História Missing - Capítulo 10


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Categorias Cúmplices de um Resgate
Personagens André Alencar, Isabela Junqueira, Joaquim Vaz, Julia Vaz, Manuela Agnes, Priscila Meneses
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Palavras 5.537
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Mistério, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 10 - Capítulo 10 - Vou cuidar de você


                        4 meses depois

Meus olhos estavam entreabertos enquanto observava André se vestir. Era sábado, 8 da manhã. Pra que porra ele estava se arrumando em um sábado tão cedo?



Eu olhava aquela mensagem que havia recebido. Era do cartão, e estava escrito que havia feito uma compra em uma floricultura.

Ouvi a porta aberta mas fiquei do mesmo jeito.

- Já acordada? – André perguntou após entrar dentro de casa com um saco de pão e me ver no sofá. Ele tentou me beijar por trás do sofá mas eu recusei. André estranhou. – Trouxe pão. E queijo mas presunto.

- Já tomei café. – Disse curta e grossa.

- Como já tomou café? Não tem nada no armário.

- Tinha biscoito.

- Mas você nem me esperou. – Ele continuou incrédulo.

- Oh porra, você já viu que horas são cacete? – Me estressei.

- 9 horas?

- 9 horas do seu rabo. – Levantei do sofá irritada. – São 11 horas André. Que porra tu estava fazendo fora de casa de manhã cedo? – Coloquei a mão na cintura.

- Ah Julia, faça-me um favor. – Ele reclamou indo pra cozinha. Lhe segui. – Fui na intenção de comprar um pão pra nós tomarmos café juntos e você vem com ciúmes.

- Você foi fabricar o pão foi? Por quê da hora que você saiu só pode ter sido isso. – Disse sarcástica.

- Não pode mas sair de minha casa não é? – Ele colocou o pão na mesa irritado.

- Não 8 horas. Você acha que eu sou idiota?

- A casa é minha. Eu saio a hora que eu quiser. O porteiro não se incomoda do meu horário. Por que você incomodaria?

- Ah, então é assim? – Disse sem acreditar. – Okay. Você está certo. Eu que sou a errada aqui! Sou eu que sou a errada.

- Sim, é você. – Ele retrucou com a sobrancelha arqueada me desafiando.

- Tá certo. Eu que sou a maluca. – Ele concordou novamente. – Sabe o que eu espero? Que quando minha filha nascer, ela não encontre alguém como você. Espero de verdade. – Falei e segurei na ponta da barriga já grande de 4 meses. Sai da cozinha indo pro quarto e tranquei a porta.



- Julia, vem comer. – André bateu na porta do quarto.

- Estou sem fome. – Respondi. Desde de nossa pequena briga, eu não sai do quarto pra nada.

- Sabe o que o médico disse. Você precisa comer todos os dias.

- Como se você se preocupasse com isso né? Ele também me disse que eu não posso me estressar, mas você faz de tudo ao contrário.

- Desculpa, só fiquei irritado. – Não respondi e ele continuou a bater. – Abre a porta vai. Eu fiz a comida que você gosta.

- Rejeito, muito obrigada. – Falei sarcástica.

- Ah, para com isso. Foi só uma briguinha.

- Não foi uma simples briga. Você está mentindo pra mim. Mentindo na cara de pau. Eu odeio que mintam pra mim.

- Desculpe. – Ele ficou um pouco na porta, mas depois eu vi que ele saiu.



- O André apareceu aqui hoje as 8 da manhã? – Perguntei a Isabela que procurava uma merenda pra Rebecca. Isa me olhou com a testa franzida.

- Não, ele não apareceu. 8 horas estávamos todos dormindo.

Isabela disse e eu concordei. Eu havia saído de casa quando André adormeceu no sofá com meu prato de comida no chão. Eu resolvi vim na casa de Isa e Joaquim, pra saber se Joaquim também havia saído ou se ele tinha vindo aqui.

Desde de que conheci a Isabela, a gente começou a ser amiga. Estou tentando não lembrar muito da Manuela, mas suas ações são tão diferentes das delas que raramente eu me lembro dela.

Pelo que Isabela disse, Joaquim já se acostumou com duas meninas parecidas com a irmã. Depois que Isa deu um basta, ele parou e começou a lhe enxergar como sua mulher e sua filha. A Isa nunca gostou de pessoas se confundido com a Manu, mas nunca falou nada a respeito disso.

Joaquim entrou na cozinha com Rebecca no colo.

- Joaquim, não. – Isabela reclamou ao ver Rebecca tomando picolé. – Ela tem alergia a amendoim. – Isabela tirou o picolé dela e me deu.

