História Miraculousa Paixão - Capítulo 8


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Categorias Miraculous: Tales of Ladybug & Cat Noir (Miraculous Ladybug)
Personagens Adrien Agreste (Cat Noir), Alya, André Bourgeois, Chloé Bourgeois, Gabriel Agreste, Lila Rossi (Volpina), Marinette Dupain-Cheng (Ladybug), Nino, Plagg, Sabine Cheng, Tikki
Tags Adrinette, Emilie Agreste, Gabriel Agreste, Ladynoir, Miraculous, Plagg, Romance, Tikki
Visualizações 80
Palavras 3.749
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Ficção Adolescente, Literatura Feminina, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Certoo, eu só precisava de um tempinho de nada pra conseguir finalizar esse capítulo que eu vinha fazendo há erasss!
Aaai como é bom att!
Espero que gostem, mores! Peço desculpas pela demora!
Meu sumiço é completamente justificável, juro!
Enfim, Bjss de luz pra vcs! Até a próxima!

Capítulo 8 - Não foi um não


Fanfic / Fanfiction Miraculousa Paixão - Capítulo 8 - Não foi um não

A padaria não contava com nada mais que dois funcionários em ação, eram os faxineiros que a preparavam para o turno vespertino. Um homem de cabelos grisalhos dava a volta no balcão para trocar palavras com Marinette. Adrien trocou um olhar com Alya e, pela naturalidade da face dela, aquilo era um ritual normal.

- Agreste... - a herdeira do ponto chamou, ao que o loiro não tardou em se aproximar. - Preciso que me ajude hoje. - a frase veio carregada de uma seriedade quase militar.

- Em quê? - indagou curioso, sem evitar um franzir de testa.

Marinette enviou um rápido olhar para a lateral, como que para se certificar de que ninguém os ouvia, e o encarou novamente. - Preciso que fique no caixa e nas mesas enquanto estudo.

Seria ingratidão negar aquilo? Bom, provavelmente seria demitido, em uma reação inicial. Observou o antro, eram muitas mesas... - Acho que dou conta. - mentiu com um sorrisinho irritado.

A mulher ergueu uma sobrancelha, sustentando um semblante ponderativo. - Se precisar de ajuda é só me chamar. - falou um tanto quanto preocupada.

Ele, por sua vez, abanou a mão para demonstrar descaso. - Se concentre nos seus estudos, posso cuidar disso. - acrescentou, aproveitando a oportunidade para depositar a mão no ombro dela, em apoio. Era a primeira vez que ela lhe pedia ajuda, não podia desperdiçar tal ocasião. Estava realmente empenhado em estabelecer uma relação agradável como a de antes.

- Tudo bem. - a moça assentiu à contragosto. - Obrigada. - estava mesmo no fundo do poço, apelando para a ajuda de Adrien. - Agora, vá atrás do seu avental.

O som dos sinos da entrada anunciavam a chegada dos empregados da cozinha, no exato momento em que o loiro se encaminhava para os cômodos mais internos. Marinette recebeu todos com um sorriso pequeno, aproveitando para alertar sobre a ausência dos serviços de Alya naquele dia.

Não demorou muito para que o horário do expediente iniciasse, e Adrien agradecia à cada minuto que passava sem que chegasse um novo cliente. Limitava-se a checar as redes sociais, aproveitando para adicionar Marinette em seus perfis, pôde vê-la sorrindo repreensiva do outro lado do salão, sentada à mesa mais escondida do recinto na companhia de Alya. Adicionou a morena também, precisava ser sutil.

O sino balançou e uma moça ruiva e de vestes folgadas chegou, ela não parecia alguém disposto a comer por lá, estava com os cabelos presos em um rabo de cavalo e com um moletom imenso que, Adrien sabia, pertencia a Plagg até alguns anos atrás. Era Tikki, mascando um chiclete e carregando um costumeiro sorriso simpático, ela ajeitou uma bolsa nos ombros e acenou com carisma.

Do caixa, o loiro respondeu igualmente ao gesto, não deixando de se impressionar quando a viu se encaminhar para a mesa das meninas. Mas nem teve tempo de se perguntar nada, pois um rapaz de cabelos castanhos e bem penteados surgia das costas de sua cunhada. Franziu o cenho ao vê-lo mexer os dedos brancos em um cumprimento expressivo, sem contar o curvar promíscuo que os lábios dele faziam. Okay, aquele cara era estranho, mas mesmo assim respondeu da mesma forma que fizera com Tikki.

