História Missing - Capítulo 30


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Categorias Fall Out Boy, Panic! At The Disco
Personagens Andy Hurley, Brendon Urie, Brent Wilson, Dallon Weekes, Joe Trohman, Jon Walker, Patrick Stump, Personagens Originais, Pete Wentz, Ryan Ross, Spencer Smith
Tags Peterick, Ryden, Trohley, Universo Alternativo
Visualizações 31
Palavras 1.602
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Lemon, LGBT, Mistério, Policial, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Com toda a tensão dos últimos caps eu acho que a pergunta seria "Por que diabos um flashback no meio da trama?", pois é meus amigos, a intensão é justamente essa, ser aleatório

eu tava numa ânsia (ambos sentidos) pra postar esse flashback, oh gosh

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~Boa leitura

Capítulo 30 - Flashback VIII - Até isso acontecer com você


2009

Seus olhos fitavam o ventilador de teto como se ele fosse muito interessante, talvez fosse o efeito da nicotina que fumava desde que acordou, à mais ou menos uma hora atrás. Seus lábios seguravam o cigarro mas o homem não fazia a mínima força para tragá-lo, apenas ficava ali, deitado e pensativo enquanto ouvia alguma música qualquer que estava tocando no rádio-relógio.

Fitou os números vermelhos do aparelho, indicavam nove e cinquenta da manhã, mas esse horário não mudaria muito a sua vida. Voltava a fitar o teto do seu apartamento e fumar lentamente enquanto apoiava sua mão sobre sua cintura, apenas se lembrando agora que estava completamente nu. Seu olhar caiu à sua esquerda, aonde um segundo corpo estava caído.

Não sabia se dava importância, se sua visão estava embaçada ou ambos, mas não conseguia reconhecer o rosto alheio. Suspirou forte enquanto se sentava, dando um tempo para prestar atenção na letra da música que tocava. O refrão falava algo sobre as pessoas não mudarem e apenas continuarem as mesmas e, claro, tudo aquilo o lembrava fortemente um determinado alguém.

Afinal, era exatamente por causa deste indivíduo que ele havia tomado essa rotina humilhante. Acordava cedo para trabalhar, depois ia para algum bar beber, se drogar e achar alguém para transar, depois da transa voltava para seu apartamento e dormia para conseguir energia o suficiente para reiniciar a rotina no dia seguinte. Às vezes acordava na casa de alguém, às vezes alguém acordava no seu apartamento, era comum.

O lençol da cama estava coberto de cocaína, uísque e sêmen, era mais que claro que levou algum desconhecido para seu apartamento na última noite. Mas quem diabos se importava? Essa rotina não fazia sentido e nem ao menos efeito, continuava acordando e pensando constantemente no passado. Apenas durava quando estava transando, o quê era mais ou menos quinze ou vinte minutos ao todo. Grande coisa? Acho que não.

Jogou a bituca de cigarro pela janela sem se importara muito e logo cobriu seu rosto, ainda ouvindo aquela mesma música. Até que gostava da melodia, mas a letra derrubava seu ânimo em direção ao fundo do poço e provavelmente não teria uma escadinha de madeira para subir novamente. Mas, em tal ponto da sua vida, talvez nem queria uma escada, acabou se acostumando com toda aquela parte ruim do fundo do poço.

A música mudava, dessa vez era mais calma, mas ainda assim triste. A voz provavelmente pertencia à alguma cantora que está fazendo sucesso no momento, mas não sabia dizer exatamente qual. Com toda certeza o locutor do rádio falaria em breve, não era motivo de preocupação, afinal de contas, era só uma música extremamente deprimente que piorava o seu atual estado.

Arregalou seus olhos ao ouvir um bocejo atrás de si, o desconhecido havia acordado. Não queria lidar com alguém logo de manhã, queria mesmo era ficar sozinho por um bom tempo, mas sabia que não conseguiria isso agora. Respirou fundo enquanto revirava os olhos, perdendo a paciência sem nem ao menos ter ouvido a voz alheia.

—Bom dia. — A voz do homem o irritava, talvez fosse por causa do seu mal humor matinal.

—Bom dia. — Respondeu num tom completamente seco, na esperança do outro desistir e ir embora por conta própria. Preferia ser odiado e nunca mais ver a cara dele do que aturá-lo.

—A noite foi incrível, não é? — Riu fraco. Dava graças à Deus por estar de costas para o outro, assim ele não veria o nojo estampado em sua face. 

—Não lembro.

—Como não? — Podia jurar que sentiu uma profunda ânsia de vômito ao sentir o homem apoiar o queixo em seu ombro para alcançar seu pescoço, depositando alguns poucos beijos ali enquanto aproximava a mão de sua cintura.

—Eu tava drogado e bêbado, olha... — Afastou a mão e arrastou-se um pouco para o lado, se livrando do toque alheio. — ... Eu não tô no clima, na real, eu quero ficar sozinho. Você pode ir embora, por favor?

—Como assim? — O outro assumiu um semblante incrédulo. — Você tá me dispensando?

—Você já me comeu, já se drogou, já ficou bêbado, tudo isso, acho que sim?  — Dizia como se fosse óbvio.

—Qual é, ainda dá tempo de repetir a dose. — Forçou um sorriso sedutor que apenas fez o outro sentir o estômago revirar em nojo

—Não estou no clima. —  Repetiu com mais convicção, numa tentativa de afastá-lo de uma vez, mas isso só piorou o semblante alheio.

