História Missfanfic - Capítulo 12


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Categorias Histórias Originais
Tags Concurso, Escrita, Fanfic, Fanfiqueira, Ficwritter, Hentai, Livro, Romance
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Palavras 8.231
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Hentai, Literatura Feminina, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá, pessoas! Tudo certo?!

Mais um capítulo saindo, agora com a visão do Ian! rsrsrs
Ah, nem vou amolar vocês, devem estar ansiosos!
Aproveitem!

Capítulo 12 - Ian


Fanfic / Fanfiction Missfanfic - Capítulo 12 - Ian

Um pouco de luz entrava por uma fresta, no encontro das cortinas, escurecida de leve pelo vidro esverdeado da sacada. Partículas minúsculas de poeira brincavam na tênue claridade, dançando, rodopiando logo acima do corpo de Carla.

 

Ian se movimentou um pouco, colando suas peles nuas, sentindo-se arrepiar quando sua ereção encostou na bunda dela. Carla era tão pequena ao seu lado, que quase a cobria o corpo todo, abraçados como estavam. Afundou seus dedos na barriga dela, apertando-a mais contra si, sentindo o ar faltar.

 

Tomaram outro banho antes de voltarem a dormir, mas ela ainda cheirava a uma mistura de doce e sexo. Isso o deixou ainda mais excitado, pulsante.

 

Sabe aquele sentimento de conquista? Bom, isso ainda o impregnava. Cada arrepio, gemido que ela dava, cada olhar desejoso e safado era uma descoberta nova e sentia que poderia explorar muito mais dela... e como queria isso.

 

Depositou um beijo no pescoço dela, e Carla se contorceu em seus braços. Arrastou o rosto ali, roçando barba, lábios, enquanto seu coração se acelerava com a quentura que emanava da pele dela. Carla gemeu baixinho.

 

— Bom dia — ele desejou, pois o dele já começava da melhor forma possível. Sexo ao acordar era um marco de dia perfeito. — Fica quietinha — ele pediu quando ela tentou se virar, a prendendo ainda mais contra sua ereção. — Quero te foder assim.

 

— Vai me matar, Ian — ela sussurrou, ainda com a voz trôpega de sono, rouca e suave.

 

Começou a subir sua boca, alcançando a orelha dela, a mordendo, lambendo, sentindo-a se estremecer. Desceu a mão esquerda um pouco mais, a enfiando entre as pernas da Carla, enquanto a direita apoiava a testa dela, a mantendo firme como estava. Ele fechou os olhos, sentindo sua boca salivar ao tocar o molhado da boceta dela.

 

Estava pronta. Todas as vezes que a tocava ali, sentia seus dedos escorregadios pelo tesão, o clitóris inchado de desejo. Carla abriu um pouco mais a perna, a descansando em cima da dele, e Ian começou a esfregá-la de leve.

 

A mão de Carla alcançou a dele, ajudando-o em seus movimentos lentos e despudorados. Estavam tão próximos, e ela tão escorregadia, que poderia simplesmente deslizar para dentro dela e sentir o calor de suas intimidades se unindo. Ela o acomodando no aperto e umidade, ele a expandindo.

 

Esse pensamento o fez urrar, baixo, rouco, no ouvido dela. Sentia-se tão duro, tão eufórico, que poderia gozar no momento em que entrasse nela. Mas, não, não podia fazer aquilo; ela ainda era só uma menina. Uma menina safada, sem-vergonha alguma, mas uma menina.

 

E quanto mais a comia, mais a queria. O sexo com ela parecia que nunca ficaria sem graça. Ela tremeu, estava tão excitada e sensível que já dava sinais de que gozaria.

 

— Não para... — ela pediu, tirando a mão de cima da dele e se agarrando aos lençóis, contorcendo-se.

 

— Não vou — garantiu. Como poderia? Só a visão dela daquele jeito, extasiada por um toque seu, já o fazia suar.

 

Intensificou os movimentos, ouvindo-a gemer contra o travesseiro. Palavras desconexas que o arrepiaram. Apertou seu corpo ainda mais ao dela, movimentando-se no mesmo ritmo da masturbação que a dava, sentindo seu pau latejante pelo desejo de penetrá-la.

 

Carla arqueou as costas, ofegante, rebolando ainda mais contra ele. Ela se entregava sem reservas e isso o fazia enlouquecer; nem acreditava que tinha demorado tanto para prová-la. Ela gemeu, enfiando o rosto no travesseiro, abafando a voz enquanto gozava, inundando os dedos dele em gozo. Quanto mais sentia a quentura e textura do prazer dela, mais queria se enterrar dentro da sua intimidade, com força.

 

A soltou por um instante, ouvindo-a gemer um palavrão. Alcançou a camisinha que descansava em cima do criado-mudo, do lado dela. Percebeu que sua mão tremia, ignorou, abrindo o pacote e afastando a coberta para vesti-la. Ver o corpo dela encurvado, projetando-se para o seu, o fez travar a mandíbula por um segundo. Olhando-a.

 

A curvatura da cintura, acentuada pela bunda enorme empinada para si... O brilho bronze da pele em contato com as partículas de poeira que se misturavam dentro da faixa de luz que pairava sobre ela... Soltou um meio suspiro, meio gemido.

 

— Quietinha — pediu mais uma vez, quando ela já voltava a se mexer. Estava tão gostosa daquele jeito que queria fodê-la assim.

 

Já estava ofegante quando terminou. A manteve firme, segurando-a pela cintura, gemendo enquanto se contorcia para dentro dela, lento, calmo, o coração palpitante. Carla rebolou; ele amava e odiava quando ela fazia aquilo, ficava a ponto de enlouquecer. A puxou com força, se enterrando dentro dela por completo, ofegando em seu ouvido.

 

Começou a se mover, arrastado, forte, pressionando a barriga dela, firmando-a como podia enquanto investia cada vez mais rápido, sentindo o suor brotando em sua pele. O barulho de seus corpos se batendo um contra o outro se misturava aos gemidos que soltavam e propagavam-se pelo quarto, aumentando o calor que sentia.

 

Ian subiu a mão, segurando o seio dela, sentindo a textura, beliscando o bico com suavidade, segurando-a, prendendo-a ali enquanto aumentava a força de suas estocadas, gemendo, urrando pelo tesão que o comprimia o ventre, causando uma pressão, o fazendo pulsar.

 

Ela pulsava, e a sensação daquilo o embebia. Diminuiu o ritmo, sentindo, beijando-a no pescoço, enquanto entrava e saia, sem pressa e com desespero ao mesmo tempo. Carla virou o rosto para encará-lo, os olhos semicerrados, o rosto enevoado pelo prazer.

 

— Mais — ela pediu, o fazendo abrir um sorriso. Melhor do que estar dentro dela, era saber o quanto ela gostava, o quanto desejava, até implorava; ele dava, como negar?

