História Miss Solution - Capítulo 32


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Categorias Harry Styles, One Direction
Personagens Harry Styles, Personagens Originais
Tags Harry Styles, Miss Solutions, One Direction, Phoebe Tonkin, Romance, Universidade
Visualizações 95
Palavras 4.639
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Famí­lia, Festa, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá amoras.

Não sabem o quão difícil é dar adeus a essa linda história de amor. Harlentina é o casal de fanfic que criei que mais amo e acho difícil substituí-los.
Foi uma longa jornada, mas que valeu muito a pena para mim e espero que para todas vocês também. Eu acho que levei uns dez dias para bolar um final digno para essa fanfic e não sei se consegui, mas saibam que fiz com todo meu coração assim como cada capítulo.

Boa leitura do último capítulo!

Capítulo 32 - Epílogo - Tudo pela família


Cinco anos depois...

 

Cemitério. Se tinha um lugar horrível de se visitar e que causava calafrios e reviravoltas no estômago de Valentina era aquele no qual estava. As lápides enfileiradas e as flores murchando diante delas… Aquele ar era tão entristecedor que a morena não podia segurar as emoções que dominavam seu interior de forma tão agressiva.

A moça levou os dedos em direção ao rosto secando os olhos marejados. Mesmo depois de tanto tempo ainda ela doloroso ir até aquele lugar. Mas era o dia de Los Muertos e tornara-se rotina visitar a pessoa mais querida que já perdera, que tivera o triste azar de fazer parte de sua família por tão pouco tempo.

— Não esperei um dia vê-la num cemitério, especialmente nesse dia.

A voz masculina extremamente familiar fez a morena sorrir fracamente. Fazia tanto tempo que não ouvia aquele timbre, do qual sequer sabia sentir saudade. Claro que sentira saudade de John Parker nos cinco anos em que ele simplesmente deixara de falar com ela, todavia, suas palavras geralmente eram intimidadoras demais para causarem felicidade.

Valentina virou-se fitando o rosto do pai. Ele ainda era exatamente como na última vez em que o vira, mais de dois anos antes, acidentalmente durante uma visita ao país natal. O homem sorriu fracamente alisando levemente os cabelos castanhos que já tinham alguns fios grisalhos.

— Desde muito pequena, sempre teve horror ao dia de Los Muertos. — Ele desviou os olhos da lápide para a filha. — Sua mãe sempre gostou muito da cultura latina então comemoravam essa data na casa dela. Mas você simplesmente se negava a comparecer ao cemitério para visitar os parentes.

— Mas é diferente com ele. — A voz estava embargada pelo desejo de tornar a chorar. A moça voltou-se mais uma vez para o túmulo onde acabara de colocar uma porção generosa  de margaridas.— Eu sinto que devo isso a ele.

O doutor Parker fitou a filha enquanto ela tentava com dificuldade conter as lágrimas. Ele apenas deu poucos passos em direção a Valentina e confortou-a com um leve acariciar nas costas, com os olhos destinados ao mesmo local que os dela.

— Nícolas é um nome bonito. Você quem escolheu, imagino.

— Sim. — Ela abriu um sorriso pequeno, tocando a área debaixo dos olhos para secá-los. — Esse nome significa vitorioso e, mesmo que ele não tenha vencido o effoetoimune, foi fundamental para que muitas outras pessoas vencessem esse e outros vírus. — Valentina virou o rosto levemente para olhar para o pai. — Deixar que fizessem uma autópsia tão minuciosa no bebê que eu sequer tivera a oportunidade de segurar em meus braços… O maior laço que eu estabeleci com o homem que mais amei em toda minha vida… Foi tão doloroso — prosseguiu pausadamente. — Mas Maressa e os outros cientistas só descobriram o estabilizante para a medicação depois de estudar os efeitos do vírus que passou geneticamente de Styles para o nosso filho.

— Eu soube há pouquíssimo tempo que esteve grávida há alguns anos. — Ele indicou a lápide com o queixo. Gravado em uma placa metálica no chão estava “Nícolas Styles. Sempre presente na saudade. 2018” — Como está o Harry?