- Eu não sabia. – Ele disse após Isa tirar ela do colo dele.

- Mas ela sabe disso. – Isa deu um tapa em seu braço. – Ela sabe que não é pra comer nada de amendoim que ela não tem mais três anos de idade.

- Não precisa bater. – Joaquim disse com Isabela que começou a procurar os remédios acho que anti-alérgico.

- Por favor Joaquim, não se intromete. – Ela disse irritada pedido pra parar com a mão. – A Rebecca não é uma criança de 3 anos. Ela sabe que não pode comer nada de amendoim. Ela já tá começando a se coçar aí!

- Acho que chegou minha hora. – Disse ao perceber que eles estavam começando a discutir. Beijei a Rebecca e sai.



André me encarou ao ver eu entrar em casa.

- Aonde você estava? – Ele perguntou irritado. – Eu fiquei te esperando pra almoçar Julia.

- Esperou a toa. Não estou com fome. – Disse seguindo pro quarto.

- Você tem que comer Julia!

- E você tem que parar de me irritar! – Gritei com ele. – Você não me deu satisfações eu também não darei.

- Eu não posso contar. – Ele disse agoniado.

- Sou sua mulher André. Vamos casar. Não pode esconder de mim segredos.

- É uma coisa minha. – Ele murmurou e eu fiquei lhe olhando sem acreditar. Ele observou eu tirar minha aliança do meu dedo. Entreguei a ele.

- Ainda bem que não casamos ainda. Porque quando casa, a carne se torna um. Se não quer contar isso é problema seu, mas eu não continuo com você. – Eu disse e ele abaixou o olhar. – Agora me deixe dormir. E não me atrapalhe por favor. Amanhã irei pra casa da mamãe. – Eu disse e sai indo pro quarto e deixando ele em pé na sala.



Talvez eu esteja pegando demais em seu pé, mas é isso que devo fazer. Não dá pra casarmos se ele esconde segredos de mim. Precisamos ser sinceros um com o outro.

Eu estava deitada de bruços na cama, pensando, quando ouvi e ele entrar no quarto. Já era tarde. Acho que daria meia noite. Dos tempo que estou no quarto sozinha e ele na sala pra mim é bem tarde.

Continuei do jeito que estava. André deitou ao meu lado e ficamos calados.

- Você vai mesmo pra casa de sua mãe? – Ele quebrou o silêncio mas eu não respondi nada a ele. – Escuta, eu não quero ficar brigado com você. Se quer desistir do casamento tudo bem. É uma escolha sua. Mas não se afasta de mim e não afasta nossa filha também. Só eu sei o vazio que eu tenho no peito desde de muito tempo. Me aconteceu coisas, que ninguém sabe e eu preciso de um tempo pra que eu possa finalmente contar. É complicado, doe... – Eu ouvia tudo calada e sua voz falhou no final me fazendo crer que ele estava querendo chorar. Ouvi um fungo seu e um respiro profundo. – Não se afasta no momento que eu mas preciso de vocês. Por favor...



Eu resolvi não ir pra casa da mamãe. E André mas eu fomos comer fora. Quando saímos, a gente foi caminhando com nossos dedos entrelaçados. Uma morena com chapéu pork pie vermelho vinha em nossa direção, ia passar direto, mas ela parou na frente do André. Ela olhou pra mim e ele, com um sorriso pequeno.

- Acho que agora caiu a ficha. – Sua voz era conhecida pra mim.

- Oi Priscila. – André sorriu da mesma forma que ela. Priscila, óbvio! Uau, ela tava linda. – Como esta você?

- Estou seguindo... e você? – Ela suspirou um pouco.

- Bem. – Eles ficaram se olhando.

- Três anos né. – Ela disse a ele. TRÊS ANOS DE QUE PORRA?

- É... – Ele concordou e os dois estavam... tristes?

- Bom, eu já vou. – Priscila quebrou o silêncio. – Espero que fique bem. E que a criança nasça com saúde. Adeus Julia. – Ela sorriu pra mim e se desviou entre André saindo andando. Em sua mão, tinha um chaveiro com um pequeno ursinho. Olhei pro bolso de André, aonde o ursinho igual ao dela estava. Por que os dois tinham o mesmo ursinho como chaveiro?

Ah para. Quantos segredos esse cara esconde de mim? Ele acha que eu sou o quê? Idiota?

Eu não sei se consigo aguentar isso.