 

A mão de Carla se enterrou em seus curtos cabelos, apertando-os, obrigando-o a se manter mais perto. Mordeu o ombro dela, impulsionando seu corpo em arremetidas cada vez mais fortes, mais firme, mais, mais. Ofegou no ouvido dela, sentindo-a tremular mais uma vez em seus braços, mais forte agora.

 

Os gemidos de Carla se tonaram mais profundos e mais baixos, o aperto em seu cabelo foi se desvanecendo, à medida que ela se desmanchava em prazer bem diante de seus olhos, nele, para ele. Longo, forte, a apertou, forçando-a a permanecer parada enquanto se movimentava, rebolando dentro dela, enquanto um resmungo era ouvido por todo o quarto em uma mistura de luxuria, desejo, dor.

 

A soltou devagar, passando sua perna por cima da dela, obrigando-a a deitar de bruços. Levou seu corpo junto, certificando-se de que não se afastariam. Apoiou, lento, cuidadoso, os joelhos na cama, puxando a cintura dela junto a seu corpo, estremecendo com a visão dela de quatro, com o tronco abaixado, os seios pressionados contra o colchão, e a bunda... Fechou os olhos, se enterrando dentro dela, rangendo os dentes com a força que fazia a cada impulso. Lúbrico, insano, sôfrego, uma estocada após a outra, um ofegar, trêmulo, languido, tornando-se mais lento e mais impaciente a cada segundo.

 

Desceu seu corpo, envolvendo o baixo ventre dela com uma mão enquanto alcançava o ombro com a outra, firmando-se, penetrando-a com mais ferocidade, força, até sentir, lá no fundo, do ponto central de seu corpo, se espalhando... uma contração de músculo, um espasmo. Apertou-a, puxando-a para cima, prendendo seus corpos e gozando.

 

Enfiou seu rosto no pescoço dela, afastando o cabelo para o lado, sentindo o seu quente ofegar de encontro à pele dela, beijando-a, sentindo o peito dela subir e descer, forte, com o respirar descompassado.

 

— Ah — ele gemeu —, como eu amo... isso.

 

Carla começou a gargalhar, se afastando devagar dele e se deitando de costas na cama. Os cachos espalhados sobre o travesseiro, as mãos sobre a pele lisa e morena da barriga, nua, linda. Não demonstrou um pingo de vergonha desde o início, se entregando com completa liberdade.

 

Ele gostava disso. Gostava daquele sorriso, gostava mais ainda de não ter ouvido o nome do Murilo uma vez sequer.

 

— O que foi? — quis saber. O riso ia se afastando dos lábios dela enquanto ele retirava a camisinha e dava um nó. Por sorte, comprou meia dúzia de pacotes de camisinha, esperando por ela.

 

— Você é muito gostoso.

 

— Ah, só isso? — provocou, deitando-se ao lado dela, puxando-a para um beijo.

 

— Não. Não é só isso, Ian. — Ela estava séria, olhando-o nos olhos, sentiu um comichão se espalhando por seu corpo.

 

— Café da manhã? — sugeriu.

 

— Acho que já deve ser a hora do almoço. Será?

 

Ian procurou por seu telefone, mas não estava em cima de nenhum dos criados-mudos, nem nas gavetas. Se levantou. O quarto estava uma zona de guerra, com roupas espalhadas para todos os lados e camisinhas nas laterais da cama. Encontrou o aparelho dentro do bolso da calça que usava na noite passada.

 

— Caramba! Duas horas. Que horas fomos dormir?

 

— Não faço ideia.

 

Uma ligação de Willian, duas mensagens. Uma ligação do seu pai, uma da sua irmã. Uma ligação da Natália. Desligou o telefone.

 

Ian se sentou na beirada da cama, pensativo, apoiando os cotovelos nos joelhos, e a cabeça nas mãos. O que eles queriam? O que ela queria. Estava tudo certo entre os dois. Não exatamente, mas preferia pensar que sim.

 

A bem da verdade, tinham muito o que conversar ainda, mas só a hipótese o deixava enjoado. Pisou no coração dele, esmagou tudo o que ele pensava sobre seu futuro. Não. Definitivamente, não havia o que falar com ela. Nem ela com ele. Seria tempo perdido.

 

Sua respiração pesou, um aperto que agarrou seu peito de forma dolorosa, forte e íntimo. Respirou fundo. Ele fez uma escolha, ela, outra. Agora era tarde. Já tinha esquecido, ela ainda mais. Deu provas disso. Não importava, nenhuma conversa significava mais nada para ele agora.

 

Mas ainda doía.

 

— Ian? — chamou Carla, com voz receosa. — Está tudo bem?

 

Está?

 

Ele fechou os olhos ao senti-la o abraçando por trás. Carla enlaçou as pernas em volta de sua cintura, e os braços em seu peito, beijando suas costas. Se viu obrigado a rir daquilo. Com um movimento, a puxou, levando-a para seu colo. Carla soltou um grunhido infantil e divertido, deixando-se levar, enterrando o rosto no peito dele.

 

— Não. Não está nada bem — respondeu. — Você me deixou morrendo de fome. Juro que posso comer uma pizza sozinho agora!

 

— Pizza? — ela o olhou, iluminada.

 

— Que tal?

 

— Adoro pizza! Muito ketchup!

 

— Com certeza!

 

Deu um beijo no alto da cabeça dela e a colocou de volta na cama. Ia ali do lado, no criado-mudo, ligar para a recepção, mas soltá-la foi difícil mesmo assim.

 

Adorava ketchup, principalmente com hambúrguer e pizza. E Carla mostrava ter o mesmo gosto.

 

— Que tal um hambúrguer em vez de pizza?

 

Afinal, comeram pizza na noite passada.

 

— Melhor ainda! Vou tomar um banho enquanto você pede — ela falou, e ele observou-a entrar no banheiro enquanto esperava ser atendido. Carla deixou a porta aberta.

 

É um convite? Riu com a própria malícia, passando seu pedido para a atendente.

 

Se tinha uma coisa que ele gostava de fazer era comer besteira, apesar de ter se privado disso por muitos anos. Agora, estava aproveitando o máximo que podia.

 

— Estou comendo muita porcaria — ele comentou enquanto se enxaguava, sendo observado pelos olhos negros atentos da Carla. — Faço academia, mas acho que já ganhei uns quilinhos — concluiu, apreensivo.

 

— Eu gosto do que vejo — ela declarou, tomando o sabonete das mãos dele, começando a inspecioná-lo com as mãos, levando-o para debaixo do chuveiro.

 

— Agora! Quando eu ficar barrigudo vai fingir que nem me conhece!

