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História Miracle; shisui uchiha - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Três!


CAPÍTULO 3


Sentimentos confusos


— Você gosta do Shisui, não gosta? — Itachi me perguntou certa vez.

Estávamos sentados na varanda de sua casa, olhando para as nuvens, depois de um dia de treino às margens do Rio Naka, o Uchiha já havia superado à mim no quesito habilidades e isso era bem notório, seu Katon era tão poderoso que fazia meu Suiton evaporar com facilidade.

Lembro de ter largado o livro de romance que eu lia sobre meu colo, fazendo uma careta para aquele tipo de resposta óbvia.

— É claro que eu gosto do Shisui! Ele é meu amigo, assim como você. — respondi sua pergunta óbvia, sentindo minhas bochechas esquentarem.

Itachi apenas riu. E lembrar da risada dele me faz desejar voltar no tempo, onde eu apreciaria mais momentos como aquele, pequenos e raros instantes em que era fácil nos portamos como adolescentes normais.

— Eu adoraria ver como tudo isso vai terminar. — ele falou, de forma calma, sorrindo e olhando para o céu.

— Espero que tudo sempre termine bem. — dei continuidade, mesmo sem entender muito sobre o que ele falava e passei a mão na capa do livro que eu lia, lembrando do final feliz que obviamente teria nas últimas páginas. — Um final feliz não faria mal. — dei de ombros.

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Hana, juntamente com seus cachorros trigêmeos eram minha equipe de missão. A Inuzuka quase sempre era minha companheira de missão, nós estávamos acostumadas a lutar juntas, afinal, ela era da minha equipe na época de gennin. Nós saímos pelos enormes portões da Vila Oculta da Folha, o Senhor Feudal e seu filho iriam fazer uma expedição na Vila do Chá e precisava de escolta. Normalmente, missões desse tipo eram tranquilas, duravam em cerca de três, quatro dias no máximo. Apesar disso, sempre era bom manter os olhos bem abertos, concentração e foco, o mundo shinobi era estável o suficiente a ponto de sermos atacados do nada.

Nós seguimos mantendo a formação, eu e Hana mantendo as costas dos homens e seus cachorros na frente deles.

— Você tá quieta demais hoje. — a Inuzuka ao meu lado comentou.

Hana tinha os cabelos castanhos escuros preso em um rabo de cavalo baixo, deixando duas pequenas mechas soltas na frente, ela também carregava as marquinhas vermelhas de seu clã em suas bochechas. A mesma me fitava com uma de suas sobrancelhas bem marcadas arqueadas.

— Eu só estava pensando em algumas coisas... — respondi, com sinceridade, notando o sol já se pondo, deveríamos parar em breve e montar o acampamento. Ou parar em algum hotel, o que era mais recomendado levando em conta que nossa escolta era bem influente.

A verdade era que eu ainda sentia os toques de Shisui em minha pele. O toque dos dedos dele em meu queixo, o aperto em minha mão. O olhar preocupado e cauteloso. E a conversa que tive com Itachi voltou à minha cabeça como um furacão estrondoso de sentimentos. Tudo aquilo me deixava desconfortável... E envergonhada. Eu não devia pensar sobre isso, sobre sentimentos em meio à uma missão.

E exatamente naquele momento, como se uma luz se acendesse em meu cérebro, me mostrando a resposta correta das minhas equações malucas, eu havia entendido a pergunta que Itachi me fizera há alguns meses atrás.

— E que coisas seriam essas? — ela quis saber. — Deve ser algo bem legal, levando em conta o sorrisinho na sua cara e suas bochechas vermelhas. — a Inuzuka aproximou minimamente de mim e cutucou meu braço de leve, com um olhar sugestivo no rosto. — O que você aprontou, Hikari Hatake?

Fechei a cara de forma automática, eu sequer havia notado qualquer lampejo de sorriso em minha feição, no entanto, confesso que senti uma leve sensação de queimação em minhas bochechas.

— Devemos focar na missão, Hana. Ainda falta um grande percurso para chegarmos até a Vila do Chá. — dei de ombros. — Conversamos quando pararmos.

Não demorou muito até suspendermos a caminhada, o Senhor Feudal e seu filho — ambos muito calados e pareciam analisar qualquer ação minha e de Hana, decidiram parar assim que a noite caiu, nos fazendo parar em uma pequena e aconchegante pousada.

Depois de comermos algo, o homem e seu filho seguiram para um quarto em conjunto, onde os cachorros da Inuzuka ficaram de guarda na porta.

— Será que agora você pode me dizer sobre seus pensamentos? — Hana me questionou enquanto sentava em seu futon.

— Talvez você me ache maluca. — suspirei, eu me encontrava sentada no parapeito da janela.

Era uma noite de lua cheia, um vento agradável adentrava o quarto, trazendo consigo o cheiro típico de terra e capim, as estrelas brilhavam no céu, deixando tudo ainda mais bonito. Gostava de olhar e analisar o céu, era tudo tão inconstante, era engraçado pensar que talvez, do nada pudesse surgir uma nuvem repleta de chuva e mudar tudo. Deixando o azul escuro de uma noite cheia de estrelas se transformar em um cinza sem graça.