Primeiro, ele sair cedo de casa. Segundo, a mensagem de compra na floricultura. Terceiro, ele conhece a Priscila. Quarto, os dois terem o mesmo ursinho. E quinto, TUDO ISSO QUE ELE ESCONDE.

Cheguei a conclusão que ele está me traindo e tudo que ele disse na noite passada era teatrinho. Talvez não seja e seja só paranóia, mas eu não aguento mas. Eu realmente vou ir pra casa da mamãe. Não vou conseguir viver em paz com tantos segredos.

                         André Alencar

- André!! – Minha irmã Lola entrou em casa feliz e correndo ao me ver na sala. Mas quando ela se aproximou ela parou e alguns recuou. Eu revirei os olhos quando até minha mãe fez cara estranha ao me ver naquele estado.

- Que bom revê-las novamente! – Disse irônico.

- O que aconteceu? Cadê a Julia? – Mamãe colocou a bolsa no sofá.

- A Julia saiu de casa. Ela disse que quer um tempo. Pelo amor de Deus. – Reclamei baixo.

- O que você aprontou André?

- Eu não fiz nada. Ela que é louca. Disse que eu estava traindo ela. Vê se pode uma coisa dessa.

- Você deu motivo pra ela pensar ou ela que criou isso na cabeça? – Eu fiquei em silêncio e mamãe entendeu. – Ah, claro! A garota é louca. – Minha mãe disse irônica imitando minha voz. – Homens quando tá errado fala logo que a mulher é doida.

- Vai defender ela mesmo é?

- Eu sei quando é você que erra. Julia não sairia de casa atoa André. Você fez algo.

- Eu não fiz nada Alicia. Ela recebeu a mensagem que comprei flores, e acabou juntando peças após ver que a Priscila e eu temos o mesmo ursinho.

- Pra que comprou flores? – Eu olhei pro lado sem dizer nada. – André...

- Eu sinto saudades dela! Eu queria ter mais tempo com a Anna. – Meus olhos marejaram. – Passou três anos mãe. E agora a Julia me larga. Eu pedi pra ela não me deixar, preciso dela. E ela nem ligou. – Alicia sentou no braço do sofá e me puxou pra por o rosto em seu peito me abraçando enquanto chorava. – Conversa com a Julia pra mim. Por favor. – Pedi olhando nos olhos da mamãe.

- Infelizmente é você quem tem que conversar querido. Você que tem que contar da Anna.

- Eu não vou conseguir coragem pra contar a ela.

- Você consegue sim André. – Ela se separou e pegou meu rosto me olhando carinhosamente. – Você é um Alencar. Você consegue segurar essa barra. Você é forte. Honre esse sobrenome.



Naquele mesmo dia minha mãe me fez se arrumar e ir conversar com a Julia. Mas eu não fui me encontrar com a Julia. Fui me encontrar me encontrar com a Priscila.

Quando entrei em sua loja aonde ela trabalhava, eu vi ela atrás do balcão. Ela sorriu de lado ao me ver e eu fui até ela.

- Olá. – Disse.

- Olá.

- Já almoçou?

- Omar estava vindo com meu almoço. – Concordei. – Por que a pergunta?

- Queria almoçar, mas conversando com você. – Expliquei.

- Ah. Como vai a Julia? Eu nem conversei com ela naquela dia. – Colocou a cabeça entre as mãos.

- A Julia voltou pra casa da mãe.

- Pensei que ela não gostasse da mãe.

- Não gosta. Nem do pai. O que eu agradeço é que ela não foi pra casa da avó. Ela ia ficar sozinha lá, já que a avó dela morreu recentemente.

- Quando ela morreu?

- Faz 4 meses. Julia estava de semanas quando descobriu que estava grávida, e que iria contar pra avó, só que ela morreu e nem deu pra contar.

- Nossa, e ela tá bem sobre isso?

- A avó dela era a pessoa que ela mais amava. E acho que até agora ela não superou. Não caiu a ficha sabe? Foi de repente. Do nada. Ela estava tão contente pra contar sobre a gravidez.

- Nossa, que triste. – Priscila disse e eu concordei. – E vocês estão felizes com a gravidez?

- Sim. – Priscila sorriu.

- Que bom. Também fico feliz por vocês. Vocês são as duas pessoa pessoas que nunca irei esquecer.

- Eu também nunca irei esquecer de você Priscila. – Sorri pra ela. – Você ainda tem o ursinho?

- Sim, sim. – Ela se afastou do balcão e pegou meu mostrando. Eu peguei e juntei com o meu. Sorrimos ao ver o nome completo novamente. – Anna Victoria.