 

Ela soltou uma risada gostosa, o fazendo rir junto. Já começava a ficar excitado com ela o tocando daquela forma, passando as mãos no seu peito, barriga, sua bunda. Em alguns momentos não sabia qual dos dois era mais sem-vergonha.

 

— Não sou assim, Ian. Eu nem sou a favor de academia. Só de pensar já fico cansada!

 

— Você não precisa. É uma delícia do jeito que é.

 

E era. Cada coisinha em seu devido lugar. As curvas acentuadas, os seios medianos, macios, a cintura gostosa de pegar. Carla não era magérrima igual a maioria das mulheres que ele conhecia, nem parecia querer ser, e isso o deixava ainda mais fascinado, principalmente por causa da recompensa que isso trazia: a bunda. Com certeza, de todos os atributos, era o que ele mais gostava. Dura, empinadinha e grande.

 

— Sou muito velho para você — ele declarou de repente, fazendo-a recuar um passo.

 

— Velho? Por que acha isso?

 

— Sou dez anos mais velho do que você, Carla. Isso, para mim, é ser velho.

 

— Isso é ridículo. Nada a ver!

 

Ele franziu a testa, ela falava sério. Ele também. Carla ainda não sabia nada da vida, assim como ele pensava ainda não saber também, apesar de ter dez anos a mais de experiência que ela. Aquela garota que estava na frente dele ainda teria que passar por muitas decepções, muitas coisas boas e ruins, seu caráter ainda seria lapidado por várias situações.

 

Era velho. Seus irmãos mais novos tinham quase a mesma idade que ela, e ele os ajudou a criar. Ela podia ter sido um deles... Não era. Sabia, mas isso não mudava a realidade. Como ela reagiria se uma amiga dissesse isso para ela? Agora, estavam os dois, sozinhos, aproveitando um momento descontraído, mas e quando ela estivesse com outras pessoas, com suas amigas?

 

O que ela sofreria quando a acusassem, dizendo que só passou nas fazes do concurso por estar dormindo com um dos jurados, com um escritor, o mesmo escritor que promoveu o concurso e que está à procura de um novo contratado para a CCD?

 

A mandíbula de Ian se moveu com dificuldade, apertada, rangendo os dentes em um alto raspar. Ela seria apontada como uma interesseira, ele, um aproveitador. Ela seria rechaçada, acabariam com a carreira dela antes mesmo que começasse, e ele se sentiria culpado pelo resto da vida se isso acontecesse... Mesmo assim, não pensou duas vezes quando a provocou, quando a atiçou de todas as formas.

 

Ela tentou recuar, ele sabia disso bem demais, enquanto ele a tentava cada vez mais, só pelo prazer de vê-la corando, de ver o sorriso inocente se tornando sínico e safado como só ela sabia fazer. Enfiou a mão no meio das pernas dela, mesmo sabendo que estava chateada por ter visto o cara que gostava beijando sua melhor amiga.

 

Que tipo de cara me tornei?

 

— Ian? — ela chamou, desligando o chuveiro. — O que foi? Você está estranho desde que pegou seu celular. O que aconteceu?

 

— Nada. Não é nada.

 

— É, sim — ela falou mais firme, pegando-o pelo braço quando ele tentou sair do box. — Está assim por causa da sua idade então? Ian, minha mãe é vinte e dois anos mais nova que o meu pai.

 

Isso o pegou desprevenido.

 

— Vinte e dois...? — sussurrou.

 

— Sim. Não tem nada demais. A idade é só a indicação de quanto tempo uma pessoa está na terra, não um empecilho para que ela realize outras coisas.

 

— Verdade.

 

— Então, o que foi? Você está pálido, Ian, está me assustando.

 

— Não é nada — se obrigou a sorrir, a puxando para um abraço. — Só estou morrendo de fome. E... vinte e dois anos de diferença? A divergência de pensamento não atrapalhou?

 

— Nem um pouco. Meus pais se dão muito bem. São até nojentos de se ver! — respondeu, o soltando e puxando uma toalha. — O meu pai era viúvo quando conheceu minha mãe, ela tinha dezoito na época.

 

— Viúvo?

 

— Sim. Antônia, o nome dela. Horrível, eu sei, mas parece que ela era muito bacana, pelo que sei sobre.

 

— Seu pai fala dela abertamente? Quero dizer, sua mãe não vê problema nenhum com isso?

 

— Não. Ela diz que no começo era um pouco estranho, mas depois se tornou algo normal. Para falar a verdade, foi por causa da morte da Antônia que meus pais se conheceram.

 

— Como assim? — ele quis saber, também se enxugando.

 

— A casa dos meus avós foi assaltada quando minha mãe tinha dezessete, e eles amarraram todo mundo no quarto de hóspedes, que é o meu quarto agora. Eles ficaram presos por três dias inteiros. Aí, deram falta do meu pai no trabalho e ligaram lá para casa, mas ninguém atendeu. Depois, o vizinho, que na época trabalhava junto com meu avô, foi até à casa tentar descobrir o que estava acontecendo. Chamou por um bom tempo e já estava desistindo quando ouviu um barulho vindo de dentro da casa. Minha mãe diz que já estavam roucos de tanto gritar, então, quando ouviram ele chamar, quase não tiveram forças. Mas, por sorte, ele percebeu que tinha algo muito errado. Chamou os bombeiros, e minha mãe e avós foram resgatados. Uma semana depois meu avô teve um infarto e morreu.

 

— Nossa. Que história — ele disse. Os dois foram de volta para o quarto, e Carla continuou:

 

— Depois disso, minha mãe começou a mostrar indícios de depressão, e minha vó Raquel achou melhor ela frequentar um psicólogo. Depois de uns meses, ela passou a ir em um grupo de apoio também. Foi lá que ela conheceu meu pai. Ele estava lá pela Antônia, que tinha falecido há um ano. Ela estava grávida de dois meses, Ian. E, apesar do tempo que já tinha passado, meu pai ainda não havia superado.

 

— De que ela morreu? — indagou, sentando-se na cama e puxando a Carla para seu colo.

 

— Tuberculose. Mas, assim, meu pai dificilmente fala dela, mas quando fala é com um carinho muito bonito e dona Camila sempre diz ter muito orgulho disso.

 

— Eu não sei. Acho que sentiria um pouco de ciúmes!

 

Carla riu.

 

— A Antônia foi uma boa esposa para meu pai. E, pelo que minha mãe me disse, parece que o pai não era um tipo legal de pessoa antes de conhecer a primeira esposa, foi ela que o colocou nos trilhos. A mãe diz que a Antônia preparou o pai para ela!

 

— Interessante o ponto de vista dela. A história dos dois, principalmente.

 

— Bom, pois é. Aí, depois de seis meses de namoro, os dois se casaram, mas minha mãe até hoje não sabe se já estava grávida de mim antes do casamento ou depois!

