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História Minhas Constelações - Capítulo 28


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Notas do Autor


Boa leitura ❤️

Capítulo 28 - Inesperado


Fanfic / Fanfiction Minhas Constelações - Capítulo 28 - Inesperado

"A única maneira de nos livrarmos da tentação é ceder a ela." – Oscar Wilde

Aurora Grace

Nova York – Dia Seguinte

Estamos próximos o suficiente para que eu possa sentir nossa nudez.

E tudo se torna muito constrangedor mas, a pior parte é não me lembrar como fui parar ali ou quem é o cara acariciando minha cintura de um jeito afetuoso.

De repente, o cenário muda e eu estou embaixo de um corpo sarado e suado, a luz é fraca e por isso não consigo enxergar com clareza o rosto próximo ao meu.

Quero me afastar e empurra-lo para longe mas meu corpo se nega a obedecer os comandos do meu cérebro.

Estou assustada e percebo que as minhas tentativas de gritar são falhas pois não tenho voz.

Então sinto-o dentro de mim e tudo muda.

Penso em recuar e, novamente, meu corpo se nega por conta da sensação que o toque me causa e nada importa mais 

Me sinto completa.

Mas isso muda quando o cara se afasta e me olha nos olhos.

Então eu despenco.

E acordo num pulo.

 — Era um sonho… – arfo, me sentando para tentar absorver a situação mas a única coisa que me atinge além da noção é uma dor horrível na cabeça

  Posso a mão nos meus fios desgrenhados e esfrego o resto, sentido-me febril, vou até o banheiro com intenção de tomar um banho quente para me livrar de qualquer vestígio e sensação que a noite anterior deixou.

inda faltava algum tempo para o despertador tocar, sendo assim, envolvida por um roupão azul preparei um café da manhã reforçado e arrumei a mesa com o jarro de rosas artificiais que costumava ficar na estante. A mãe de Mackenzie iria chegar em algumas horas e provavelmente estaria faminta, portanto, adiantei tudo já que não teria muita tempo para servi-la e papear.

  Enquanto esperava os ovos fritarem, dei uma olhadinha no celular e vi que haviam algumas mensagens de Mack me lembrando o horário de ir para o aeroporto. Stuart havia me mandado um áudio de boa noite bêbado e Justin perguntou se poderíamos almoçar juntos hoje.

   Enquanto respondia o loiro, me senti envergonhada e tive vontade de rir pelo sonho totalmente aleatório que tive com o mesmo. Quer dizer, era estranho pois parecia muito real e ao mesmo tempo impossível, completamente sem cabimento. Esperava não me lembrar quando o visse mais tarde.

 Um tempo depois, totalmente agasalhada peguei um táxi até aeroporto JFK na esperança de chegar lá um pouquinho antes que o avião da Sra. Young pois se não me falha a memória, ela era um tanto quanto impaciente e certamente não esperaria por mim. Nova York é uma cidade muito grande e Mackenzie me mataria se soubesse que sua mãe está rodando por aí.

Por sorte, a encontrei um pouco distante dos portões de desembarque e ela mexia no celular com o cenho franzido. Depois de um abraço caloroso e elogios femininos, eu a levei para casa enquanto respondia algumas perguntas sobre a cidade.

— E a Mackenzie, como ela está? – Sra. Young perguntou enquanto eu arrastava sua mala para dentro do prédio

— Ah, a senhora sabe como ela é. Não demonstra o que sente até transbordar, mas, no geral ela está bem e tentando superar a perda. Todos nós sentimos muito mesmo.

  A mãe de minha melhor amiga mexeu no cabeloe me olhou com uma expressão confusa, como se tentasse se lembra de algo.

Perda? – congelei, flagrada e sem saber o que falar. Seus olhos castanhos me analisaram por um bom tempo a espera de uma resposta mas eu não consigo dizer nada

  Quando soube que ela viria pensei que fosse por estar preocupada com a filha por conta do que aconteceu, mas no momento, diante do olhar perdido, percebi que ela não tinha noção do que aconteceu.

— Do que está falando, querida? – ela piscou, sorrindo quando entramos no elevador e eu senti meu coração acelerar por conta do nervosismo de não saber o que falar sem ferrar com Mack

— Acho que ela contará a senhora quando chegar. – engoli a seco, exibindo um sorriso amarelo e ela concordou desconfiada. 

— Bom, nós teremos muitos tempo pra conversar nessa semana que eu ficarei aqui.


(...)

— Que bola fora! – Stuart cobriu a boca, chocado e achando graça da minha indiscrição — Ela vai ficar furiosa.

— E com razão. – crispei os lábios continuando a grampear os documentos organizados em cima da mesa — Mas ainda bem que não falei a palavra "bebê", seria capaz dela ir até ao hospital  para tirar satisfação com a Mackenzie e aí sim o negócio iria ficar feio.

Stuart concordou, o canto dos lábios curvados enquanto me olhava.

— Mas assim, você ainda está muito ferrada. – provocou e eu lhe lancei um olhar cansado

— Não precisa ficar me lembrando. – fiz bico e ele soltou uma risada que foi interrompida pela presença pesada da minha chefe

— Eu não pago vocês pra ficarem aí batendo papinho. – engoli a seco, encolhendo os ombros diante do seu olhar duro e acusador — Quero uma resposta do Ravi sobre o contato do designer de interiores que ele ficou de me passar.

