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História Mini Supergirl (Reescrita) - Capítulo 21


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Notas do Autor


OI, por favor comentem o que acharam do capitulo! Me deixa muito feliz e me dá muuuuuita vontade de escrever mais!

Obrigada pela atenção, e boa leitura <3

Capítulo 21 - Vovó Lilian


21 de novembro de 2017, National City.


 

Já eram três e meia da madrugada, mas por algum motivo Kara não conseguia nem fechar os olhos para dormir.

Lena dormia pacificamente ao seu lado, agarrada nela como um adorável coala, Maggie e Alex haviam ido embora a tarde e Kyra dormia segura em seu próprio quarto. Mas Kara ainda sentia receio, medo. Ela sentia medo de dormir e ao acordar perceber que sua cunhada ainda estivesse desacordada e extremamente machucada, e que sua pequena loirinha ainda estivesse presa com Lex.


 

Lex…

Pensar nele a trazia uma sensação de nó na garganta, um desespero quase palpável. Era difícil de acreditar que ela havia matado ele, que havia precisado chegar a esse extremo. No fundo, Kara sabia que todo esse desespero não era pela morte de Lex, pois ele era um ser humano desprezível.

Mas ela sentia por Lena. Ela se preocupava com os prováveis turbilhões de sentimentos que se passavam pela mente e coração da morena, pelo fato de que ela provavelmente não se sentia no direito de lamentar a morte de seu próprio irmão, que havia sido importante em sua vida por anos.


 

Quando Kara novamente encarou o relógio, se espantou ao perceber que já havia se passado uma hora desde a última vez que havia checado. Com um suspiro, ela se ajeitou na cama e se preparou para fechar os olhos, porém logo se levantou em alerta ao escutar um pequeno choramingo vindo do quarto de Kyra. Com cuidado e velocidade, ela colocou um travesseiro para substituir seu corpo ao lado da namorada e em milésimos estava ao lado do berço da filha.


 

A pequena estava suada, choramingando enquanto lágrimas silenciosas escorriam de seus olhinhos ainda fechados.


 

— Filha, acorda… — Kara pegou o corpinho pequeno em seus braços cuidadosamente, se espantando ao ter que segurá-la com mais força, pois ela começou a se debater em seu colo. — Tá tudo bem, princesa. É a sua mama, acorda… — Ela encostou sua testa no rostinho suado, beijando suas bochechas repetidamente e esperando que ela acordasse o mais rápido possível de seu pesadelo.


 

— Na, não! Mama! — Os olhinhos azuis de Kyra se abriram rapidamente e um pequeno feixe de laser escapou em cada olho, deixando uma marca de queimadura no teto. Obviamente assustada com toda a demonstração de poder ela começou a chorar desesperadamente, se agarrando a Kara e fechando os olhos com força.


 

— Eu sei que dói, meu amor. — A loira murmurou ao ver os olhinhos fortemente fechados, como se ela estivesse assustada de abri-los novamente. — Não vai acontecer de novo, calma. Olha aqui pra mama… — Kara tentou chamar a atenção dela, preocupada ao escutar o choro se tornar cada vez mais alto e forte. Seus próprios olhos já estavam enchendo de lágrimas ao ver o estado da pequena. — Eu estou aqui, calma. Não fez dodói, está tudo bem! — Ela murmurou, andando em círculos pelo quarto na tentativa de tentar acalmar seu choro.


 

— Tá ti, mama? — Pela primeira vez no que pareciam horas seu choro diminuiu o suficiente para que ela conseguisse falar uma frase semi-inteligível, trazendo um enorme alívio ao coração angustiado de Kara.


 

— Eu estou aqui, filha. Eu prometo que sempre estarei. — Ela beijou a testa de sua loirinha repetidamente, sorrindo ao escutar e sentir sua respiração se acalmar e o choro desesperado dar lugar a pequenos soluços. — Tá bom?


 

— Bom! — Kyra assentiu, beijando a bochecha de Kara demoradamente, fazendo com que ela sorrisse boba. Como ela amava aquela criança.