 

— Estou vendo agora! — ele brincou, segurando a nuca de Carla, se aproximando.

 

— O quê?

 

— De onde veio toda essa perversão. — Começou a distribuir beijos no pescoço dela, sentindo o cabelo de Carla molhando seu rosto.

 

— Eu sou um anjo, meu amor! Sou tímida até demais.

 

— Tímida? Você?

 

— Não acha?

 

— Não. E gosto de que seja assim.

 

Já estava duro, a imprensando contra a cama, quando os lanches chegaram. Ian vestiu uma cueca apertada, tentando conter sua ereção, e uma bermuda branca antes de atender. Sentaram- se na mesinha da sacada. Quando ele alugou o quarto, tinha mais uma mesa dentro do quarto, mas ele pediu para que a levassem de lá; gostava de espaço.

 

Enquanto comiam, Carla contava para ele sobre as travessuras que aprontava quando mais nova. Ele estava se divertindo com tudo, principalmente com o entusiasmo dela. De repente, de um jeito que pareceu ser imperceptível, Carla começou a falar sobre como ganhou a cicatriz que tinha no cotovelo. Contou como foi engraçada a cara do Murilo, sem saber bem o que fazer, quando a viu ralada daquele jeito.

 

Ian ouviu, bloqueou como pôde o nome do rapaz, mas sabia que uma hora os dois teriam que conversar sobre o que havia acontecido. Carla parecia estar bem, mas ele ainda temia com a possibilidade de ela ter vestido uma capa, uma máscara, para esconder o que realmente sentia a respeito do ocorrido.

 

Ficou tão preocupado com o que havia acontecido, com a palidez que a abateu quando viu aquela cena, mas Carla insistiu que estava tudo bem. Ele não sabia dizer se era fingimento e, se fosse, ela fingia bem demais, porque realmente parecia querer estar com ele, parecia mesmo não se importar.

 

Não se importar talvez fosse o termo errado a se usar, mas, com certeza, ela não teve a reação que ele esperava. Quando ela disse que não queria ir para casa, imaginou que ela passaria a noite inteira chorando ao seu lado.

 

Estava errado, pensou. Aparentemente, Carla sempre o enganava. Quando ele pensou que ela fugiria, ela o beijou; quando pensou que o repeliria, ela riu; pensou que ela desistiria, ela lutou. Era totalmente contra tudo o que ele idealizava. Talvez por ter estado com uma só mulher durante toda sua vida, se surpreendia com facilidade com cada tomada de decisão dela. Principalmente porque ela parecia ser tão tímida e frágil, mas, na verdade, não era nada disso.

 

Também se sentiu tranquilizado com toda aquela história dos pais dela. Estava realmente preocupado com suas idades. A desejava, a queria, e ficou claro, muito rápido, para ele, que se não ficasse com ela, toda a fissura que sentia pela garota não se desvaneceria, mas, mesmo assim, mesmo depois de tantas investidas e cantadas, ainda se sentia mal por saber que era dez anos mais velho do que ela. Agora, bom, tentava esquecer.

 

Carla ria da história que contava, ele também, apesar de já não estar prestando atenção em metade do que ela dizia. Ela usava uma blusa preta dele, estava sem calcinha, o que o deixava ainda mais tentado. Puxou a cadeira para perto dele, segurando-a pelos braços e trazendo-a para mais perto ainda, lambendo o rastro de ketchup que ficou no canto da boca de Carla, beijando-a em seguida.

 

As mãos dela estavam cheias de gordura, mas ela o agarrou mesmo assim, rindo, o mordiscando. Acabaram se sujando ainda mais quando ela se inclinou e derrubou o resto do lanche em cima do colo deles. Riram, e Ian quase tomou um banho de suco quando a pegou nos braços, a carregando para a cama.

 

Ligaram a televisão embutida na parede, de frente para a cama, e passaram vários canais até encontrarem um filme. Carla se deitou praticamente em cima dele, mas Ian não estava se importando, na verdade, gostava de toda aquela proximidade. Estava duro, mas permaneceram quietos, assistindo o filme.

 

— Não é melhor avisar sua mãe que ainda está aqui? — ele perguntou depois de um tempo. Já estavam na metade do filme. Era chato.

 

— Envio uma mensagem depois.

 

— Ainda não conversamos sobre o que aconteceu — ele começou, apreensivo. Estavam bem, não queria estragar isso, mas não conseguiu se controlar. Carla subiu ainda mais em cima dele, cruzando os braços em cima do seu peito e apoiando seu queixo neles.

 

— Sobre o quê?

 

— Você sabe. — Falar o nome era difícil. — O Murilo.

 

— O que tem o Murilo?

 

Precisava repetir? Ao menos não sentiu nenhum tipo de sentimento na voz dela. Nem bom, nem ruim.

 

— Você ainda não falou nada sobre ter visto ele com sua amiga.

 

— Melhor amiga — ela corrigiu. — Não tenho o que falar sobre isso, Ian.

 

Ele franziu a testa, passando a mão no cabelo dela. Ainda estava meio molhado do banho, um pouco bagunçado, emaranhado em cima e ralo em baixo, com os cachinhos balançando a cada movimento, bonito.

 

— Está chateada?

 

— Um pouco. Não. Na verdade, não é chateada. Estou decepcionada por eles não terem me dito nada. O Murilo também não me falou quando terminou com a Ana Paula, e, sabe, antes ele me falava tudo em primeira mão! Eu fiquei surpresa quando descobri que ele terminou com a Ana, e também fiquei assim ontem.

 

— Já pensou em falar com eles?

 

Não queria aquilo. Queria que ela dissesse que não falaria com o Murilo nunca mais, mas precisava pensar nela.

 

— Não. Não quero falar com eles agora. Mas vou... Quero que eles sejam felizes — declarou, deitando a cabeça para o lado.

 

Por um momento, Ian não soube mais o que falar. Se estivesse no lugar da Carla estaria, muito provavelmente, se remoendo pelo que viram, mas, agora, voltando-se à sua posição, sentia-se grato por saber que ela parecia superar o que sentia pelo garoto.

 

Mas ainda não estava seguro quanto a tudo isso.

 

— Ainda sente alguma coisa por ele?

 

Ela ergueu a cabeça, encarando-o.

 

— Ian. Eu nunca vou deixar de gostar do Murilo. — Aquilo foi um soco no estômago. Prendeu a respiração. — Conheço ele desde sempre, ele é meu amigo. Um irmão.

 

— Um irmão?

 

Está brincando comigo, Carla?

 

— Não fica nervoso — ela pediu, calma, quase triste.

 

— Não estou nervoso.

 

— Sim, está. Você fica com o pescoço vermelho quando está nervoso. E está assim agora.

 

Respirou fundo.

 

— Estou com você — ela continuou —, porque é você quem quero.

