História Mirror - Capítulo 22


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Categorias Steven Universe
Personagens Blue Diamond, Garnet, Jasper, Lápis Lazuli, Malaquita, Opal, Peridot, Pérola, Pink Diamond, Rose Quartzo, Rubi, Safira, Steven Quartzo Universo, Stevonnie, White Diamond, Yellow diamond
Tags 1001 Noites, Arabia, Egito, Jaspis, Lapidot, lápis, Peridot, Perola
Visualizações 71
Palavras 2.014
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção Científica, LGBT, Magia, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Eu li todos os comentários do capítulo passado e ainda responderei cada um, mas antes, queria comentar que achei engraçado vocês falando sobre a Peridot precisar estar mais atenta a Lápis para não se ferir, porque ela se doa demais e é cômico como a própria Peri passou por algo parecido no desenho. Enfim...esse capítulo é tudo que vocês precisam (acho)

Capítulo 22 - Mar aberto


Fanfic / Fanfiction Mirror - Capítulo 22 - Mar aberto

Caos. Excelente palavra para descrever como a casa se encontra no atual momento. A certeza das meninas que poderia haver paz caiu perfeitamente – bem como eu previ. Entretanto, preciso frisar que nem sempre esteve tudo tão caótico, pelo contrário, a manhã começou bem.

Pearl e Garnet dividiram a tarefa de cuidar de Steven. Isso estava bem. Era interessante observar como Pearl se afeiçoou tão rápido ao menino. O que nos leva ao segundo ponto de equilíbrio, sem Pearl por perto, Lápis se viu mais confiante para transitar pela casa.

Logicamente, eu temi por isso. Foi logo no café da manhã, ela se arrumou para descer e eu achei prudente que conversássemos antes.

– E se uma de vocês, sem querer, incendiar a casa? Prefiro não ver fogo azul destruir esse lugar.

– Eu tenho autocontrole, ela também. Além disso, é civilizado ir tomar o café junto de todas.

– Isso quer dizer que iremos viver em paz sobre o mesmo tempo? Não a odiamos mais?

– Não. Nós a odiamos. – Ela pontuou, enquanto saía do quarto, encerrando nossa conversa – Só chegamos em um acordo de não-destruição.

Acordo esse que não durou três dias. Porém, o estopim do caos não veio na forma de dois seres mágicos.

Durante a tarde, Vidália nos visitou. Ela cruzou os portões de casa estonteante, contando sobre o tanto que aprendera em seu tempo longe, sem contar na aquisição de tintas e pincéis novos. Amy e Lapis a seguiram para o ateliê e eu fui também. Por boa parte do tempo, Vidália nos ensinou algumas técnicas que aprendera recentemente. Após esse momento, Amy posou como modelo para nós.

Não preciso dizer o desastre que meu trabalho artístico se tornou, diferente da magnífica obra de Vidália e a originalidade de Lápis com as cores.

– Então...ainda não me contou como é ser um gênio. – Ametista comentou abruptamente. Olhamos para Vidália, que ainda não sabia, ela piscou, sem entender

– Ametista! – Exclamei.

– Longa história – Lapis tentou salvar – eu sou mágica – ela tremulou sua forma durante a explicação, mostrando a tonalidade azul de sua pele – conte para o mundo lá fora e seja chamada de louca. Enfim, é realmente uma longa história.

A pintora deixou cair o pincel de sua mão, estática.

– Contei apenas porque alguém o faria fazer antes – Lapis disse enquanto mirava Ametista, que sorriu amarelo dando de ombros.

– Excêntrico...– sussurrou, mas para si mesma que para nós – responda a dúvida da Amy, Lapis, agora também quero saber.

– Pensei que surtaria – Lapis riu. – Estou surtando, apenas por dentro. – foi a resposta de Vidália.

Lápis então começou a contar, explicando sobre a origem dos gênios e como eles são feitos pelo próprio deus. Ela diz que às vezes se esquece de como é ter uma forma física, dado que gênios são feitos de fogo e vento e que é divertido ter tanto conhecimento que nós, humanos, nem fazemos ideia.

– Posso lhes contar de qualquer era passada, porque bem, eu vivi por lá. – Ela diz.

– E seus poderes? – Amy interrompe.

– Bem, não há muitos limites para o que eu não posso fazer – Lapis explica, meio pensativa sobre como formular a resposta – existem algumas formas de gênio e eu sou um ghul, na melhor explicação, espírito traiçoeiro que muda de forma.

