lhe parece familiar? -Ela pergunta, congelando-me ali de imediato. Aquilo pareceu a dar confiança para continuar- Eu sei que a conhece, ela era sua mulher né?...Eu sei da historia. 

-É claro que sabe...Qualquer um sabe, principalmente pessoas como você. O que quer? -Endureço-me

-Pessoas como eu??

-Golpistas. 

-Gospista?? Você nem ao menos me ouviu para deduzir isso. 

-E nem preciso. Agora, se era só isso, pode ir! -A indico a porta

-Nao! Você ainda não me ouviu e só sairei daqui quando você escutar tudo o que tenho a dizer...

-Se não sair eu chamarei os seguranças e..

-Que chame então. Mas primeiro ira me escutar. 

-É muita ousadia sua vir aqui e ainda se achar no direito de me exigir algo. 

-Escuta, acha mesmo que eu queria estar aqui?? 

-E o que mudou??

-Eleanor mudou. Eleanor me mudou no momento em que apareceu na minha vida. 

   A olho, negando comigo mesmo. Como ela tem coragem?? Decidi ver até onde ela seria capaz de ir. 

-Ok então, me conte sua história. Me conte como essa menina pode ser minha filha?? 

-Tudo o que sei, pelo o que a própria Eleanor me disse, é que ela tentava engravidar ha tempos. Eu tinha perdido um filho havia uns meses e tive medo que isso pudesse de alguma forma ter afetado minhas chances de um dia ser mãe novamente, foi ai que decidi procurar a D.ra Stevens. Nesse dia Eleanor estava la, e começamos a conversar na sala de espera, eu nem sabia quem ela era para ser sincera. Ela foi tão gentil comigo, simpatizamos logo de cara uma com a outra e quando dei por mim, estávamos a nos ver muito mais que no consultório. Saíamos para tomar cafe, conversávamos sobre nossas vidas....

- E por quê será que ela nunca me falou de você? -Questiono curioso e debochado

-Eu não sei... Bem, após um tempo estando a fazer consultas constantes, a se submeter a uma serie de exames e tratamentos, você mesmo sabe disso, ela desistiu de engravidar. Ela me disse que havia cansado, pois sua ultima tentativa tinha sido uma inseminação artificial falha...-Contou ela, com o olhar distante.

   Cada palavra que ela dizia, cada frase, me fazia lembrar de Eleanor e desses momentos. Ela era jovem e ainda tinha tanto o que viver, no entanto ja fazia um bom tempo que tentávamos um filho e que ela queria me dar isso, essa era uma cobrança diária que ela estava sempre a lembrar e a fazer a si mesma, como se aquilo fosse uma obrigação dela como mulher e ser humano. 

    Eu não sei o que era, se era algum tipo de pressentimento ou necessidade Feminina, mas ela queria e ansiava tanto por isso. Ela botava tanta esperança, se agarrava a elas tanto e de tal maneira, que quando não acontecia isso a destruía. Ela sempre achou que precisava me dar um filho de qualquer maneira, chegou a me prometer que faria isso acontecer nem que fosse seu ultimo ato. Ela sofreu muito com isso, e eu sofria também. Não por não ser pai, mas por ela, por ver sua angustia, sua tristeza, sua dor. Por presenciar seu estado todas as vezes que chegávamos do medico com resultados negativos em mãos. Isso a frustrava, e me frustava ainda mais. Foram exames e exames, gastos em tantos tratamentos ... 

-E então, qual foi o golpe que você decidiu dar em minha esposa? 

-Eu não dei golpe algum...Ela me contou que acreditava ser ela o problema. Disse que vocês dois fizeram exames, e os seus resultados estavam normais. Então não era você que não podia dar filhos a ela e sim o contrario...Das poucas vezes que nos encontramos nunca a vi tão triste como naquele dia...-Ela suspirou e deu continuidade- Conversamos sobre muitas coisas, e quando eu disse que meus resultados tinham saído e que tudo estava bem comigo, pareceu que algo lhe passou pela cabeça.

-Como assim?? -A olho

-Ela queria que eu fosse a mãe do filho dela. Eu achei aquilo um absurdo quando as palavras saíram de sua boca, até estranho, e também nem trabalho eu tinha na Época. Ela me disse que daria um jeito de conseguir seu esperma... Ela me falou que seria inserido em mim e caso tudo desse certo, eu logo logo estaria gravida e teria todo apoio financeiro necessário.

-É claro, dinheiro. Agora entendo suas motivações para aceitar essa proposta, como não pensei nisso. 