— Agora ele está bem. — A Styles virou corpo para o pai sorrindo abertamente. — Levou bastante tempo até recuperar-se do que fiz com o sistema imunológico. Restaram algumas sequelas também, mas ele consegue levar uma vida quase normal agora. Ele só não veio comigo porque se sente culpado por termos perdido nosso neném.

— Eu soube do filho de vocês através do seu laboratório — justificou-se. — Instituto Médico e Farmacêutico Nícolas Styles. Isso soa extremamente bem. — Valentina agitou a cabeça em concordância. — Você não pode trabalhar lá, não é?

— Não nos laboratórios como eu gostaria.

— Você foi tão imprudente, minha filha!

— Eu só fiz o que o desespero do momento me fez fazer. — Ela soltou os ombros bruscamente. — A minha ideia foi de fato absurda. O corpo do meu marido já estava bem fraco por causa da doença e eu contribui para que os sintomas se agravassem quando danifiquei o sistema imunológico dele. Styles pegou uma pneumonia que quase o tirou de mim novamente, mas ele se recuperou depois de alguns meses. Ele tem alguns problemas cardíacos e respiratórios ainda, mas passa bem na maior parte do tempo. — Valentina colocou uma mecha dos cabelos castanhos compridos atrás da orelha. — Foi um período curto entre eu descobrir a gravidez e perder o bebê. Harry ainda estava internado e eu sofrendo com os efeitos do processo, mas a autópsia do Nícolas foi fundamental para estabilizarmos a fórmula, e reduzir as doses diárias do medicamento que Styles e outros pacientes precisavam para doses quinzenais.

O homem não pôde conter o sorriso que surgiu nos lábios. Mesmo depois de tudo o que acontecera e que o afastara de sua filha, ele ainda tinha orgulho dos feitos dela.

Depois que os médicos conseguiram reanimar Styles, na terceira tentativa, rapidamente concentraram esforços em descobrir o que Valentina injetara no corpo do marido. Não descobriram exatamente os componentes de sua solução, apenas que aquilo estabilizara as ações do vírus. Entretanto, o que ela fizera fora crime e, como costumeiramente acontecia com situações como aquela, ele a levara a uma cela desconfortável em uma delegacia de Palo Alto.

Mas a descoberta que a moça fizera chamara a atenção de todos os doutores que de alguma forma envolveram-se com o caso de Styles. Era incrível que uma jovem pesquisadora tivesse a patente de uma fórmula tão interessante e com propriedades tão inovadoras. E foram esses mesmos doutores que articularam um acordo rapidamente com o estado e as ordens médicas que estavam processando Valentina, para dar continuidade ao tratamento de Harry, já que os efeitos da solução aplicada eram temporários.

O tempo do rapaz estava esgotando-se quando uma comissão de juízes, juntamente com representantes da Organização Mundial de Saúde e da ONU enxergou o que aquele ato imprudente da estudante de medicina poderia significar para toda a ciência moderna.

Ela fizera muito mais do que salvar o namorado quando escrevera a fórmula na qual Maressa Baker — a loira ganhara o sobrenome de Ethan ao casar-se com ele alguns anos depois de formar-se na faculdade — baseara-se para ajudá-la a criar uma medicação. Valentina fora o início de uma revolução que mais tarde poderia significar livrar o mundo de vírus menos raros, mas ainda assim perigoso, como o do HIV, por exemplo.

E foi por causa desse potencial que liberaram a aplicação de uma segunda dose no rapaz que permanecia em coma, mas livre da manifestação do effoetoimune.  Nunca o conselho tomara uma decisão tão importante como aquela. Mas na visão da OMS, todas as vidas salvas pelos medicamentos criados com a fórmula da jovem Styles  justificariam a possível morte de Harry.

Contra todas as expectativas dos especialistas, ele resistiu a fórmula — sequer chamavam a solução de medicamento ainda. E resistiu também as complicações que surgiram durante seu tratamento. O Styles precisara recuperar-se além de uma pneumonia avançada, de alguns problemas cardíacos que surgiram depois das duas paradas que o coração sofrera. Além disso, os rins tinham mal funcionamento e o corpo, dificuldade para extrair os nutrientes dos alimentos.