 

— Agora o que acha de ir lá na cozinha comigo tomar um mamá bem gostoso e colocar um gelozinho nesses olhinhos, hein? — Disse em tom animado, se esforçando para a criança correspondesse o seu nível de empolgação. Uma criança super empolgada no meio da madrugada era melhor que uma criança quase gritando de tanto chorar.

Como o esperado ela assentiu empolgada, agarrando no pescoço da mãe e sorrindo grande. O choro de alguns minutos atrás quase completamente esquecido. Porém, Kara suspirou ao perceber que o aperto dela era forte demais para ser humano, o que significava que aquela já era a segunda aparição de poderes em menos de meia hora.


 

Alguns minutos depois Kyra estava sentada em seu cadeirão na cozinha, uma bolsinha de gelo cobrindo seus dois olhinhos enquanto Kara preparava sua mamadeira. Apesar de ter sido apenas um feixe, era de se imaginar que seus olhos sensíveis de bebê dificilmente sairiam sem estar doloridos de uma demonstração tão grande de poder.

A loira lembrava perfeitamente que mesmo aos treze anos, após chegar a Terra, seus olhos ficavam doloridos e ardiam por horas quando ela acidentalmente liberava lasers. Não gostava nem imaginar de como seria para sua filha.


 

— Olha o mamá da Ky! — Kara exclamou para a garotinha, que levantou a cabeça tão rapidamente que fez a pequena bolsa de gelo quase voar de seu rosto. — Você quer tomar seu mamá deitada no quarto da mama e da mamãe, filha? — Questionou, sorrindo ao vê-la assentir e esboçar um sorriso adorável ao escutar “mamãe”.


 

A loira lavou toda a pequena louça que fez para preparar a mamadeira, pegou o cobertorzinho favorito da filha, e finalmente deitou o mais calmamente possível para não perturbar o sono pacífico de Lena.

Kyra estava deitada no peito de Kara, que segurava a mamadeira e torcia para que ela conseguisse dormir pelo menos mais um pouquinho. O dia não seria fácil com uma criança resmungona e manhosa por falta de sono.


 

— Dorme, meu amor. Eu e mamãe estamos aqui. — Murmurou ao ver os olhinhos azuis lutando para não se fecharem, acariciando uma das mãozinhas que estava apoiada em seu seio e beijando a testa dela demoradamente, antes de respirar fundo e começar a cantar uma de suas canções favoritas. As palavras continuavam vivas em sua mente, e ela sorria ao imaginar Alura cantando junto a ela.

Kryptoniano era uma língua quase extinta, mas ela fazia questão de mantê-la viva com as cantigas antigas e pensava em ensinar para Kyra futuramente, para manter o legado de Krypton vivo.


 

Quando terminou a música suavemente, a pequena já ressonava baixinho. Seu rostinho estava praticamente escondido em seu peito, e suspirando satisfeita Kara puxou a namorada para mais perto, substituindo o travesseiro que colocou anteriormente com seu corpo. — Eu amo vocês. — Ela murmurou para as duas, antes de fechar os olhos e se permitir um sono pacífico.


 

21 de novembro de 2017, National City.


 

Lena foi a primeira a despertar, as 10 da manhã. Era um pouco mais tarde do que estava acostumada, mas o dia havia sido tão exaustivo que ela se permitia esse luxo só por uma vez. Os braços de Kara pesavam em sua cintura e ela quase se recusava a se levantar tamanho calor reconfortante que emanava de seu corpo, mas ela sabia que mais tarde ainda precisariam ir para a casa de Lilian, então precisava arrumar tudo para não sair de casa tão tarde.


 

Porém, ao se virar para levantar e ver Kyra deitada em cima de Kara, ela estranhou. Não se lembrava de ter trago a pequena para seu quarto, tampouco havia escutado som nenhum durante a madrugada. Decidindo não pensar muito sobre, ela deu de ombros e se levantou para rapidamente preparar o café de suas duas garotas e acordá-las antes que hibernassem.


 

Com uma habilidade quase invejável, Lena preparou um banquete rapidamente. Ela já estava acostumada a fazer comida em grandes quantidades, então um café da manhã elaborado não era trabalho nenhum, além de que o café de Kyra era relativamente simples. Normalmente ela apenas tomava duas mamadeiras enquanto mastigava tudo que tivesse disponível; frutas, torrada, panqueca, waffle, biscoito… Basicamente qualquer coisa que a mãe preparasse.