—Escuta... — Se aproximou, logo sendo impedido quando a mão do outro foi contra seu peito.

—Não. — Estava ficando mais irritado com essa situação. Seu semblante foi de ódio para susto quando o outro circulou seu pulso com os dedos com bastante força. — Me solta! — Exclamou enquanto puxava seu braço para trás, mas o outro não fez o quê pediu.

—Eu não aceito um não.

—Você tá me machucando, me solta. — Pediu quase sem voz, tentando se livrar do aperto. Soltou um alto suspiro de susto quando sentiu o outro pegar sua outra mão, jogando-o com força contra a cama e se colocando por cima de si. — Me solta, eu juro que vou... — Praticamente gritou, mas não conseguiu terminar a frase, já que sua boca foi coberta com a mão do outro.

Usava sua mão livre contra o peito do outro, tentando o afastar de alguma forma, mas ele era muito forte. Já tinha a perfeita ideia do que ia acontecer ali quando viu ele rasgar um pedaço do lençol para substituir a própria mão, já sentia o medo crescer em seu âmago, mais e mais, e as lágrimas se acumularem em seus olhos.

Seus ombros eram pressionados contra o colchão com força, mas não era a coisa que mais doía no momento. Já havia perdido a conta de quantas vezes se relacionou com alguém dessa maneira, mas parecia a sua primeira vez, doía como o inferno tanto internamente quanto externamente, nunca havia sentido tanta agonia na sua vida.

Em tal ponto, nem ao menos tentava gritar contra o lençol ou empurrar o outro, tudo havia se tornado inútil, não conseguia nem descrever exatamente como se sentia. Seus olhos se fechavam com força força e as lágrimas apenas saíam, uma atrás da outra, nem tentava controlar, tamanha sua dor, desespero, angústia, tudo.

—Está gostando? — Foi tudo que ouviu antes de senti-lo atingir seu ápice, nem tendo forças para responder. Sentiu o completo vazio quando ele saiu de dentro de si, nem ao menos tirou os olhos do canto na parede que encarava, mas conseguia perceber de canto de olho que ele recolhia alguma coisa no chão, provavelmente suas roupas. — Espero te ver mais vezes, você é realmente bom. — E então ouviu o baque da porta, indicando que o outro havia ido embora.

Não se moveu. Continuou ali, na posição que o outro o deixou, nem se preocupando em tirar a mordaça de sua boca. Ficou uns bons minutos assim, ouvindo a música que tocava no rádio, remoendo o quê acabou de acontecer, chorando mais, mas sem mover um único músculo de seu corpo. Ainda estava ali, com os braços contra o colchão, as pernas doloridas, sentindo o sêmen alheio escorrer de dentro de si.

Provavelmente ficou parado uns vinte minutos pensando nisso, então finalmente se sentou na cama. Esfregou os olhos com força, tentando espantar as lágrimas intensas que iam e vinham. Tentava explicar o sentimento para si mesmo, era como se houvesse descoberto uma nova forma de morrer, seu corpo ainda respirava, seu coração batia, mas não estava vivo. Sentia-se completamente morto por dentro.

Mas, acima de tudo, se sentia culpado. Não havia feito nada, é claro, mas mesmo assim, a culpa queimava em suas costas. Talvez se não tivesse o chamado para sua casa, isso não aconteceria. Se não tivesse concordado com a presença dele na sua noite, isso não aconteceria. Era uma sensação tão grotesca, sentia que era errado se culpar por isso, mas ao mesmo tempo não conseguia pensar em outra coisa.

Se sentia completamente sujo, nojento, uma pessoa destruída eternamente. Apenas queria chorar. Era um sentimento enorme de exposição, como se inúmeras câmeras estivessem gravando seu corpo nu e expondo para milhões de pessoas verem, como se toda a população da cidade estivesse em sua janela vendo a sua atual situação, não sentia que seu corpo era um "túmulo sagrado", como as pessoas têm o costume de dizer, sentia que não era nada mais que um lixo público e descartado.

O único caminho que fez foi para o banheiro, aonde ficou longos minutos embaixo do chuveiro, se esfregando, chorando, tentando se livrar de todo aquele nojo que sentia por ele mesmo. Era horrível, se sentia o pior ser humano do mundo, a ideia de suicídio nunca se tornou tão forte e atraente em sua mente. Provavelmente se livraria daquele colchão e de toda aquela roupa de cama na próxima semana, nem pensava em levar isso até a polícia, afinal, não parecia uma solução útil em sua mente.

Quase uma hora depois, quando saiu do banho, apenas se enrolou numa toalha e se sentou no chão, ao lado do rádio-relógio, e puxou seu celular de dentro de sua calça jeans, que ainda estava jogada embaixo da cama. Ainda tinha o número de alguns poucos amigos seus, talvez fosse um momento bom para mandar uma mensagem, estava tão desesperado por apoio e por ideias de solução, mas mesmo com todo esse pensamento, tudo que fez foi desligar o celular e jogar em qualquer canto do quarto.

Então seria isso, mais um segredo que guardaria eternamente para si, preferia que fosse assim, não deixaria ninguém preocupado com seu sofrimento.


Notas Finais


Eu nunca usei um trauma pessoal tão bem, uau

Música do título : 'Til It Happens To You (Lady Gaga)
eu chorei muito lendo os comentários dessa música no letrasmus, nossa senhora

Basicamente é isso (não preciso dizer o quanto estupro é errado, preciso? Missing nunca foi uma fanfic leve)

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~Até a próxima


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