Foram sete longos meses tratando cada um dos problemas, e mesmo assim, os pulmões não funcionavam plenamente como antes, e o coração também não. Mas ele poderia facilmente viver com aquilo. Só não podia viver tão bem com o fato de nunca poder ter filhos de seu próprio sangue com a mulher que amava. Engravida-la novamente era arriscado, não só pela própria moça que ficava tão exposta ao vírus, como ao bebê que não sobreviveria assim como Nícolas.

Perder um neném antes do quinto mês de gestação fora doloroso  o suficiente para a vida toda.

Valentina tivera que abdicar de muita coisa para salvar o amor de sua vida. Além de nunca mais poder gerar uma criança de seu marido, fora expulsa da faculdade e banida da ordem dos médicos. O Instituto que levava o nome de seu falecido filho, fora a única forma que ela encontrara de ainda permanecer próxima a esse ar que ela tanto adorava. Mas como dissera ao pai, não podia realmente entrar nos laboratórios.

— Apenas faço parte da administração — disse enquanto caminhava ao lado dele em direção a saída do local. Realmente, não era fã de cemitérios. — Mesmo que tenha sido completamente afastada da produção direta do medicamento, cuidei para patentear a fórmula então nem  o governo poderia utilizá-la sem me envolver diretamente no projeto de pesquisa. — Ela parou assim chegou ao portões imensos e metálicos da saída do belíssimo lugar onde os sogros escolheram para enterrar o neto. — Eles enxergaram muitas possibilidades na minha criação e só por isso apenas paguei uma indenização a OMS ao invés de permanecer presa. Todos nós pagamos por nossos erros, não é? E eu paguei com todos os anos que dediquei a construir uma carreira médica que nunca poderá ser construída verdadeiramente. Mas eu o trouxe de volta e isso sempre justificará tudo para mim.

— Lamento por ter perdido tanto de sua vida assim.

— Tudo bem. — Ela sorriu para o mais velho. — Eu entendo que você tenha se desapontado muito comigo e com o rumo que as coisas tomaram na minha vida. — A Styles agitou a cabeça levemente. — Bem… Preciso ir para casa agora. Talvez queira aparecer por lá qualquer dia e conhecer seus netos.

— Pensei que vocês não pudessem ter filhos.

— Felizmente, existem outros modos de fazer isso. — Ela sorriu abrindo a porta do veículo que estava estacionado junto a calçada em que estavam. A expressão de confusão  mantinha-se presente no rosto do homem. — Nós adotamos três crianças há mais de dois anos.

— Com certeza gostarei de conhecê-los.

Os dois trocaram breves sorrisos antes que Valentina entrasse de uma vez no carro e desse partida. Já estendera-se demais naquela visita ao primeiro de seus filhos. Tinha muitas tarefas pela frente naquele dia e a mais urgente delas era preparar o lanche para as crianças que chegariam com Gemma dali alguns minutos. Estava atrasada aquela altura.

Dirigiu o mais rápido que pôde pelas ruas de New Haven antes de chegar a casa ampla onde vivia desde que a formação do marido apenas um semestre depois depois da recuperação. Styles passara por algum tempo de Residência e agora já exercia a profissão, tendo como especialidade cardiologia. Ao contrário do que os amigos pensavam, não era doloroso vê-lo fazer o que ela sempre sonhara. Era gratificante que ao menos um deles dois estivesse fazendo sua parte e ajudando pessoas.

Ela estacionou o carro na garagem ao lado de outros dois que também pertenciam a família, mais especificamente ao marido. Deixou o veículo trazendo com sigo as duas sacolas de papel pardo cheias de alguns itens que adquirira em uma quitanda antes de ir ao cemitério.

Cuidando para não derrubar as compras, destrancou a porta dos fundos. Mas nem todo esmero foi o suficiente para evitar que desequilibrasse as bolsas pesadas e quase levasse uma delas ao chão. O estrago só não foi feito pois o homem alto que tanto adorava ajudou-a antes que tal coisa acontecesse.

— O que está fazendo aqui? — Valentina desviou do marido indo em direção ao balcão de quartzo escuro colocando o embrulho de papel sobre ele.

— Eu moro aqui — debochou seguindo-a e repetindo o mesmo gesto com a sacola que pegara dela a pouco. A morena fitou o rapaz  erguendo o uma das sobrancelha bem feitas. — Eu precisava falar contigo.

