1. Spirit Fanfics >
  2. Miracle; shisui uchiha >
  3. Nove!

História Miracle; shisui uchiha - Capítulo 10


Escrita por:


Capítulo 10 - Nove!


 

 

CAPÍTULO 9

"Sozinhos com nossas mentes em

transformação"

 

 

Nunca criei expectativas demais perante a minha carreira como kunoichi, sabia que não era um gênio como Kakashi, Itachi e Shisui, nunca desejei dominar todos os cinco elementos ou saber milhares de jutsus. Sempre pensei que meu maior sonho era algo bem simples, fácil de conseguir.

Bem, era o que eu pensava. Talvez os meus sonhos fossem clichês demais. Talvez eu fosse clichê demais.

Ou quem sabe meus sonhos fossem apenas impossíveis de se tornarem realidade. Desejar paz e felicidade provavelmente era pedir demais. Os deuses não seriam tão gentis comigo.

Os dias, meses e talvez anos passavam de forma estranha e em todas as noites eu esperava e sonhava que o amanhã se tornasse melhor. Mas aí, então, eu acordava para a fria realidade.

Nada havia mudado.

Entretanto, o País das Estrelas mostrou-se ser bem melhor do que eu imaginava, passar a viver aqui era a parte mais fácil de tudo. As pessoas não temiam a guerra, crianças podiam ser crianças, tudo parecia tão certo. E ao mesmo tempo tão errado. Afinal, por mais legal que fosse, aqui ainda não era a minha casa. A nossa casa.

— Já deu a minha hora, certo? — joguei a kunai que eu terminava de afiar na mesa, olhando o crepúsculo pela grande janela que tinha nos fundos da fábrica e em seguida direcionei meu olhar para um Takeshi que parecia absorto em seus pensamentos.

— Oh, sim. Certo. Pode ir, Hikari. — o homem respondeu de forma avoada.

Takeshi Kondo era o ferreiro do País das Estrelas, era ele quem confeccionava as armas shinobis que eram vendidas para outros lugares, incluindo Konoha. Nos encontramos em um dos meus primeiros dias por aqui, eu me ofereci de forma descarada para um emprego em sua fábrica e ao mostrar de forma contida que conhecia sobre armas fui aceita como sua ajudante, mas era claro que o ferreiro havia um pé atrás comigo.

"Você não parece uma garota comum" — ele sempre dizia e eu tentava desconversar.

Era difícil viver interpretando um personagem, a Hikari que veio para o País das Estrelas era uma garota do campo, que tinha um noivo introvertido que mal saía pelas ruas e trabalhava para juntar dinheiro para voltar ao seu país natal depois de ter todos os bens preciosos roubados em uma viagem.

Suspirei, era cansativo pensar em tudo isso. As mentiras se transformando em uma enorme bola de neve, minha esperança se esvaindo por meus dedos feito água. O que me mantinha firme era a minha faísca. Minha faísca era o lampejo de um sorriso de Shisui, aquele que ele deu no dia em que chegamos aqui.

Em pensar que aquele fora o último contato direto que tivemos. Depois disso, passou a não existir mais conversas. Eu o assistia se afundar em seus pensamentos, se afastando cada vez de mim e dos sentimentos que ele nutria por mim. E parecia que quanto mais eu tentava puxá-lo, mais ele ia afundando, como em uma espécie de areia movediça.

Minha teimosia teimava em exclamar em minha mente que tudo no final daria certo.

— Ah, Hikari! — ouvi Takeshi chamar meu nome e virei para o mesmo, o Kondo não era tão mais velho que eu, tinha os olhos grandes e castanhos, usava óculos que deixavam seus olhos ainda maiores, os cabelos da mesma cor dos olhos eram bem curtos e ele se vestia formal demais para um ferreiro, aparentava ser uma pessoa boa já que me deu um emprego e uma pequena cabana que eu dividia com Shisui. — Tome cuidado na rua, já está ficando tarde e ouvi dizer que haviam dois homens estranhos rondando nossas fronteiras.

Engoli em seco, parando antes de sequer abrir a porta.

— Como assim? — me controlei para não disparar milhares de perguntas e levantar qualquer suspeita sobre mim. Ainda mais suspeitas.

— Não sei muito á respeito. — ele deu de ombros. — Não deram muito detalhes, sabe? Só sei que disseram que eles pareciam bem ameaçadores. É sempre bom se manter em alerta. 

Semicerrei os olhos e mordi meu lábio inferior, pensando se deveria me preocupar com os possíveis estranhos nas fronteiras do País das Estrelas.

— Entendi, agradeço pela informação. — forcei um sorriso, saindo pela porta de maneira apressada.

Normalmente, essa era a hora que eu ia para a Montanha Estelar treinar taijutsu e ninjutsu e ler livros de jutsus e sobre chakra, eu havia deixado os meus livros de fantasia e romance completamente de lado, sentia que deveria ficar mais forte e por isso sempre treinava.