 

Ele também a queria, mais do que pensava que queria antes. Ainda com os dentes travados, sorriu, puxando-a para mais um beijo. O filme já estava perdido, e ela também não parecia se incomodar com isso. Não sabia quanto mais tempo ela poderia ficar: já era sábado. Resolveu aproveitar o quanto podia antes de descobrir. Em questão de minutos, ela já estava livre da blusa que usava, e ele sem nada além dela para o completar.

 

†††

 

 

Já estavam arrumados, Carla usava o mesmo vestido, por falta de opções, mas Ian estava mais preocupado com o fato de ela estar sem calcinha. Aquele vestido era minúsculo e qualquer vento mostraria tudo o que era dele.

 

— Não tenho outra — ela declarou, usando um espelho de bolsa para passar um batom.

 

— Sei lá, usa uma cueca minha!

 

— Ian!

 

— O quê? — ele ergueu as mãos, consternado. — Não quero correr o risco de te ver pelada no meio da rua.

 

— Não vou ficar pelada.

 

— Mas pode.

 

— Nossa, tinha esquecido de como você é implicante.

 

— Não estou implicando.

 

Como ela podia ser tão teimosa? Só pedia para que tampasse um pouco mais do corpo, uma parte importante para ser tampada, inclusive. O vestido era leve, ele não teve dificuldade alguma de imaginá-la nua, outros homens também não teriam.

 

— Só quero que pense um pouco — continuou. — Está chovendo, se um carro passar por nós e te molhar? Vai dar para ver tudo, Carla!

 

— Você viu o estado da minha calcinha? — ela questionou, rindo, guardando o espelho e o batom dentro da bolsinha de lado e a pendurando no ombro. — Você praticamente a destruiu!

 

— Eu? Como assim, eu?

 

— Meu bem — ela disse, levantando-se da cama e arrumando a gola da blusa social preta que ele usava —, você me deixa tão molhada que estou com medo de ficar perto demais de você e ter gozo escorrendo por minhas pernas antes que consigamos voltar ao hotel!

 

Ele teve de rir.

 

— Você não cansa nunca?

 

— Nunca! — declarou, passando a mão no pau dele, por cima da calça.

 

Por mais duro que estivesse, aquilo o deixava preocupado. Tinham transado sem parar desde que chegaram no quarto e ele estava cansado. Precisava respirar um pouco ou cairia morto em cima dela, dentro dela. Certo, ele pensou, talvez esteja exagerando um pouco.

 

Além do mais, ela era o prato principal da noite. Já planejava tudo: iriam para o restaurante, comeriam, conversariam um pouco, ele se recuperaria e depois voltariam para o quarto para fodê-la o quanto mais aguentasse.

 

— Você é safada demais, Carla — ele disse, segurando-a o rosto e a beijando. — Vamos?

 

— Vamos.

 

Carla reclamou que o relógio de pulso dele a machucou. Realmente, as costas dela estava com um enorme arranhão, depois disso o tirou e não fez questão de voltar a usá-lo. Era um pouco estranho estar sem ele no pulso, mas poderia se adaptar.

 

Quando resolveu tirar a barba, também sentiu muita falta no começo. Fez isso porque sentiu-se mal quando se olhou no espelho, achando que sua aparência se tornava envelhecida com ela. Ficou pouco mais de um mês sem deixá-la crescer, mas ficou aliviado quando a Carla pediu para que ele voltasse a usá-la.

 

De alguma forma que não compreendia, a opinião dela significava muito, desde o início. Isso é loucura, cara, pensou. Mal conhecia a Carla e já se sentia completamente ligado a ela.

 

Quando entraram no elevador, um senhor com seu filho adolescente estavam dentro. O moleque olhou descaradamente para as pernas da Carla, pareceu nem se importar com o fato de que Ian a segurava pela mão. Enfiou os dedos no meio das portas que se fechavam, carregando-a de volta para fora.

 

— O que foi? — ela perguntou enquanto via as portas se fechando, com o senhor e seu filho dentro do elevador.

 

— Nada, não.

 

Não era ciumento... só um pouco cauteloso, além do mais, ter deixado a discursão da falta de calcinha de lado não significava que ele estava satisfeito em saber que ela estava sem nada por debaixo do vestido.

 

Minutos depois, as portas do elevador ao lado se abriram, uma mulher saiu, eles entraram. Ian não deixou o olhar da mulher passar por desapercebido. Deve estar pensando que sou um pedófilo! Carla tinha um rostinho inocente demais para estar com um homem barbado como ele.

 

É, na hora de comê-la não reclamo, teve de admitir.

 

— Não me contou o que sua mãe disse — ele falou, enquanto abria a porta do carro para ela.

 

— Ah, nada demais — respondeu ela, sentando-se. Ian fechou a porta e deu a volta no carro para tomar seu lugar, no banco do motorista.

 

Carla ligou para dona Camila, avisando que ficaria o resto do final de semana com ele. Aquilo era uma boa notícia. Principalmente porque foi iniciativa dela. Naquele momento, pensou em ligar seu celular de novo, para ver se tinha algum recado da CCD ou do Willian, mas resolveu que aquela não era uma boa ideia.

 

Ligou para a recepção quando a noite caiu, deixando permissão para que Willian subisse direto ao seu quarto, caso aparecesse por lá. Pelo menos, dessa forma, não correria o risco de ter que ver o nome daquela infeliz mais uma vez na tela do seu telefone. Deveria ter apagado o número dela. E bloqueado.

 

— Ela não ficou preocupada? — indagou, dando partida no carro.

 

— Ah, ela só reclamou um pouco, disse que eu deveria ter trazido roupas, escova de dentes e essas coisas!

 

— Você usa a minha escova, e roupas... bom, com isso devo concordar — declarou, olhando atentamente para os lados antes de entrar na via principal. — Podemos passar na sua casa, aí você pode pegar uma calcinha. De preferência, uma bem grande. Um short por debaixo do vestido é melhor.

 

— Não seja ridículo! Vai começar com isso de novo?

 

— Só estou dizendo! — Deu de ombros. — De qualquer forma, quando estivermos no quarto, você pode ficar peladinha. Aí, sim, não me importarei.

 

— Como você é safadinho, Ian Duarte!

 

— Mas não tanto quanto você!

 

Ainda tentava decidir qual dos dois era mais cara-de-pau, mas já desconfiava que era ela. Por mais safado que fosse, sentia que a Carla o superava. E a cada hora que passava com ela isso parecia se tornar mais claro em sua mente.

 

Não haviam conversado sobre como aquilo, seja lá o que estivessem vivendo, se daria com o tempo. Também não queria pensar muito sobre isso, sequer sabia se ela o queria realmente. Desde o começo, sempre só falaram sobre sexo, nada mais, e, com ela safada do jeito que se mostrava ser, tinha cada vez amis certeza de que não passariam disso.