— Sim senhora. – concordei pegando o celular e ela se retirou com uma expressão impaciente

— Um dia essa mulher ainda me mata do coração. – Stuart sussurrou, o rosto vermelho pelo susto e eu ri enquanto ligava para o escritório de Ravi, pedindo aos deuses que ele estivesse disponível ao menos dessa vez

  Sra. Oberlin iria redecorar todo seu apartamento e se as coisas continuassem acontecendo com aquela velocidade eu enlouqueceria.

— Desculpa a demora. – desabei em cima do banco com as sacolas em meus braços e soltei o ar preso em meus pulmões — Achei que esse fosse mais perto de onde eu estava.

— Tudo bem. – Justin riu da forma afobada em que eu falava e arrumava as coisas que havia comprado — Pensei em pedirmos o especial do dia. 

— Não, não. – lambi meus lábios secos, olhando ao redor — A graça de vim aqui é que podemos montar nossos lanches, mas se não estiver afim eu posso fazer o seu.

— Só você pra ficar animada com esse tipo de coisa. – ele rolou os olhos rindo — Eu só espero que você seja boa em combinar sabores.

— Querido…. – ergui meu corpo, pronta pra ir até o balcão — Eu sou boa em muitas coisas e combinar sabores é só mais uma delas.

  Justin se inclinou sobre a mesa quando eu me afastei, um sorriso desafiador enquanto seus olhos transbordavam humor.

— Aposto que sim.

...

— E aí, o que achou? – encarei Justin com espectativa enquanto ele experimentava o lanche com um olhar crítico

— Hum...– ele passou o guardanapo na boca e analisou aquela gostosura — Não está tão ruim assim, talvez se tivesse picles….

— Ah qual é! – joguei um canudo em seu rosto — Você nem gostava de picles a um minuto atrás e agora está aí, criticando minha habilidade de montar lanches deliciosos.

— Você só escolheu os ingredientes Aurora. – apontou

— Tanto faz. – fiz bico e comecei a comer em silêncio, espiando-o a espera de uma expressão satisfeita, mas ele segurou só para provocar.

Quando terminamos a refeição, conversamos por um tempo até ele dizer que tinha algo que gostaria que eu visse.

— E o que é? – esfreguei a sobrancelha, me inclinando de curiosidade

— É só uma coisa boba que eu faço no tempo livre. — deu de ombros brincando com meus dedos da mão — Talvez você possa ir lá hoje a noite.

— Então é um lugar… – concluí,  lembrando do último que ele me levou — É tipo Lugar nenhum?

— Não. – ele franziu o cenho — É diferente, mas tão especial quanto.

— Tudo bem então, estou ansiosa para ver o que é. —  sorri apoiando o queixo na mão

~

Minhas costas ardiam e caminhar só tornava tudo mais doloroso. Eu queria meu quarto, minha cama e um bom chocolate quente mas por pura  curiosidade — e talvez, só talvez, fosse uma tentativa de evitar Mack e sua mãe desconfiada — optei por subir três lances de escadas usando botas com salto.

— Acho bom valer a pena. – resmunguei quando Justin abriu a porta — O elevador estava em manutenção e tive que vim de escadas.

Ele abriu um sorriso divertido, me olhando dos pés a cabeça.

— Não vai me convidar pra entrar? Estou com frio. – incentivei, fazendo careta e tentei espiar o que ele escondia lá dentro antes de me deixar entrar

Era um apartamento rústico e chique — tudo ao mesmo tempo — não era muito a cara dele mas Justin Bieber tinha muitas personalidades e todos os quadros encostados pela sala me fez perceber que eu não conhecia nem a metade.

A única coisa que parecia estar fora do lugar era a samambaia próxima da lareira. O carpete muito limpo e não haviam meias e comida mofada em todo canto.

— O que é isso? – virei vendo-o encostados na porta

— Bem vinda ao meu refúgio.

Soltei o ar, surpresa e encantada tocando a pintura no cavalete. As cores fortes e bem combinadas formando um rosto nas sombras. Era brilhante e quase profundo.

— Você quem pintou? – ele concordou, me entregando uma cerveja

— É um hobby. 

— Tá brincando né? – gesticulei apreciando cada pintura — Isso é lindo Justin. É brilhante... você é muito talentoso. Mas, porque está me mostrando isso?

— Ah, sei lá. Pensei que você gostaria de ver. – ele sorriu sem graça e deu ombros

Neguei, tirando o casaco e os sapatos.

— É um lugar legal. – observei

— Comprei faz um tempo, foi tipo um bom investimento. – Justin ocupou o lugar ao meu lado, puxando minhas pernas para seu colo e ficamos encarando as telas bonitas em silêncio durante um momento

—Escuta… — comecei, virando o rosto em sua direção mas me deparei com penetrantes olhos cor de mel que trouxeram lembranças da noite anterior, do sonho que tive com ele e da vergonha que senti ao acordar.

Foi como um chute no estômago. Eu não esperava, não tinha levado a sério já que até o momento nenhum sentimento tinha me feito questionar as coisas entre nós.

Mas a questão é que era sem nexo isso acontecer tão de repente, apenas com a força de um sonho. Não era real, nem poderia ser.

A coisa visceral, que não deveria existir nem mesmo durante minha inconsciência, contudo, foi como se eu acordasse com sede, desejando algo distante e que não deveria precisar.

Esse algo era ele.


Notas Finais


FINALMENTE!!!


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