Porém, naquele dia após ouvir sobre os dois estranhos decidi que seria melhor ir direto para a nossa moradia temporária.

━━━━━━━༺༻━━━━━━━

— Shisui? — chamei-o no momento em que entrei na simples cabana a qual dividimos que consistia em um uma sala bem pequenininha junto da cozinha, uma porta nos fundos que dava acesso á uma parte escura e estranha da floresta de bambus, um banheiro e um único quarto e uma única cama que sempre me causava um certo desconforto na hora de dormir.

Shisui não me tocava, claro que não. No entanto era uma tortura tê-lo ali tão perto e ao mesmo tão distante. Me sentia tão burra por não ter descoberto que gostava do Uchiha no sentido romântico da coisa antes. Queria ter tido mais tempo para dizer á ele sobre meus sentimentos, queria ter ouvido-o dizer mais vezes que tudo que eu sentia por ele era recíproco. Que sempre havia sido recíproco.

Andei pela pequena casa, sentindo meu coração bater um terço mais rápido devido a preocupação que se alojava de maneira rápida em mim. A tantō que ele preservava com tamanha intensidade não estava onde deveria estar, cerrei as mãos em punho, sentindo as unhas entrar em contato com a minha palma, tal atitude já havia se tornado uma mania em momentos de estresse. A voz de Takeshi me alertando sobre os dois estranhos voltou em minha mente com força bruta, engoli em seco antes de tomar a atitude de olhar nos fundos daquela cabana de madeira.

Andei até a porta de forma rápida, logo a abrindo e só então fui capaz de soltar o ar que nem percebi que estava segurando.

— Santo Rikudou! — comecei a falar, vendo-o ali parado como se tivesse acabado de usar sua técnica de cintilação corporal, com sua tanto em mãos e semblante concentrado. — Você literalmente me assustou. — coloquei a mão no peito, em uma tentativa completamente falha de fazer os batimentos voltarem ao normal.

Claramente não voltariam assim tão fácil.

Motivo 1: eu ainda estava levemente assustada com seu possível sumiço.

Motivo 2: eu estava feliz por vê-lo treinando. — posso adicionar também o fato do meu coração sempre bater de forma acelerada no momento em que o vejo, mas talvez seja melhor ignorar esse pequeno fato.

— Sinto muito por te assustar. — ele murmurou ao passar por mim pela porta.

Ele parecia mais revigorado do que nas outras vezes e eu ficava realmente muito feliz em saber que ele conseguia se virar mesmo sem enxergar.

Isso fazia minhas esperanças se revigorar demasiadamente.

— Não precisa se desculpar! — eu disse, de maneira animada vendo-se afastar. — Eu fico muito feliz em ver você treinando novamente. — continuei a falar, aproveitando o momento. — Inclusive, você já comeu alguma coisa? Bem, eu posso preparar algo, mas você sabe que minha comida não é muito boa. Quem fazia a comida sempre na minha casa era o Kakashi, eu não aprendi muitas coisas.

— Não fale desse jeito, Kar... Hikari. — Shisui suspirou, após quase ter dito o apelido que havia criado para mim. — Odeio saber que você sente pena de mim.

Eu parei ali, estática. Tombando a cabeça levemente para o lado, deixando alguns fios cinzas escaparem do rabo de cavalo que eu usava. Abri e fechei a boca algumas vezes, procurando justificativas para o que ele tinha acabado de dizer.

E mesmo o meu raciocínio não sendo rápido demais, concluí com velocidade que não havia justificativas e nem motivos para ele dizer o que disse.

— Qual o seu problema, Uchiha? — vociferei e em seguida andei até ele e parei em sua frente. — Pena? Não percebe o quanto isso soa ridículo e injusto? Eu sinto milhares de coisas por você, literalmente milhares de coisas. Coisas que eu sequer entendo, coisas que me deixam completamente perdida e... estranha. — senti minhas bochechas arderem neste exato momento. — Coisas que eu nunca senti por ninguém, coisas que eu só sinto olhando para você, estando com você. E eu tenho total certeza que nenhum desses sentimentos é pena.

O Uchiha suspirou novamente.

— Não precisa agir sempre na defensiva... — murmurei. — Está tudo bem, ok? Ninguém vai ferir você. Não mais.

— O problema nunca foi eu me ferir, Hikari. — sua voz adotou o tom que ele usava comigo antigamente. — Nunca fui um inútil em toda a minha vida... E agora eu sou e nem posso simplesmente olhar para você.

— Você não é um inútil... Olha o que você fez para proteger Konoha, Shisui. Você pode ser qualquer coisa, mas você não um inútil e nem alguém digno de pena. — respirei fundo e peguei sua mão, levando em direção ao meu peito, fazendo-o sentir meu coração disparado. — Você pode não me ver, mas você pode me sentir... Meu coração fica desse jeito toda vez que eu fico perto de você, como você pode achar que isso é pena? — engoli em seco, sentindo a mão dele em contato com uma parte da minha pele que a blusa não tampava.