- É, minha menina. – Priscila disse sorrindo passando o dedo no nosso ursinho.

Nos dois tínhamos o mesmo ursinho, só que era com nomes diferentes. Eu tinha a Anna, e ela a Victoria. Os nomes estavam em dois coraçãozinhos segurado nas patas deles.

Mas na verdade eu queria que o nome fosse Victoria, e ela queria Anna. Escolhemos os dois pro nome dela. Mas acabamos que no final pegamos ao contrário de propósito.

Eu mesmo havia comprado pra nós dois enquanto ela ainda estava na barriga.

No começo Julia sempre me perguntou por que eu tenho um ursinho como chaveiro com nome de outra. Mas eu menti dizendo que não tinha recado no nome, e que não dava mais pra trocar.

- Nunca vou conseguir tampar esse vazio do meu peito. Você pelo menos vai ganhar uma. – Priscila disse.

- Eu vou ganhar uma, mas eu sempre vou amar a Aninha. – Eu disse e Priscila me olhou. – Foi minha primeira filha. Nossa primeira filha.

- Querida, cheguei. – Omar chegou na loja. – André, quanto tempo. – Ele disse e eu soltei os ursinho pra lhe cumprimentar. – O que faz aqui? – Ele perguntou colocando um saco no balcão. Priscila abriu logo em seguida tirando a marmita.

- Eu vim falar com a Priscila. Mas já estou de saída.

- Mas já? Eu cheguei agora.

- Pois é. – Apertei a boca pegando meu urso. – Já vou, tchau.

- Adeus. – Eles dois se despediram e eu acenei saindo da loja.

                     Dias depois

Eu olhei pra porta assustado quando vi a porta se abrir. Julia apareceu e ela me olhou assustada.

- Que porra é essa? – Ela disse.

- Ah Julia, não tá tão bagunçado assim. – Reclamei colocando o braço nos olhos.

- Não estou falando da casa. – Eu tirei um pouco o braço dos olhos e ela estava olhando pra mim. Olhei pra mim e depois pra ela dando de ombro. – Veste uma roupa por favor. Que porra você estava fazendo André?

- Dormindo.

- Nu? Sério isso? – Ela perguntou incrédula. – Ainda no sofá, meu Deus.

- Affs Julia, não fiz o que pensa que eu fiz. Se eu tivesse feito isso eu estaria melado não acha?

- Não sei. Vai que você tenha limpado.

Revirei os olhos e sentei.

- O que veio fazer aqui? – Disse pegando minha cueca do chão.

- Esqueci o cartão do pré-natal. – Ela caminhou pra bancada começando a procurar nas gavetas. Levantei.

- Julia, hoje é o dia da consulta e você não me disse nada? – Disse sem acreditar.

- Ah André, não tenho tempo pra ficar discutindo com você. – Eu entrei na sua frente quando ela já tinha encontrando e ia sair. – Deixa eu passar.

- Você vai me esperar.

- Estou atrasada André.

- Olha, eu não pedi férias na minha própria empresa pra você ficar indo sozinha para as consultas.

- Se você pediu é problema seu. Não mandei você pegar férias. – Eu lhe olhei sem acreditar.

- Julia, eu pedi férias pra ter mais tempo com vocês e é assim que você me agradece?

- Deixa eu passar. – Ela pediu mas eu não sai do lugar.

- Se você quisesse passar você teria passado pelos dois lado. – Eu retruquei e ela ficou corada. – Você vai me esperar.

- Não dá tempo André. Você vai outro dia. – Ficou se mexendo.

- Para de ficar nervosa Julia. Parece que nunca me viu de cueca. – Revirei os olhos.

- Você precisa parar de ficar me tentando. Eu estou atrasada.

- Quem tá com fogo é você. Eu só estou mandando me esperar. Mas você parece que tá necessitada.

- Tô mesmo. Idai? – Ela empinou o queixo.

- No começo da gravidez eu também estava e você me dizia o quê? – Lhe provoquei. – Que estava cansada.

- Vai me dizer que não está.

- Estou, mas você está mais. E eu não vou transar com você pra não machucar meu bebê. – Disse e sai de seu lado caminhando pro meu quarto.

- Vai machucar o teu cu. – Ela gritou enquanto eu seguia pro quarto.



Nós dois tínhamos acabado de chegar da consulta. Saímos de casa com ela irritada por ter pedido o táxi, e eu tive que leva-la de carro.

Estacionei na frente da casa de sua mãe. Julia tirou o cinto e foi abrir a porta mas eu lhe impedi pegando sua mão.

