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História MISS MADEMOISELLE - Capítulo 2


Escrita por: yulianmarquez85

Notas do Autor


Espero que curtam esse capítulo ❤️

Capítulo 2 - Novo lar, nova vida


Fanfic / Fanfiction MISS MADEMOISELLE - Capítulo 2 - Novo lar, nova vida

POV: Anna

Março – 2004

E finalmente cheguei nos EUA!!

Não consigo disfarçar minha ansiedade... Apesar do ar fresco de final de inverno e das potentes instalações de ar-condicionado do saguão do aeroporto, minhas mãos suam, eu as retorço nervosamente enquanto me sento sobre as malas e aguardo Munir chegar. Ele avisara que iria se atrasar um pouco devido a um compromisso de última hora, mas garantiu que eu deveria ficar tranquila que ele certamente viria. E ele veio.

Eu esquadrinhava a multidão de pessoas que chegavam e saíam quando o vi, caminhando entre as pessoas e olhando aqui e ali à minha procura, elegantemente displicente em sua bata branca de seda bordada combinando com a as calças Prps brancas e sapatos impecáveis. Levantei de um salto e gritei:

- Munir!!!

Ele sorriu aquele sorriso tão típico dele, os olhinhos se apertando e quase se fechando, o rosto todo se iluminando de genuína alegria.

- Aleaziz! – ele gritou de volta, abrindo os braços e vindo ao meu encontro – Uau, você continua linda, minha menina. Aposto que trouxe na bagagem toneladas das suas famosas meias e aquele perfume seu de chocolate.

Eu ri e chorei abraçada a ele.

- Estou com saudades – eu disse, fungando – eu sou uma ridícula, olha como estou chorando e me borrando toda...

- Eu também minha querida, estava sentindo sua falta, e mal via a hora de você chegar pra colocarmos as conversas em dia. Vamos! Paul está esperando por nós na pick-up.

Na verdade, Paul estava a poucos metros de nós, olhando com afeto as nossas efusões de abraços e choros. Ele me abraçou e disse, em inglês:

- Minha linda, quando tempo sem ver você. Munir não falava em outra coisa a não ser em sua chegada! Vamos, vou ajudar a carregar suas coisas e colocá-las na pick-up.

- Oh Paul, também senti sua falta! Munir me disse que você montou um novo closet, estou ansiosa para ver!

Bem, a essa altura, cabe explicar: Munir e Paul são namorados. Então já dá pra imaginar o porquê de Munir ter resolvido sair da Síria, sua terra natal – apesar do país estar em um processo de mudanças em relação a essas coisas, a mentalidade das pessoas não muda de uma hora pra outra e, em um país predominantemente muçulmano, ainda é bastante difícil ser homossexual. Munir, ainda na adolescência, se mudou para o Brasil com a família, estudou, trabalhou e agora já fazia dois anos que morava nos EUA. O namoro com Paul começou no Brasil, e já fazia pelo menos uns cinco anos que estavam juntos – "juntos" entre aspas, pois cada um morava na sua casa, pois preferiam não desgastar a relação.

Munir e Paul eram o mais próximo que eu tinha de um relacionamento ideal; eles eram perfeitos juntos. Meus pais se separaram há pouco tempo; de minha mãe eu não tinha notícias a não ser por telefone ou algumas mensagens apressadas. Meu pai é extremamente gente boa, mas trabalha demais. Meu irmão já havia ido embora há muito tempo, mas sempre me mandava mensagens legais e encorajadoras, e tentava ser presente mesmo à distância. E tinha também o professor Augusto...

- Querida – disse Munir, me olhando no banco de trás, enquanto Paul dirigia – estou te achando muito quieta. Está triste? Não parece muito animada, meu amor.

Eu e Munir não temos segredos, então resolvi mandar a real pra ele:

- Tô triste. Minha mãe foi embora e não liga pra mim, meu pai me ama e me dá até mais do que preciso e mereço, mas não tem tempo de estar comigo. Meu irmão sempre me deu atenção, mas agora está longe. Não queria me sentir tão péssima, sei que estou tendo uma grande oportunidade agora e vocês dois são meus anjos da guarda, mas me sinto muito mal com essa situação.