Lapis cita de forma metódica que pode alterar a realidade, se disfarçar de um ser humano, que tem uma força além de qualquer coisa – não que precisemos de uma prova – e outras coisas que ela prefere não dizer.

– Agora, enquanto gênio não livre, só existem três coisas que eu não posso fazer. Trazer alguém de forma dos mortos, forçar um sentimento em alguém, como o amor e também, embora eu seja capaz de matar, defini como regra que esse é um dos desejos que fogem do que posso fazer.

Ametista agora se vira pra mim, fascinada. – Ela pode fazer de tudo! – exclamou – o que você pediu, Peri?

– Isso é segredo – Lapis respondeu por mim, respirei fundo, grata.

– Aposto que não foi nada interessante – ela bufou em resposta – eu pediria algo grande! Primeiro, ser reconhecida enquanto a escultora genial que sou e segundo...eu não sei, não tem limites!

– Fama e reconhecimento. – Lapis pontuou. – É o que quase todos pedem. Mas Amy, há algo que eu não lhe contei, gênios também são capazes de distorcer um desejo. Eu sugeriria que fosse mais específica ao pedir algo ou o feitiço pode se voltar contra você.

– E se eu pedir mais desejos?

– Impossível. Você teria somente três. Acho que na próxima vou precisar especificar como regra que não podem desejar mais desejos.

– Ametista, já está bom de perguntas – digo, falando pela primeira vez durante a conversa – você basicamente interrogou a vida inteira dela.

Lápis disse que tudo bem em falar das partes boas e eu precisei sair do meu lugar para sussurrar no seu ouvido que só queria sair dali. Ela aceitou, despedindo-se das meninas. Finalmente a sós, ela pergunta o porquê de termos ido embora.

– Quero um tempo para nós – dou de ombros – e também, achei que gostaria de planejar nossa viagem para ver o mar.

– É sério?

– Cumpro minhas promessas.

🌬️🌊

Ela usa apenas um vestido branco, curto o suficiente para que não seja desconfortável entrar no mar. Venta bastante, fazendo seu cabelo balançar solto, junto do vestido. Por consequência, o mar também se agita, ondas fortes batem contra rochedos mais afastados. Seus pés descalços afundam na areia macia, quando ela corre, nuvens de areia sob seus pés se levantam.

– Eu já vi o mar, mas nunca estive tão perto dele.

Ela havia me dito antes de me deixar guardando nossas coisas para correr em direção a água. Lápis é uma bagunça feliz quando entra no mar. É tempo somente de vê-la se chocar contra as ondas, mergulhando, para segundos depois ressurgir mais viva que antes.

Tiro meu calçado e o casaco, colocando junto de nossas bolsas. Sinto a areia quente sob meus pés, é confortante. Cato conchas durante o percurso até perto da água, eu as deixo em uma distância segura para que o mar não leve.

A água é gélida demais e quase me arrependo de ter posto os pés nela, quanto mais ter a coragem de entrar mais fundo. Me pergunto como Lapis consegue, talvez porque água seja uma parte intrínseca de si. Ela percebe meu desespero e grita que fica melhor quando se entra de uma vez. Louca. Como mergulhar de vez sem ser congelada até os ossos?

– Dramática.

Posso ouvir Lapis dizendo ao longe. E funciona. Uso sua provocação como força para provar que ela está errada. Mergulho nadando em sua direção. É horrível estar dentro d'água, porém, quando me levanto, sinto a sinestesia do vento e do sol. Todos ao mesmo tempo. É como sentir frio e calor em um só momento.

– Não é tão ruim.

– Espere até ir mais fundo, junto com as ondas.

– Se eu quisesse morrer...

– Está bem. Fique aí, darei outro mergulho e já venho.

Tão rápido quanto veio, Lapis volta a nadar, enfrentando as ondas fortes. Eu fico e aproveito a água, me acostumando ao frio.

– É mais salgado do que pensei – sua forma ressurge ao meu lado. Ora, é claro que é. Em vez disso, resposto que também nunca estive no mar, é uma experiência divertida.

– Sabe, há outra promessa que ainda preciso cumprir.

Eu lhe estendo a mão, Lapis demora um tempo até entender e segurar.

– Não tem música.

– É desnecessário que tenha – respondo.

Eu levo minha mão livre até sua cintura, conduzindo-a para mais perto, até nos unir. Giro nossos corpos, uma dança desajeitada, com a água quase nos derrubando por várias vezes.

– É de fato uma das suas habilidades mais estranhas. – rio em resposta. Acabo de descobrir o mesmo então.

