História Miss Aurora - Capítulo 4


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Categorias One Direction, Zayn Malik
Personagens Zayn Malik
Tags One Direction, Zayn Malik
Visualizações 96
Palavras 1.903
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa leitura!!
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Muito obrigada aos 10 favoritos♥

Capítulo 4 - Capítulo 4


“Tonight I’m gonna have myself a real good time

I feel alive and the world is turning inside out Yeah!

I’m floating around in ecstasy

So don’t stop me now don’t stop me

‘Cause I’m having a good time having a good time”

Don’t stop me now – Queen

— Hoje a gente vai encher a cara para comemorar. — Eu, a Vivi e Neels tínhamos acabado de sair do balé. No meio do dia recebemos a notícia de que eu seria a nova Aurora da peça, uma semana após a última apresentação. Vivi disse que precisávamos comemorar e por isso eu concordei.

Fomos a um bar underground, com uma mistura de novos punks e motoqueiros. Isso era coisa do Neels. Ele saía do balé e vestia calças rasgadas, bagunçava os fios longos do cabelo loiro e parecia mais um baterista de uma banda punk do que um bailarino clássico. Ele era engraçado.

Sentamos em uma mesa em um dos cantos, perto do palco.

— E aí, começamos com uma rodada de tequila para cada? — Neels perguntou.

Eu neguei com a cabeça.

— Sim, uma dose para cada — Vivi falou antes de mim.

— Eu não bebo tequila.

— Hoje você vai beber, querida.

— Eu não... — Neels já tinha levantado e saído em direção ao bar.

♥♥♥

— Neels, já disse que você tem cara de príncipe? — perguntei com uma risada exagerada, culpa da dose de tequila que tinha acabado de virar.

Neels ia ser o Florimundo, meu príncipe no balé.

— É, acho que é por isso que eles me escolheram — ele respondeu com uma falsa modéstia.

— Ah, sim, claro, o seu talento e o fato de você ser o primeiro solista da companhia não quer dizer nada — Vivi contrapôs com a boca torcida em uma expressão caricata.

— E aí, Neels, quando você começou a dançar? — perguntei depois de dar um gole na água, queria tirar o gosto ruim da tequila.

— Quando eu entendi que a rigidez e a disciplina do Bolshoi, eram melhores que os porres que meu pai tomava e as surras que ele me dava depois que bebia.

— Nossa! — Vivi disse olhando para as próprias mãos.

— E você, Michele, de onde a dança te resgatou? — Neels perguntou.

— O balé me tirava de uma realidade onde muitas vezes tínhamos que comer na casa de parentes ou vizinhos, porque nossa geladeira era vazia demais, mas, principalmente, enquanto eu dançava, sentia ser de um mundo onde não existem problemas.

— Como assim? — Neels não tirou os olhos de mim.

— Minha mãe amava o Fred Astaire e a Ginger Rogers. Dizia que eles eram como anjos, eu queria ser como eles, sempre pareciam tão leves e felizes enquanto dançavam... Então, comecei a dançar. Meu pai morava em outra cidade, nunca quis que eu fizesse balé profissionalmente, ele é um figurão do exército brasileiro, metido com política. Quando soube que venci o concurso, quase enlouqueceu. — Eu dei mais um gole na água antes de acrescentar: — Só assinou a papelada para eu vir porque minha mãe o chantageou com uns papéis que guardava em um banco. — Dei de ombros, fingindo uma indiferença que não sentia. — Parece que ele pode ir para a prisão pela maneira como ganhou rios de dinheiro, minha mãe tem provas, o ameaçou e...

— O pai da Michele é um belo filho da puta! — Vivi me interrompeu. — Mora em uma mansão de cinema, é um multimilionário e nunca pagou para ela mais do que a escola.

— Pelo que eu entendi, ele queria atingir minha mãe através de mim.

— A mãe da Michele é uma batalhadora, trabalha como secretária e como costureira. — Vivi sabia a minha história de trás para frente, como eu sabia a dela.

A voz da minha amiga se misturou com as minhas lembranças. A casa pequena que eu cresci, os pôsteres do Fred Astaire e de bailarinos famosos disfarçavam a pintura rala e velha da parede. Na cabeceira da cama, as fitas das minhas sapatilhas gastas, amarravam uma a uma, o número de pares trocados até aquele momento. Lembrei-me do guarda-roupa com a porta quebrada. Ele vivia muito bagunçado para ficar aberto o tempo todo. A voz da minha mãe entrando no quarto.

 

— Filha, ainda acordada? — Eu tentava dar um jeito na sapatilha que parecia estourada demais, para merecer socorro.

— Você não precisa fazer isso, estou com o dinheiro dos seus pares novos.

Olhei para ela, que tinha cabelos lisos escuros dentro de uma bagunça cansada, olhos fundos e corpo pequeno para ser de alguém que trabalhava dois turnos.

— Eu não quero mais que você costure noite afora para poder pagar por minhas sapatilhas... eu quero dar um jeito.

Ela respirou fundo e disse:

— Você tinha sete anos quando decidiu que seria bailarina, eu me lembro da primeira vez que calçou uma ponta. Lembro que o seu sorriso era maior do que o seu rosto.

Eu ainda tentava remendar um furo do lado esquerdo da peça e ouvi a minha mãe continuar:

— Quando eu te vi dançar naquela audiência, só com seis aninhos — A voz dela saiu embargada. — , não foi o fato de você ter sido aceita na melhor escola do Rio de Janeiro que fez o meu coração encher de alegria, foi você, Michele, a sua dança. Você tem algo especial e nem que eu tenha que passar a minha vida em cima de uma máquina de costura para que você não desista, a fim de buscar seus sonhos, eu farei isso.