- Meu amor, você acha que eu não sei o que é a sua família estar tão distante de você? Difícil, muito difícil. Mas como disse, eu e Paul estamos com você, e você está com a gente. Você é nossa agora! – completou ele, rindo – Tem um grande futuro pela frente. E imagine as milhões de coisas legais que poderemos fazer juntos!

Nessa altura, depois de passar por toda a longa e demorada confusão do trânsito das avenidas fervendo de gente apressada, a pick-up entrou por uma breve estrada asfaltada cercada de árvores que levava a um bairro com diversos casarões cercados de sebes verdejantes pontilhadas aqui e ali por algumas flores de cores diferentes. O inverno chegava a seu final, mas a primavera já se anunciava ali naquele recanto que seria meu novo lar.

- Uau – eu disse, olhando embasbacada – que lugar lindo!

- Seja bem vinda! – disse Paul.

Com Paul e Munir carregando parte de minha bagagem, entrei boquiaberta pela imensa porta janela que levava ao interior da casa, com decoração moderníssima, se é que entendo bem dessas coisas.

- Essa casa é a sua cara, Munir.

- Linda? – ele perguntou, com ar de deboche.

- Sim – eu respondi, rindo – e elegante, muito bonita. Espalhafatosa, igual você – constatei, olhando para o quadro imenso na parede da sala, retratando uma legião renascentista de anjos pelados tentando flechar uma donzela aflita, igualmente renascentista e pelada.

Ele e Paul gargalharam.

- Ah, a nossa viborazinha está voltando com seus comentários cheios de sarcasmo – assobiou Munir, arrastando minhas malas com gestos exagerados – venha, minha viperina. Venha conhecer seu quarto...

Não apenas os meus aposentos, como o restante dos quartos (além do meu e de Munir, tinha mais dois) era enorme, mobiliados e muito confortáveis. A tour pela casa arrancaria ainda muitos "Ahs!" e "Ohs!" da minha parte, para deleite do meu anfitrião.

A minha temporada ali seria ótima, afinal.

POV: Jeffrey

Então, é isso. Vou me mudar.

Se as oportunidades de atuar estão longe de mim, parece óbvio que preciso ir até elas.

Meu amigo Bill, professor do curso de Artes Cênicas da Universidade de Cambridge, se disponibilizou a levar minha bagagem e meus cachorros, e eu iria dois dias depois com o restante das coisas na bolsa de viagem em minha velha motocicleta.

Ou seja, ele levou tudo ontem, e eu irei amanhã.

Estou ansioso. Fazia tempo que não mudava assim de ares.

E, por falar nisso, estou ansioso também pra conhecer meu anfitrião. É, é isso mesmo, eu não conheço o cara que vai me hospedar, mas ele é amigo do Bill, e os amigos dele são meus amigos também (espero). Teve a gentileza de dizer que havia um quarto vago por preço razoável em sua casa, ao ouvir Bill comentar sobre o velho amigo ator desesperado que precisava de moradia. E o preço era bem razoável mesmo. De qualquer forma, eu iria compensar essa boa alma quando estivesse ganhando milhões em Hollywood.

A única coisa que eu sei do meu anfitrião é que provavelmente ele é muçulmano (ou será que estou pré-julgando? Sei lá) – tem um sobrenome compridíssimo e complicado, (Munir alguma coisa Aziz) que alude a tribos, a prefixos árabes e não sei mais o quê. Sei também que ele é muito simpático, pelo menos é o que pude constatar pela nossa única conversa telefônica, em que me garantiu que eu seria bem-vindo e que estivesse à vontade para enviar minhas bagagens e me mudar, desde que o avisasse com antecedência para não dar de cara com a porta. O meu maior medo até então era que ele não aceitasse meus cachorros, mas ele pareceu encantado com as descrições que fiz deles.