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- Fecha a boca, Trixx, vai acabar espantando a sua presa. - Tikki provocou enquanto puxava uma cadeira para sentar.

O rapaz, no entanto, nem se deu ao trabalho de encarar a prima, apenas enviou uma piscadela para o rapaz do caixa. - Quando posso começar, Marinette? - indagou ainda devorando o loirinho de avental apertado. - Posso ficar com a parte da limpeza, fico com o rodo. - e finalmente fitou a amiga, que não parecia muito aberta a brincadeiras.

- Para de assediar o meu vizinho, Trixx. - ralhou em um falso tom humorado, qualquer um estranharia aquele comentário entredentes. - Ele já é bem lento pra você ficar deixando ele nervoso.

Alya riu sozinha, decidida a manter os próprios pensamentos em segredo, enquanto via a senhorinha que se aproximava do balcão. Tikki se mexeu divertida na cadeira, uma face de dó expondo seus dilemas morais.

- Não fale assim... Ele não é lento. - retrucou manhosa ao mesmo tempo em que tirava os cadernos da mochila.

- Ah, não? - Marinette murmurou com os braços cruzados sobre o peito, a ruiva então negou com a cabeça para confirmar a última frase dita. - Olha de novo. - desafiou ao indicar o balcão com o queixo.

Os três viraram as cabeças, bem à tempo de ver Adrien derramando uma quantidade quase cômica de café ao mexer na máquina de expresso de maneira desleixada. O loiro já tinha as vestes completamente sujas e os fios frontais do cabelo totalmente molhados. Alya cobriu a boca para conter uma risada, enquanto Trixx depositava a cabeça sobre a mão no meio de sua admiração.

- E ainda por cima é atrapalhado. Esse bofe foi feito pra mim. - suspirou manso logo depois que Marinette se levantou.

Tikki se limitava a observar a cena. Viu Marinette dar a volta para entrar na área de procedimentos e sumir atrás da máquina de café expresso. E de repente o chafariz de café parou, deixando nada mais que um funcionário completamente encharcado e corado de calor. 

- Nunca, jamais, em hipótese alguma, aperte mais de um botão ao mesmo tempo. - o rapaz estava cabisbaixo enquanto ouvia aquele conselho. - Você está bem?

Ergueu a cabeça rápido como um raio, perguntava-se se aquilo era algum sinal de preocupação. Por fim, encontrou uma testa enrugada no rosto dela. - Eu sim, minha dignidade, por outro lado... - disse enquanto espremia os cabelos.

Marinette não conseguiu evitar o sorriso, ele conseguira ser mais estabanado que todos os funcionários que já haviam pisado ali. - Vá se trocar, fique apresentável, eu cuido dela. - e apontou com a cabeça para a senhorinha que aguardava no balcão.

Adrien demorou alguns segundos para obedecer, tempo suficiente para ver Marinette sorrir lindamente para a cliente paciente. Pensou se a maioria das pessoas frequentavam aquele lugar apenas para provar do sorriso dela.

A mulher não tardou a ir embora depois de ter o pedido empacotado para viagem. Marinette ficou atrás do balcão, trocando caretas com os amigos que insistiam em fotografa-la, pura brincadeira, até que o funcionário retornou ao posto.

O loiro pigarreou, ao que a chefe girou nos calcanhares para encara-lo. Ele tinha os cabelos ainda úmidos e exalando um cheiro absurdo de café, mas ao menos o avental estava limpo e as roupas de Hector mais uma vez lhe caíam bem. Marinette levou as mãos aos bolsos traseiros da calça e ergueu uma sobrancelha para o vizinho.

- Peço desculpas, pelo... Transtorno. – balbuciou um tanto quanto sem jeito, sem conseguir fita-la por muito tempo.