— E saiu do trabalho no meio do dia para isso? — Styles sorriu e balançou a cabeça levemente antes de voltar a atenção para as sacolas e começar a esvaziá-las. — Isso está estranho...

— Você estava chorando? — indagou notando a vermelhidão incomum nos olhos da esposa.

— Eu disse hoje de manhã que iria ao cemitério.

— Mandou um beijo meu para o Nick?

—  É claro que sim. — A morena tocou delicadamente o rosto do marido, antes de selar os lábios em um beijo rápido. — Agora para de me enrolar e diga o que te trás aqui três horas antes do fim do seu plantão.

— Eu esqueci os remédios em casa hoje.

— Você é tão irresponsável às vezes… — Valentina suspirou fracamente rolando os olhos logo em seguida.

A moça sequer esperou por qualquer resposta do marido, apenas desviou dele indo em direção a porta que os levaria para a sala de jantar que era integrada a sala de estar. Os cômodos tinham paredes brancas, com uma única coberta por um papel de parede elegante com arabescos em um tom perolado. A mobília era moderna também em tons opacos e claros.

Ela passou pela mesa ampla em vidro, que tinha belas cadeiras acolchoadas em um tom vibrante de vinho, seguindo em direção a um aparador simples que ficava logo abaixo de um espelho com moldura dourada e gasta. Abriu a gaveta central pegando uma pequena caixa plástica e apoiando-a sobre o móvel.

O medicamento de Styles funcionava de forma semelhante a insulina. Havia um aplicador onde a moça colocava em agulha e o medicamento. Mas diferentemente do para diabéticos, esse deveria ser aplicado uma vez a cada quinze dias. Ele agradecia a esposa e a Maressa por aquele fato.

Depois de manusear o equipamento cuidadosamente com as mãos cobertas por luvas de borracha — ainda era maníaca por limpeza — Valentina foi até o marido bem acomodado ao sofá escuro. Aquilo era rotina para eles; estavam tão acostumados com aquela situação quanto com as limitações que Harry possuía.

— Você veio aqui apenas para isso? —indagou antes de cuidadosamente pressionar a agulha contra o bíceps do jovem. — Se sim  — ela limpou delicadamente o local com um algodão depois de concluir a tarefa —, você já pode voltar ao trabalho.

— Que insistência é essa para que eu volte ao trabalho? — Ele ergueu uma das sobrancelhas de modo divertido, assistindo a esposa ir descartar o material no local separado especificamente para isso. — Está esperando seu amante?

— Claro! — Sorriu de modo divertido olhando para o relógio preso ao pulso. — Se você sair agora e ele chegar logo em seguida, teremos vinte minutos para um encontro rápido antes da sua irmã devolver nossos filhos.

— Você é tão certinha, soluções. Até mesmo para trair.

— Seu trabalho é sua responsabilidade, Harry!

— Eu não vim aqui só pela injeção — retrucou tranquilamente enquanto os dedos acariciavam levemente um dos braços da esposa que acabara de acomodar-se novamente ao lado dele. — Não teria muito problema se eu tomasse o remédio algum tempo depois do estabelecido.

— Você não leva seu tratamento tão a sério a ponto de sair do hospital para vir tomar — Valentina concordou, aproximando o tronco um pouco mais do eterno namorado. — Está com algum problema sério?

— Não é um problema. — As palavras praticamente saltaram por entre os lábios finos do rapaz. — É algo que está me incomodando há dias e eu não podia esconder isso mais nenhum minuto de você.

— Eu deveria ficar temerosa?

Ela ergueu o rosto fitando os olhos verdes e serenos de seu amado. A tranquilidade dele geralmente era o suficiente para acalmá-la, mas não com todo aquele mistério.

— Relaxe, baby. Você está começando a falar estranho. — Styles abriu um sorriso amplo, aproximando o rosto do da esposa e beijando-lhe a testa delicadamente. — Não é nada com que deva se preocupar.

— Então para de enrolar e diz.