Continuo a nos conduzir até sentir algo pontudo espetar meus pés. Solto um chiado e nos afasto.

– Ai, ai...algo me espetou.

– Espera, vou ver o que é

Lápis deixa seu corpo afundar, procurando o que quer que seja, quando penso que ela não encontrou, a vejo submergir.

– Uma pequena concha com um serzinho dentro – ela me estende a concha – quase o matou.

– Ei, eu não tive culpa. Jogue de volta, mas onde ninguém pise. – Lapis lança a concha longe, até sumir do nosso campo de visão.

– Agora vamos voltar para a areia antes que você congele – ela responde enquanto agarra minha mão, começando a sair da água.

Paramos só no meio do caminho para pegar as conchas que eu tinha juntado. De volta a nossas coisas, me aqueço com uma fogueira que montei. Lapis brinca com as conchas, categorizando-as por cor e tamanho.

Através do crepitar do fogo, eu observo seu cabelo úmido e ligeiramente embaraçado, os traços tão marcantes agora suaves. É a única visão que preciso quando o dia escurece.

🌑❄️

De certa forma, pressentimentos quando algo está para fugir do controle. Sabemos a hora exata em que tudo ameaçará ruir, desmoronar.

Eu senti isso quando chegamos ao quarteirão em que moramos. Seja pela aglomeração de pessoas na rua, seja pelas vozes, seja por nossa casa cercada por uma multidão. Eu estremeço, penso que descobriram nosso segredo e receosa, encurto meus passos.

Peço licença, empurrando e tentando ultrapassar a multidão para chegar ao portão de casa.

– O que está acontecendo aqui?

Ruby bate de frente com um padre, um dos mais prestigiados da cidade.

Oh, não. Não estão aqui por Lapis e nosso segredo.

– O senhor mora aqui? – o padre me pergunta, notando minha presença e ignorando por completo os protestos furiosos de Ruby.

– Sim, eu moro. – Comunico.

– E permite esses atos profanos e pecaminosos em sua casa?

Meu olhar passa para Ruby e Sapphire, nos sabíamos que esse dia chegaria, que haveria um momento em que não seria possível proteger a todas nós, uma cigana, um casal homoafetivo, mulheres solteiras juntas em uma mesma casa, enquanto tínhamos Rose e sua influência, estávamos bem, entretanto, ela se foi.

E eu penso em quão imoral deveria ser essa suposição de controle e costumes a que somos submetidas. Por não dar a elas a escolha de estarem juntas, por não me deixar ser quem eu sou, uma mulher, no mundo acadêmico. Meu sangue ferve.

– Deveria controlar essas mulheres.

– Está enganado, padre. – Lhe respondo. – Existe sim pecado entre nós, mas não cabe a você decidir quais são. E se me permiti dizer, o maior pecado é nos condenar tendo em vista que não é santo. Prega amor e traz condenação, isso é mesmo certo?

– Fala como se fosse uma delas, senhor. Tome cuidado.

– Pois bem. – Inspiro e solto o ar que por tanto tempo mantive preso em meus pulmões. Não há como resolver esse conflito enquanto eu ainda me abster dele. Parte de mim lamenta que somos somente nós aqui, porque só resta a mim resolver a injustiça. E parte de mim sabe que essa é a maneira certa. – Eu sou uma delas. Não sou Percy, não o que vocês imaginam que sou.

Ele pisca, visivelmente confuso. Posso ouvir Lapis pedindo que eu recue.

Quando o disfarce que mantive por tantos anos finalmente cai por terra, me sinto corajosa, algo que não sabia existir em meu interior até pouco tempo atrás. Uma força e desafio que passam a me compor. E concluo que se eles insistem em nos punir por atos tão humanos, defenderei as, pois assim como essa casa, elas também são meu lar.

O clero me enxerga com repulsa, o padre exclama sacrilégio. Estou exposta.

– Uma mulher...

O vejo se aproximar, furioso. E penso em todas as vezes que pensei em deus, me remetendo ao medo.

Não tenho tempo de reagir a sua próxima ação. O homem de deus cai morto no chão, atrás de seu corpo desfalecido, Lapis se encontra em pé, sua mão estendida em direção a ele. Ela o matou com um único toque de sua pele.

Estática. Não ouço os gritos de horror, não vejo as pessoas correndo ao socorro do padre. Não vejo as lágrimas, sequer sinto algo. Eu apenas projeto minha repulsa, ela o matou. Lapis o matou. Com um único toque.

– Ele iria te machucar.

Ela diz. Não importa. Merda. Não importa. Ela o matou.



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