Ao se certificar de que tudo estava em seu devido lugar, ela se empenhou em acordar suas duas garotas o mais carinhosamente possível.


 

— Bom dia, amores da minha vida! — Lena disse em tom baixo, alternando entre distribuir beijos por todo o rosto de Kara e Kyra.

A pequena foi a primeira a acordar, franzindo o narizinho e coçando os olhos adoravelmente, levantou a cabeça do peito da loira para encarar a mãe.


 

— Bodia, mamãe! — Ela exclamou preguiçosa, um pequeno punho ainda empenhado em coçar os olhinhos.


 

— Bom dia, princesa. Ajuda a mamãe a acordar sua mama? — Pediu, voltando a beijar todo o rosto da loira agora com ajuda de Kyra, que mais babava em sua bochecha por seu estado sonolento do que de fato a beijava.


 

— Será que estou no Paraíso para ser acordada desse jeito? — Questionou Kara, se espreguiçando e coçando seus olhos exatamente como Kyra fizera. — Bom dia, minhas vidas. — Ela beijou primeiro a testa da filha, depois deu um selinho rápido na namorada.


 

— Ew, vai escovar os dentes! — Lena brincou, empurrando Kara para longe dela com um sorriso enorme no rosto. — Eu já tomei café, mas deixei tudo preparadinho na cozinha lá pra vocês. Enquanto comem, vou lá preparando a bolsa da Ky pra levar pra casa da minha mãe. E quando acabar por favor dá um banho rapidinho nela, a roupa já estará separada na nossa cama. — Ainda grogue de sono, a loira apenas assentiu, sem se mover para levantar. — Vai lá, zhao. Seu latte vai esfriar.


 

Finalmente assimilando o que Lena dizia, Kara colocou a pequena loirinha no chão e juntas mãe e filha partiram em direção a cozinha enquanto a morena ia para o quarto de Kyra provavelmente arrumar uma bolsa.

Porém, não demorou muito e ela sentou na mesa ao lado da namorada, a encarando com seus penetrantes olhos verdes. Não sabendo exatamente o por que daquele olhar, Kara a encarou assustada. — Você pode, por favor… — Ela dizia pausadamente, seu tom assustadoramente baixo. — Me dizer em qual momento do dia você iria me contar que fez um buraco no teto do quarto da nossa filha? — Ela terminou a frase praticamente lançando adagas de seus olhos.


 

— Foi um acidente da Ky, zhao. — A pequena rapidamente parou de mastigar a banana que estava em suas mãos, subitamente interessada no assunto ao ouvir seu nome sendo citado. — Tivemos um probleminha nessa madrugada e um pequeno descontrole de poderes… Pode voltar a comer, sua fofoqueirazinha! — Kara direcionou a última frase para a filha, que riu sapeca por ser pega antes de voltar a comer calmamente.


 

— O que aconteceu? Pesadelo de novo? — Lena suspirou pesadamente quando Kara apenas assentiu. — Droga, precisamos discutir logo o que faremos com esses poderes. Não dá pra continuar assim.


 

— Você tem certeza que acha só a lâmpada de sol vermelho viável? E quando estivermos em um ambiente que não dá pra usar?


 

— Estamos pensando em fazer o nosso próprio solzinho vermelho sintético. Ficaria com ela do mesmo jeito que a … — Ela começou a explicar, mas foi rapidamente interrompida por Kara.


 

— Zhao, por mais que eu não queira dizer isso eu acho que a kryptonita seja uma opção mais viável. Os testes seriam coordenados por nós e Alex, e a pedra já existe. Vocês não precisam se exaustar com uma nova criação! Quantidades pequenas não são perigosas, e eu sei que você se preocupa, eu também me preocupo muito, mas é o melhor pra ela por enquanto. Eu sei o quanto os olhos ficam doloridos depois de um raio desse, eu sei o quão desesperador é machucar alguém acidentalmente… Por favor pensa nisso, tá bom? — Kara pediu, soltando a mão da namorada e voltando a comer como se não tivesse dito nada.