- André, eu não vou voltar pro apartamento. – Ela começou dizendo. – Pela primeira vez eu estou sentindo como é ter uma mãe presente. Eu estou bem aqui.

- Não é sobre isso que eu quero falar. Eu quero contar o que aconteceu. Era pra me ter feito isso dias atrás, mas eu ainda não estava pronto. – Ela ficou calada me olhando. Soltou sua mão da minha e sentou direito na poltrona desistindo de sair do carro. Respirei fundo olhando pra meu ursinho. Anna Victoria que me dê forças. – Há três anos atrás, os meus amigos me chamaram pra uma balada. E me encontrei com a Priscila. Acabou que Priscila e eu tivemos um caso. – Comecei a falar e ela pareceu surpresa.

- Ela foi uma amiga minha André. – Julia disse inconformada. – E Omar era seu amigo.

- Por favor, não me atrapalhe enquanto eu estiver contando. – Pedi com os olhos fechados apertando. – É bem difícil pra mim criar coragem pra contar. – Voltei a abrir os olhos.

- Tudo bem...

- Tivemos um caso e, ela acabou engravidando. De primeira foi difícil. Cheguei a pensar que deve ser do Omar. Pois eles estava namorando, mas eles brigavam direto e não faziam nada. Ai terminaram o namoro no mesmo dia que transamos. Só que com a questão da bebida, e eu havia me esquecido da camisinha. Foi na área VIP, aonde só eu e os meninos podiam entrar. Mas eles estavam na pista, e só ficou Priscila e eu na sala. Depois de alguns dias eu me lembrei que não havia usado e que realmente aquele filho era meu pois Omar havia me dito que eles não estavam se relacionando faz tempo. – Julia me ouvia tudo calada, como eu havia pedido. Respirei fundo novamente e voltei a falar. – Eu aceitei a gravidez. Comecei a me apegar com a idéia de ser pai, comecei a me apaixonar por aquela criança cada vez mais. Fiz tudo que faço por você. Fui ao médico, dei presentes pra duas, comprava roupinhas. Eu estava tão feliz por ser pai que cheguei a esquecer você e só focar na criança. Tudo era ela, tudo era só dela ela. Arrumei o outro quarto do apartamento pra quando ela estivesse crescida morasse com a mãe e comigo.

Eu estava sendo forte. Eu não iria chorar como um bebê que nem fiz com minha mãe. Eu iria até o fim.

- Até que no oitavo mês, prestes a fazer nono. Priscila sofreu um atropelamento. – Engoli em seco. – Eu estava indo pra casa quando a emergência ligou. Estava perto do hospital, então eu cheguei rápido. Priscila não teve nada de mais além de alguns arranhões, mas tiveram que fazer o parto. Cheguei no momento em que estavam cortando sua barriga. Vi todo processo aflito, com medo da criança ter se prejudicado. Aí ela nasceu. Estava silenciosa, mas era linda e pequena. Peguei ela no colo sorrindo. Tinha os olhos da mãe. Agradeci tanto a Deus por nenhuma das duas terem se machucado. Mas do nada...

Eu parei de falar quando um bolo apareceu na minha garganta. Meus olhos marejaram, mas eu não iria parar de contar. Eu tinha que terminar.

- Do nada ela parou de respirar. Suas íris azuis estavam fechados e eu comecei a me desesperar. Os médicos tiraram ela de mim e pedia pra sair da sala, mas eu não queria. Eu estava tão desesperado. Fiquei no corredor, e depois de alguns minutos um médico chegou e começou a falar. Quando ele disse ‘sinto muito’ eu me senti desabar. Não durou nem três minutos, e ela morreu nos meus braços.

Eu passei o dedo limpando a lágrima que rolou do meu rosto.

- A única lembrança dela, é os olhos da Priscila. Os pequenos fios que também eram loiros. E o meu nariz. Quando Priscila acordou, eu estava na sala ainda sem acreditar que tudo que fiz foi em vão. Priscila me perguntou dela, como ela era, se ela era saudável. Mal imaginava ela que a bebê havia morrido. Ela parou de falar quando me viu começar a chorar e entendeu tudo. Ela começou a negar, gritar, querendo que fosse mentira. Queria ver a filha dela. Se pra mim foi difícil ver ela morrer, imagina ela que acordou sabendo que ela morreu e não deu pra ver. Foi uma época difícil pra todos nós. Toda vez que eu me lembro, eu fico abatido. Teve o enterro, e até hoje eu ainda não permitir tirar ela de lá. Minha mãe me incentivou a doar tudo para aqueles que precisam. Eu concordei. Outras crianças precisaria. E o quarto ficou vazio novamente... A única coisa que eu tenho dela, é esse urso e aquela roupa que dei a você para a que vem agora.