— Eu recebi uma proposta há uns dias e só não te contei sobre ela mais cedo porque queria refletir bem sobre isso antes de tomarmos uma decisão juntos. — As palavras de Harry, mesmo que ainda muito cautelosas, já serviam para aliviar a mente de Valentina que levantara mil e uma possibilidades desastrosa. — Você sabe que nunca tive o mesmo apreço que você por pesquisa ou por exercer a medicina.

— Se quer realmente saber, nunca entendi o porquê fez esse curso, querido. Você é inteligente e tudo mais, mas o hospital sempre te estressa.

— Por isso eu quero sair de lá — soltou de uma vez, visto que Valentina parecia determinada a interrompê-lo com sua curiosidade.

— Sabe que eu te apoiaria em qualquer coisa, mas ficar sem emprego… — Ela dedilhou delicadamente o tronco do rapaz, brincando com os botões da camisa branca que ele trajava. — Sei que você tem participação nos lucros da empresa da sua família e que eu também tenho um bom rendimento por causa da minha origem, mas você vai ficar entediado em três dias se ficar o dia todo aqui.

— Não vou ficar o dia todo aqui — disse como se fosse muito óbvio. — Eu quero me dedicar um pouco aos negócios da minha família e se você concordar que eu trabalhe para o Chicago Bulls pode ter certeza que nunca mais estarei entediado.

— Você recebeu uma proposta para trabalhar no Chicago Bulls?! — O tom exagerado da moça deixou claro seu espanto e animação. — Isso é tão incrível, querido! Eu adoro Illinois e Victor está jogando pelo Chicago agora. Vou poder ficar perto de Lauren! Fora que Melissa está em Madison e também poderemos visitar ela e o Vince sempre!

— Respire, soluções. — Styles parecia divertir-se com a empolgação exagerada da esposa. — Por sua reação imagino que aprova a ideia de nos mudarmos para Chicago. Eu esperava que você fosse recuar por causa do seu emprego.

— Eu posso cuidar do Instituto de longe e Lorelai tem sido uma assistente incrível  há tanto tempo e merece uma promoção. Fora que dirigindo menos que quatro horas já estarei em New Haven novamente.

— Você quer realmente se mudar de cidade agora?

— Eu quero que você seja feliz, meu amor, e você não é no hospital. — Valentina tocou levemente o rosto do marido, apreciando a maciez da pele exposta pela barba recém feita.  — Vou para onde você quiser que eu vá e tenho certeza que nossos filhos se adaptarão bem a outra cidade.

— Eles têm três, quatro e sete anos. Se dermos alguns brinquedos novos eles nem vão notar a viagem.

Binquedo!

A voz imatura atraiu a atenção do jovem casal para o pequeno ser que entrava correndo na sala. A garotinha de cabelos encaracolados e castanhos foi diretamente até os Styles que eram seus pais de coração desde o nascimento, mas legalmente há  mais que dois anos. Os olhos eram escuros como os da mãe adotiva, e a pele extremamente branca, como a do pai. Seus traços delicados podiam ser bem distintos aos de ambos, mas aquilo não fazia dela menos filha deles.

Camille era a mais nova da família. Acabara de deixar o ventre da mãe biológica quando Harry a conhecera. Ao acompanhar Valentina em uma viagem à terra natal dela, perdidos pelas ruas desconhecidas aos olhos verdes, acabou por quase atropelar um menino pequeno e magricelo. Adrien tinha quatro anos e já era valente e astuto. Enquanto a progenitora sofria com os sinais do parto próximo de mais um bebê, ele buscava por auxílio. Por sorte, cruzara com um médico, inexperiente, mas dedicado a sua função.

Styles encantara-se por aquele menino no instante em que os olhos esbarram-se com os dele. Fora como se soubesse que seria seu filho um dia.

Giselle, a mãe biológica das crianças, falecera no hospital menos de duas horas depois de dar a luz a uma garotinha perfeitamente saudável no casebre onde vivia com outras duas crianças. Aquele fora o primeiro e o único parto da carreira de Harry. Fora um momento muito marcante e significativo. Simplesmente não podia deixar que aqueles três orfãos humildes fossem separados em abrigos franceses aleatórios.

Foram alguns meses de luta e conversas com advogados e juízes tentando incansavelmente conseguir a guarda dos três estrangeiros. Mas com total apoio de Valentina enfim podia chamar Adrien de filho. Na bagagem vinham Camille e Genevieve, as irmãs mais nova do rapazinho. Mas os Styles tinham amor de sobra para quantas crianças pudessem ter.