 

Lena apenas assentiu e em seguida se levantou. — Eu vou lá terminar de arrumar as coisas, posso te dar uma resposta concreta sobre isso mais tarde? Preciso pensar um pouco ainda. Você está inclusa nas decisões sobre ela e eu sei que você está certa, só preciso assimilar e planejar um pouco como vamos fazer isso sem errar a quantidade e machucar ela. — Ela deu um selinho rápido em Kara, recebendo um aceno positivo e em um enorme sorriso como resposta. A loira estava extremamente satisfeita em se sentir ouvida falando sobre Kyra.


 


 

Ainda um pouco pensativa, Kara terminou seu café e deu um banho rápido porém cheio de brincadeiras e diversões em Kyra enquanto Lena terminava de preparar tudo. Como o combinado, elas revezaram com a pequena e em menos de três horas depois elas estavam na porta do apartamento de Alex e Maggie para deixar o pequeno gatinho de estimação.


 

— Muito obrigada, gente. — Kara falou, abraçando a irmã demoradamente enquanto Lena fazia o mesmo com Maggie e em seguida Alex. Kyra cumprimentou as tias rapidamente antes de soltar a coleira do gatinho e se ajoelhar para ficar bem próxima do animal.


 

— Tchau, Teaky! Cuida das titis, tá bom? — Como sempre, a frase saiu abafada pela chupeta, mas arrancou várias exclamações encantadas de todas as presentes no ambiente. — Te amo! — Ela exclamou antes de se levantar, dando um beijinho carinhoso no focinho dele.

Teaky era o apelido carinhoso de Kyra para o gatinho que Kara tinha feito questão de chamar de Streaky Jr. O animalzinho havia feito parte de sua adolescência, então ela achou justo o homenagear com o nome.


 

— Streaky vai ficar aqui cuidando das titias, mas você promete que cuida das suas mamães pra gente? — Alex questionou, segurando a garotinha em seus braços.


 

— Pomete! Kyla cuida! — Ela beijou a bochecha da tia demoradamente, se esticando nos braços dela para fazer o mesmo com Maggie antes de descer do colo dela e pegar na mão de Kara, acenando para suas tias e o gatinho. — Tchau! Te amo!


 

— Tchau, Ky! Nós também te amamos! — Maggie sorriu enquanto a via se afastar em direção ao elevador junto de suas mães. Era impossível não se encantar pelo jeitinho da pequena loirinha.


 

A viagem relativamente longa até a casa de Lilian seguia tranquila, até o momento em que Kara decidiu parar em um posto para abastecer o carro e comprar algumas guloseimas para o restante do caminho, porém um imprevisto aconteceu quando em um momento de distração Kyra tentou sair do carro sozinha.

Com suas perninhas curtas e falta de coordenação, ela tropeçou e em questão de segundos ela havia batido a testa no chão de concreto. Em um movimento rápido, assim que percebeu, Lena pegou a criança no chão e começou a balançá-la, tentando impedir o choro que viria assim que o choque inicial passasse.


 

— Não, não, não… Passou! — Ela tentava acalmar, mas como o esperado, no momento em que o cérebro de Kyra processou o que havia acontecido ela soltou um gritinho, começando a chorar. — É só um dodói, meu amor… Passou! — Mãozinhas pequenas começaram a tentar encostar na fonte de dor, choramingando quando obviamente era impedida pela mãe.


 

A queda havia sido assustadora, porém o impacto felizmente não havia sido tão forte. Lena conseguia ver que onde o galo ficaria estava arranhado, em alguns pontos até sangrando um pouco.


 

— O que aconteceu, porque ela tá chorando? — Kara questionou assim que saiu da pequena lojinha, surpresa ao ver o machucado que Lena apontava. — Não chora, bebê. Eu sei que dói mas logo vai passar, tá bom? — Ela beijou em cima do machucado com cuidado, aproveitando a proximidade para discretamente assoprar um pouco de ar frio na pele esquentada pelo impacto.


 

— Ela caiu agora. Eu nem sei como ela conseguiu se soltar da cadeirinha, só vi quando já estava no chão. — Ela beijou a cabeça de Kyra, que a esse ponto seu choro já havia diminuído um pouco e estava apenas resmungando incomodada quando tinha suas mãos afastadas.


