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História Mirror - Capítulo 1


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Notas do Autor


Angst depois de ser arrancada do armário pros meus pais, irra

Capítulo 1 - Reflexo


Dazai não tinha espelhos em sua casa. O único que tinha estava enfiado no fundo de sua gaveta. Osamu detestava seu reflexo; despertava em si frustração, tristeza, lembrando-o de que não merecia o que vivia atualmente. Ele sussurrava para si, com aqueles olhos inexpressivos e voz de morto, que não merecia estar na luz, que deveria voltar a se esconder nos corredores da máfia do porto e deixar os detetives em paz.

Toda vez que Osamu encarava o espelho via-se ali, mais novo, com o sangue manchando suas faixas, o cabelo tão desgrenhado quanto atualmente, a falta do brilho no olho descoberto e as diversas rachaduras nos lábios desnutridos. Não havia mudado muito, se parasse para pensar.

Ei… não vai olhar para mim hoje?

Então soou a voz que tanto conhecia; a que mais ouvia, a única que pairava sobre sua mente. Às vezes, muito raramente, os gritos de Kunikida eram um escape, cobriam-no a escassez de paz (que sua própria voz criava) que tinha em seus pensamentos, por isso gostava tanto de irritá-lo. Sua própria voz vinha do banheiro. Havia um grande espelho ali, um espelho de corpo inteiro. Talvez fosse o espelho onde Yosano arrumava sua saia, talvez onde Kunikida ajeitava o colete, até mesmo podia ser o espelho onde Naomi se olhava para pentear o cabelo; aquele espelho tinha inúmeras utilidades, inclusive chamá-lo para uma conversa injusta.

Pois, sejamos sinceros aqui, o seu reflexo é você, ele sabe tudo, até coisas que não existem na sua compreensão.

E, como Osamu estava cansado de ser chamado por si mesmo do banheiro gelado, quando todos saíram, deu-se a permissão de andar até o cômodo apertado. Suas mãos de dedos com pontas geladas tocaram a porta de madeira, abrindo-a com cuidado, talvez até medo; sua própria voz morta e inexpressiva ressoava entre os azulejos frios.

Resolveu aparecer?”

“Devia me deixar em paz.”

Nós sabemos que alguém como você não merece paz.”

“Você está incluso?

Bom, eu sou você, não sou?”

Dazai se encolheu, não gostava do que via. O negro da máfia cobria seus ombros, desde o casaco escuro que caia para o meio de suas coxas até o sapato preto lustrado. As faixas bem presas cobriam-lhe o olho direito, aquele sorriso morto que seu reflexo carregava era perigoso, pois Osamu sabia que poderia voltar a sorrir assim a qualquer momento. Era aterrorizante apenas pensar na possibilidade. 

“Acho que você deveria voltar para a máfia. Sabe? É mais útil por lá.”

Osamu não respondeu, afinal, era verdade, era mais útil na Máfia, Dazai gostava da Máfia. Gostava de quebrar a mandíbula das pessoas e depois dar dois tiros, um em cada lado, apenas por próprio deleite, antes de disparar o último e deixar que tal alma encontre paz, ou mais sofrimento. Mas Osamu também gostava da Agência, era útil por ali também. Era, certo? Também tinha utilidade ali, não é? Tinha, não tinha?

“Não Osamu, você não tem.”

Dazai sorriu para o espelho um sorriso machucado.

“Você é maldoso. Fala coisas sem sentido. Devia aprender que palavras machucam.”

“O quê? Falar a verdade te machuca, Osamu?” As mãos pálidas cobertas por bandagens tocaram o vidro, os dedos sendo forçados contra a superfície tinham a sombra da pele pressionada. “Desde quando é tão fraco?”

Dazai sorriu fraco, então quer dizer que era fraco? Fraco por compreender um pouco mais do que é ser humano e ter sentimentos, ou fraco por ter descoberto um pouco mais da realidade?

“É fraco por se machucar com a verdade.”

“Nem sempre a verdade é boa, tenho direito, não?”