- Nossa... Eu não sei nem o que dizer. – Julia finalmente disse.

- Meses depois voltei pra empresa, fingi estar tudo bem quando na verdade não estava. Quando você voltou pra cá, me senti feliz novamente. Você me fazia feliz, mesmo sem perceber. Fui ver minha mãe, e eu me lembro que em um momento de fraqueza quando ela disse que era pra tirar os ossos da bebê, eu gritei com ela. Eu disse: “Deus tirou de mim a minha vida. Tirou ela no mesmo momento em que me deu. E eu quero que ele coloque outra pra substituir o vazio que há em mim”. Aí você engravidou.

- Como era o nome dela? – Olhei pra Julia.

- Anna. Anna Victoria. – Respondi.

- É lindo. – Sorri de lado pra ela.

- Acho que se acontecer alguma coisa com vocês duas, igual como aconteceu com a Priscila e a bebê, eu paro de acreditar que serei feliz. – Eu disse abaixando os olhos. – Eu tenho muito medo de perder vocês duas como eu pedi a Anna e quase a Priscila.

- Não vai acontecer nada com a gente André. – Ela pegou meu rosto me fazendo olhar pra ela. – A bebê vai nascer, eu vou ficar bem. Será nos três em todo segundo de nossas vidas até o fim.

- Em todo segundo? – Perguntei baixo.

- Em todo segundo. – Ela concordou e me beijou depois me abraçou.

                  4 meses depois 

Estávamos fazendo ensaio fotográfico. Julia pediu tanto por isso, que eu não pude rejeitar esse pedido. Eu tava reclamando tanto perguntando se já estava acabando e Julia só me dava a tapão me chamando de chato. Fui pra trás dela e lhe abracei sorrindo com a mão na barriga. Eu estava cansado já.

Eu parei quando vi uma morena entrar no local aonde estávamos. Julia me chamou quando eu sai da frente pra ir até ela morena.

Priscila sorriu ao vê ir indo até ela.

- Não queria atrapalhar vocês. – Ela disse após eu lhe cumprimentar com um beijo no rosto.

- Ah, você só me livrou. – Ela riu e olhou pra Julia. Fiquei do seu lado e observei ela também.

-  Ela tá linda.

- É. – Concordei sorrindo ao vê-la feliz tirando as fotos sozinha.

- Como vai ser o nome? – Eu olhei pra Priscila e ela olhou pra mim.

- Valentina. Valente, forte, vigorosa. Na língua da Julia: Mulherão da porra. – Priscila riu com o que disse.

- Julia sendo Julia. – Ela disse e eu ri. Voltamos a olhar pra ela e Julia olhou pra gente acenando toda feliz. Priscila acenou também. Julia começou a lhe chamar mas Priscila negou. Empurrei Priscila e Julia terminou de lhe puxar indo pro centro.

Priscila tirou uma foto mais Julia insistiu. Cruzei os braços e sorri vendo as duas tirando o book.

Priscila não sabia, mas Julia queira que ela fosse a madrinha.

E foi bom ela ter aparecido, porque aí já tem fotos da madrinha. E o bom também foi que Priscila estava com um vestido longo super bonito que combinava com a cor do tema. Aí parecia até que era tudo combinado.

Depois de algumas fotos o cara anunciou que já acabou. E elas se abraçaram e não se desgrudaram mais. Mas o cara tirou a última foto delas assim, e quando vi a imagem em um negócio eu achei bonito.

Acho que esse foi o dia mais feliz pra mim. Pois eu fiz Julia feliz com o book. A empresa está indo cada vez melhor. Revi minha vó Rosa, e ela vai morar agora com a mamãe. Priscila e Julia estão mais próxima. E Priscila estava finalmente feliz depois de tanto tempo.

É coisas assim que me faz feliz pra caramba.

E sim, Julia voltou a por a aliança de noivado. E eu espero que ela nunca mais tire. Mas ela continua na casa da mãe, mas quase sempre ela dorme em casa.

                     1 mês depois

- André, a Julia estava sentindo dor. – Minha vó Rosa avisou e eu revirei os olhos.

- A Julia não está com dor vovó. Se ela estivesse com dor ela falaria.

- Essa criança quer nascer André. Eu sei do que estou dizendo. – Voltou a me alertar enquanto mexia na sala.

- A Julia não está com dor. Ela me diria.