Larguei as sapatilhas no chão e admiti para mim mesma: ela dava tão duro para que eu conseguisse, trabalhava dezesseis horas por dia, sonhando com o momento em que eu seria reconhecida. Admiti que tinha medo de decepcioná-la. De que talvez, tudo aquilo fosse para provar que eu era capaz. Naquela noite, compartilhei um pouco da minha insegurança:

— Estou com medo, acho tão improvável que tenha sido selecionada para a fase final do concurso. — Engoli em seco. — Acho que não sou boa o bastante, as bailarinas das melhores escolas do mundo estão disputando essas mesmas vagas, eu... acho que não vou conseguir.

— Filha, olha dentro dos meus olhos — minha mãe sentou no chão à minha frente —, você dança mais de sete horas por dia, seis vezes por semana, há anos... Eu acompanhei cada uma de suas bolhas, de suas dores, das vezes em que você chorou pensando em desistir, ajudei você amarrar cada uma dessas centenas de fitas que estão em sua cabeceira, e quero que você saiba que tem algo que nem mesmo a melhor ou a maior companhia de balé do mundo, as técnicas mais perfeitas e a variação mais impecável podem dar...

— O quê?

— Você dança com o coração e com a alma, isso nenhuma escola, por melhor que seja, pode ensinar... Você nasceu bailarina.

— Obrigada, mamãe — eu disse e a abracei.

Hoje, mais de três anos após aquele dia, eu comemorava em um bar o fato de ter sido escolhida como a solista principal da peça A Bela Adormecida, dentro de um dos maiores balés do mundo.

Eu consegui, mãe. Nós conseguimos.

Senti a mão da Vivi no meu ombro me trazer de volta para o bar punk e para a mesa com a garrafa de tequila pedindo para ser esvaziada. Ouvi-a continuar:

— Aí, a mãe dela fez o mesmo jogo sujo que o pai usou a vida inteira, ameaçou-o com esses tais documentos.

— Mas, se sua mãe tinha esses documentos, por que nunca usou para conseguir mais dinheiro do seu pai? — Neels perguntou após virar outra dose de tequila e encher, mais uma vez, o meu copo e o da Vivi.

Lembrei da noite em que saímos de casa, quando eu tinha cinco anos. Respirei fundo.

— Ela disse que nunca quis se meter com ele desse jeito, acho que tem medo dele, e talvez tenha razão em ter. Ela disse que só usaria esses papéis em caso de vida ou morte. — Virei a minha dose e concluí: — Graças a Deus, porque sem isso o meu pai nunca assinaria a autorização para eu vir para cá e acho que teria morrido. Foi um caso de vida ou morte.

— E você, Vivi, qual a novela da sua vida? — Neels perguntou.

— Minha mãe me abandonou quando eu tinha oito anos, ela dizia que eu era desengonçada e que não seria uma boa bailarina... Esse era o sonho que ela nunca realizou, eu quis provar que estava enganada a meu respeito... e acho que consegui, por mais que eu nem saiba se ela está viva ou morta para comprovar. — Vivi encolheu os ombros e completou: — Hoje eu danço na maior companhia do mundo, ela nunca saiu da escola medíocre em que dava aulas.

— Parece que estamos fazendo uma competição de quem tem as maiores merdas para colocar em cima da mesa — Ivo disse, sorrindo, talvez querendo recuperar o bom humor da conversa.

— E o que vocês acharam do tal senhor Malik? — Vivi perguntou em um tom de voz um pouco alto e cheio de ironia. Sem entender o porquê, olhei para os lados procurando instintivamente por alguém. Vivi perguntou isso porque o maestro tinha sido oficialmente apresentado hoje a todos.

— Acho muito louco esse cara ter autorização de se meter desse jeito na parte artística do balé, e achei-o um cretino, arrogante e mal-educado — Neels respondeu.

— Eu também — Vivi emendou —, não cumprimentou ninguém pelo nome, fez questão de se dirigir a todos pelos seus papéis... ainda faz absoluta questão de chamar todos por senhor, senhorita, como se estivéssemos no século passado. — Ela torceu a boca para baixo. — Surreal.

— Acho que a fama de grosseirão chega antes dele... sei lá, devíamos dar um crédito antes de julgarmos. — Ergui as sobrancelhas. — Afinal, mal o conhecemos!

— Ah, pelo amor de Deus, um cara que fica quase uma hora analisando todas as pessoas como se elas estivessem em uma lâmina de laboratório do jeito que ele fez, não é normal — Vivi completou.

— O papel dele é analisar as pessoas — disse ainda, tentando suavizar o retrato pintado do maestro.

Quando fui analisada por ele na hora da apresentação, senti uma incoerente moleza nas pernas e uma ridícula aceleração cardíaca. Como queria tirar o peso colocado na imagem dele, eu continuei:

— Fiquei com a estranha sensação de já ter visto o senhor Malik em algum lugar.

— Onde? — Vivi perguntou.

— Sei lá, acho que foi na viagem, você sabe como sou péssima em lembrar rostos.

— Não acho possível que já tenha visto ele em algum lugar — Neels disse depois de virar outra dose, eu o segui e virei mais uma. Começava a me sentir leve, solta e... nossa, até que tequila não era tão ruim.

— Por quê? — Olhei para o Neels.

— Porque ele é conhecido por ser um ermitão, parece que ninguém nunca o vê em qualquer lugar sem ser na frente das orquestras que ele rege e dentro da academia de música.

— Com uma barba daquele tamanho — Vivi falou —, ele anda camuflado na rua.


Notas Finais


Continua...


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