 

Em diversos momentos, ficou claro para ele que ela também queria dar continuidade àquilo... na cama. Não seria ele a levantar essa questão e correr o risco de estragar a noite. A paciência da Carla era uma linha tênue. Ou a minha? Não sabia bem, já que ela sempre o acusava de estar nervoso.

 

Ele escolheu o restaurante que iriam, já que ela disse não conhecer aquela área de São Paulo, mas concordaram com muita facilidade de que deveriam comer alguma besteira bem gordurosa, tomando algo nada saldável de acompanhamento.

 

— Sorvete — ela havia sugerido como sobremesa. Nem tinham tomado banho ainda e já discutiam a sobremesa que comeriam depois do jantar.

 

— Ah, sorvete não. Pensei em uma torta de limão.

 

— Por que não torta de limão e sorvete?

 

— Ah! — ele riu. — Sua ideia é bem melhor que a minha!

 

Tudo era leve com os dois, exceto quando discordavam de algo, aí, alguém tinha que ceder e, normalmente, ele que fazia isso. Aprendeu bastante rápido que a Carla não era do tipo que dava o braço a torcer. Ele também não, mas alguém precisava erguer a bandeira da paz.

 

A chuva era fraca e fazia um pouco de frio, mas Carla recusou quando ele disse para que ela usasse uma blusa de frio dele. Quando ele parou o carro em frente ao restaurante, Carla desceu e deu uma corridinha até a cobertura que o prédio oferecia. Travou a mandíbula enquanto a observava correr, segurando a saia do vestido para que não subisse.

 

Teimosa. O que custava ter passado na sua casa?! Não via problema nenhum em leva-la até lá, mas queria evitar uma possível briga.

 

Depois de estacionar o carro, foi até onde ela estava, a segurando pela mão e entrando no lugar. O restaurante era pequeno, com paredes claras e mesas e cadeiras de madeira escura, rústicas e elegantes. Na parte superior das paredes, uma madeira, mais clara do que a das cadeiras, percorria de ponta a ponta. As duas pilastras do salão eram pintadas em um tom de azul royal, mesma cor dos estofados das cadeiras. O local era bem-iluminado, e uma música instrumental tocava baixo, no salão. Sentaram-se em uma das mesas vagas. Ele de um lado, Carla de outro.

 

O tempo que passaram juntos desde a comemoração na pizzaria até agora o fez ver aquela distância como algo ruim. Não comentou nada. Ela pareceu tão à vontade que admitiu que aquilo era coisa de sua mente perturbada.

 

Tinha feijoada. Ele queria. Mas só ficou na vontade mesmo, olhar para Carla e lembrar de que ainda tinha um papel a desempenhar durante a noite o fez fugir da comida pesada, apesar de terem escolhido outra quase tão pesada quanto no lugar: lasanha.

 

Durante o jantar, conversaram sobre coisas do passado, ela falou mais do que ele. E não conseguia fugir daquele nome. Murilo sempre se fazia presente, mesmo que nas histórias mais bobas que ela se recordava.

 

Camuflou o desconforto que aquilo o causava enfiando o máximo de comida na boca que podia, se estivesse mastigando não correria o risco de gritar um porra, Carla, o Murilo?! Ela parecia sincera quando falou que não via o garoto mais como antes, mas ele não conseguia afastar as dúvidas que o rondavam.

 

De repente, se percebeu mais inseguro do que uma garotinha apaixonada pela primeira vez na vida. É isso, ele pensou, alcançando a mão dela do outro lado da mesa e a apertando. Como ou quando se apaixonou ainda era difícil de entender, mas estava, e muito.

 

Isso doía.

 

— Está tudo bem? — ela perguntou. Comiam torta de morango com sorvete de baunilha, já que não tinha torta de limão no restaurante.

 

— Que bom que resolveu ficar o resto do final de semana.

 

— Acha que eu trocaria a oportunidade de dar para você por uma cama de solteiro fria?!

 

Ele riu, mas fechou a cara no instante seguinte. Só pensa em sexo. Ele deveria pensar só nisso também.

 

— Eu também não trocaria meu corpinho gostoso por nada, se fosse você!

 

— Tomarei nota disso, senhor Ian!

 

Esperava que sim. Indiretas não eram o forte dele, mas queria ser entendido.

 

Depois que terminaram a sobremesa, ainda conversaram mais um pouco. Ian já via quando a conversa se encaminharia para o assunto que ele tanto esperava não ter que falar sobre: a competição do Pub. Por sorte, quando pareciam escorregar para aquele lado, um garçom veio até a mesa perguntar se eles desejavam mais alguma coisa. Ian pediu uma água com gás.

 

Saiu do restaurante com ela abraçada à sua cintura, enquanto a mão dele se apoiava na bunda dela, nada ofensivo, porém, só queria se certificar de que o vestido não subiria.

 

— Devia ter levado você para o banheiro e te comido ali. Droga, Carla, que porra de pedaço de pano é esse?

 

— Você nunca reclamou antes, não sei por que tanto drama agora.

 

— Você está sem calcinha.

 

— Você adoraria saber que não estou de calcinha há algum tempo atrás.

 

— Agora é diferente.

 

— Por quê? Depois de me comer ficou entediado?

 

— Quê? Caralho. Nada a ver — disse, a soltando.

 

— É machismo então?

 

— Não sou machista.

 

— Explica o que está acontecendo então.

 

— Você tem um bundão, sua peste. Acha que é legal saber que onde a gente passa tem um cara te olhando?

 

Ela riu.

 

— Está com ciúmes!

 

— Não estou, não.

 

— Claro que sim. Que bobo!

 

— Vamos logo para o hotel que já estou com dor no saco.

 

Era uma injustiça ficar com o pau duro o tempo inteiro. Mesmo cansado, seu corpo reagia a ela com uma facilidade quase que inacreditável.

 

Quando de volta ao hotel, Ian tirou seus sapatos e esperou que ela tirasse o dela, para depois puxá-la para um beijo. Estava doido para tirar aquela calça logo e livrar seu membro do aperto da cueca. Não era aquele aperto que queria pelo resto da noite.

 

— Ah, Ian — ela reclamou quando ele subiu em cima dela, na cama.

 

— O que foi? — quis saber, mas sem parar de beijar o pescoço dela, descendo a língua enquanto abusava da bunda dela com a mão. Ela já estava molhada. Droga, Carla.

 

— Estou cheia. Minha barriga parece que vai explodir.

 

Ele a encarou, incrédulo.

 

— O quê? Comemos demais.

 

— Achei que você queria...

 

— Eu quero, só não aguento agora. Vamos dar um tempinho?!