- O mal é sua teimosia. – Revirei os olhos levantando da cadeira.

- Onde ela está?

- Acho que está lá em cima. – Eu concordei e sai da cozinha andando pra sala. – Mãe, cadê a Lola pra arrumar esses brinquedos? A casa parece que tem uma criança de 3 anos. – Gritei pra mamãe enquanto chutava um dos brinquedos. Olhei pra escada ao ver Julia querer começar a descer. Ela estava com os olhos apertados, enquanto descia as escadas devagar. Acho que ela estava mesmo com dor. – Julia, abre os olhos Julia. – Eu mandei e ela acabou se assustado e pisou errado. Gritei desesperado ao ver ela cair da escada. Fui correr atrás dela, mas eu tropecei nos brinquedos e cai no chão. Levantei a cabeça e vi ela rolando no fim das escadas. Sua cabeça foi fortemente batida com um brinquedo duro. – JULIA. – Gritei começando a me desesperar por ela estar com os olhos fechados e a cabeça virada pra mim. Levantei correndo indo até ela e na hora todo mundo apareceu. – Julia, acorda Julia. – Bati em seu rosto. Tirei sua cabeça daquele brinquedo maldito e joguei longe fazendo um barulho grande de algo se quebrando.

- André, leva pro hospital. Ela está sangrando. – Minha vó disse. Olhei pra sua baixo e ela estava mesmo sangrando. E atrás da sua cabeça também estava, além de sua testa. Lhe carreguei com um pouco de dificuldade. – Alicia vai com ele. Eu fico com a Lola. – Mamãe concordou – Qualquer notícia ligue. – Alicia abriu a porta pra mim.



Eu estava na recepção, preocupado. Não dava pra acreditar que de novo minha filha nasceria assim. Em um acidente. Isso se ela nascer né. Já que tudo conspira contra mim.

- André, toma uma água. – Alicia estendeu um copo pra mim.

- Eu não quero água. – Neguei voltando a olhar pro lado enquanto eu mexia os pés nervoso.

- Bebe André.

- Eu não quero Alicia. – Disse nervoso e lhe encarei. – Qual é! A senhora trabalha aqui e não pode ver como tá a Julia e a criança? Pelo menos vê com algum amigo.

- Não vai precisar. – Um médico chegou atrás dela e eu levantei da cadeira.

- Como ela está? – Perguntei rápido.

- A criança ou a paciente?

- Os dois doutor! – Disse óbvio nervoso.

- A criança está bem. Saudável, forte, sem nenhum problema. – Eu respirei aliviado e abracei Alicia. – Mas a sua namorada... – Eu me separei com o que ele começou a dizer.

- O que houve com a Julia? – Perguntei voltando a ficar nervoso.

- Ela entrou em estado de coma. – Ele disse e eu não acreditei. Coma? – Mas ela está bem, a bebê está bem. Houve um sangramento atrás da cabeça pela bancada, que no futuro quando ela acordar pode haver alguma perda de memória. Não se sinta mal por ela estar em coma, pois ela não estaria aqui agora então agradeça bastante.

- Eu posso ver elas?

- Só a criança. – Concordei e segui ele.



Ela era linda!

E era maior que a Anna.

No momento ela dormia em meus braços, enquanto eu sorria passeando o dedo indicador em seu rostinho. Sua respiração era calma. Olhei pra mamãe sorrindo.

- Como você disse. Deus tirou uma e lhe deu outra. – Ela falou comigo sorrindo enquanto passeava a mão em meu ombro.

- Linda né? – Mamãe concordou e eu voltei a olhar minha filha. – Ela tá acordando. – Eu disse e minha mãe se aproximou mais pra ver ela acordar. - Vai ser a cara da Julia. De pequena ela ja parece Julia quando nasceu.

- Tem seus olhos. – Ela disse ao ver a Valentina com os olhos bem abertos. – Hey vovó! – Mamãe começou a xavecar sorridente. – Valentina... – Ela chamou quando a bebê começou a olhar pros lados. Ela voltou a olhar pra Alicia. – Que menina mais linda da vó.

- Tira uma foto pra mostrar pra vovó. – Eu disse.

- É mesmo. Aproveitar vou até ligar pra ela. – Mamãe tirou o celular do bolso e tirou várias fotos.

- Mãe, já chega. – Eu disse rindo. Ela apertava várias vezes. Mirou a câmera pra mim e pra ela. – Mãe.

- Para de ser besta menino. – Ela disse e continuava a tirar um bocado de fotos minha e dela. – Isso.