Ela não foi capaz de manter-se séria, sentindo o hálito de café batendo contra o rosto. – Tudo bem, Agreste... Mas, para o bem da paciência do seu pai, é melhor que não faça isso de novo. – e o rapaz assentiu. Algumas risadinhas distantes atraíram o olhar veloz dele, mas não demorou a ficar cabisbaixo de novo. Marinette fuzilou os amigos pelas pálpebras cerradas, não admitiria que ninguém além dela o envergonhasse ali. – Posso pedir que se retirem, se estiver te deixando nervoso.

Adrien a encarou de imediato, podia ver um alto grau de determinação nas íris azuis, e precisou de um tempo para assimilar a proposta. – Não. – se apressou para responder. – Não se incomode comigo, Marinette... Sério.

A jovem piscou incrédula, sabia que o ego do caçula de Gabriel dificilmente o impedia de possuir uma boa dose de egoísmo. Por isso, aquele comentário a pegou de surpresa.

- Hum, obrigada. – agradeceu enquanto estremecia ao toque que recebia no ombro e se estendia ao longo do braço.

- Eu que agradeço. – Bingo! Ponto para os Agreste! Concluiu isso depois de vê-la sem palavras, e seguiu ao balcão de atendimento tentando esconder o sorriso vencedor que insistia em brotar nos lábios.

Enviou uma piscadela para Alya, que riu divertida diante das facetas dos dois. Marinette ainda carregava um semblante desconfiado quando voltou à mesa, por algum motivo não sentia mais tanto estresse quanto antes. Nem mesmo as feições safadas de Trixx a incomodavam mais, de repente via aquele assédio com um caráter cômico.

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O bar de Joe estava aberto quando se dirigiam à camionete de Adrien, e Marinette baixou o rosto para esconder a pele corada por lembrar da última vez em que esteve lá. Alya se exibia como uma criança da Disneylândia, virava a cabeça de um lado para o outro na tentava de ver os traços das duas pessoas que a acompanhavam. Adrien, por sua vez, se limitava a caminhar com a visão fixa no carro, as mãos guardadas nos bolsos e o nariz contorcido em incômodo sempre que captava o cheiro do café que o impregnava.

- Por quanto tempo vai trabalhar na padaria, Adrien? – a morena se fez ouvir quando praticamente saltava para a porta traseira.

Marinette revirou os olhos diante daquele movimento, pouco se importando de ir na frente. Virou o rosto no instante em que o motorista respondeu.

- Não sei, talvez eu fique até Marinette abandonar a gerência. – brincou com uma piscadela exagerada para expor o humor.

Alya sorriu abertamente diante da face desafiadora da amiga. – Ou então até a máquina quebrar por sua causa. – Dupain devolveu em uma provocação risonha.

O loiro já tomava as ruas de Winterville quando levou a mão ao peito com uma pose forçadamente ofendida. – Como pode ser tão malvada?

- Não sou malvada. – a de cabelos azuis retrucou virando o rosto para a janela.

- Todos os peões da fazenda te chamam de Garota Problema. – Alya se fez ouvir, recebendo um olhar irritado da colega.

- Me alertaram disso. – o loiro comentou quando chegava à zona rural. – Disseram que você é complicada. – explicou diante da face curiosa dela.

- Você me acha complicada? – indagou com uma sobrancelha erguida e a boca crispada.

Adrien paralisou por alguns segundos, de repente se perdeu no azul brilhante dos olhos dela, foi incrível conseguir visualizar aquela cor tão fortemente quando estavam imersos no escuro da estrada. Abriu a boca para responder, mas um solavanco o tirou do torpor. As meninas guincharam de susto e o rapaz sentiu o sangue secar nas veias. O carro balançou energicamente até que ele conseguisse retomar o controle, estacionando com derrapagem.

- Vocês estão bem?! – Agreste virou de imediato para encarar as duas, o coração badalando loucamente no peito.

Marinette estava boquiaberta ainda, tão atordoada que apenas conseguia fitar o rosto pálido do rapaz. Assentiu perdida, sentindo a mão dele com o braço, enquanto Alya reclamava de uma pancada na cabeça.

- Merda... – a morena praguejou ao ver os dedos melados de sangue.

O loiro se apressou em descer do carro para ajudar a colega, não era um corte feio e muito menos grave, mas certamente estava doendo. – Mil desculpas, Alya... – pediu nervoso enquanto se livrava da camiseta.