 

Não soube se aquilo foi um alívio ou algo com que se preocupar. Estava cansado e cheio também e esse poderia ser o indicio de que ela não queria só sexo com ele, mas seus testículos estavam mesmo doendo, e ela não havia negado fogo por nenhum momento até então. Resolveu levar para o lado positivo.

 

Enquanto ele escovava os dentes, ela tomava banho, depois eles trocaram de lugar, aquilo parecia até normal para os dois, conversando enquanto faziam tudo. Uma harmonia que parecia fazer parte deles. Desejava que continuassem assim. Até pareciam mesmo um casal. Somos um?

 

Carla se deitou no peito dele, colocaram um filme, mas nem estavam na metade quando Ian começou a sentir as pálpebras pesadas.

 

†††

 

— Ah, Carla — gemeu. Sequer havia aberto os olhos, mas podia sentir o peso do corpo dela em cima de parte de suas pernas. E a língua dela em seu pau.

 

Se queria vê-lo enlouquecido, definitivamente, conseguiu com aquilo. Melhor do que acordar com sexo era acordar com um boquete como aquele.

 

— Puta que pariu! — grunhiu entredentes, sentindo-a colocando tudo para dentro.

 

A língua dela trabalhava, movendo-se como possível enquanto ela o engolia. Abriu os olhos. Melhor visão não existia: ela estava de quatro, no meio das pernas dele. Não saberia dizer como ela fez para tirar seu calção, mas estava sem ele, e ela estava sem a blusa que usou para dormir também. A cortina do quarto estava meio aberta, iluminando o quarto. Os seios da Carla pendiam de forma delicada, com os bicos intumescidos, excitada por chupá-lo. Os olhos negros e brilhantes cravaram nele.

 

Gemeu, contorcendo-se e enfiando as mãos entre os fios de cabelos dela, segurando-a com firmeza. Aquilo era tão bom que não conseguiu manter o contato visual mais. Segurou-a, contendo os movimentos que ela fazia, sentindo a boca dela deslizando com lentidão pelo seu pau. Fisgadas subiam de seu membro ao seu corpo, arrepiando-o.

 

Continha-se como podia para deixá-la à vontade para se mover como quisesse, mas era cada vez mais difícil, principalmente porque a boca dela estava tão molhada, sedenta, que o enlouquecia cada vez mais. Não conseguiu. Começou a guiá-la lentamente, para cima e para baixo, aumentando a força dos movimentos com o crescer de sua excitação. Quando deu por si, estava fodendo a boca dela com força.

 

Carla se agarrava às pernas dele, apertando-as com força. Ele estava quase lá, e notar que ela estava gostando de tudo aquilo, soltando abafados gemidos a cada estocada dele em sua boca, o deixava ainda mais extasiado. Sentiu-se contrair em um espasmo de prazer, conteve seus movimentos, mas Carla continuou. Achou melhor avisá-la.

 

— Vou gozar agora, Carla, você... ah... porra, garota... — gemeu, sentindo-a indo mais forte, mais fundo. Não aguentava mais, não podia evitar. Avisou. Um leve tremor se espalhou pelo seu corpo, enquanto gozava na boca dela, e Carla aceitava tudo, olhando-o, parecendo se divertir com aquilo. — Nossa...

 

Queria falar alguma coisa, mas só conseguia pensar em palavrões. Carla se ajoelhou na frente dele, limpando os cantos da boca com as costas da mão.

 

— Venha aqui — ele pediu, estendendo a mão para ela. — Você quer mesmo acabar comigo — declarou, a beijando.

 

Nojo? Nem um pouco. Estava extasiado pela vontade que ela demonstrava ter em agradá-lo e, com certeza, não tinha agrado melhor para uma manhã de domingo. Precisava retribuir. Era o mínimo.

 

Seus beijos iam e vinham com estalidos baixos, suaves, enquanto ele era cercado e apertado pelas pernas dela em sua cintura. Desceu os beijos, lambendo a pele quente no vale dos seios dela, enquanto ela arqueava as costas, gemendo.

 

Tomou um dos seios em sua boca, usando a mão para massagear o outro. Carla rebolava em cima da barriga dele. Toda aquela desenvoltura o fascinava. Não existia vergonha, receio, apenas entrega, pensar em não a ter era uma tortura.

 

— Ah... — ela gemeu, colocando a mão por entre as pernas, começando a se masturbar.

 

Em um movimento lento, ele a depositou em cima da cama, começando a descer seus beijos, mordendo a barriga dela, vendo-a se contorcendo embaixo de seu corpo. Já começava a despertar de novo, só por ouvir os gemidos que ela soltava.

 

— Oh, céus, Ian! — ela gemeu, quando ele alcançou sua intimidade com a boca. Receptiva, molhada, quente.

 

Podia se perder naqueles gemidos, no chamar pelo seu nome, com toda a facilidade do mundo. Segurou as coxas dela, apertando-a contra sua boca, sugando o clitóris, descendo a língua e penetrando-a. Os gemidos ficavam cada vez mais incoerentes. Ela perdia a cabeça quando a chupava, e ele não parava, exigindo cada vez mais dela, sugando-a, penetrando-a e tornando a sugar.

 

Concentrou-se no ponto de prazer, enfiando dois dedos de vez dentro dela, ouvindo-a xingar com a brusquidão. Adorava aquilo. Amava aquelas reações que ela tinha. Movimentava os dedos sem parar enquanto brincava com o clitóris dela, exercendo pressão enquanto movimentava a língua.

 

Sentiu-a estremecer em suas mãos. Carla segurou seus cabelos, apertando-o ainda mais contra sua boceta, contorcendo-se, soltando gemidos cada vez mais baixos e trôpegos enquanto se derramava na língua e dedos dele.

 

Quando as mãos dela abandonaram seus cabelos, levantou o rosto para encará-la. Pulsava de desejo por aquele corpo, aquela pele suave, morena, quente. Desejava tê-la cada vez mais. Subiu seu corpo, apoiando as mãos no colchão, cada um em um lado dela. Carla ofegava, olhando-o com uma mistura de vergonha e sensualidade no rosto. Não. Não era isso, era só tesão. Puro tesão enraizado naqueles olhos negros que tanto amava. Isso o arrepiou. Selou sua boca na dela, arrastando-a para um beijo profundo, soltando o gemido que estava preso em sua garganta ao sentir as mãos dela o agarrando. Abriu a gaveta do criado-mudo, tateando em busca da camisinha, sem parar de beijá-la.

 

— Anda, Ian — ela implorou com voz doce, enquanto ele rasgava a embalagem do preservativo. — Quero você... por favor...!

 

Encarou-a enquanto vestia a proteção, com um sorriso no rosto. Estava quente de tesão por ela, tão duro que sentia seu saco repuxar pelo desejo, nem parecia ter gozado a instantes atrás. Após terminar, segurou-a pela cintura, forçando o corpo dela para cima, chupando mais uma vez os seios de Carla. Tremulou ao sentir a mão dela em seu pau, guiando-o para dentro dela.