Shisui costumava dizer que meus pensamentos eram engraçados. Que eu tinha um ótimo senso de criatividade e positividade, que ele gostava disso. Ele geralmente dizia gostar de tudo em mim. E também era bastante engraçado o fato de os meus pensamentos estarem concentrados nele. Desde o momento em que deixei a Vila, desde em que ele soltou minha mão. Eu sabia que havia nuvens carregadas em seus olhos, sentia de todo o meu impulsivo e estranho coração que algo não estava certo.

Entretanto, eu sabia que ele não contaria nada. Afinal, talvez fosse algo que ele contaria apenas à um Uchiha.

E eu, definitivamente, não era uma Uchiha.

— Bom, eu já acho você um pouco maluca. — Hana deu de ombros e eu ri, balançando a cabeça.

Abraçava meus joelhos e mantinha minha cabeça apoiada neles, era uma posição confortável e por estar na janela, me dava uma certa vantagem caso houvesse um possível ataque. Ao meu lado havia um pequeno caderno de anotações, eu estava estudando um novo jutsu e anotava ali minhas pequenas evoluções.

— Uma vez o Itachi me perguntou se eu gostava do Shisui. — comecei, olhando para as folhas das árvores que se balançavam conforme o vento. — Na hora eu não entendi e disse que era óbvio que eu gostava dele, afinal ele é meu amigo. Mas eu percebi hoje que ele falava, hum... — parei, engolindo em seco e sentindo minhas bochechas esquentarem. — No sentido romântico da coisa. E eu... Talvez não saiba o que eu sinto.

Hana pigarreou, me fazendo direcionar meu olhar para ela, que me olhava novamente a sobrancelha arqueada.

— Podemos resolver isso com uma pergunta. — ela parou e logo em seguida um sorriso travesso apareceu em seu rosto. — O que você sentiria caso o seu Uchiha Cintilante dissesse à você que está com outra pessoa? E é claro, no sentido romântico da coisa. — ela imitou minha voz em sua última frase e eu nem tive tempo de rir, pois a sua pergunta havia me deixado confusa.

Quero dizer, se Itachi me contasse hoje que iria finalmente assumir seus sentimentos pela Izumi, eu ficaria extremamente feliz. Eles eram fofos e compartilhavam o vício por dangos. Entretanto, eu sabia que não teria uma reação parecida se tratando de Shisui e pensar nessa possibilidade, de ele se envolver com outra pessoa no sentido romântico da coisa, me causava um certo desconforto.

Era estranho.

Eu me sentia estranha.

— É. Acho que você já tem sua resposta. — Hana riu.

Suspirei, balançando a cabeça e permanecendo em silêncio, o que não era uma atitude muito corriqueira vindo da minha parte.

E foi enquanto eu vislumbrava a noite, as estrelas e lua que uma lembrança manifestou-se em minha mente, como se me mostrasse e jogasse na minha cara que eu não precisava me sentir estranha. Que aquele desconforto não era algo de agora, não surgiu recentemente, aquelas pequenas fagulhas de sentimentos sempre estiverem em mim.

Eu só não havia notado antes.

— Talvez algum dia um dos superiores passe a razão a algo que eu diga, e aí, será o dia em que as crianças não irão mais lutar guerras que os mais velhos criaram. — eu divagava, andando de um lado para o outro, Shisui ouvia atentamente os meus devaneios. — Se medidas como essa fossem tomadas, talvez o Obito e a Rin ainda estivessem aqui. — terminei de dizer em um triste suspiro, meu olhar foi direcionado para meus pés.

— Não se sinta culpada. — o Uchiha foi parar rapidamente na minha frente, ele levantou meu queixo com os dedos, me fazendo olhá-lo. — Suas ideias são incríveis e se eu fosse um superior, com certeza iria acatá-las.

Sorri, minimamente.

— Eu só estou cansada de perder pessoas. — murmurei, fitando aqueles olhos ônix que eu tanto conhecia. — Tenho medo de perder você também, Shi. — confessei.

Ele soltou o ar pelo nariz, me fitando atentamente, seus dedos se deslocaram do meu queixo para as minhas bochechas, onde ele fez uma carícia suave. Shisui respirou fundo, como se estivesse prestes a dizer alguma coisa. Mas não falou. Em um movimento rápido, ele me puxou para um abraço, me envolvendo em seus braços com delicadeza, seu queixo apoiado na minha cabeça era um hábito que ele passou a ter depois que ficou gradativamente mais alto que eu. Era algo típico de nossos abraços, tal como minhas mãos que seguravam firmes a camiseta dele e minha cabeça em seu peito.

— Você não vai me perder. — ele disse. — E se perder, pode ter certeza que não fui sem antes lutar com todas as minhas forças para voltar pra você.



Suspirei, talvez pela milésima vez ao dia, era uma péssima hora para pensar sobre meus sentimentos pelo Uchiha. Talvez eu devesse pegá-los e guardar em uma gaveta com cadeado, deixando-o escondido e imaculado.

Naquela noite eu percebi que gostar de alguém no sentido romântico da coisa era complicado e me deixava demasiadamente confusa. 

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