 

— Você acha que temos que levar ela no médico? Acho que deve ter um hospital próximo daqui, podemos dar uma passada lá e ver se está tudo bem. — Kara questionou, recebendo um aceno positivo de Lena em troca. — Poxa, filha! Logo a regeneração que é o mais útil pra você ainda não apareceu? — Kara brincou, aproveitando para assoprar mais um pouco na testa da pequena.


 


 

Após uma rápida visita ao hospital, onde foi confirmado que havia sido apenas uma queda sem grandes problemas, e mais um tempo de viagem a pequena família finalmente havia chegado a casa de Lilian.


 

A presença delas foi anunciada, e rapidamente um funcionário da casa apareceu para recepcioná-las e guiá-las para dentro. A esse ponto Kyra estava dormindo no ombro de Kara, roncando suavemente.


 

— Mamãe! — Lena exclamou, abraçando-a assim que a viu na porta, onde ela estava desde que sua chegada foi anunciada.


 

— Minha filha! Como está? — Lilian questionou, recebendo um “bem” abafado contra o seu ombro, pois elas continuavam abraçadas. — Oi, Kara! — A mais velha se soltou para abraçar Kara rapidamente, um sorriso genuíno estampava seu rosto, trazendo um pouco mais de tranquilidade a loira que estava extremamente sem graça. — E essa bebê que chegou aqui dormindo?


 

— Daqui a pouco vamos ter que acordar ela pra dar uma checadinha. Pequeno acidente de percurso. — Kara explicou, movendo Kyra um pouco para que Lilian conseguisse ver o curativo na testa dela.


 

— Foi no caminho pra cá? Como ela caiu? Vocês levaram ela no hospital para ver se está tudo bem? — Ela perguntou. Seus olhos brilhavam em preocupação enquanto ela encarava a neta. Sua mão cuidadosamente acariciou a área coberta pelo curativo.


 

— Sim, paramos em um postinho para abastecer e ela de algum jeito se soltou da cadeirinha e tentou sair do carro sozinha, acabou que ela caiu e bateu de testa no chão. Kara lembrou que tinha um hospital aqui perto e levamos ela só pra ter certeza de que estava tudo bem, daí só falaram pra gente acordar ela de hora em hora quando dormir pelas próximas doze horas. — Lena explicou, passando seu polegar cuidadosamente pelo rostinho de sua filha, admirada enquanto a olhava. — Sempre achei meio bobo essa coisa de mãe super preocupada, mas Rao… Ver minha filha com qualquer machucadinho que seja é a pior sensação possível.


 

— Exatamente. É meio triste quando começamos a perceber que não podemos cuidar dos nossos filhos o tempo todo e prevenir completamente que se firam… Não podemos protegê-los totalmente do mundo, nem deles mesmos… — Lilian concordou, um sorriso triste agraciando suas feições. Era óbvio em quem ela estava pensando enquanto dizia, porém não permitiu que o assunto começasse a se estender. — Entrem, coloquem essas mochilas para dentro. — Ela abriu um pouco mais a porta em forma de convite


 

Poucos minutos depois Kara e Lena levaram as mochilas e Kyra para o antigo quarto da morena, rapidamente trocando de roupa.


 

— A fralda da Ky está cheia. Vou trocar e aproveitar pra acordar ela rapidinho. — Lena avisou.


 

Ela fez um trabalho rápido de acordar Kyra e conversar brevemente com ela, suspirando aliviada quando viu que tudo estava bem. Não demorou muito para que a pequena voltasse a dormir e ela rapidamente trocasse a fralda cheia. Sorrindo satisfeita, ela colocou todos os travesseiros e almofadas em volta para prevenir outros acidentes.

Quando tudo estava devidamente feito, as duas desceram as escadas para ficarem um pouco com Lilian.


 

— Vocês pensam em casar logo? — Ela questionou aleatoriamente, no meio de uma conversa extremamente empolgada.


 

— Ainda não conversamos, mas eu só estou esperando o pedido! — Lena estendeu sua mão esquerda para Kara, sorrindo quando a viu corar e sorrir envergonhada.

Elas realmente não haviam conversado sobre se casar ainda, mas obviamente era um desejo mútuo. As duas queriam passar o resto de suas vidas juntas como esposas e ter sua família ainda maior.