Marinette desceu ainda anestesiada, indo de encontro à amiga, que agora pressionava a blusa do Agreste contra o ferimento. – Como se sente? – indagou preocupada, ajudando-a com aquela pressão.

- Bem, só bati no vidro da janela. – Césaire explicou, no meio de uma careta, aspirando o cheiro forte de ferro e de café que o tecido exalava.

- Mas que porra. – Marinette virou o rosto ao ouvir a voz dele, nem ao menos o percebera se afastar. – O pneu estourou. – falou com as mãos na cintura.

Foi quando a moça finalmente notou, enviou um último olhar para o tecido que Alya apertava contra a têmpora, e voltou as pupilas para o tronco nu do rapaz. Adrien respirava cansado, os gominhos da barriga se movimentavam com sofreguidão, e o peito inflava acelerado. Trixx tinha razão, realmente, sabia que ele estaria se revirando no chão se tivesse acesso àquela visão.

Somente se flagrou perdida no corpo do vizinho quando se assustou por ser encarada, nem conseguiu controlar o enrubescimento do rosto. – O quê? – jurou que ele tivesse dito alguma coisa.

O loiro coçou a própria nuca, estava frio, mas as perspectivas indicavam que enfrentaria grande calor em breve. – Vou trocar o pneu. – anunciou sem acreditar nas próprias palavras, fazia três anos desde a última vez em que auxiliou naquilo. – Liguem pro Nino, ele pode vir pegar vocês. – disse enquanto se encaminhava para a traseira da camionete.

Marinette franziu o cenho no momento em que Alya passou a discar no celular. Dispensou um rápido afago no joelho da amiga e esperou que ela prendesse a camiseta com as próprias mãos, depois se encaminhou para junto do rapaz que abria a tampa da carroceria.

- Não pretende ficar sozinho aqui com isso, né? – inquiriu com os braços cruzados sobre o peito, o vento gélido a fez se perguntar como ele conseguia caminhar ali com metade do corpo nu.

Adrien suspirou ao introduzir a manivela que destravaria o estepe. – Não se preocupe, não vou a lugar nenhum com essa banheira mesmo. – arriscou uma brincadeira para conseguir dinamizar a tensão, coisa que aparentemente não deu muito certo.

A moça tinha uma sobrancelha erguida em descontentamento. – Sabe que aqui não é muito seguro! – sibilou com as pálpebras cerradas, olhando desconfiada para os lados.

- Sei. – ele murmurou com dificuldade enquanto girava a manivela, prestando atenção no pneu que descia pendurado do assoalho do carro. – Por isso vocês vão e eu fico terminando isso aqui.

- De jeito nenhum! – retrucou indignada. – Vou ligar pro Plagg. – informou antes de sacar o celular, quanto mais gente melhor.

O loiro bufou irritado, mas não redarguiu, a última coisa que precisava era bater boca com Marinette naquela escuridão enquanto Alya sangrava pela cabeça. Terminou de baixar o estepe e abriu as correntes que o prendiam. Abaixou-se para arrasta-lo para um alcance melhor, mas precisou usar boa força dos braços para conseguir isso. Certo, talvez os trabalhos da fazenda tivessem ajudado no amadurecimento de seus músculos, mas ainda assim reclamou do esforço.

- Nino está à caminho, com Roger e Plagg. – a voz de Alya fez o casal se entreolhar.

Marinette crispou os lábios diante do sorriso vencedor do rapaz, depois desligou a chamada do telefone. – Só vou sair daqui com esse carro. – declarou com o queixo bem erguido.

Aquilo pareceu agitar Adrien, que se pôs ereto de imediato, praticamente esquecendo o pneu no chão. – Alya precisa ir ao hospital. – sussurrou um pouco curvado para segurar a roda de borracha perto das pernas.

Ela engoliu em seco ao sentir o hálito quente dele, mas sustentou a face decidida. – Nino vai leva-la. Eu fico aqui com vocês.

Agreste virou a cabeça com inquietude, coçando os cabelos úmidos em contrariedade. – Tudo bem, Marinette! Faça o que quiser! – despejou impaciente antes de passar a girar a roda para a dianteira do carro.

- Ótimo! – ela falou antes de se despir do casaco. – Como posso ajudar? – quis saber com as mãos na cintura.