Seu reflexo sorriu e uma risada nasal irônica foi vista antes que ele desaparecesse e Dazai conseguisse ver a si mesmo no vidro. E antes que conseguisse respirar, sentiu a garganta trancar e seus joelhos irem parar no chão. Lágrimas salgadas desciam em seu rosto fino, escondia a face com as mãos, chorando amargurado consigo mesmo.

Nunca mudaria, não é? Ele estava certo.

Pensou antes de jogar a cabeça para trás e olhar para o teto, se seu reflexo era si mesmo, então por quê? Por que continuava a se atormentar com coisas vagas? Talvez ainda pensasse que não devia estar ali, na agência.

“Né, Odasaku, já está bom, não é? Eu já fiz o que você me pediu… me deixe ir embora, não sou útil aqui.”

“Não adianta pedir aprovação a um morto, Osamu, mortos não falam.”

Ali estava seu reflexo novamente, olhando para si com aquela falta de empatia, com aquele olhar que, apesar de ter estado em seu rosto por tanto tempo, causava calafrios.

“Ah é, eu me esqueci disso.”

Dazai respondeu para o espelho. Suas mãos desceram para o bolso de seu casaco e de lá, retiraram uma arma, um revólver simples.

“O que pretende?”

“Você disse que mortos não falam.”

“Então vamos morrer?”

“Acho que sim, a menos que alguém tenha esquecido algo no banheiro e acabou de se dar conta.”

“Isso não é uma boa solução, Osamu.”

“Eu prefiro assim.”

“Sua cara fugir dos problemas.”

Irritado, Osamu atirou contra o espelho, o barulho alto da bala deixando a arma foi música para seus tímpanos cansados.

“Cale a boca.”

Ficou bons minutos olhando para os cacos de vidro no chão, subindo o cano gelado da arma para a própria cabeça, no entanto, ao que estava pronto para puxar o gatilho, a porta do banheiro foi aberta de maneira raivosa.

“Achei que tínhamos um acordo, Osamu!” E, claro que seria ele, Chuuya estava ali, ele sempre aparecia nos piores momentos, chegava até a ser fora de contexto e cômico. Não sabia do que ele falava, muito menos como explicar o que estava havendo ali. “Que porra ‘cê tá fazendo?”

“Chibbi, você sempre aparece quando não é convidado.” Foi sua resposta, enquanto se levantava e saia do banheiro, passando direto pelo corpo pequeno para entrar no escritório da agência, não tinha ninguém ali, apenas seus papéis sobre sua mesa e o livro vermelho que o acompanhava desde pequeno.

“Sua bunda que eu apareço quando não sou convidado, que porra estava acontecendo naquele banheiro, Osamu?!” Chuuya perguntava preocupado, analisando o corpo do ex parceiro, puxando-o com indelicadeza para os sofás.

“Eu tô cansado, Chuuya, muito cansado. Não sou mais útil aqui, só queria descansar e dar um jeito de deixar de ocupar espaço.”

Chuuya o encarava com aqueles olhos repletos de compreensão, apenas. Não sentia pena, apenas encarava a situação como o rapaz atencioso que era com as pessoas. Pegou na mão de Dazai e, de forma lenta, acariciou os dedos gelados.

“Você anda ajudando a salvar vidas, como diz que não é útil? Só porque não atira mais nas pessoas, e sim as salva, você não tem mais utilidade? Não se canse, ainda tem muita gente viva por sua causa”, murmurou, olhando para os dedos longos que preenchiam o interior de sua mão. 

“Até que você serve para alguma coisa além de chutar a bunda das pessoas e falar palavrão, Chibbi.”

“Cale a boca, imbecil!” Riu, sendo acompanhado pelo mais alto. “Vamos, temos coisas para fazer.”

“Sim, senhor.” Brincou, recebendo a atenção dos olhos de Chuuya novamente em um revirar sútil e notar um sorriso zombeteiro surgir nos lábios dele, antes de saírem do prédio.

O espelho estava quebrado na agência, mas ele sabia que não era apenas o espelho, era ele, e apesar disso, Osamu ainda estava dividido, mas não tinha problema deixar para se resolver consigo mesmo mais tarde.


Notas Finais


Espero que tenham gostado babys 🍡💖

A capa fui eu que fiz

E minha princesa @Akyuu, deu uma revisada na fic, obg meu amor


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