 

— E filhos? Vocês planejam me dar mais netinhos? — E um pequeno questionário se iniciou. Nenhuma das duas se importava em responder, pois sabiam que apenas se tratava de uma curiosidade e ela só queria se familiarizar um pouco mais com os planos delas para o futuro.


 

— Ainda não sabemos. Estamos aproveitando a Ky pequenininha ainda, nos adaptando a ela e a nova rotina de ter uma criança. Mas eu acho que daqui um tempo quando ela estiver maiorzinha nós pensaremos melhor nisso. — Lena respondeu, Kara assentiu concordando com tudo com a namorada dizia. Mesmo que a resposta não fosse combinada, ela se sentia exatamente igual a ela nessa questão.


 

Quando Lilian falaria novamente, foi interrompida pelo barulho de pézinhos e uma voz extremamente conhecida. Algum funcionário provavelmente havia ajudado a descer as escadas quando a escutou resmungar e falar no quarto.


 

— Mama, mamãe? — Ela chamava, olhando em todas as direções menos a que elas estavam sentadas.


 

— Aqui, princesa! Acordou rápido. — Lena se levantou para pegá-la na entrada da sala, arrancando um sorriso cheio de dentinhos dela. Os olhinhos ainda estavam pequenos pelo recente sono, e as mãozinhas se ocupavam em segurar o pescoço da mãe.


 

— Codou já. — Ela assentiu, deitando a cabeça no ombro e mexendo no cabelo dela carinhosamente. — Tadê a mama?

Sem dizer nada, ela andou em direção ao sofá e se sentou ao lado de Kara, permitindo que Kyra saísse de seu colo para ficar no da loira.


 

— Olha quem está ali, filha! Você já viu? — Kara falou, apontando na direção de Lilian. O sorriso que a pequena abriu quando a viu foi impagável. Seus olhinhos azuis até brilhavam tamanha empolgação.


 

— Vovó! — Ela soltou um gritinho. — Vem vovó! Aqui com Kyla! — Ela chamou empolgada, estendendo os bracinhos em direção a mais velha. Kyra era extremamente apaixonada pela avó, assim como Lilian era por ela, e adorava estar na presença dela.


 

— Vai lá você, sua mini folgada! — Kara disse em tom de brincadeira, colocando a pequena no chão e dando um tapinha em seu bumbum coberto pela fralda, arrancando uma risadinha sapeca dela. Com um sorrisinho que era capaz de derreter o coração de qualquer pessoa, ela correu em direção a avó e se jogou nos braços dela.


 

— Como conseguiu esse dodói? — Mesmo que já soubesse a resposta, a mulher perguntou apenas para escutar a adorável explicação que viria a seguir.


 

— Taiu do carro. — Ela disse simples, tendo suas mãozinhas impedidas pela avó de encostar no machucado coberto por curativo. — Mas a mama já salou. Deu beijinho, assim ó! — Kyra puxou a avó para que ela conseguisse alcançar sua testa e beijar suavemente.


 

— Mas que mamães boas essas que você tem, Ky! — Lilian sorriu para a neta, que assentiu empolgada, e em seguida na direção de Kara e Lena, esperando que elas entendessem que ela realmente sentia isso. Ver o quão bem cuidada e o quão inteligente a pequena era apenas aumentou a certeza que ela já tinha de que sua filha e a namorada eram ótimas mães.


 

— Vamo bincá, vovó? — Kyra chamou, um sorriso adorável em seu rostinho. Assim que sua avó assentiu seu consentimento, ela se levantou e puxou a mão dela delicadamente. Kara e Lena se olharam com enormes sorrisos no rosto, balançando a cabeça ao ver Lilian ceder e seguir as direções da pequena.


 

As duas passaram horas brincando enquanto o casal estava deitado em um dos grandes sofás, conversando baixinho enquanto escutavam os gritinhos de Ky e a voz de Lilian. Elas já haviam brincado de colorir, esconde-esconde, entre várias outras coisas. As duas mulheres estavam até um pouco surpresas pela disposição da Luthor mais velha de correr e andar basicamente todo o enorme andar de baixo atrás de uma garotinha cheia de energias.