 

— Calma — ele sussurrou em seu ouvido, a ajudando, posicionando-se na entrada dela. — Vou foder você tanto... — que não vai mais querer me deixar, quis dizer, mas, em vez disso, se afundou dentro dela, sentindo-a arranhando suas costas, puxando-o de encontro ao corpo dela.

 

Passou os braços por debaixo do dela, encaixando seu rosto no pescoço da Carla, estocando-a cada vez mais forte, ouvindo os gemidos tiritantes dela em seu ouvido. Com força, deixando-se arrebatar pelo tesão que sentia por ela, por seu corpo, por tudo o que ela já representava para ele.

 

Os gemidos também escapavam de sua boca quase que involuntariamente. Não queria parar, não queria que acabasse, precisava fodê-la até perder todas as forças e sentir-se inútil, incapaz de pedir por mais. Precisava arrancar cada gota de prazer que ela tivesse para oferecê-lo.

 

Desceu suas mãos, agarrando-a pela bunda, forçando-a ainda mais para si, enterrando-se o quanto podia dentro dela, sentindo o suor de seus corpos tornar o atrito mais suave a cada golpe profundo, rápido, ritmado que infligia.

 

O ar pareceu faltar de seus pulmões quando uma onda de prazer lhe atingiu o intimo com pressão. Sentiu os músculos do abdômen se contraírem, gemeu, urrou, gozando, enquanto ela ainda o apertava com força em seus braços frágeis.

 

Com o corpo tensionado como estava, levou um tempo para conseguir relaxar, sentindo-se ceder aos poucos em cima dela. Um coração contra o outro, como tambores em meio à batalha. O ofegar alto que se misturava, o cheiro de sexo. Tudo era bom demais.

 

— Isso fica cada vez melhor — ele disse com voz cansada, lambendo os lábios em seguida, ressecados pelo arfar profundo.

 

— Tudo com você é bom — ela sussurrou, o fazendo sorrir. Carla segurou o rosto dele entre as mãos, o beijando os olhos, a bochecha, o nariz, a boca. Quis perguntar o que era tudo aquilo, mas vê-la sorrindo o fez esquecer o que diria. Engoliu em seco, tirando seu peso de cima dela e se deitando ao seu lado.

 

— Estou morrendo de fome — ele falou. — E sede.

 

Os dois foram diretos para o banho. Ian havia pedido serviço de quarto quando eles foram jantar na noite passada, mas, depois daquilo, os lençóis estavam completamente encharcados de suor, por isso decidiram descer para tomar café e pediu para que o serviço de quarto trocasse os lençóis. Carla estava até amarela depois de gozar tanto. Ele não pôde deixar de implicar com aquilo.

 

O dia inteiro foi uma troca de carinhos incansáveis. Já havia se adaptado completamente ao jeito dela e receber toda aquela atenção era como viver em um mundo completamente diferente. Não esperava por nada daquilo, nem sabia se estava preparado para o que ela o dava, mas amava cada pedacinho das coisas que faziam juntos. Até brigar com ela era fácil, o que acabou descobrindo desde o início daquela relação que ele ainda não sabia classificar o que era.

 

Mostrou para ela os dois primeiros capítulos do livro dele. Não estavam, nem de longe, prontos ainda. A Carla deu suas impressões para ele, e Ian anotou o que era pertinente para a história, deixando toda a energia dela o contagiar ainda mais.

 

Teve tanta dificuldade para começar a escrever aquele livro, mas, depois que ficaram juntos, um peso pareceu ter saído de suas costas e as ideias vieram com facilidade. Já estava há tanto tempo tentando escrever, que sabia o enredo de cor. Agora já não se preocupava mais com o desenvolvimento da história, sabia que conseguiria seguir com ela sem mais problemas.

 

O dia passou tão rápido que ele mal pôde acreditar. Depois de pedirem algo para jantar no quarto do hotel mesmo, assistiram um filme, e depois a puxou para cima de si. Queria vê-la se satisfazendo montada nele, como na primeira vez, observá-la, senti-la... Dormir depois disso foi fácil, principalmente porque ela não foi embora.

 

Acordou com o barulho do telefone fixo do quarto tocando. Abriu os olhos com dificuldade, passou a mão pela cama, mas não encontrou nada. Virou o rosto, mas Carla não estava lá. Achou um bilhete em cima do criado-mudo.

 

 

Você estava lindo dormindo. Não quis te acordar.

Mas precisei ir para casa, trocar de roupa e ir para a faculdade.

Não se preocupe!

Carla

 

— Merda! — ele grunhiu, frustrado. Queria que ela o tivesse avisado. Ele sabia que ela estudava pela manhã, mas isso sequer se passou pela cabeça dele. O telefone parou de tocar, mas começou mais uma vez, ao mesmo tempo, duas batidas ecoaram na porta. Carla.

 

Ela devia ter esquecido alguma coisa. Esperava que sim. Podia se arrumar rapidinho e levá-la, não custava absolutamente nada. Deixou o telefone tocando e vestiu o calção que estava pendurado na colcha, quase caindo da cama, indo até a porta.

 

Abriu. Ao lado de um Willian desconsertado, um rapaz estava parado na frente da porta. Cabelos negros espetados com gel, magro, um pouco mais baixo do que Ian. Olhos castanhos.

 

— Igor...?

 

— Eu tentei ligar para seu celular várias vezes, avisando que ele veio para São Paulo, mas só dava caixa postal. Tive que trazê-lo — disse o agente, apreensivo.

 

— Precisava falar com você — declarou Igor, empurrando Ian para entrar no quarto. Willian deu de ombros.

 

O telefone começou a tocar outra vez. Ian foi atender.

 

— Oi.

 

— Senhor, liguei para avisar que seu amigo, Willian, está subindo com um rapaz para vê-lo. — Ian havia deixado a entrada de Willian permitida.

 

— Eles já chegaram. Obrigada por avisar. — Desligou.

 

— Então... — começou o agente com cautela de quem pisa em ovos. Engoliu em seco. Estava com o cavanhaque bem aparado, a pele negra ofuscada pela vergonha da situação que exalava constrangimento. Ian agradeceu por Carla ter ido embora. — É melhor deixar vocês conversarem. Como diz o ditado: vocês são irmãos, vocês que se entendam! Bom, mais ou menos isso. É... Ian, qualquer coisa me liga. E... cara, não deixa o telefone desligado assim.

 

— Certo — falou Ian entredentes, observando seu amigo partir. Olhou para Igor.

 

Por quê? Por que ele estava ali? Por que não deixava as coisas como estavam?


Notas Finais


Espero que tenham gostado! Estou louca para saber o que pensam sobre tudo isso! rsrsrsrs
Bjs!


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