- Oh, eu adoro cachorros – ele disse – eles têm uma energia boa.

Achei que "energia boa" é uma expressão que define muito bem Bandit e Bisou, e fiquei feliz, com a minha resolução de me mudar.

A minha temporada lá será ótima, afinal.

POV: Anna

Já fazia algumas horas que eu havia chegado. Paul já havia ido embora, eu tomei um banho e desabei na cama. Acordei e encontrei, sobre o tapete felpudo do meu quarto, um cachorrão preto de patas amarelas, que acordou e ficou alerta assim que me sentei na cama – me lembrei dos alertas de meu pai sobre não esboçar reação de surpresa para evitar levar umas dentadas, mas pelo visto o queridinho gostava de novas amizades, haja vista modo como lambeu minha mão.

- Ei, fofinho! – falei, com voz de tatibitate – que lindinho você é! Que lindinho!

O grandalhão ficou ainda mais exultante depois que falei com ele: fungou, mostrou os dentinhos afiados, balançou o rabo animadamente. Ouvi outro latido mais ao fundo da casa e ele se virou e saiu correndo em direção ao outro, no que eu pude constatar que não é um macho, mas uma doce e enorme cadela de raça indefinida.

Tomei um banho, me vesti e fui encontrar Munir descascando legumes na longa ilha de granito da cozinha, e me juntei a ele para ajudá-lo.

- Munir! Você não me disse que tinha cachorros!

- Oh, merda – respondeu Munir, me olhando assustado – eu esqueci de mencionar. Um amigo de um amigo meu também vai ser nosso hóspede. Ele é ator, e provavelmente aqui ele terá mais oportunidades de fazer as audições dele. Os cachorros são dele.

- Ator??

- Sim, já fez participações em filmes, séries, mas pelo visto tem sido difícil pra ele conseguir papeis.

- Humm. É bonito ele?

- Não sei, meu bem... O Bill falou o nome, mas eu me esqueci. Ora, não sou muito ligado nessas coisas de televisão... O sobrenome é Morgan, isso eu me lembro bem, porque foi como eu o chamei pelo telefone quando ele me ligou para confirmarmos nossa transação.

- Morgan...

- Tem uma bela voz. Mas não sei se é bonito. Deve ter mais ou menos a minha idade, então é muito velho pra você – ele riu - Escuta... Você vai começar a estudar em duas semanas, certo?

- Exato.

- Então, meu docinho, eu quero te pedir um grande favor. Amanhã, Mr. Morgan vai chegar aqui à tarde, e quero que você o receba, uma vez que eu vou estar na universidade trabalhando no horário em que ele chegar. Certo, meu anjinho? Seja esse docinho de leite debruado de ameixa que você costuma ser – disse ele, com o seu usual sarcasmo carinhoso – receba o homem, mostre a casa a ele, leve-o até o quarto e diga pra ele se sentir à vontade. Eu chegarei em casa por volta das 19 e faremos o jantar juntos. Combinado?

- Tá bom, Munir. Deixa comigo. Só uma pergunta...

- Fale.

- Dorme comigo essa noite? Quero conversar até cair no sono.

- Claro, meu bem.

POV: Jeffrey

É, deu tudo certo até agora.

Bill disse que correu tudo bem com a bagagem. Disse também que a casa é enorme, bonita, confortável, e que Bandit e Bisou ficaram muito à vontade no novo território. Se eles ficaram felizes, eu também ficarei.

Afirmou ainda que o anfitrião é muito simpático e está curioso pra me conhecer. Já é um bom prenúncio.

Preciso dormir. Amanhã tenho uma longa viagem a fazer, e preciso estar descansado.

...

No próximo capítulo: Depois de uma longa e cansativa viagem, Jeffrey chega enfim à casa de Munir. Mas ocorre um pequeno imprevisto... será que tem alguém para recebê-lo ali?


Notas Finais


Espero que estejam curtindo! Qualquer dúvida ou sugestão, mandem comentários... Bjsss


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