Adrien ergueu as sobrancelhas, fitando-a com desconfiança, mas depois deu de ombros. – Me traga a bolsa de ferramentas... Está na carroceria. – por fim, decidiu se permitir a receber aquele auxílio, rezando para que aquilo não terminasse com os dois trocando gritos e xingamentos.

Procurou uma posição que não maltratasse tanto as costas e se deitou embaixo do veículo, apenas no aguardo das ferramentas. A garota não tardou a chegar, demorando-se mais do que gostaria de admitir na observação do corpo do rapaz.

- Do quê precisa? – perguntou corada no meio de uma auto repreensão.

- Do macaco. – pediu ao esticar a mão, sorrindo por recebe-lo em instantâneo.

- Você não devia desparafusar o pneu primeiro? – sugeriu desconfiada de que ele sabia realmente o que estava fazendo.

E Adrien arregalou os olhos enquanto posicionava o macaco. – Tem razão! – e seu primeiro instinto foi se erguer, péssima ideia para a forma como seu corpo se encontrava.

- Cuidado! – ralhou ao ouvir a pancada seguida do palavrão soltado. – Fique aí, eu cuido dos parafusos.

- Não, eu já estou indo...

Marinette revirou os olhos. – Não seja esse tipo de cara, Adrien. – pediu séria e calma, fazendo-o franzir o cenho.

Adrien se pôs sentado, perto o bastante para pôr a face bem diante e no nível da dela, que estava agachada. – Que tipo de cara?

- Do tipo que acha que uma mulher não consegue trocar um pneu. – explicou enquanto dispensava duas tapinhas leves na bochecha dele, que piscou atordoado ao vê-la apanhar a chave de aperto e leva-la aos parafusos.

- Mas... Eu não penso assim. – retrucou enrugando a testa, arrancando uma risada escarninha da vizinha. – Eu estudo Direito, Marinette... Estudava, pelo menos. – ressalvou confuso ao coçar a nuca. – A questão é que não desmereço as mulheres. – e precisou lidar com o olhar desconvencido dela. – Só não quero que fiquem aqui por minha causa...

Ela já conseguia desenroscar o primeiro parafuso quando assimilou aquelas palavras. – Então se fosse o contrário, você não estaria tentando fazer tudo sozinho...? – provocou risonha antes de jogar a pecinha no peito duro dele.

O loiro deu de ombros. – Bom... Seria o seu carro, não é? O problema não seria meu. – brincou para divertimento da colega.

- Você é um idiota. – lançou ao começar a tirar o segundo parafuso.

- Deus, eles estavam certos mesmo. – comentou ao se apoiar na camionete, apenas vendo o esforço da vizinha.

- O quê? – ela franziu o cenho, indo para o terceiro parafuso.

- O peões. – respondeu simples e prático. – Você é mesmo complicada. Se eu ajudo, você reclama, se eu não ajudo, você reclama. – continuou sem sair da posição.

Marinette revirou os olhos, pouco antes de arremessar outro parafuso. – Eu sou muito mais do que uma garota de extremos, Agreste. – e partiu para o último.

O loiro sorriu sem esconder a pontada de orgulho diante daquele discurso. – Acha que eu não sei disso, Cheng? – e ela virou a cabeça de imediato, só quem a chamava assim era Nathan. – Eu sou um garoto de entrelinhas, talvez devesse tentar entende-las como eu tento entender os seus meio termos. – falou com uma piscadela enigmática, e então deixou o corpo deitar para se enfiar embaixo da camionete.

A moça ficou ali, atordoada e confusa, enquanto via o carro subir lentamente de acordo com os movimentos do rapaz. Não sabia se tinha entendido direito, e duvidava bastante da veridicidade daquelas palavras, muito embora se sentisse mais perturbada do que gostaria de admitir.

- São eles. – Alya surgiu perto de si, foi quem a tirou dos próprios pensamentos.

E realmente eram eles, Nino parou o carro em uma derrapagem apressada, era notável a sua preocupação. – Meu Deus, Alya! – disse ao se aproximar.

Os dois se abraçaram fortemente, como se estivessem se vendo depois de uma guerra de 10 anos. Marinette viu Plagg e Roger aparecerem já prontos para um serviço pesado.