 

Mas depois de mais algum tempo de brincadeiras, Kyra se jogou ao lado das mães com a respiração ofegante e extremamente suada.


 

— Levanta do sofá da sua avó, sua porquinha! Vamos lá tomar banho. — Lena a pegou no colo e subiu em direção ao ser quarto para dar um banho nela. Naquele momento Kara encontrou a perfeita oportunidade de conversar com sua sogra.


 

— Lilian, eu posso conversar com você? — Kara perguntou receosa assim que teve certeza de que ouviu a voz de Kyra no andar de cima. Assentindo, a mulher se sentou ao seu lado no sofá e a encarou em expectativa.


 

— Eu sei que o início da nossa relação não foi o melhor possível, mas eu sei também que nós passamos por cima das nossas diferenças e hoje em dia eu adoro a relação que construímos. — Ela começou, sorrindo ao ter as mãos macias da mais velha contra as suas. — Então, eu queria perguntar se eu tenho a sua bênção para pedir a sua filha em casamento. Se estivéssemos em Krypton teríamos toda uma cerimônia apenas para que eu pedisse sua permissão para juntar nossas guildas, mas como não estamos estou pedindo em privado mesmo. — Explicou nervosamente, ajeitando seus óculos e quase os esmagando acidentalmente no processo.


 

— Minha filha te ama incondicionalmente e eu consigo perceber só pelo olhar dela que é com você que ela quer passar o resto da vida, então é óbvio que você tem minha permissão. Minha única condição é que você a faça feliz e realize todos os desejos dela. Trate ela como ela merece ser tratada, pois sei que fará o mesmo por você. — Emocionada com a aceitação tão veemente da mulher, Kara a abraçou.


 

— Obrigada, isso significa muito pra mim. — A loira se afastou para secar lágrimas que nem percebeu que haviam começado a escorrer.


 

— Olha a bebê que voltou cheirosinha! — Lena desceu as escadas com Kyra nos braços.


 

— Deixa eu ver se essa bebê está cheirosa mesmo. Vem cá, filha! — Kara pegou a pequena dos braços de Lena e cheirou o pescocinho dela, arrancando uma risada gostosa de ouvir.


 

— Amor, você estava chorando? — A morena questionou ao perceber marcas de lágrimas na bochecha da namorada e os olhinhos azuis visivelmente avermelhados.


 

— Não foi nada demais, princesa. Só uma conversa que eu e Lilian tivemos, e eu me emocionei um pouquinho. Nada pra se preocupar. — Kara a puxou pela cintura com o braço livre o beijou sua testa repetidamente. — Amo você. Pra sempre. — Ela sussurrou contra cabelos negros.


 

— Eu também te amo. — Lena sussurrou de volta, se virando um pouco para se aconchegar no peito da namorada, do lado que Kyra não ocupava e aproveitando para depositar um beijo inocente no pescoço dela. — Pra sempre. — Ela disse contra a pele arrepiada.


 

— E nós amamos você também, ciumentinha! — Kara exclamou para pequena, beijando a testa dela ao vê-la quietinha apenas observando suas mães trocarem palavras afetuosas.


 

— Te amo! — Kyra exclamou de volta pra as duas, uma mãozinha ocupada em segurar o pescoço de Kara e a outra a mão de Lena. Elas eram o perfeito retrato de família perfeita naquele momento.


 

Lilian sorria, discretamente observando a pequena família interagir e não se pronunciando para não atrapalhar o momento.

Ela tinha orgulho da família que sua filha estava construindo e sabia que elas seriam muito felizes juntas, as três.


 

— Abaço! — A pequena gritou, puxando as duas mães e as apertando entre seus bracinhos pequenos, arrancando gargalhadas das duas mulheres. — Vem tamém, vovó! Abaço! — E Lilian não pôde negar um pedido tão inocente.


 

Se juntando ao abraço da pequena família Danvers Luthor, Lilian se sentiu finalmente em casa. De algum modo ela também fazia parte daquela família, ela fazia parte daquela história.

E pensar nisso a trouxe um sentimento de felicidade que nunca sentiu. Ela se sentia completa, pela primeira vez em toda a sua vida.


 

— Eu amo vocês. — Com lágrimas nos olhos, a Luthor mais velha disse como um sussurro.



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