Nós ficamos em silêncio por um período, a minha respiração um tanto quanto descompensada combinava com meus batimentos cardíacos. Era engraçado e estranho a forma que eu ainda reagia perante a ele, por mais que eu sentisse raiva e não entendesse boa parte de suas atitudes, Shisui poderia falar qualquer mínima coisa que minha armadura caía de forma vergonhosa. O que me confortava era notar que ele parecia tão nervoso quanto eu.

Shisui subiu a mão que sentia meus batimentos, senti seus dedos passarem por minha clavícula enquanto eu prendia minimamente a respiração devido ao seu toque. Sua digital passeou por minha bochechas, nariz, queixo, testa e também passou um dos dedos por meus lábios, todos esses movimentos como se estivesse me conhecendo novamente. Fechei os olhos no instante em que ele colocou as duas mãos em meu cabelo, usando uma para levantar minha franja que estava enorme.

— Seu cabelo... Ele tá bem maior. — comentou.

— S-sim. — gaguejei, perdendo a compostura. — O seu também estava bem maior antes de você me deixar cortar.

Há algumas semanas atrás eu tinha voltado da fábrica com uma tesoura e havia perguntado se o Uchiha queria dar um corte em seu cabelo, deixando-o do tamanho que era antes. Ele aceitou, em uma concordância silenciosa.

— É sorte minha eu não poder ver como o resultado?

— Eu fiz um bom trabalho! Você continua bonito. — senti minha bochechas corarem violentamente. — Quero dizer... O corte ficou bonito, sabe? Como era antes, seu cabelo sempre foi bonito... Mesmo despenteado sempre foi um charme... Sempre foi, não que eu ficasse o tempo todo reparando no seu cabelo, claro que não. Mas sempre foi bonito. Assim como você.

— Você quer que eu me afaste? — perguntou de forma calma depois de um certo tempo, suas mãos delicadamente posicionadas em minhas bochechas, seu questionamento me fez abrir os olhos instantaneamente, naquele momento eu queria que ele fizesse tudo, menos se afastar.

— Não! — minha voz saiu mais alta que o usual e senti uma leve vergonha da minha atitude, era estranho a forma que eu ficava perto dele. Acho que nunca entenderia o efeito que Shisui Uchiha tinha sobre mim. — Q-quero dizer que não, você não precisa se afastar. Você pode me tocar... Quero dizer, eu... — antes que eu pudesse terminar o meu raciocínio conturbado, senti um braço de Shisui envolver minha cintura de forma rápida e o repentino susto me fez perder totalmente a fala.

Ele abaixou um pouco, encostando a testa levemente na minha, notei que lutava uma batalha interna consigo mesmo e eu esperava o resultado do embate, aguardando que fosse um desfecho benéfico.

— Shi... Shisui. — murmurei, levando minha mão para o rosto do Uchiha, passando o polegar por seu maxilar e bochechas, querendo que aquele momento não acabasse, torcendo para que não fosse um sonho e que em breve voltaremos a realidade de toques escassos. — Tá tudo bem.

Fechei os olhos novamente e no instante seguinte senti meu corpo ir de encontro a parede mais próxima e os lábios de Shisui pressionarem os meus com urgência. Eu queria aquilo tanto quanto ele, o que me fez abrir os lábios de forma automática e sentir novamente tudo que senti em nosso primeiro beijo, só que com uma diferença, dessa vez não era tão calmo. Eu estava praticamente na ponta dos pés para alcançá-lo, o Uchiha me beijava com urgência, enquanto uma de mãos apertava a minha cintura e a outra se enrolava em meus cabelos, fazendo o rabo de cavalo bagunçado que eu havia feito se desmanchar.

Sentia que meu coração iria parar a qualquer momento devida a tamanhas sensações e adrenalina, meus braços estavam ao redor do pescoço do Uchiha, enquanto minhas mãos brincavam entre os fios negros de seus cabelos. Grunhi entre os lábios de Shisui no momento em que ele me impulsionou pela cintura e eu enrolei as pernas ao redor de seu tronco.

— Vai ficar tudo bem. — sussurrei ofegante, ainda nos braços do Uchiha e com a testa encostada na dele no momento em que fomos obrigados a parar por falta de ar.

Uma grande parte de mim acreditava nisso.

Uma pequena parte dele queria acreditar nisso.

Talvez iríamos aprender a conviver com nossas dores.

Ou talvez nossas dores nos destruíssem gradativamente com o tempo.


Notas Finais


e ai, gente... eu passo pano pra esse uchiha, sou totalmente rendida e entendo um pouco o coitado. As vezes quando estamos MUITO mal acabamos descontado em quem amamos mesmo sem querer. O bichinho também deixou claro que preferia a Hikari em Konoha, pois sabia que lá tinha o Kakashi e o Itachi :(((

enfimm, o que acharam do capítulo?

qualquer erro me avisem ou chamem no pv

até a próxima segunda

(ou antes)


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...