-Nao! Eu não aceitei seu dinheiro, é a ultima coisa que eu queria. De inicio eu não aceitei a proposta, mas quando ela me pediu uma segunda vez, tão suplicante e exausta, eu vi o quão importante aquilo era pra ela. Foi estranho de inicio, ate mesmo para contar a minha família, mas decidi aceitar. Fomos ate a D.ra Stevens, e a mesma pode lhe confirmar isso. Eu Mostrei meus exames para ela, estava tudo certo, e então Eleanor lhe contou de sua ideia, o que a mesma hesitou em aceitar mas acabou concordando. Fizemos todo o procedimento, e esperei os 40 minutos, depois fui para minha casa e...

-Espera...Ta me dizendo que a D.r Stevens concordou em colocar meu esperma em você, com a autorização da minha mulher?? 

-Eu sei que parece loucura mas é, é isso....Depois do procedimento fomos para nossas casas. Estávamos sempre a manter contato, e no inicio de janeiro ela ja não mandava mais nada por celular. Imaginei que ela talvez estivesse esperando algumas semanas pra poder ver se havia funcionado, se os primeiros sintomas ja começavam a aparecer....Mas nada. No final de janeiro eu ja tinha a certeza que havia dado certo. Ja estava a sentir enjoos, desejos, e cheguei a fazer alguns testes de farmácia. Dois deram positivo e um negativo. E antes de tomar qualquer decisão sobre o exame de sangue, decidi contata-la. Foi então que soube da notícia de sua morte...E aquilo me abalou tanto...Ainda abala.. -Suspirou

   Passo as mãos no cabelo, sem acreditar. 

-Sabe o que me cisma nisso tudo? É você me aparecer agora com essa criança, trazendo essa historia toda a tona! -Cruzo os braços novamente, me recostando em minha cadeira 

-Ela esta com 3 meses agora...Se for contar do tempo em que sua esposa morreu, as coisas batem...

-3 meses?? Esperou 12 meses pra vir me contar dessa bebe? 

-Eu nem ia procura-lo, não sabia nem como ou com que cara faria isso... Criaria ela sozinha. Com todo apoio, carinho, e amor que ela recebe de mim e de seus avós. Mas...Não seria justo com ela, e nem com você. Prometi a Eleanor que a daria esse filho e realizaria o seu sonho...Seria estar quebrando uma promessa a alguém  que foi tão especial e importante pra mim. 

-Importante?? Importante por quê? Se conheceram tão pouco. -Desdenho

-É verdade, mas ela me ajudou muito ja....Ela dizia que eu também estava sendo importante para ela. E disse que esse aqui,  -Falou ela, olhando para a bebe que agora dormia em seus braços- Seria o seu presente de natal. -Continuou, voltando seu olhar para mim. 

-Por isso esperou quase um ano para vir aqui me dar esse "presente?"

-Não fala assim...Nem faça isso. Não é o que ela iria querer...

-Não me diga o que ela iria querer porque eu sei muito bem o que ela iria querer. Ela iria querer você FORA DESSA SALA, ela ia querer você bem longe desse prédio e de toda essa mentira e sujeirada podre que você criou para se dar bem  -Me exalto, falando alto, e acabando por acordar a criança em seu colo, fazendo a moça dar um pulo para trás com o susto do meu ato. 

   A bebe começou a chorar e o desespero naquela mulher era visível. Ela balançava e tentava acalmar a criança como uma médica tentando segurar um coração pulsando em mãos. Eu vi seus olhos encherem-se d'agua enquanto suas bochechas se avermelhavam. Ela parecia preocupada, e agora, Brava. A bebe não parava de chorar, aumentando o alcance de seu choro a cada lagrima derramada. 

-Escuta aqui seu empresário de merda,  eu não vim ate aqui pra ficar ouvindo desaforo seu nao e muito menos ficar levando patada sua, com você me acusando e me dizendo o que não sabe. Ela é sua filha SIM, queira você ou não. E eu não vim aqui pedindo apenas seu reconhecimento como pai mas também lhe comunicar da existência dela, não quero seu dinheiro, fique com ele e o use de papel higiênico se quiser. 

-Por favor saia ou chamarei os seguranças. -Digo, perdendo a paciência 

-Eu vou...Não precisa pedir duas vezes. Mas só quero que saiba que ela é uma garota linda e você esta perdendo uma grande e incrível oportunidade...-Falou séria, a me encarar com ódio nos olhos, pegando a bolsa da bebe com a mão livre e se encaminhando a porta. Ela saiu batendo a mesma, com tal força que achei que fosse quebra- la, com o choro da bebe ficando cada vez mais distante, até sumir.


   Bufo, só então podendo respirar novamente. Como isso podia estar acontecendo?? É loucura...