— Eu quelo binquedo, papai. — A pequena estendeu os bracinhos para Harry esperando ser puxada para seu colo, rapidamente sendo atendida.

— Também quero.

Os olhos do jovem casal desviou-se uma segunda vez vendo a garota pouco maior que a primeira entrar na sala puxando uma mochila vermelha com alguma dificuldade. Genevieve tinha os cabelos um pouco mais lisos que os da irmã, apenas com leves ondulações nas pontas. Uma tiara com um grande laço azul empurrava-os para trás, mas alguns fios insistiam em cair diante dos olhos escuros.

O mais velho do trio seguia-a segurando desajeitadamente uma mochila rosa além da preta que tinha nas costas. Ele deixou ambas junto a uma poltrona indo em direção aos pais, assim como as mais novas fizeram pouco antes.

—  Tante Gemma nous a quitté et …

— Em inglês, por favor, querido — Valentina orientou-o pacientemente.

— Tia Gemma nos deixou aqui e foi embora porque tinha algo importante no trabalho. — Adrien apoiou-se nas pernas de Valentina e esticou-se para beijar a bochecha dela.

O garoto era o único dos três que tinha um sotaque acentuado e notório a qualquer audição, já que sua língua mãe era o francês. Entretanto, mesmo antes de adotá-lo, o casal já fazia-se presente na vida do menino e suas irmãs. Fora fácil ensiná-lo inglês — ele era demasiadamente inteligente. E ainda mais simples ensinar as irmãs,  que mal falavam na época e puderam ser letradas em ambos os idiomas sem problemas.

— Por que não podemos conversar em francês, mãe? — resmungou antes de ir até o pai e cumprimenta-lo.

— Porque é importante que pratique.

— Inglês é fácil. — Ele balançou a cabeça exibindo um sorriso confiante antes de sentar entre os pais, visto que Genevieve ocupara o colo de Valentina. . — Mais je préfère le français.

—  Você é uma garotinho muito esperto, Adie, e agora está ficando engraçadinho como seu pai.

—  Cadê o binquedo, papai? — Camille insistiu, fitando o rosto de Harry com os olhos redondos e meigos.

—  Nós precisamos conversar, crianças. —  Foi a moça quem tomou a iniciativa, depois de olhar por alguns segundos para o marido. — Eu e o papai estamos considerando mudar de casa. —   O silêncio que se instalou na sala deixou Valentina um pouco desconfortável. — Me dá uma força, Harry.

— Nós vamos nos mudar para uma casa bem grande onde terão um quarto de brinquedos muito maior. — E foi como se aquelas palavras fossem mágica. Logo o rosto das duas garotinhas foi tomado por sorriso grandes e animados, mas Adrien era grande demais para animar-se com brinquedos. — E uma sala de jogos com uma televisão bem grande para jogarmos videogame juntos.

—   O que nós estamos querendo dizer… —   Valentina prosseguiu depois de lançar um olhar reprovador ao esposo. — É que estamos prestes a embarcar em uma nova aventura, assim como embarcamos quando saímos lá de Nice aqui para New Haven. Seremos felizes não importa onde estivermos, pois somos uma família unida acima de qualquer outra coisa.

— Mas eu pode ter binquedo novo, não é, mamãe? — Camille disse inocentemente, o que tirou uma risada leve dos pais.

—  É claro que pode, meu bem.

—  Vocês três poderão ter tudo o que quiserem desde que façam a coisa certa a se fazer, protejam e cuidem uns dos outros, sejam compreensivos e que amem com sinceridade — Harry completou acariciando levemente os cabelos escuros da mais nova. — Mesmo que às vezes não fique claro, coisas boas acontecem quando fazemos o bem. É só olhar para mim e ver como depois de tantos problemas recebi o melhor presente do mundo: esta família.

— Eu gosto da minha escola, dos meus amigos e dessa casa. — A voz de Adrien se fez presente novamente. — Mas eu gosto muito mais de todos vocês. Por isso abro mão de tudo para ficarmos juntos.