- Ela precisa ir ao hospital, Nino. – Adrien se esforçava para falar enquanto remexia o macaco, não podia parar antes de travar, senão o carro desceria.

O moreno assentiu levemente, concentrado no ferimento da namorada. – Sim, senhor. Vamos. – chamou ao voltar a pressionar o corte, como ela fazia antes. – Marinette, você vem conosco?

- É claro que não! Vamos logo. – Alya retrucou apressada, arrancando um semblante apático da amiga.

- Vejo vocês mais tarde lá em casa. – falou alto para ser ouvida mesmo com a conversa aquecida dos três homens perto de si.

- Desde quando você sabe trocar pneu? – Plagg indagou com os braços cruzados, pouco disposto a ajudar em alguma coisa.

Marinette riu. – Ele não sabe.

- Espero que tenha ajudado o garoto, Marinette. – Roger brincou divertido, vendo a camionete solavancar ao ter o macaco travado.

Adrien carregava uma carranca irritada quando saiu de debaixo do carro, os cabelos grudados na testa suada e o peito brilhante de gotículas e de manchas escuras. Marinette engoliu em seco e fitou Roger para tentar não se amaldiçoar por perder concentração diante da cena. Quase bateu na própria cara quando o loiro se pôs de pé e parou quase que ao seu lado.

- Se vieram aqui pra encher os meus ouvidos de bobagem, estão dispensados, obrigado. – rosnou raivoso, sentindo as tapinhas que Marinette usava para limpar suas costas.

Tudo bem, aquilo era o cúmulo para sua decisão de não dar o braço a torcer, mas, poxa, coitado. O mínimo que podia fazer era tirar o excesso de terra e de pedra que cobria aquele dorso malhado... Espera, malhado? Porra, Marinette!

- Deixem-no em paz. – falou enquanto piscava cúmplice para Plagg, que virava os olhos.

Roger ergueu as mãos em sinal de rendição. – Permita-me ajudar, então. Posso terminar isso?

Adrien ainda tinha a cara amarrada quando sentiu as mãos de Marinette sobre seus ombros. Virou o rosto para ver o que ela queria falar e assentiu a contragosto após ouvi-la.

- Vamos, você já fez o bastante. – a garota sussurrara, obviamente apaziguadora.

E os dois se afastaram dali sem mais diálogos. Dirigiram-se ao carro de Platão, onde o loiro pôde se sentar soltar seus bufos chateados. – Sinto muito por... Isso. – murmurou entredentes, usando os braços para indicar a camionete quebrada.

Ela sorriu. – Não se preocupe. Aconteceria com qualquer um. – disse tranquila, atraindo o olhar curioso dele. A verdade é que esperava algum comentário ácido e cheio de sarcasmo, era realmente bom quando recebia um pouco de compreensão dela. Marinette pareceu perceber aquela incredulidade, por isso riu. – Eu percebo todas as suas entrelinhas, Adrien. – explicou com a mão no ombro suado dele, um movimento pertinente quando se via tão perto e diante um do outro. – Você que é burro demais pra ver isso. – finalizou com uma sobrancelha erguida e um curvar tênue nos lábios.

Adrien então deixou o queixo cair. Entendia agora, apenas por causa daquele repuxar na ponta da boca dela. Estava sendo testado, era a única explicação plausível.

Tudo bem, se era o que ela queria. – Vamos cavalgar no sábado? – convidou em cerimônia alguma, arrancando um sorriso maior dela. – Como nos velhos tempos, podemos até roubar umas maçãs se você quiser.

- Não abusa, Agreste. – retrucou ao girar nos calcanhares e se encaminhar para dentro do carro de Plagg.

- Isso foi um sim, suponho? – não desistiria tão fácil, não agora que estava pegando a manha.

Marinette o encarou por um tempo, era difícil pensar diante de todo aquele conjunto de musculatura tão crua e exposta. – Não foi um não. – declarou com um sorriso enviesado, fazendo o rapaz quase saltitar.

Teria ficado feliz com um simples talvez, aquela resposta o fez pensar realmente na vitória daquele jogo de sedução.


Notas Finais


Nada a declarar, a não ser agradecer pra quem vem acompanhando a fic!
Obrigada, mores! Vcs são mara!
Me conta o que achou!
Bjão!!!


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