  Ando de um lado a outro de minha sala, sentindo que poderia ter um colapso nervoso a qualquer momento. Me sirvo de mais uma dose de uísque, dessa vez com muito gelo, o virando de uma vez na boca. Pego o telefone, discando o numero do andar de Harry, sendo atendido por sua secretaria. 

-Sim? 

-Isabel, é o Louis. Chame o Harry para mim, quero ele em minha sala agora! -Digo, desligando sem esperar por uma resposta. 


...........

 

-O quê? Isso é Loucura! 

-Eu sei, mas foi o que ela disse. 

-E você?

-É claro que eu não acreditei, eu não acreditei em nada do que aquela mulher me falou. Mandei ela sair de minha sala, não iria cair em seu golpe. Imagina, eu pai de um filho de uma desconhecida, a mando da minha esposa ja falecida que nem esta aqui para se defender??....-Digo rápido, tentando me acalmar enquanto ando pela sala

   Harry apenas ficava me observando com aquele olhar que eu conhecia bem.

-Não. Não me olhe assim! -O repreendo

-Eu também acho que isso é loucura...Mas acharia mais loucura ainda você não tirar essa historia a limpo. Sabe, existem exames de DNA que podem comprovar essa historia, porque se ela for verdade, então meus parabéns meu amigo, você é Pai. 

-Não Harry, não acredito que esta me dizendo isso. Esta mesmo me aconselhando que eu de ouvidos a essa mulher? 

-E por quê nao? 

-Porque ela esta claramente mentindo. 

-E se não estiver? Não é porque Eleanor nunca a mencionou, que isso quer dizer que essa historia nunca existiu. Nem tudo Eleanor lhe contava! 

-O que? O que quer dizer com isso? 

-Nada...Nada. Só o que eu quero dizer, é que você nunca vai saber se não tentar. E se ela for mesmo sua filha? Ja parou para pensar que você estará virando as costas pra única herdeira existente de tudo isso aqui?! A única que você conseguiu colocar no mundo!? Eu acho que você deveria dar uma chance a essa desconhecida e fazer o teste. Se der positivo, ótimo, ela terá provado isso. Se não, você terá provado que estava certo, e ai, é cada um pro seu lado. 

-O que ela quer é dinheiro, ibope. Seus 2 minutinhos de fama como todos sempre querem! Imagina o que ela nao teria de revistas e sites de fofoca atras dela depois que essa "historia" viesse a tona?  Eu não tenho uma sensação boa quanto a isso! 

- Louis nem sempre estamos certos e nem com a razão, aprenda isso. As vezes precisamos nos calar e aprender a ouvir, coisa que você não tem feito muito ultimamente. -Soltou. Levantando-se e pegando seu casaco, dando um ultimo gole em seu Martini e o vestindo. -Se me der licença, acabo de marcar um almoço com a recepcionista nova. Fico te devendo essa. -Concluiu ao por seu cachecol, referindo-se ao nosso almoço. 

  Harry saiu de minha sala, deixando-me novamente sozinho com meus próprios pensamentos. Ele estava certo mas ao mesmo tempo...Isso me receava. Eu sinto que independente do que for, isso não mudará meus sentimentos. E muito menos o que penso sobre aquela desconhecia. Pego meu celular, ligando para Liam, meu advogado. Sei que ele estava de ferias e a curtir sua recém-esposa, mas ainda assim ele era o único em quem eu podia confiar para isso. 

-alô? -Falou ao atender na quinta chamada, com uma voz rouca de sono

-Ei Liam, sou eu, Louis. Desculpe ter te acordado, imagino que esteja aproveitando bem suas ferias. -Comento. Sentindo uma pontada de inveja dele, nem sei qual foi a ultima vez que tirei ferias. 

-Ah não tudo bem, pode dizer. O que houve, aconteceu alguma coisa? 

-Aconteceu mas é uma longa historia. Preciso que você me faça uma ficha completa de uma pessoa. Quero saber tudo sobre ela; Quem é, de Onde veio, o que faz, onde mora, escolas onde ja estudou, Viagens que ja fez, parentes mais próximos. Tudo! 

-Certo...E de quem estamos falando exatamente? -Perguntou, e logo um barulho de porta fechando-se foi ouvido do outro lado da linha, imagino que ele devia ter ido para um lugar mais reservado para poder falar. 

   Liam sempre foi assim, reservado e discreto. E isso era uma das coisas que eu mais gostava nele, porque era isso que o tornava um dos melhores advogados de NY!  

-Amélia Humphrey -Anuncio o nome, olhando a vista de toda NY que tinha bem ali em minha sala, no andar mais alto de meu prédio. Me perguntando mentalmente em que lugar dessa cidade aquela mulher devia se esconder.



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