- Tá bom mãe.

- Affs, você é todo sem graça. – Ela reclamou ficando do meu lado novamente. – Olha como essa tá bonita. – Ela disse me mostrando uma foto em que eu tava sorrindo olhando pra Valentina. Nem eu me lembro de ter olhado pra ela enquanto Alicia tira foto. – Vou enviar tudo pra Rosa. Ela vai ficar louca!

- Louca porquê vai enviar mais de 50 fotos né? Por quê... – Ela me encarou.

- É melhor se calar mesmo. – Ela disse e saiu do meu lado caminhando mexendo no celular. Voltei a olhar pra minha filha.



- Lola! – Rosa gritou ao receber as fotos de Alicia. – Venha ver a sua sobrinha! Credo, Alicia consegue ser mais velha que eu. – Reclamou e as mensagens não parava de chegar. – Pra quê tantas fotos. Meu Deus do céu, que menina lerda! – Ela não parava de falar e finalmente as fotos acabaram. Lola apareceu na porta da cozinha, com um saco gigante nas costas.

- Vó, isso é maldade. – Lola disse soltando o saco gigante cheio de brinquedos que estavam jogado no chão da sala e começou a respirar novamente.

- Ninguém mandou jogar os brinquedos no chão. – Rosa falou baixando as fotos. – Por causa de você Julia bateu a cabeça, e André tropeçou no chão. Era pra lhe dar um tabefe, não colocar pra você recolher tudo.

- Minhas costas tá doendo. Eu só sou uma criança inocente.

- Cala boca e venha vê a bebê do seu irmão. – Em um estante Lola correu até ela. Rosa olhou pra ela. – Suas costas não estava doendo garota?

- Está. Mas o que tá doendo é minhas costas não minha perna. – Rosa ficou lhe olhando.

- Rai aí, Lola. – Rosa disse e apertando pra ver as fotos. – Alicia parece maluca, deixa ela chegar aqui que eu vou mandar ela apagar essas fotos toda. Parece uma velha.

- A senhora também é uma velha.

- Sua mãe é mais. Agora cala boca, você é muito tagarela. Não para de falar nunca. Parece que tem um pinto na boca.

(Eu mudo de fic, mas Rosa eu nunca tiro kkkk pq rainha é rainha né pae! Kkk)



Eu estava sozinho com a Valu. Ela não parava de olhar pros lados.

- Sua mãe tá dormindo filha. – Eu disse e Valentina me olhou. – Logo menos ela acorda pra ficar com a gente. Enquanto isso, eu cuido de você. – Passei o dedo em seu rostinho macio sorrindo.

Queria que a Julia estivesse aqui, mas eu sei que logo menos ela acorda pra ficar com nos dois como ela havia prometido.

Julia prometeu que seria nos três em todo segundo. Ela vai acordar.


Notas Finais


THANRAMMMM 🙌🙌🙌
Gostaram da pequena surpresa? Vocês certamente não imaginavam que eu iria continuar com a fic né?

Bom, mas olha, esses dias que estava sem postar eu estava escrevendo os capítulos de Unknown Love, mas eu já tinha tudo planejado, não foi de última hora. Eu achei que poderia continuar com a fic pois pra minha opinião dava sim pra seguir em frente.
Mas tem uma coisa... prometem não ficarem irritados comigo?

Eu só continuarem a fic depois de UM BOM TEMPO
Sim, eu irei ficar em hiatus que nem eu fiz com a primeira e a segunda temporada de UL

Vocês devem pensar "será que ela acha que isso é uma série?" Não gente kkkk (imagina se fosse. Eu não iria conseguir ficar um dia sem postar o episódio kkkk) é que esse tempo, eu quero fazer MAIS capítulos de UL. Estou pensando em mais uma fic, que uma leitora amiga pediu. Mas vou fazer esse tempo em pausa sim os capítulos daqui. Não irei abandonar

E também, vocês não sabem, mas na minha vida social eu não estou passando por momentos legais. Tem acontecido coisas, que tem me deixado bem triste. Não quero entrar em detalhes, mas eu estou bem. Vou ficar bem, prosseguindo...

Me digam se gostam do final. Se não gostaram... Falem!

O que acharam sobre a Anna Victoria, Valentina, tudo que aconteceu.




Vou deixar a link da continuação da fic aqui. Favoritem pois quando eu voltar lá, vocês serão avisados.

https://spiritfanfics.com/historia/vou-cuidar-de-voce-10927256

Obrigado amores pelos favoritos e comentários sempre muito lindos. Vocês são os melhores ❤


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