— Obrigada por ser tão adorável, querido. — Valentina curvou-se um pouco e beijou o topo da cabeça do filho mais velho. — Saiba que nós dois sabemos o quão sortudos somos por termos encontrado vocês três.

— Nós é que fomos sortudos por ter pessoas tão boas nas nossas vidas. — Ele abriu um sorriso amplo exibindo a falta de um dos dentes inferiores.

— Òtimo.— Harry levantou-se, cuidando para colocar Camille no chão delicadamente. — Agora chega de melação e vão lavar as mãos pois está a hora de comer.

Como o excelente irmão mais velho que era, Adrien guiou ambas as garotas até o lavabo que ficava no térreo da casa de dois andares, dando aos pais um tempo finalmente para processarem a situação. Era fato que os dois estavam aliviados pela reação positiva das crianças quanto a posterior mudança, mas isso não significava que não teriam problemas com aquela pela frente. Mas, como Valentina falara anteriormente, eles ficariam bem se embarcassem naquela nova aventura juntos.

— Eu disse que era só oferecer brinquedos e pronto — o Styles gabou-se, estendendo a mão direita para a esposa. Valentina não demorou em apanhá-la, erguendo o corpo e encostando-o ao do marido. — Sempre estou certo.

— Você sempre me arranja problemas, isso sim! — ela debochou, contornando a nuca dele com os braços, enquanto o rapaz fazia o mesmo com sua cintura. — Agora preciso encontrar uma casa com pelo menos uma suite, quatro quartos amplos, um escritório, um porão para a tal sala de jogos, além de um quintal amplo com pisc...

A moça foi interrompida pelos lábios estreitos e macios do marido sendo pressionado contra os seus. Ela nunca fora capaz de resistir ao charme exuberante de Harry Styles e o tempo não modificara aquilo. Então apenas cedeu ao desejo e amor que inundava seu peito desde o instante que os olhos caíram sobre o homem charmoso que tinha orgulho em chamar de seu há anos.

— Não há com que se preocupar, amor — ele disse depois de afastarem os lábios. — Você é a Senhorita Soluções! Sempre tem o remédio para todos os problemas. Nunca desiste de consertar o que está errado. É a pessoa mais corajosa que eu conheço. E depois daqueles meses torturantes no hospital, com todos os meus problemas de saúde e a perda do nosso primeiro filho… Tenho certeza de que nada é capaz de te fazer desmoronar.

— Todos temos fraquezas, Harry. — Valentina sorriu levemente, deliciando-se com o cheiro agradável que o marido exalava. — E nossa família é a minha. Eu faria qualquer coisa para que fiquem bem e felizes. — Styles sabia daquilo. Assistira a mulher dar as costas para tudo o que acreditava para salvar a vida dele. — Então não ache que nada pode me desmoronar quando você pode fazer isso com um simples sorriso.

— Eu não vou te deixar cair, Valentina. — O tom de Styles tornou-se ainda mais forte e eloquente. — Lembra-se dos nossos votos? “E nessa vida louca… E por esses tempos malucos é você, é você... Você me faz cantar, você é cada frase, você é cada palavra, você é tudo.”

— Acha que ser fofo e citar Michael Bublé vai te livrar dos empecilhos que me causou com as promessas que fez as crianças?

— Eu tenho certeza disso. — Ele pressionou os lábios rapidamente contra a testa da esposa antes de afastar-se dela. — Para todos os meus problemas, você sempre será a solução.

 

 

 


 


Notas Finais


Mais je préfère le français. - Mas eu prefiro o francês

Manas e manos eu espero que isso não seja um adeus. Seria doloroso demais para mim.
Está finalizada minha primeira fanfic com o Harry Styles como protagonista e só eu sei o quanto foi difícil escrevê-la. Mas com o apoio de vocês isso foi feito com louvor.
Obrigada pela companhia até aqui e nos vemos por aí.

P.S. Preciso ser sincera e dizer que a ideia inicial era sim a morte do Styles e a vida do Nícolas. Aí a Valentina ficaria com o Sparks. Mas não tive coragem suficiente para isso. Lamento se desapontei alguém.

ME DIGAM O QUE ACHARAM DA FANFIC NESSES ÚLTIMOS COMENTÁRIOS.

Beijos de Luz da HeyLife


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